Amy Chase & Olimpianos
6 Minha primeira conversa entre Pai e Filha
Notas iniciais
Eu estava frente a frente a meu pai. Estava sentindo um misto de sentimentos, com pensamentos e dúvidas que se recusavam a sair da minha cabeça. Agora não restavam dúvidas de que aquele era George, meu pai. O homem pelo qual Atena havia se apaixonado. O homem que deveria ter me criado se a vida não estivesse sida injusta o bastante a ponto de me arrancar do seus braços.
–Filha? — Meu pai disse com uma voz calma e tranquila. -Eu espero que você me perdoe por não ter aparecido naquele dia, mas eu estava indo lhe buscar, eu queria ter você por perto. Não tenha dúvidas quanto ao meu amor por você, Nara. Mesmo estando com os mortos no Mundo Inferior, eu sempre te amei, você e sua mãe são muito especiais para mim.
–Pai... Quem é Nara? De quem você está falando? -Perguntei. Confusa por tudo o que ele estava dizendo e, por um momento, pensando se ele era realmente meu pai, ou ele apenas confundiu nomes.
–Oh, me desculpe. Você é a Amy. Você era parecida com a outra. Às vezes eu ainda confundo querida. -Atena. Ele só poderia estar falando dela. Talvez os deuses, quando assumissem sua forma humana, eles criavam novos nomes. Um nome mortal, para passarem despercebidos. Será mesmo eu posso ter algum traço de semelhança com minha mãe? Será que eu queria parecer-me com ela? Eu não sei. Pela primeira vez eu não tinha respostas. E isso estava me deixando louca. Eu nunca tinha respostas para o meu próprio sentimento.
Por um momento ninguém falou mais nada. Eu apenas o encarava, esquecendo totalmente das pessoas que estavam em volta. Pela primeira vez em anos eu podia vê-lo, ver seu sorriso reconfortante. Era como de o mundo tivesse parado, eu só o olhava. Ele só me olhava. E não conseguia parar de pensar no que poderíamos ter passado juntos, das coisas que teríamos feito em vida, lado ao lado.
–Amy, me desculpe interromper esse momento, mas, nós podemos falar um pouco sobre a missão? -Perguntou Bruce. Fazendo-me voltar para a realidade.
–Oh... Vocês estão o consultando para saber melhor o futuro? -Perguntou Annabeth.
–Sim Annabeth. -Respondeu Tiago. -Os mortos são muito bons para poder nos dizer um pouco sobre a missão. Eles viveram o passado, veem o presente e sabem do futuro. Quem melhor para consultarmos?
Annabeth hesitou, mas balançou a cabeça em sinal de aprovação. E como uma deixa, Bruce olhou na direção do fantasma, meu pai, e perguntou como poderíamos fazer para que nossa missão fosse bem sucedida.
–Quando chegar o momento certo e a verdade aparecer, vocês saberão o que fazer.
–De que verdade você está falando, pai?- Perguntei.
–Quando chegar a hora vocês saberão, Amy. Mais do que isso eu não posso. Vocês deverão traçar os próprios destinos, e saber as escolhas que deverão fazer.
–Quanto às pessoas certas a irem nessa missão? -Perguntou Annabeth.
–Só lembre-se de uma coisa: Os irmãos começaram a batalha e só os irmãos poderão acabar com ela. Mais do que isso ninguém saberá, o futuro está nebuloso. Por isso vocês são especiais. Pela primeira vez ninguém sabe o que está por vir, o futuro está definitivamente nas mãos de vocês.
Eu não compreendia o que ele queria dizer. Mais eu não precisava me preocupar com isso agora, pois Annabeth havia me falado que se você tentar decifrar ou fizer com que a profecia não se cumpra, coisas ruins aconteceriam. E com tantas coisas que estavam acontecendo na minha vida, coisas ruins era o que eu menos queria. Mesmo que talvez ninguém tivesse entendido, todos assentiram. O silêncio tomou conta de todos por algum tempo. Entendi isso como se todos houvessem acabado com as perguntas.
–Pai...
–Oi, querida?
–Você me pediu que eu lhe perdoasse... Por que exatamente? — Perguntei.
–Eu já lhe disse, achava que você era a outra. Não sei por que me confundo ainda, vocês não parecem mais iguais. -De novo ele falou em outra, e que nós éramos diferentes agora, mais fomos parecidas um dia. Talvez quando ele ainda estivesse em vida. Mas, agora me pergunto se ele estava mesmo referindo-se a minha mãe, Atena. -Mais quando a verdade chegar você deverá ser forte, querida. E vai ser nesse momento em que vou precisar do seu perdão e do perdão dela.
Olhando para ele agora, pude ver por que Atena havia se apaixonado por ele. Ele era bonito, com um sorriso tranquilizador, cabelos bem pretos e um lindo olhar. George Chase, meu pai, irradiava beleza, inteligência e tranquilidade. Era jovem, ainda cheio de sonhos.
Ele estava com calças Jeans, blusa branca, e isso tudo combinava com o seu sorriso. Ao seu redor havia uma luz azul, talvez como um lembrete de que ele ainda estava morto. Olhando bem, ele parecia está indo em direção a um encontro. Então me lembrei de outra coisa. George Chase havia falado que estava indo lhe buscar, e queria me ter por perto. E lembrei de que Marta havia dito que meu pai tinha sofrido o acidente quando ele iria em direção a um encontro, possivelmente com minha mãe.
–Você estava indo encontrar com Atena, não é mesmo?
–Do que está falando, Amy? -Perguntou meu pai.
–Do acidente. Do momento em que você... que você...
–Do momento em que eu morri. Continue filha.
–Estava indo encontrar com ela. Você não a abandonou igual os outros. Mesmo depois de eu nascer você continuou com ela?
–Sim Amy. -Agora o sorriso se desfazendo do seu rosto. Eu havia tocado em um ponto difícil na sua vida. E isso ficou bem claro. Eu não queria magoa-lo, mais eu precisava saber mais sobre isso. Eu precisava saber o que teria acontecido se meu pai não estivesse morto. -Eu continuei amando Atena. Mesmo agora, eu ainda a amo. O amor, querida, quando é verdadeiro, dura até mesmo depois da morte. Ainda a amo, e continuarei amando-a em todo o tempo que estiver no Mundo Inferior.
–Você estava sozinho no carro? -Perguntei.
–Sim, Amy. -Eu não sabia que era possível, mais ele agora estava derramando lagrimas. Para ser sincera, eu também estava. Ele já deveria saber a pergunta que deveria vir.
–Então vocês não se encontraram nesse dia?
–Não... Eu não pude aparecer no encontro. Sua mãe com certeza deve ter ficado com um sentimento de raiva sobre mim. Afinal, ela compareceu no encontro marcado, eu não. Era pra ter sido um dia especial, Amy. Nós finalmente iríamos decidir nosso futuro, e eu não apareci. A vida foi tirada de mim, antes que eu pudesse decidir o que iria fazer com ela.
Cheguei mais próximo a ele. As lagrimas ainda caindo. Queria poder passar a mão no seu rosto e enxugar suas lagrimas. Mais ao mesmo tempo ainda tinha medo de que quando se encostasse a ele, ele se desfizesse, e como os outros fantasmas que fosse reduzido a pó.
Mesmo assim coloquei minha mão próxima ao seu rosto. Mas, só próximo o bastante para que a luz azul que emitia do seu corpo ficasse em um tom fraco em minhas mãos. Passei a mão contornando o seu rosto, ele só conseguia olhar para o chão, dentro da sua profunda tristeza.
Coloquei-me em seu lugar. Tendo a vida tirada em um acidente que não foi provocado por ele e, deixando em vida mulher e filha. E agora, depois de 13 anos, encontrando com sua filha e, assim como eu, ele deve estar pensando em todas as coisas que poderíamos ter passado juntos.
–Uma ultima coisa, Amy. Você vai ter de fazer alguns sacrifícios na missão. Quando a morte leva alguém que amamos, a dor é quase que insuportável, eu sei. Mas afinal, na vida sofrer é sempre necessário. Todos nós sofremos um dia, e todos sentimos a dor da morte de um ente querido. Vai doer, mas, o que nós perdemos nessa vida que não causa dor?
–Eu sei disso mais do que ninguém. Eu perdi você sem nem ao menos poder aproveitar o tempo que passei ao seu lado.
–Esta na hora de ir, querida. -Ele finalmente parou de encarar o chão e fitou meus olhos, ainda cheio de lágrimas.
A imagem dele tremeluziu, ele me deu um olhar acolhedor, dizendo que estaria comigo onde quer que eu vá.
–Me perdoe por ter escondido a verdade de você Amy... Quando chagar a hora me perdoe... Não fui eu que escolhi esse destino para você.
–Eu te perdoo pai, aconteça o que acontecer eu vou te perdoar. Não tive a oportunidade de conviver com o senhor, mais sei que você não fez nada que precisasse do meu perdão. Mesmo assim, se você pede, desde agora eu já te perdoo.
–Você não sabe o que aconteceu ainda criança, quando você souber eu espero que o sentimento que você sente por mim ainda seja o mesmo. Falou meu pai, com um ar de tristeza. Lembre-se do que eu te falei sobre a missão. — Agora ele olhava um por um todos que estavam em volta. Eu, Annabeth, Bruce e Tiago. Ele também devia estar confiando em nós, meios-sangues de uma forma geral, ele sabia que nós poderíamos ser de grande ajuda aos deuses. -Foram os irmãos começaram a batalha e só os irmãos tem o poder de acabar com ela
Então ele começou a se desfazer, começando dos pés e subindo em direção a cabeça. Antes que estivesse todo reduzido a pó, me disse uma ultima coisa, que eu nunca iria tira-la da cabeça. -Eu te amo, Amy -Falou meu pai, como um adeus.
–Eu te amo também, pai. -Falei, agora sem tentar conter tanto assim as lágrimas. Até que ouvi algo vindo da floresta atrás de nós.
–O que está acontecendo aqui? -Indagou uma voz, que vinha da floresta. Quando me virei, a voz vinha de Quíron, que agora saiu da floresta e estava visível. E olhando para nós, Annabeth, Bruce, Tiago e eu, ele fez outra pergunta mais uma vez. -O que vocês estão fazendo e com quem estavam falando?
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