Amy

28 Afterlife – Parte I


Notas iniciais
Olá, antes de qualquer coisa, eu gostaria de falar um pouco sobre ‘Amy’... Bem, quando eu a comecei eu realmente não sabia para qual caminho a história me levaria. No final das contas, ela acabou se escrevendo sozinha, tudo o que eu fiz foi digitá-la. Eu tenho um carinho enorme por essa fanfic, porque ela de certa forma me ajudou a encarar certas coisas que havia em mim e me ajudou a enfrentar inúmeros fatores externos que havia na minha vida. Vocês leitores foram incríveis também, aprendi com cada feedback que eu recebia. Sei que não é a história perfeita, sei que o drama é exageradamente cansativo e sei também que o fato de Amy ser uma criança mágica repele inúmeros leitores. Contudo, ‘Amy’ não foi e nunca será uma fanfic Swan Queen sobre um bebê mágico e quem acompanhou a história do começo ao fim concordará comigo. O que eu tinha para contar era a história de uma mulher que durante anos viveu nas trevas e quem a salvou foi o amor de todas essas pessoas que entraram em sua vida. Esse amor a transformou como pessoa, tornando-a alguém que de fato ela queria ser. Eu usei muito o tema maternidade, porque foi para esse lado que a trama me levou, mas não era só sobre a relação de Regina, Amy e Emma. Era também sobre todas as outras pessoas que entraram na vida da nossa Rainha, mesmo sem ela saber. Todas essas pessoas amaram Regina da forma que elas podiam amar. Porque amor é isso e não há um manual de instruções. Não há forma certa de praticar e não há uma forma errada, porque a partir do momento que machuca ou sufoca o outro já não é mais amor. Amar é mais do que uma emoção. É uma promessa e eu prometi a mim mesma que se eu sobrevivesse a 2015 e começasse 2016 sendo aprovada no curso dos meus sonhos e na universidade que eu tanto desejei, eu me sentaria e revisaria ‘Amy’. Enfim, eu sobrevivi e minhas aulas começam segunda. Então, passei os últimos meses revisando esses capítulos e quando terminei, eu senti que algumas pontas ficaram soltas e certos eventos não foram de fatos esclarecidos. Eu posso estar sendo extremamente precipitada ao escrever esses capítulos extras, pois parte de mim acredita nisso, mas ainda assim eu tentarei, se vocês estiverem dispostas a embarcar nisso comigo. Boa leitura. p.s.: nem todos receberão o e-mail ou a notificação de capítulo novo, então, se vocês puderem divulgar, eu agradeço.

Capítulo 28 – Afterlife – Parte I

Enquanto Amy dormia nos braços de Emma, em sua pequena cama, eu olhava através do vidro de sua janela. Naquela noite, nenhuma estrela apareceu. O céu se tornou dublado e cinzento e a Lua jamais teve a chance de mostrar a sua face prateada. Se era um anúncio de tempestade a caminho, ninguém se importou, pois ninguém ali olhou para o céu negro, ninguém sentiu falta das estrelas ou da Lua. Se a tempestade chegasse, nós ficaríamos bem, pois estaríamos juntas. Se as estrelas nunca mais surgissem no céu, nós ainda teríamos as estrelinhas de Amy, para iluminar nossa noite, para trazer alguma luz a escuridão.

Fechei as janelas, as cortinas e me sentei na ponta da cama de Amy, observando a pequena completamente adormecida. Seu semblante sereno e inocente denunciando que não havia preocupação sequer em sua vida. Inclinei-me em sua direção, toquei em seu rosto, em seus cabelos e beijei seu rosto, desejando boa noite a menina. Emma olhou para mim, eu segurei sua mão e sorri para ela. Não havíamos tido a chance de conversar durante todo o dia, ela tinha inúmeras perguntas a fazer e eu queria poder ignorar todas elas, mas não seria justo.

“Nós precisamos conversar.” Ela disse, se afastando de Amy e lhe dando um último beijo, antes de se levantar.

Nós caminhámos pelo corredor, descendo as escadas até a sala de estar. Tudo na casa estava uma verdadeira bagunça, havíamos recebido todos os nossos amigos e passado as últimas horas com os pais de Emma. Havia sido o dia mais feliz da minha vida, mas eu não podia ignorar que nós havíamos conseguido isso graças a um sacrifício que poderia ter arruinado a minha família.

“Você tem que me contar tudo, Regina.” Disse Emma, sentando-se no sofá e segurando minhas mãos assim que eu me juntei a ela.

“Você vai me odiar quando souber a verdade.” Respondi, encarando seus olhos verdes tão límpidos e de aparência cansada devido a toda agitação do dia.

“Regina, você amaldiçoou minha família, tentou me envenenar no passado e ainda assim eu disse ‘sim’ quando você me propôs em casamento. Você ainda acredita que eu possa te odiar?”

“Eu sei que você quer saber da minha conversa com Rapunzel. Sobre como eu tornei possível que você e Amy pudessem ficar juntas. Porém, eu quero que você tenha em mente que não foi fácil, que eu não me arrependo, mas isso poderia ter acabado com a nossa família.”

“O que você fez?” Perguntou Emma.

Durante as horas seguintes, eu contei a ela toda a verdade. Sobre Alice, minha mãe, sobre tudo o que eu havia visto e ouvido. Toda a verdade. Ela desviou o olhar de mim, mas ainda segurava firme a minha mão. Olhava para frente, para algum ponto da sala, ouvindo atentamente até que eu cheguei a parte do contrafeitiço. Ela olhou para mim, enquanto eu relatava sobre como eu sacrifiquei meu próprio coração, seu olhar marejado, fixo no meu me desnorteou por alguns segundos.

“Perdoe-me, Emma.” Eu disse e ela pareceu tão confusa, apertou minhas mãos, balançou a cabeça e olhou para mim como se eu fosse uma miragem.

“Como você voltou para nós?” Ela perguntou, sua voz falhando e seu olhar ainda fixo ao meu.

Então, eu lhe contei sobre o campo de papoulas, sobre Glinda e enfim sobre a Fênix e meu retorno para casa. Ela sorriu, mesmo com seus olhos lacrimejando e suas mãos frias segurando as minhas, denunciando todo um nervosismo que tentava conter. Eu me aproximei e a abracei, sentindo seu corpo quente contra o meu e a beijei, segurando seu rosto e secando seus olhos molhados.

“Você estava certa, Regina.” Ela disse, parecendo distante, parecendo confusa. “Você teria arruinado nossa família. O que te faz pensar que eu iria quer isso?” Continuou e balançou a cabeça, sua voz era calma, mas seu olhar oscilava. “Se você não tivesse voltado para mim, eu teria achado uma forma de ir até o inferno, para te encontrar novamente.”

“Eu tenho certeza que você me encontraria.” Eu respondi, beijando seus olhos, ainda molhados e abraçando-a mais uma vez. “Mas não se preocupe, meu amor. Eu não vou mais para lugar algum.”

Nós adormecemos naquele sofá, Emma abraçada ao meu corpo e o som de sua respiração preenchendo o silêncio da noite. Em algum momento, Amy apareceu, suas pequenas mãos acariciando meu rosto e me acordando. Eu sorri para minha pequena, que pediu para se juntar a nós duas e o sofá se tornou pequeno demais para nós três e então decidimos ir para a cama.

Lá fora, as nuvens desapareceram e a tempestade jamais chegou. Talvez até as estrelas tenham surgido no céu e talvez a Lua tenha dado as caras, mas novamente ninguém ali se importou. Durante anos eu havia sonhado com essa cena, Amy dormindo nos braços da mãe e Emma de volta a nossa casa, preenchendo novamente todos os vazios.

Na manhã seguinte, eu acordei com a luz do Sol entrando pela janela de meu quarto. Os lençóis da cama estavam completamente desarrumados e o lado da cama que Amy e Emma haviam dormido se encontrava vazio. Passei as mãos pelo rosto, olhei para a janela e para o céu que estava tão azul e límpido que nem parecia que nas últimas horas estava escuro e cinzento.

O azul daquele céu me fez sonhar por alguns segundos. De repente, eu não estava mais em minha cama, acordando de uma noite perfeita e sim voando por aquelas nuvens, bem longe da minha casa. Eu não estaria com a minha família se minha alma tivesse ido embora e de fato o dia estaria cinzento e nublado se eu não estivesse acordado em minha cama.

Eu refleti sobre tudo o que eu quase havia desistido. Todos os beijos de Emma, todos os eu te amos, todas os altos e baixos de uma relação a dois. Todas as fases de Amy, todos os seus sorrisos e risadas. Todas as conquistas de Henry e todos os seus conselhos que durante os últimos anos haviam me mantido no chão.

Pensar novamente em perder tudo isso, fez com que eu sentisse novamente o vazio e o desespero que minha alma sentiu quando eu estava no limbo. Eu jurei a mim mesma que eu jamais voltaria para lá, que eu jamais voltaria a não sentir mais nada. Os pássaros lá fora cantaram, eu abracei o travesseiro que Emma e Amy compartilharam e sentir a maciez do tecido e o perfume doce que havia ali me fizeram voltar a realidade. Eu estava viva. Eu estava de volta a minha família e eu faria cada segundo dessa minha nova vida valer a pena.

“Mamãe?” Perguntou Amy, eu senti suas mãos tocando minhas costas e me virei para ela, sorrindo ao ver seu rostinho.

“Hey, meu anjo.” Eu disse, sentando-me na cama.

“Você está chorando, mamãe?” Amy perguntou e eu balancei a cabeça, mas era impossível enganá-la.

“Eu não estou triste, querida.” Eu respondi. “Não se preocupe comigo.”

“Eu não posso.” Respondeu. “Nós somos famílias e é isso o que a gente faz. Nós nos preocupamos um com outro e cuidamos um do outro.”

Eu estendi meus braços, para pegá-la e encarei os seus olhos que fitavam os meus. Ela sorriu para mim, quando eu encostei minha testa na sua e eu sorri de volta, sentindo suas mãos sobre meus ombros. Ela não fazia ideia de que horas atrás eu havia quebrado seu sorriso, assim como não fazia ideia de que um novo coração batia em mim. Um coração que existia graças a ela.

Eu segurei sua mão, levei até o meu peito e ela franziu o cenho, mas nada perguntou. Amy sentiu o meu coração bater, sua mão quente sobre a minha pele, seu olhar capaz de atravessar meus olhos e ler minha alma. Ela desviou o olhar, segurou a minha mão e imitou o meu gesto, levando-a até o próprio peito. Senti seu pequeno coração batendo forte e voltei no tempo com esse toque. Voltei ao dia em ouvimos pela primeira vez o seu coraçãozinho bater.

“Eu estou aqui, mamãe.” Ela disse.

“Você está em todos os lugares, meu anjo.”

Eu não poderia estar mais certa, ela estava em tudo o que eu precisava para continuar existindo.

“Minha mãe fez o café da manhã.” Ela disse, suas mãos agora nos meus olhos, acariciando minhas bochechas e secando meu rosto. “Ela ligou para o vovô e para vovó e eles estão vindo para cá.”

“Ah, é mesmo?” Eu perguntei e ela assentiu.

“Vovó disse que vai trazer um bolo quentinho para o café da manhã e vovô disse que vai fazer o meu suco de laranja, sabe? Aquele que eu gosto com as gominhas.” Ela disse, eu a peguei nos braços, colocando-a na cama e andando até o meu closet.

“Eu também adoro aquele suco.” Eu disse.

“Aham.” Respondeu. “Henry ajudou também, ele fez as massas da panqueca, mas então subiu para o quarto dele e deixou a nossa mãe fazer tudo sozinha!” Continuou em um tom irritado.

“Ah, meu anjo. Eu acredito que sua mãe conseguiu se virar sozinha.”

“Poderia ter sido melhor.” Respondeu, irritada. “Ela queimou tudo e não ficou redondinho. Você tem que ensiná-la, mamãe.” Ela disse, me roubando uma risada.

“Eu prometo que vou ensinar, meu amor. Agora eu vou trocar de roupa e nós descemos para o café, combinado?”

“Combinadíssimo, mas se apresse, mamãe. Senão, minha mãe vai comer todos aqueles bolinhos de chocolate.”

Eu parei a caminho do banheiro e olhei para Amy, que estava em pé no colchão da minha cama, pulando de um lado para o outro.

“O que você disse?” Eu perguntei.

“Para você se apressar.”

“Não, não essa parte. Que bolinhos?”

“Os bolinhos da cestinha que estavam sobre a mesa.” Ela respondeu, dando um último pulo e sentando-se na cama.

“Sua mãe comeu os bolinhos?” Eu perguntei, aproximando-me dela.

“Aham.” Disse Amy. “Estava escrito ‘coma-me’, então ela comeu.” Continuou e deu de ombros.

“E você? Você comeu algum?”

“Não, porque se eu comesse, não haveria espaço na minha barriguinha para o bolo da vovó.”

Eu olhei para Amy, enquanto os pontos na minha mente se juntavam e meu estômago se embrulhava. Em seguida, corri para fora dali, Amy me seguindo e perguntando o que havia acontecido. Eu me virei para ela, antes de descer as escadas, lhe disse para chamar o seu irmão e enfim desci as escadas para encarar o inevitável.

No chão da cozinha, usando uma camisa que era quatro vezes maior que ela, estava Emma. Ou melhor, estava uma bebê de pouco mais de seis meses, sentada no chão com um bolinho de chocolate nas suas pequenas mãozinhas gordas. Eu me ajoelhei diante dela, que sorriu com apenas dois dentinhos na boca e completamente alheia ao que estava acontecendo ao seu redor.

“Ah, meu deus, Emma.” Eu disse, levando as mãos a testa e sentindo minha cabeça latejar.

Ouvi os passos de Henry e Amy descendo as escadas, peguei a bebê nos meus braços e olhei ao redor, procurando um lugar para colocá-la. Sobre a pia da cozinha havia uma grande panela, sem pensar duas vezes (ou talvez sem pensar em coisa alguma) eu a peguei e coloquei a bebê sentada ali dentro. Peguei o bolinho de suas mãos, o que a fez chorar copiosamente e comecei a limpar o seu rosto completamente sujo de chocolate.

“De quem é esse bebê?” Perguntou Henry, se aproximando, completamente confuso. Eu poderia ter tido um ataque ali mesmo, se eu não estivesse tão perdida.

“Um bebê?” Gritou Amy, pegando um banco e subindo para apertar as bochechas da bebê que gritou mais alto.

No instante seguinte, a cozinha virou um verdadeiro inferno. Amy tentando acalmar a bebê e cantando o mais alto que podia, a bebê não colaborando e chorando cada vez mais alto. Henry, encostando contra a pia, olhando para a cena a sua frente e fazendo um discurso que eu mal podia prestar atenção, sobre o fato de que a casa inteira deveria ter sido consultada antes de trazer um bebê para casa.

“Silêncio!” Eu gritei, o que fez Amy parar de cantar, Henry me encarar e a bebê chorar mais alto.

“Mamãe!” Gritou Amy, beijando o rosto da bebê e pedindo para que ela se acalmasse.

Ela olhou ao redor, puxou uma das panquecas sobre o balcão e entregou a bebê que felizmente se calou. Eu levei alguns segundos para me acalmar, Henry e Amy esperavam por algo e a bebê Emma parecia estar em qualquer lugar menos ali. Encarei seu rostinho, seus cabelos totalmente loiros e seus pequenos olhos verdes, completamente molhados. Era como ver uma versão de Amy, elas se pareciam tanto que novamente, pela segunda vez no dia, eu me vi voltando ao tempo.

“Nós podemos ficar com ela?” Amy perguntou, forçando sua melhor voz que conseguia sempre me convencer. Eu dei uma risada, me aproximei da bebê e acariciei seu rostinho com as costas dos dedos.

“Nós definitivamente vamos ficar com ela, mas não assim, pelo menos.”

“Como assim?” Amy perguntou, brincando com a bebê.

“Essa é a sua mãe, Amy.” Eu respondi.

“O quê?!” Perguntaram Amy e Henry ao mesmo tempo e a expressão de seus rostos era impagável. Eu não consegui conter uma risada, mas por dentro eu não podia negar que eu estava um pouco desesperada.

“Quem fez isso com ela?” Perguntou Amy, em um tom preocupado, tocando nas mãos da bebê que soltou uma gargalhada e enfiou o resto da panqueca na boca.

“Foram os bolinhos que ela comeu. Era para você os bolinhos, Amy. Não para a sua mãe.”

“Você iria me encolher?!” Perguntou Amy, encarando-me, perplexa com a minha resposta.

“Bem, foi ideia da Alice. Ela não é muito normal, você sabe. Enfim, eu esqueci completamente dos bolinhos e acabei nem comentando com a sua mãe.”

“Onde é que ela achou esses bolinhos?” Perguntou Henry.

“Estavam sobre a mesa. Em uma cestinha.” Respondeu Amy.

“Ah, qual é, mãe. Você deixou comida fácil na cozinha e não passou pela sua cabeça que ela comeria? Pensei que você a conhecesse melhor.” Respondeu Henry. “Meu deus, poderia ter sido eu, não poderia? Eu poderia ter comido os bolinhos.” Continuou e encarou Emma, com um olhar perplexo no rosto.

“Não sei do que você está reclamando, pois se você tivesse comido os bolinhos, você ficaria bonito novamente.” Respondeu Amy, rindo e a bebê acompanhou sua risada.

“Chega disso.” Eu intervi. “Eu vou precisar da ajuda de vocês.” Continuei e no mesmo instante Henry tirou o celular do bolso e se preparou para tirar uma foto de Emma. “Henry, o que você está fazendo?”

“Vou tirar uma foto para colocar no Twitter.” Ele respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia a se fazer.

“É assim que os jovens de hoje resolvem as coisas?” Eu perguntei, indignada.

“Desculpa, mas eu acho que meu plano é melhor que o seu. Pois até agora o que você fez foi colocar nossa mãe dentro de uma panela e depois fazê-la chorar.” Respondeu Henry, tirando a foto e sorrindo satisfeito. “É assim que os velhos de hoje resolvem as coisas?” Continuou e eu revirei os olhos, em irritação.

“Henry, eu realmente preciso da sua ajuda aqui. Você pode ficar com ela enquanto eu preparo algo para fazê-la voltar ao tamanho normal?”

“Certo.” Respondeu Henry, pegando Emma nos braços, não sem antes fazer uma expressão de total descrença.

Ele subiu as escadas, com Amy atrás deles, gritando a cada segundo que queria pegar a bebê nos braços. Assim que fiquei sozinha, eu procurei remédios para dor de cabeça e me sentei por um segundo, pensando em como traria Emma de volta ao seu tamanho normal. Em seguida, a campainha tocou e eu fui até a porta, abrindo-a e sentindo novamente minha cabeça latejar assim que vi Snow e David parados sobre capacho.

“Bom dia, Regina.” Disse Snow, se aproximando para um abraço e um beijo, enquanto entrava na mansão.

“Olá, Regina. Cadê as crianças?” Perguntou David, assim que eu fechei a porta.

“As crianças?” Eu perguntei, olhando para Snow, com o bolo nas mãos e depois para David que se dirigia para a cozinha.

“Elas ainda estão dormindo?” Perguntou Snow.

Então, no alto da escada, Amy apareceu e antes que ela abrisse a boca para falar algo, um choro de bebê ecoou pela casa. Eu olhei para Snow, que franziu o cenho, tentando entender o que estava acontecendo. David voltou da cozinha e os dois olharam para a neta, parada no topo da escada, suas mãos na cintura e seu olhar sério.

“Mamãe?” Disse Amy. “Eu não quero mais brincar com a minha mãe! Ela molhou toda minha cama de xixi!”

Snow e David olharam para mim, o semblante confuso, enquanto aguardavam uma resposta.

“Então...” Eu disse, sem saber como colocar em palavras. “Emma virou um bebê.”

“O quê?” Perguntou Snow, confusa.

“Por que diabos você faria isso?” Perguntou, David.

“Eu não fiz, ok? Foi um acidente, na verdade. Eu vou explicar tudo, mas agora eu preciso que vocês me ajudem. Henry está lá em cima com ela. Eu vou preparar uma poção e dentro de algumas horas tudo voltará ao normal.”

“Certo.” Disse Snow, ainda tão confusa quanto antes. “Nós precisamos saber mais de alguma coisa?”

“Ela chora se você tirar comida das mãos dela.”

“Então, ela basicamente continua a mesma Emma?” Perguntou David, subindo as escadas, sendo seguido por Snow.

Nas horas seguintes, eu permaneci em meu quarto, consultando todos os livros de magia que eu tinha, a fim de criar uma poção para resolver tudo. No final da tarde, eu finalmente consegui, sai do quarto, ouvindo risadas e vozes no andar debaixo e desci para encontrá-los.

Na sala de estar, Amy e a bebê brincavam sobre o tapete. David estava deitado no chão com elas, fazendo-as rir com suas brincadeiras. Snow estava no sofá, com um sorriso no rosto e uma xícara em mãos, observando a cena. Eu olhei para a poção que eu segurava e em seguida para a bebê Emma. Eu já havia visto todos os seus sorrisos, menos aquele. Não havia nada ali, além de inocência.

“Você está pensando na mesma coisa que eu?” Perguntou Snow, agora em pé ao meu lado.

“Só se você estiver pensando em beber algo mais forte do que café.” Eu respondi, olhando para a xícara em suas mãos e fazendo-a sorrir.

“Não, não era isso.” Disse Snow, pegando-me pelo braço e me levando até o sofá.

Eu me sentei ao seu lado, seu braço ao redor do meu e sua atenção voltada para a bebê Emma, Amy e David. Eu olhei para ela, sua expressão era leve e o sorriso em seus lábios conseguia ser a definição perfeita para o significado de felicidade. Sua mão deslizou até a minha, entrelaçando seus dedos aos meus. Ela sorriu para mim e o seu toque e o seu sorriso deixaram algo no ar.

“Snow...”

“Regina, nós já passamos por isso tantas e tantas vezes.” Ela disse. “Já tivemos inúmeras conversas, pedidos de perdão e explicações. Não podemos agora avançar para a parte do nosso relacionamento onde nós nos entendemos no silêncio?” Concluiu e eu assenti, sorrindo de volta para ela.

Nada dissemos uma para outra, mas ainda assim o silêncio não reinou naquela sala. Pois as risadinhas de bebê preencheram todo o vazio e a voz de Amy, fazendo inúmeras perguntas sobre os mais diversos temas, deram sentido aquela tarde que parecia homenagear a inocência.

“Amy me falou sobre os bolinhos e sobre Alice.” Snow disse.

Eu não havia contado a ela sobre o contrafeitiço ou sobre tudo o que eu havia passado e não sabia se um dia chegaria a contar para eles a verdade. Era como se fosse algo que pertencesse apenas a mim e a Emma, apesar de Snow e David fazerem parte da nossa família, havia coisas que eu preferia guardar para mim.

“Então você sabe que Rapunzel era na verdade Alice?” Perguntei.

“Sim e não importa os detalhes da história.” Respondeu. “Eu imagino que você tenha seus motivos secretos para mantê-los para si.” Continuou e seu olhar vagou por entre a sala, por alguns segundos, antes de voltar para mim. “Quando eu dava aula para os alunos mais velhos que Amy, eu tentei um dia ler com eles ‘Alice No País das Maravilhas’, mas eles ficaram confusos demais com o livro. Então, eu voltei para a casa com aquele livro e tentei estudá-lo, a fim de entender a mensagem por trás do nonsense.”

“Talvez o nonsense seja a mensagem.” Eu respondi.

“Talvez.” Ela respondeu. “Porém, se pensarmos dessa forma, ignoraríamos tudo o que livro aborda. Todo o conflito de Alice, sua procura pelo autoconhecimento, sua autoafirmação perante a todos que a fizeram se sentir como um objeto e não como protagonista de sua história. Não podemos nos esquecer também da sua luta para se libertar da Rainha de Copas, que era tão rígida, com suas regras mais absurdas.” Continuou e eu pensei em Alice, que havia passado por tudo isso também, mas que havia enfim se libertado e ganhado a felicidade. “Eu acho que no final das contas, ‘Alice No País das Maravilhas’ é sobre liberdade. Eu li uma vez que aquele que tem consciência de si e de seus atos é um ser livre.”

“Crianças são assim, não são?” Eu perguntei e ela assentiu. “Elas vivem um mundo só delas, inseridas em um universo que pertence a ninguém além delas mesmas.” Concluí.

“É, elas são sim. Crianças são livres.” Respondeu. “Quando eu entendi enfim o sentido do livro, eu voltei e reli com as crianças, tentando abordar com elas os temas inseridos na obra. Naquele momento, eu compreendi que nós precisamos de Alice. Nós precisamos cada dia mais dela, porque ela nos ensina que nós somos reais e não objetos descartáveis e que somos nós e nossas ações que constroem o mundo a nossa volta.”

“Seria um livro menos complicado se fosse só a história de uma garota que cai no buraco de um coelho.” Eu disse, fazendo-a rir.

“E seria um péssimo livro.” Ela respondeu. “Se um dia você voltar a ver Alice, diga que eu realmente agradeço pelos bolinhos. Eu nunca me diverti tanto com Emma, como eu me diverti hoje”

“Eu não acho que eu voltarei a ver a Alice.” Eu disse. “Ela está livre agora.”

Naquela noite, eu não ousei quebrar o encanto que era ver a bebê Emma sendo feliz nos braços de seus pais. Eu entreguei a poção a Snow, que prometeu que assim que Emma pegasse no sono, ela daria a poção a sua filha e na manhã seguinte eu a teria de volta. Eles a levaram para casa e Amy não precisou sequer pedir para ir junto com eles. Eu fiquei sozinha na mansão até que Henry chegou, encontrando-me na sala, com uma taça de vinho na mão, assistindo a um programa qualquer.

“Para alguém que tinha uma bebê histérica numa panela horas atrás, você até que está bem relaxada. ” Disse, Henry sentando-se ao meu lado e jogando sua mochila sobre a mesa de centro.

“Está ouvindo esse silêncio?” Eu perguntei, dando um gole em minha bebida.

“Sim e também estou sentindo um cheiro vindo da cozinha. O que você fez? Cozinhou minha mãe?”

“Ha, ha, Henry. Que engraçado. Sua mãe e Amy estão com seus avôs e como aparentemente nós estamos sozinhos, eu pensei em fazer algo só para nós dois. O que acha? Eu não lembro a última vez que nós dois fizemos algo sozinhos.”

“Sem a pirralha enchendo o saco, você quis dizer?”

“Sim, sem a sua irmã por aqui.”

“Então, é meio que uma celebração, não é mesmo?”

“Ah, por favor, Henry. Você ama aquela menina.” Respondi, lhe dando um leve soco no ombro.

“Você sabe que sim, mas não é isso que eu quis dizer.” Ele disse, pegando sua mochila e tirando um envelope de lá de dentro.

“Henry, se isso for um teste de gravidez, por favor, nem me mostre.”

“Mãe, nem brinca.” Respondeu ele, com um leve pânico na voz. “E não começa novamente sobre o papo da camisinha, porque nós já superamos isso mais de uma vez.” Continuou e roubou uma risada. “Eu queria esperar até minha mãe aprender a usar a privada, mas já que estamos a sós eu quero logo te contar.”

Em seguida, Henry me entregou o envelope. Eu não li o remetente, abri o envelope e tirei o papel que ali havia. Era a carta de aceitação de Henry na Universidade Cornell. Eu o encarei, minha boca aberta em surpresa e o puxei para mim, abraçando-o e beijando seu rosto.

“Henry, meus parabéns, meu amor. Eu estou tão orgulhosa de você. ” Eu disse, segurando seu rosto e olhando para seus olhos. Ele sorria, mas não era o tipo de sorriso de alguém que acabou de passar na universidade. “Henry, está tudo bem?”

“Está tudo bem sim e acredite, eu realmente estou feliz.” Disse, encostando-se ao sofá.

“Bem, não parece.” Respondi. “Qual é o problema, Henry?”

“Eu sou o único da minha sala que está comemorando isso. Nenhum deles recebeu uma carta de outra universidade além da Universidade de Storybrooke. Nenhum deles tem a oportunidade de ir para qualquer outra universidade, mãe. Eles estão todos presos aqui.”

“Eu sinto muito, Henry. Querido, você não pode se sentir mal pelos outros, isso não te faria bem.”

“Mas eu me sinto e não é só pelos outros, mas também por mim. Quer dizer, Claire e eu... Assim que eu for embora, nossa história já era.”

“Henry, você está sendo um pouco exagerado. Nova York não é tão longe e você voltará sempre que puder.”

“Mãe, nem todo mundo compartilha uma história de amor como você e minha mãe. Eu jamais pediria a Claire para esperar por mim.”

“A garota certa esperaria.”

“Não, a garota certa não esperaria por ninguém.”

“Eu sinto muito, querido. Eu realmente queria que você não precisasse passar por isso.”

“Eu também.” Respondeu Henry

Ele fitou a televisão e eu nunca me senti tão mal por Henry antes. Eu nem sabia o que dizer ou como dizer. Eu queria celebrar essa vitória, mas então eu olhava para o seu rosto e ele estava tão dividido entre a própria felicidade e a infelicidade dos outros que eu fiquei sem ação.

“Há algo que eu possa fazer?” Eu perguntei.

“Talvez.” Ele respondeu, encarando-me de volta. “Foi só essa ideia que eu tive, mãe.”

“Qual ideia?”

“Eu sei que a magia que existe na fronteira é muito forte, tão forte que uma vez que vocês a colocaram, até hoje não conseguiram quebrar. Eu também sei que ela é necessária, pois Storybrooke precisa ser protegida. Porém, enquanto nós protegemos a cidade, nós tiramos das pessoas a oportunidade de conhecer o mundo lá fora. Eu sei que ele é perigoso e que se as pessoas lá fora descobrissem sobre a magia que há aqui, nós estaríamos perdidos. Ainda assim, além do perigo, há um mundo mais mágico do que Storybrooke ou a Floresta Encantada. Talvez até mais mágico do que qualquer mundo de contos de fadas. Há tanta coisa acontecendo lá fora mãe, tanta coisa para ver, experimentar, sentir. Eu acho que todo mundo merece o mundo, mãe.”

“Seu plano é tirar a proteção da cidade?” Eu perguntei. “Henry, você mesmo disse, nós já tentamos e nunca conseguimos.”

“Eu sei, mas agora nós temos Amy e ela já provou ser tão poderosa, mãe. Talvez ela seja capaz de ajudar vocês. Talvez seja possível.”

“Talvez, Henry.” Eu respondi. “Eu vou ver se isso é possível, mas prometa para mim que você não criará expectativas.”

“Mãe, expectativa é o tipo de coisa que quando você menos espera, ela não apenas se criou sozinha, como formou uma família inteira.”

Henry estava certo, pois eu criei inúmeras expectativas aquela noite e não consegui dormir. Eu pensava em todas as possibilidades que existiam além da fronteira de Storybrooke. Pois durante todos esses anos, eu havia baseado minha vida nessa cidade. Suas fronteiras limitavam tudo o que eu queria ser ou tudo o que eu queria possuir. Porém, eu sabia que havia um mundo lá fora e que ele era enorme, mas também sabia que ele não pertencia a mim.

Enquanto eu tentava pegar no sono, pensando em todas essas coisas das quais eu sequer pensava horas antes, eu me vi como a pequena Alice de Lewis Carroll. De repente, tudo o que Snow havia falado sobre a obra fez sentido e eu me vi não apenas precisando dos ensinamentos desse livro, como também precisando praticá-los.

Havia um mundo lá fora que me fazia sentir tão pequena diante de toda imensidão que o constituía. Todos os países, oceanos, culturas e línguas que eu nunca sequer pensaria em conhecer. Storybrooke, por um momento, pareceu pequeno demais e eu me senti enorme diante de todas as suas limitações. Eu desejei ser livre. Eu desejei conhecer todas as possibilidades que haviam lá fora. Eu queria tudo. Eu queria o mundo inteiro.

Na manhã seguinte, eu fui até a prefeitura. Sentei-me na minha cadeira e olhei para aquela sala. Eu havia criado cada centímetro daquele ambiente, cada objeto decorativo, cada detalhe apenas para sustentar um título do qual eu também havia criado. Então, nada ali fez mais sentido para mim. Todas as cores pareciam não existir e todos os objetos se tornaram descartável diante dos novos desejos que havia em mim.

Eu não queria mais ser a prefeita daquela cidade. Eu já não mais aproveitava carregar esse título ou sustentar essa vida que eu havia detalhadamente criado em uma tentativa de me fazer feliz. É logico que, depois que Emma entrou em minha vida, eu de fato fui feliz sendo a prefeita e exercendo o poder que esse cargo trazia. Todavia, minhas responsabilidades como esposa e como mãe, eram o que de fato me fazia acordar todos os dias. Minha profissão, pela primeira vez, pareceu não caber em mim.

“No que você está pensando?”

Na porta da minha sala, encostada ao batente, Emma, em seu tamanho e idade normais, me esperava. Ela sorriu ao me ver e eu me levantei rapidamente, correndo em sua direção e a abraçando. Eu fechei meus olhos, sentindo seu corpo se encaixar em meus braços, sentindo seus lábios tocando em meu rosto e enfim em meus lábios.

“Eu realmente senti sua falta.” Eu disse, segurando seu rosto e tomando sua boca para minha. “Você lembra de alguma coisa?”

“Nada.” Ela respondeu, caminhando até a mesa e sentando-se nela. Eu me aproximei e ela me envolveu em seus braços, olhando para mim. “Eu não lembro de nada, mas eu vi todas as fotos que meu pai tirou e eu realmente não acredito que um dia eu irei recuperar minha dignidade.” Concluiu e eu ri da forma dramática que ela contava a história.

“Por que diabos você comeu os bolinhos?”

“Ah, Regina. Não foi culpa minha. Eles pareciam tão deliciosos, que mesmo se estivesse escrito ‘veneno’ neles, eu comeria.” Respondeu e eu ri novamente, beijando-a mais uma vez.

“Bem, ainda bem que você está aqui novamente.” Respondi. “Eu teria te colocado para adoção se tivesse que passar mais cinco minutos com você.”

“Amy disse que você usou uma panela para me deixar sentada, então eu realmente acredito que você faria isso.”

“Falando em Amy, onde ela está?”

“Eu a deixei com os meus pais, ela ainda está dormindo. Acontece que ela passou a noite toda acordada. Ela e meus pais. Aparentemente, eu fui a única que dormiu como um bebê.” Respondeu.

“Não que eu não esteja com saudades de Amy, mas eu realmente queria esse momento a sós com você.” Assim que eu terminei a frase, Emma me puxou para outro beijo e suas mãos desceram até o meu quadril, denunciando que ela não estava a fim de conversa alguma. “Eu realmente estou com saudades de você, mas nós precisamos conversar. Pode segurar todo esse fogo?”

“Sério, Regina?” Ela perguntou, irritada, suas mãos ainda em minha cintura e seu olhar percorrendo meu corpo. “Eu preciso fazer algo adulto nesse exato momento.”

“Ótimo, porque esse é um assunto bem adulto.” Eu respondi, ela revirou os olhos, me soltou e permitiu que eu me sentasse ao seu lado.

“Vamos lá, Regina. Vamos conversar sobre algo bem adulto.” Disse ela, em um tom impaciente.

“Henry recebeu a carta de aprovação de Cornell.” Eu disse e ela levou as mãos a boca, me olhou surpresa e então me abraçou apertado.

“Isso é ótimo, Regina. Nós precisamos comemorar. Essa noite, eu faço o jantar.”

“Ah, Emma, vamos parar de tentar forçar esse seu encontro com a cozinha. Que tal se todos nós saíssemos para comer fora?” Eu perguntei.

“Não.” Respondeu. “Eu realmente preciso voltar a ser adulta, você não sabe como é ficar presa num corpinho de um bebê. Eu sei, eu era fofa e tudo mais, mas foi uma experiência traumatizante.”

“Emma, você nem lembra de nada. Pare de ser dramática.” Eu respondi. “Parece que agora você tem seis meses de idade em um corpo de adulto.”

“Não caçoe dos meus problemas, Regina. E não tente fugir do meu jantar especial. Eu vou cozinhar e ponto final.” Ela disse. “Agora podemos voltar para ação de adultos ao invés da conversa de adultos?”

“Não, quer dizer. Eu queria falar com você sobre outra coisa.”

“Você já quebrou o clima mesmo, então vamos lá...”

“Eu tive essa conversa com Henry ontem à noite assim que ele me contou sobre a aprovação.” Eu disse. “Ele tocou em um assunto do qual eu nunca sequer dei muita atenção.”

“Qual assunto?”

Eu lhe contei sobre a conversa que eu havia dito com Henry. Falei sobre as aflições dele, sobre Claire e sobre a ideia do garoto de quebrar o feitiço da cidade com a ajuda de Amy.

“Você acha que ela consegue fazer isso?” Perguntou Emma, em um tom preocupado.

“Eu estive pensando a respeito. Talvez ela de fato possa ajudar e nós podemos colocar outro tipo de proteção. Eu não sei. Nós teríamos que conversar com todos os seres mágicos da cidade. Não podemos tomar essa decisão tão precipitadamente.”

“Você tem razão.” Disse ela, em um tom pensativo. “Regina, isso muda tudo.” Ela continuou. “Quebrar a fronteira da cidade muda tudo.”

“Eu sei.”

“Se isso der certo, você poderá sair também. Sabe o que isso significa?”

“Milhares de coisas.” Eu respondi.

“Sim e também significa que será bem mais fácil seguir com o nosso plano de engravidar.” Disse Emma, sorrindo para mim e buscando minha mão.

Eu olhei para nossas mãos, para o seu sorriso e por um segundo cogitei não dizer a ela o que passava em minha mente. Todavia, eu não podia fugir de quem eu era ou do que se passava dentro de mim naquele momento.

“Emma, eu acho que nós precisamos conversar sobre isso.” Eu disse e ela franziu o cenho. “Pode soar estranho, pode parecer que eu estou fora de mim. Mas é que eu nunca havia parado para pensar que eu poderia ter muito mais do que eu desejei. Eu passei as últimas horas olhando para essas paredes, esses quadros e para tudo o que eu havia criado para mim mesma e então eu desejei ir atrás de algo que fosse além disso.”

“O que você quer dizer?”

“Eu não sei se eu estou fazendo sentido, mas eu sinto como se eu tivesse crescido nos últimos dois dias. Isso é possível?” Eu perguntei e me senti de fato confusa e um pouco contraditória com todos os meus sentimentos.

“Eu acredito que podemos mudar e crescer com nossas experiências, Regina. Então, se você está me perguntando se um adulto é capaz de ainda crescer, eu teria que te responder que sim. Você está soando confusa mesmo, mas ainda assim eu sinto que você tem alguma certeza por debaixo dessa confusão.”

“Eu tenho, de fato.” Eu respondi. “Eu quero continuar crescendo, eu quero todas as novas experiências e eu quero o mundo lá fora. Então, eu não acho que nesse momento há espaço para outra criança em nossas vidas. Quer dizer, Amy nos ocupará muito nos próximos meses e eu tenho tantos outros planos que eu quero seguir em frente. Não que eu acho que nós não sejamos capazes de lidar com um novo bebê, Amy, nossas antigas responsabilidades e esses novos planos. Mas é que eu acho que, nesse momento, eu quero priorizar o que meus desejos querem.”

“E o que eles querem?” Ela perguntou, sem parecer desapontada.

“Largar isso tudo. Esse cargo, esse escritório, esse título de prefeita que não parece mais caber em mim. Eu estava pensando em abrir um novo negócio. Ir atrás de um sonho antigo. Eu queria começar um haras aqui em Storybrooke. Sem a barreira na fronteira, eu poderia estudar mais esse ramo, aprender lá fora com outros profissionais. Conhecer mais sobre as melhores raças para se criar nessa região e prosperar em cima disso, parece utópico demais?” Eu perguntei, sentindo minha garganta arranhar e a insegurança me consumir.

“Regina.” Ela disse, levantando-se e parando a minha frente, suas mãos seguravam as minhas e ela sorria. “Não tem nada de utópico no seu plano. É algo bem pé no chão e um plano maravilhoso. Não temos esse tipo de empreendimento aqui e eu realmente acredito que a região é ótima para esse tipo de negócio. Eu estou com você e te apoiarei em casa decisão.” Ela continuou.

“Você não está decepcionada com a decisão de adiar essa gravidez?”

“De forma alguma, Regina.” Respondeu Emma. “Eu estou orgulhosa de você assumir essa vontade que surgiu em você. Além disso, nossa família é do tamanho que nós precisamos.” Continuou. “Quando eu vivia lá fora, eu jamais olhava para o mundo a minha volta como algo repleto de oportunidades. Pois parecia que todo mundo estava vivendo automaticamente suas vidas, em direção a algo que eu não conseguia ver ou não entendia bem.”

“Você não vê mais o mundo assim?” Eu perguntei e ela balançou a cabeça.

“Você me faz querer agarrar o mundo inteiro lá fora, Regina.” Respondeu Emma.

“O que acontecerá quando dominarmos o mundo inteiro?” Eu perguntei.

“Bem, podemos voltar para casa ou recomeçar novamente.”

Ela sorriu para mim e eu me senti segura, eu me senti compreendida e amada. Emma se aproximou, encaixando seu corpo entre as minhas pernas. Eu entrelacei meus dedos em seus cabelos, trouxe seu rosto para mim, sentindo seus lábios nos meus e o gosto de sua boca quente, que me aquecia e acendia em mim um desejo que eu estava tentando conter nos últimos minutos.

Suas mãos caminharam pelo meu corpo, descendo pelas minhas curvas, apertando minha bunda e puxando meu corpo para o seu. Minhas pernas envolveram seu corpo e seus beijos desceram pelo meu pescoço, me fazendo fechar os olhos e me entregar ao êxtase que era estar completamente entregue a ela.

Minhas roupas foram completamente arrancadas de mim e meu corpo exposto totalmente a ela. Eu me deitei sobre aquela mesa e Emma deslizou minha última peça de roupa pelas minhas pernas, tirando toda a sua roupa em seguida. Eu me encontrei completamente pronta para ela, que estava sobre mim, seu olhar fixo nos meus, descendo por meus seios e enfim por todo meu corpo.

“Eu quero ter você em todos os quatro cantos do mundo.” Ela disse.

Sua voz sem fôlego e seus beijos descendo pelo meu corpo, até os meus seios, me fazendo murmurar e novamente fechar os olhos. Era impossível me manter em mim mesma, enquanto ela me fazia gemer e gritar por seu nome. Eu senti suas mãos pedindo passagem por entre minhas pernas e seu corpo se encaixar aos meu, enquanto minhas pernas a envolviam. Eu estava completamente molhada, apenas lhe esperando dentro de mim.

Todavia, não foram seus dedos ou sua língua que me invadiram, ela me penetrava por magia, permitindo que seu corpo ficasse sobre o meu e nossos sexos se esfregasse um no outro. Meu corpo entrou em sintonia com o dela, enfiei meus dedos em seus cabelos, puxando-os, enquanto ela afundava seu rosto em meu pescoço, mordendo-me e me fazendo gritar mais ainda. Nós estávamos conectadas, cada uma invadindo a outra, profundamente e da forma mais mágica que podíamos.

Sua respiração estava acelerada e seus gemidos me levando a loucura. Eu afundei meus dedos em suas costas nuas, quando senti que eu estava quase lá. Ela beijou meus lábios, seu hálito quente e sua língua percorrendo toda minha boca me preparam para o orgasmo que enfim me consumiu, levando-me para um lugar completamente longe dali. Seu corpo caiu sobre o meu, quando ela enfim gemeu alto, quebrando o beijo.

Meus dedos acariciaram seus cabelos e eu busquei acalmar minha respiração. Ela inclinou a cabeça para me ver, sorrindo para mim. Não estávamos no lugar mais confortável no mundo, mas estávamos nos braços uma da outra e eu não escolheria nenhum outro lugar para estar.

Se eu pudesse renascer mais cem vezes, eu escolheria renascer cem vezes ao lado dessa mulher. Eu não me importaria onde o universo me jogasse, eu só me importaria de estar ao lado dela. Eu só me importaria em amá-la, eu só me importaria em tornar nossos próximos cem anos nos dias mais felizes e mais mágicos de nossas vidas.