Amy
13 De Verdade
Notas iniciais
Capítulo 13 – De verdade
“Se quiser, nós podemos ficar aqui o resto da manhã.” Emma disse, enquanto eu me levantava de sua cama e procurava pelas minhas roupas espalhadas pelo chão. Eu me virei para ela e respondi com um sorriso, enquanto colocava o sutiã.
“Eu sei que podemos. E eu realmente ficaria, se eu não estivesse morrendo de fome.” Respondi, voltando para cama e ficando sobre ela.
Ela mordeu o lábio inferior e me olhou de cima abaixo, suas mãos caminharam pela minha cintura e seus dedos pressionaram gentilmente minha pele.
“Então, sua fome por comida é maior que sua fome por mim?” Perguntou, seus dedos traçando um caminho em direção à calcinha que usava e, com apenas um dos dedos, ela começou a deslizá-la pelas minhas pernas, com a intenção de tirá-la.
“Nesse momento sim, Emma. Levando em conta a noite passada!” Eu respondi e coloquei minhas mãos sobre as suas, impedindo-a de continuar o que estava fazendo.
“Então a Senhora Mills está negando fogo porque prefere uma xícara de café preto e torradas?!” Perguntou, em um tom provocador.
“Não.” Respondi, tirando minhas mãos de onde estavam e as coloquei ao seu lado, inclinando-me em sua direção e roubando-lhe beijo. “A Senhora Swan-Mills, está querendo dar uma pequena pausa, porque ela realmente merece algumas torradas!” Respondi, quebrando o beijo e recebendo uma risada em resposta. Ela ignorou completamente o que eu havia dito e começou a percorrer suas mãos pela minha cintura. Seus dedos passando pela tira da calcinha, descendo-a por entre minhas pernas. “Nós vamos ter o resto da manhã e da tarde, Emma.” Disse, inclinando-me sobre seu ouvido, mas segui sendo ignorada, enquanto ela me beijava, deixando claro que não iria desistir de ter mais alguns minutinhos comigo.
Eu entreguei os pontos, sentando-me sobre ela e me preparando para tirar meu sutiã novamente, mas Emma me impediu, com um movimento de suas mãos.
“Deixa que eu faça isso por você.” Disse, no mesmo tom provocador de antes e, com um movimento nas mãos, ela tirou meu sutiã por magia.
“Isso é trapaça, sabia?” Respondi, no mesmo instante, ela se levantou, levando-me em direção ao colchão.
“Você quer saber o que é trapaça?” Perguntou, em um sussurro, inclinando-se na direção de meu rosto. Seus lábios tocando de leve meu pescoço, depositando pequenos beijos pela minha pele.
Eu fechei meus olhos, sentindo sua mão caminhar por dentro da minha calcinha, seus dedos dentro de mim, provocando-me completamente. No mesmo instante, ela retirou seus dedos e percorreu minha coxa, empurrando minha perna, como se pedisse passagem. Eu me encontrava totalmente pronta para ela, recebi um beijo demorado no pescoço, nos lábios, descendo pela minha boca...
“Isso que é trapaça.” Disse, deitando-se ao meu lado e me puxando para um beijo.
Eu a sentia bem ali ao meu lado, mas também a sentia dentro de mim. Seus dedos caminhando pela minha virilha, penetrando-me com seus dedos. Então, eu percebi que não havia um contato real, Emma estava fazendo tudo isso através de magia. Lentamente, eu sentia seu contato e meu corpo entrando em compasso com os movimentos de seu toque. Ela me beijava e à medida que os beijos vão se intensificando, eu vou perdendo o controle e minha boca se afasta da boca dela, porque era impossível conter meus gemidos.
Seus beijos em meu pescoço seguiram em direção aos meus lábios, em seguida caminham até meus seios, beijando-os e sugando-os ao mesmo tempo. Ela parou, não só com os beijos, mas também com a magia que estava acontecendo dentro de mim. Eu abri os olhos, encarando-a a minha frente. Ela tinha um sorriso provocante, seu olhar percorreu todo o meu corpo nu. Eu não estava cansada e definitivamente não queria que estivesse acabado.
“Qual é o problema?” Perguntei. Ela sorriu, levantando-se da cama, fazendo-me sentar sobre o colchão. “Emma, qual é o problema?!” Insisti e ela riu, enquanto pegava um de seus robes, se aproximando de mim, puxando-me para um beijo.
“Bem, você disse que queria café e torradas e é isso o que eu vou fazer para você.”
“Depois disso?!” Perguntei, frustrada e ela riu mais ainda, saindo do quarto logo em seguida dizendo antes: Minha cama, minhas regras!
Minutos depois, ela voltou, com uma bandeja com café preto e torradas. E, devo dizer que continuou com o seu joguinho de antes. Dessa vez, sem pausas.
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Eu acordei no meio da noite e não a encontrei ao meu lado. Andei pela casa a sua procura e a encontrei no berçário, sentada na cadeira de balanço. A luz se encontrava apagada e apenas um pequeno abajur iluminava o quarto. Ela sorriu ao me ver, mas era um sorriso muito fraco e seu olhar era distante demais, fazendo-me questionar se ela estava de fato feliz.
Eu acendi a luz e Emma desviou o olhar de minha direção. Aproximei-me e ela passou a encarar o chão, suas mãos percorrendo e um suspiro cansado saindo de seus lábios. Ela por enfim me encarou, enquanto eu me ajoelhava a sua frente.
“Não conseguiu mais dormir?” Perguntei e ela deu de ombros, estendendo seus braços e pedindo para que eu me sentasse em seu colo.
Eu obedeci e ela se encostou à cadeira, olhando para mim, com seu sorriso fraco nos lábios e o mesmo olhar que era capaz de me dizer tantas coisas, embora eu fosse incapaz de decifrá-lo naquele momento.
“Acordei e não consegui mais pegar no sono, então vim pra cá e comecei a criar cenários perfeitos da minha cabeça, já que até sonhar agora está complicado.” Respondeu, enquanto pegava minha mão e brincava com meus dedos.
“E quais foram os cenários que você criou?” Perguntei, ela deu um grande suspiro antes de responder.
“Um cenário onde eu pude pegar minha filha nos braços no dia em que ela nasceu, que eu pude amamentá-la e dizer que eu amava todos os dias antes de colocá-la na cama. Um cenário onde eu pude secar todas as lágrimas dela ao longo desses anos e que eu pude consolá-la em cada pesadelo que ela teve...” Respondeu e eu vi seus olhos se encherem de lágrimas. “Desculpe-me, eu não queria chorar, é que... Bem, é inevitável, pois essa decisão de ter outro filho mexe muito comigo. Embora eu esteja 100% consciente dessa decisão, eu também estou 100% aterrorizada. E se acontecer tudo de novo?” Continuou e seu olhar estava cheio de medo.
Eu apertei sua mão o mais forte que pude e lhe dei um breve beijo. Assim que me afastei, ela me deu outro sorriso, um mais sincero e já não cheio de medo como antes.
“Emma, eu não posso te prometer que dessa vez tudo sairá como planejado. Porque se tem uma coisa que eu aprendi nesse relacionamento é que tudo acontece da maneira certa e na hora certa. Mas se a decisão de tentar outro filho te assusta e te deixa nesse estado, é melhor desistirmos.”
“Não!” Respondeu em seguida. “Não, Regina. Eu não quero abrir mão disso. Eu tenho medo sim, tenho muito medo, mas não é maior que o meu desejo de te fazer feliz. Não é maior que minha vontade de te ver grávida e de te mimar a cada segundo dessa gravidez.” Continuou e dessa vez sua mão acariciou minha barriga, puxando-me para um beijo. “Eu só tenho medo de que aconteça comigo ao invés de você, nós não sabemos como isso funciona. Apesar de eu realmente querer ver como será essa mistura de nós duas, eu realmente acho que nós devemos seguir com outro plano para essa gravidez.” Concluiu, eu a encarei, confusa.
“Como assim?”
“Não sei, inseminação, talvez. Quer dizer, eu sei que você cogitou essa ideia no passado, mas você não podia fazer isso de qualquer forma. Porém, agora as coisas são diferentes. Nós podemos achar um doador anônimo, existe meios para isso. E eu sei que não é a mesma coisa que um bebê magico, mas...” Eu não a deixei terminar, me aproximei tomando sua boca para a minha.
É claro que eu sabia que não seria a mesma coisa. Assim como Emma, eu também gostaria de poder carregar uma filha de nós duas e poder olhar seu rostinho e encontrar nossos traços. Ainda assim, a inseminação seria a escolha mais segura e mais sensata. Seria muito egoísmo de minha parte exigir que Emma se arriscasse apenas para realizar um desejo meu. Quando o beijo foi quebrado, eu a encarei e não senti seu olhar mais distante e seu sorriso era dos mais sinceros.
“Eu te amo, Emma.” Eu disse, recebendo um eu te amo de volta e outro beijo, enquanto ouvia sua voz em sussurro dizendo-me que eu seria a mãe mais perfeita do mundo.
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Seu celular vibrou pela mesa da cozinha, enquanto tomávamos café da manhã. Deslizou pela superfície fazendo um barulho horrível e Emma apenas observou, ignorando tudo o que acontecia entre um gole de café e outro. Eu observei também, esperando uma reação, mas o celular jamais foi atendido e Emma não fez outra coisa além de continuar a tomar seu café da manhã. Na terceira vez que o celular vibrou, eu já havia perdido minha paciência.
“Por que você simplesmente não o atende?” Perguntei, ela deu de ombros, pegou o celular, olhou o display e o colocou novamente sobre a mesa.
“Porque eu não quero atender essa ligação.” Respondeu emburrada.
“E por que não desliga o celular?”
“Porque minha mãe ou Henry podem me ligar.” Respondeu em um tom impaciente.
O celular parou e ela sorriu satisfeita, voltando sua atenção ao café. Era domingo, bem cedo, tínhamos combinado com David e Snow de levarmos Amy aos estábulos, onde pretendíamos cavalgar com ela e Henry. Porém, desde que acordamos, o celular de Emma não parou de tocar e em nenhum momento ela o atendeu. Agora era a quarta vez que ele tocava e a quarta vez que ela olhava para o aparelho, bufando logo em seguida.
“Pelo amor de Deus, Emma! Apenas atenda e diz que está ocupada ou algo do tipo!” Disse, irritada.
Ela me olhou, mais irritada ainda e pegou o celular da mesa, levantando, enquanto o atendia. Eu a acompanhei com o olhar e a vi desaparecer em direção à cozinha, voltando minutos depois, mais irritada do que antes.
“Eu sabia que essa ligação acabaria com meu dia!” Respondeu, enquanto jogava o celular em cima da mesa. Eu fiquei em silêncio, esperando uma explicação. “Era o Gold. Ele me ligou a semana toda, perguntando quando eu voltaria para as aulas de magia.”
“E quando você voltará às aulas de magia?” Perguntei, ela tomou alguns segundos para responder e disse apenas um Nunca. “Emma, você terá que voltar algum dia.” Eu disse, tentando não soar como a mãe chata que tenta obrigar seus filhos a irem para a escola. Ela revirou os olhos, jogando a cabeça para trás em um sinal de irritação.
“Regina, eu não preciso dessas aulas!” Respondeu.
“Emma, você precisa sim. Eu mesma te ensinaria se eu fosse tão boa quanto o Rumple, mas a verdade é que ele é ótimo no que faz e sem essas aulas você provavelmente não saberia metade do que sabe agora. Talvez você nem pudesse chegar tão perto de Amy e talvez nem soubesse como tocá-la da forma que vocês duas fazem.”
“Isso é absurdo, Regina. Rapunzel jamais precisou de aula alguma e ela sabe, Amy também, eu realmente não preciso dessas aulas e eu não tenho paciência para isso e muito menos paciência para passar minhas manhãs com o Gold.” Ela respondeu.
“Emma, por favor, não faça isso. Isso é tudo o que nós temos. E você nem sabe, talvez a mãe de Rapunzel a treinou e Amy definitivamente está acima de todos nessa cidade no quesito magia. Por enquanto, você ainda precisa do Gold, não o afaste dessa forma.” Eu completei, ela pareceu entender e sorriu, estendendo sua mão sobre a mesa e indo de encontro a minha.
“Bem, é você que está me forçando a isso. Veja, ele quer me ver hoje, então você liga para os meus pais e diz que nossos planos vão sofrer alguma alteração e você vai comigo para minha aula.” Disse, enquanto se levantava da mesa e caminhava em minha direção. “Relaxa, talvez seja divertido ver a minha versão estudante, que tal?” Perguntou em um tom provocador, mordendo ligeiramente o lábio inferior e se aproximando dos meus, me roubando um breve beijo.
“Está aí uma versão sua que eu realmente gostaria de ver.” Respondi, no mesmo tom provocador que o dela, ela sorriu e se afastou. Dizendo-me que coloraria sua minissaia. Ela estava brincando, mas depois disso eu não consegui parar de pensar na versão colegial de Emma.
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Amy ficou muito frustrada quando ligamos cancelando a cavalgada, mas David a levou assim mesmo e prometemos que passaríamos a tarde com ela no parque. Mesmo não sendo uma troca justa, ela ainda assim aceitou e ficou combinado de Henry a levar ao parque, onde nos encontraríamos assim que a aula de magia acabasse.
“Talvez sua presença aqui a atrapalhe.” Disse Rumple, assim que entramos em sua casa e fomos em direção ao jardim.
“Não vai me atrapalhar.” Emma respondeu de volta.
“Bem, eu espero que não.” Ele continuou. “E já que está aqui, bem vinda à aula de introdução à magia, Regina.” Completou.
“Introdução à magia? Ela já está nisso há cinco anos.” Eu respondi, ele parou no meio do caminho e se virou para mim com um sorriso no rosto.
“E ainda assim não aprendeu nada.” Respondeu, eu olhei para Emma, que apenas revirou os olhos e continuou a caminhar em direção ao jardim.
“Talvez eu tenha um péssimo professor.” Emma observou quando chegamos ao jardim, Rumple apenas deu uma risada cheia de impaciência. Eu me dirigi ao banco que ali havia, onde eu pude ver dois de frente um ao outro.
“Tenho certeza de que não é isso. Todos que foram treinados por mim se saíram muito bem, obrigado.”
“Quando você diz que eles se saíram muito bem, você quis dizer: caminharam em direção as trevas e alguns não voltaram?” Ela perguntou.
Eu pude ouvir a risada de Rumple, que ignorou sua pergunta e se distanciou alguns metros dela, perguntando em seguida se ela estava pronta. Emma assentiu e, com um movimento das mãos, Rumple fez surgir em sua frente um espectro. Era uma garotinha, formada por uma nuvem azul que aos poucos foi ganhando a forma da nossa filha.
Seus pés mal tocavam o chão e sua imagem era um pouco desfocada, ainda assim era Amy, seus traços, seu tamanho exato, seus cabelos que se moviam junto ao vendo. Apesar do aspecto fantasmagórico, era evidente o quanto ela não passava de uma ilusão, ainda assim era capaz de mexer completamente com Emma.
“Concentre-se, Emma.” Disse Rumple.
Emma não tirava os olhos da criança fantasma a sua frente. Rumple fez um movimento com as mãos e a menina deu pequenos passos em direção a Emma, que não ousou se mover. A cada passo que a menina dava, Emma ficava cada vez mais nervosa. Era possível observar o quanto ela estava se esforçando para manter sua respiração compassada.
O espectro manteve a mesma distância que Emma e Amy mantêm uma da outra, dando pequenos passos a cada segundo a fim de se aproximar mais de Emma. O fantasma estendeu suas mãos na direção de Emma e estava tão próximo que, se Emma quisesse, poderia tocá-la. A menina sorriu, a semelhança entre a menina fantasma e a nossa Amy era assustadora, Emma sorriu de volta, mas jamais chegou a tocá-la.
“Olá, mãezinha.” Disse o espectro, em um tom de voz distante e distorcido.
Emma sorriu mais uma vez e o fantasma tocou em seu rosto, fazendo-a cair para frente, suas mãos apoiadas no chão. Emma se esforçava para respirar, corri em sua direção, mas Rumple impediu que eu me aproximasse.
“Fique onde está, Regina!” Disse em um tom de voz calmo.
“Você a está machucando!” Gritei, mas fui completamente ignorada.
O olhar do homem estava firme em Emma, que ainda se apoiava em suas mãos e lutava para manter sua respiração. O espectro, parado bem ao seu lado, esticou a mão para tocá-la, como se estivesse tentando ajudá-la. Emma encarou a imagem a sua frente e esticou sua mão em resposta, mas antes que tivesse a chance de trocar na criatura, ela desmaiou e o fantasma sumiu no ar. Eu corri até ela, ajoelhando-me ao seu lado.
“Você está bem?” Eu perguntei, Emma assentiu, enquanto eu passava minhas mãos em seu rosto, para me certificar se ela estava bem de fato. “Isso foi realmente necessário?! Você quase a matou!” Eu disse, mas Rumple não pareceu nada abalado com isso.
“Sim, isso foi necessário. Aliás, todo o treinamento se baseia nesse exercício em especifico. Ela não estava correndo risco algum. Uma vez o corpo dela não aguentando a pressão que a magia do espectro exerce, ele automaticamente desapareceria. Que tipo de professor eu seria se deixasse meus alunos morrerem em uma aula prática?” Ele perguntou em um tom irônico e eu apenas o fuzilei com meu olhar. “Ela está bem, Regina. Não subestime a força dela.” Ele continuou e se aproximou de nós duas, me ajudando a tirar Emma do chão.
Nós a levamos para o banco e ela parecia bem exausta. Eu conjurei então uma xícara de café e assim que ela deu um gole, sua expressão pareceu mudar para melhor.
“Vocês sempre fazem isso?” Eu perguntei a Rumple.
“Sim.” Ele respondeu.
“E você tem certeza de que o espectro não pode matá-la?”
“O espectro não tem metade da força que sua filha tem, Regina. A única coisa que ele causa em Emma é um livre atordoamento, não pela força de sua magia, mas sim pela semelhança que ele tem com a sua filha. É por isso que Emma jamais consegue tocá-lo por mais de alguns segundos. Ela não consegue desligar sua mente de Amy, assim como não consegue desligar a necessidade que seu corpo tem de sentir a filha próxima a ela. Magia requer controle emocional e físico, Regina. Duas coisas que Emma já perdeu há algum tempo.” Ele completou e Emma me entregou a xícara, agora vazia e direcionou um olhar cheio de raiva para Rumple.
“Se eu não tenho todo esse controle, por que você ainda insiste nas aulas?” Ela perguntou irritada.
“Porque praticar sua magia é a única forma de se desligar de sua filha. Você só tem que aprender como.”
“Eu não quero me desligar dela.” Ela respondeu rispidamente.
“Eu sei como se sente, Emma. Mas é essa a realidade das coisas. Quando você está aqui, você precisa estar por completo, sem medos, sem nada que te prende ao mundo exterior.”
“Poupe-me, Gold. Você não faz ideia de como eu me sinto e, além do mais, é muito fácil a teoria, mas você tem que se lembrar de que eu estou aqui por ela.” Emma respondeu de volta e Rumple apenas balançou a cabeça.
“Eu também estou aqui pelo meu filho e ao contrário do que você pensa, eu sei sim como você se sente. Diferentemente de você eu não tenho essa certeza de que um dia eu terei meu filho de volta, ainda assim eu jamais perco a fé de encontrá-lo novamente. Você pensa que cinco anos é muito? Tenta 300 anos longe de seu filho e depois converse comigo sobre como você sente, que tal isso?” Seu tom de voz não era de alguém rancoroso e Emma olhou para ele com compaixão, desculpando-se em seguida. “Não há o que se desculpar.” Ele respondeu. “Eu entendo sua frustação, mas essas aulas são tudo o que eu posso te ofertar.”
“Eu sei, Gold. Mas elas não estão funcionando! Eu sinto como se eu estivesse chegado no meu limite, como se eu não pudesse aprender mais nada, como se meu corpo estivesse esgotado.” Emma respondeu e Rumple pareceu pensativo e respondeu segundos depois.
“Talvez você esteja certa. Talvez você esteja no seu limite.” Ele respondeu por fim e Emma o encarou, frustrada.
“Não!” Eu intervi. “Isso não é verdade! Emma progrediu muito nos últimos dias. Ela ainda pode sim ficar cada vez mais forte.” Concluí, Rumple me encarou e eu tentei decifrar o que seu olhar me dizia.
“Tem certeza de que foi ela quem progrediu?” Perguntou, Emma estava tão confusa quanto eu.
“O que quer dizer com isso?” Emma perguntou.
“Veja bem, Amy está crescendo e não é apenas seu corpo que está se desenvolvendo, mas também sua magia. Eu realmente não acredito que seja Emma a responsável pelo progresso do contato entre as duas. Quando Amy nasceu ela tinha uma força tão descontrolada que mesmo em uma distância significativa ainda assim ela tinha um efeito sobre Emma. Agora as coisas são diferentes, a cada dia que passa ela possui mais controle sobre a magia. Ela nem percebe, pois é algo in nato dela. Com o tempo e à medida que ela for crescendo, teoricamente, ela terá controle total de si mesma.” Ele respondeu.
“Você acha isso mesmo?” Emma perguntou.
“Tudo relacionado à Amy é pura teoria. Eu não faço a mínima ideia de como ela existe e de onde vem essa magia, mas eu não tenho dúvida alguma de sua força. Ela é muito poderosa. Eu lhe disse uma vez que Amy puxa a energia de Emma de alguma forma e até hoje eu tento entender como isso acontece. É como se as duas fossem imãs com o mesmo polo de modo que quando se juntam, elas se repelem.”
“Mas por quê?” Eu perguntei e ele balançou a cabeça, deixando claro que não fazia a menor ideia.
“Eu realmente gostaria de saber isso e então talvez soubéssemos como quebrar esse efeito. Mas, por enquanto, eu não sei e peço que tenham paciência. Emma, você já fez tudo o que tinha que fazer em relação a sua magia, agora é com Amy.”
“Se for assim então por que você não a treina?” Eu perguntei e ele deu uma risada curta.
“Não é a primeira vez que você cogita isso e não será a primeira vez que eu nego meus serviços a você.” Ele respondeu. “Eu não vou treiná-la. Ela é só uma criança.”
“Uma criança muito poderosa, como você mesmo disse.” Eu respondi e ele me encarou em silêncio.
“De fato, muito poderosa. E, como eu te disse uma vez, enquanto vocês duas existirem, ela existirá. É a existência e o amor de vocês duas que a torna tão poderosa.”
“Isso quer dizer que... Quando nós duas morrermos, ela...” Emma não concluiu a frase e Gold não demorou a responder.
“Não. Vocês duas não são imortais, mas vocês esquecem que estão escritas em livros, que a histórias de vocês foram contadas e é recontada diariamente. Você pode matar uma pessoa, transformar seu corpo em cinzas e jogá-las ao vento, mas você não pode matar uma história.”
“Então, isso faz dela...” Emma começou.
“Um ser imortal. Teoricamente.” Ele respondeu e direcionou um olhar em minha direção.
“Treine-a.” Foi tudo o que eu consegui dizer.
“Não.”
“Por que não?” Eu o questionei, irritada.
“Porque eu já disse, ela vai conseguir, com o tempo, controlar a própria magia, ela não precisa dos meus treinamentos.” Ele respondeu rispidamente.
“Mas isso pode demorar anos!” Emma retrucou.
“Que demore.” Ele continuou. “Vocês não entendem como a magia dela funciona e muito menos eu. Não vou me arriscar.” Ele completou.
“Se arriscar?” Eu o questionei e ele engoliu a seco. “Você tem medo dela!”
“Não tenho medo dela, tenho medo do que ela é capaz.”
“Ela é só uma criança!” Emma respondeu irritada.
“Eu, você, Regina e Cora já fomos crianças e veja o que somos hoje. O poder dela é puro e eu não vou meter minhas mãos para interferir no que ela pode se tornar. Acredite, Regina, eu sei que vocês têm pressa, mas vocês não vão querer que eu a transforme em...” Ele não terminou a frase e ficou em silêncio, enquanto ajeitava o terno.
“Em mim.” Eu completei a frase para ele. “Eu não vou querer que ela se transforme em mim mesma.” Eu continuei e ele não precisou responder de volta.
“Além do mais, eu não sei o quanto ela tem de controle. Se eu a treinar, eu posso potencializar o poder dela de modo que isso dê o controle total de seus poderes, ou eu posso potencializá-los de tal forma que ela...”
“De forma que ela perca o controle.” Emma completou.
“Exatamente.” Ele completou. “Eu realmente gostaria de ajudar mais, mas isso é tudo o que eu posso fazer. Deixe que ela aprenda sozinha a se controlar, não a impeça de usar magia. E Emma, você está dispensada das aulas a partir de hoje.”
“Você não me quer mais aqui?” Emma perguntou e ele riu em resposta.
“Apesar de achar muito divertido te torturar, eu realmente prefiro que você pratique por conta própria agora e talvez daqui a alguns anos eu possa treinar Amy e quem sabe assim terei uma aluna à altura.”
“Estou contando com isso, Rumple.” Emma respondeu. “E eu realmente espero que ela se vingue por todas as vezes que eu quis te dar um murro na cara.”
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Assim como foi combinado nos encontramos com Henry e Amy no parque, lanchamos todos juntos e agora Amy não parava de falar sobre como foi cavalgar com o avô.
“Ele disse que eu sou tão boa nisso, que se a gente morasse na floresta encantada eu poderia ser uma cavaleira!” Ela disse empolgada.
“Aposto que você seria uma ótima cavaleira, meu anjo.” Observou Emma, que estava sentada a alguns metros de nós junto com Henry.
“Aham.” Respondeu Amy, colocando uma uva inteira na boca. “Eu só preciso saber usar uma espada direito.” Ela completou.
“Relaxa, pirralha, ainda vai ter muito tempo para isso.” Henry respondeu, se levantando e roubando uma uva dela. Em seguida, ele caminhou em direção a um grupo de garotos que ele conhecia. Amy o observou se afastar e eu me levantei para me sentar junto a Emma.
“O que vocês fizeram na noite passada?” Amy perguntou, olhando para nós duas, Emma me encarou tentando segurar o riso, enquanto eu me lembrava da noite passada.
“Nós passamos a noite conversando, Amy.” Eu respondi e ela riu, como se soubesse que não houve tanta conversa assim. “E você? O que você fez ontem à noite?”
“Nós vimos um filme na TV e vovô e Henry trouxeram uma pizza enorme e depois, antes de dormir, vovó me contou uma história e me deixou trazer o livro para casa!” Ela disse empolgada. “Eu posso ler pra você a noite, mamãe.”
“Eu vou adorar ouvir, meu amor.” Eu respondi.
Eu olhei para Emma ao meu lado, nós tínhamos conversado no caminho sobre contar ou não sobre a ideia de ter um novo bebê e decidimos que seria melhor não contar. Conversamos também sobre incentivar Amy a usar sua magia, mas sem dizer a ela que quanto mais forte ela ficasse, mais rápido poderia ficar perto de sua mãe. Não queríamos dar uma falsa esperança a ela, já que tudo não passava de uma teoria.
“Meu anjo, sabe quando a mamãe te disse que você não pode usar magia?” Emma começou.
“Eu não usei magia, mãezinha.” Ela respondeu em um tom preocupado.
“Não estou te acusando, meu anjo. Estou querendo te dizer que não tem problema algum se você quiser usar magia, entende?” Emma continuou e Amy a olhou, confusa.
“Posso mesmo?” Amy perguntou.
“Pode sim, Amy. Você está totalmente liberada para usar magia onde bem entender.” Eu disse e Amy me deu um sorriso enorme e se levantou para correr e me abraçar, mas ela parou, já que eu estava do lado de Emma.
“Obrigada, mamãe.” Ela disse e perguntou se poderia brincar no balanço.
Eu permiti e ela correu em direção ao brinquedo onde eu a vi se balançar mais alto do que todas as outras crianças, provavelmente por causa da magia. Em seguida, eu me virei para Emma e a puxei para um beijo, mas ela não permitiu.
“Qual é o problema?” Eu perguntei e ela fez um gesto com a cabeça, insinuando que eu olhasse ao meu redor.
Eu a obedeci e vi várias famílias brincando com seus filhos, casais andando de mãos dadas, algumas crianças correndo, enquanto jogava seus frisbers. Eu balancei a cabeça, porque não consegui entender o que ela queria que eu notasse.
“Tem muita gente aqui.” Ela observou.
“É, eu notei. É domingo e aqui é um parque.” Respondi e ela me lançou um olhar cheio de irritação.
“Eu sei que é um parque, assim como você sabe que as pessoas não nos aceitam tão bem quanto parece. Elas vão dizer que não se importam, que não tem nada contra ou algo do tipo, mas você sabe que é mentira.”
“Bem, eu não ligo para a metade do que essa cidade diz e você devia fazer o mesmo. Não sei você, mas eu já estou muito acostumada a ser julgada.” Eu respondi e ela pareceu verdadeiramente chateada.
“Não vou te forçar a me beijar em público.” Eu continuei.
“Eu sei que não vai. Não é por mim. Eu não ligo para o que os outros vão dizer de nós duas. São as crianças que me preocupam, nós não podemos protegê-los do mundo.”
“Na verdade, nós podemos sim, se ficarmos juntas.” Eu disse e a puxei para um beijo, não dando a mínima para o que as pessoas iriam pensar de nós duas.
Eu me perdi naquele beijo e nem vi os minutos passarem. O que quebrou o beijo foi um grito alto que fez com que eu me afastasse dela. Nós olhamos em volta, procurando por Amy, que não estava mais no balanço e vimos as pessoas correndo para longe.
“Onde está Amy?” Perguntou Emma, olhando ao redor.
Eu então a avistei. Ela estava ao lado de Henry e havia um garoto, aparentemente da idade de Henry, ajoelhado diante de dela, mais a frente havia outro garoto gritando algo que era impossível de ouvir. Eu corri até eles, deixando Emma para trás. Ao me aproximar, eu vi que Amy tinha em uma de suas mãos um coração pulsante e com a outra mão livre ela impedia que segundo garoto se movesse.
“Faça-a colocar de volta, mãe.” Henry pediu em um tom assustado.
Eu olhei para o garoto que estava no chão, havia lágrimas em seus olhos. Em seguida, olhei para Amy que não desviava a atenção em nenhum momento dele. Eu me ajoelhei diante dela, toquei com cuidando na mão que segurava o coração.
“Meu amor, coloque de volta.” Eu disse, ela não respondeu, continuou encarando o garoto a sua frente que nada dizia, apenas chorava e permanecia ajoelhado diante dela. Com um movimento das mãos, eu liberei o segundo garoto, que correu dali imediatamente. “Amy, coloque o coração de volta.” Eu insisti e levei sua mão até o peito do jovem, soltando-a em seguida para que ela fizesse por conta própria. Todavia, ela não o faz e traz o coração novamente para perto de si.
“Amy, eu não estou brincando, faça isso agora.” Em nenhum momento ela olhou para mim. Era como se ela estivesse desligada, hipnotizada pelo garoto a sua frente. Então, a voz de Emma foi ouvida de longe, gritando pela filha. Amy desviou o olhar e o direcionou para sua mãe.
“Meu anjo, coloque o coração do menino de volta.” Disse Emma, tentando não parecer desesperada.
Amy olhou para o coração em suas mãos e o girou, como se quisesse ver o órgão por completo. Ela o aproximou do rosto e eu pude ver melhor o coração que ela segurava. Era completamente enegrecido, ela o fitou novamente e o levou em direção aos lábios, assoprando-o em seguida. Assim que ela terminou, o menino caiu a sua frente, com suas duas mãos no chão. Ele aparentava sentir dor, então eu o ajudei a se levantar, trazendo-o para junto de mim. O garoto tinha o rosto completamente molhado por lágrimas e seu semblante não era de medo.
Amy deu um passo à frente, com o coração do garoto em mãos, já não mais enegrecido como antes e o colocou de volta em seu peito. O garoto respirou fundo e eu o soltei, vendo-o se levantar, ele enxugou o rosto com a manga da camisa, olhou para Amy, depois para Henry e finalmente para mim, levando sua mão ao peito.
“Me desculpa... Eu- Eu- Me desculpa.” Disse o garoto, tropeçando nas palavras.
“Tá tudo bem agora.” Amy respondeu e o garoto balançou a cabeça algumas vezes, antes de correr para longe dali.
Eu olhei ao redor, não havia mais ninguém no parque, apenas nós quatro. Ajoelhei-me diante de Amy e a segurei pelos braços, fazendo-a olhar para mim.
“Por que você fez isso, Amy?” Perguntei e ela deu de ombros. Encarei Henry, que desviou o olhar, enquanto eu perguntava o que havia acontecido.
“Não foi nada, mãe. Esquece isso, vamos para casa.”
“Henry, o que aconteceu?” Insisti e ele respirou fundo, antes de responder.
“Ele é só um cara que estuda comigo. Ele disse umas idiotices e Amy não gostou.” Henry respondeu.
“O nome dele é Eddy, mamãe. E o outro garoto é o Adam, eles estudam com Henry e eles falaram coisas sem pensar.” Disse Amy.
“São dois idiotas!” Henry completou.
“Henry, não chame as pessoas assim.” Eu observei.
“Ele está certo, mamãe. Eles são dois idiotas e dizem coisas idiotas.” Amy começou a falar, sua vozinha se enchendo de tristeza. “Ele disse coisas ruins sobre você e a mamãe e Henry disse para eu ignorar. E eu pedi para que ele parasse de falar, mas ele não parou, mamãe. Então, eu o fiz se ajoelhar aos meus pés e tirei o coração dele e o quando eu o segurei, mamãe, eu entendi o porque ele é assim... O coração dele não era bom.”
“Muitas pessoas tem o coração assim, meu amor. É por isso que elas machucam as outras pessoas.” Eu respondi.
“E a gente deve ficar calado? Deixar que as pessoas idiotas nos machuquem?” Ela perguntou, encarei seus pequenos olhos azuis cheios de dor e a puxei para um abraço.
“Não, meu amor. Nós não devemos ficar calados.” Eu respondi. “Mas também não devemos sair por ai arrancando o coração das pessoas.” Eu continuei e a afastei de mim para ver seu rostinho.
“Quando eu assoprei, eu tirei todas as coisas ruins que tinha nele.” Ela disse. “Mas eu não posso fazer isso com todas pessoas, não é?” Continuou e eu passei minhas mãos pelos seus cabelos castanhos, tirando os fios rebeldes de seu rosto. Eu sorri para ela, porque eu realmente gostaria que ela pudesse fazer isso por todas as pessoas, mas sei que que faltaria ar em seus pulmões para isso. “Ele disse que a gente não era uma família de verdade e que era por isso que nós não podíamos ficar juntos.” Ela completou e seu olhar foi em direção a Emma, que estava a alguns metros da gente e sorriu tristemente.
“Isso não é verdade. Nós somos sim uma família.” Henry respondeu, se aproximando de nós duas e se ajoelhando ao nosso lado. “Nós já éramos uma família de verdade antes e você fortaleceu isso, Amy.” Ele completou e Amy apenas abaixou o olhar. “Eu sei que você sente como se isso não fosse verdade, porque nós não podemos morar todos juntos, mas ainda assim nós somos. Se você não existisse e se não existisse essa distância tão grande e essa vontade que uma tem de estar do lado da outra, esse romance já teria acabado no primeiro beijo. Elas se amam mais do que qualquer outro casal que você vai conhecer e as pessoas vão escrever livros e mais livros sobre romances e os cantores de todos os países vão compor milhares de canções de amor, mas ainda assim ninguém vai conseguir descrever o quanto o amor delas é forte. Entende o porquê você existe, Amy?” Henry perguntou e Amy olhou para ele e depois para mim e sorriu, como se soubesse a resposta para aquela pergunta.
“Por que você existe, Amy?” Eu perguntei e ela franziu o cenho como se a resposta fosse muito óbvia.
“Para mostrar ao mundo, que você pode amar alguém com bem muita força e de verdadinha, sem precisar ficar pertinho.” Ela respondeu e eu a puxei para um abraço apertado, direcionando um olhar pra Emma e desejando com todas as forças que ela pudesse fazer parte desse abraço. Henry também se juntou ao abraço.
“Eu amo vocês, meus amores.” Eu disse a eles, recebendo um ‘eu te amo também, mamãe’, seguido de vários beijos.
Eu podia ver Emma a distância e era tão triste que ela não pudesse fazer parte desse abraço, mas ainda assim ela sorria e era um daqueles sorrisos que tinha tudo menos tristeza em seu significado. Ela estendeu a mão e eu a senti apertando a minha com força, mesmo a alguns metros de mim. Amy estava certa, ela de fato havia vindo ao mundo para mostrar o quanto nosso amor era forte e verdadeiro.
“Eu te amo.” Eu disse, dessa vez para Emma, que sorriu em resposta.
“De verdadinha?” Ela me perguntou.
“De verdadinha! E com bem muita força!” Eu respondi, fazendo-a rir.
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