Anatomia de um Corretor de Merda
4 Capítulo 4: O GPS do Destino
Era o primeiro trabalho de campo da disciplina de Botânica Medicinal. A turma de Medicina de Shikadai e a de Enfermagem de Hilana foram levadas para as florestas ao redor de Konoha, onde as ervas raras usadas em jutsus de cura cresciam selvagens. O objetivo era simples: identificar espécimes e coletar amostras.
Shikadai, é claro, estava encarregado de guiar seu grupo. Ele abriu o mapa holográfico no seu novo celular.
— De acordo com o GPS, a Erva de Chakra Azul deve estar a 500 metros ao norte, perto da cachoeira — disse ele, tentando parecer profissional e ignorar o fato de que Hilana estava logo ali atrás, usando um chapéu de palha charmoso e anotando tudo em seu caderninho de papel.
— Tem certeza, Shikadai? — Hilana se aproximou, olhando para a mata fechada. — O cheiro da umidade vem do leste. As plantas de cura costumam seguir o fluxo do vento, não o satélite.
— O algoritmo do Nin-Tech 5.0 considera a pressão atmosférica e a inclinação do terreno, Hilana. É infalível — respondeu ele, embora uma parte do seu cérebro de estrategista gritasse que ela tinha razão.
Para piorar a situação, o celular vibrou. O corretor, percebendo que ele estava perto de uma "garota de interesse", decidiu enviar uma sugestão de mensagem para o grupo de estudos, para mostrar a "liderança" de Shikadai.
Shikadai, tentando fechar o pop-up rapidamente com o polegar, acabou clicando em "Enviar". A mensagem no grupo da turma foi:
"Estou levando a Hilana para um lugar úmido e escuro onde ninguém vai nos achar. Preparem as macas."
O que ele queria escrever era: "Estou levando a amostra para um lugar fresco e isolado para preservar a raiz. Preparem as caixas."
Em segundos, os celulares de todos os alunos na floresta começaram a apitar. Assobios e risadas ecoaram entre as árvores. Shikadai sentiu vontade de se camuflar como um camaleão.
— Shikadai... — Hilana chamou, olhando para o próprio celular (que ela só ligava em emergências). Ela mostrou a tela para ele com uma sobrancelha erguida. — "Lugar úmido e escuro"? Você está planejando um crime ou um encontro?
— É o corretor! Eu juro pelo nome do meu clã! — ele exclamou, guardando o aparelho com tanta força que quase quebrou a tela. — Eu queria dizer... a planta... a raiz... que saco!
Hilana riu, uma risada que parecia o som de sinos ao vento.
— Relaxe, gênio. Eu sei que você não é tão corajoso assim. Mas o seu GPS está errado. Se continuarmos por aqui, vamos cair em um pântano de lodo.
— O satélite diz que... — Antes que ele terminasse, o pé de Shikadai afundou em uma lama grudenta e cinzenta. O GPS havia confundido o reflexo da água na pedra com uma trilha seca.
Hilana, com reflexos rápidos de quem lidava com emergências no dia a dia, segurou a mão dele e o puxou para solo firme. Por um momento, os dois ficaram muito próximos. O cheiro de Hilana era de lavanda e papel novo, um contraste absoluto com o cheiro de eletrônico aquecido do celular de Shikadai.
— Viu só? — ela sussurrou, ainda segurando a mão dele. — Às vezes, o caminho certo não está na tela, mas no que a gente sente sob os pés.
Shikadai olhou para as mãos unidas. Ele sentiu o pulso dela — calmo, firme. Ele não precisava de um aplicativo para saber que aquele era o momento mais real que ele tivera desde que chegara à universidade.
— Você tem razão — admitiu ele, finalmente soltando o ar que nem sabia que estava prendendo. — Esse celular é um problema. Mas... ele acabou me trazendo para perto de você, mesmo que do jeito errado.
Hilana sorriu e, pela primeira vez, foi ela quem tomou a iniciativa de caminhar na frente, guiando-o pela mata usando apenas a intuição e o conhecimento dos livros antigos.
Shikadai a seguiu em silêncio. Ele percebeu que, em Konoha, ele poderia ser o melhor médico com o melhor equipamento, mas para conquistar Hilana, ele teria que aprender a ler o mapa do coração dela sem nenhuma ajuda digital.
Ao longe, o celular no bolso dele brilhou uma última vez com uma notificação: "Destino alcançado?".
Shikadai sorriu para si mesmo. Sim, o destino estava logo ali na frente, usando um chapéu de palha e colhendo flores de cura.
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