Amy

4 Distâncias


Capítulo 4 — Distâncias

Era possível ouvir Amy e Henry correndo pelo primeiro andar. Eu havia acabado de arrumar a mesa do café da manhã e já estava ciente de que nós três iríamos nos atrasar. Os passos de Amy descendo pelas escadas, me fizeram gritar para que ela não corresse tão rápido, mas sem efeito algum. Segundos depois, lá estava ela, parada ao meu lado.

“Onde está o meu cartão?” Ela perguntou, abraçando minhas pernas por trás.

Eu me virei e a peguei no colo, caminhando com ela em direção a mesa do café da manhã.

“Mais tarde, quando nós formos partir o bolo.” Eu respondi, colocando o prato de panquecas a sua frente.

“Por que não agora?” Ela perguntou, frustrada, cortando sozinha a panqueca em vários pedaços.

“Porque eu não comprei sua vela e porque seus avôs virão para cá mais tarde.” Eu respondi, despejando suco de laranja em seu copo. “Ah, outra coisa, terminando seu café, você subirá para escovar esses dentes e tirar esse vestido de princesa, ok? Você não vai assim para escola.”

“Por que não?” Perguntou, cheia de manha e fazendo um bico.

“Porque eu disse que não.” Eu respondi e ela cruzou os braços, emburrando a cara.

“Sério, Amy?” Eu disse, tentando fazer minha melhor voz autoritária, mas já sabendo que se ela forçasse mais um pouco, eu acabaria cedendo.

“Mas eu adorei o presente.” Respondeu, em uma voz chorosa. “Me deixa ir com a tiara pelo menos?” Continuou e juntou as mãozinhas, dizendo repetidamente ‘por favor’.

Eu revirei os olhos e puxei uma cadeira para sentar ao seu lado.

“Certo. Você pode ir com a tiara.” Eu respondi e ela abriu um enorme sorriso, pulando de sua cadeira, para me dar um abraço apertado.

“Você é a melhor mãe do mundo!” Respondeu, me enchendo de beijos.

Eu quebrei o abraço e olhei para minha pequena, dando um beijo enorme em sua testa e lhe desejando novamente um feliz aniversário. Ela ainda estava usando o colar de Emma, eu toquei no pingente com a ponta dos dedos e olhei para o seu rostinho.

“É como se ela estivesse perto de mim.” Ela disse, olhando para o pingente.

“Ela está, querida. Ela está sempre perto de você. Não importa a distância. Entende isso?” Eu perguntei e ela assentiu.

“Eu tenho que lembrar que ela está por perto.” Respondeu. “Aí, é como se ela estivesse de verdade.”

“Isso, meu amor.” Eu disse, soltando o pingente, enquanto Henry se aproximava da mesa.

“É o suficiente para você isso?” Ela perguntou e eu não soube como responder.

Porque eu não sabia se era o suficiente. Então, ao invés de respondê-la, eu mudei de assunto, assim que Henry sentou-se conosco.

“Foi um presente incrível, Henry.” Eu disse, ele sorriu e levantou uma panqueca inteira com a ajuda de um garfo. Amy o imitou, com o que sobrou de sua panqueca e os dois brindam com a comida.

“Um panque-brinde para a pirralha mais legal dessa cidade! Feliz aniversário, pirralha!” Ele disse e os dois riram do gesto. “Foi Granny que fez o vestido. Então, na verdade, o meu presente mesmo é a tiara.”

“E o colar!” Amy disse, com a boca cheia, interrompendo-o.

“O colar nunca foi meu.” Ele respondeu. “Sabe, ano que vem você tem que fazer uma festa enorme. Será meu ultimo ano aqui e eu só vou poder voltar nos feriados.”

“Não gosto muito de festas.” Ela respondeu.

“Qual é, Amy! Doces e bolo! Nós poderíamos chamar todas as princesas. Seria bem legal, não acha? Será que nós poderíamos chamar a Malévola também?” Ele perguntou, rindo e se virou para mim. “Imagina que louco seria, ver uma bruxa se transformando em dragão no meio de sua festa.” Ele continuou e Amy juntou-se a ele na risada.

“É. Seria legal.” Ela respondeu, olhando em minha direção. “Seria legal ter todo mundo por perto.” Então o sorriso dela desapareceu de seu rosto e ela continuou a comer sua panqueca, Henry olhou para mim e forçou um sorriso.

“Bolo de sorvete é bem legal também.” Henry continuou, Amy assentiu e se encostou contra a cadeira, deixando boa parte da panqueca e seu suco intactos. Ela olhou em minha direção e seus olhos se encheram de lágrimas.

“Eu posso ir trocar de roupa?” Perguntou e assim que eu permiti, ela correu para o seu quarto. Henry e eu escutamos seus passos na escada e ouvimos quando a porta de seu quarto bateu.

“Henry...” Eu comecei a dizer, apoiando meus cotovelos sobre a mesa e passando minhas mãos pelo rosto. “Você sabe o porquê ela não comemora o aniversário.”

“Eu sei, porque Emma não virá.”

“Assim como você sabe muito bem o motivo!” Eu respondi, irritada, olhando fixamente para ele.

Ele já não era mais o garoto de cinco anos atrás. Ele era um jovem de dezesseis anos, enorme e incrivelmente inteligente. De modo que eu sabia que qualquer universidade que quisesse entrar, ele definitivamente seria aceito e eu já estava pensando como seria minha vida quando ele fosse embora.

“Você sabe que isso é a ultima coisa que a afeta de fato, não é?” Ele perguntou, puxando uma de minhas mãos e a segurando. “Ela não consegue aceitar que você não está vivendo por causa dela, mãe. Isso é obvio. Ela não quer que você abra mão de tudo o que ela é obrigada a abrir.”

“O que você quer que eu faça?!”

“Sei lá, passa a noite fora. Passe a noite com ela. Não é como se nós fossemos te odiar por isso. Eu posso ficar com Amy. Ou se você não confia em mim, pode chamar Belle. Sei lá, mãe. Nós não queremos que você largue tudo para virar uma mãe solteira ou algo do tipo.”

“Henry, não é que eu não confie em você. É que Amy precisa de mim aqui. Eu não posso simplesmente ficar por aí à noite, como se eu estivesse no auge dos meus vinte anos. As coisas não são assim. Amy precisa de mim ao lado dela.”

“Não, mãe. Ela não precisa dessa superproteção. Ela sabe que você está sempre aqui por ela. Além do mais, ela não é mais uma criancinha de colo.”

“Ela acabou de completar cinco anos! Ela é sim uma criança!” Eu respondi, enquanto ele se levantava e começava a retirar os pratos da mesa, caminhando para a pia da cozinha.

“Senhora prefeita, notícias quentíssimas vindas do futuro melhor jornalista dessa cidade: Amy não é mais uma criança.” Ele disse e passou por mim, beijando-me na testa. “Vai viver, mãe. Nós ficaremos bem.” Continuou e se dirigiu para as escadas.

“Henry.” Eu comecei a dizer, fazendo-o parar e se virar para mim. “Será que você poderia levá-la para escola?” Eu continuei, me levantando e buscando minha bolsa, onde se encontrava meu celular.

Henry sorriu para mim e respondeu que não haveria problema algum. Em seguida, ele subiu as escadas, me deixando sozinha. Eu peguei o celular e comecei a olhar para as últimas chamadas feitas. Lá estava o número dela e a quantidade de vezes que eu a havia ligado nas últimas semanas.

Eu cheguei a cogitar apertar o botão de discagem, mas ao invés disso, eu fechei o celular e subi as escadas. Eu me dirigi ao quarto de Amy. Henry estava ajudando-a a se vestir, ele colocou a tiara de princesa em sua cabeça e Amy correu até o espelho.

“Vocês sairão atrasados.” Eu disse, chamando a atenção dos dois para mim.

“Você também.” Henry respondeu de volta e Amy correu para pegar sua mochila.

Os dois passaram por mim, Henry me deu um beijo, desceu pelas escadas e Amy esperou por alguns segundos. Eu me ajoelhei diante dela e ela sorriu para mim.

“Se você quiser, pode ficar em casa hoje. Posso te deixar com Belle, o que acha? Passar à tarde com livros parece interessante, não é?”

Ela deu de ombros, colocando sua mochila nas costas e negou minha sugestão.

“Vovó tá preparando uma surpresa para mim hoje. Não quero fazê-la perder tempo.”

“É, claro que não quer. Tenha um ótimo dia, querida.” Eu disse, abraçando-a fortemente, enquanto eu levantava com ela em meus braços.

Henry estava certo, ela já não era mais aquele bebê que eu imaginava em minha mente. Eu enchi o seu rosto de beijos, fazendo cócegas nela e ouvindo sua risada. Ela colocou suas duas mãozinhas em meu rosto, seus olhos me fitaram por alguns segundos.

“Eu queria que ela pudesse estar com a gente hoje.” Ela disse, ainda com as suas mãozinhas em meu rosto. Eu lhe dei um beijo no rosto, uma última vez.

“Eu também, minha querida.” Eu respondi. “Mas você sabe que, independentemente de onde ela estiver, ela te ama muito, não é? Não se esqueça disso.”

“Eu não esquecerei.” Ela respondeu e eu a coloquei no chão. Ela correu em direção as escadas. “Também não se esqueça disso, mamãe. Não se esqueça que ela também te ama.” Disse, descendo as escadas, enquanto eu pensava que, mesmo que eu quisesse, eu jamais poderia esquecer que Emma ainda me amava, apesar de toda a distância.

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Eu terminei de me arrumar, desci as escadas e peguei minhas chaves. Olhei-me uma última vez no espelho e caminhei em direção à porta. Assim que eu a abri, um filhote de cachorro entrou na mansão. Eu o observei andar pelo saguão de entrada, havia um laço enorme amarrado em seu pescoço, eu me ajoelhei diante dele e o peguei em meu colo.

O relógio do celular me avisava que eu teria que sair imediatamente ou eu me atrasaria para a reunião. Então, com o filhote nos braços, eu me direcionei para a entrada da mansão, discando o número dela no celular. Eu esperei que ela me atendesse e imediatamente comecei a falar.

“Eu não acredito que você comprou um cachorro! Um cachorro é golpe baixo! Eu comprei um cartão e um smartphone, mas não posso competir com um cachorro!” Eu disse e ela riu do outro lado da linha.

“Eu não comprei cachorro algum. Eu adotei, é diferente.” Ela respondeu.

“Onde você está?” Eu perguntei, indo até a rua e vendo, ao longe, o carro vermelho de Ruby.

“Eu só apareci mesmo para trazer o cachorro. É melhor eu ir embora agora.” Ela respondeu, deixando claro que estava prestes a desligar o celular, mas eu a impedi.

“Não desligue, por favor. Eu estou sozinha em casa.” Eu dei uma pausa e conferi novamente a hora. “Eu já estou atrasada de qualquer forma.”

Ela podia me ver de dentro do carro, eu esperei que ela refletisse sobre a minha proposta e, segundos depois, a ligação caiu e eu a vi descer do carro. Um sorriso surgiu em meu rosto, ela se aproximou lentamente de mim e também sorriu.

“Hey, Regina.” Disse, em seu tom de voz que sempre mudava quando ela falava meu nome.

“Olá, Emma.” Eu respondi e ela sorriu novamente, mordendo o lábio e deixando explícito que isso era uma convite para que eu tomasse a sua boca.

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Seis anos atrás.

Eu havia perdido a noção do tempo e deixado a mamadeira de Amy esquentar demais. Por esse motivo, a menina não parava de chorar e eu começava a me arrepender por não ter deixado Snow passar a noite conosco. Eu não sabia o que eu estava fazendo e não conseguia parar de desejar que Emma estivesse ali comigo. Eu conferi novamente a temperatura da mamadeira e tirei a menina do bebê conforto, oferecendo para ela, finalmente, a mamadeira.

Ela parou de chorar e eu caminhei com ela em meus braços pela cozinha, até que a campainha tocou, me fazendo olhar para o relógio e descobrir que ainda era muito cedo. Pelo olho mágico, eu descobri que era Gold e revirei os olhos em frustração, antes de abrir a porta.

“O que você quer, Rumplestiltskin?” Eu perguntei, irritada, assim que ele entrou, me seguindo em direção a cozinha.

“Eu só queria saber como você estava. Levando em conta tudo o que aconteceu nas últimas horas.” Ele respondeu, com um sorriso satisfeito em seus lábios. Eu ignorei seu comentário e sentei-me no balcão da cozinha, dando atenção exclusivamente a Amy. “Eu não vim aqui para te provocar, como você já deve estar pensando.” Ele continuou a dizer, enquanto eu continuava a ignorá-lo. “Eu vim aqui, pois eu fiquei sabendo o que aconteceu com Emma.”

“E daí? Ela já está morta.”

“Morta e enterrada?” Ele perguntou e eu lancei um olhar para ele, que não o intimidou de forma alguma.

“Whale disse que gostaria de fazer uma autopsia antes. Ele não acreditou muito nessa história da Blue. Ele acha que havia algo a mais em Emma. Então ele gostaria de investigar mais a fundo.”

“Foi isso que ele te disse?” Perguntou, mas eu não o respondi, permitindo então que ele terminasse de falar. “Whale sabe mesmo improvisar, estou de certo modo impressionado.”

“Rumple, o que diabos você veio fazer aqui a essa hora da manhã e por quê?”

“Porque, minha querida, Emma não está morta. Veja bem, Blue estava certa quando disse que a criança tirava a magia de Emma, mas tem algo a mais. Na verdade, ela se alimenta dessa magia. Da sua e de Emma, mas, por algum motivo, ela não consegue controlar o poder que tem e a criança acaba sugando mais energia do que necessita.” Ele respondeu, da forma mais rápida que conseguiu, mas eu já havia parado de prestar atenção, quando ele disse que Emma estava viva.

“Emma está viva?!” Eu perguntei e seu semblante era de pura irritação.

“Sim, mas me deixe terminar.” Ele continuou, mas antes que ele continuasse a falar, eu entreguei Amy para ele.

“Eu vou pegar a bolsa dela e volto em um instante.” Porém, Rumple segurou o meu braço, com uma de suas mãos livres. Seu olhar estava fixo na bebê em seus braços, ele levou algum tempo antes de olhar para mim. Havia algo em seu olhar e eu não soube entender o que era.

“Ela está viva, pois você trouxe a bebê para casa. A partir do momento que elas ficarem juntas, toda a sua energia será puxada pela criança novamente. Veja bem, vocês duas a mantêm viva, mas diferentemente de Emma, você consegue controlar a energia que libera para a criança. Emma não consegue. Ela dá tudo o que ela tem. Como a bebê também não sabe controlar sua magia, ela simplesmente suga tudo o que tem disponível. As duas devem viver distantes uma da outra.”

“O quão distante?” Eu perguntei.

“Eu não sei.”

“Por quanto tempo?”

“Eu também não sei.” Ele enfim soltou o meu braço.

“Você sabia? Você sabia que isso poderia acontecer?”

“Eu sabia que para o bebê existir, requeria magia e controle. Eu não sabia, porém, que Emma não teria esse controle.” Ele respondeu.

“Se fosse comigo.” Eu perguntei. “Se fosse comigo isso teria acontecido?”

“Se fosse com você, essa criança não existiria. Nós dois sabemos que você é estéril” Ele respondeu e eu me silenciei diante dessa observação.

“Vá pegar as coisas da criança. Eu te levo até o hospital, passamos antes em Granny e a deixamos com Ruby.” Ele disse e eu subi para pegar a bolsa de Amy.

Eu decidi não acordar Henry, pois eu ainda estava processando toda a informação e não sabia como contar a ele. No caminho, eu liguei para Ruby e embora eu não tivesse contado a ela a verdade, quando eu cheguei a pensão, todos já sabiam.

Gold dirigiu em silêncio. Eu estava incrédula sobre se era verdade o que ele tinha dito ou não. Porém, desde que ele me contou que ela estava viva, algo dentro de mim me deu a certeza de que ele não estava mentindo. Eu não conseguia entender o porquê ele me ajudaria, mas em nenhum momento eu ousei questioná-lo.

Ele me deixou no hospital, não entrou comigo e assim que eu me vi ali dentro, eu notei que toda a melancolia e tristeza, de horas atrás, haviam desaparecidos. Algumas pessoas se aproximaram de mim, seguraram a minha mão e me disseram que nós merecíamos esse milagre.

Uma das enfermeiras me acompanhou até o elevador e subimos juntas ao terceiro andar. Eu sentia minha cabeça girar, meus sentidos estavam confusos e eu não conseguia escutar com clareza o que os outros me diziam.

Quando a porta do elevador abriu, Snow e David estavam no corredor e Snow caminhou em minha direção, me puxando pela mão e me levando até um dos quartos. Emma estava lá, deitada em uma cama, seus olhos fechados, mas ela claramente estava respirando.

Ela não tinha aquela aparência doente de antes. Ela estava ótima, estava exatamente igual a última vez que eu a vi, antes de sair para o trabalho. Porém, ela não tinha mais Amy consigo.

Eu me aproximei de sua cama e peguei sua mão, a trazendo para meu rosto a fim de sentir o calor de sua pele. No mesmo instante, eu senti minhas lágrimas descendo pelo meu rosto e não resisti a tentação de me aproximar de seus lábios. Ela acordou com esse toque, me olhou da forma mais doce possível e sorriu para mim.

“Olá, minha mamãe favorita.” Ela disse e eu sorri. Sua voz não estava cansada e em nenhum momento ela tomou fôlego para continuar falando. “Como ela está? Cadê ela?”

“Ela está com Ruby.”

“Vá buscá-la.”

“Você se lembra de algo, Emma?”

“Lembro-me de ter desmaiado na mesa de parto e de ter acordado aqui.” Ela respondeu.

Eu descobri que ela não tinha consciência alguma do tempo em que passou ‘morta’. Acontece, que assim que eu saí do hospital com Amy, Emma, milagrosamente, voltou a vida. Na verdade, Whale já esperava que isso fosse acontecer e estava monitorando Emma o tempo todo. Segundo Whale, apesar de seu coração ter parado durante o parto, seus órgãos permaneceram funcionando.

Era como se ainda existisse vida em Emma, mesmo tudo indo contra essa afirmação. Rumple havia ligado para Whale, avisado a ele para que não liberasse o corpo de Emma e foi o que o doutor fez. Uma vez Amy longe do hospital, o corpo de Emma se recuperou em poucas horas, como se nada tivesse acontecido a ela. Eu tentei explicar para Emma, o mesmo que Rumple havia me explicado, mas ela não pareceu aceitar.

“Você tem noção do que você está me dizendo, Regina?! Você está me dizendo que eu não posso ficar perto da nossa filha! Da filha que eu esperei tanto para pegar no colo, que imaginei todo um futuro e que eu amo mais do que qualquer coisa nessa vida! Isso não pode ser verdade!”

Mas era verdade. Pois, quando nós trouxemos Amy para ela, assim que Ruby atravessou a porta do quarto, com Amy em seus braços, Emma começou a sentir mal. Ela tentou resistir ao máximo, mas era visível o efeito que a criança tinha nela. Ruby a levou de volta e eu fiquei com uma Emma completamente devastada em meus braços.

Durante os últimos anos, Emma apenas pôde ver Amy através de chamadas de vídeo ou a uma distância razoável e isso nunca era o suficiente para ela. Era clara a necessidade que Emma tinha de ter a filha em seus braços. Eu havia imaginado uma vida inteira ao lado dessa mulher e quando descobrimos que teríamos um bebê, todos nossos planos mudaram, pois Amy passou a fazer parte de todos eles. Onde Amy se encaixava agora? Onde Emma se encaixava? Elas não podiam ficar juntas uma da outra e eu me vi obrigada a abrir mão de uma delas. Minha escolha era óbvia, pois Emma teria feito o mesmo.

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“Entra.” Eu sugeri a Emma. Ela encarou a entrada da mansão, que já não mais considerava sua e balançou a cabeça. “Eles não estão aqui.” Eu continuei.

“Não é a presença deles que me impede de entrar, mas sim o fato de que uma vez dentro dessa casa, eu não vou querer mais sair.” Ela respondeu. “É melhor assim. Nós estamos vivendo dessa forma há 5 anos. Cada um em seu canto. É mais fácil.”

“Mais fácil para quem?” Eu perguntei e ela não ousou responder. “Entra.” Eu insisti.

Emma pensou a respeito, encarou a mansão e em seguida olhou para mim. Eu estendi minha mão para ela e, juntas, nós entramos na casa que um dia ela chamou de sua. Desde o dia em que Amy nasceu, Emma jamais voltou a entrar na mansão. Ela se emocionou ao andar pelo corredor do saguão de entrada, pela primeira vez depois de anos. Nada ali havia mudado, as únicas coisas novas eram os retratos de Amy pela casa. Ela pegou um deles, passou sua mão pela imagem de Amy e a abraçou contra o corpo.

“Você tem ideia do quanto eu gostaria de poder tocá-la? Pelo menos mais uma vez.” Ela disse, enxugando as lágrimas de seu rosto.

Eu coloquei o filhote, que eu ainda tinha em meus braços, no chão e me aproximei dela, envolvendo-a em meus braços. Eu tinha ideia sim do quanto ela gostaria de poder ter Amy em seus braços, assim como eu também sabia do quanto Amy havia sofrido e sentindo a ausência da mãe nos últimos anos.

Eu cancelei todas as reuniões daquele dia e passei o resto da manhã com Emma em minha casa. Eu liguei para Snow e pedi a ela para buscar as crianças e que só voltasse com elas a noite. De modo que tivemos a casa só para nós duas, porém, Emma quis ficar apenas no quarto de Amy, decorando cada detalhe que havia naquele quarto.

Eu estava sentada na cama de Amy, observando Emma se apaixonar por todos os brinquedos da menina. Ela sorria a cada novo vestido que descobria no guarda roupa da nossa pequena. Ela então olhou para o relógio e disse que precisava ir embora.

“Nós ainda temos algum tempo.” Eu disse. “Você já me fez cancelar todas minhas reuniões, então fica mais um pouco.” Eu continuei, me levantando e me aproximando dela. “Você não foi ver nosso quarto, não sente saudades dele?” Eu perguntei, a fazendo rir.

“Eu sinto sim, muita mesmo. Eu sinto muita falta também de ser sempre o motivo pelo qual você cancelava suas reuniões.” Ela disse, colocando seus braços ao redor do meu pescoço.

Eu encostei minha testa na dela e aproximei minha boca da sua, fazendo questão de morder levemente seu lábio inferior, antes de tomar sua boca completamente para minha. Eu passei minha mão por seus cabelos e envolvi meus dedos em seus fios loiros, com a mão livre, eu percorri meus dedos em direção a sua barriga e esse toque a assustou. Ela quebrou o beijo e se afastou de mim.

“Nós não podemos fazer isso.” Ela disse.

“Você tem medo. Tem medo que aconteça tudo de novo.” Eu disse e ela respondeu que sim. “Por favor, não tenha.” Eu continuei e me aproximei novamente dela, colocando uma de minhas mãos em sua cintura e a trazendo para junto de mim.

Não havia espaço entre nossos corpos. Eu levei minha mão até o seu pescoço e trouxe o seu rosto para perto do meu, acariciando-o com as costas da minha mão. Ela fechou seus olhos em resposta ao toque e eu trouxe novamente sua boca para a minha. Ela permitiu se perder em meus beijos, permitiu que nossas línguas se encontrassem e que minha mão caminhasse por debaixo da blusa que ela usava, descendo em direção a sua calça, enquanto eu a desabotoava.

Ela não impediu o toque e suas mãos correram pelo meu pescoço e nossos beijos se tornaram mais intensos e mais cheios de desejo. Aos poucos, ela foi ficando mais à vontade. Então eu levei minha mão para dentro da sua calça, passando meus dedos por cima de sua calcinha, a massageando gentilmente e ouvindo seus pequenos gemidos.

Novamente ela me impediu de continuar, mas dessa vez foi porque quis me levar em direção ao nosso quarto. Uma vez lá dentro, ela não perdeu tempo em olhar o lugar e se preocupou em tirar minhas roupas, sentir o gosto de minha pele, tirar meu fôlego e me arrancar todos os gemidos possíveis. Eu a levei até a cama, onde ela se deitou de costas, permitindo que eu ficasse por cima.

Eu tirei cada peça de sua roupa, deixando-a completamente nua. Já fazia tanto tempo que eu não tinha aquele corpo no meu, que eu senti como se fosse novamente nossa primeira vez. Principalmente, porque ela estava tão nervosa e com medo. Ainda assim, aos poucos ela foi se acalmando, permitindo que eu fosse até o final. Ainda assim, ela fez amor comigo, durante toda aquela tarde e se permitiu adormecer em meus braços, completamente nua.

Nós só teríamos algumas horas juntas, mas era o suficiente para matar um pouco a saudade que nós tínhamos uma da outra. Diferentemente dela, eu não dormi e abracei o seu corpo contra o meu, o mais forte que eu pude, tentando deixar mínima a distância que havia entre nós.

Não havia nenhum pedaço de tecido entre nossos corpos. Eu acariciei o seu rosto com a ponta dos dedos, desde suas bochechas, até os seus lábios, enquanto eu refletia sobre tudo o que havíamos passado nesses últimos anos. Durante essas últimas horas, não houve distância alguma que fosse capaz de nos manter separadas e, talvez, estivéssemos mais perto de quebrar essa distância de uma vez por todas.