Amorosas marotices
8 Natal
Notas iniciais
Narradora: Madison
Eu ja estava na minha casa, penteando os cabelos louros e macios do Harold e pensando na vida. Daqui a 2 dias eu iria para o Brasil com a minha mãe, passar o ano novo lá. Seria legal, eu ja estou morrendo de saudades do calor que faz no Brasil em dezembro, das pessoas andando de biquines e sungas pelas ruas, do idioma brasileiro e da minha família de lá.
Fui tirada dos meus devaneios quando a campainha tocou.
–EU ABRO! — disse, colocando o pente em cima do sofá e deixando o Harold assistindo tv. — Tia!
Era a minha tia Márcia, ela havia pintado o cabelo, estava tão bonita.
Me abraçou tão forte que por um instante eu pensei que fosse desmaiar, mas aí ela me soltou e eu pude ver a luz do mundo novamente.
Antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, Harold veio correndo e pulou no colo da tia Márcia.
–Ah! Que saudade de vocêees crianças! A tia trouxe um monte de presentes . Madie! Ta tão crescida a minha menina. Quero saber tudo sobre a nova escola hein.
"Mas onde é que estão os pais de vocês? ROOOOBERT! BARBARAA!"
Minha tia era assim, quando começava a falar, não parava mais. Era melhor você concordar com ela, por que se discordasse, ela iria continuar falando e falando e falando até seus ouvidos explodirem.
–Mãaaaaaaaaae! Paaaaaaaaaaaaaaai! — berrou Harold da escada, e nossos pais desceram, mamãe carregando dois enormes tapetes nos braços, e meu pai segurando um vaso de flores para botar na mesa de centro da sala.
–Oh, Barbara. Deixe eu te ajudar..Ah, olá Rob. –disse minha tia, pegando um dos tapetes do colo da minha mãe e dando dois beijinhos no meu pai.
Saí da sala quando o meu celular tocou.
–Alô?
–Madie?
Eu conheço essa voz...
–Sim...Fred? Ou Jorge?
–Fred. Como sabia?
–A sua voz. Como está me ligando?
–Hermione me ensinou a usar o..como é que é mesmo? Ah, feletone.
–Telefone, Fred! – eu escutei alguém dizer lá no fundo.
–É, telefone! Mas e aí, Madie, está tendo um bom natal?
–Estou sim. Minha tia Márcia acabou de chegar e está ajudando meus pais a arrumar a casa e fazer a comida. Eu tava arrumando o meu irmão, Harry. Daqui a dois dias eu vou para o Brasil. — eu disse, animada.
–Sério? Vocês, trouxas, tiram fotos?
–Claro né Frederico, mas elas não se mexem.
Para o meu espanto, ele não reclamou do meu "Frederico".
–Então eu quero que você tire bastante fotos para me mostrar depois. Espere só um instante, o Jorge quer falar com você. Beijos Madison, a gente ta com saudades.
–Tchau, Frederico, eu também.
A linha ficou silenciosa por um minuto, até uma voz idêntica a do Fred falar
–MAADIEE!
–JOORGEE!
–Como é que você ta? Esse tal de telefone é irado, parece até magia! Você fala aí, e eu escuto aqui, não é maneiro?
–Eu estou ótima. É maneiro sim, mas aqui pros trouxas a é normal, nós nem paramos para pensar no mecanismo do telefone direito, só o usamos.
–Vocês trouxas são tão estranhos..- ele foi interrompido pela voz da Molly Weasley
–Freeeeed, Jooooooooorge, larguem isso aí e venham almoçar!
–Eu tenho que desligar, Madie. A noite nós ligamos para você de novo.
–Tchaau Madie –ouvi um coro de pessoas gritando do outro lado da linha.
–Tchau gente, amo vocês.
E desliguei.
Foi tão bom conversar com eles, ouvir a voz...Nossa eu to tão dramática! Só faz um dia!
Mas enfim, larguei o meu celular em cima da mesa da sala e fui para a cozinha ajudar.
–Com quem estava conversando? — disse a minha tia, recheando o peru de Natal.
–Meus amigos. — eu disse, indiferente, picando tomates.
–ELA TAVA FALANDO COM O NAMORADO DELA! -disse Harry, surgindo do além e entrando na cozinha.
–NÃO ESTAVA, NÃO! -eu disse, constrangida, eu realmente não estava.
–Então quem é esse tal de Fred???
Minha tia ria baixo nos observando.
–Ele é meu amigo, já falei! E o senhor pare de ouvir as minhas conversas!
–Não paro, não! Madie tem namorado! Madie tem namorado! Madie tem namorado!
Rolei os olhos e continuei picando tomates, enquanto ele saía da cozinha cantarolando essas palavras irritantes.
–Ter irmão é uma beleza. — disse a minha tia.
–Não é não. — eu disse de imediato, só depois pensando nas palavras que soltei.- Bom, em partes sim.
–É ótimo! Você acha que a sua mãe não tirava o sossego da sua tia aqui? Ah, sim, e muito. Mas eu também aprontava com ela, nós brigávamos, mas nos amávamos, como você e Harry. A única diferença é que eu e Barbara temos a mesma idade, e você é 4 anos mais velha que o Harry.
–O que a minha mãe fazia?
–Ah, passava coisas na minha cara enquanto eu dormia, usava as minhas roupas, roubava as minhas bonecas quando éramos crianças, já até me jogou dentro do vaso quando éramos bebês.
Dito isso eu ri, eu ri muito, até não sobrar mais ar, e pensei: Por que não joguei o Harold no vaso antes?
(....)
O jantar de Natal havia sido ótimo, nós rimos e brincamos em família, momento de paz.
Estava deitada em minha cama, pensando em como seria o dia seguinte no meu embarque para o Brasil, quando o meu celular toca, era Fred.
–Oi.
–Oi, Madie, te acordei? — disse ele, sussurrando.
Quando ele sussurrava a sua voz ficava rouca, me causando tremeliques.
–Não, não. Eu estava só deitada, mas não consigo dormir.
–Eu tive outro pesadelo.
Só quando ele disse aquilo que eu me lembrei dos pesadelos estranhos que eu estava tendo. Era tanta coisa na minha cabeça que eu havia até me esquecido.
Uma onda de preocupação invadiu o meu corpo.
–De novo, Fred? — eu disse, com a voz preocupada.
Ele cochichou um "sim" fraco do outro lado da linha.
–Você está com sono? — perguntei.
–Bastante. Mas tenho medo de dormir de novo.
Respirei fundo, e comecei a cantar.
Uma música lenta, baixa e calma. Eu não podia vê-lo, mas sabia que estava sorrindo.
Depois de um tempo eu ouvi uma respiração mais forte e sincronizada, sussurrei um "boa noite" e desliguei o telefone.
Deitei na minha cama para dormir pois o dia seguinte ia ser longo.
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