Amy

20 Através do Universo


Capítulo 20 – Através do Universo

Emma estava nervosa e eu podia perceber isso pela forma que ela se mexia no carro enquanto dirigíamos para casa. Estacionei o carro e me virei para ela, que sorriu e ajeitou o cabelo, enquanto mexia nervosamente uma mão na outra.

“Você está bem?” Perguntei.

Ela assentiu, se aproximando de mim e colocando suas mãos geladas e trêmulas em meu rosto, roubando-me em seguida um beijo.

“Eu vou ficar bem.” Respondeu, roubando-me um último selinho.

Eu saí do carro e estendi minha mão para ela, caminhamos em silêncio pelo caminho de entrada, até que ela parou de repente. Seu olhar estava fixo na mansão, havia um sorriso em seus lábios e um brilho diferente em seu olhar.

“Algum problema?”

“Eu estava exatamente aqui quando eu te vi pela primeira vez.” Respondeu e sua voz era carregada de doçura.

Ela olhou para a porta de entrada, provavelmente trazendo a memória daquele dia. Depois se virou para mim e os raios de sol iluminavam seus cabelos loiros, de modo que parecia que um anjo estava a minha frente. Eu fiquei em silêncio e deixei que ela continuasse.

“Eu estava tão nervosa. Não tinha tido tempo de assimilar tudo o que tinha acontecido comigo nas últimas horas. E para completar aparece você... Eu me lembro de ter olhado para essa mansão e depois para você e me perguntado o porquê Henry não se sentia amado. O porquê para ele seu amor e tudo o que ele tinha não era o suficiente. Eu me lembro de também ter ficado sem fôlego quando você apareceu. Não lembro bem o que eu te disse da primeira vez que te vi.”

“Você me disse ‘Oi’” Eu respondi, fazendo-a sorrir.

Ela abaixou o olhar e se aproximou de mim. Havia lágrimas em seus olhos, mas não eram de tristezas. Ela tocou em meu braço e desceu por ele em direção aos meus dedos, apertando-os em seguida.

“Aos poucos eu fui entendendo o porquê para Henry todo o seu amor não era o suficiente.” Ela continuou. “Porque não era o suficiente para você. Faltava algo em você e ele sentia isso.”

“Por isso ele foi te buscar.” Eu respondi, aproximando dela e beijando-lhe a testa. Ela fechou os olhos por alguns instantes, enquanto algumas lágrimas escorriam em seu rosto.

“É. Por isso ele foi me buscar.” Ela disse, secando as lágrimas de seu rosto.

“E é por isso que eu fui te buscar.” Eu disse. “Você já ficou muito tempo longe de casa. Você já sofreu muito sozinha. Talvez não vá ser fácil, talvez seja bem mais difícil do que esperamos, mas talvez seja completamente o contrário. Nossa história nunca foi tão fácil mesmo.” Eu concluí e ela sorriu, aproximando-se de mim e dizendo o quanto me amava, antes de me beijar inúmeras vezes. “Eu também te amo, minha Emma.” Eu respondi em seu ouvido, abraçando-a contra o meu corpo, antes de pegá-la pela mão e levá-la para nossa casa.

Tudo estava em silêncio quando entramos. Chamei por Rapunzel e não houve respostas, segui com Emma até a sala de estar, onde encontramos inúmeros balões coloridos espalhados pelo cômodo. Balões suspensos no ar e seis deles amarrados por uma fita de cetim azul com um envelope amarelo no final de cada um deles. Emma sorriu e se aproximou do primeiro balão.

Eles formavam um caminho e o ultimo balão ia de encontro à porta, que dava acesso ao jardim. Ela abriu o primeiro envelope e lá dentro havia uma foto de Amy no seu aniversário de cinco anos. Ela tinha Totó nos braços e apertava o cachorro contra o corpo, enquanto fazia o número 5 com a mão livre. Emma riu com a imagem e a levou até os lábios, beijando a foto de nossa filha.

“Ela sempre se pareceu com você.” Eu disse e ela se virou para mim, direcionando-me um sorriso e caminhando até o segundo balão.

“É, ela sempre foi linda, não é mesmo?” Ela perguntou, rindo e abrindo o segundo envelope.

“E você sempre muito modesta.” Eu comentei, aproximando-me dela e lhe beijando na base do pescoço.

Ela riu com o gesto e segurou a segunda foto em suas mãos. Era de Amy, aos quatro anos de idade, usando um vestido rosa com Henry ao seu lado. Na foto, ela parecia estar bastante irritada com a presença do irmão ao seu lado e os dois faziam o número 4 com as mãos.

“Consegue imaginar nosso terceiro filho nas próximas fotos?” Eu perguntei, enquanto ela caminhava na direção do terceiro balão, tirando a próxima foto do envelope.

Amy tinha três anos de idade na foto e estava montada em um cavalo. Ela não parecia nada assustada e David a segurava, enquanto ela fazia o número 3 com os dedos. Emma riu com a foto e olhou para mim, antes de caminhar até o próximo balão.

“Consigo sim.” Ela respondeu, pegando o quarto envelope. “Sabe, eu acho que Amy está querendo que ela seja a primeira a me receber de volta em casa.” Disse, olhando para foto de Amy aos dois anos de idade, seus cabelos ainda loiros caindo para fora da coroa de papel que ela usava. Ela sorria para a foto e fazia o número dois com os dedinhos.

“E ela está conseguindo?” Eu perguntei e Emma respondeu com um sorriso, enquanto se aproximava do quinto balão. Na foto, Amy tinha um ano de idade e estava verdadeiramente emburrada, enquanto olhava para o bolo a sua frente, com uma vela do número 1 completamente acesa. “Você estava lá esse dia, sabe disso, não é?” Ela olhou para mim, enquanto caminhava para o último balão.

“Pelo telefone, por chamada de vídeo...” Ela respondeu, abrindo o último envelope.

“Nos nossos pensamentos, nos nossos corações e no pedido que Henry fez quando apagou a vela por Amy.” Eu disse e ela pegou a última foto.

Amy tinha apenas alguns dias e eu a segurava em meus braços. O sorriso que eu tinha nos lábios entrava em contradição com o olhar triste que eu direcionava a Amy. Emma se virou para mim, seus olhos cobertos por lágrimas, enquanto ela olhava para aquela foto uma última foto.

“Você sempre esteve presente em Amy.” Eu continuei.

Emma sorriu para mim e eu sabia que ela não estava triste, mas havia algo ali em seu olhar. Havia algo atrás de seu sorriso.

“Não podemos trazer de volta esses dias, não é?” Ela perguntou e eu balancei a cabeça. “Mas nós podemos criar novos dias e novas datas, não podemos?”

“Bem...” Eu respondi, olhando ao redor e vendo todos aqueles balões espalhados pela sala, ela acompanhou meu olhar. “Aparentemente ainda temos muitos balões pela frente.” Continuei e a puxei para mim, beijando-lhe os lábios e abraçando o mais forte que pude. “Bem vinda de volta.” Eu disse em seu ouvido e um sorriso genuinamente feliz surgiu em seu rosto.

Estendi minha mão para ela e caminhamos juntas em direção ao jardim. Quando chegamos lá, encontramos uma grande mesa com um banquete enorme de café da manhã. Sentados sobre a mesa se encontravam Amy, Henry e Rapunzel. No chão, se encontrava Totó. Henry foi o primeiro a se levantar, seguido por Totó que caminhou atrás do garoto, balançando o rabinho.

“Seja muito bem vinda, mãe.” Henry disse, aproximando-se de Emma, lhe abraçando e beijando-lhe o rosto. “Esse abraço foi por mim.” Disse, segurando as mãos de Emma. “E esse é por Amy.” Continuou e se aproximou novamente, abraçando-lhe uma segunda vez.

Esse segundo abraço foi mais longo que o primeiro e bem mais apertado, carregado por uma saudade e um carinho que ficava difícil para mim descrevê-lo. Henry se afastou, beijando-lhe novamente e olhando para mim. Ele estava verdadeiramente feliz e deixava isso refletido em seu rosto e em seu olhar.

Ele voltou para a mesa e Amy se agitou em sua cadeira. Ela sorriu para mim e para Emma, que se aproximou o máximo que pôde da mesa do café da manhã. Havia um verdadeiro banquete, frutas, bolos e sucos. Amy começou a falar sobre todas as coisas que ela havia ajudado Rapunzel a preparar.

Rapunzel, por sua vez, ouviu tudo atentamente e sorriu para Amy, enquanto se levantava de sua cadeira, beijando-lhe os cabelos e dizendo que não poderia ficar para o café da manhã. Amy pareceu decepcionada, mas beijou a garota de volta e observou quando Rapunzel caminhou em nossa direção.

“Vocês não precisarão de mim, não é mesmo?” Ela perguntou e eu balancei a cabeça.

Ela sorriu em resposta, afastando-se de nós e Emma se virou a ponto de vê-la ir embora. Em seguida, se virou para a mesa do café da manhã e para Amy que estava muito ansiosa

“Vocês não estão com fome?” Amy perguntou.

“Estamos sim, meu amor. Mas tem algo que eu preciso fazer antes.” Emma respondeu.

Sem dizer mais nada, ela seguiu Rapunzel para dentro da casa. Eu a segui também e a encontrei no escritório, onde Rapunzel arrumava sua pequena mala.

“Você está indo embora?” Emma perguntou e a garota pareceu surpresa em vê-la a sua frente.

“Ah, sim. Quer dizer... Não sei se Regina te contou, mas eu só estou aqui por alguns dias. Até encontrar um lugar pra ficar.” Ela respondeu, hesitante.

“E você encontrou?” Emma perguntou e Rapunzel sorriu, tirando sua franja da frente dos olhos e balançando a cabeça. “Para aonde você vai, então?” Ela insistiu e Rapunzel hesitou novamente, antes de responder que voltaria para a casa de sua mãe.

“Pensei que você odiava morar lá.” Eu respondi, entrando na conversa.

Rapunzel me encarou por alguns instantes e abaixou o olhar, voltando sua atenção a Emma.

“Bem, mas é melhor que eu fique por lá.” Respondeu e eu entendi seus motivos. “Mas não se preocupem, eu ainda posso cuidar da Amy. Quer dizer, menos uma vez por semana. Acontece que eu fiz esse acordo com reitor. Ele perdoa minha “dívida” se eu fizer uma vez por semana serviços sociais.”

“Parece justo.” Eu disse e ela deu de ombros.

“É, parece sim. Melhor do que ter que vender meu carro. Vou precisar dele caso minha mãe surte, sabe.” Ela continuou, em uma risada.

Pegou sua mala e caminhou em nossa direção, pois estávamos bloqueando a saída. Eu me afastei, lhe dando passagem, mas Emma continuou onde estava e Rapunzel parou diante dela.

“Você está mentindo.” Emma disse e Rapunzel não reagiu a acusação. “Eu não sei em qual parte você está mentindo, mas sinceramente eu não ligo.” Emma continuou. “Eu sei que você gosta de verdade da minha filha e saber disso me basta, mas você está escondendo algo.”

“Talvez eu tenha um motivo.” Ela respondeu e Emma a encarou por alguns instantes, dando um passo para trás e permitindo a passagem.

Rapunzel caminhou por entre nós duas, parando assim que Emma a chamou pelo nome.

“Eu só quero que você saiba que eu sou verdadeiramente grata por você ter ensinado aquilo a Amy.” Emma disse e Rapunzel pareceu confusa. “Sobre sentir sem tocar.” Emma concluiu e Rapunzel sorriu.

“Não foi nada.” Ela respondeu, despedindo-se em seguida.

Ela saiu pela porta e minutos depois o seu carro foi ouvido. Emma se virou para mim e eu procurei entender o que se passava em seus pensamentos.

“Acha que devemos nos preocupar com ela?” Eu perguntei e Emma balançou a cabeça.

“Ela está mentindo sobre o que sente sobre você.” Emma respondeu. “Mas aparentemente ela sabe onde é o lugar dela.” Ela continuou e caminhou novamente em direção ao jardim.

“Você sabe que eu só tenho espaço para você em minha vida, não é mesmo?” Eu perguntei, caminhando ao seu lado.

“Sei sim. Você deixou isso bem claro na noite passada.” Emma respondeu, em um sussurro, pois havíamos chegado ao jardim e nossos filhos nos esperavam para o café da manhã.

“Eu tenho hora para estar na escola!” Henry disse, assim que nos sentamos

“Desculpa, Henry. Bem, mas estamos aqui agora, não é mesmo?” Eu perguntei, Amy olhou para mim e depois para sua mãe.

“Mas demoraram muuuuuuuuuuuito!” Amy disse, em um tom impaciente, seus braços cruzados em sinal de irritação.

“Mas agora que estamos aqui não iremos para nenhum outro lugar, meu amor.” Emma disse e Amy sorriu para ela.

“Você gostou das fotos que a gente separou?” Ela perguntou, enquanto Henry a ajudava a passar geleia em suas torradas.

“Eu amei, meu amor. Você sempre foi a menina mais linda dessa cidade.” Emma respondeu. “E eu vou ficar com essas fotos para mim.” Emma continuou e mostrou a ela as fotos que havia guardado no bolso de sua jaqueta.

“Rapunzel disse que era uma contagem agressiva.” Amy disse, colocando um pedaço enorme de torrada em sua boca e fazendo todos rirem com a sua observação.

“Regressiva, Amy.” Henry a corrigiu, deixando-a bem irritada.

“Você entendeu!” Ela disse, comendo suas torradas.

O resto da manhã seguiu bem. Henry foi para escola e passamos o resto do dia com Amy. O fato de Emma ter que manter distância, não a impediu de participar de nada. Amy fazia questão que ela participasse de tudo e em nenhum momento Emma sentiu dor ou cansaço.

Parecia que era natural para ela estar ali. Parecia que ela nunca tinha saído de casa. Era como se esses cinco anos de distância jamais tivessem existido. Emma fez o almoço e ficou nas nuvens quando Amy passou o resto da refeição dizendo que a comida dela era muito melhor do que a minha.

“Ótimo, agora em diante você que será a chef da casa.” Eu disse para Emma, que me puxou para um beijo e riu da minha cara.

“Ah, qual é, Regina. É macarrão com queijo. Não tinha como eu errar.” Ela respondeu, beijando-me novamente, enquanto olhava para Amy comendo seu macarrão e se sujando completamente.

A tarde se seguiu com filmes e desenhos. O dia só acabou depois que um banho quente, algumas histórias e um leite quente com biscoitos foram capazes de convencer Amy a ir para a cama. Emma leu a quinta história para ela, mas a menina simplesmente não entregou os pontos.

“Uma hora você terá que dormir.” Disse Emma, que estava sentada no chão há uma boa distância da cama da menina.

Eu me encontrava sentada na cama junto com Amy, olhando para minha menina que não tirava os olhos da mãe.

“Eu sei disso.” Amy respondeu em um bocejo, deixando claro que estava lutando contra o sono.

Emma fechou o livro que estava segurando e olhou para Amy por alguns instantes.

“Amy, responde uma coisa para mim.” Emma começou a dizer e Amy assentiu. “Rapunzel não é quem ela diz ser, não é mesmo?” Emma perguntou e Amy fingiu um bocejo e voltou a se deitar na cama.

“Eu tô com muito sono agora, mãezinha.” Amy disse, eu olhei para Emma, que parecia se divertir com a cena.

“Sabe, é feio mentir. Principalmente para a suas mamães.” Emma disse e Amy levou suas mãozinhas aos olhos e ficou assim por alguns instantes.

“Eu prometo não dizer nada.” Emma continuou, mas Amy não reagiu. “Prometo que não vou impedir que ela te veja ou que frequente essa casa, mas acontece que eu realmente preciso saber quem ela é.” Emma concluiu.

Amy tirou a mão do rosto e sentou-se em sua cama. Ela olhou para Emma e depois para mim, seu olhar era carregado de culpa e vergonha.

“Eu sei que é feio mentir.” Ela disse, seu tom de voz era triste, mas não era arrependido.

Não era como se ela se orgulhasse por esconder seja lá o que fosse, mas era como se esconder esse segredo fosse algo que ela não se importava em fazer.

“E porque mentiu?” Eu perguntei e ela olhou para mim, baixando o olhar em seguida.

“Sabia que existem vários universos dentro do nosso universo?” Amy perguntou, ignorando o que eu tinha acabado de perguntar.

“Ela te disse isso?” Emma perguntou e Amy assentiu.

Ela tinha um sorriso no rosto e parecia se divertir com essa ideia dos universos.

“Cada um é diferente do outro. São incríveis.” Ela continuou. “Isso ela não me contou. Eu vi.” Emma olhou para mim, um pouco espantada. “Ela veio de um desses universos.” Amy continuou e nesse momento Emma já estava bem incomodada com o assunto. “Ela me levou lá e ele é incrível.”

Amy olhou para mim, com um sorriso enorme no rosto, como se apenas a memória dessa visita fosse o suficiente para trazer esse universo de volta a realidade.

“Por que ela te levou lá?” Emma perguntou.

“Ela queria me mostrar uma coisa, mas acho que não funcionou. Ela ficou frustrada quando eu não consegui fazer o que ela pediu.” Amy respondeu, dando de ombros.

“Você conheceu alguém lá?” Eu perguntei e Amy balançou a cabeça.

“Ela não é Rapunzel, não é mesmo?” Emma insistiu e Amy pareceu confusa com a pergunta e apenas deu de ombros.

“Mamãe, ela veio de outro mundo, só para se encaixar no nosso. Não porque o dela não tinha espaço, mas sim porque o nosso precisava de uma guia.” Amy disse e olhou para mim, por alguns segundos.

“É isso que ela faz no mundo dela?” Eu perguntei e Amy assentiu.

“Às vezes ela se perde também!” Amy respondeu, rindo, me fazendo rir também, mesmo sem entender o que ela quis dizer. “Eu realmente estou com sono agora.”

Eu lhe dei um beijo na testa, lhe desejei boa noite e disse que a amava. Emma se despediu também e nós saímos juntas do quarto. Emma estava pensativa e assim que nos sentamos em nossa cama, ela olhou para mim e enfim disse o que se passava em sua mente.

“Uma guia?” Emma perguntou, olhando para mim.

“No que está pensando?” Eu perguntei.

“Eu não sei, Regina. Quer dizer, saber que ela é de outro universo e que já levou Amy para lá muda tudo. Eu não confio Amy com ela de forma alguma. Você precisa falar com ela.” Emma respondeu, preocupada.

Eu peguei suas mãos e as beijei inúmeras vezes, aproximando-me dela e lhe dando um beijo nos lábios.

“Amy está bem e eu sei que ela jamais faria mal a nossa filha, ok?”

Eu tentei acalmá-la, ela sorriu para mim, levantando-se e indo em direção ao banheiro. Eu escutei o barulho da água e me afundei em meus pensamentos, que basicamente se resumiam a Rapunzel.

Era impossível parar de pensar no que Amy havia dito, mas quanto mais eu tentava me preocupar, menos eu conseguia. Era como se não houvesse espaço para preocupação dentro de mim. Era como se dentro de mim eu soubesse que Rapunzel representava qualquer coisa, menos perigo.

Talvez meu sexto sentido estivesse certo. Talvez de fato eu estivesse certa em não me preocupar sobre Rapunzel, mas não era mais isso que me assombrava e sim o que Amy havia dito antes.

Uma guia.

Minha guia, talvez?

Eu não sabia, mas talvez de fato ela tenha me guiado até aqui. Quer dizer, ela apareceu em um dia qualquer e desde então toda a minha vida mudou. Se não fosse por ela, eu jamais teria assumido tudo o que eu guardava dentro de mim em relação a Emma. Então ela volta, anos depois, da forma mais aleatória possível.

Eu comecei a me questionar se havia sido o acaso que havia colocado essa garota em minha vida. Nada mais parecia aleatório, tudo parecia ter sido escrito e predestinado a acontecer. Para aonde ela me guiaria em seguida?

“É sério que você não vem?” Era Emma, encostada à porta do banheiro, chamando minha atenção. Ela estava completamente molhada, envolvida apenas em uma toalha. “Eu vou ter que fazer um convite mais explícito?” Continuou e dessa vez deixou a toalha cair no chão, revelando seu corpo completamente nu.

Ela não precisava dizer mais nada, mas ainda assim ela me chamou com o dedo. Eu vi meu corpo andando em automático de encontro ao dela.