Amy

31 Afterlife – Parte IV


Notas iniciais
Eu vou nem pedir desculpas pela demora, mas não desisti e vou terminar sim esse arco. Obrigada pela paciencia. Dedico esse capitulo a Lovely Lady que deixou uma recomendação a "Amy". Boa leitura

Capítulo 31 – Afterlife – Parte IV

Por um segundo, eu senti como se eu estivesse fora de mim. Um segundo grande o bastante para fazer com que eu reavaliasse todos os meus futuros planos. Diante dos meus olhos a cortina transparente que me separava de Storybrooke oscilava, calma e lentamente quase imperceptível. Não era só da cidade que a cortina me separava, mas também de Amy.

Eu me virei para Emma, que também parecia estar bem longe, ela respondeu ao olhar e abriu a boca para dizer algo, mas eu deixei suas palavras no ar. Cruzei novamente os limites da cidade, parando diante de Amy, que sorriu ao me ver de volta. Ajoelhei diante da minha pequena que me fitava de forma curiosa e pedi que ela tentasse mais uma vez.

Ela hesitou por um momento, se virou para Emma, agora também ajoelhada diante de nossa filha, como se esperasse por alguma ajuda. Ou talvez ela só estivesse tentando me convencer de algo que ela já havia entendido muito bem: o mundo lá fora não lhe pertencia.

“Está tudo bem, meu amor.” Disse Emma, tocando gentilmente em sua mão.

Amy olhou para mim, seus olhos me passando uma calma que era completamente oposto aos meus sentimentos.

“Eu sei.” Respondeu Amy, sorrindo para mim e estendendo sua mão para a fronteira, tocando gentilmente na cortina de proteção e confirmando, mais uma vez, que era impossível sua travessia.Amy olhou para sua mão, assim que a barreira a impediu de atravessar e antes que ela pudesse me dizer o que estava passando em sua mente, eu a puxei para mim, abraçando-a o mais forte que pude.

“Desculpa, mamãe.” Disse e eu me levantei com ela em meus braços, seu rosto afundando em meu pescoço.

“Está tudo bem, querida.” Eu disse, olhando para Emma, para que ela entendesse que minhas palavras não eram apenas para Amy.

Emma me forçou um sorriso, se aproximou de nós duas e se juntou ao abraço. Naquele momento, com as duas ao meu lado, de fato tudo parecia estar bem. Nos dias que se seguiram, o problema “Amy não pode atravessar a fronteira” pareceu ser o maior tabu do último século.

Eu sequer sabia como levantar a conversa para Emma e raramente estávamos sozinhas. E, quando estávamos, o ultimo assunto que tratávamos era esse. Emma havia deixado bem explicito que não havia o que discutir ou o que resolver. Para ela era bem obvio que Amy não podia atravessar a fronteira e ponto final. Contudo, eu simplesmente não aceitava e não conseguia deixar para lá.

Eu queria desesperadamente resolver isso, pois eu não conseguia criar um cenário em minha mente de um mundo do qual Amy não pertencesse. Certa noite, durante um jantar, do qual eu não consegui comer, pois não conseguia parar de pensar nas minhas preocupações, Emma me chamou atenção.

“Você não anda comendo direito nos últimos dias.” Emma disse, baixinho para que Amy não a ouvisse, mas não foi baixo o bastante.

“E também anda fazendo muito isso com a testa.” Disse Amy, tocando no ponto entre as sobrancelhas.

“Amy tem razão.” Continuou Emma, rindo. “Você anda franzindo muito o cenho.”

Eu imediatamente levei a mão a testa, percebendo que eu não estava sendo tão discreta em esconder minhas preocupações, pois ali estavam elas, todas em meu rosto.

“Desculpa.” Respondi, forçando-me a comer um pouco da janta. “Eu vou tentar relaxar mais, mas eu ando sim um pouco preocupada.”

“Não tem problema, mamãe.” Respondeu Amy. “Você pode ficar preocupada, as vezes. Não é, mãezinha?” Continuou e olhou para sua mãe que sorria para mim, buscando minha mão sobre a mesa.

“É, você pode sim se preocupar.” Disse Emma. “Mas acho que se tem algo que aprendemos com os anos é que nós sempre resolvemos todos nossos problemas.” Continuou. “Juntas, mesmo os mais impossíveis.” Completou, olhando para Amy que agora sorria para mim.

Todas minhas preocupações desapareceram com aquele sorriso, senti um pouco mais leve e até a comida de Emma pareceu descer depois disso.

“Vamos lá, Amy.” A voz de Henry cortou o silencio que havia surgindo na sala de jantar.

Ele havia passado o dia fora, como de costume, e agora estava parado ao batente da porta, segurando uma pilha de caixas vazias nas mãos.

“Eu estou terminando.” Respondeu Amy, enfiando o resto da comida na boca e pulando da cadeira.

“O que vocês dois estão aprontando?” Perguntou Emma, enquanto ouvíamos os passos de Amy correndo apressada pelas escadas.

“Eu prometi a Amy que ela poderia ficar com todos os meus quadrinhos quando eu fosse para a faculdade. Eu tenho alguns quadrinhos no porão. Amy e eu vamos separar alguns.”

“Eu pensei que vocês já haviam feito isso.” Eu disse, lembrando do dia em que Amy havia me dito como havia achado a maçaneta.

“Não.” Respondeu Henry. “Eu apenas comentei com ela a respeito, mas ainda não havia tido tempo para ir com ela até o sótão. Bem, é melhor eu ir logo.” Completou, saindo da sala de jantar.

Eu olhei para Emma, que agora levantava e começava a tirar a louça da mesa. Ela não chegou a olhar para mim ou teria visto mais um cenho franzido. Então, eu decidi logo ignorar a atual preocupação. Ainda assim, lá estava eles, os pensamentos me seguindo na manhã seguinte, enquanto Emma dirigia o carro com Amy no banco de trás, falando por nós três sobre o dia que teria na escola de Blue. Por outro lado, eu apenas pensava no fato de que Amy havia mentido sobre como conseguiu aquela maçaneta. Eu não sabia o porquê isso me incomodava tanto a ponto de eu sentir meu estomago pegar fogo. Ainda assim, eu me forcei para agir como se estivesse tudo bem comigo.

“Vamos lá, Amy.” Disse Emma abrindo a porta do carro, enquanto Amy tentava sozinha, mas em vão, tirar o cinto de sua cadeirinha.

“Deixa que eu te ajudo.” Eu disse, me inclinando no banco de trás e a soltando.

Assim que ela ficou livre, me beijou no rosto e sorriu. Eu me perguntei então como era possível essa criança mentir para mim. E se de fato ela mentiu, por que ela faria isso?

“Tenha um ótimo dia, meu anjo.” Eu disse.

“Você também, mamãe.” Ela respondeu, saltando do carro e seguindo com Emma até o casarão.

Eu permaneci no carro, sentindo minhas preocupações me consumindo por dentro. Se eu pensasse mais a respeito, provavelmente eu vomitaria ali mesmo no carro. Decidi sair do veículo por alguns minutos, antes que Emma voltasse. Andei pelo caminho de terra batida, fechando meus olhos por alguns instantes e tentando respirar fundo para apagar minhas preocupações. Então, um som vindo da floresta chamou minha atenção. Sem hesitar, eu segui o som que me levou a entrar na densa floresta.

Eu não cheguei a dar mais que alguns passos, senti então um medo e uma angustia percorrendo todo meu corpo. Eu estava sozinha, não ouvia mais o som que havia me atraído até ali, apenas o silencio daquela manhã que não me acalmava. Eu não conseguia dizer o que havia naquela floresta, mas não era algo bom e muito menos desse mundo. Era o tipo de energia forte o bastante para me paralisar a ponto de todo o meu corpo se arrepiar com algo que eu não podia ver, mas que estava bem ali ao meu redor.

“Regina?” A voz de Emma surgia ao longe, enquanto meu corpo parecia que estava prestes a ser consumido por essa energia.

Eu não consegui responder ao seu chamado e tentei em vão controlar o meu corpo e lutar contra essa energia. Lutei em vão e só tive tempo de usar minhas mãos para me proteger, enquanto meu corpo caia no chão...

Emma disse que eu apaguei por apenas alguns poucos minutos, mas ao voltar parecia que eu tinha ido para tão longe ao ponto de o meu corpo não parecer mais me pertencer. Eu estava deitada em um sofá do casarão de Blue, com inúmeras fadas ao meu redor, me oferecendo ervas para cheirar ou líquidos para beber. Eu rejeitei tudo e me sentei, sentindo uma leve tontura e um gosto horrível na boca. Olhei para Emma que estava mais branca do que de costume e direcionei minha visão para janela de vidro, olhando para além do que era possível ver. Senti novamente meu corpo tremer, pois o que quer que houvesse naquela floresta, ainda estava ali e parecia conseguir me atingir, mesmo distante.

“Eu quero ir para casa.” Eu disse a Emma que assentiu e me ajudou a levantar e me levar até o nosso carro.

Eu tentei não olhar para a floresta, mas a floresta não pareceu evitar olhar para mim. Nos dias que se seguiram, eu ainda estava seguindo meu plano de evitar minhas preocupações, mas elas só aumentaram. Além do mais, não tinha como fugir, pois, apenas o fato de olhar para Amy trazia todos os medos de volta. Eu não queria que ela voltasse para a escola de Blue, mas eu fui a única a pensar dessa forma, pois Amy adorava o lugar e apenas a menção de a tirarmos da lá foi suficiente para a menina ter uma crise de choro. Então, eu acabei perdendo na decisão.

“Eu só acho que meus instintos não estão errados.” Eu disse a Emma.

Estávamos nos duas na delegacia, eu sentada em seu colo, enquanto ela massageava minhas costas e eu visitava aleatoriamente sites sobre vestidos de casamento.

“Não quer saber o que eu acho?” Perguntou Emma, fazendo-me virar para ela e receber um beijo, me fazendo sorrir.

“Eu sei o que você acha.” Eu respondi. “Você já disse milhões de vezes.”

“E você pareceu ignorar milhões de vezes.” Ela disse. “Regina, você está sobrecarregada com todos esses pensamentos que você não consegue deixar para lá.”

“Como eu posso fazer isso, Emma?” Perguntei. “Você percebe que todos nossos planos que dizem respeito ao mundo lá fora terão que ser deixados de lado?”

“Por quê?” Perguntou Emma, eu olhei sem saber como responder a pergunta, pois a resposta parecia ser muito óbvia. “Regina, eu também gostaria de sair com Amy de Storybrooke e visitar os inúmeros países que existem. Eu também quero que ela descubra novas culturas, lugares e tenha inúmeras experiências lá fora. Mas, Regina, isso é o que eu quero. Eu não sei o que ela quer e estou criando um cenário que talvez nem seja o futuro que ela vai escolher. Você entende, Regina? Você está sofrendo antecipadamente pelos sonhos dela, que você nem sabe se são os mesmos que os seus.” Ela tocou em meu rosto, descendo até meu queixo e se inclinando para um beijo.

“Eu acho que você está certa.” Eu respondi, passando minhas mãos pelo seu pescoço. “Você definitivamente está certa.” Continuei, ela deu uma risada, permitindo que eu me enrolasse em seu corpo.

“Não sei o que eu faria sem você.”

“Sem mim por perto você definitivamente ainda estaria jogada no chão daquela floresta.” Respondeu, ainda rindo.

“Não tem graça, Emma.” Eu respondi. “Existe alguma coisa naquela floresta.”

“Regina.” Emma disse, em um tom de voz que ela havia usado comigo a semana inteira. “Sabe por que você desmaiou naquele dia? Porque você está ignorando todos os problemas e deixando eles te consumir. Você não está comendo direito, nossos dias com Amy são exaustivos porque ela exige muito de nós duas e você sequer descansa direito. Você precisa se acalmar, voltar a si e então vai perceber que tudo não passou de uma exaustão física.”

“Você acha mesmo?” Perguntei e Emma assentiu, me beijando outra vez.

Isso foi o bastante para me acalmar o resto da tarde e então tomar coragem para voltar a escola de Blue, sozinha. Emma hesitou um pouco antes de concordar, mas no final das contas ela me deixou ir. Eu passei o caminho inteiro tentando me convencer de que realmente não havia nada naquela floresta. Contudo, quanto mais eu me aproximava, mais as lembranças daquele dia pareciam me assombrar.

Estacionei o carro, desci e me dirigi a duas fadas que estavam ajoelhadas cuidando do jardim de entrada. Elas me disseram que as crianças estavam em uma aula de campo, no segundo jardim que havia. Disseram-me como chegar até lá, para isso eu teria que cruzar a floresta e seguir por um caminho. Eu cogitei esperar que as crianças voltassem, mas uma parte de mim queria que Emma estivesse certa. Desse modo, eu juntei toda minha coragem, expulsei meus medos e segui as instruções das fadas e adentrei a floresta.

Cada passo por entre as arvores, sem jamais sair da trilha, me dava a sensação de que eu estava sendo vigiada, mas eu me forcei a parar essa sensação. Então, em determinada parte, algo me fez parar. Naquele momento parecia uma decisão própria, como se de fato eu quisesse estar onde estava, mas no momento seguinte, não parecia mais decisão de meu corpo. Eu olhei ao redor, para o alto das árvores que eram tão altas que pareciam impedir a luz do sol de chegar até mim. Dessa forma, tudo ao meu redor parecia escuro e denso. Eu me senti sozinha e assustada e não consegui afastar esse sentimento.

Eu precisava sair dali imediatamente, me virei para ir embora e então, parada diante de uma das arvores, havia uma garotinha, de costas para mim. O impacto dessa visão me desconcertou por alguns segundos. Eu me vi hipnotizada pela garota e eu sequer podia ver seu rosto. A arvore diante dela, um alto e grosso carvalho tinha uma fita verde amarrada ao seu tronco.

A garota, que usava um vestido branco, tinha uma de suas mãos na arvore, seus pés estavam sujos e descalços. Eu dei apenas um passo em direção a menina e então tudo veio à tona. Tudo ao meu redor era uma energia pesada. Uma sensação gélida e sombria percorreu meu corpo. Minha boca secou, como se eu estivesse parada no frio gelado de algum inverno esquecido.

Então, como se um gatilho tivesse sido ativado, eu lembrei do meu antigo pesadelo e da garota na neve. Uma versão criança de mim mesma. Seria a mesma criança? Seria eu mesma parada diante de mim? Eu não tive a chance de fazer nada ou sequer de reagir. Minha presença ali parecia não ser vista ou era completamente ignorada pela menina. Eu tentei me mexer e reagir de alguma forma, mas o mesmo terror de dias atrás me consumiu novamente.

Senti meu corpo caindo, minha visão ficando nebulosa, mas ainda conseguia ver a garota que agora estava virada em minha direção. Eu não podia ver seu rosto, pois tudo era uma neblina em meus olhos. Um zumbido longe e distante era ouvido. Eu sabia que eu apagaria a qualquer momento, tentei me focar na criança, agora ajoelhada diante de mim. Sua mão indo até minha testa, minha voz não obedecendo ao meu comando de gritar. Senti os dedos da criança me tocando e aos poucos levando toda a força que ainda havia em mim...

Eu não acordei no casarão de Blue, como da última vez, mas sim na minha própria cama, cercada por Emma e Amy e de nosso médico particular. Meus sentidos demoraram alguns segundos para sincronizar uns com os outros. Minha cabeça latejava, minha boca seca carregava um gosto forte de sangue e meus movimentos não acompanhavam meus desejos.

Tentei me levantar, levei minha mão a testa, mas o esforço foi em vão, então tentei focar minha visão em Emma e Amy. Eu sabia que elas estavam falando comigo, conseguia distinguir seus lábios se movendo, o som distante de suas vozes se misturando ao zumbido de meus ouvidos. Tentei falar, mas o esforço fez com que eu apagasse novamente...

“Onde eu estou?” Eu perguntei, abrindo os olhos e me deparando com um teto branco que não pertencia ao meu quarto.

“Está tudo bem, Regina.” Emma respondeu, levantando-se de uma poltrona ao meu lado e se aproximando de mim.

Eu olhei para ela, seu olhar preocupado dando lugar a um sorriso. Ela se inclinou aos meus lábios, beijando-me e fazendo eu perceber que eu já não sentia mais o gosto de sangue na boca e que todos os meus sentidos enfim estavam normais. Eu me sentia ótima, mas não fazia ideia de como havia parado no hospital.

“Quanto tempo eu apaguei?” Perguntei, enquanto Emma acariciava meus cabelos.

“Dois dias.”

“Dois dais?!” Eu perguntei, elevando a voz mais do que pensei ser capaz. “Como assim? O que há de errado comigo?”

“Eu não sei.” Respondeu Emma, ainda em um tom preocupado. “Mas não há nada de errado com você.” Continuou. “Não fisicamente, pelo menos. Todos os seus exames não mostraram nada, mas algo aconteceu com você naquela floresta, Regina. E...”

“E?” Eu perguntei, sentando-me na cama do hospital e sentindo-me de fato ótima, como se nada tivesse acontecido comigo.

Olhei para o quarto, para as maquinas de monitoramento, para os fios e canos que entravam em meu braço e se conectavam ao meu corpo. Então, voltei minha atenção a Emma e esperei que ela continuasse a falar.

“Uma das fadas te encontrou desacordada e você não respondeu a nenhuma tentativa de ser trazida de volta. Nenhuma das fadas souberam explicar o que de fato aconteceu com você. Você não se lembra?”

Enquanto ela falava, eu revirava minhas memorias daquele dia, que para minha mente não pareciam ter acontecido há tanto tempo assim.

“É importante que você se lembre, Regina. Porque o que quer que tenha acontecido com você naquela floresta levou sua magia embora.”

“Minha magia?” Eu perguntei, elevando minhas mãos a altura dos meus olhos e olhando bem para elas.

Eu não sentia um vestígio de magia sequer. Eu olhei para Emma, esperando uma explicação, mas eu não recebi uma, pois no instante seguinte o médico entrou e nossa conversa seguinte se resumiu ao resultado da série de exames que eu havia feito. Não havia nada de errado comigo e eu receberia alta no dia seguinte. Eu estava louca para matar a saudade dos meus filhos e pedi para voltar logo para casa. Ele acabou cedendo e me deu alta naquele mesmo dia, mas recomendou que eu não fizesse nenhum esforço nos próximos dias.

Então, nos dias que se seguiram, tudo o que eu fiz foi ficar em casa, na minha cama, sendo mimada pela minha mulher e meus filhos. Amy decidiu que não iria para a escola e ficaria comigo por alguns dias. Eu fiquei muito aliviada com essa decisão, pois não conseguia sequer pensar em Amy chegando perto daquela floresta. Emma havia me certificado que as fadas haviam feito uma busca por cada centímetro daquele lugar e não haviam encontrado sinal de nenhuma magia. Ainda assim, nenhuma delas sabiam responder o que havia acontecido comigo e do porquê minha magia havia indo embora.

Nos dias depois desse, todas as minhas antigas preocupações pareceram perder o sentido, agora que eu precisava aprender a entrar em uma rotina sem magia alguma. Não era tão difícil, mas no fundo, eu sentia uma sensação de vazio. Amy me ajudava a esquecer ou a preencher o vazio e minhas tardes com ela eram o suficiente.

“Harry disse que...” Começou Amy a dizer, estávamos nós duas na Granny’s, esperando por Emma. “Se tomarmos sorvete rápido demais, congela nosso cérebro todo!” Continuou e deu uma colherada em seu sorvete, lentamente, me fazendo sorrir.

“Henry está certo.” Eu respondi, rindo e ajudando-a com o sorvete.

“Será se eu congelar meu cérebro, eu ganho super poderes?”

“Eu acho que você anda lendo muito quadrinhos ultimamente. E, além do mais, você já tem super poderes, não é mesmo? Você é minha Supergirl.” Eu disse e ela sorriu, quase corando para mim.

“Mamãe?” Ela começou a dizer, encostando-se ao banco e olhando fixamente para mim. Seu olhar era sério, ela já não prestava mais atenção no sorvete a sua frente.

“Qual é o problema, meu anjo?”

“Aquele dia...” Ela voltou a falar. “Na floresta... Eu sei que você não quer falar sobre o que aconteceu, mas eu quero.”

“Tudo bem, Amy. Podemos falar sobre isso. O que você quer dizer?”

“É que quando eu te vi lá deitada no chão... Eu pensei que...” Seu tom de voz começou a mudar. “Eu pensei que você nunca mais iria acordar. Eu pensei que eu nunca mais iria te abraçar e eu senti medo. Ninguém me disse o que havia acontecido com você enquanto você estava no hospital. E se você não voltasse? Mamãe e vovó diziam que você estava ficando melhor e que iria voltar, mas eu senti tanto sua falta, mamãe.” Ela disse e eu imediatamente me levantei para me sentar ao seu lado, a abracei apertado e me senti culpada por tudo o que ela havia sentido.

“Eu sinto muito, meu anjo.” Eu disse, segurando seu rosto com as mãos e beijando sua testa. “Mamãe está bem agora e eu não vou a lugar algum.”

“Promete?” Ela pediu, olhando bem para mim.

“Prometo.” Eu respondi, mas ao dizer isso, um medo voltou ao meu corpo, porque até então eu não havia tido tempo para pensar nas consequências do que significava não ter mais magia em mim. Eu ainda tinha minha imortalidade? Ou isso significava que provavelmente eu estava com meus dias contados?

“Mamãe, Henry disse que você não contou a ninguém sobre o que aconteceu na floresta.”

“É, eu não contei.” Respondi.

“E se você contasse para mim?” Ela perguntou, sorrindo. “Eu posso te contar um segredo também.”

Eu encarei aqueles pequenos olhos azuis e pensei qual era o segredo que eles guardavam.

“Tudo bem.” Eu respondi. “Eu posso te contar o que aconteceu.” Continuei e então lhe contei sobre a criança na floresta e sobre o que eu senti. Ela me encarou por alguns segundos e então começou a falar.

“A arvore.” Ela disse. “Você disse que havia uma fita amarrada. Sabe o que isso significa?” Perguntou, eu neguei com a cabeça. “Significa que a arvore está morrendo.”

“Como você sabe disso?”

“Blue nos contou.” Respondeu Amy. “Algumas arvores da floresta estão morrendo. As fadas amarraram essas fitas para identificar. Todas as arvores que tem fitas vão ser cortadas, para que não aconteça nenhum acidente.”

“Entendo.”

“Mamãe?” Continuou, ela parecia surpresa com algo. “E se a garotinha que você viu for um espirito?”

“Um espirito?”

“Sim.” Disse, empolgada com a sua hipótese. “Talvez um espirito da floresta ou da própria arvore. Existem espíritos na floresta, Blue nos contou. Talvez ela esteja com raiva porque as arvores estão sendo cortadas, por isso ela te machucou. Ela só está com raiva. Precisamos contar para as fadas!”

“Amy, talvez você esteja certa.” Eu disse. “Ou talvez você esteja lendo demais.” Continuei e ela revirou os olhos, impaciente com a minha descrença.

“Agora é a minha vez de contar um segredo.” Ela disse, sussurrando em minha direção.

“Então... qual é o seu segredo, Amy?”

Ela me olhou por alguns segundos e depois olhou para as pessoas ao redor, parecia bem incomodada com todas aquelas pessoas ali.

“Eu menti para você, mamãe.” Ela enfim disse, sua bochecha ficando vermelha. “Eu não encontrei aquela maçaneta no sótão.”

“Não? Onde você a encontrou?” Perguntei, contendo minha voz.

“Em um sonho.” Ela respondeu.

“Em um sonho?” Perguntei de volta. “Como?” E ela de ombros com a minha pergunta.

“Eu não sei como isso aconteceu.” Ela respondeu, enfim. “Mas eu sonhei que eu estava com Henry no sótão, procurando os quadrinhos e então eu encontrava a maçaneta. Só que quando eu acordei, eu estava com a mesma maçaneta do sonho, na minha mão.”

Eu não sabia o que isso significava ou até mesmo se eu realmente queria saber. Encarei seus olhos e digeri o significado dessa revelação, não tive a oportunidade de lhe fazer mais perguntas, pois Emma havia chegado e sentado ao nosso lado.

“Como minhas meninas passaram a tarde?” Emma perguntou, sentando-se ao meu lado e me beijando.

“Nós ficamos bem.” Respondi, enquanto Amy se jogava nos braços da mãe.

Eu resolvi não contar para Emma sobre o que Amy havia me contado e seguimos aquela tarde com nossos segredos ainda a serem totalmente descobertos. Jantamos e falamos sobre o nosso dia, tudo parecia normal, sem nada a ser dito. Quando a noite caiu e a hora de dormir chegou, nós duas levamos Amy até seu quarto. Emma leu um livro para nossa pequena, que lutava contra o sono e eu observei as duas, até que Amy finalmente cedeu, fechando seus olhos e se entregando ao sono. Emma se levantou devagar, ajeitando nossa filha na cama e lhe dando um beijo na testa. Caminhou em minha direção e me tirou dali.

Eu a segui em silencio e acompanhei Emma até o corredor, ela fechou a porta atrás de si e me encarou. Nós duas estávamos exaustas, mas eu conhecia bem aquele olhar. Aproximei-me, quebrando a distância que havia entre nós duas, toquei em seu rosto e em resposta ao toque ela fechou os olhos, ouvi sua respiração aumentar e meu corpo tremer com a visão de Emma se entregando a mim.

“Nós não podemos fazer isso aqui no corredor.” Disse Emma, assim que eu a beijei no canto da boca.

“Estamos a alguns metros do nosso quarto.” Eu respondi, em seu ouvido, beijando em seguida seu pescoço e ouvindo um gemido baixo em resposta. “Mais chegaríamos muito mais rápido, se você usasse um pouco de magia.” Ela sorriu com a minha sugestão e com um movimento de seus dedos nos levou até nossa cama.

Eu estava bem em cima de Emma, nossos corpos colados um ao outro, minhas mãos me dando apoio no colchão. Eu olhei bem para seus olhos verdes e para seus lábios que sorriam para mim. Senti vontade de dizer o quanto eu a amava e o quanto eu estava sentindo falta de nós duas, mas eu podia sentir em seus olhos o quanto minhas palavras seriam redundantes.

Beijei novamente seus lábios, senti sua língua invadir minha boca e seus dedos pressionando minha nuca, puxando meus cabelos de uma forma nada gentil, mas conseguindo exatamente o que ela pretendia que era me deixar completamente excitada ansiando por mais. Deitei-me ao seu lado, beijando-a e desci minha mão livre até sua calça jeans, meus dedos encontrando certa dificuldade com a abertura da calça, algo que Emma resolveu sem muita demora. Deslizei meus dedos por cima de sua calcinha, Emma reagiu ao meu toque, contorcendo-se na cama enquanto eu a massageava. Provoquei Emma até sentir que ela estava pronta, então deslizei meus dedos por dentro do tecido, sentindo o quão molhada ela estava.

“Vamos lá, Regina. Para de brincar comigo.” Ela disse, sua voz era uma mistura de prazer e ansiedade, mas eu ainda não estava pronta para parar com o “joguinho”.

“Não se preocupe, Emma. Temos a noite toda.” Eu disse, beijando sua boca e descendo pelo seu pescoço até chegar a seus seios.

Nós de fato tivemos a noite inteira para nós duas. Já era quase manhã quando enfim nós pegamos no sono. O corpo de Emma completamente molhado da ducha que havíamos tomado juntas estava sobre mim quando eu acordei. Ainda era muito cedo, o Sol havia acabado de levantar, mas por algum motivo eu estava completamente acordada. Olhei para Emma ao meu lado, ainda adormecida e beijei seu rosto. Levantei-me, procurando por um conjunto de roupas.

Assim que eu me arrumei, sai do quarto e estava prestes a descer até a cozinha quando um barulho no quarto de Amy chamou minha atenção. Direcionei-me até ele, tentei abrir a porta, mas uma voz me fez parar. Uma voz do outro lado da porta, a voz de Sininho e isso me fez hesitar e ao invés de entrar no quarto, eu me aproximei da porta para ouvir o que ela falava.

“Eu não queria ter que insistir, Amy.” Disse a voz da fada. “Mas isso é muito importante.”

“Não pode me dizer o por quê?” Perguntou Amy.

“Ainda não.” Respondeu ela, seu tom de voz preocupado. “Mas você precisa aprender a usar a maçaneta. É muito importante.”

“Talvez eu ainda vá aprender.”

“Talvez.” Respondeu a fada e houve um silencio. “De qualquer forma, eu vou voltar todos os dias essa mesma hora e vou te ajudar, até você conseguir.” Continuou. “Mas, Amy, você precisa tentar sempre que possível. Não conte nada a suas mães. Pelo menos não agora.”

“Por que não?”

“Porque elas teriam medo e eu não posso explicar a elas a importância da maçaneta, mas não se preocupe, você vai conseguir. Você tem que conseguir, Amy.”

“Eu vou tentar.” Respondeu Amy, parecendo frustrada. “Você vai embora agora? Podemos tentar mais um pouco.”

“Não podemos, suas mães podem acordar a qualquer momento. Eu preciso ir. Lembre-se: esse é nosso segredo.”

“Tudo bem, Tinker.” Disse Amy. “Você não vai voltar para a floresta, vai?”

“Vou sim. É onde estou morando.”

“Talvez você pudesse morar aqui. Eu posso te emprestar a casinha da minha Barbie. Eu não brinco mais com ela.” A fada riu da sugestão de Amy. “É sério, eu não quero você morando lá. É muito perigoso.”

“Perigoso? Por que diz isso?”

“Mamãe viu um espirito da floresta. O espirito de uma criança da floresta. Ela estava com raiva porque as arvores serão cortadas. Então, ela arrancou a magia da minha mamãe.”

“Ela fez isso?” Perguntou a fada, seu tom de voz era incerto. “Como você sabe disso?”

“Minha mamãe me contou. Ela me contou tudo.”

“Tudo? Até como essa fada se parece?”

“Aham. E onde ela estava também. Próxima as arvores que estavam marcadas. Perto da uma arvore com uma fita verde. O que quer que aconteça, não vá até lá Tinker. Ela pode te machucar.”

“Eu prometo que não vou até lá. Você lembra como ela era? Sua mãe chegou a contar?”

“Não disse muito. Ela não viu o rosto dela, mas era pequena e tinha cabelos negros.”

“Eu preciso ir agora, Amy.”

“Promete que não vai até lá.”

“Eu sinto muito, Amy. Eu não posso prometer isso, mas eu posso prometer que tomarei cuidado. Isso é o bastante?”

“É sim.” Disse Amy. “Até depois, Tinker.”

“Até mais pequena.”

E no instante seguinte não houve nada além do silencio. Eu esperei alguns segundos, antes de enfim abrir a porta do quarto de minha filha e não encontrar nada, além de Amy deitada em sua cama, completamente adormecida. Olhei ao redor, não havia nada, nenhum sinal da fada. A janela se encontrava fechada, o quarto em silencio e eu me aproximei de Amy para me certificar que de fato ela estava dormindo e não fingindo. Toquei em seu rosto, ainda quente e vi sua respiração pesada.

Por um segundo, eu pensei ter imaginado tudo, mas ao mexer nos lençóis de sua cama, encontrei então a maçaneta. Olhei para o objeto negro e o peguei com as mãos, sentindo o peso e sua textura. Era impossível para mim sentir qualquer vestígio de magia e me odiei por isso. Eu precisava descobrir o que Amy e a fada estavam escondendo de mim, mas eu sabia que minha filha não contaria assim logo de cara.

Acordei Emma e lhe contei tudo o que havia ouvido. Ela parecia um pouco incrédula e eu me odiei por parecer tão louca e obcecada a respeito, mas depois de alguns minutos e depois de saber de toda a história do que aconteceu comigo na floresta, Emma enfim achou melhor que investigássemos. Sua ideia era ir sozinha até a floresta e procurar por Sininho, mas eu insisti em ir com ela.

Deixamos Amy na casa da avó e seguimos de carro até aos arredores do casarão de Blue, que era onde eu havia sido atacada. Eu não senti medo ou angustia ou nada que me assustasse enquanto dirigíamos até lá, mas Emma me perguntava se eu estava bem a cada minuto. Eu de fato estava, mas não sabia por quanto tempo. Ainda assim, meu estado físico e mental não eram prioridade. Nós precisávamos colocar a mão naquela fada e descobrir seus segredos.

“Eu chamei Ruby para nos ajudar.” Disse Emma, assim que estacionamos o carro e vimos o veículo de Ruby parado a alguns metros. “Não podemos fazer um feitiço de localização já que não temos nada da fada, mas Ruby pode fareja-la, se ela estiver por aqui.”

“Ela estará.” Eu disse.

Seguimos Ruby pela floresta, em silencio, eu olhava para o alto das arvores, fechadas demais e me senti encurralada. Eu estava odiando estar ali, mas quanto antes encontrássemos a fada, mais rápido poderíamos resolver isso. Ruby entrava cada vez mais na floresta, estávamos agora muito longe do casarão, mas em nenhum momento eu questionei a garota, ela parecia saber o que estava fazendo. Então, ela parou em um determinado ponto, estendeu sua mão para que nós parássemos e sentiu o cheiro no ar. Seu cenho se franziu e ela pareceu intrigada com algo.

“Qual é o problema?” Perguntou Emma, mas Ruby fez sinal para que ela se calasse.

“Existem um segunda pessoa.” Ela respondeu, num sussurro. “Estamos perto. Fiquem em silencio.”

Caminhamos mais alguns minutos e então nos vimos de volta a floresta próxima ao casarão de Blue. Eu estava frustrada a essa altura, parecia que a fada havia feito com que rodássemos em vão, mas, então, Ruby parou novamente, puxando nós duas para que nos escondêssemos atrás de um arbusto. Ela parecia assustada, não ousamos perguntar o motivo, apenas atendemos ao seu pedido de silencio.

“Há alguma coisa se aproximando. Eu não sei o que é, mas não é algo bom. Precisamos sair daqui agora. Quando eu contar até três, nós corremos, ok?” Perguntou a garota e nós duas assentimos, mas assim que ela levantou o primeiro dedo, fazendo a contagem, ouvimos a voz de Sininho.

“Eu sei que você está ai.” Disse a fada, nós três congelamos. Ruby encarou nós duas e então soubemos que o plano de fuga havia ido por agua abaixo.

“Posso aparatar nós três.” Disse Emma, sussurrando, mas eu segurei sua mão, impedindo-a assim que uma segunda voz se fez presente. Uma voz de criança.

“Eu pensei que jamais me encontraria.” Disse a criança e eu me ajeitei nos arbustos, para ver a cena.

Eu senti meu corpo reagindo a uma sensação gélida que começou a surgir no meu estomago e tomou todo meu corpo. Ruby insistiu que precisávamos ir embora, seu semblante era de pânico, resultado de algo que provavelmente seus instintos animalescos estavam sentindo. Eu, contudo, precisava ver e ouvir tudo o que estava se passando entre a fada e a menina.

“Eu não sabia que você estava em Storybrooke.” Disse a fada, seu tom de voz era de raiva. “Eu pensei que estávamos juntas nessa, mas aparentemente você tinha uma agenda solo para cumprir.”

“Ah, por favor, Tinker. Isso não é sobre você.” Respondeu a criança, sua voz era um contraste completo de seu rosto angelical. Era apenas uma menina, não muito mais alta que Amy, cabelos negros e grandes e um olhar distante.

“E sem sobre a gente, eu suponho.” Continuou a fada e seu tom de voz era de desapontamento.

“Nunca foi.” Respondeu a menina e a fada deu alguns passos a sua frente.

“Eu senti a sua falta e é bem difícil te ver nessa forma. Não pode voltar ao normal?”

No segundo seguinte a menina já não mais existia ali, mas sim uma mulher, talvez da mesma idade da fada. Eu não soube como reagir, virei-me para Emma que também estava vendo a cena e para Ruby, que ainda tinha o mesmo semblante assustado no rosto.

“Se importa se eu te abraçar?” Perguntou a fada.

“Sim, eu me importo. Não estou aqui por você, Tinker. Nossa história já acabou há muito tempo. Eu estou aqui para me certificar que você faça o que tem que ser feito.”

Eu vi a fada revirar o rosto de raiva, ela tinha as mãos na cintura, o rosto coberto de raiva e seu olhar mostrava alguém completamente machucada.

“Você não confia em mim.” Disse a fada.

“Não é isso.” Disse a mulher.

“É bem isso, Barbara. Ou eu devo voltar a te chamar de Fada Negra?” Perguntou a fada, irritada demais e prestes a quebrar em um choro.

“Chame-me do que achar melhor.” Respondeu Barbara. “Eu não me importo.”

“Você nunca se importa, não é mesmo? Você só faz o que tem que ser feito. Você só se importa com ela. É por isso que você está aqui, para se certificar que eu a ajude. Por isso você permitiu que Rumple me mantivesse em cativeiro, mesmo você sabendo que poderia invadir a mansão dele e me resgatar a qualquer momento, não é? Você precisava de mim aqui em Storybrooke para ajudar Amy. Sempre foi sobre Amy. Você nunca se importou com qualquer outra pessoa.”

“Você sabe que não é bem assim, Tinker.” Respondeu Barbara. “Eu me importo com você sim. Pelo menos, eu me importei no passado, mas agora eu preciso que você seja fiel a sua promessa e ajude-a. Ela não é capaz de fazer sozinha e vocês estão ficando sem tempo.”

“Eu vou cumprir minha promessa sim, mesmo sabendo que ela é a responsável por você e eu nunca termos uma chance.” Disse a fada. “Veja isso como minha forma de dizer que ainda te amo.”

“Eu ainda te amo também, Tinker.” Respondeu a mulher e a fada se aproximou dela, quebrando a distância, mas Barbara estendeu uma de suas mãos, impedindo que a fada se aproximasse mais. “Mas não dessa forma.” Continuou e a fada olhou para o chão, levando suas mãos aos olhos. “Você precisa ir embora e eu preciso me esconder. Não me procure mais, Tinker. Eu não faço mais parte da sua história.”

A fada a encarou, a tensão entre as duas era tão forte que parecia se materializar diante delas duas.

“Você sabe que se eu escolher não ajudar Amy, isso vai significar que você duas nunca vão se conhecer e consequentemente eu e você nunca vamos nos conhecer. Eu posso escolher fazer isso e impedir que meu coração se quebre.” Disse a fada. “Posso impedir que seu coração se quebre também.”

“Eu sei que você vai tomar a decisão certa, Tinker. Eu não vou te lembrar que você prometeu ser leal a minha causa. Eu só quero que você saiba que eu prefiro ter meu coração quebrado milhares de vezes a viver em um mundo onde Amy e eu não existimos. Eu sei que você não conhece esse tipo de amor, mas não tente destruir a vida dos outros só porque você não pode ter o que eles tem.”

A fada começou a chorar, ali mesmo, diante de Barbara, que não fez nada além apenas olhar. Eu senti pena da fada e não soube definir o que eu havia sentido a ouvir o que Barbara havia dito. Era uma história de algo estranho demais e novo demais. Eu me virei para encarar Emma e Ruby e quando me virei, a fada e a mulher haviam desaparecido.