Amy

18 Bella Notte


Capítulo 18 – Bella Notte

Eu contei exatamente tudo o que havia acontecido na noite passada à Rapunzel e agora ela me olhava pensativa, segurando sua xícara de café.

“Diz alguma coisa.” Eu disse e ela deu de ombros, dando um gole em sua bebida e encarando-me.

“Eu não sei o que dizer!” Respondeu.

Eu virei os olhos em impaciência e olhei para o relógio da cozinha, que mostrava que ainda era bem cedo. Henry e Amy ainda estavam dormindo e eu não havia sequer voltado para a cama depois do que aconteceu.

“Crianças na idade da Amy às vezes confundem a realidade com a fantasia.” Ela disse, depositando sua xícara sobre o balcão.

“Talvez. Mas, Rapunzel, eu vi o anel, ok? Eu segurei em minha mão e era exatamente igual ao que Daniel me deu!”

“É, mas você mesma me disse que não era exatamente um anel que ele pegou da sela de um cavalo, Regina. Quer dizer, não era um anel de verdade. Era um acessório de uma sela. Qualquer um que soubesse dessa história poderia ter simplesmente pegado um igual para te pregar uma peça.”

“Quem?” Perguntei, encostando em minha cadeira. “Não é algo que muita gente saiba. Quer dizer, eu só contei a Emma e eu tenho certeza que ela não saiu por ai contando a ninguém.”

“Sabe, Amy é muito ligada a você.” Respondeu. “E se ela tiver sentido o que você sentiu ontem? Quer dizer, toda a dor no peito e tudo mais. E se durante esse seu episódio você inconscientemente pensou em Daniel? E de alguma forma Amy sentiu isso também? E de alguma forma...” Ela deu uma pausa. “Ela projetou aquela argola na mochila dela, sabe? Passou para o plano físico algo que até então estava no imaginário dela.” Concluiu e eu a encarei sem saber o que dizer. “Ah, qual é, Regina. Esse tipo de coisa pode acontecer.”

“Não estou duvidando. Eu prefiro acreditar nisso a acreditar no fato do meu 'ex' estar assombrando minha filha. E pior, acreditar que minha mãe está por perto.”

“Eu sempre pensei que sua mãe estivesse morta.”

“Bem, ela deveria estar.” Respondi e ela franziu o cenho. “Acontece que eu contratei esse pirata para matá-la e trazer o corpo dela para mim. Ele trouxe. Eu a coloquei no mausoléu e fiz a maldição.” Continuei. “Mas quando chegamos nessa terra, o corpo da minha mãe não estava onde deveria e eu nunca encontrei nessa cidade o tal pirata.”

“Você acha que ela pode estar viva? E por aí? Aqui na cidade?” Perguntou e eu dei de ombros, pois não sabia o que pensar a respeito. Ela se afundou em pensamentos, parecendo extremamente pensativa. “Ela é perigosa?”

“Talvez.” Respondi. “Mas eu não quero pensar nisso agora.” Continuei e passei minhas mãos pelo meu rosto cansado. “Eu só falei com Emma por mensagem ontem à noite. Eu vou ligar para ver se ela está a caminho. Você se importa em fazer o café da manhã para Amy?” Ela respondeu que não havia problema algum e se levantou para preparar o café da menina.

“Hey.” Eu disse, quando Emma atendeu o celular.

“Hey, Regina.” Ela respondeu, era possível ouvir a porta de seu carro fechando. “Eu estou saindo daqui agora. Devo chegar aí na hora do almoço. Quer me encontrar no Granny’s?”

“Claro que sim. Como você está?”.

“Estou ótima, mas estarei melhor assim que eu chegar aí. Definitivamente, o mundo aqui fora não é mais minha casa.”

“Claro que não é. Como seria sua casa se eu estou aqui e não aí?” Eu disse, ouvindo sua risada do outro lado.

“Estou morrendo de saudades, Regina. Manda um beijo enorme para as crianças. Amo muito vocês.”

“Também estou com saudades. Boa viagem de volta e te amo muito também.” Eu disse, antes de desligar o celular e voltar para a cozinha, onde encontrei Rapunzel fazendo panquecas. “Eu vou ver se Amy está acordada.”

“Tá certo.”

“Ah, eu vou almoçar com Emma. Você se importa de almoçar aqui com Amy?”

“Claro que não.” Respondeu. “Quer dizer, você se importa se eu a levar para almoçar com alguns amigos?”

“Os seus amigos barra pesada?” Eu perguntei, fazendo-a rir.

“Eles são legais, ok? São um pouco loucos, mas quem não é?”

“Claro que pode. Só tome cuidado com ela, mas acho que não preciso te pedir isso.”

“Regina...” Rapunzel chamou, quando eu me preparei para subir as escadas.

“O que foi?”

“Não traz de volta o que aconteceu ontem à noite. Quer dizer, nunca saberemos se foi só um sonho. Se ela quiser falar a respeito, você dá todo o espaço, mas caso contrário, não a incomode com isso.”

“Está certo.”

Subi as escadas até o quarto de Amy, que ainda estava dormindo. Sentei-me em sua cama e acariciei seus cabelos, aproximando-me de seu rosto para lhe dar um beijo.

“Bom dia, meu amor.” Eu disse e seus olhos piscaram aos poucos, sinalizando que ela estava despertando de seu sono. “Dormiu bem?” Perguntei, assim que ela acordou completamente. Ela assentiu e limpou seus olhos, levantando-se e me abraçando em seguida.

“Bom dia, mamãe!” Disse, em um tom animado. “Mamãe volta hoje, não é mesmo?”

“Volta sim. Inclusive, nós vamos almoçar juntas e quem sabe não voltamos para cá à noite para jantarmos todos juntos. O que acha?”

“Eeeeeba!” Respondeu, roubando-me um sorriso.

“Agora vamos lavar esse rosto e tomar um café da manhã bem gostoso.” Eu disse, ela não esperou que eu terminasse a frase e correu até o banheiro, sendo seguida por mim.

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Tomei café da manhã com Henry, Amy e Rapunzel. Cancelei todos os meus compromissos do dia e passei aquela manhã com a minha pequena. Só nos separamos na hora do almoço e partiu meu coração ter que deixá-la com outra pessoa, mas ela estava tão animada em sair com a Rapunzel e seus amigos que não ligou muito para isso. Ela se despediu de mim, dando-me um beijo enorme no rosto e dizendo que eu deveria entregar esse beijo a sua mãe. Foi exatamente o que eu fiz. Encontrei com Emma no Granny’s, lhe beijei nos lábios e depois no rosto, entregando o beijo que Amy havia lhe mandado.

“Eu vim o caminho inteiro pensando nesse beijo.” Ela disse ao meu ouvido, me abraçando apertado.

“Eu senti isso.” Respondi, beijando-a novamente nos lábios. “Então, como foi lá?” Perguntei e ela entregou a mim uma pasta. Eu abri, encontrando vários panfletos de inúmeros bancos de sêmen. “Em quantas clínicas você foi?”

“Só em todas de Boston e trouxe todos os panfletos. Todos.”

“Alguma que você achou mais confiável?” Perguntei e, no mesmo instante, ela pegou um dos panfletos.

“Essa aqui.” Respondeu e o abri, lendo as informações.

“Certo. Qual é o próximo passo?”

“Bem, antes de qualquer coisa você tem que ir ao seu médico. Ver qual é a melhor época de fazer a inseminação e tudo o mais. Quando já tivermos essa informação, eu volto à clínica em Boston para comprar o material.”

“O material?”

“O esperma, Regina. Não me faça dizer isso em voz alta.” Ela respondeu, me fazendo rir.

“E como vamos escolher esse 'material'?” Eu perguntei e ela respirou fundo e encostou-se ao banco.

“Bem, essa é a parte mais difícil. Eles possuem um banco de dados enorme. Podemos filtrar todas as informações que precisamos a fim de escolher o melhor doador.”

“Que tipo de informações?”

“Altura, cor de pele, cabelo, olhos, entre outras coisas. Eles têm um filtro bem grande.”

“E como nós vamos escolher?” Eu perguntei e ela mordeu o lábio inferior por alguns segundos, antes de me responder.

“Sinceramente, eu não sei.” Respondeu, estendendo suas mãos sobre a mesa, a fim de segurar as minhas. “Mas nós vamos escolher, ok? Só acho que devemos ir aos poucos com isso. Eu já fiz o que podia fora de Storybrooke. Nós podemos acessar o banco de dados dos doadores pelo site deles e eu posso buscar sozinha o material. Agora você tem de marcar seu médico.” Disse, apertando levemente os meus dedos.

Ela tinha um sorriso em seu rosto. Um tipo de sorriso de alguém que estava plenamente feliz. Um sorriso que eu não via há algum tempo.

“É bom fazer planos, não é mesmo?” Eu perguntei e ela sorriu mais ainda.

“Não. É bom concretizar planos.” Respondeu e eu me inclinei para beijá-la. “Amy está com quem?”

“Com a Rapunzel. E antes que você fique sabendo por outras pessoas, ela dormiu lá em casa e eu disse que ela podia dormir até arranjar um lugar para ficar.”

“Por quê? O que aconteceu?” Emma perguntou, deixando-me surpresa com o fato de não ter surgido nenhum comentário ciumento.

“Ela perdeu a bolsa da escola e o direito de ficar no dormitório, pelo que eu entendi. Ela estava precisando de um emprego, então eu ofereci o emprego de babá da Amy. Quer dizer, eu não podia levá-la para o escritório todo o dia e não posso ficar alugando seus pais ou mesmo os outros, não é mesmo?”

“Babá da Amy, huh? Aposto que ela nunca vai encontrar emprego melhor que esse.” Emma observou, ainda com aquele sorriso em seu rosto.

Não havia sinal de tristeza, ciúmes ou dor em sua voz. Era como ter outra Emma a minha frente. Aliás, era como ter a Emma de cinco anos atrás de volta. Era estranho e ao mesmo tempo maravilhoso, mas eu temi que fosse passageiro.

“Então, onde elas estão agora?” Ela perguntou, olhando para o cardápio.

“Elas estão almoçando com alguns amigos da Rapunzel.” Respondi e ela abaixou o cardápio e me olhou com um sorriso cheio de segundas intenções.

“Isso quer dizer que a casa está vazia?” Perguntou. Por debaixo da mesa, seu pé acariciava o meu.

“Bem, até a tarde.” Respondi e ela agora alisava minha perna com o seu pé. Quando percebeu que já havia me provocado o suficiente, ela parou e se endireitou em seu banco.

“Por quê? Tem algo em mente?” Perguntei, sussurrando e inclinando-me sobre a mesa. Ela se inclinou também e me roubou um beijo.

“Talvez.” Respondeu, em um tom provocador.

“Janta com a gente essa noite.” Sugeri. “E fica o resto da noite. Dorme comigo hoje Emma.”

“Regina, se é sexo que você quer, a gente pode ir para minha casa ou...”

“Não é só o sexo, Emma. É você na casa. Eu sinto sua falta lá, você sabe disso. Eu sei que tem a Amy. Eu sei que seria extremamente complicado e doloroso. Eu entendo. É doloroso para mim também, mas você não é só a mãe da Amy e do Henry. Assim como eu não sou apenas a mãe do Henry e da Amy. Eu sou sua mulher e você a minha. Eu sinto tanto a falta de como nós éramos antes e eu acho que podemos ter tudo de volta. De um jeito diferente, mas do nosso jeito...” Concluí e estiquei minhas mãos sobre as delas e as segurei.

“Eu também sinto a sua falta Regina. Eu odeio meu apartamento. Odeio minha cama queen size, sem...”

“Sem a sua Rainha.” Completei e recebi um sorriso. “Nós podemos tentar. Nós nunca tentamos, porque você e Amy nunca puderam ficar tanto tempo perto uma da outra, mas as coisas estão diferentes agora. Nós podemos tentar, o que você acha?”

“O que eu acho de voltar a morar com vocês?” Perguntou, soltando minhas mãos e eu senti como se, aos poucos, a Emma de cinco anos atrás estivesse indo embora.

“Sim. O que você acha?”

“O que eu acho?” Perguntou, mais para si mesma do que para mim e seu olhar se distanciou. “Eu acho que eu e você somos as mulheres mais sortudas desse mundo inteiro. E se existir outro mundo em cima desse, ainda assim eu tenho a certeza que somos as mulheres mais sortudas desse mundo.” Continuou, seu olhar fixo no meu. Um sorriso surgiu em seus lábios e não era só de felicidade que ele estava carregado, mas também de esperança.

“Sabe como eu percebi isso?” Ela perguntou e eu balancei a cabeça. “Eu percebi isso quando eu estava sozinha em Boston. Percebi assim que eu visitei a primeira clínica. Eu conheci esse casal de mulheres, conversei com elas por alguns minutos. Elas estavam atrás do sonho de formar uma família e eu me comovi com a história delas. Eu me identifiquei com a história delas. E eu percebi ali, naquele momento, o quanto nós duas fomos abençoadas. Amy é um milagre. Ela é uma benção. Ela é tudo o que qualquer pessoa gostaria de ter nessa vida. Ela é minha segunda chance. Eu daria tudo para poder ter vivido esses cinco anos ao lado dela e não tem um dia que eu não sinta um vazio dentro de mim por nunca poder ter dado um beijo em seu rostinho. Isso talvez vá demorar muito a acontecer e isso talvez nunca aconteça.”

“Emma...” Eu a interrompi, vendo que agora ela tinha seus olhos cheios de lágrimas.

“Só me ouça, Regina. Eu penso nisso todos os dias. Eu penso em todas as chances que eu já perdi com Amy. Eu nunca vou poder recuperar vários momentos da vida dela, mas isso não quer dizer que eu não estarei com ela. Passar um dia lá fora... Lá fora, no mundo real, me fez perceber o quanto minha vida é mágica. Eu talvez nunca vá abraçar minha filha, mas eu pude gerá-la em mim. Eu dei vida a ela, e, se não fosse por mim, ela não estaria aqui agora. Se não fosse por nós duas, ela não estaria aqui agora. E quer saber?! Isso me basta. Saber que eu te dei o melhor presente do mundo me basta.”

Ela ainda sorria, ainda em lágrimas, mas ainda assim sorrindo. Eu senti minhas próprias lágrimas. Suas mãos seguraram as minhas e eu olhei para a aliança em seu dedo. A aliança de quando lhe propus em casamento. Ela era minha eterna noiva. Nós nunca entramos em uma igreja, mas eu nunca precisei vê-la totalmente de branco, com um véu e um buquê de rosas, para fazê-la minha mulher.

“E agora é a sua vez de fazer isso.” Ela continuou e levou minhas mãos para os seus lábios a fim de beijá-los. “Eu aceito sim, Regina. Eu aceito tentar voltar a morar com vocês.” Completou e eu me levantei do banco em que estava e me juntei ao seu lado.

Tomei o seu rosto para o meu, lhe beijei com toda intensidade e paixão que eu sentia naquele momento. Eu parei algumas vezes, entre um beijo e outro, a fim de recuperar o fôlego e para ver o seu rosto repleto de felicidade.

“Vocês vão querer algo?” Perguntou Ruby, nos fazendo quebrar o beijo. “Além de um quarto, é claro.” Continuou, nos fazendo rir.

“O especial do dia.” Emma respondeu.

“Para mim o mesmo.”

“Dois especiais do dia saindo. Coloco o quarto na mesma conta ou...” Ruby perguntou, tirando novamente risos da gente. “É bom ver que vocês estão felizes. Novamente.”

“Ruby, eu não cheguei a perguntar, mas por qual motivo você não conseguiu sentir o cheiro da pessoa que pichou a escola de Amy?”

“Era um cheiro novo. Estranho. Não consegui identificar e, além do mais, o cheiro simplesmente sumia no ar.”

“Como se a pessoa tivesse aparatado no local e depois sumido?” Perguntei e ela assentiu.

“Talvez.” Ela respondeu. “Ou simplesmente voado.”

“Obrigada, Ruby.” Eu respondi.

“Gostaria de poder ter ajudado mais.” Ela respondeu, indo em direção a cozinha, levando os nossos pedidos.

Eles não demoraram a chegar. Eu comi em silêncio, pois não conseguia parar de pensar no que Ruby havia contado. Alguém havia feito aquilo. Alguém que ou voou ou aparatou no local. Ou seja, um ser mágico ou com asas. Ou os dois.

“Pode ser uma bruxa.” Emma disse, tirando-me dos meus pensamentos.

“Como é?”

“Uma bruxa. Daquelas que voam, sabe?” Ela continuou e eu fiquei em silêncio.

“Você estava lendo meus pensamentos?” Eu perguntei e ela sorriu, voltando a comer.

“Estávamos pensando na mesma coisa.”

“Pois eu acho...” Eu comecei a dizer. “Eu acho que devíamos o quanto antes ir a sua casa e empacotar todas as coisas que você vai precisar para voltar a nossa casa.” Concluí e ela sorriu, concordando comigo.

“Bem, então nós temos um encontro essa noite? Eu, você, algumas cervejas e várias caixas para empacotar tudo.” Ela disse.

Eu sorri com a sugestão. Nós levantamos e saímos da lanchonete. De mãos dadas e, pela primeira vez, eu senti que de fato o dia seria perfeito.

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“Como foi o almoço com os amigos da Rapunzel?” Eu perguntei a Amy, que estava em pé no sofá assistindo ‘A Dama e o Vagabundo’.

Rapunzel estava em uma das poltronas e as duas pareciam ter a mesma idade e não tiraram a atenção do filme. De modo que eu tive que insistir na pergunta. Amy então se virou para mim e pediu para eu repetir a pergunta.

“Eu perguntei como foi o almoço com os amigos da Rapunzel.”

“Foi muuuuuuuuuuuuito legal!” Ela respondeu, abrindo os braços ao dizer os “us” da palavra ‘muito’.

“Ah, é mesmo?” Eu disse e ela sorriu, voltando sua atenção ao desenho. “O que vocês comeram?”

“Sopa de tartaruga.” Amy respondeu e Rapunzel riu com a resposta.

“Era de carne.” Rapunzel disse.

“Mas eu pensei que...” Amy começou a dizer. Rapunzel se sentou e olhou para a Amy, ainda rindo.

“Aquele cara é um babaca. Ele tava tirando onda com a sua cara, Amy.” Rapunzel respondeu.

“Mas que maldade a dele!” Amy respondeu, frustrada, colocando as mãos na cintura.

“Rapunzel, eu vou levar Amy para a casa dos avós. Então você está livre por hoje.”

“Você vai sair, mamãe?”

“Eu vou ajudar sua mãe a fazer as malas.”

“Para aonde mãezinha vai?” Amy perguntou, em um tom preocupado. “Ela vai morar em Boston e vai nos abandonar?” Continuou, ainda aflita. Eu ri com a sua preocupação e a puxei para perto de mim.

“Sua mãe vai voltar a morar aqui. Então vamos ter que mudar um pouco as coisas aqui em casa. Acha que consegue?” Eu perguntei e o rosto de Amy se iluminou em um sorriso. Ela se jogou em meus braços, dando-me vários beijos.

“Essa é a melhor notícia da vida todinha!” Ela disse, abraçando-me novamente.

“Isso é sério?” Rapunzel perguntou.

“É sim. Nós conversamos hoje no almoço e eu consegui convencê-la a voltar para casa. Eu sei que não será fácil, mas eu realmente acho que devemos tentar.” Eu respondi e a garota sorriu para mim e se esticou a fim de tocar em minha mão.

“E eu acho que vocês vão conseguir.” Ela disse. “Mas deixa Amy aqui comigo. Eu não tenho aula hoje, só tenho esse trabalho para fazer, mas assim que ela dormir eu posso terminar.”

“Ah, não precisa, Rapunzel. Os avós dela adoram ficar com ela e eu não quero te dar o trabalho, fica com a noite livre.”

“Mas mamãe, eu quero ficar com a Rapunzel.” Amy disse, em um tom choroso. Eu olhei para a garota que insistiu que Amy não atrapalharia em seus estudos e então eu acabei concordando.

“Certo, mas eu só volto amanhã cedo.”

“Não esperaria o contrário.” Rapunzel disse, rindo.

Amy se virou em meu colo e colocou suas duas mãozinhas em meu rosto.

“Mas amanhã de manhã você volta com a mãezinha, não é?” Perguntou.

Eu lhe dei um beijo e respondi que sim. Ela me abraçou, eu então a coloquei no chão e ela correu até Rapunzel, sentando-se ao seu lado na poltrona.

“Até amanhã para vocês duas. Não botem fogo na casa!” Observei. “Amo você, Amy.”

“Amo você também, mamãe!” Ela respondeu, sem desviar a atenção do desenho.

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“Mas você já empacotou tudo!” Eu disse, assim que entrei no apartamento de Emma.

“Aham.” Ela respondeu, fazendo-me notar a roupa que ela usava. Aliás, a roupa que ela não usava. “Está se perguntando onde estão minhas calças?” Perguntou, assim que seus braços envolveram meu pescoço e então me beijou.

“Na verdade, eu estou me perguntando o porquê ainda estou com as minhas.” Eu disse e ela riu com a resposta, mesmo porque eu estava usando um vestido.

“Eu não consegui esperar. Quer dizer, eu passei o resto do dia pensando em você, na nossa casa, nos nossos filhos e no que ainda está por vir.” Ela disse, sua mão tocando minha barriga. “Eu realmente estou feliz, sabe?”

“Eu também estou muito feliz, Emma. Muito mesmo. Principalmente porque eu sei que você está feliz. Na verdade, é a minha principal razão de estar feliz.” Eu disse e ela sorriu, beijando-me novamente. “Bem, então se está tudo empacotado, nós podemos ir, não é?” Eu perguntei, mas ela balançou a cabeça.

“Não, porque eu preparei um jantar incrível para nós duas e eu quero que essa nossa última noite longe uma da outra seja perfeita.” Ela disse, segurando minha mão. “Eu espero que esteja com fome.” Ela me levou até a cozinha. “Eu iria me arrumar e tudo mais, mas olha, já tá tudo encaixotado e eu não quero perder tempo.”

“Você está linda, Emma.” Eu disse e ela respondeu com um sorriso.

“E então, o que acha?” Ela perguntou, apontando para a mesa. Onde dois pratos, cada um com um hambúrguer e batatas fritas nos esperavam. “Eu mesma preparei.” Ela continuou e eu me esforcei mais do que o normal para não cair em uma gargalhada. “Ah, Regina, me dê um tempo. Eu estava ocupada e queria preparar uma surpresa. Imagina que seja outra coisa. Um prato de... sei lá...”

“Spaghetti com almôndegas?” Perguntei, ainda segurando o riso. Ela me encarou, curiosa e deixando claro que não havia entendido a referência. “Igual 'A Dama e o Vagabundo'. Estávamos assistindo com Amy hoje à tarde.” Eu disse e ela sorriu.

“Ok! Então imagina que seja um prato de spaghetti com almôndegas.” Ela disse e caminhou até um dos cômodos, voltando em seguida com uma única vela nas mãos. Eu então desisti de segurar o riso e nós duas caímos em uma gargalhada, quando ela a colocou sobre a mesa. “Quase?” Ela perguntou.

“Bem, foi perto o suficiente.” Eu respondi. “Mas falta um certo toque.” Continuei e apontei para o aparelho de som, que ela não havia empacotado ainda, e usando minha magia, fiz então que Bella Notte fosse tocado. Ela me encarou em silêncio, com as mãos na cintura e um certo ar de irritação. “O que foi?” Eu perguntei, ela revirou os olhos e eu deu uma risada com a sua reação.

“Eu podia ter feito tudo com magia, não é mesmo? A comida. O cenário. Tudo. Teria sido perfeito. Eu podia até ter trocado de roupa por magia!”

“Poderia.” Eu disse, aproximando-me dela e pegando-a pela cintura, a fim de trazê-la para mais perto. “Poderia ter feito tudo com magia. Ainda assim não teria sido tão perfeito.” Ela sorriu com a minha resposta.

Eu me perguntei o que passava na cabeça dela para imaginar que teria como essa noite ser mais perfeita do que estava sendo. Como se fosse capaz de existir mulher mais perfeita do que ela. A roupa que ela usava deixava-a mais linda, nesse jeito largado que ela tinha e que conseguia torná-la mais sexy.

Minha mão caminhou em direção as suas costas, passando pela sua cintura, onde ela a segurou. Ela me olhou bem no fundo dos olhos e eu lhe disse o quanto eu a amava. Estávamos tão próximas uma da outra, nossas mãos entrelaçadas como se fossemos apenas uma pessoa.

Não havia espaço algum entre nós duas. Apenas nossas roupas impediam que nossos corpos entrassem em contado um com o outro. Ela encostou sua testa a minha e então dançamos ao som de Bella Notte. Deixamos a letra da música falar por nós duas. A pequena cozinha não mais importava. Eu não precisava de todo o espaço do mundo. Eu conseguia me encaixar perfeitamente apenas no espaço de seu corpo.