Notas iniciais
Dedico esse capitulo a fofa da Sabrina Medelayne, que deixou uma recomendação linda em “Amy”. Muito obrigada, significou muito! Espero que tenha recebido o inbox em agradecimento...

Capítulo 21 – Ela

Emma tinha um sorriso nos lábios quando eu acordei pela manhã, com ela bem ao meu lado. Na cama que pertencia a nós duas, no lado da cama que era seu por direito. Ela me deu um bom dia e eu a puxei para junto do meu corpo e em silêncio, sentimos o calor do corpo uma da outra.

Passei meus dedos nos fios de seus cabelos e lhe beijei inúmeras vezes. Eu cheguei a pensar que esse dia jamais chegaria. Eu pensei que jamais a teria ao meu lado novamente. Por esse motivo, eu a abracei o mais forte que pude contra o meu corpo, passando minhas mãos pelas suas costas nuas.

“Eu acho que as crianças já estão acordadas há algum tempo.” Ela disse e eu a encarei, beijando-a novamente.

“Pois é, bem vinda à rotina de levantar cedo.” Eu disse e ela sorriu com a minha observação e passou um de seus dedos em meus lábios, dizendo-me que havia esperado muito por essa rotina. “Ótimo.” Eu disse, levantando-me e indo em direção ao banheiro. “Então você vai ficar com o café da manhã de hoje em diante.” Completei, lavando meu rosto logo em seguida.

Ela se levantou e me seguiu em direção ao banheiro, seu reflexo era visível no espelho.

“Nossa, parece difícil. Caixas de cereais, panquecas, ovos mexidos. Que difícil.” Ela disse, entrando no box para uma ducha rápida.

Eu me encostei contra a pia do banheiro e a observei, enquanto pensava em tudo o que de fato seria difícil dali para frente. Ela me encarou pelo vidro do box, que aos poucos se tornou embaraçado pelo vapor quente.

“Eu dou conta.” Emma disse e eu sabia que não era apenas sobre o café da manhã que ela estava se referindo.

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Amy ainda estava dormindo. Henry, porém, já se encontrava na copa, preparando seu próprio café da manhã quando descemos para cozinha. Ele deu um bom dia e um abraço demorado em sua mãe e Emma se juntou a ele no preparo do café.

“Quero que você me ensine como Amy gosta do café da manhã dela, pode ser?” Emma perguntou, bagunçando os cabelos de Henry, enquanto eu me sentava no balcão observando os dois.

Eu tinha certeza que eu tinha um sorriso estupidamente bobo no rosto, enquanto observava os dois a minha frente. Eu não sabia dizer exatamente o que me enchia mais de alegria. Se era ver o homem que Henry estava se tornando ou se era o fato de ela simplesmente estar ali fazendo parte de tudo. Fazendo parte da nossa vida, da qual jamais deveria ter saído.

Henry falava com entusiasmo sobre todas as coisas que Amy gostava e de como gostava. Emma prestava atenção em tudo, seu olhar denunciava a fascinação que ela sentia em ver como Henry já não era mais aquela criança que um dia bateu na porta de seu apartamento.

Pensar que seria o último ano de Henry nessa cidade fazia meu coração se apertar, mas então Emma olhou para mim e ele voltava a se expandir em meu peito. Eu podia ver em seu olhar todas as expectativas que ela tinha para o futuro. Um futuro que eu tinha certeza que teríamos em breve.

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“Você vai conversar com a Rapunzel quando ela chegar, não vai?” Emma perguntou, dando um gole em seu café.

Henry já havia saído, Amy ainda não havia acordado. Estávamos sozinhas na cozinha, eu assenti e ela suspirou de alivio, levando novamente a xícara aos lábios e derrubando-a em seguida. Seu corpo se curvou diante da mesa e eu a segurei a tempo, antes que ela caísse. Eu olhei para trás e vi Amy, completamente assustada, olhando para nós duas. Ela estava muito perto, encarou sua mãe, depois a mim e correu para longe.

“Você está bem?” Eu perguntei a Emma, que levou sua mão a testa e tentou recuperar o fôlego.

“Estou sim.” Ela respondeu, com a voz trêmula. “Eu vou ficar.” Eu lhe ajudei a levantar e ir em direção a sala, onde eu a coloquei no sofá e observei ela se recuperar aos poucos. Ela parecia exausta, mas se esforçou para sorrir. “Eu estou bem. Vá falar com Amy.”

“Tem certeza?” Insisti e ela segurou minha mão, beijando-a por alguns instantes.

“Tenho sim, pode ir.” Respondeu.

Eu sorri de volta e levantei para ir até o quarto de Amy. Onde eu a encontrei, sentada em sua cama. Ela me encarou, desviando o olhar em seguida. Eu me sentei ao seu lado, a observei mexer as mãos uma na outra. Toquei em suas mãos, parando seus movimentos, segurei seu queixo, levantando seu olhar e a fazendo me encarar.

“Bom dia, meu anjo.” Eu disse a ao invés de responder, ela simplesmente começou a chorar em meus braços.

Suas mãozinhas apertaram minhas costas, como se ela suplicasse para que eu jamais a soltasse ou como se eu fosse Emma.

“Me desculpa, mamãe. Eu não queria machucá-la.”

Eu não deixei que ela terminasse sua frase, sequei as lágrimas de seus olhinhos azuis e a peguei em meus braços.

“Consegue prometer uma coisa para mamãe?” Eu perguntei e ela, mesmo sem saber o que era, secou os olhos e assentiu. “Promete que jamais vai pedir desculpas caso isso aconteça novamente?” Eu continuei e ela me encarou, confusa. “Nós sabíamos que seria difícil, que seria muito difícil e que talvez alguns incidentes pudessem acontecer. Mas nós estamos tentando e vamos continuar tentando. Sua mamãe sabe muito bem que você não teve intenção de machucá-la. Você não precisa se desculpar.” Eu completei e a beijei. Ela sorriu, um sorriso cheio de tristeza e me abraçou, dizendo que me amava muito. “Também te amo muito, meu anjo. Vamos descer e tomar um café da manhã que sua mãe preparou?” Eu perguntei e dessa vez um sorriso enorme de felicidade surgiu em seu rosto.

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Emma foi para a delegacia, me deixando sozinha com Amy, Rapunzel chegaria a qualquer momento. Pelo menos era isso que eu esperava, já que ela não voltou para casa à noite. Amy estava distraída brincando com a suas pecinhas de montar na mesa de centro da sala. Enquanto eu batia os dedos nervosamente no braço do sofá, encarando o relógio de parede que marcavam 8:30. Amy olhou para o relógio e depois para mim e sentou-se no chão, deixando sua torre de pecinhas incompleta.

“Você parece nervosa, mamãe.” Ela disse, trazendo-me de volta a realidade. Eu forcei um sorriso e disse que não estava. “Mas você está.” Insistiu.

“Eu só quero conversar com a Rapunzel. Esclarecer as coisas.” Eu respondi e isso pareceu acalmá-la. Ela voltou a atenção a sua torre.

“Ah, sim.” Ela disse. “Sobre os universos.” Continuou e acrescentou uma última peça a sua torre, sorrindo satisfeita.

“Não só sobre os universos, mas sobre o porquê ela te levou até lá. Sobre o que ela queria com você.”

Ela apoiou o cotovelo sobre a mesinha e me encarou, seu olhar cheio de curiosidade.

“Ela não é má, mamãe.” Ela respondeu e eu me ajoelhei ao seu lado.

“Eu quero acreditar em você, meu anjo. Mas eu preciso ouvir dela. Eu preciso ouvir o que ela tem a dizer. Você é muito inocente para saber quais são as verdadeiras intenções de alguém.” Eu disse e ela deu de ombros, começando a desmontar a torre que havia acabado de construir.

“Se você é inocente você não pode saber quem é bom e quem é mau?” Perguntou, fazendo-me pensar antes de respondê-la

“Não é isso. É que quando você é inocente, pessoas más tiram proveito de sua inocência e te levam a fazer coisas das quais você não quer fazer ou não sabe as consequências.” Eu tentei explicar, mas ela não pareceu dar muita atenção e começou a guardar as pecinhas.

“É por isso que para ser uma pessoa grande você tem que perder a inocência?” Ela perguntou, sem olhar para mim.

“Talvez.”

“Pessoas grandes são muito complexas.” Respondeu, tentando desprender uma pecinha que ficou presa a outra. Eu ri de sua observação e ajudei a desmontar o resto da torre.

“É, nós somos.”

“O que é bem estranho, porque vocês são grandes e isso devia dar espaço dentro de vocês, mas parece que quanto maior, mas difícil é ser você mesmo.” Respondeu.

“Você é bem esperta para alguém tão pequena.” Eu disse, inclinando-me sobre a mesa e tocando na ponta de seu nariz. Ela riu do gesto e deu de ombros.

“Mas eu já vivi muito!” Ela disse, me roubando uma risada. “Conheci muitas pessoas e muitos mundos.” Completou e dessa vez foi ela quem riu.

“É, você tem bastante experiência de fato.” Respondi, aproximando-me dela e lhe pedindo que me contasse sobre o mundo de Rapunzel. “Como ela te levou até lá, meu amor?”

“Pelo espelho.” Ela respondeu calmamente.

“Pelo espelho?” Eu perguntei, franzindo o cenho e aos poucos juntando os pontos sobre quem de fato Rapunzel era.

“Aham, mas da primeira vez ela me levou pelo jardim. Pelo buraco do coelho.” Ela respondeu em um tom extremamente animado. “Foi tão legal, mamãe! Eu queria que você estivesse lá. Nós ficamos caindo através dele por horas! Eu não fiquei com medo, porque eu sabia que não ia me machucar. Na verdade, a gente estava voando e foi muito legal!”

Eu passei a mão sobre o rosto, absorvendo todas as informações.

“Vocês foram mais de uma vez?” Perguntei e ela assentiu, enquanto eu perguntava quantas vezes elas haviam ido até lá.

“Sempre que nós ficávamos sozinhas, ela me levava lá.”

“O que vocês duas faziam lá?” Eu perguntei, sentindo meu coração se apertando de preocupação.

“Todos os amigos dela moram lá.” Ela respondeu. “A tartaruga, o grifo, o camundongo, a lebre e o coelho. Eles são tão engraçados, mamãe. Mas não fazem sentindo algum! Eles me contavam histórias, nós jogávamos críquete e tomávamos chá. Então voltávamos para casa quando ficava tarde, mas quando voltávamos não havia passado nenhum minuto!” Concluiu, fazendo agora minha cabeça doer.

“Meu amor, o que ela pediu para você fazer?” Eu insisti e ela franziu o cenho, parecendo tentar trazer de volta essa memória, mas era como se ela não lembrasse o que havia acontecido. “Do que você lembra?” Insisti novamente e ela fechou os olhos, tentando relembrar, abrindo-os logo em seguida.

“É como se fosse um sonho, mamãe. Não uma memória. Eu só que ela me levou para esse quarto enorme no castelo vermelho. Ela me deu uma coisa e me pediu para fazer algo, mas eu não lembro.” Ela deu uma pausa, parecendo frustrada. “O que eu lembro foi que ela ficou muito chateada e disse que estava tudo bem. Voltamos para casa e enchemos os balões.” Ela concluiu.

Eu a encarei, tentando imaginar o que havia acontecido e o porquê ela não se lembrava. Escutamos a campainha tocar e Amy correu para atender. Eu a segui e vi Rapunzel, entrando assim que Amy abriu a porta, abraçando a menina e beijando sua bochecha inúmeras vezes.

“Bom dia, Amy!” Rapunzel disse, recebendo um bom dia de volta e fechando a porta atrás de si.

Ela me encarou, sorrindo e eu a encarei de volta. Seus cabelos loiros ligeiramente ondulados e amarrados em uma trança e uma curiosidade em seu olhar, pois provavelmente meu próprio olhar denunciava o que eu já sabia.

“Bom dia, Regina.” Ela disse.

Amy também me encarava e Rapunzel a segurava pela mão. Era difícil admitir para mim mesma que Rapunzel havia mentindo e quebrado minha confiança. Eu havia confiado a ela a pessoa mais importante de minha vida e recebido mentiras em troca. Eu não sabia mais o que era real nela e o que era inventado.

“Está tudo bem?” Ela me perguntou e Amy se virou para ela, fazendo a garota se ajoelhar a sua frente.

“Me desculpa, mas eu contei para ela o nosso segredo.” Amy disse, seu tom de voz arrependido.

Rapunzel olhou para Amy e disse que estava tudo bem. Em seguida, olhou para mim, Amy fez o mesmo e eu lhe pedi que fosse para o seu quarto. A menina encarou Rapunzel mais uma vez, que agora se levantava e colocava suas mãos em seu short jeans.

“Falo com você depois, pequena.” Rapunzel disse, enquanto Amy subia as escadas. “Acredito que você deve ter inúmeras perguntas.”

“Nós definitivamente temos o que conversar, Alice.” Eu disse e ela sorriu ao ouvir seu nome, seguindo-me em direção ao escritório.

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O escritório estava em silêncio. Ela sentada diante de mim e a última coisa que aparentava era de estar nervosa. Ela estava calma até demais, diferentemente de mim, pois meu coração só faltava sair do peito. Respirar doía e eu mal sabia por onde começar.

“E então?” Ela perguntou, seus braços repousando sobre a cadeira.

Nessa mesma cadeira, anos atrás, ela havia se sentado e muita coisa havia mudado desde então. Ela estava bem mais velha, já não era mais aquela garota. Eu via em minha frente uma mulher e isso me incomodava, muita coisa nela me incomodava.

“Pedir para uma garota de cinco anos guardar um segredo não é um dos planos mais inteligentes.” Eu disse e ela sorriu. “Principalmente quando essa criança é neta da Branca de Neve.” Ela soltou uma pequena risada e se ajeitou na cadeira.

“Eu não pretendia guardar esse segredo por muito tempo.” Respondeu.

“Você guarda esse segredo desde o primeiro dia que nós nos vimos.” Eu disse, com certo ressentimento em minha voz. Ela pareceu não gostar e pediu desculpas. “Eu não quero suas desculpas. Eu quero apenas a verdade. Acho que você me deve isso, não é mesmo?” Ela suspirou e se encostou novamente.

“Quando eu te vi naquele dia em frente à delegacia.” Ela começou a dizer, trazendo de volta a memória daquele dia. “Eu pensei que seria a última vez. De modo que todas as mentiras que eu te contei sobre mim não iriam doer tanto assim.” Continuou e apoiou o cotovelo no braço da cadeira, encostando sua cabeça em sua mão. “Mas aparentemente eu não tenho controle sobre os eventos da minha vida no que diz respeito a você.” Eu franzi o cenho e ela tomou fôlego antes de continuar. “Você tem certeza de que quer saber a verdade?”

“Eu preciso.” Eu respondi. Ela mordeu o lábio e dessa vez eu senti seu nervosismo. “Por que você levou Amy para o País das Maravilhas e o que você queria com ela lá?”

“Eu precisava provar algo. Eu precisava dela lá.” Respondeu, seu tom de voz me irritando.

“Você precisava da minha filha lá?” Perguntei, me segurando para simplesmente não pular em direção ao seu pescoço. “Por quê?”

“Para provar que vocês estavam errados.”

“Sobre o quê?”

“Sobre tudo, ok? Sobre Amy e Emma. Sobre os poderes da Amy. Sobre o fato de elas não poderem se tocar. Sobre todas as teorias que vocês fizeram ao longo desses anos, mas que nunca passaram de teorias. Vocês estavam errados! Vocês estão errados!” Sua voz se sobressaltava e seus olhar denunciava nervosismo. “Eu a levei porque eu precisava ver se de fato havia ainda algum poder nela que precisava se expandir. Eu precisava saber se a teoria do Rumple era verdadeira. É por isso que eu liguei para escola dela aquele dia e me passei pela mãe do garoto. Eu não podia perder a oportunidade. Perdoe-me por isso, mas eu realmente precisava. Então, não foi o suficiente e eu tive que pedir ajuda a um amigo. Eu tive que gravar aquelas marcas na parede da escola. Acredite, eu jamais vou me perdoar por isso, mas eu precisava ter acesso a Amy. Eu precisava ficar a sós com ela. Eu usei o grifo para que vocês não pudessem me rastrear e então...”

“Alice, cala a boca!” Eu gritei, fazendo-a se calar.

Eu levei minhas mãos à cabeça, sentindo meus pensamentos latejarem e minha cabeça doer. Minha raiva parecia querer consumir todo o meu corpo.

“Eu confiei em você! Você era minha amiga!” Eu disse, tentando não descontrolar minha voz e ela apenas sorriu, um sorriso torto, enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.

“Eu não tive escolha. Eu tinha que excluir todas as possibilidades. Eu tinha que saber se não tinha outra saída. Eu precisava dessas respostas.” Respondeu, sua voz se misturando ao choro que ela sequer tentava controlar. “Mas eu não menti sobre ser sua amiga. Eu realmente gosto de você, Regina. Eu não pretendia de forma alguma te machucar, mas você não entende. Eu...” Ela respirou fundo, abaixou o olhar e colocou suas mãos no rosto. “Eu precisava de Amy. Sua mãe precisava de Amy. Você precisava de Amy e só eu podia te ajudar.” Completou, olhando para mim.

“Você não está fazendo sentindo algum, Alice.” Eu disse e ela riu em nervoso, enxugando as lágrimas do rosto.

“Você pareceu o meu pai agora.” Disse, em um tom de voz triste. “Eu vou fazer sentido, Regina.” Continuou e sua voz era carregada de dor. Ela se levantou de sua cadeira e se inclinou sobre a mesa que nos separava. “Você está pronta?” Perguntou e eu não soube responder. Balancei a cabeça e ela franziu o cenho, se aproximando de mim.

Ela estava a alguns centímetros de mim. Eu encarei bem os seus olhos azuis, querendo saber toda a verdade por trás deles. Eu queria saber tudo, mas não sabia se eu estava pronta. Ela perguntou novamente e dessa vez, mesmo cheia de dúvidas, eu respondi que sim. Eu respondi que estava pronta.

Um sorriso surgiu em seus lábios e ela se inclinou em minha direção, deixando explícita suas reais intenções. Eu fechei meus olhos e permiti que seus lábios se aproximassem dos meus e que ela me tomasse em um beijo.