Amy
9 unStable Girl – Parte 1
Notas iniciais
Capítulo 9 – unStable Girl – Parte 1
Eu teria que me acostumar a dividir a guarda de Henry com Emma. O que não estava sendo fácil, pois eu ainda não conseguia me acostumar com essa mulher em minha vida. Quer dizer, tudo era tão mais fácil antes dela. Claro que antes tudo era mais fácil! A cidade era minha! Eu controlava a todos. Todo mundo fazia exatamente o que eu queria que fizessem.
Não havia surpresas. Não havia nada fora do controle. Não havia quebra de expectativas. Tudo era da forma que eu havia planejado. Então, ela apareceu, colocando tudo de cabeça para baixo e dando a essa cidade inteira uma esperança de algo que... eu nem sei. Eu não sei o que ela deu a eles, porque a mim, ela só deu – e só tem dado – muita dor de cabeça.
Já faz alguns meses que a maldição foi quebrada e a cidade inteira se juntou contra mim e lá estava ela para me defender. Quem ela pensa que é? O que a faz pensar que eu preciso de alguma forma de sua proteção? Eu não preciso dela. Eu nunca precisei.
Eu podia ter simplesmente lidado sozinha com aquele Wraith. Eu poderia ter desistido da minha própria existência, se isso significasse a segurança do meu filho. Ela de forma alguma precisava se meter em todas as vezes que eu, supostamente, precisei de ajuda. Então por que ainda assim ela me ajudava?
Eu não sei. Na verdade, eu não me questiono mais sobre isso. Eu poderia ter deixado também que ela fosse arrastada através daquele portal junto com a sua mãe e, então, hoje eu não precisaria dividir Henry com mais ninguém, além de mim mesma. Mas acho que eu fui fraca demais ou talvez meu inconsciente soubesse melhor. Henry precisava dela e ele nunca me perdoaria se eu a deixasse ir.
De qualquer forma, não acho que eu deva me questionar tanto sobre minhas decisões do passado, mas ainda assim eu me questiono. Acontece que os dias estão sendo tão difíceis, que eu não consigo parar de pensar em como as coisas poderiam ter sido diferentes. Como, por exemplo, seria não ter Emma em minha vida e principalmente em minha casa.
Quer dizer, foi muito estúpido e até extremamente precipitado de minha parte ter aceitado a ideia de Henry e deixar Emma morar com a gente. Porém, a ideia de ver meu filho apenas nos finais de semana ou apenas algumas horas por dia, era mais absurda que aceitar aquela mulher todos os dias em minha casa. Então, eu aceitei e pensei que não teria problema. Afinal, a casa era enorme e eu não achava que a veria sempre. Porém, eu estava tão errada.
Ela estava em toda a parte e havia conseguido mudar metade da decoração da casa. Seu perfume estava por todo o canto, o que era de certo modo insuportável. Eu queria minha casa de volta. Eu queria minha privacidade de volta e eu não queria mais ter que dividir o meu filho. Pois, afinal, era o que ele era: Meu filho!
Qual era a dificuldade de ela entender isso? Por que ela simplesmente não foi embora quando teve a chance? Eu estava novamente remoendo as coisas das quais eu não podia mudar. Eu tinha que aprender a lidar com ela, com a sua presença e com o seu perfume que já estava impregnado em cada cômodo. Eu teria que me acostumar com suas botas e suas jaquetas espalhadas pela casa. Eu teria que me acostumar com a música alta que ela sempre ouvia pela manhã e que eu – ao contrário de Henry – odiava.
Eu não preciso dizer que ela sempre cantava com a música e que sabia todas as letras. Era muito irritante. Tudo nela era irritante. Tudo nela me incomodava. Eu queria que ela simplesmente ficasse no quarto de hóspedes, que eu havia cedido, e que só saísse de lá quando eu não estivesse na mansão. Eu queria que ela não se metesse na cozinha e que parasse de queimar as panquecas no café da manhã.
Era assim minha vida com Emma e ‘nosso’ filho. Eu me controlava a cada segundo para não entrar em uma discussão. Nós sempre esperávamos que Henry saísse de casa para começarmos a soltar as primeiras farpas do dia. Estava ficando cada vez mais ridícula essa situação. Ela já não mais me levava a sério e ria em todas as nossas brigas ou me deixava falando sozinha no meio de uma discussão.
Mas eu não desistia, eu não abria mão de discutir com ela pela manhã. Até parece que eu deixaria de discutir, quando Emma caminhava em direção ao meu banheiro pela manhã. Isso mesmo, meu banheiro, usando a desculpa de que o dela estava com um vazamento. Ela poderia chamar um encanador e resolver isso, mas não, deixava para que eu resolvesse e eu simplesmente não faria isso. Não que eu não quisesse ter meu banheiro de volta, mas é que eu não lhe daria esse gostinho.
Eu tenho que acrescentar que Emma sempre dormia só de camiseta e calcinha. Ela não tinha vergonha alguma de andar assim pelos corredores do primeiro andar em direção ao meu quarto. Ela poderia colocar uma calça e ir até o outro banheiro, mas não, fazia questão de todos os dias invadir o meu quarto. Eu também poderia trancar o meu quarto e impedir a invasão, mas eu também não o fazia.
Para completar, eu tentava entender como é que alguém conseguia acordar todos os dias as cinco e meia da manhã, com os cabelos completamente bagunçados, o rosto amassado e, ainda assim, extremamente linda. Eu não aguentava mais essa mulher. Eu não aguentava mais cada detalhe insuportável que ela havia trazido junto com suas malas.
Eu não aguentava mais ter que acordar primeiro, para não perder a cena de ela invadindo meu quarto, apenas de camiseta e calcinha, correndo em direção ao meu banheiro, enquanto eu rezava para que ela invadisse minha cama na volta. Ela nunca fazia, apenas saia do quarto, dizendo que seria a última vez e eu voltava a dormir. De todas as coisas que eu mais odiava em Emma, definitivamente o fato de que ela me fazia questionar minha sexualidade era o mais irritante deles.
“Srta. Swan, me diga qual é a dificuldade de colocar uma calça antes de sair do quarto?” Eu a questionei, aos berros, quando ela enfim saiu do banheiro.
Eu estava sentada em minha cama e Emma parada à porta do banheiro. Ela deu de ombros, me direcionando um olhar como se minha pergunta fosse a mais absurda possível.
“Ah, qual é, não é como se você não tivesse o que eu tenho.” Respondeu.
Eu me perguntei se ela fazia ideia de que, às vezes, eu me pegava pensando que o que ela tinha, era exatamente o que eu queria. Essa mulher me deixaria louca.
“Não é essa a questão.” Eu respondi, voltando ao meu tom de voz, mas ainda assim tentando deixar que minhas palavras soassem com o máximo de raiva possível. “Henry poderia estar acordado e ver tudo. Além disso, essa não é sua casa. Você está aqui como uma hóspede e eu não saio por aí andando de calcinha.”
Emma cruzou os braços, sua camiseta cinza cobrindo até a altura de sua cintura, deixando sua calcinha vermelha a vista. Ela não me respondeu, era como se estivesse refletindo a respeito ou talvez apenas me provocando com a espera.
“Você devia dizer logo ao Henry que isso de morarmos todos juntos não está dando certo.” Respondeu, em um tom baixo, como se admitir isso em voz alta a incomodasse.
Não era essa a resposta que eu esperava e eu não soube como reagir. Não estávamos nos dando bem de fato, não estava sendo um mar de rosas. Tudo isso havia sido ideia de Henry e eu apenas tinha concordando com ele. O acordo havia sido claro, se não desse certo, Emma voltaria a morar com seus pais e ele poderia ir junto, se quisesse.
Então, nós teríamos que nos ver apenas algumas vezes por semana ou nos finais de semana e nenhum de nós queríamos isso. Nós aceitamos a ideia de Henry, mas agora as coisas estavam intensas demais, complicadas e íntimas demais. Ela estava certa, eu devia dizer logo a Henry que não estávamos dando certo, pois era essa a verdade.
“É o que você quer?” Eu perguntei.
“Eu não sei. Eu quero o que for melhor para Henry. Eu não sei se isso é o melhor para ele. Eu sei que estamos nos esforçando para não brigar na frente dele, mas sejamos sinceras, ele deve sentir o clima entre nós. Eu não acho que isso faça bem a ele.” Respondeu, me roubando todas as palavras.
Eu não sabia se eu queria que ela fosse embora. O que eu queria era facilitar minha vida e entender todos esses sentimentos e confusão de emoções que essa mulher me fazia sentir.
“Entendo. Nós podemos conversar com ele hoje à noite.” Eu respondi.
“Vai ter que ficar para amanhã. Hoje à noite eu gostaria de levá-lo para jantar com meus pais. É aniversario do meu pai.” Ela disse. “Você gostaria de ir com a gente?” Eu dei uma risada em resposta, pois eu tinha certeza de que a última coisa que os pais dela iriam querer era eu como intrusa em uma festa deles.
“Não. Eu acho melhor não. Obrigada pelo convite.”
“Tem certeza? Quer dizer, vai jantar sozinha?”
“Sim, não seria a primeira vez que isso acontece, Srta. Swan. Além do mais, Henry não faz tanta questão assim de jantar com a mãe dele.”
“Bem, você que sabe. O convite está feito, Srta. Mills.” Respondeu, antes de sair do quarto. Eu a vi partir, admirando por alguns segundos o quanto ela estava linda com aquela calcinha.
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Eu passaria o dia inteiro sozinha, então, resolvi levar o trabalho para casa. Eu me encontrava há quase duas horas trabalhando em alguns documentos, tentando arquivar tudo o que eu já devia ter arquivado. Eu não teria condições alguma de terminar a tempo e já estava me arrependendo de não ter ficado na prefeitura, onde minha assistente poderia ter me ajudado.
De qualquer forma, eu não tinha nada planejado para minha noite, de modo que não era um castigo passar a noite trabalhando. Eu dei uma pausa e pedi um almoço no Granny’s, pois não queria perder tempo preparando algo. Minutos depois, eu escutei a campainha tocar, deixando meus documentos na mesa do escritório e caminhando em direção à porta.
Assim que eu abri a porta, me deparei com uma garota loira, com um copo de café na mão e uma embalagem de papel da Granny’s. Ela era um pouco mais baixa que eu, cabelos curtos, em um corte Chanel, com uma franja longa, que caia em seus olhos. Aparentava ser bem nova, suas roupas entregavam isso. Jeans desbotado e rasgado na altura dos joelhos, camiseta verde folgada, que deixava um de seus ombros de fora, com um símbolo estranho no meio, que eu já tinha visto em uma das revistas de Henry. Usava também um par de velhos all star, com cadarços tão rosas que chegavam a arder minha vista. Tudo nela se destacava, mas, de alguma forma, eram seus olhos azuis que mais me chamaram a atenção.
“Acho que vocês nunca entregaram tão rápido.” Eu disse, pegando de sua mão a embalagem de papel e o café. A garota me encarou em silêncio, olhando ao redor, como se eu não tivesse falado com ela. “Quanto eu te devo? 15?” Eu continuei, ela abriu a boca para me responder, mas eu não lhe dei tempo.
Sem dizer nada, eu caminhei para dentro novamente, para buscar o dinheiro. Ela me seguiu, fechando a porta atrás de si. Minha bolsa havia ficado em meu escritório, eu deixei o lanche em cima da mesa e comecei a procurar o dinheiro.
“Srta. Prefeita.” Ela começou a dizer, mas foi interrompida pelo barulho da campainha.
Eu pedi que ela esperasse e fui até a porta novamente, onde eu encontrei Ruby, com o pedido que eu havia feito em suas mãos.
“Não precisa pagar.” Ela disse, me entregando o lanche. “Emma estava lá na hora e já pagou por você.” Continuou e eu fiquei confusa com tudo, mas ainda assim agradeci e voltei rapidamente para o meu escritório. Eu encontrei a garota sentada em uma das cadeiras, me olhando e rindo, enquanto começava a falar.
“Caramba! Que mal entendido, não?”
“Quem é você?” Eu perguntei, me aproximando. Ela pegou a sacola, que antes eu havia tirado de suas mãos e tirou de lá um sanduiche, comendo-o em seguida.
“Meu nome é Rapunzel.” Ela respondeu, com a boca cheia. “Sabe? Das tranças e tudo mais?” Continuou a falar, apontando para os cabelos e tirando a franja de cima dos olhos. Eu fiquei em silêncio, segurando pateticamente meu almoço, completamente confusa com o que estava acontecendo. “É, eu sei. Você vai me perguntar onde está minha trança, não vai? Pois bem, eu a cortei! Não sei se você sabe, mas cabelo grande dá muito trabalho.”
“Certo.” Eu respondi, lembrando por alguns segundos de quando meus cabelos eram enormes, mas então a garota tomou novamente meus pensamentos. “Na verdade, a pergunta é: o que você faz por aqui? Se for algo relacionado a cidade, terá que me procurar nos dias em que eu atendo o público.”
“Ah, não. Não é isso não, dona prefeita.” Ela respondeu, colocando os pés sobre a mesa, enquanto dava um gole em seu café. “É que eu queria te conhecer, sabe?”
“Me conhecer?” Eu perguntei, um pouco perplexa. Ela assentiu, dando uma mordida em seu sanduiche e voltando a falar.
“É, sabe? Conhecer a mulher que trouxe essa benção para cidade e tudo mais.”
“Essa benção? Você quis dizer maldição, não?” Eu a corrigi e ela riu, voltando a se sentar na cadeira e colocando o último pedaço do sanduiche em sua boca.
“Não! Benção! Você sabe a vida que eu levava antes de vir para Storybrooke?!” Disse. “Era um inferno. Anos trancafiada em uma torre, com uma mulher maluca que eu jurava ser minha mãe. Eu apenas via os anos passarem, esperando por um cara que eu nem sabia quem era, mas que eu esperava ansiosamente.” Ela deu uma pausa, olhou ao redor, como se buscasse algo e me encarou, antes de continuar. “Ele nunca veio.” Continuou. Sua frase era o tipo de frase que você esperava ouvir saindo da boca de alguém com um tom de tristeza, mas não no caso dela. Ela disse com certa satisfação e alívio. “Ainda bem que ele não veio!” Concluiu.
“Bem, eu não sei o que te dizer. Agradeço a visita, mas eu estou muito ocupada hoje.” Eu disse, mas ela não se moveu, olhou para a pilha de documentos em cima da mesa e depois para mim.
“Eu posso te ajudar! Eu vim aqui não só para te ver, mas também para te agradecer. Então, se eu puder te ajudar, seria uma forma de demonstrar certa gratidão, sabe?” Disse, se levantando e caminhando em minha direção.
Ela tirou a sacola de papel de minhas mãos, colocando-a sobre a mesa e segurando minhas mãos.
“Por favor, Rainha, me dê a chance de ser sua serva.” Disse, fazendo uma cara de suplica e mordendo o lábio inferior. “Por favor, você precisa de ajuda.” Continuou e eu suspirei fundo, antes de concordar com a sua ajuda.
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Eu realmente esperava receber ajuda alguma, mas ela era extremamente eficiente e sabia digitar muito bem. Já era final da tarde e eu já estava quase terminando tudo o que tinha planejado, graças a Rapunzel. Ela também tinha uma habilidade incrível de falar enquanto fazia as coisas. De modo que, ela conseguiu contar toda a sua vida, ou pelo menos parte dela, enquanto me ajudava com os documentos.
Seu nome em Storybrooke era Heather. Ela morava com a mãe, assim como na Floresta Encantada. A diferença era que sua mãe aqui não tinha nada de louca, mas coincidentemente eram as mesmas pessoas. Isso não foi de todo modo ruim para ela. Rapunzel me contou que sua mãe era incrível aqui e que depois que a maldição foi quebrada, ela ainda assim permaneceu como era em Storybrooke e não voltou a sua personalidade insana.
Eu perguntei se ela não queria conhecer seus pais verdadeiros, ela deu de ombros em resposta. Disse que estava feliz com a vida que levava e que havia perdoado sua mãe por tê-la tirado da família verdadeira. Pois, afinal, ela precisava mais dela que seus pais verdadeiros. Isso me fez pensar a respeito de Henry. Quer dizer, ele poderia ter tido uma vida diferente com Emma, se ela não o tivesse colocado para adoração. Eu me perguntei se ele seria mais feliz do que era.
Emma nunca havia me dito o motivo pelo qual abriu mão dele. Eu também nunca ousei perguntar. Ela esteve presa durante algum tempo e teve Henry na cadeia, eu sabia que havia sido nesse tempo que ela o havia colocado para adoção. Ainda assim, eu sabia também que ele poderia ter ido para um abrigo e Emma poderia ter tentado a guarda assim que saísse da prisão.
Eu acredito que ela tenha feito a escolha certa, dá-lo a adoção foi uma prova de amor. Eu espero que ele saiba disso, eu espero que ela também saiba que, de certa forma, eu a agradeço por ter me dado a chance de amar essa criança. Eu poderia dizer isso a ela, mas ao invés disso, eu deixava isso guardado em meus pensamentos, pois eu era muito orgulhosa e egoísta.
“Posso te ajudar com algo mais?” Perguntou a garota.
Nós estávamos exaustas de tanto trabalho, eu não sabia como poderia agradecê-la pela ajuda. Então, eu lhe ofereci dinheiro e embora ela tenha sido relutante em aceitar no começo, logo aceitou quando viu as notas em minha mão.
Eu nunca havia passado a tarde com alguém tão divertida. Ela conversava comigo como se me conhecesse há anos. Às vezes, era difícil lembrar o quanto todos me conheciam, quer dizer, eles conheciam a Rainha Má e a Regina. Pois, afinal, minha vida era pública, mas ninguém de fato me conhecia de verdade. Ninguém me conhecia por dentro, ninguém conhecia meus sentimentos ou meus sonhos.
Eu não poderia esperar que alguém me conhecesse, pois eu não me abria com ninguém. Eles conversavam comigo com certo receio e respeito. Um respeito que eu havia imposto ao longo dos anos, mas que era tão falso quanto a máscara de ‘má’ que eu usava diariamente em meu rosto. Eu queria de fato uma amizade, alguém para conversar, que não me temesse e ali estava ela. Essa garota que eu não fazia ideia que existia e que havia passado a tarde conversando comigo sobre coisas banais.
Eu não fazia ideia do quanto eu sentia falta de conversar com alguém. Ela me chamava pelo nome, de uma forma tão engraçada e em um sotaque que eu tinha dificuldade de identificar. Ela só me chamou de ‘prefeita’ e de ‘dona’ algumas vezes e em todas elas foram para zombar de mim. Eu não fazia a menor ideia de como manter uma amizade, mas eu tinha certeza que tentaria de alguma forma manter essa garota em minha vida.
“Você tem algo para comer?” Perguntou, quando eu guardei o último documento em minha pasta.
“É logico que eu tenho algo para comer.” Respondi. “Sinta-se em casa.” Continuei.
Eu não sabia por que eu havia dito isso, mas no mesmo instante, ela se levantou e caminhou em direção a cozinha, sendo seguida por mim. Ela abriu todos os armários da cozinha, até encontrar uma caixa de biscoitos.
“Cadê aquele garoto? O seu filho?” Perguntou, colocando dois biscoitos de uma vez em sua boca.
“Com a Emma, mãe dele. Eles têm uma festa ou algo do tipo hoje à noite.”
“Hmm” Disse, pensativa. Então me encarou, com um sorriso cheio de malícia. “Então, você está sozinha a noite toda?”
“Não a noite toda. Eles devem voltar antes das dez. Henry ainda tem aula manhã.”
Ela olhou para o relógio da cozinha, que marcava seis horas da noite e se virou para mim.
“Temos muito tempo, então. Que tal você fazer algo para a gente jantar?!” Perguntou. “Esses biscoitos não vão me encher.”
Eu realmente não devia ter dado tanta intimidade assim para essa garota. Para dizer a verdade, eu não havia dado intimidade alguma. Ela simplesmente estava ali, achando que a casa era dela e pior: que eu era sua empregada.
“Engraçado, há algumas horas atrás você estava se oferecendo para ser minha serva. Agora você vem com essa de eu te preparar algo? Não acha que tem algo de errado nisso?” Perguntei e ela caiu em uma risada.
Até aquele momento, então, eu não havia reparado que ela era muito bonita. Ela tinha uma felicidade natural em seu sorriso e em cada um dos seus gestos. Eu a invejava nesse quesito.
“Tudo bem então, minha Rainha.” Disse, em um tom debochado, limpando as mãos na própria roupa e colocando a caixa de biscoitos no lugar. “Eu mesma prepararei algo para nós duas. Você pega algo para gente beber, pode ser?” Perguntou, eu assenti e saí da cozinha, indo até a adega, onde eu guardava meus melhores vinhos.
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Ela preparou uma pizza improvisada, que surpreendentemente estava uma delícia. Nós já estávamos na segunda garrafa de vinho e ela já estava um pouco alterada, rindo sem nenhum motivo aparente e deixando evidente que não era acostumada a beber, pois ela havia tomado, no mínimo, duas taças. Eu havia dado conta de beber o resto e, por sorte, o álcool demorava a fazer efeito em mim, por conta da magia.
“Sabe, eu acho muito gata a mãe do seu filho.” Disse, tomando um gole do vinho.
“Ah, é?” Eu respondi, sem saber o que dizer diante dessa afirmação.
“Ah, qual é! Você não acha?! Eu adoro o jeito que ela se veste. Eu amo aquelas botas! Ela é muito linda. Eu nunca cheguei tão perto, é claro, mas imagino que seja mais bonita de perto, estou errada?!” Perguntou, colocando um pedaço de pizza em sua boca.
“É, ela não é tão feia.” Foi tudo o que eu consegui dizer. Ela riu, me encarou em silêncio, como se esperasse que eu dissesse mais alguma coisa.
“Ela não é tão feia?” Perguntou, repetindo o que eu havia dito. “Por favor, Regina, eu não curto loiras, mas Emma é tipo... Meus dedos coçam quando eu a vejo passando naquele fusca, se é que você me entende. Não sei como você aguenta ficar longe dela.” Continuou e voltou a comer, me deixando extremamente pensativa.
“Você não curte loiras?” Perguntei, pois era a única coisa que eu conseguia dizer. Ela balançou a cabeça, antes de continuar a falar.
“Não muito. Eu já fiquei com algumas até. Mas não fazem meu tipo.” Respondeu, olhando para mim e percebendo toda minha perplexidade. “Ah, desculpa. Eu não tinha dito que gostava de garotas, não é mesmo? Ah, meu deus, eu aqui disparando que acho a mãe do seu filho gata! Desculpa, eu sei que ela é a sua garota.” Continuou, em um tom constrangido.
“Como é? Não, por deus, não! Não! Ela não é nada minha!” Respondi, na defensiva, ela riu e eu continuei a falar. “Eu não gosto de garotas ou de mulheres.”
Ela me encarou, assentindo demoradamente com a cabeça e então arqueou as sobrancelhas e deu um sorriso, enquanto tomava mais um gole de seu vinho.
“Não acredita em mim?” Perguntei, ela deu de ombros e começou a falar.
“Eu acredito sim. Eu já entendi, você não é lésbica. Eu também não era.” Respondeu, fazendo aspas no ar quando disse ‘não era’. “Até o dia que eu parei de negar que eu nasci assim. Lembro que a primeira vez que eu disse em voz alta que gostava de garotas eu estava com uma amiga minha. Eu gostava tanto dela e, caramba, era tão difícil ficar com ela sem querer beijá-la. Bem, acabou rolando sim um beijo.”
“E como foi?”
“Horrível!” Respondeu, levando a mão ao rosto e tirando a franja dos olhos. “Primeiramente, eu disse a essa amiga que estava gostando dela, mas claramente ela não sentia o mesmo. Ela até me beijou. Foi um beijo libertador de certa forma. Pois meu primeiro beijo havia sido com um carinha da aula de química, que parecia gostar de mim. Eu pensei então: Por que não?”
“Nós sempre ficávamos debaixo da arquibancada. Eu nunca deixava sua mão subir até meu seio, mas um dia eu deixei. Foi tão ridículo. Eu não senti nada, mas ainda assim, eu deixei ele me beijar e me tocar em lugares que hoje eu me arrependo. Eu pensava que era só nervosismo, que depois eu relaxaria e começaria a sentir algo, mas nunca aconteceu. Nós passamos de beijos para um sexo frio e sem importância.”
“Eu acredito que garotos funcionam de forma diferente das garotas. Eu não sei, mas ele não notava que eu nunca estava à vontade. Enfim, nós terminamos em um verão, quando ele finalmente percebeu que minha frieza nada tinha a ver com o fato de eu não gostar dele. Nesse mesmo verão, eu beijei essa minha amiga. Eu acho que ela queria me consolar quando fez isso. Meses depois, eu encontrei outra garota. Na verdade, ela que me encontrou. O colégio não te aceita muito bem quando você é diferente. Meus amigos se afastaram de mim quando eu me assumi, mas não ela.”
“Ela fazia artes comigo, eu não a notei logo de cara. Porém, em um dia, eu a peguei me desenhando e ela quis morrer de vergonha quando notou que eu havia visto seus desenhos. Enquanto ela queria morrer de vergonha, eu queria morrer de felicidade, porque alguém finalmente havia me notado. Esse namoro também não foi para frente. Eu acho que eu sou do tipo ‘inamorável’ ou talvez um dia eu ainda encontrarei alguém.” Ela terminou de dizer e para quem estava um pouco alterada por causa do álcool, até que ela falava coisas bem coerentes.
“É por isso então que eu vim te agradecer. Imagina como seria minha vida se ainda estivéssemos na Floresta Encantada? Se o meu príncipe encantado tivesse me resgatado? Eu me pergunto se meu final teria sido igual ao da história original ou menos trágico como a versão da Disney. Eu não sei, mas fico feliz por você ter me libertado, antes do meu príncipe aparecer.”
“Algumas pessoas diriam o contrário.” Eu disse, ela sorriu para mim.
“Pode até ser, mas quantas delas viviam presas em uma torre, sem ter a chance de serem elas mesmas?” Perguntou.
Ela estava se referindo a si mesma, mas ainda assim, eu tomei sua frase para mim, pois ela se aplicava a minha vida. Eu também vivia trancafiada em uma torre. Na verdade, a torre sempre fora eu mesma. Tão alta e fortificada. Diferentemente da torre de Rapunzel, ela não tinha janelas ou saídas. Eu não dava margens para que ninguém me salvasse. Não mais, não depois do que aconteceu com Daniel.
Ele fora a única pessoa que teve coragem de se envolver comigo, mesmo com todas as defesas que eu havia construído em mim, mesmo eu sendo tão instável. Ele me neutralizava. Ele me via como eu verdadeiramente era, mesmo eu me tornando aos poucos igual a ela. Igual a minha mãe, que tanto fez para que eu tivesse a vida que ela desejou, mas que acabou destruindo toda a minha chance de felicidade. Minha mãe nunca soube o que era felicidade ou tinha uma noção distorcida dos fatos.
Eu pensava direto em como teria sido minha vida com Daniel. Eu me perguntava o que teria acontecido com toda a felicidade que deveria ter sido destinada a mim. Eu jamais voltei a ser quem eu era depois da Rainha Má. Havia algo bom dentro de mim. Eu era gentil e capaz de amar. Eu não sabia se eu ainda possuía essas qualidades. Daniel havia me pedido para amar novamente, mas ele não havia conhecido a mulher que eu havia me tornado ao longo dos anos. Eu me pergunto se ele ainda seria capaz de me amar se conhecesse a mulher que eu me tornei.
“Você encontrou alguém aqui em Storybrooke? Porque as pessoas dizem que você teve alguém antes, lá na floresta entancada.” Ela disse, me trazendo de volta.
“Não. Eu nunca tive ninguém aqui. Quer dizer, eu tive o Graham, mas não significou nada. Era só sexo. Um sexo sem significado algum, mas que de certo modo preenchia o vazio que eu havia criado em mim.”
Era a primeira vez que eu me abria dessa forma com alguém. Ela me encarava, talvez pensando se devia dizer algo, mas resolvendo ficar em silêncio. Eu me levantei, comecei a retirar a louça suja da mesa e ela me seguiu. Então, ela me questionou o motivo pelo qual eu não usava minha magia para fazer esse tipo de tarefa e eu respondi a ela que havia prometido a Henry que apenas usaria magia quando fosse realmente necessário. Ela entendeu bem os motivos e, sem que eu pedisse, me ajudou a lavar a louça.
“Mãe! Eu trouxe bolo para você!” Henry apareceu, gritando, com uma vasilha na mão.
Ele parou de súbito, assim que viu a garota. Ele olhou para Rapunzel e depois para mim. Logo em seguida, apareceu Emma, que fez o mesmo que Henry havia feito. Ficamos nós quatro em silêncio, até que ele se tornou insuportável.
“Essa é Rapunzel.” Eu disse, ela acenou para os dois. Henry foi o primeiro a falar.
“Cadê suas tranças?”
“Ah, eu as cortei. O príncipe era muito pesado para eu carregá-lo até o topo.” Ela respondeu, fazendo-o rir.
“Você comeu pizza sem mim?” Henry perguntou, chateado, pegando um último pedaço que havia sobrado.
“Me desculpa, querido. Foi Rapunzel que fez.”
Ele olhou surpreso para a garota e disse que a pizza estava muito boa. Em seguida, ele ofereceu a Emma, que até então nada havia dito, ela mordeu um pedaço e concordou com ele.
“Eu adorei a camiseta.” Henry disse a Rapunzel, olhando para a sua camiseta, que eu descobri então ser do Lanterna Verde, super-herói favorito da garota. “É o meu também! Você quer ver meus quadrinhos?! Eu tenho um monte!” O garoto continuou e a pegou pela mão, levando-a até o seu quarto. Emma e eu ficamos em silêncio, enquanto ouvíamos os dois subindo as escadas.
“Quantos anos ela tem?” Emma perguntou. Eu a encarei, confusa e me encostei à pia.
“Eu sei lá.”
“Eu não acho que ela tenha mais de 17 anos. Ou seja, ela é muito ilegal para você, se é que você me entende.”
“Se é que eu te entendo?” Eu perguntei, perplexa. “O que você está querendo insinuar, Emma?”
“Insinuar? Eu não acho que eu esteja insinuando nada. É bem explicito, não acha? Uma garota bonita aqui com você. Pizza. Vinhos.” Ela respondeu, irritada, dando muita ênfase na palavra ‘vinhos’.
Eu fiquei um tanto perplexa com a sua atitude. Não havia necessidade para tanto. Além do mais, eu não lhe devia explicação.
“Bem, o que esteja acontecendo ou não entre ela e eu, só cabe a nós duas, não acha? Além do mais, ela é maior de idade.” Eu respondi, na defensiva. Ela retorceu a boca e me encarou, com raiva em seu olhar. “Mas caso te interesse, ela e eu não temos nada. Ela me ajudou com algo do trabalho e acabou ficando mais tempo do que deveria.”
“Não precisa se explicar. Não me interessa quem você está pegando ou não. Apenas acho que você deveria tomar cuidado com garotas. Elas por si só já são perigosas, imagina as menores de idade. Bem, essas ai são chaves de cadeia e devo te lembrar que sou eu que guardo as chaves.” Ela respondeu, em um tom irônico.
“Eu não estou “pegando” ninguém! Muito menos uma garota, por deus, Emma!” Eu respondi, irritada. “Eu não gosto de garotas! Não sou gay ou algo do tipo. Eu não sei se você lembra, mas eu e Graham tínhamos algo.”
“Ok, apesar de que eu não acho que isso signifique muita coisa. Não sei se você lembra, mas eu tive um filho com um cara.” Ela respondeu, pegando uma maça e saindo da cozinha, enquanto dizia que pegaria o turno da noite na delegaria. Ela não disse mais nada e eu não consegui parar de pensar em sua última frase.
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Eu cheguei ao quarto de Henry e encontrei ele e Rapunzel no chão, com vários quadrinhos espalhados pelo tapete. Ele falava animado sobre uma das histórias e Rapunzel participava da conversa com a mesma empolgação. Quando eu entrei, Henry ficou em silêncio e Rapunzel começou a falar sobre um dos personagens da história. Henry ficou verdadeiramente impressionado e mal conseguia manter a boca fechada.
“Está na hora de dormir, garoto.” Eu disse, ele me olhou, chateado e perguntou para Rapunzel se ela poderia voltar qualquer dia desses.
“É claro que volto. Eu totalmente vou querer seus quadrinhos emprestados!” Ela disse, dando um beijo em sua testa e saindo do quarto do menino.
Eu me aproximei dele, também lhe dei um beijo, pedindo para que ele trocasse de roupa e escovasse os dentes, antes de ir para a cama. Ele respondeu um ‘ok’ e me disse que havia adorado Rapunzel.
“Ela é legal, não é?” Eu perguntei.
“Ela é incrível. Será que ela namoraria comigo quando eu crescer?” Ele perguntou, um pouco envergonhado.
“Ah, querido. Eu não acho que você faz o tipo dela.” Eu respondi, rindo “Mas você vai encontrar uma garota muito legal, tenho certeza.” Eu continuei e lhe dei outro beijo de boa noite em seu rosto, saindo do quarto, onde eu encontrei Rapunzel parada no corredor.
“Garoto legal.” Ela disse.
“É, ele é sim. E você acaba de partir o coração dele.” Eu respondi, ela riu com a resposta e descemos juntas as escadas.
“Não foi minha intenção. Não é sempre que eu encontro um garoto com os mesmos interesses. Talvez meu coração tenha se derretido por ele também. Ou por sua coleção de quadrinhos.”
“Você é cheia de surpresas, não é mesmo?” Eu perguntei, assim que descemos as escadas. “Faz uma pizza excelente. É fã de quadrinhos e tem uma queda pela mãe do meu filho. Algo a acrescentar a lista, antes de você ir embora?”
“Eu não tenho uma queda pela Emma.” Respondeu. “Eu só acho ela gata.” Continuou, se aproximando de mim.
Nós tínhamos uma diferença considerável de altura, o que não a impediu de se aproximar e deixar sua boca na altura da minha. Não havia espaço nenhum entre nós duas, ela se aproximou do meu ouvido e disse:
“Se são curiosidades que você quer sobre mim: eu prefiro as morenas.” Disse, se afastando. Ela olhou para mim, seus olhos fixos nos meus, descendo para os meus lábios, antes de voltar a falar. “Dizem também que eu beijo muito bem. Essa parte eu não posso confirmar. Você terá que tirar a prova.” Concluiu e sorriu.
Eu não sabia quais eram suas reais intenções, mas a última coisa que eu queria, era perder tempo. Eu a puxei para mim, trazendo-a para um beijo. Não houve nenhum tipo de resistência, muito pelo contrário, ela se entregou totalmente. Colocando seus braços em meu pescoço, enquanto eu sentia seus dedos afundando em meus cabelos. Sua língua invadia minha boca e eu jamais pensei que eu sentiria isso novamente. Esse formigamento na barriga que há muito tempo eu não sentia. Rapunzel estava certa, ela beijava incrivelmente bem.
Eu não fazia ideia de que eu poderia me sentir assim, apenas com um beijo e principalmente com alguém que havia acabado de entrar em minha vida. Todo meu corpo exigia por mais, enquanto minha mente ficava me dando justificativas para se afastar dela, mas eu não queria me afastar. Então, deixei meu corpo controlar meus desejos. Sua mão deslizou pelas minhas costas, subindo novamente em direção ao zíper do meu vestido.
Uma parte de mim queria parar o beijo e dizer a ela que isso era errado. Quer dizer, olha onde estávamos, Henry poderia aparecer a qualquer momento e nos ver ali ou Emma chegar. Eu não sabia por que estava me questionando, pois era tarde demais. Eu já estava completamente entregue.
“Não acho que devemos fazer isso.” Eu disse, em um sussurro, enquanto ela deslizava a alça do meu vestido e beijava meu pescoço, me dando inúmeras mordidinhas, que faziam meu corpo se arrepiar.
Ela voltou para minha boca, seus beijos me deixaram sem fôlego. Mais uma vez eu a senti em meu pescoço e seus beijos eram mais violentos, sem se preocupar com as marcas que deixaria em minha pele. Eu tentei me afastar, no fundo eu sabia que eu não queria isso, mas não podia negar o quanto eu estava excitada. Fazia algum tempo que eu não tinha alguém em minha cama, mas eu estava muito confusa em relação a ela.
Ainda assim, mesmo confusa, eu a deixei continuar. Ela tirou meu vestido, deixando-o na altura de minha cintura. Seus lábios desceram até os meus seios, eu tive que controlar meus gemidos, enquanto ela chupava meus seios com vontade. Ela voltou para os meus lábios e nossos olhares se cruzaram.
“Sabe, acho que você poderia usar alguma magia agora.” Ela disse, me puxando novamente para um beijo.
Eu não fazia a menor ideia do que seria de nós duas na manhã seguinte, mas eu já não pensava nas consequências. Eu a queria aquela noite, com isso em mente, eu nos tirei dali e, segundos depois, estamos em meu quarto.
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