Amy
15 Baby, Please Come Home
Notas iniciais
Capítulo 15 — Baby, Please Come Home
Eu havia passado a semana inteira procurando por presentes que fossem perfeitos para Emma e Henry, enquanto os dois passaram a noite de Natal perguntando o que ganhariam na manhã seguinte. Eu respondi que era surpresa e que eles teriam que esperar até o dia 25. Henry não ficou muito feliz e Emma apenas fingiu que não estava curiosa a respeito do que ganharia, mas a verdade era que ela não sabia disfarçar muito bem. Eu a peguei tentando abrir escondido seu presente inúmeras vezes ao longo do dia, até que eu resolvi escondê-los, o que a deixou extremamente irritada com o meu gesto de desconfiança.
Eu relevei toda a sua irritação, afinal a gravidez estava deixando-a com um humor bem instável, mas também estava deixando-a cada vez mais linda. Então, enquanto ela fazia um enorme discurso sobre a minha desconfiança em relação aos presentes, eu apenas fiquei em silêncio babando nela e em sua barriga que a cada dia crescia, deixando-a mais linda. Ela nem se esforçava em ser assim perfeita, mesmo irritada, mesmo nas suas crises de humor, ainda assim eu queria ficar cada segundo do meu dia ao seu lado.
Enquanto eu a via arrumar a árvore de Natal com Henry, eu me peguei pensando no nosso Natal passado. Não fazíamos ideia de que teríamos um novo membro da família no ano seguinte, mais presentes debaixo da arvore de Natal, um novo sapatinho de pano na lareira e milhares de novos planos em nossas mentes. Esse bebê a caminho mudava tudo, vem mudando tudo e a cada dia eu me pegava mais apaixonada pela ideia de ser mãe novamente.
“Você se lembra do seu primeiro Natal com Henry?” Ela perguntou.
Estávamos deitadas no sofá, ela deitada de conchinha ao meu lado, enquanto eu sentia o perfume de seus cabelos loiros em meu rosto. Eu acariciava sua barriga e ela seguia meu toque com a mão livre. Nossos rostos, bem perto um do outro, fazendo-me encarar seus olhos, antes de roubar um beijo, fazendo-a sorrir.
“Me conta como foi.” Pediu ela, sua mão subindo até o meu rosto, acariciando-me com a ponta dos dedos, até chegar aos meus lábios, inclinando-se em seguida na direção deles.
“Foi solitário.” Eu respondi, olhando para Henry que estava dormindo em uma das poltronas. “Bem diferente do nosso Natal de hoje.” Eu continuei, ela sorriu enquanto pegava minha mão e levava em direção a sua barriga.
“Será mais agitado ano que vem!” Ela disse, beijando-me novamente. “O que você fez com Henry naquele Natal?”
“Bem, eu fiz um jantar especial só para nós dois. É claro que apenas eu comi, pois Henry comeu sua papinha de sempre. Quando terminamos o jantar, eu o levei para junto da árvore de Natal. Ele era fascinado pelas luzes e pelas bolinhas penduradas. Aquele Natal não foi apenas o primeiro Natal de Henry, foi o meu também, pois até então eu nunca havia feito nada ao longo dos anos. Então, naquela noite eu comecei uma tradição com ele. Sentamos nós dois ao lado da árvore, ele com seu pijama de aviãozinho e eu com meu pijama de seda. Li então para ele um livro.”
“Qual livro?”
“Como o Grinch roubou o Natal.” Eu respondi. “Enquanto eu lia a história, ele batia nas páginas com suas mãozinhas pequenininhas em cada página. E a cada resmungo que ele dava, eu o trazia para mais perto do meu corpo, pois eu sabia que ele cresceria em breve e nós não mais teríamos esses pequenos momentos. Ele adormeceu ali mesmo em meus braços, mas eu não queria colocá-lo no berço. Então eu o trouxe mais para junto do meu corpo e cantei para ele uma canção de Natal. Enquanto eu cantava, ele sorria em seu sonho e pela primeira vez eu não me senti solitária. Eu não teria presentes debaixo da minha árvore no dia seguinte, mas isso não importava. Porque eu o tinha. Eu tinha meu bebê e eu pensei que ele me bastava, mas eu estava errada. Faltava você. Aliás, faltavam vocês.” Eu concluí, ela sorriu em resposta e me beijou novamente. Um beijo longo e cheio de desejo, que provavelmente nos levaria para algo a mais, se Henry não estivesse ali por perto.
“O que você cantou para ele aquela noite?” Ela perguntou. “Vai cantar para o bebê quando ele nascer?” Eu assenti e ela sorriu novamente, aproximando-se para outro beijo, mas dessa vez ela só ousou me provocar e ao invés de me beijar, mordeu meu lábio e se afastou, enquanto perguntava novamente o que eu havia comprado para ela de Natal.
“Por deus, Emma, por que você não espera?”
“Porque eu sou curiosa! E também porque você sabe o que eu vou te dar!”
“Você tinha a opção de não me contar, sabia disso, não é?” Respondi e ela revirou os olhos, irritada. “Se acalme, Emma. Está quase amanhecendo. Assim que você e Henry acordarem, vocês ganharão seus presentes.”
“E eu tenho certeza que vou adorar.” Disse ela, dessa vez em um tom mais calmo.
Ela se aninhou junto a mim, pedindo para que eu cantasse a canção que eu havia cantado a Henry no nosso primeiro Natal. Eu cantei para ela, em sussurro, para que ninguém além dela pudesse ouvir, mas, na minha mente, nosso bebê também podia escutar minha voz. Quando a canção acabou, ela me encarou, com um sorriso enorme no rosto.
“Eu te amo, Regina.” Ela disse em um tom de voz sonolento e eu passei minhas mãos pelos seus cabelos loiros e a vi lentamente adormecer junto a mim.
“Eu também te amo, Emma.” Eu respondi e vi novamente um sorriso surgir em seus lábios.
Então, eu permitir que o sono me dominasse também. Eu queria poder lhe dizer que ela era meu final feliz, mas não seria totalmente verdade, pois ela era meu começo, jamais meu fim. Porém, não havia necessidade de lhe dizer mais nada, pois ela já sabia disso, pois nosso bebê a caminho era a certeza desse começo.
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Quando eu acordei, encontrei Henry sentado junto a árvore de Natal, olhando cada um dos embrulhos. Emma não estava com ele, mas assim que eu me sentei no sofá, ela apareceu, vindo da cozinha, com um prato enorme de biscoitos na mão. Ela caminhou em minha direção e me deu um breve selinho, me desejando um bom dia e um Feliz Natal.
“Feliz Natal para você também, Emma.” Eu respondi, enquanto roubava um biscoito.
Assim que Henry escutou minha voz, ele se levantou e correu em minha direção, dando-me um abraço demorado e me desejando Feliz Natal, respondi de volta e o enchi de beijos.
“Podemos abrir os presentes agora?!” Ele perguntou em um tom animado.
Eu assenti e ele correu em direção a árvore, onde Emma se encontrava. Eu me levantei e me juntei a eles, buscando antes os presentes que eu havia escondido. Emma parecia uma criança, quando me viu com as caixas em mãos.
“Então, quem vai abrir primeiro?” Eu perguntei, ajoelhando-me de frente aos dois.
“Eu abro!” Henry respondeu, pegando debaixo da árvore os presentes que havíamos comprado para ele. Eram livros e alguns quadrinhos que ele havia pedido meses antes. Ele ficou extremamente feliz, nos abraçou em agradecimento e pegou outro presente debaixo da árvore, entregando-o para mim. “É para você, mãe. Mas não é bem para você...” Ele disse, deixando-me confusa e curiosa. Abri o embrulho do presente, revelando um livro, o mesmo livro que eu lia para ele anos antes. “Como o Grinch Roubou o Natal.” Disse, fazendo-me olhar para ele. “Você lia para mim quando pequeno. Eu adorava.”
“Eu pensei que você já não lembrava mais disso.” Eu disse.
Ele balançou a cabeça, dizendo que jamais poderia esquecer. Eu me aproximei, puxando-o para um abraço apertado. Ele já não era mais meu bebê que eu embalava no colo, mas ainda assim era todo meu. Ainda assim era o melhor presente que eu havia ganhado na vida.
“É para você ler para ela.” Ele disse.
“Vocês estão realmente convencidos de que será uma menina, não é mesmo?”
“Bem, nós saberemos na próxima semana.” Respondeu Emma. “Mas eu espero que de fato seja ou terei comprado esse presente em vão.” Ela continuou e riu, enquanto pegava dois embrulhos debaixo da árvore e entregava-os para mim. “Esse é seu.” Disse, me entregando o embrulho maior. “E esse é do bebê.” Continuou e me entregou o segundo embrulho, que era menor que o primeiro.
Eu abri então o presente. Era uma linda coroa, totalmente prateada, que eu já sabia que ganharia, pois ela havia passado a semana inteira falando a respeito disso.
“Eu adorei, Emma.” Eu respondi, beijando-a.
Ela sorriu e pediu que eu abrisse o segundo presente. Era exatamente igual ao primeiro, a diferença estava no tamanho. Era uma pequena coroazinha prateada, bem pequenininha. Impossível não se derreter com o gesto. Eu conseguia imaginar nossa princesa usando essa coroa. Ela provavelmente só poderia usá-la enquanto bebê, mas ainda assim era um presente perfeito.
“Eu amei, Emma!” Eu disse, beijando-a novamente e, assim que me afastei, coloquei sobre a sua cabeça a pequena coroa.
“Como eu fiquei?” Ela perguntou, rindo, a coroa ficou ridiculamente pequena em sua cabeça, mas ainda assim continuou linda.
“Linda!” Eu respondi, ela sorriu, pegando a minha coroa e colocando-a sobre a minha cabeça.
“Por que eu não ganhei uma coroa?!” Henry perguntou, fingindo estar desapontado.
“Ah, meu amor, me desculpa.” Emma respondeu, Henry apenas riu e se aproximou de nós duas, ficando entre Emma e eu. “Minha vez!” Disse, pegando o presente que Henry havia comprado para ela. Era uma jaqueta de couro vermelha. Duas vezes maior que o seu número, ela riu com o presente e o agradeceu com um abraço apertado, colocando logo em seguida a jaqueta. “Bem, o zíper ainda fecha!” Brincou, e em seguida eu lhe entreguei o meu presente, ela o abriu imediatamente.
“Um globo de neve?” Henry questionou, assim que Emma tirou o presente de dentro da caixa. Henry observou o objeto que havia dentro do globo. Era apenas um boneco de neve, Emma o balançou, mas nada aconteceu. “Cadê a neve?” Henry perguntou em seguida e Emma me encarou, completamente confusa em um olhar que dizia que foi o presente mais sem sentindo que havia ganhado.
“Talvez ainda não tenha nevado.” Eu respondi, Henry franziu o cenho com a minha resposta. “Ou talvez a neve esteja lá fora.” Completei. “Por que você não vai botar seu casaco, suas botas e ir lá para fora esperar a neve?” Eu não tive tempo de terminar minha frase.
Henry nem ousou me questionar e simplesmente se levantou, correndo até as escadas, deixando Emma e eu sozinhas na sala.
“Não vai nevar, você sabe disso.” Ela disse, em um tom de voz cheio de dúvidas. “Ou vai?”
“Bem, acho que só resta ir lá fora para ver, não é mesmo? Por que você não vai colocar suas botas também?” Respondi, ela ficou alguns instantes em silêncio, apenas me observando.
“Você vai fazer nevar?” Ela perguntou enfim e eu respondi com um “talvez” e seu rosto se iluminou com um sorriso.
Ela se levantou e eu escutei os passos de Henry descendo as escadas e aparecendo novamente na sala, completamente agasalhado e com botas de neve. Nas mãos, ele trazia as botas de Emma. Enquanto colocava suas botas, Emma me encarava, com um olhar cheio de curiosidade. Assim que terminou, se levantou e caminhou em minha direção.
“Por que a neve?” Ela perguntou, enquanto eu ajeitava a pequena coroa em sua cabeça.
“Bem, por que não?” Eu perguntei de volta.
Ela sorriu e me puxou para um beijo. Em seguida, me pegou pela mão e me puxou para fora de casa, onde encontramos Henry parado, olhando para o céu.
“Não tem neve alguma!” Ele disse frustrado.
“Calma.” Eu respondi, aproximando-me dele.
Eu soltei minha mão de Emma. Elevando-as aos céus. Henry acompanhou meus movimentos com os olhos e sorriu, assim que os primeiros flocos de neve caíram do céu. Ele abriu as mãos e fechou os olhos, deixando com que a neve caísse em seu rosto e na palma de suas mãos.
Virei-me para Emma, que estava distante de nós dois, em sua jaqueta enorme, com a sua pequena coroa na cabeça. A neve caia por todo o seu corpo transformando o vermelho de sua jaqueta em uma manta totalmente branca. Ela sorriu, assim que eu me aproximei.
“Feliz Natal, meu amor.” Eu disse, colocando minha mão sobre sua barriga. Seu olhar acompanhou o meu toque, voltando em seguida para mim.
“Feliz Natal, minha Rainha.” Ela respondeu, colocando seus braços ao redor do meu pescoço, beijando-me demoradamente. Ficamos então assim, juntas em um abraço apertado, enquanto deixávamos a neve cair.
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