Amores e Consequências

26 Capítulo 25 – A última cartada


Notas iniciais
Postando um pouco mais cedo hoje porque mais tarde eu vou ao cinema assistir Jogos Vorazes - A esperança parte 1 (alguém já assistiu?) *** Não vou demorar muito aqui, espero que gostem do cap

Emery

O táxi parou exatamente aonde eu pedi, de longe eu podia ver a porta do colégio. Estou há duas semanas em Nova York e tenho seguido Elena todos os dias, ela vem aqui de segunda a sexta-feira pela parte da manhã para trazer as filhas antes de seguir para o trabalho e a tarde volta para buscá-la; tenho apenas uns 20 minutos até as aulas acabarem e não tenho muito tempo para perder.

– São 18 dólares, senhorita – motorista disse logo em seguida.

– Aqui está! — abri a carteira, tirei uma nota de 20 dólares lá de dentro e entreguei para o homem – Pode ficar com o troco.

Assim de dentro do carro e fui caminhando em direção ao colégio. Tinha apenas uma pessoa na frente do portão, que imaginei ser o porteiro.

– Boa tarde... — eu o cumprimentei – Estou aqui para buscar a Miranda Salvatore.

– A Miranda Salvatore? — ele me olhou confuso – Quando a mãe dela veio trazê-la de manhã disse que viria buscá-la na hora de sempre.

– A Elena me ligou dizendo que teve um problema no trabalho e não vai poder vir aqui – expliquei – Então me pediu para vir buscar a Mind.

– Então está bem, não vejo problema que você a leve – respondeu – A única questão é que o sinal do fim da aula ainda não tocou. Costumamos deixar os alunos da educação infantil saírem antes quando precisam, mas os da turma da alfabetização não.

Agora quem não estava entendendo nada era eu. Que eu saiba a garota está com três ou quatro anos, ainda não tem ideia para estar na alfabetização.

– Mas eu acha que a Miranda estivesse no maternal ainda... — o olhei, confusa – Foi o que a Elena me falou.

– E ela está – garantiu – Mas a Eve, irmã dela já está na alfabetização. Pensei que, se a senhorita veio buscar uma, veio buscar as duas.

– Na verdade eu só vim buscar a Mind – expliquei – Acho que outra pessoa vem buscar a Eve, provavelmente o pai dela ou algum outro familiar.

Obviamente todos já sabem que as duas garotas não tem o mesmo pai, já que Damon assumiu a filha e deu seu sobrenome para ela. Então não tinha o menor problema eu estar falando isso.

– Ah sim, claro – concordou com a cabeça, parecia ter acreditado na minha história – A turma dela é o maternal 2, não vai ser tão difícil de encontrar.

– Certo, muito obrigada – dei o meu melhor sorriso antes de passar pelo portão.

Como o homem disse, não foi tão difícil assim de achar a sala com a placa escrito “Maternal 2” na frente. Dei duas batidas e não demorou muito para alguém abrir.

– Posso ajudá-la? — uma mulher, que imaginei ser a professora, me olhou totalmente confusa.

– Eu vim aqui buscar a Miranda Salvatore – repeti o meu discurso de alguns minutos antes – Sou amiga do pai dela e prometi para a Elena que viria buscá-la.

– Espere só um pouco – avisou antes de ir para dentro da sala novamente.

Ela demorou mais tempo do que julguei ser necessário para arrumar uma garota para que voltasse para casa, por um momento pensei fosse me ignorar e não iria conseguir o que estou planejando. Mas então eu vi a maçaneta girar novamente.

Miranda estava ali parada ao lado da professora. Seu cabelo castanho estava preso em um rabo de cavalo, usava um casaco pesado por causa do frio que fazia na cidade, estava com a mochila nas costas e segurando a lancheira com uma das mãos. Não pude deixar de pensar no meu pequeno Damon (ou Ethan, ou Robert..., ainda não tinha decidido exatamente como iria chamá-lo), desde que soube da sua existência, fiquei imaginando como seria quando ele estivesse com idade suficiente para ir a escola.

– Mind, essa moça disse que veio te buscar – abaixou para ficar na altura da menina antes de começar a falar – Você a conhece?

– Sim... — balançou a cabeça afirmativamente – Ela é a amiga do meu pai, lá de Atlanta.

Ficou algum tempo olhando de mim para Miranda repetidas vezes. Ainda parecia meio indecisa se iria mesmo entregá-la para mim.

– Tudo bem – deu um longo suspiro e passou a mão pelo cabelo – Mind, nós vemos amanhã?

– Claro – aproximou-se e deu um beijo no rosto da professora antes de se virar para mim – Vamos? — esticou a mão para mim.

– Sim, vamos... — afirmei com a cabeça.

Saímos do colégio e ficamos esperando por um táxi. Como não podia voltar para o hotel em que estava hospedada desde que cheguei a Nova York, passei o endereço de um novo lugar, que eu já tinha pesquisado antes, para o motorista.

– Tia Emery? — a menina começou a cutucar o meu braço para chamar a minha atenção – Aonde é que estamos indo?

– É uma surpresa – respondi – Mas você já vai descobrir e tenho certeza de que vai gostar muito.

– Nós vamos encontrar o meu pai? — quis saber, mais uma vez – Foi ele que te pediu para vir me buscar?

– Acho que posso dizer que vamos ver o seu pai em breve sim – passei a mão pelo seu cabelo – Só precisa ter um pouquinho mais de paciência.

Então ela não falou mais nada, apenas se virou e ficou olhando a passagem pela janela do carro.

***

*Flash Back*

Fiquei meio incerta quando parei em frente ao prédio. Damon e eu já estamos ficando há algumas semanas, mas passar o final de semana todo com ele é uma grande mudança no nosso relacionamento e isso ainda me assusta um pouco.

Estava tão distraída olhado a fachada do edifício que tomei um susto quando meu celular começou a tocar. Peguei o aparelho de dentro da bolsa, na verdade, era uma mensagem que tinha acabado de chegar.

Em,

Aonde é que você está? Sua aula já acabou? Se você quiser eu posso passar no seu apartamento para te buscar.

Estou ansioso para o nosso final de semana,

Damon.

Dei um sorriso bobo, ele conseguia mesmo ser um fofo quando queria. Apertei o botão para poder respondê-lo.

Damon,

Não precisa me buscar, para falar a verdade eu já estou aqui embaixo do seu prédio e estou subindo agora mesmo.

Emery.

Nem ao menos esperei pela resposta dele e já entrei no local. Como porteiro já me conhecia de outras vezes que eu tinha ido até lá, ele me deixou ir direto para o elevador sem nem ao menos interfonar para o apartamento.

Assim que cheguei no andar nem precisei tocar a campainha, pois Damon já estava me esperando no corredor com a porta aberta.

Confesso que achei que você não fosse vir – ele me puxou para um abraço e deu um leve beijo nos meus lábios – Não pensa que eu sou o tipo de namorado ciumento e controlador, só achei que você tinha ficado um pouco receosa quando te convidei para vir aqui.

Dei um meio sorriso ao ouvi-lo falar que era meu namorado. Não tínhamos conversado sobre isso em nenhum momento, mas acho que é uma dessas coisas que não precisam ser ditas, apenas acontecem.

Claro que eu fiquei um pouco assustada, afinal, essa é a primeira vez que vou passar o final de semana inteiro com você – admiti – Mas isso teria que acontecer uma hora ou outro e confio que dará tudo certo.

E é por isso que eu gosto tanto de você – me deu um outro beijo, mas dessa vez foi no meu rosto – Vamos entrar?

Claro – balancei a cabeça afirmativamente, então Damon colocou a mão nas minhas costas e me conduziu para dentro do apartamento.

A sala estava exatamente como das outras vezes em que estive aqui, talvez apenas com um pouco menos de pó. Sei que a mãe dele o obriga a ter uma faxineira uma vez por semana, já que está sempre ocupado com o trabalho no hospital e não não tem tempo de fazer nenhum tipo de arrumação, então isso não é exatamente uma surpresa.

Bom, você já conhece o lugar, então sinta-se em casa – disse – Está com fome? Estou pensando em pedir comida japonesa?

Perfeito – concordei – Amo comida japonesa.

Ele abriu a boca, mas o telefone tocou antes que pudesse falar qualquer outra coisa.

Preciso atender, é do hospital – avisou quando deu uma rápida olhada no identificador de chamadas – Deixei um espaço no meu armário para você, pode ir arrumar as suas coisas se quiser.

Vou fazer isso mesmo – segui pelo corredor enquanto ele se sentava no sofá para atender a ligação.

Revirei os olhos quando cheguei ao quarto e abri o armário. Como só iria passar o final de semana ali trouxe apenas uma mochila, mas Damon deixou três gavetas e um espaço inteiro para pendurar roupas apenas para mim; não consegui deixar e pensar que, indiretamente, está querendo que eu me mude definitivamente.

Comecei a arrumar as minhas coisas quando vi uma caixa de sapatos no chão nos fundos armário; era a única coisa que ele tinha deixado ali, provavelmente nem lembrava mais daquilo. Embora saiba que é uma coisa errada, a curiosidade falou mais alto e peguei o objeto para dar uma olhada.

Tudo que tinha dentro da caixa eram três fotos. Na primeira tinha tinha uma mulher, que parecia ser um pouco mais velha do que e ela estava com a cabeça em um travesseiro e com os olhos fechados, provavelmente estava dormindo no momento em que foi tirada; na segunda estava essa mesma mulher no sofá totalmente concentrada em um livro que estava pousado nas suas pernas; já na última fotografia ela estava junto com Damon, que estava com o braço em volta dos seus ombros e ambos sorriam, parecendo muito felizes.

Os três retratos pareciam ter sido tirados há, no máximo, dois ou três anos. Meu “namorado” estava om a mesma cara de hoje em dia, embora atualmente tenha mais algumas marcas de expressão no canto dos olhos. Não pude deixar de pensar quem é essa moça, será uma ex-namorada? E o que será que aconteceu com ela?

Emery, um paciente meu chegou ao hospital passando muito mal e vou ter que ir até lá para saber o que está acontecendo – a voz dele foi aumentando, sinal de que estava vindo para o quarto – Mas não se preocupe, eu não devo demorar muito, depois disso vamos ser somente nós dois, como tínhamos combinado...

Tentei esconder o mais rápido possível a prova de que eu estava espionando, mas não foio suficiente.

O que é isso? — perguntou assim que viu as fotos na minha mão – Aonde foi que você achou?

Caíram no chão quando eu abri o armário – inventei a primeira desculpa que veio na minha cabeça – Não queria ver, mas...

Ele se sentou e tirou os objetos e ficou olhando para aquelas imagens. Seu olhar era carinhos e ao mesmo tempo nostálgico.

Quem é ela? — arisquei perguntar depois de alguns instantes de silêncio – Parece que foi alguém muito importante na sua vida.

E ela foi mesmo – afirmou enquanto passava a mão pelo “rosto” da mulher.

Entendo... — não sei se meu tom de voz soou ciumento, mas essa era a intenção; sei que parece bobagem sentir ciúmes de um “fantasma”, mas não consegui evitar – Ela tem muita sorte de ter sido tão especial para você.

Mas isso não importa mais – guardou as fotos na caixa e guardou de volta no armário – Como eu estava dizendo antes, vou precisar ir até o hospital, mas não devo demorar muito.

Não tem problemas – garanti.

Perfeito – pareceu aliviado com essa minha resposta – Como vou ter mesmo que sair, vou passar direto no restaurante japonês e fazer o nosso pedido, em vez de fazer isso por telefone.

Concordei com a cabeça, então ele trocou de roupa e saiu, me deixando sozinha e pensativa. Embora Damon tivesse dito que não tinha importância, sei que não vou conseguir tirar aquela moça da minha cabeça pelo resto do final de semana.

*Fim do Flash Back*

Suspirei aliviada quando Miranda, finalmente caiu no sono. Ela não tinha parado de falar desde o momento em que a busquei do colégio, há pouco mais de quatro horas, estava começando a pensar aonde estavam as pilhas daquela criança, assim eu poderia tirá-las e fazer com que ficar quieta.

Com o quarto de hotel em silêncio pude começar a pensar no primeiro final de semana que passei completo no apartamento de Damon. Já faz mais de um ano que aquilo aconteceu e estávamos muito feliz na época; quem poderia imaginar que as coisas iriam mudar em tão pouco tempo...

Foi nesse mesmo dia que eu “vi” Elena pela primeira vez. Confesso que desconfiava que fosse ela quando a conheci no almoço na casa do Stefan e a Caroline, mas não podia ter certeza, pois estava um pouco diferente na foto. Só tive a confirmação mesmo quando toda a verdade foi revelada.

Estava um pouco distraída, mas ouvi quando Mind se mexeu levemente na cama, mas sem abrir o olho.

– Mamãe... — ela murmurou e fiquei com medo de que já fosse acordar, mas isso não aconteceu.

Talvez fosse desespero estar sequestrando uma garotinha de três anos que não tem culpa de nada do que aconteceu ente mim e o pai dela, nem mesmo tem culpa da maneira “trágica” como tudo acabou. Mas eu estou encarando essa minha atitude como a “última cartada” e agora que já comecei, vou até o fim com isso.

***

Abri ligeiramente as cortinas para ver como estava o movimento do lado de fora. Como é inicio da manhã de sábado o transito está bem tranquilo e, o melhor, sem nenhum sinal da polícia, o que quer dizer que ninguém conseguiu me localizar.

– Eu estou com fome... — Miranda reclamou, ela estava sentada no meio da cama com as pernas cruzadas – Nós não vamos tomar café da manhã?

– Daqui a pouco – avisei antes de fechar a cortina novamente (sei que estamos no 10º andar do prédio, mas nunca é demais arriscar) – Preciso fazer uma coisa antes.

– Estou com saudades da minha mãe – continuou, podia ver algumas lágrimas nos seus olhos – E você disse que nós íamos ver o meu pai, mas até agora ele não apareceu.

Revirei os olhos. Estou aqui com ela há quase dois dias e já estou quase enlouquecendo, espero que quando eu tenha filhos eles não sejam tão chatinhos assim.

– Pois é exatamente para a sua mãe que eu vou ligar agora – avisei.

– Oba! — pareceu bem mais feliz agora e começou a bater palmas – Eu posso falar com ela?

– Vamos ver – foi tudo que eu disse antes de pegar o meu celular e começar a discar o número da casa de Elena; era para eu ter feito isso ontem, mas decidi deixá-la preocupada por mais um dia.

Em poucos toques eu ouvi um “clique” que indicava que alguém tinha atendido ao telefone.

Alô!– e era exatamente a voz dela do outro lado da linha, não pude deixar de dar um sorriso vitorioso.

– Elena... — tentei disfarçar a voz para fazer um pouco de terrorismo, mas não sei se tinha conseguido – Sabe quem é que está falando?

Emery...!– sim, eu não tinha mesmo conseguido disfarçar a voz – Aonde é que está a minha filha? O que você fez com ela?

– Ora, Elena, fica calma, a sua princesinha está muito bem — garanti, era mesmo divertido vê-la tão preocupada assim – Para falar a verdade, ela está bem aqui ao meu lado , quer falar com ela?

Mas é claro que eu quero falar com ela!– respondeu quase que imediatamente – Preciso saber que você não fez nada com ela.

Me aproximei da cama e coloquei o telefone no ouvido da Miranda

– Mamãe! — ela começou a dizer assim que eu fiz isso – Mamãe, eu estou com medo!

Mind, você precisa ficar calma!– peguei o aparelho de volta para mim, bem a tempo de ouvi-la continuar – Me diz, aonde é que você está?

– Acha mesmo que eu ia deixá-la te contar aonde é que estamos? — falei, usando o tom de voz mais sério que consegui – Você não vai ter essa informação sem um acordo.

Que tipo de acordo que você quer?– ela parecia tão desesperada que faria quase coisa que eu pedisse.

Espera, Lena, deixa que eu falo com ela – as coisas estavam mesmo muito boas para mim, como tinha previsto, Damon veio para Nova York atrás de notícias da filha – Emery, sou eu! O que você quer para devolver a minha filha sã e salva?

Agora estamos começando a falar a mesma linha – comentei – Meu acordo é muito simples, eu quero que você venha aqui me encontrar aqui. Mas quero que você venha sozinho, quero dizer, sem a Elena e sem a polícia.

Eu aceito o acordo, mas não vou até ai sozinho, a Elena vai ter que estar junto comigo – revirei os olhos, acho que não se pode ter tudo que quer mesmo

– Certo – tive que concordar – Venham vocês dois então, mas apenas vocês dois. Lembre-se que a filha de vocês está correndo perigo.

– Então me passe o endereço de onde você está – pediu.

Então eu passei o endereço do hotel em que estou hospedada e pedi para que me encontrassem no restaurante do hotel, afinal, seria melhor que estivéssemos em um luar público. Ele pareceu ter anotado tudo que estava falando.

Está certo – completou assim que terminei – Estaremos aí em menos de meia hora, espero que você também cumpra a sua parte no acordo.

– Pode ter certeza... — garanti – Vejo vocês daqui a pouco.

Desliguei o telefone e quando me virei, Mind estava na mesma posição de antes. Acho que falar com a mãe por poucos segundos não tinha deixado ela tão feliz assim.

– É melhor você se levantar – avisei – Vamos encontrar sua mãe e seu pai daqui a pouco.

– Oba! — deu um pulo da no mesmo instante – Mas eu vou encontrá-los vestida assim? — apontou para si, estava usando as mesmas roupas que no dia em que a busquei no colégio.

– Agora não temos tempo que comprar nada para você vestir – revirei os olhos – Estamos com um pouco de pressa.

– Certo... — concordou – Vou ver a minha mamãe e o meu papai, estou feliz de qualquer maneira.

***

Assim que chegamos ao restaurante tive que comprar um sundae para Miranda, que continuava a reclamar de fome. Mesmo reclamando que não podia tomar sorvete tão cedo de manhã, acabou aceitando tomar.

Dei uma olhada no relógio e já estava quase na hora que Damon avisou que eles chegariam aqui. Agora o jeito era esperar.

– Quando é que a minha mãe e o meu pai vão chegar? — perguntou, estava com a boca cheia e toda suja de chocolate – Pensei que eles já fosse estar aqui quando chegássemos...

– Eles já devem estar chegando – avisei – Só precisa ter mais um pouco de paciência.

– Estou com tantas saudades – explicou – Espero que meu papai fique mais tempo aqui em Nova York para poder passarmos mais tempo junto.

– Agora fica um pouco quieta e termina o seu sorvete – pedi – Preciso ficar de olho para quando eles chegarem.

Tinha pedido uma mesa próxima a janela da rua justamente para vê-los chegando. E não demorou muito para avistá-los do outro lado da rua, mas não estavam sozinhos, Damon conversava com um homem que usava o uniforme da polícia.

– Essa não... — murmurei, bem baixinho – Eles não seguiram o acordo que eu pedi.

– O que houve? — Mind parou de tomar o sorvete, mais uma vez, e me perguntou – Algum problema.

– Nenhum – me levantei e puxei o seu braço – Mudança de planos, precisamos ir embora daqui.

Ela prontamente se levantou e comecei a puxá-la para fora do restaurante.

– Espere, senhorita – o homem que estava na entrada começou a me chamar – A senhorita não pagou a conta do que consumiu.

– Coloque na conta do meu quarto – pedi, sem parar nenhum minuto sequer.

Sai do hotel e eles estavam parados no mesmo lugar e Elena me viu no mesmo instante.

– Damon, ela... — começou a puxar o braço do meu ex-namorado para que olhasse na direção.

– Mamãe! Papai! — Mind fez menção de atravessar a rua, mas consegui pegá-la no colo antes – Espera! Eu quero ir falar com eles.

– Agora você não pode – fiz sinal para o primeiro táxi que passou e, por sorte, parou – Vamos para a zona portuária de Nova York, o mais rápido possível.

– Imediatamente, senhorita – disse antes de acelerar.

***

– Aonde a gente está indo? — tinha consciência de que eles tinham nos seguido ou até pego a placa do táxi para saber aonde tinha ido, então comecei a correr assim que saímos do táxi.

– Estamos brincando de esconde-esconde – expliquei – Não pode podemos deixar seus pais nos encontrarem, ou vamos perder.

– Eu não gosto de brincar de esconde-esconde assim... — reclamou – É muito fácil.

Infelizmente não pude correr muito mais, pois ao longe eu pude ver vários polícias vindo na direção oposta. Quando olhei para trás, tinham outros mais, além de Damon e Elena também.

– Polícia de Nova York! — um dos homens começou a gritar – Pare agora e entregue a criança.

Olhei para o lado e tudo que tinha era um deck somente com o Oceano Atlântico em abaixo. Em um atitude totalmente desesperada, corri até lá e seguirei Miranda por cima da grade de proteção, essa atitude fez com que todos parassem na mesma hora.

– É melhor pararem por ai, ou eu jogo ela daqui – avisei, a garota já tinha começado e chorar e balançava as pernas desesperadamente – E não pensem que eu estou blefando, a menos que queiram que ela caia na água, não peguem para ver.

– Não! — Elena começou a gritar, ia correr, mas foi parada por um dos policiais.

– Fique calma, senhora – pediu – Qualquer movimento em falso pode ser um risco para a sua filha.

– Tem razão – ela concordou com a cabeça, mesmo de longe pude ver que suas mãos estavam tremendo.

– Acho que agora podemos conversar... — falei – Vocês ouvem a minha proposta e, caso aceitem, eu solto ela, mas se não...

– Pode falar, Emery – foi Damon quem pediu – O que você quer.

– Eu quero você, Damon – respondi, logo em seguida -Perdemos o nosso bebê, foi uma fatalidade, mas podemos ter outro.

– Emery, eu já te disse quando nós terminamos que não podemos ficar juntos, não daríamos certo por mais muito tempo – lembrou – Você vai encontrar outra pessoa que vai te fazer muito feliz, mas esse alguém não sou eu.

– Não estou querendo que fiquemos juntos, apenas que tenhamos um outro filho – expliquei – Tinha planos, muitos planos para o nosso filho e ainda quero que eles se realizem.

Ele ficou em total silêncio, provavelmente pensando na minha proposta. Queria saber o que estava se passando pela sua cabeça, se aceitaria ou não a proposta.

– Só precisamos ficar juntos tempo o suficiente para que eu engravide – continuei – Depois você pode voltar para a sua preciosa Elena, a filha de vocês e a outra pirralha também. Posso até criar o nosso bebê sozinha lá no Texas, se quiser.

Claro que eu queria ficar com ele, mas sei que ele não vai aceitar ficar fora da vida do bebê e vou acabar por reconquistá-lo durante a gravidez. Isso ia acontecer se o nosso filho não tivesse morrido, então pode acontecer novamente.

– Tudo bem, eu aceito isso – afirmou, por fim.

– O que? — Elena voltou a gritar, dessa vez diretamente para o namorado – Você está ficando maluco, Damon? Nós nunca vamos conseguir nos livrar dela dessa maneira.

– Se essa for a única maneira de conseguirmos Mind sã e salva de volta, então assim será – aproximou-se dela e deu um beijo na sua testa – Vai ficar tudo certo eu prometo.

– Então agora solta a minha filha – ela pediu agora para mim – Você já conseguiu o que queria, então a deixe em paz.

– É claro que vou soltá-la – garanti, não precisava mais daquela garota, já tinha mesmo conseguido o que eu queria, pelo menos uma parte do que eu queria – Mas não esqueça do nosso acordo, Damon, ou as consequências serão terríveis.

Então eu a coloquei no chão e a menina correu a toda a velocidade na direção dos pais, que já tinha se abaixado para poder abraçá-la. Sabiam que estavam sussurrando alguma coisa, só que eu estava longe o suficiente e não conseguia ouvir o que era, nas podia imaginar que eram coisas como “agora vai ficar tudo bem” e “você já está segura”.

Estava tão distraída que não percebi quando os polícias se aproximaram e algemaram as minhas mãos.

– O que, não...! — comecei a gritar – Damon! Você vai mesmo deixar que me leve assim?

– Você quer falar alguma coisa com ela antes que a levemos? — um dos homens perguntou, mas ele negou com a cabeça – Então vamos, na delegacia a senhorita vai ter o direito de fazer uma ligação.

Me colocaram no banco de trás de uma das viaturas e fecharam a porta. Da janela pude ver Damon e Elena ainda paparicando a filha com muitos beijos e abraços; acho que fui uma boba, ele nunca ia aceitar o meu acordo, só queria que eu soltasse Miranda para pudessem me prender.

E era isso... Mesmo depois de todos os esforços, tinha perdido o amor da minha vida, agora definitivamente.

Notas finais
E depois de toda a tensão a Mind está sã e salva e a Emery foi presa. O que vocês acharam da atitude dela? Acharam que ela fosse mesmo jogar a Mind na água? E sobre a proposta que ela fez pro Damon? *** Como eu já disse anteriormente, agora só faltam dois caps e o epilogo para a fic acabar, então tudo que falta agora são algumas pontas soltas na história que precisam ser ligadas... Alguém tem alguma coisa ideia do que pode acontecer nos próximos caps? Bom, é isso Comentem e digam o que estão achando. Recomendações?