Amy
7 Diferentes
Notas iniciais
Capítulo 7 – Diferentes
“Como você vai explicar a Amy que ela não tem um pai?” Henry perguntou, me passando uma fralda descartável.
Eu pensei em uma resposta, enquanto colocava a fralda nela. Em uma semana, seria dia dos pais e foi por isso que Henry havia entrado nesse assunto. Eu não soube o que responder a ele, entreguei sua irmãzinha em seus braços, que ainda completaria um mês de vida e refleti a respeito.
Emma e eu havíamos conversado sobre isso, nós só havíamos combinado de dizer a Amy que ela tinha duas mamães. Assim como muitas crianças têm apenas uma mãe ou apenas um pai e algumas crianças, assim como ela, também tem duas mamães ou dois papais. A diferença, era que Amy havia sido concebida por magia, não houve um doador ou algo do tipo e diferentemente de Henry, ela não tinha um pai na história e nunca teria.
“Bem, Henry, eu acho que teremos que ser sinceros com todo o lance de magia e os contos de fadas. Eu espero que ela seja uma criança de mente aberta e com muita imaginação para lidar com essas informações, mas acredito que o fato de ela não ter pai não vai interferir muito na vida dela. Talvez não interfira em nada, veja você, sei que eu não fui uma mãe exemplar, mas você ficou bem, mesmo sem um pai na historia, não foi?”
“Foi sim, eu fiquei bem. É claro que eu iria gostar de ter um pai.” Ele respondeu, balançando Amy, que havia começado a chorar em sinal de fome. “Na verdade, eu iria gostar mais de ter duas mamães, como eu tenho agora.” Continuou e olhou para mim, sorrindo.
No instante seguinte, seu sorriso desapareceu, quando lembrou que Amy não poderia ter suas duas mães por perto. Ele a devolveu a mim e eu caminhei com ela em meus braços, em direção a cozinha, para preparar seu leite.
“Mas sabe, mãe. Era muito triste para mim quando comemorávamos o dia dos pais na escola e eu era o único garoto que não tinha um. Eu acho que para Amy não vai ser tão complicado assim, quer dizer, ela tem o avô e no dia das mães ela vai poder comemorar em dobro!” Ele disse, assim que eu coloquei Amy em seu bebê conforto.
Eu me inclinei para buscar a mão de Henry, a segurei por alguns instantes e sorri para ele. Estava sendo muito difícil para o garoto, que havia ficado dividido entre ficar comigo e a irmã ou ficar com a mãe. E, na maioria das vezes, ele sempre escolhia ficar conosco.
“Vai sim, meu amor. Ano que vem, nós vamos comemorar duas vezes o dia das mães e duas vezes o dia dos pais. Eu sei que em breve sua mãe estará melhor e poderá começar seu treinamento com o Rumple. Em pouco tempo, ela estará de volta para casa, ok? Talvez ela até volte para casa mais cedo do que imaginamos. Então talvez nós podemos fazer algo aqui no domingo, o que acha?”
“Eu acho que será muito legal.” Respondeu, sorrindo para mim. “Eu acho também que vocês duas são nossas mães e que não faz sentido comemorar o dia dos pais. Não é como se ela fosse a mãe de verdade e você fizesse o papel de pai, ou algo do tipo. Amy e eu temos duas mães e nós vamos ficar muito bem com isso.” Continuou e sorriu novamente, enquanto eu agradecia aos deuses por ter um filho tão incrível.
Eu soltei sua mão e caminhei em direção ao fogão para preparar a mamadeira de Amy. Já havia passado da hora e ela começou a ficar irritada com a demora. Henry tentou acalmá-la, conversando com ela, mas não teve acordo com a menina, que começou a chorar alto. Ele a tirou do bebê conforto e começou a andar com ela pela cozinha, que agora chorava a todos os pulmões e isso estava deixando Henry bem nervoso.
“Meu Deus, ela é igual a mamãe quando estava grávida!” Henry disse, balançando a menina de um lado para o outro. Sua observação me fez rir e eu perguntei a ele do que ele estava falando. “Ela sempre estava feliz, a menos, é claro, que ela estivesse com fome ou com sono. Então ela ficava extremamente explosiva!”
“Ah, isso é verdade, mas ela estava grávida e bebês são assim mesmo. Você terá que se acostumar.”
“Eu consigo me acostumar, vai ser como ter um panda em casa.”
“Um panda?!” Eu perguntei, caminhando até ele, com a mamadeira de Amy em minha mão.
“É, pandas são assim.” Ele disse, me seguindo em direção a sala, onde eu me sentei no sofá, com Amy em meus braços, para a sua mamadeira. “São extremamente fofos. A menos, é claro, que estejam com fome e sono, ai são completamente imprevisíveis.”
“Está dizendo que sua mãe era uma panda quando estava grávida?” Eu perguntei, o fazendo rir.
“De certo modo.” Respondeu. “Vocês vão fazer de novo, não é?”
“De novo o quê?”
“Vão fazer outro bebê, quando mamãe voltar para casa.”
“Não sei querido, não acho que é algo que esteja passando em nossas mentes no momento.” Eu respondi, ele assentiu, deixando claro que entendeu minha explicação e encostou sua cabeça em meu ombro, observando sua irmãzinha mamar. “Bem, você quer outro panda em casa?” Eu perguntei, beijando sua cabeça ele riu da pergunta.
“Mamãe era uma panda legal, apesar de tudo. Porém, eu acho, que quando vocês decidirem ter um terceiro filho, você deveria ser o panda da vez.” Ele respondeu, olhando para mim e eu apenas sorri para ele.
Eu nunca cheguei a dizer a ele que eu havia tentado ter um filho, antes de ele entrar na minha vida. E que foi assim que eu descobri que eu não podia gerar uma criança. De qualquer forma, era uma ideia a se pensar, pois Emma já havia tocado no assunto e desde então eu andava pensando a respeito.
Todavia, no momento, meu foco era outro. Eu só queria que Emma voltasse logo para casa. Eu sabia que ela se esforçaria muito para isso e que Gold a ajudaria. Eu confiava que ela aprenderia a controlar todo o seu poder e que, em breve, nós teríamos nossa ‘panda’ de volta.
“Sabe o que poderíamos fazer, Henry? Poderíamos comemorar outra coisa no dia dos pais. Eu sei que ela não vai se questionar sobre não ter um pai. Eu sei que aos poucos ela vai entender que nossa família é diferente das outras e que ter duas mães é muito melhor que ter apenas uma, mas sei também que crianças não gostam de se sentirem excluídas. Então, nós poderíamos fazer algo diferente nessa data, o que acha?”
“Acho que a gente poderia comemorar o ‘Dia do Panda’!” Ele disse, caindo em uma risada.
“Não acho uma má ideia, querido.” Eu respondi, achando toda essa história de panda muito engraçada, para dizer a verdade.
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No dia dos pais, Henry foi passar o dia na casa dos avôs com a mãe e eu fiquei em casa sozinha com Amy. Henry fez questão de comprar um presente para David e ele também comprou algo para Emma e para mim, embora eu tivesse dito a ele que não havia necessidade alguma de fazer isso.
Ainda assim, ele quis fazer e me pediu que abrisse o presente apenas quando ele estivesse na casa dos avôs e que de lá nós conversaríamos por chamada de vídeo. Eu concordei com a ideia, arrumei Amy para que Emma pudesse vê-la pela webcam e esperei por Henry.
Ele havia deixado um pacote grande no meu quarto, era uma caixa embrulhada em papel azul com uma fita branca. Eu estava me segurando para não abrir a caixa. Enfim, Henry apareceu na tela do notebook, Emma estava ao seu lado e, no instante em que eu a vi, eu comecei a chorar.
Já fazia alguns dias que eu não a via. Eu só tinha tempo para Amy e, na verdade, entramos em um consenso de que seria melhor essa distância. Ela achava mais fácil e queria que eu me dedicasse somente a nossa filha, mas no fundo não era mais fácil para nenhuma das duas.
Emma estava linda. Eu não sabia como isso era possível, mas a cada dia que passava, ela ficava cada vez mais linda. Eu me perguntei como eu estava conseguindo suportar essa distância.
“Diz oi pra mamãe, Amy.” Eu disse, arrumando Amy em meus braços, para que Emma pudesse vê-la melhor.
Eu peguei sua mãozinha e acenei para Emma, que se inclinou diante do monitor e sorriu. Ela estava segurando o choro e seu sorriso era cheio de tristeza, mas ainda assim era o sorriso mais lindo do mundo.
“Aw, ela está ficando loirinha.” Emma disse e eu aproximei mais Amy da câmera.
“Está sim! Eu acho que vai escurecer, Henry tinha os cabelos claros assim também.” Eu disse, encostando o corpinho de Amy ao meu. Ela ainda era bem molinha, eu a segurei com uma mão, para que seu corpo não caísse para frente.
“Ela é perfeita, Regina.” Ela disse, com a voz se misturando ao choro que tentava controlar.
“É claro que ela é.” Eu respondi. “Ela é uma cópia sua.” Continuei e dei um beijo em nossa princesa
“Abra seu presente, mãe!” Henry disse, entregando o presente de Emma.
Eu coloquei Amy em um travesseiro ao meu lado e peguei a caixa, abrindo-a imediatamente. Eu comecei a rir, assim que abri caixa e vi o que tinha ali dentro. Eu olhei para Henry, no monitor, que tinha um sorriso enorme em seu rosto.
“O que isso significa?” Emma perguntou, assim que tirou de dentro da caixa uma touca de tricô em formato de cabeça de panda. Henry tentou explicar o que significava, enquanto Emma colocava a touca em sua cabeça. “Feliz dia do Panda.” Ela disse, com um sorriso enorme no rosto e devo acrescentar que ela era a panda mais linda que existia em todo mundo.
Eu peguei o meu chapéu de dentro da caixa e o coloquei em minha cabeça, Emma sorriu na mesma hora e fazia algum tempo que eu não a via sorrir tanto.
“Feliz dia do Panda!” Eu disse e tirei da caixa uma segunda toquinha, que Henry havia comprado para Amy e coloquei em sua pequena cabeça.
Eu a peguei no colo e a levantei para que Emma pudesse vê-la. Ela se derreteu com a imagem da nossa princesa, com sua toquinha de panda. Eu fiquei dividida entre quem era a mais perfeita das duas. Definitivamente eram as duas, minhas duas pandas mais lindas. Eu desejei estar com Emma, para poder beijá-la e então eu beijei Amy em seu lugar. Henry também beijou Emma e, então, se levantou, nos deixando sozinhas.
“Se importa se eu não falar nada?” Emma perguntou, eu concordei com a cabeça.
Nos minutos seguintes, ela permaneceu em silêncio, observando Amy, que tinha uma de suas mãos na boca. Houveram momentos de silêncio como esse, durante a gravidez de Emma, principalmente durante a noite. Não era porque não sabíamos o que dizer ou porque estávamos sem assunto, mas sim, porque Amy sempre falava por nós duas.
Emma sempre acordava no meio da noite, quando sentia que Amy estava completamente agitada em sua barriga e se virava para mim, colocando sua barriga contra a minha. Dessa forma, eu podia senti-la se mexer e era como se eu fizesse parte dessa gravidez.
Nós passávamos o resto da noite assim, eu sabia que aquela posição era desconfortável para ela, mas ainda assim ela fazia questão desse toque, de modo que não ligava para o desconforto. Eu sentia muita falta de momentos como esse, eu sentia falta de sentir Emma ao meu lado e de vê-la feliz.
“Regina.” Ela disse, olhando para mim. “Você sabe que vamos superar isso, não sabe? Nós vamos ficar juntas em breve e vamos poder compensar todo esse tempo que eu não pude estar com vocês.”
“Eu sei que vamos, Emma.”
“Quando Amy estiver maior, nós definitivamente vamos aumentar essa família de pandas.” Ela continuou e novamente houve o silêncio entre nós duas. Amy adormeceu em meus braços e sorriu enquanto dormia e acho que até ela concordava que de fato nós deveríamos trazer outro panda mágico a esse mundo.
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