Amy Chase & Olimpianos
7 Recebemos nossas armas
Notas iniciais
– Eu não queria precisar perguntar outra vez – Continuou Quíron – mas vocês não estão me dando alternativas. O que vocês estão fazendo há essa hora na floresta?
Virei de costas a ele, para que não visse as lagrimas que continuavam a cair.
– Foi tudo culpa minha Quíron. — Falou Annabeth, que para minha alegria, conseguiu contar uma desculpa convincente — Amy não estava conseguindo dormir por conta da missão, e eu decidi traze-la aqui para tomar um ar fresco, respirar e relaxar um pouco.
Já tinha conseguido enxugar minhas lágrimas, e esperava que a escuridão da noite disfarçasse meus olhos vermelhos. Quíron, ainda desconfiado, nos examinou com cuidado.
– O que os meninos estão fazendo aqui?
Essa pergunta havia pegado Annabeth de surpresa. Olhei para a cova, quase imperceptível sem o líquido borbulhante e a sombra que pairava a cima dela. Pedi aos deuses para que Quíron não a visse.
– Pedi para Annie os chamar. — Falei
– Tudo bem. — Falou Quíron. Ele não deve ter acreditado naquela história, mais preferiu não fazer mais perguntas. — É melhor irem para cama. Falaremos da missão no amanhecer, como já havíamos combinado. É bom que descansem, não esqueçam que ainda hoje deveram partir para a missão.
Com essa, todos voltamos para nossos chalés em silêncio.
Para falar a verdade, não consegui mais dormir. Em uma só noite eu tive um sonho confuso e uma emocionante conversa com meu pai. Com a cabeça sobre meu travesseiro, só conseguia pensar e chorar em silêncio. Eu não poderia demonstrar fraqueza, isso seria o pior. Iria em direção à morte e não poderia demonstrar o medo de fracassar.
E entre um pensamento e outro, o dia logo chegou. Annabeth levantou de seu beliche quando o despertador tocou.
– Você tem um longo dia pela frente. Quando sair do banho, nós iremos para o café da manha no refeitório, e depois falaremos com Quíron.
Levantei do beliche e, depois de Annie tomar banho, foi a minha vez.
Vesti-me com a roupa que Elaine me dera, coloquei meu cabelo em um simples rabo de cavalo e sai para o café ao lado de Annie.
Tomamos o café em silêncio. Talvez ainda estivéssemos com a cabeça na noite anterior.
Depois de um café da manhã reforçado, fomos encontrar com Quíron. Quando chegamos à arena, onde Annabeth disse que Quíron nos esperava, encontramos com Tiago, Bruce, Rachel e Diego, que logo me deu um longo sorriso.
– Já que estamos todos aqui, vamos continuar de onde paramos ontem — Falou Quíron. — O principal agora é sabermos quem são os semideuses a irem para a missão.
– ''A sabia, a flecha e a caveira''. Isso com certeza significam uma filha de Atena, um filho de Apolo, que pode ser representado por uma flecha, e um filho de Hades. — Disse Elizabeth Dare.
– O filho de Apolo, com certeza deve ser o Diego, pois ele foi o único a ser reclamado nesse tempo de turbulência entre os deuses. – Falou Annabeth.
– Depois de vocês terem saído na reunião de ontem, Rachel e eu decidimos que deverá ser Amy a representar a sabia. – Quíron falou, e não me surpreendi com essa decisão.
– E quanto à caveira? – Perguntou Diego.
– Bruce deverá ir. Ele é o mais próximo a Amy – Falou Annie.
– Não. – Disse Bruce para a surpresa de todos.
– Como não, Bruce? Você não quer ir – Perguntou Quíron.
– Não é isso. Conversei mais Tiago e ele é o melhor para ir. Apesar de ser mais novo, foi reclamado primeiro, e recebeu mais treinamento para uma batalha.
– Bem, apesar de tudo, isso é uma escolha de Amy. A missão foi concedida a ela, e ela deverá dizer se é melhor levar Tiago, ou levar você mesmo Bruce. – Disse Annabeth.
Foi confuso para mim. Para falar a verdade, achava que seria Bruce que embarcaria ao meu lado nessa jornada. Mas, por algum motivo, ele mesmo pediu para não ir. Não deveria ser o que ele queria de verdade, pois sentia um pouco de tristeza no seu olhar.
– Levarei Tiago. – O rosto de Bruce relaxou, como se um peso tivesse sido tirado dele. Não conhecia muito Tiago, mais ele parecia uma pessoa legal para ter ao lado. Mas fiquei bastante triste, pensando que por alguma coisa Bruce não quisesse minha companhia.
– Outra coisa a se falar é os perigos que deverão encontrar no caminho – Disse Rachel Elizabeth Dare.
Era a última coisa que queria falar. Iria para uma missão sem ao menos ter um dia de treinamento. Tenho certeza de que quando o primeiro monstro atacar, eu serei a primeira a morrer. Iria para salvar o mundo sem nem saber como me salvar.
– Os deuses estão com raiva uns dos outros, crianças. – Quíron disse.
– Por que os deuses ficariam com raiva deles próprios? – Perguntei.
– Quando chegar o momento certo você saberá Amy. – Interveio Rachel. – Mas continuando, o Quíron havia dito que missão de vocês será deter é dos deuses contra os próprios deuses. O que nos da certeza que eles tentarão interver vocês de qualquer maneira. Tentarão...
– Nos matar. – Completou Diego. – É isso? Os próprios deuses tentaram nos matar?
Depois de um longo silêncio, Rachel disse:
– Sim.
– Então, além de monstros, os deuses também tentarão nos impedir de salvar o mundo. – Falou Tiago. – Mas, como enfrentaremos uma batalha com deuses? Quer dizer, os monstros podem ao menos ser mandados para o Tártaro, mas e como enfrentaremos deuses imortais?
– Alguns vão tentar deter vocês, outros o ajudarão. Mais o principal a dizer é que eles estarão ocupados demais para ir diretamente a vocês e tentar uma batalha. Bem, é isso que nós esperamos pelo menos.
– Como Hades fez mandando Cérbero para a escola de Amy. – Completou Rachel. – Mais por mais que sejam obstáculos difíceis, vocês deverão conseguir.
– Bem, acho que isso é o essencial para falarmos. Agora, vocês devem arrumar a suas mochilas com o essencial, e nos encontraremos na colina. Mandarei Argo, o motorista do acampamento, levar vocês até algum local para poderem embarcar na missão por si própria.
– Eu posso leva-los pelas sombras. Apenas três, eu consigo. – Disse Tiago.
– O que você acha Amy? – Perguntou Annie.
– Eu nunca viajei nas sombras antes. Mais não deve ser tão ruim quanto parece. – Falei.
– Então por hoje é isso. Arrumem a mochila com o que vocês irão levar e me encontrem atrás da casa grande.
Todos saíram e, junto com Annabeth, me dirigi até o chalé de Atena.
E em pouco tempo Elaine apareceu com um grande sorriso trazendo nas mãos uma mochila de tamanho médio com duas camisas laranja do acampamento, uma calça e um Jeans.
Tanto ela como alguns campistas, me abraçou e me deu boa sorte. Era mais um grupo de pessoas que confiavam em mim, e mais pessoas para que eu não queira decepcionar.
Fui a primeira a chegar à Casa Grande junto com Annabeth, seguida por Tiago e Bruce, o qual veio se despedir e me desejar boa sorte. Logo depois se podia ver Diego vindo com outra pessoa, uma menina.
Chegaram à sombra da Casa Grande, e se abraçaram. A menina tinha cabelos bem pretos, com olhos cinza tempestuosos, igual à maioria dos filhos de Atena. Ela me parecia familiar. Devo ter visto ele hoje justo a Elaine, em busca de minha mochila. Deve ser mais do que isso, mais não forcei minha cabeça numa coisa simples, deveria pensar mais na missão.
– Vamos Diego. – Chamei.
– Já estou indo. – Ele falou.
Deu um último abraço na garota, que olhou bem nos olhos dele e disse:
– Eu confio em você. Nós passemos por muita coisa juntos e, eu sei que você vai conseguir. Vai ser o herói, eu sei disso.
– Você sempre consegue me colocar para cima, Nara. Mesmo quando estou indo em direção à morte.
A garota pareceu triste ao ouvir Diego dizer seu nome.
– É Nayra, Diego. Por favor. Não me faça lembrar o passado.
– Desculpe. Agora esta na hora de irmos.
– Tchau. – Nayra respondeu.
Diego se aproximou de nós e, antes que pudéssemos ir, Quíron veio em nossa direção, trazendo algo em suas mãos. Um pequeno galho.
– Todos vocês devem embarcar com armas, para que possam se defender. – Disse Quíron, entregando o galho a Diego. – Esse é o galho que a coruja de Atena deixou cair em sua cabeça. Ele não sumiu, apenas reapareceu em outro lugar. Neste caso, no chão, pois ainda não foi dada a você. Mais ponha no bolso. Sempre que colocar em suas mãos, ela se tornará uma flecha e um arco deverá aparecer em sua outra mão, junto com uma aljava em suas costas. E por mais que jogar, ela sempre aparecerá no seu bolso. Provavelmente o mesmo assessório que seu pai usa. Um presente de Atena a você. O nome dela é Vélos
– Flecha de luz. – Traduziu Diego – Obrigado. Agora é hora de irmos.
– Mas, Quíron, e minha arma?
– Oh querida, você já tem sua arma. Strátegos. Quando estiver em perigo, é só puxar a coruja, criança. .Experimente.
Olhei para a coruja que Elaine me dera. Arranquei o colar do meu pescoço, E quando ele estava completamente sobre minha mão, fundiu-se uma espada de Bronze. Uma espada bem maior do que a de Annabeth, a qual matou Cérbero. No cabo havia a palavra em grego Strátegos.
– Estratégia. – Sim, eu sei um pouco de grego.
Minha arma era a minha estratégia.
– Isso mesmo. Para voltar a ser um colar, apenas diga o nome dela em grego. Faça bom uso dela.
Fiz o que Quíron disse. Depois de meu colar reaparecer em minha mão em meu pescoço.
– Quíron, não se esqueça de dizer obrigada a Elaine por mim.
Então partimos. Deixando Quíron, Annie, Bruce e Nayra, e partindo para viajar de mãos dadas com Tiago nas sombras. Nossa missão iria definitivamente começar.
Fale com o autor