Amy

5 Momentos


Notas iniciais
Tenho que começar essa nota agradecendo a menina Tânia, pela recomendação muito fofa que ela me deixou, por todo apoio não só nessa fic, mas como em todas as outras que eu escrevo. Pelos comentários tão cheios de amor e cuidado e por todo o incentivo. Tu é incrível, menina Tânia. Incrivelmente incrível! Obrigada mesmo, eu podia me prolongar mais, mas podia correr o risco desse capitulo ser sobre você ♥ Mas enfim, obrigada mesmo (:

Capítulo 5 — Momentos

Eu passei os meus dedos por seus cabelos loiros enquanto ela dormia e, no mesmo instante, toda nossa vida passou diante de meus olhos. Era como se Emma fosse um livro de memórias e seus fios de cabelos linhas de nossa história. Eu me inclinei em sua direção e nossos lábios se encontraram, ela abriu os olhos e sorriu para mim.

“Oi.” Disse ela, ainda sonolenta e eu não respondi de volta, apenas me levantei, de modo a ficar por cima dela e a beijei novamente.

Ela passou seus braços ao redor do meu pescoço e permitiu que eu a beijasse por completo. Em seguida, nossos corpos, ainda despidos, entraram em contato um com o outro. Como eu havia sentido falta dela em nossa cama, eu poderia tê-la em qualquer canto do mundo, mas nunca seria a mesma coisa. Pois foi em nossa cama que nós fizemos amor pela primeira vez, foi em nossa cama que Amy foi concebida e teria sido nessa mesma cama que teríamos passado todos os nossos dias juntas, se o destino não tivesse sido tão cruel conosco.

“Como anda seu treinamento com Rumple?” Eu perguntei, quebrando o beijo e ela suspirou, demonstrando irritação.

Eu sabia que havia tocado em um assunto delicado e dei um tempo para que ela se acalmasse, antes de eu voltar ao assunto.

“Você sabe que eu estou indo bem. Ele mesmo te disse isso no mês passado. Assim como você também sabe que esses treinamentos não funcionam! Ainda assim, eu não consigo chegar perto da nossa filha.” Dizendo isso, ela se mexeu, fazendo com que eu saísse de cima dela.

Ela se levantou da nossa cama, andou pelo quarto, pegando todas as suas roupas do chão e seguiu em direção ao banheiro.

“Emma.” Eu a chamei, seguindo-a, mas ela simplesmente fechou a porta do banheiro.

Eu sabia o quanto esses anos haviam sido difíceis, eu sabia que ela sentia muita falta de nossa filha e que os telefonemas e conversas por vídeos só faziam com que a saudade aumentasse. Não era fácil para mim também, principalmente agora que Amy já estava maior e entendia melhor as coisas, de modo que passou a me questionar mais.

Eu havia lhe explicado toda a história e talvez esse tenha sido meu erro. Pois depois disso, ela começou a se culpar pela ausência da mãe, passou a ser uma criança mais triste. A cada dia que passava, eu percebia que a menina doce e alegre de dois anos atrás, estava se tornando uma criança deprimida. Eu não sabia mais o que fazer a respeito.

“Ela vai adorar o cachorro.” Eu disse, assim que entrei no banheiro e me envolvi em um dos robes que havia ali.

“É claro que ela vai.” Emma respondeu, de dentro do box do banheiro, com a água escorrendo pelo seu corpo. “Ruby que escolheu.” Ela continuou. “Alias, eu preciso voltar e devolver o carro dela. Então, pare de fazer que eu perca mais tempo e traga seu corpo para cá.” Ela completou e foi inevitável não rir com essa mudança súbita de humor.

No mesmo instante, eu tirei meu robe, o jogando no chão e entrei no chuveiro junto da minha loira. Pois afinal, essa era nossa forma de celebrar o cancelamento de uma reunião.

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“Eu queria ver o rostinho dela, quando ela visse o cachorro pela primeira vez.” Emma disse, colocando uma vasilha de água para o filhote, que era um cachorrinho preto e pequeno, que simplesmente ignorou a vasilha e saiu correndo pela cozinha.

“Então fica.” Eu disse. Ela me encarou e revirou os olhos, antes de começar a falar, mas eu a impedi de continuar. “Quanto tempo faz que você não tenta?” Eu continuei, me aproximando dela e a encostando contra a pia da cozinha.

“Um pouco mais de um mês.” Ela respondeu.

“Muita coisa pode mudar em um mês, talvez agora você esteja mais forte.”

“Se eu não estiver?” Perguntou, eu escolhi não responder e simplesmente a beijei. Quando eu me afastei, ela sorriu para mim e olhou para o filhote, antes de me encarar novamente. “Eu realmente gostaria de ver a reação dela.” Continuou, em seguida, correu atrás do filhote que começava a comer um tapete que havia ali.

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Nós passamos o resto da tarde no quarto de Amy, deitadas na cama estreita da nossa pequena. Nós mal cabíamos ali, mas ainda assim, parecia o melhor lugar para se estar. Tudo naquele quarto tinha a cara de Amy, tudo ali tinha o seu cheiro, suas cores e aquela alegria que ela ainda mantinha, apesar de tudo. Era o melhor cômodo da casa, até Emma, que já não morava mais conosco, sabia disso.

“Só faltava ela aqui.” Emma disse, olhando para mim e eu concordei, dando um breve beijo em seus lábios e voltei minha atenção ao filhote que destruía um dos brinquedos de Amy.

“Ruby escolheu esse filhote se baseando em quê, hein?” Eu perguntei, ela riu em resposta e abriu a boca para me responder, mas nunca o fez, pois no mesmo instante a campainha tocou.

Ela se levantou em um sobressalto, dando espaço para que eu saísse da cama. Eu caminhei em direção a porta, me virando antes para encará-la.

“Vai dar tudo certo, Emma.” Eu disse, sentindo que eu estava tão nervosa quanto ela.

Eu desci as escadas rapidamente, cheguei a tempo de ouvir a voz de Amy do outro lado da porta, que pedia ao seu avô para deixá-la tocar mais uma vez a campainha. Em seguida, a campainha tocou novamente e eu abri a porta, encontrando Amy, no colo do avô, com um de seus dedos apertando insistentemente a campainha.

“Eu já atendi, Amy.” Eu disse e ela sorriu para mim, se jogando em minha direção, para que eu a pegasse em meus braços.

“Eu fiquei com medo que você demorasse muito e meu bolo derretesse, mamãe!”

“Não se preocupe, meu amor. Seu bolo ainda está na geladeira.” Eu respondi, entrando com ela em meus braços, sendo seguida por Snow e David. “Aposto que ela passou o dia inteiro falando desse bolo, não foi?”

“Só parou de falar a respeito quando eu entreguei a ela o meu presente.” David respondeu.

“Ah, é? O que foi que você ganhou do seu vovô, querida?” Eu perguntei, a colocando no chão e me ajoelhando a sua altura.

“Uma espada!” Ela respondeu, dando um pulo de alegria.

“Ah, é mesmo? Que interessante, não é mesmo?” Eu disse, olhando para David que tinha um sorriso estupidamente grande em seu rosto.

Às vezes, eu achava que eu era muito babona quando se tratava de Amy, mas então eu me lembrava de David e me acalmava. Pois, basicamente, era só isso que ele fazia: babar minha filha. Eu não podia culpá-lo por isso.

“É uma espada de brinquedo, Regina. Não tem com o que se preocupar.” Snow disse, defendendo o marido.

“É de brinquedo sim.” Amy disse, concordando com a avó. “Mas Henry disse que se eu treinar bastante com a de brinquedo, um dia eu vou poder usar uma de verdade!”

“Ainda tem muito tempo para isso, querida.” Eu disse, passando minhas mãos em seus cabelos.

“Mas a senhora vai deixar, não vai? Porque mãezinha Emma sabe usar uma espada muito bem e eu queria muito aprender.”

“É claro que eu vou deixar. Eu mesma te dou uma espada de verdade, assim que você tiver idade e força o suficiente para segurar e usar uma, combinado?” Eu disse e a menina começou a pular de felicidade, em direção a sala.

Eu me levantei do chão, olhando para Snow e questionando a ausência de Henry.

“Eu pedi para que ele fosse buscar Ruby, Belle e Granny. Já que Ruby está sem o carro dela, mas eles já devem estar chegando. Aliás, o carro de Ruby está lá fora e Emma estava com ela essa manhã. Por acaso ela ainda está por aqui?” Snow perguntou, eu respondi que sim e ela balançou a cabeça em desaprovação.

“Regina, você sabe que não deve forçar esses encontros.”

“Eu sei, Snow. Eu sei muito bem disso, mas é o aniversário de Amy e eu sei o quanto Emma gostaria de estar presente.”

“Espero que você saiba o quanto isso tem impacto em Amy.”

“Eu também sei disso.”

“Sabe o que eu ganhei também, mamãe?” Amy perguntou, correndo em nossa direção.

“Bem, vamos ver.” Eu respondi, em um tom pensativo. “Você ganhou um vestido de princesa, uma tiara de princesa, uma espada que não é bem de princesa.”

“É sim, mamãe! É de madeira, mas eu botei um pouco de glitter! Você já foi uma princesa antes, mamãe. Então você sabe melhor que ninguém que glitter é coisa de princesa!” Ela respondeu, gesticulando e fazendo caras e bocas, como se falasse a coisa mais óbvia do mundo.

“Ah, desculpa, minha princesa. Vamos ver, você ganhou um vestido de princesa, uma tiara de princesa, uma espada de princesa. Então o que falta? Um castelo?” Eu perguntei, fazendo cara de espanto. Ela riu e balançou a cabeça.

“Não, mamãe! Não cabe um castelo em um estábulo!”

“Ah, meu deus, vocês deram a ela um cavalo?” Eu perguntei, encarando David e Snow.

“Desculpa, Regina. David não conseguiu se conter e acredite, ele também teria comprado o castelo, se pudesse.”

“Não precisa se desculpar.” Eu respondi, puxando Amy para mim. “São presentes incríveis, não é mesmo, Amy?”

“São sim, eu adorei!” Ela respondeu, olhando para os avôs e depois para mim. “E meu cartão?”

“Seu cartão está lá em cima, por que você não vai até lá buscá-lo?” Eu perguntei, no mesmo instante, ela correu pelas escadas, segurando a tiara, que ainda usava, para que ela não caísse de sua cabeça. Eu me virei para Snow e a encarei por alguns segundos. “Apenas deseje que tudo dê certo, pode ser?” Eu perguntei, ela assentiu e eu subi as escadas, atrás de Amy.

Eu cheguei ao primeiro andar, a tempo de ver Amy parada em frente a porta de seu quarto e me aproximei dela, acompanhando seu olhar, fixo em Emma, que estava parada no centro do quarto com o filhote em suas mãos.

“Oi, querida. Feliz aniversário.” Emma disse, se segurando para não chorar. Amy, por sua vez, não respondeu e eu caminhei até Emma, parando ao seu lado.

“Responda sua mãe, meu anjo.” Eu disse a Amy, passando um dos meus braços em volta de Emma, sentindo seu corpo se apoiar em mim. Ela estava começando a se sentir fraca.

“Oi, mãezinha. Obrigada.” Amy disse, com um sorriso e ajeitou a tiara em sua cabeça.

Ela não se moveu, permaneceu parada onde estava, sem ousar dar mais um passo à frente, seus olhos, se mantinham fixos em Emma.

“Você ficou linda com essa tiara, sabia?” Emma perguntou e Amy sorriu, tocando novamente na sua tiara.

“De quem é esse cachorro?” Ela perguntou.

“Esse cachorro é o meu presente para você, meu amor. Por que você não vem buscá-lo?”

Amy não respondeu, eu sentia Emma se esforçando cada vez mais para ficar em pé e a ajudei a se ajoelhar. Em nenhum momento ela demonstrou que estava se esforçando para respirar. Ela soltou o cachorro no chão e Amy o observou andar pelo quarto, mas não o seguiu.

“É um presente incrível.” Amy disse. “É um menino?”

“É sim.” Emma respondeu, fazendo uma pausa para recuperar o fôlego.

“Emma, você está bem?” Eu perguntei, em um sussurro, ajoelhando-me ao seu lado e a segurando pela cintura.

Ela nunca havia conseguido ficar tão perto de Amy e eu sabia que ela estava se esforçando demais para manter esse contato por tanto tempo.

“Eu estou bem.” Respondeu, mas eu sabia que ela não estava. “Por que você não vem me dar um abraço?” Emma continuou e estendeu os braços para que Amy fosse até ela, mas Amy apenas balançou a cabeça e levou sua mão aos olhos.

“Eu te machuco, mãezinha.” Ela disse, com uma voz chorosa. “Eu gostei muito do cachorrinho, mas eu não posso te agradecer com um abraço. Porque se eu fizer isso, você não vai acordar mais. Eu não quero que você durma para sempre.” Ela continuou e deu um passo para trás, levando suas duas mãos ao rosto, enquanto começava a chorar.

“Está tudo bem com a sua mãe, querida. Não precisa chorar.”

“Não está não.” Amy respondeu, sua voz se misturando ao choro. “Primeiro ela começa a ficar assim e não consegue mais controlar o próprio corpo e então ela cai.” Continuou, sem consegui controlar o choro e deu outro passo para trás. “Então ela não consegue mais respirar e ela se esforça tanto para isso, mas o ar não entra.” Novamente outra pausa, Snow e David se aproximaram dela. “Se eu não for embora e se ela se esforçar mais, vai chegar um momento que ela desmaia e então... Mãezinha, eu te amo e eu não posso fazer isso com você.” Concluiu e correu em direção as escadas.

Depois de alguns segundos, foi como se todo o ar tivesse sido devolvido a Emma. Ela apoiou as mãos no chão e começou a tossir, violentamente.

“Emma, você está bem?” Eu perguntei, mas não precisei ouvir sua resposta.

Ela se virou para mim, me abraçando, deixando suas lágrimas molharem minha roupa. Ela não merecia isso. Ela definitivamente não merecia toda essa dor. Eu já não mais sabia o que fazer.

“Vai ficar com ela, Regina.” Emma disse. “Por favor, vá atrás dela.” Continuou, se afastando de mim, para que eu pudesse olhar para ela. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, eu as enxuguei, usando as palmas de minhas mãos. Emma as segurou, as afastando de seu rosto. “Não sou eu que preciso de você essa noite, Regina.”

“Também não é de mim que ela precisa.”

“Terá que ser você, por enquanto. Ela é tudo o que sobrou de nós, Regina. Não deixe que ela se quebre tão facilmente.”

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Eu encontrei Amy no quintal, sentada em seu balanço. Ela tinha o olhar baixo e se virou para me ver, quando ouviu meus passos.

“Está tudo bem com você?” Eu perguntei, me ajoelhando a sua frente.

“Você sabia que Arthur da minha sala não pode comer pasta de amendoim?”

“Não, meu anjo. Eu não sabia.”

“Se ele comer, ele vai parar no hospital. Vovó disse que ele é alérgico e que a pasta de amendoim é letal para ele. Você sabe o que letal significa?”

“Sei sim, querida.”

“É o que eu sou. Eu sou letal.”

“Não, querida. Você não é.”

“O que eu sou então?”

“Você é uma criança especial. Existe algo dentro de você que nenhuma outra criança tem.”

“Mas por que isso tem que machucar a mãezinha?”

“Eu não sei, mas saiba que você não é letal para ela. Você nunca será. Sabe, as pessoas não acreditavam muito no que eu sentia pela sua mãe. Isso nos machucou muito no começo, mas mesmo todos sendo contra nós, ainda assim, nós fomos capazes de te trazer ao mundo. Sabe o quanto isso te torna a criança mais incrível desse mundo?” Eu perguntei, ela balançou a cabeça algumas vezes. “Nem sempre houve luz em mim, meu amor. Eu nem sempre fui boa.”

“O que você quer dizer com isso?”

“Eu estou querendo dizer que havia escuridão em mim e que sua mãe apareceu, com toda a luz que havia nela e que isso de certo modo me iluminou. Eu acho que eu fiz o mesmo com ela.” Eu respondi e ela sorriu para mim.

“Ela se tornou luz graças a sua escuridão e sua escuridão se tornou luz graças a luz dela.” Ela disse, olhando para o céu enegrecido, tomado por estrelas. Eu acompanhei seu olhar. “Sabe o que vocês são, mamãe?” Ela perguntou, olhando para mim.

“Não, meu anjo. O que nós somos?”

“Você é forecente, mamãe.” Ela respondeu, me fazendo rir.

“Fluorescente, meu amor.” Eu disse, corrigindo-a.

“Isso aí, mamãe. Você é isso e mãezinha é fosforescente, igualzinha as estrelas do teto do meu quarto, que brilham no escuro.”

“Sendo assim, meu amor, você é os dois.” Eu disse e ela se jogou em meus braços. Eu abracei minha menininha o mais forte que eu pude. Minha menininha que conseguia ser minha luz, quase um farol, que me guiava para longe de toda essa loucura e solidão.

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Nós conseguimos comemorar o aniversário de Amy, sem que ela chorasse mais uma vez aquela noite. Na verdade, parecia que já não havia mais motivos para tristeza e ela estava verdadeiramente feliz por todos estarem ali. O filhote também ajudou a distrai-la e o presente que eu lhe dei, acabou sendo completamente ignorado, sendo notado apenas na hora de dormir, quando eu me sentei ao seu lado e ouvi as explicações de como o aparelho funcionava.

“Eu gostei muito do cartão, mas esse celular é muito mais maneiro, mamãe.” Ela disse. “Esse aplicativo é muito legal, porque você pode mandar vídeos para as pessoas, mamãe.” Continuou, quando eu a coloquei em pé na minha frente e comecei a pentear seus cabelos. “Eu vou poder mandar vídeos para a mãezinha o dia inteiro, não vou?”

“É claro que vai, meu amor.” Eu respondi, terminando de pentear seus cabelos. Eu lhe dei um beijo e tirei o filhote, que ela nomeou de Totó, de sua cama. “Veja só, o número dela já está registrado. Então, você só precisa apertar esse botão e depois o número 1 e vai direto para o telefone dela. Esse aplicativo aqui, você pode usar para chamadas de vídeos, não é legal?”

“Eu quero falar com ela agora!” Ela disse, sentando-se em meus joelhos e se aproximando de mim, enquanto eu ligava para Emma. Nós esperamos alguns segundos, então Emma apareceu na tela do celular. “Oi, mãezinha!” Amy disse, animada, beijando a tela do celular e me fazendo derreter toda com essa cena.

“Oi, meu anjinho.” Ela respondeu, fazendo o mesmo gesto.

“Agora você, mamãe.” Amy continuou e eu beijei a tela do celular também, recebendo outro beijo de Emma. “Como você está, mãezinha?” Amy perguntou, encostando-se contra o meu corpo, enquanto nós víamos Emma pela tela do celular.

“Eu estou bem, querida.”

“Eu te machuquei muito?”

“Não me machucou nada, nenhum pouquinho.”

“Um dia, mãezinha, eu poderei te abraçar e sentar no seu colo e nós leremos um livro, no escuro, com minhas estrelinhas iluminando tudo.”

“Nós vamos sim, querida. Nós leremos todos os livros do mundo. Então é melhor comprar mais estrelinhas. Como está seu cachorrinho?”

“Ele tá muito bem! Ele se chama Totó e Ruby disse que ele adorou o nome que eu dei!”

“Aposto que adorou mesmo. Agora você é a Dorothy dele, meu amor, então cuide bem dele, ok?”

“Eu cuidarei sim.” Amy respondeu. “Mãezinha, a senhora tá na rua?” Ela perguntou, quando Emma passou por uma árvore.

“Na verdade, eu estou sim. Você sabe onde eu estou?” Ela perguntou e girou o celular e nós pudemos ver a janela do quarto de Amy.

No mesmo instante, minha pequena correu até a janela. Eu a segui, abrindo a janela para ela. Lá embaixo, em pé sobre a grama, encontrava-se Emma e ela não estava sozinha. Vários garotos estavam também estavam ali, montando instrumentos no gramado do meu jardim.

“O que é isso, Emma?” Eu perguntei ao telefone.

“Isso sou eu, sendo mais brega possível. Porém, não se preocupe, Rainha. Essa música não é para você.” Ela respondeu, em seguida desligou o celular. Eu reconhecia alguns rostos, eram os amigos de Henry.

“Ela vai cantar, mamãe?” Amy perguntou, não se contendo de alegria. Eu não cheguei a responder. Emma se aproximou do microfone, os garotos estavam com seus respectivos instrumentos.

“Essa é para você, princesa.” Emma disse, se afastando do microfone, um dos garotos tomou seu lugar.

Emma caminhou para perto da janela de Amy, com um cartaz em suas mãos, ela se virou para os garotos, dizendo que estava pronta. Os garotos começaram então a tocar a música, Emma se virou para a janela e eu não conseguia lembrar da última vez que eu tinha visto Amy tão feliz quanto hoje. Enquanto a música tocava, Emma estendia um de seus cartazes durante o refrão da música e Amy pediu para que eu os lesse em voz alta.

“Se eu pudesse, eu iria aonde quer que você fosse. Bem lá em cima ou lá embaixo. Irei aonde quer que você vá.” Eu li para ela, vendo-a mandar um beijo para sua mãe. A música continuou, Emma levantou um segundo cartaz. “E talvez, eu descobrirei uma forma de trazer tudo de volta algum dia. Para observá-la, para guiá-la, através do mais escuro dos seus dias.” Eu continuei, Emma dançava junto com a música e Amy a acompanhava ao meu lado.

Eu senti vontade de me juntar a elas, mesmo eu não sendo do tipo que dança, mas assistir minhas duas garotas felizes me contagiou. Henry apareceu no quarto e se juntou a nós. Lá embaixo, no jardim, Emma levantava outro cartaz que dizia: “Só agora eu sei o quanto a minha vida e o meu amor precisam permanecer. No seu coração e na sua mente, eu estarei com você por todo o tempo.” Eu continuei a ler e o refrão se repetiu.

“Vai até lá, mãe.” Henry disse. “Eu fico com a pirralha essa noite.” Ele continuou e eu olhei para Amy que ainda dançava.

“Você tem certeza?” Eu perguntei, um pouco incerta, mas ele assentiu.

Depois de refletir por alguns segundos, eu lhe dei um beijo e depois em Amy e corri até o jardim, chegando a tempo de ouvir a última parte da música. Eu me aproximei de Emma, que ainda dançava, mas parou ao me ver.

“Eu sei que você não dança.” Ela disse. “Sei também que você está achando que essa música é para você, mas não é.” Ela continuou, me provocando e eu não respondi, apenas a puxei para um beijo, enquanto escutava um dos garotos da banda gritar para Henry que nós éramos muito gatas. Nós duas quebramos o beijo e tentamos segurar o riso.

“Tudo bem, garotos. Obrigada pelo show, mas peguem suas coisas agora e caiam fora daqui.” Eu disse e os garotos no mesmo instante começaram a desmontar os instrumentos.

“Muito obrigada, meninos. Vocês foram incríveis.” Emma disse.

“A gente é que agradece pelo showzinho no final!” Disse um dos garotos, que saiu correndo quando eu o encarei.

Regina Mills ainda tem certo poder, acredito eu.” Eu disse e Emma riu, olhando em seguida para a janela do quarto de Amy, onde nossos filhos nos observavam.

“Saiba que Regina Mills-Swan ainda tem todo o poder sobre mim, se é poder que você quer.” Ela disse, passando seus braços ao redor do meu pescoço.

“Não é bem poder que eu quero, Emma.” Eu disse, beijando-a mais uma vez.

“O que você quer então, Regina?” Ela perguntou, quebrando o beijo.

“Eu quero te levar a um lugar onde eu posso te mostrar que eu sei sim dançar.”

“Ah sabe, é? Porque eu jurava que os únicos movimentos que você conhecia eram movimentos na horizontal.”

“Na verdade, eram desses movimentos que eu estava me referindo.” Eu disse e ela se aproximou novamente de mim, me dando outro beijo, antes de pegar minha mão e me arrastar dali, dizendo em meu ouvido:

“Bem, saiba que é desse tipo de movimento que eu gosto.”

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Nós fomos até a sua casa, um pequeno apartamento no centro da cidade, que tinha apenas dois quartos e um deles pertencia a Henry, que passava alguns dias da semana com a sua mãe. Não que nós precisássemos de muito espaço, uma cama era o suficiente para nós duas. Nós mal havíamos entrado no apartamento e nossas roupas já foram ficando pelo caminho.

Emma não perdeu tempo e assim que chegamos no quarto, ela simplesmente me jogou contra o colchão. Ela também não perdeu tempo em tomar minha boca para si e não se preocupou em me dar alguns segundos para que eu recuperasse meu fôlego. Ela arrancou minhas últimas peças de roupa, rasgando-as no processo, me fazendo pensar que eu teria que pegar algumas roupas emprestadas, mas eu não ligava para isso. Eu ligava apenas em satisfazer a mulher que eu amava.

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Eu acordei no meio da madrugada, Emma estava acordada, sentada ao meu lado com o notebook ligado.

“Por que não está deitada comigo?” Eu perguntei, sentando e me aproximando dela. Ela estava assistindo Amy dormir.

“Eu pedi para Henry ligar a webcam. Eu queria que ela estivesse aqui conosco.” Respondeu e eu senti que ela estava prestes a chorar.

Eu peguei o notebook de suas mãos e o coloquei de lado, trazendo Emma para perto de mim. Ela encostou sua cabeça contra o meu peito e juntas nós observamos Amy dormir.

“Você tem noção que nós criamos o ser humano mais lindo desse mundo?” Emma perguntou.

“E nós usamos apenas alguns dedos.” Ela riu com a minha resposta e se aproximou mais de meu corpo, pegando no sono alguns minutos depois.

Nós acordamos na manhã seguinte, olhamos para o monitor do notebook, onde não era mais possível ver Amy em sua cama. Porém, no chat havia um recadinho para nós, que dizia: amo vocês.