Anatomia de um Corretor de Merda

5 Capítulo 5: O Lembrete do Desastre


Shikadai Nara estava decidido. Após os fiascos anteriores, ele resolveu que a tecnologia não seria mais o intermediário entre ele e Hilana. Ele estava sentado na biblioteca da Universidade de Konoha, escrevendo à mão em seu caderno de anatomia.

— Estratégia simples. Sem Wi-Fi, sem problemas — murmurou ele.

Ele planejava convidar Hilana para jantar no Ichiraku pessoalmente, após a aula de Bioquímica. Para não esquecer o horário e o local, ele abriu o aplicativo de notas do celular e digitou um lembrete rápido para si mesmo: "19h — Ichiraku com Hilana (Ramen e conversa sem o corretor de merda)".

O que Shikadai não sabia é que, na atualização do sistema de Konoha daquela manhã, a função "Assistente de Agenda Compartilhada" fora ativada por padrão. O sistema identificou o nome "Hilana" nos contatos e, pensando ser um convite de calendário acadêmico, transformou o lembrete em uma notificação oficial de "Atividade em Grupo".

O problema começou quando o corretor ortográfico entrou em ação para "limpar" o texto e deixá-lo mais "profissional" para o convite. O algoritmo interpretou as palavras de Shikadai de forma desastrosa.

No tablet de estudos de Hilana, que estava na recepção do hospital universitário, surgiu a seguinte notificação prioritária:

"CONVITE DE ATIVIDADE EXTRA: 19h — Buraco com Hilana (Ralo e coceira sem o corretor de merda). Confirmar presença com: Shikadai Nara, o Garanhão."

Shikadai só percebeu que algo estava errado quando viu Hilana caminhando em sua direção no corredor da faculdade. Ela não parecia brava, mas tinha um sorriso travesso que o deixava mais nervoso do que um exame final com a Dra. Tsunade.

— Shikadai — chamou ela, mostrando a notificação na tela. — Eu sabia que a Medicina de Konoha tinha aulas práticas estranhas, mas "Ralo e Coceira"? E desde quando você assina seus compromissos como "O Garanhão"?

Shikadai sentiu o sangue fugir do rosto. Ele pegou o próprio celular, que agora exibia orgulhosamente: "Evento compartilhado com sucesso!".

— Hilana, eu... eu juro! Era para ser "Ramen e conversa"! O celular transformou meu lembrete em um convite público! — Ele cobriu o rosto com as mãos, o rabo de cavalo balançando com o tremor de sua cabeça. — "Que saco... esse aparelho é um inimigo infiltrado!"

Hilana deu uma risada leve e fechou a aba da notificação.

— Sabe, Nara, se você queria me convidar para comer Ramen, bastava falar. Não precisava criar um evento oficial no sistema da universidade. Agora metade da turma de Enfermagem acha que nós temos um encontro marcado em um ralo.

— Eu vou jogar esse celular no Monumento dos Hokages — prometeu ele, com uma sinceridade assustadora.

— Deixa o celular em paz. Mas vamos fazer o seguinte: o jantar no Ichiraku continua de pé, mas com uma regra — Hilana se aproximou, o perfume de lavanda se sobrepondo ao cheiro de eletrônico aquecido. — Você vai deixar o celular no silencioso e dentro da minha mochila. Se ele vibrar, eu tenho permissão para deletar sua conta de estudante.

— É a melhor estratégia que eu ouvi o dia todo — admitiu Shikadai, sentindo o coração finalmente desacelerar... até perceber que teria que passar a noite inteira conversando com ela sem nenhuma tela para se esconder.

O jantar no Ichiraku correu maravilhosamente bem. Sem o celular, Shikadai descobriu que era capaz de manter uma conversa por mais de dez minutos sem gaguejar. Hilana contou sobre seu sonho de levar a enfermagem para as vilas mais remotas do País do Fogo, e Shikadai confessou que, apesar de ser um gênio, ainda tinha medo de errar o ponto de uma sutura.

Pela primeira vez, não houve mensagens erradas, fotos borradas ou notificações de "IA". Apenas o barulho das tigelas de cerâmica e o calor do vapor do Ramen.

No entanto, ao final da noite, quando Hilana devolveu o celular para Shikadai na porta do alojamento, o aparelho brilhou uma última vez. Como ele estava no silencioso, Shikadai só viu a mensagem depois que ela já tinha ido embora.

O corretor, detectando o fim do "evento no Ichiraku", enviou uma mensagem automática de agradecimento para Hilana:

"Obrigado pela noite. O ralo estava ótimo, mal posso esperar para te examinar de novo."

Shikadai olhou para a tela. Olhou para o caminho por onde Hilana tinha sumido.

— É oficial — sussurrou ele para a noite vazia de Konoha. — Eu sou um gênio morto.