Amy
6 Concessão
Capítulo 6 – Concessão
Eu encontrei Emma na cozinha, tentando preparar um café, a abracei por trás, beijando a base de sua nuca e ela se virou para mim, me beijando demoradamente.
“Minha mãe ligou. Ela disse que está indo ficar com as crianças e que levará Amy para escola. Então temos o resto da manhã só para nós duas, antes de irmos para o trabalho, o que acha?” Perguntou, passando os braços em volta do meu pescoço e me arrancando outro beijo.
“O que eu acho?” Eu perguntei, em um tom pensativo. “Eu acho que nós não deveríamos perder tempo fazendo café. Eu acho também que nós deveríamos “batizar” o seu box.” Continuei, ela me beijou novamente e desligou a cafeteira, me puxando logo em seguida para o banheiro.
Nossas roupas foram ficando pelo caminho, mas não deu tempo de tirarmos tudo. De modo que, enquanto ela me beijava, debaixo do chuveiro, nossas roupas molhavam no processo. Eu beijei seus seios por cima da camiseta molhada, arrancando dela gemidos baixos, ela me puxou novamente e me deu um beijo demorado, tirando sua camiseta e deixando sua pele completamente exposta para mim.
Eu não faço a mínima ideia agora do quanto tempo perdemos naquele ‘banho’, mas sei que quando quebramos o último beijo e eu me afastei do vidro do box, ela se encontrava completamente exausta. No final das contas, nós acabamos novamente dentro daquele box para um segundo banho, dessa vez, um banho de verdade.
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Ela ainda estava terminando seu banho, enquanto eu me encontrava na frente do espelho do banheiro, enrolada a uma toalha, vendo a imagem dela refletida no espelho. Eu sorri para ela, procurando uma escova de dentes extra, que havia no armário. Um frasco de remédios me chamou a atenção, eu o peguei por um momento, analisando a data que ele havia sido prescrito, de meses atrás, porém, ele não havia sequer sido aberto.
“Emma.” Eu disse, assim que ela saiu do chuveiro, enrolando-se a uma toalha.
“O que foi?”
“Por que você não está tomando seus remédios?” Eu perguntei, mas ela simplesmente ignorou minha pergunta e saiu do banheiro, caminhando em direção até seu quarto.
Eu a segui e permaneci em silêncio, enquanto ela procurava por um conjunto de roupas em seu guarda roupa, jogando em uma muda de roupa em minha direção.
“Emma, por favor não me ignore.”
“Eu não preciso desses malditos remédios!” Ela respondeu, aos berros, me encarando por alguns segundos. “Eu não preciso dos medicamentos ou de terapia, ok? Eu estou bem, acredite.” Continuou e abaixou o tom de voz, enquanto eu me aproximava dela e colocava uma de minhas mãos sobre o seu ombro.
“Emma, você sabe que não tem problema algum precisar de ajuda. Eu sei o que você está passando. Não está sendo fácil para ninguém, mas você não pode negar que precisa de ajuda. Os remédios foram prescritos para você por esse motivo.”
“Eu não estou depressiva.” Ela respondeu, quebrando contato e se afastando de mim. “Por deus, Regina! Você tem que parar de ouvir os outros e começar a me ouvir. Eu sei o que eu sinto. Eu sei o que eu preciso e do que eu não preciso. Eu não preciso daqueles remédios. Eu sei encarar a realidade. E, por favor, se apresse, eu estou morrendo de fome.” Concluiu, saindo do quarto, enquanto eu terminava de me arrumar, para que então fossemos a Granny’s.
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Emma já estava há algum tempo em silêncio, chegando a me dar nos nervos. Ela encarou o cardápio e Ruby estava ao nosso lado, apenas esperando para anotar o seu pedido. Eu não queria apressá-la, pois eu sabia que ela estava fazendo isso apenas para evitar falar comigo e tanto eu quanto Ruby já sabíamos que o seu pedido consistiria em um chocolate quente e waffles.
“Eu vou querer chocolate quente e waffles.” Ela disse, por fim, devolvendo o cardápio e Ruby se afastou, rindo da situação.
“Eu sei que ontem não foi totalmente um sucesso, mas você conseguiu chegar mais perto de Amy dessa vez.” Eu disse, procurando pela mão dela. Ela permitiu que a segurasse por alguns segundos e acariciou as costas da minha mão com o polegar.
“Não perto o bastante.” Respondeu, deixando explícito em seu tom de voz que ela havia ficado chateada.
Eu não devia ter dito nada sobre os remédios, eu sabia que o assunto era muito delicado. Emma ficava deprimida as vezes e negava isso, mas eu gostaria que ela entendesse que eu não a julgava. Minha preocupação era porque eu queria ajudá-la, porém, ela preferia se isolar.
“Quem sabe com mais algum tempo de treinamento com o Rumple?” Eu perguntei, ela revirou os olhos e trouxe a mão de volta ao corpo.
“Quantos anos mais?” Ela perguntou, irritada. “Quer dizer, por deus, Regina, já faz cinco anos que ele vem me treinando e, sinceramente, eu não sei se existe mais o que ser treinada. Eu posso controlar toda minha magia, eu sei que eu posso. Por que insistir mais? Insistir mais até onde? Até quando?”
“Você quer desistir?” Eu perguntei, confusa e ela se segurou para não começar a chorar.
“Não é isso, Regina. É que-”
“Regina?” Uma voz me chamou, Emma nunca completou sua frase e eu me virei para encarar a voz que havia me chamado.
Na mesa próxima a nossa, uma amiga de longa data, Rapunzel, se aproximava de nós. Eu olhei para Emma, que tinha os olhos fixos na garota e em seguida me levantei para cumprimentá-la.
“Quanto tempo, não?” A garota, que tinha uma bebê em seus braços, disse animada, me abraçando em seguida.
“Já faz algum tempo sim.” Eu respondi, olhando para Emma que fuzilava a garota com os olhos. “Você lembra de Emma, não é mesmo?”
“É claro que eu me lembro. A xerife que te prendeu aquela noite.” Respondeu a garota, Emma a cumprimentou com um aceno e a garota sorriu em resposta, voltando em seguida sua atenção para mim.
Já fazia alguns anos que eu não via Rapunzel e a última vez que eu a vi, as coisas não saíram como eu gostaria. Ela mudou desde então, seus cabelos loiros haviam crescido, usava roupas mais sérias e aparentemente havia dado um rumo na sua vida.
“Eu não acredito que você teve uma filha.” Eu disse, tocando na bochecha da bebê em seus braços, que riu com o toque.
“Pois é, acredita nisso?” Rapunzel respondeu, com um sorriso no rosto, olhando para a bebê. “Eu terminei o ensino médio, saí da casa da minha mãe, entrei na faculdade e virei heterossexual na primeira festa! Ainda assim, eu consegui ficar com o conversível!” Continuou, se virando para mim e rindo, me fazendo entender que era ironia de sua parte. “Ela não é minha. Sabia que os pais pagam muito bem para alguém ficar com seus filhos? Além do mais, eu preciso de dinheiro, já que minha mãe não me sustenta mais. Porém, eu entendo o engano, ela é muito linda, parece comigo!” Concluiu, beijando a menina com força, que não gostou nada do toque.
“Crianças odeiam isso.” Eu disse, Rapunzel olhou para Emma e depois para mim, antes de responder.
“Vocês duas tiveram uma filha, não é mesmo?” Ela perguntou. “Cadê ela? Aliás, se precisarem de uma babá, podem me chamar. Eu devo ter um cartão em algum lugar por aqui.” Continuou e começou a procurar algo dentro de uma das duas bolsas que carregava.
Eu notei que ela estava completamente atrapalhada e me ofereci para segurar a criança. Ela a entregou para mim e apoiou a bolsa na mesa em que Emma estava, para enfim procurar o cartão.
“Ela é realmente adorável.” Eu disse, olhando para a bebê, que colocava uma de suas mãos em minha boca, enquanto eu fingia que iria morder seus dedos. Ela riu alto e eu imediatamente me lembrei de Amy nessa idade.
“Que falta Amy pequenininha faz.” Eu disse, beijando a bochecha da menina e sentindo aquele perfume que só os bebês conseguiam ter.
“Vocês deviam fazer outro, então.” Rapunzel disse, me entregando enfim o cartão. “Se você acha a bebê linda, espera até ver a mãe dela. Caramba, ela é muito gata.” Continuou e chamou a menina para os seus braços, que se encolheu em meu colo. “É logico que ela não vai querer ir! Até eu queria estar em seus braços.” Concluiu, rindo com o comentário e foi inevitável não rir.
Porém, quem não achou a mínima graça foi Emma, que deixou evidente em seu olhar o quanto estava irritada. Ela se levantou, sem dizer nada e saiu em seguida pelas portas do fundo.
“Desculpa, eu não sabia que ela era tão ciumenta assim.” Rapunzel disse, pegando a menina de meus braços.
“E não é, ela só não está em um dia muito bom. Além do mais, ela não gosta muito de você.”
“É claro que ela não gosta.” Respondeu, colocando as duas bolsas no ombro. “Quer dizer, você quase foi minha no passado.”
“Ah, meu deus, eu nunca fui sua!” Eu disse, enquanto caminhava em direção a Emma, a tempo de ouvir Rapunzel me responder.
“Eu disse quase. Eu soube que vocês duas pertenciam uma a outra desde o primeiro momento que eu a vi colocando aquelas algemas em você.” Respondeu e eu balancei a cabeça, saindo pela porta dos fundos e encontrando uma Emma enfurecida do lado de fora.
“Que merda foi aquela?” Perguntou, me dando um tapa de leve no ombro. “Eu estava quase chamando um pastor para casar vocês duas.” Continuou, aos berros, enquanto várias pessoas passavam e ouviam nossa briga.
“Você está sendo um pouco exagerada, não acha?” Perguntei e ela simplesmente cruzou os braços e me encarou.
“Exagerada?! Eu?! Desculpa, mas eu não acho exagero algum! Eu sei o que vocês duas tiveram.” Respondeu, ainda irritada, começando a andar, enquanto eu a seguia. Eu a segurei pelo braço, fazendo-a parar novamente.
“Você sabe que nós não tivemos nada, Emma. Que saco. Isso foi há muito tempo e não passou de-”
“Mas teria passado, não é?” Ela disse, ainda exaltada. “Deveria ter passado, não é mesmo? Você seria mais feliz com ela. Você teria uma família normal. Diferente do que nós temos hoje.”
“Nós temos tudo, Emma!”
“Não! Nós não temos nada!” Ela disse, apontando para mim e depois para ela mesma. “Não é mesmo?! Quer dizer, eu não tenho nada. Você teve tudo. Eu fiquei com as sobras, com as fotos, com as chamadas de vídeo. Você ficou com todo o resto. Você pôde sentir todos os perfumes, sentiu todos os beijos, todos os carinhos. Você não sabe o que eu senti quando eu te vi com aquela bebê no colo. Você não faz ideia como o sorriso que você tinha nos lábios me quebrou em várias partes. Eu não queria senti inveja. Eu realmente quero que você seja feliz. Eu quero sim, mas porque isso tem que significar minha infelicidade?” Concluiu, em prantos e eu já não tentava segurar minhas lágrimas.
“Emma, você sabe o quanto eu não queria essa situação para nós. Você sabe o quanto eu te amo e o quanto eu também sofro.”
“É diferente, Regina. Para você é mais fácil. Eu sei que você estava ali comigo desde o começo, mas fui eu que senti a dor de não poder tocá-la. Fui eu que senti meus seios completamente carregados de leite e que só piorava quando eu pensava nela! Eu nunca deixei de pensar nela! Eu nunca vou deixar de pensar nela! Eu não quero desistir de vocês. Eu realmente não quero. Porém, até quando, Regina? Porque sinceramente eu estou cansada. Eu não quero treinar mais. Eu não preciso treinar mais. Assim como eu não preciso dos antidepressivos ou da terapia com o Archie. Assim como eu não preciso da sua piedade. Eu preciso dela! Só dela!”
“Emma, por favor, não faz isso com a gente, não faz isso comigo. Nós vamos dar um jeito.”
“Não fazer isso com você?” Perguntou, forçando um sorriso. “O que eu estou fazendo com você, Regina?! Porque é você quem está fazendo isso! Aliás, é você que fez isso! Tudo isso é culpa sua! Por causa daquela sua vingança maldita, você acabou com a minha vida!”
Eu me calei diante de suas palavras, diante do seu desabafo. Não ousei interrompê-la, pois tudo o que dizia era verdade. Emma me quebrava com cada frase que dizia, deixando claro que ela era quem estava quebrada há mais tempo.
“Você acabou com a felicidade dos meus pais, porque você simplesmente não conseguia aceitar que você não podia ser feliz. No processo, você acabou tirando a minha felicidade também. Se você não existisse, eu poderia ter sido feliz, eu poderia ter tido tudo.” Continuou a dizer, levando uma de suas mãos a testa e abrindo a boca para continuar, mas aparentemente ela já não tinha mais nada a dizer. “Eu preciso ir.” Disse por fim, me deixando onde eu estava.
Eu olhei ao redor, para todos que ali passavam e que puderam ouvir tudo o que ela disse. Eu sabia que todas aquelas pessoas concordavam com Emma. Eu enxuguei meus olhos, caminhei até o meu carro, onde eu me sentei e me desabei em lágrimas.
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“Totó não gostou muito de ficar sozinho. Ele pode ir para escola comigo amanhã?” Amy perguntou, quando me viu saindo do banheiro.
Ela estava de pijamas, com um carrinho de boneca ao seu lado, onde Totó estava deitado e claramente odiando a brincadeira.
“Não, querida. Cachorros são cachorros e eu tenho certeza que ele vai odiar a ideia de ficar preso em uma sala de aula.” Eu respondi e salvei o cachorro de suas brincadeiras.
Ela me acompanhou até a lavanderia, onde eu prendi o cachorro e se despediu dele, me acompanhando novamente para o primeiro andar.
“Vai me contar uma história antes de dormir?” Ela perguntou.
Eu estava exausta e cogitei a ideia de dizer não, mas seria injusto com a pequena. Eu respondi que sim e ela se sentou em sua cama, completamente empolgada com a ideia.
“Qual você quer ouvir?” Eu perguntei.
Ela botou um dos dedinhos próximo a boca e fez uma pose pensativa. Eu não resisti a essa carinha e a puxei para mim, beijando suas bochechas em seguida. Amy se jogou em meu colo, sentando-se em minhas pernas e encostando seu corpinho contra o meu, jogou a cabeça para trás, a fim de me ver, e, enfim, respondeu.
“Eu quero ouvir uma história de verdade. Eu sei que todas as histórias são de verdade, mas eu quero ouvir uma que aconteceu com você!”
“Que tal a primeira vez que eu andei a cavalo?” Eu sugeri e ela balançou a cabeça.
“Não parece muito interessante.” Respondeu e eu a apertei contra o meu corpo.
“Que absurdo, Amy! Foi um dia inesquecível!” Respondi, fazendo-a rir.
“Me conta algo que aconteceu com você e a mamãe. Sei lá, primeiro beijo!”
“Ah, eu acho que você é muito pequena para esse tipo de história.”
Ela revirou os olhos em resposta e bufou.
“Isso acontece em todos os filmes, mamãe. Relaxa.”
Relaxa. Ai meu Deus, o que eu estava criando?
“Por favor.” Continuou e juntou as mãozinhas, fazendo uma carinha que eu não era capaz de resistir.
“Tudo bem.” Eu respondi e ela me abraçou, me dando inúmeros beijos no rosto e sentando-se ao meu lado.
“Quem beijou primeiro?” Perguntou e eu me vi voltando no tempo.
Eu não podia contar todos os detalhes daquela noite. De modo que omiti alguns deles, como, por exemplo, que eu estava sob efeito do álcool ou que eu havia arrumado encrenca no Rabbit Hole junto com Rapunzel. Foi por esse motivo que eu fui parar na delegacia e foi por isso que Emma e eu estávamos sozinhas. Eu contei apenas a parte do beijo, pois não achava que ela merecesse saber sobre o passado da mãe dela, pelo menos não essa parte.
“Eu estava com a sua mãe no trabalho dela. Já era tão tarde, estávamos tão cansadas e tivemos uma briga feia.”
“Por quê?” Perguntou e eu rapidamente pensei em uma meia verdade.
“Porque no começo, antes de nós namorarmos, sua mamãe e eu brigávamos por qualquer coisa.”
“Entendo. Em filme é assim também. Como foi? Ela te beijou primeiro?”
“Eu a beijei.”
Por trás de uma grade de uma cela, eu não disse essa parte.
“Sua mãe estava sendo histérica por algo irrelevante e eu queria que ela simplesmente se calasse.” Eu continuei e ela riu dessa parte.
“Ela não ficou brava com você?”
“Ficou sim! Ficou muito brava!” Eu respondi e ela caiu em uma gargalhada.
“Você devia ter beijado a mamãe com mais carinho.”
“Devia, não é? Bem, nosso segundo beijo foi melhor do que aquele. Embora eu não me arrependa do primeiro.”
“Me conta do segundo, então!”
“Que tal amanhã?” Disse, já sabendo que ela insistiria e eu acabaria cedendo mais uma vez.
Foi exatamente o que aconteceu. Ela juntou novamente suas mãozinhas e quase que precisou suplicar. Eu revirei os olhos, a encarei e a sentir vibrar por ter conseguido me dobrar novamente.
“Era 4 de julho. Havia uma festa na pensão da vovó e me convidaram. Eu não queria ir, mas Henry insistiu tanto que eu não conseguir dizer não.”
“Eu aprendi com ele a te convencer!” Disse, rindo e eu tive que concordar com ela.
“Eu lembro que dessa vez foi ela que me beijou e no momento que fez isso os fogos de artifícios tomaram aquele céu. E parecia que na verdade eles estavam dentro da gente.” Eu disse e ela sorriu para mim. “Sabe, Amy, mamãe fez tanta maldade no passado. Eu já pensei algumas vezes que eu não merecia aquele beijo. Ou que não mereço sua mãe e até mesmo você e o seu irmão.”
“Por que não mereceria? Você é a melhor mamãe do mundo.” Respondeu, tocando meu rosto.
“Porém, meu amor, eu queria também ser a melhor esposa do mundo. Eu queria poder fazer sua mãe a mulher mais feliz do mundo. Eu queria que ela sentisse todos os dias o que sentiu naquele nosso primeiro ou segundo beijo. Eu queria que ela não esquecesse o quanto eu a amo e o quanto eu quero que ela seja feliz.”
“Por que você não faz com que ela se lembre disso?” Perguntou, colocando sua mãozinha em meu rosto.
“Como?” Eu a questionei.
“Com os fogos de artifício.” Respondeu, dando de ombros e eu ri de sua sugestão.
Eu me lembrei então daquele dia. Leroy e os outros anões haviam destruído todos os fogos. Eu não cheguei a contar a Amy, mas quando nós nos beijamos aquele dia, de fato havia fogos sim no céu, porém, eles haviam sido criados por nós duas.
“Não é uma má ideia, Amy. Porém, onde eu vou achar fogos de artificio essa hora da noite?” No momento em que eu fiz a pergunta, ela fechou uma de suas mãos e a abriu.
Uma bola de fogo surgiu de seus dedos, ela a jogou no ar e o seu quarto se iluminou com as faíscas das luzes que irradiaram da bola de fogo. Eu a encarei, incrédula, minha boca se abriu em espanto.
“Amy...” Eu comecei a dizer e ela me olhou com um semblante preocupado e começou a pedir desculpas. “Não foi uma coisa má, meu amor. É que eu não sabia que você podia fazer essas coisas.” Continuei e ela deu de ombros.
“Eu só pensei e fiz.” Disse, em um tom de voz tão assustado que eu tive dó da minha pequena. “Eu prometo que nunca mais farei novamente.”
“Não, meu amor. Foi muito bonito. Você até me deu uma ideia. Por que você não coloca suas botas, pega seu casaco e uma touca e espera a mamãe lá embaixo?” Eu perguntei, rapidamente ela se levantou e correu até o seu guarda roupa.
Eu a deixei sozinha e fui até o meu quarto, onde eu procurei, no bolso do meu casaco, o cartão que Rapunzel havia me dado. Em seguida, eu liguei para o número e esperei a loira atender.
“Rapunzel?” Eu perguntei, assim que ela atendeu.
“Regina? Ai, meu deus, eu sabia que você me ligaria. Quer dizer, como resistir a mim, não é mesmo?” Perguntou, me fazendo revirar os olhos. Pelo jeito, ela não havia mudado tanto assim. “Tá tudo bem? Ficou tudo bem entre você e Emma? Eu não queria causar nenhum alvoroço, você sabe.”
“Sim, eu sei, mas você simplesmente é assim, não é? As coisas entre Emma e eu estão um pouco complicadas, por isso eu queria sua ajuda.”
“Oba! Eu adoro bancar a cupido!” Respondeu. “Quer dizer, é isso, não é? Ou é sei lá... sexo a três?! Porque se for, Regina, você estará realizando um sonho da minha vida!” Continuou, empolgada.
“Cala a boca, Rapunzel!” Eu disse, completamente constrangida, enquanto a ouvia rindo do outro lado da linha. “Eu quero que você fique com a minha filha essa noite. Na verdade, eu também quero seu conversível emprestado.”
“Hm.” Ela disse, pensativa. “Claro, quer dizer, eu cobro por hora. Se rolar algo no conversível, eu cobrarei a mais e quero que você mande-o lavar depois.” Continuou, cheia de graça, eu revirei os olhos novamente e então disse a ela para me encontrar na minha casa.
Eu não sabia se meu plano daria certo, mas Amy tinha razão, eu precisava fazer com que Emma se lembrasse do porquê ela precisava continuar lutando por nós. Eu precisava fazê-la se apaixonar por mim novamente, precisava fazê-la se sentir como se estivéssemos novamente naquele 4 de Julho. Eu precisava colocar algum fogo nesse relacionamento, nem que fosse de artificio.
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Eu toquei a campainha de sua casa, depois de alguns segundos de insistência, Emma finalmente atendeu. Ela parou, me encarando e se preparou para dizer algo, mas eu a impedi.
“Não me peça desculpas por hoje, se é isso que você dirá.” Eu disse e Emma balançou a cabeça algumas vezes, antes de me responder.
“Eu lhe devo desculpas. Milhares de desculpas. Eu não devia ter reagido daquela forma. Acho que foi ciúme.” Ela respondeu, me roubando uma risada.
“Não foi ciúme algum.” Eu disse. “O que você me disse era o que de fato você estava sentindo. Embora me machuque saber o que você estava sentindo, me machucou mais saber que tudo é culpa minha.”
“Regina, para, por favor. Não é culpa sua. Eu amo o que eu tenho com você. Eu amo aquela criança e ela te faz feliz. Então, mesmo que isso me machuque, eu fico feliz pela sua felicidade. Eu só queria que doesse menos.” Respondeu, tentando sorrir, mesmo que por dentro estivesse em lágrimas.
“Vem comigo.” Eu disse, estendendo minha mão e ela sorriu, antes de pegá-la.
Nós caminhamos de mãos dadas até a rua, onde o carro, que eu havia pegado emprestado de Rapunzel, nos aguardava. Era um conversível, seu teto estava aberto e Emma o encarou por alguns segundos. Eu sabia que ela lembrava tanto do carro quanto da sua dona, mas, naquele momento, ela não pareceu ligar para isso e pulou dentro do carro, esperando que eu a acompanhasse.
“Para aonde você vai me levar?” Perguntou, enquanto colocava o cinto.
“Para o passado.” Respondi e ela riu com a resposta.
“Alguma data em especial?”
“Que tal 4 de Julho? Há 6 anos atrás?” Eu sugeri, outro sorriso surgiu em seu rosto.
Eu a puxei para um beijo demorado, me ajeitei em meu assento e coloquei também meu cinto. Enfim, eu liguei o carro e comecei a dirigir pela rua de sua casa. Quando eu cheguei à esquina, eu buzinei e ouvi Emma reclamando por causa do horário, eu a ignorei e continuei a buzinar. Um carro – o meu carro — surgiu a alguns metros a nossa frente e eu diminui a velocidade.
“O que foi?” Perguntou, confusa.
Eu apontei para o céu e ela seguiu o olhar para onde eu apontava, vendo fogos de artifício surgirem no céu.
“De onde vem isso?”
“Do carro a nossa frente.” Eu respondi.
Ela notou, então, que da janela do banco de trás surgiam bolas de fogo, que tomavam completamente o céu, explodindo logo em seguida. O céu foi tomado por luzes, de todas as cores e formatos.
“Isso é incrível.” Disse, olhando para o céu.
“É Amy que está fazendo sozinha.” Eu disse, ela me encarou, com certa perplexidade no olhar.
“Ela é incrível.” Respondeu, olhando para a figura de um dragão que surgia no céu.
“Bem, ela é nossa filha.” Eu disse, Emma se inclinou para me beijar.
Ela tinha um sorriso no rosto, quando me pediu para estacionar. Já era muito tarde e a rua estava deserta, eu buzinei algumas vezes e Rapunzel encostou o carro a alguns metros de nós. Emma se encostou em meu ombro, juntas, nós observamos o show de fogos que Amy preparava para nós. Depois de alguns minutos, eles sumiram e uma mensagem de Rapunzel em meu celular, me avisou que Amy estava capotando de sono e eu respondi que ela podia levá-la para casa.
“Regina.” Emma disse, depois de alguns minutos em silêncio e voltou a se sentar em sua poltrona. “Você estava certa quanto aos remédios e quanto a terapia. Eu realmente preciso de ajuda, mas eu andei pensando muito hoje e eu vejo que quanto mais nós prolongarmos isso, mais nós machucaremos Amy. Porque nós nunca ficaremos juntas, Regina. Não mais. Você merece ser feliz com outra pessoa.”
“Você está terminando comigo?!” Eu perguntei, interrompendo-a.
“Não! Pelo menos não dessa forma. Eu estou lhe dando uma chance. Uma chance de ser feliz. Uma chance de finalizar da melhor forma tudo o que nós tivemos. Por isso eu quero te pedir algo, nós nunca tivemos a chance de nos casar, de entrar em uma igreja e trocar nossos votos.” Respondeu. “Eu quero isso agora, eu quero recuperar o que nós tivemos. Eu quero te ver em um vestido branco, segurando um buquê de rosas, com véu e tudo o que temos direito. Eu também quero me vestir de branco e não quero que você caminhe em minha direção ou que eu caminhe até você. Eu quero que nós duas caminhemos juntas, para nos encontrar no meio do caminho. Eu quero que Henry te acompanhe e que meu pai me acompanhe. Eu quero que Amy jogue pétalas de rosas no chão que pisaremos e quero trocar os votos na frente da cidade inteira. Eu quero as promessas de te amar na saúde, na doença, na riqueza, na pobreza e até que a morte nos separe. Eu quero o “Pode beijar a noiva” na frente de todos e quero as alianças com nossos nomes escritos. Eu quero sair com você de mãos dadas, recebendo as chuvas de arroz sobre nossas cabeças. Eu quero amarrar aquelas latinhas no meu fusca e quero te levar para casa.”
Ela deu uma pausa, levantando um de seus dedos, para que eu não a interrompesse.
“Sim, tem que ser naquele fusquinha! Nós não precisamos de uma lua de mel. Eu só quero ter você na nossa cama, dessa vez como minha esposa, para acordar ao seu lado durante a madrugada. Então, eu quero que você busque a nossa filha, ainda dormindo e a traga para mim. Para que eu possa abraçá-la e lhe dizer o quanto eu a amo e o quanto ela significou o mundo para mim nesses últimos anos. Eu quero beijar seu rostinho, sentir o cheiro de seus cabelos e segurar sua mão, pela primeira e última vez. Eu sei que eu não sobreviverei a isso. Eu sei que meu coração deixará de bater e eu sei também o quanto isso doerá. Porém, é a única forma que eu conheço de dar um fim a essa dor.”
Ela disse, seus olhos molhados por lágrimas, enquanto eu me via silenciada diante dela, sem saber o que dizer. Na verdade, eu sabia exatamente o que dizer. Eu queria suplicar para que ela não me pedisse isso, suplicar para que continuasse lutando por nós duas.
“Emma, por favor, veja só o que você está me pedindo!”
“Eu só estou te pedindo que me ajude a dar um fim nessa dor, Regina. Que me ajude a parar a dor que eu sinto todos dias.”
Ela respondeu, se esforçando para dizer cada uma daquelas palavras. Eu sabia o quanto era doloroso para ela me fazer tal pedido, mas me doía mais ter que ouvir e doía mais ainda vê-la quebrada dessa forma.
“Não, Emma. Eu não posso te perder. Eu não posso deixar você ir. Você não faz ideia do quanto eu estava perdida antes de você. Eu não quero me perder novamente. Por favor, diga que não quer isso, diga que quer lutar por nós duas.”
“Eu não posso. Eu não posso dizer isso.”
“Mas eu te amo.” Eu respondi, incapaz de enxugar as lágrimas de meu rosto.
Ela então me abraçou e me beijou por alguns instantes. Eu senti o gosto salgado de suas lágrimas e lhe disse o quanto eu a amava. Emma me olhou bem no fundo dos olhos e apenas disse: “Então ame mais uma vez.”
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