Amores e Consequências
25 Capítulo 24 – Problemas de família
Notas iniciais
O nascer do sol é um dos espetáculos naturais mais lindos que nós temos na terra, mesmo em uma cidade cheia de arranha-céus e poluída como é Nova York. Claro que não é a mesma coisa quando você passa a noite toda em claro, que é o meu caso.
– Está bem senhora Whitehill, obrigado por tudo – Damon entrou no quarto, ainda estava com o telefone no ouvido, da mesma maneira que há cinco minutos quando saiu do cômodo – E pode ficar tranquila, nós avisaremos assim que a encontrarmos.
Ele desligou o celular e o colocou em cima da mesinha ao lado da cama. Em seguida, caminhou para perto da janela, aonde eu estava no momento.
– E então? — decidi perguntar, já que ele não falava nada – Eles sabem de alguma coisa da filha? Algum plano de viagem ou coisa parecida?
– Eles não sabem de nada – negou com a cabeça – A Emery ficou em Austin até uma semana antes do dia de Ação de Graças, apesar dos pedidos para ficasse mais um pouco lá. Como os dois ficaram preocupados, decidiram rastrear o cartão de crédito e descobriram que ela comprou uma passagem de avião para Nova York e se hospedou em um hotel aqui na cidade; fora isso não sabem de mais nada nem receberam nenhuma notícia da filha, até agora, pelo menos.
– Então a Emery está mesmo em Nova York – revirei os olhos – Nada que a gente já não soubesse.
– Não fique assim, meu amor, pelo menos agora temos uma nova pista – segurou as minhas mãos e deu um beijo nas costas de cada uma delas – A senhora Whitehill me deu o nome do hotel em que a Emery se hospedou, quem sabe ela não tenha percebido que poderia ser rastreada e continua no mesmo local.
Como já era de se esperar, Damon tem demonstrado estar bem calmo desde que lhe contei o que tinha acontecido. Claro que ele também pode só estar se fingindo de forte por minha causa, o que é mais provável; um de nós dois precisa estar mentalmente são para ajudar no caso seja preciso.
*Flash Back*
– A senhorita precisa comer alguma coisa – já fazia uns vinte minutos que Bonnie estava tentando insistir que eu comece alguma coisa; ela já tinha feito o lanche da Eve, a deixou vendo televisão e agora está aqui com um sanduíche e um suco de laranja para mim – Se não se alimentar direito vai acabar ficando doente.
– Não estou com fome agora, Bon... — respondi – Quem sabe depois eu coma alguma coisa.
– Sei que não é o melhor momento para isso, mas a senhorita precisa pensar na Eve e, principalmente, na Mind – continuou – Ela vai precisar da mãe.
Não tinha como eu argumentar quanto a isso, Bonnie tinha mesmo toda razão. Mind precisa de mim, agora mais que nunca, ficar aqui trancada sem comer e correndo o risco de ficar doente e não vai me ajudar em nada.
– Eu vou comer o sanduíche que você fez, Bonnie, prometo – garanti – Mas...
Antes que eu pudesse completar a minha frase o meu celular começou a tocar. Peguei o aparelho imediatamente, como já estava esperando, era Damon ligando.
– Bonnie, será que você pode me deixar sozinha um minuto? — pedi – Eu, realmente, preciso conversar com o Damon a sós.
– Claro – concordou – Vou deixar a bandeja aqui e depois passo para pegá-la, tudo bem?
Foi a minha vez de afirmar com a cabeça. Então ela colocou a bandeja na ponta da cama e saiu de dentro do quarto, foi só então que eu apertei o botão para aceitar a ligação.
– Lena!– ele já foi dizendo antes mesmo que eu pudesse abrir a boca – Só ouvi a sua mensagem agora, estava no plantão e acabei de chegar em casa.
– Eu imaginei que fosse isso mesmo... — fiquei encarando a colcha florida que cobria a cama – E foi tudo bem no seu plantão?
– Foi tudo bem sim – garantiu – Mas no momento eu estou tão preocupado com você, sua voz parecia triste no telefone, aliais, ainda parece.
Dei um longo e pesado suspiro. Damon me conhecia mesmo muito bem para saber que tinha alguma coisa errada comigo só de ouvir a minha voz pelo telefone. Tinha chegado a hora de contar, não tinha mais porque eu esconder a verdade dele.
– Tudo bem, Damon, aconteceu uma coisa hoje – falei, calmamente – Mas você tem que me prometer que vai ficar calmo e também que não vai fazer nada precipitado.
– Você está começando a me assustar, Elena– disse – Certo, eu prometo, agora me conta logo o que está acontecendo, por favor.
– É a Mind, ela... — não consegui completar a frase e já tinha começado a chorar descontroladamente.
– O que tem a Mind? – ele começou a gritar do outro lado da linha – Por favor, não me deixa preocupado desse jeito.
– Ela foi sequestrada, Damon – consegui falar, por fim – A nossa princesinha foi sequestrada.
– Sequestrada... – podia ouvir o som da sua respiração pesada – Como assim? Me explica direitinho como isso aconteceu.
– Foi a Emery – continuei – Fui buscar as meninas no colégio e me disseram que a Emery já tinha ido buscá-la e...
– Simplesmente não acredito que ela teve coragem de fazer isso – interrompeu a minha frase no meio – Eu deveria ter feito alguma coisa, adivinhado algo assim poderia acontecer.
– Não adianta nada ficar se lamentando, nem você nem ninguém poderiam adivinhar uma coisa dessas – avisei – E lembre-se que você me prometeu que não faria nada precipitado.
– Fica tranquila que eu sei disso – garantiu – Você já avisou a polícia, não é mesmo?
– Claro que eu avisei – respondi – Eles vieram aqui e já estão tentando descobrir alguma pista sobre o paredeiro das duas, mas precisam de mais informação; informações que só você pode dar.
– Eu vou ligar para os meus pais e avisar o que está acontecendo e depois vou ligar para a companhia aérea para comprar uma passagem para Nova York – avisou – Ainda hoje estarei ai com você.
– Você não precisa fazer isso, Damon – insistiu – Você tem seu trabalho ai em Atlanta, não precisa vir para cá.
Acabei de sair do plantão, só vou precisar ir para o hospital daqui há dois dias, mas, se precisar, eu posso pedir uns dias de folga, afinal, não tenho certeza de que vá conseguir me concentrar no meu trabalho enquanto não souber que a nossa filha está bem - garantiu – Além disso, acha mesmo que eu estaria em outro lugar que não seja ao seu lado nesse momento.
– Você é mesmo incrível, Damon – dei um sorriso bobo – Um namorado incrível e um pai mais incrível ainda.
– Eu já te mando uma mensagem com as informações sobre o meu voo – completou – E não precisa se preocupar, logo a Mind vai estar conosco.
Nós nos despedimos antes que eu desligasse o telefone. Tenho que admitir, era mesmo um alívio saber que ele estava vindo para cá.
*Fim do Flash Back*
– Tenho uma ideia, por que você não vai até lá embaixo enquanto eu ligo para a polícia e passo essas novas informações? — sugeriu – Estava ali no corredor e comecei a sentir um cheiro maravilhoso, com certeza a Bonnie está preparando um café da manhã maravilhoso.
– Sinceramente, não entendo como todos vocês só conseguem pensar em me fazer comer em um momento como esse – revirei os olhos enquanto comentavam.
– Por que nós preocupamos com você – deu um beijo na minha testa – Já vou te encontrar lá embaixo.
Sabia que não tinha nenhuma maneira de argumentar contra isso, então apenas balancei a cabeça afirmativamente e sai do quarto. O Damon estava certa, todo o corredor estava tomado de um cheiro maravilhoso vindo da cozinha, que fez o meu estômago roncar na mesma hora, o que é totalmente justificável, já que não comi direito ontem.
Tudo que consegui fazer logo em seguida foi caminhar em direção as escadas para chegar ao andar debaixo do apartamento.
***
As vozes que eu estava ouvindo da sala pararam no momento em que eu entrei na cozinha.
– Elena, querida! — minha sogra saiu de perto do fogão e foi me dar um beijo no rosto, ela fez questão de vir para Nova York junto com o Damon assim que soube o que estava acontecendo – Estava ensinando a Bonnie a fazer torradas francesas.
– Só pelo cheiro parece que estão uma delícia – e era verdade, as torradas estavam com um cheiro delicioso.
– Vou pegar duas para a senhorita – Bonnie avisou enquanto pegava um prato no escorredor – Imagino que esteja com fome, senhorita Gilbert.
– E estou mesmo... — admiti enquanto me sentava.
Não demorou muito para ela colocar um prato com duas torradas francesas na minha frente, junto com uma xícara cheia de café. Comecei a comer na mesma hora.
– E aonde é que está o Damon? — Edna perguntou em seguida – Pensei que ele fosse descer junto com você. Não me diga que ainda está dormindo?
– Ele já está acordado – expliquei – Só está resolvendo um problema lá em cima, mas já vem.
Continuei comendo e não demorou muito para eu ouvir passos se aproximando. Pensei que fosse o Damon, mas quando me virei descobri que era Eve, ela estava vestida e com a mochila nos ombros, pronta para ir para o colégio.
– Filha, o que você está fazendo? — a olhei, confusa – Você sabe, perfeitamente, que não vai ao colégio hoje.
– Mas eu quero ir – explicou – Além disso, hoje é o dia que eu vou para a casa da Amy, lembra?
– Eve, esse não é o melhor momento para você ir para casa da sua amiga – argumentei – Quem sabe depois, quando a sua irmã estiver bem em casa.
Ela soltou um suspiro e sentou na cadeira ao meu lado.
– Mas eu queria ir para a Amy assim eu esquecia um pouco todos esses problemas – continuou – explicou – E posso parar de pensar se a Amy está ou não bem bem agora.
Abri e fechei a boca várias vezes tentado pensar no que dizer para ela nesse momento. Estava tão preocupada com o bem estar da minha caçulinha nesse momento, que eu esqueci de pensar no que Eve poderia estar pensando a respeito disso também, também deve estar sofrendo sem a irmã.
– Além disso, quando eu voltar, tenho certeza de que a Mind já ai estar aqui em casa – completou.
– Não quero me meter na conversa de vocês, Elena, mas acho que ela tem razão – Edna comentou – Você deveria deixar a Eve ir para o colégio e para a casa da amiguinha. Se quiser eu posso levá-la.
– Isso mesmo, mãe – ela afirmou com a cabeça totalmente esperançosa.
– Tudo bem, eu deixo você ir – concordei, por fim – Mas tome o seu café da manhã, primeiro e você vai ter que me ligar toda hora para dizer que está bem.
Sei que isso pode parecer bobagem, mas depois do que aconteceu com a Miranda, quero saber tudo o que está acontecendo com a Eve e ter certeza de que ela está bem.
– Certo – ela concordou com a cabeça, respondendo ao meu pedido.
***
Por fim, acabou que Bonnie a levou para o colégio, perguntaram quem iria buscar minha filha na escola e ela disse que Eve irá com uma amiga; está mais que obvio que, depois que aconteceu com Mind eles iriam ficar de olho nos passos de todas as crianças do colégio.
– Lena, se quiser, vai se deitar um pouco – eu estava deitada no sofá com a cabeça no colo de Damon, que passava a mão lentamente pelo meu cabelo, já estava sentindo os meus olhos pesarem – Você parece cansada, por causa da noite de ontem mal dormida.
Não tinha como eu mentir, estava mesmo cansada. Passamos a manhã inteira e grande parte da tarde esperando alguma notícia da polícia sobre as últimas informações que mandamos para eles, mas agora estava bem claro que não iriam mais aparecer hoje, provavelmente Emery foi esperta o suficiente para não ficar no mesmo hotel de antes e também não deve mais estar usando o cartão de crédito.
– Eu estou bem aqui – garanti – Além disso, se eu dormir agora, vou acabar perdendo o sono hoje de noite.
– Não se você dormir apenas meia hora – sugeriu – Se quiser posso ir para o quarto junto com você e te chamo na hora certa para que não durma demais.
Estava pronta para dizer não, mas acabei soltando um pequeno bocejo involuntário de tão cansada que eu estava.
– Está vendo, você não tem nem como dizer não – fez com que eu levantasse a cabeça e ficasse sentada no sofá – Vamos lá e não aceito um não resposta.
– Já estava preparando para me levantar quando a campainha tocou. Damon e eu nos entreolhamos, será que eram os policiais com alguma notícia?
– Deixa que eu abro a porta, senhorita Gilbert – Bonnie avisou, no momento em que apareceu a sala.
– Não precisa, Bonnie, eu atendo – fui caminhando na direção da porta antes que ela pudesse fazer isso.
Mas não era a polícia, no momento em que abri, tive, sem dúvidas a maior surpresa da minha vida. Lá estavam Klaus e seus pais, assim que meu ex-marido me viu abriu um pequeno sorriso.
– A Eve me ligou ontem a noite e contou o que aconteceu com a Miranda – disse – Vim aqui para saber se está tudo bem como você.
– Não posso dizer que está tudo bem, mas eu vou levando – respondi – Obrigada por virem aqui, significa muito para mim.
– Assim que Klaus nos avisou eu e Mikael também fizemos questão de vir com ele – Esther se aproximou para me abraçar – Teve alguma notícia dela desde ontem?
– Nada ainda – neguei com a cabeça – Mas, por favor, entrem – dei espaço para que eles passassem para dentro do apartamento.
– Damon tinha vindo para perto de mim, o que significa que ele viu os recém-chegados antes mesmo que colocassem os pés na sala. Para minha sorte ele não parecia com ciúmes, parece confuso, para falar a verdade.
– Esse é o Damon, meu namorado e pai da Mind – decidi fazer as apresentações.
– Olá, querido... — minha ex-sogra já foi abraçando ele com bastante força, com certeza o deixando sem ar – Ele tem os mesmos olhos da Miranda, não é mesmo, Mikael?
– É verdade – o homem mais velho concordou.
– Damon, você já conhece o Mikael e essa é Esther, avó da Eve – continuei – E esse é o Klaus.
– É muito bom, finalmente, te conhecer – Klaus esticou o braço para poder cumprimentar meu namorado – Já ouvi falar muito de você, não só da Elena, mas da Eve também é claro.
– Também é muito bom te conhecer – aceitou o cumprimento dele – Eu acho...
– Eles vieram para cá para saber notícia da Mind – expliquei – Ficaram todos bem preocupados quando souberam o que aconteceu.
– Rebekah também quis vir, mas ela ficou presa no trabalho – Klaus disse – E Halley também queria, só que esse final de gravidez tem deixando ela bem cansada.
– Tudo bem – garanti – O importante é que vocês estejam enviando pensamentos positivos de que vá dá tudo certo.
– Vai dar tudo certo sim, Elena, pode ter certeza – Esther garantiu – Você sabe que, mesmo Miranda não sendo nossa neta de sangue nós a consideramos muito.
– E eu também agradeço muito por isso, senhora Mikaelson – foi a vez de Damon falar – Como pai é muito importante saber que a minha filha é tão queria assim.
– Bonnie, aonde é que está a Edna? — decidi perguntar sobre a minha sogra, que era a única que não estava no local – Ela também precisa estar aqui, não é mesmo?
– Ela estava me ensinando a fazer um bolo de chocolate, garantiu que todos amam – riu enquanto explicava – Mas pode deixar que eu vou lá chamá-la.
Então minha governanta entrou na cozinha para chamar Edna.
– Elena, querida, Bonnie disse que você estava me chamando – ouvi a voz dela antes que aparecesse na sala – Ela disse que Klaus e os pais estão aqui e... — parou na mesma hora, seus olhos estavam fixos em Mikael, com um misto de irritação e surpresa.
– Sim, exatamente- completei, afirmando com a cabeça – Esses são Klaus, é claro, e Esther e Mikael Mikaelson.
– O que você está fazendo aqui? — a pergunta foi dirigida diretamente para o homem, que agora também está olhando para ela.
Perfeito! Com tudo isso acontecendo simplesmente esqueci da minha desconfiança de que o Mikael poderia ser o pai biológico do Damon. Por essa reação, acho que eu estava certa.
– Acho que está bem óbvio, eu vim aqui com o meu filho e a minha esposa para dar um apoio para a mãe da minha neta em um momento difícil – respondeu – Ou será que eu devo dizer, minhas netas.
– O que você quer dizer com isso, pai? — Klaus o olhou, totalmente confuso – Você sabe que a Miranda não é sua neta biológica.
– Talvez ela seja... — cruzou os braços, totalmente convencido, ates de se virar para Edna – Esse é o seu filho mais velho, não é mesmo?
– Mikael, quer parar de falar em códigos? — minha ex-sogra começou a gritar – E fala logo o que está acontecendo aqui!
– Acho melhor eu explicar isso – a outra mulher interrompeu – Isso é uma coisa que eu tenho tentado esconder dos outros e de mim mesma por mais de 30 anos, mas agora parece que isso decidiu voltar para me atormentar.
Damon ainda estava parado ao meu lado e ficou bem tenso com as palavras da sua mãe. Tudo que pude fazer nesse momento foi segurar a sua mão com força.
– Mãe... — sua voz saiu em um sussurro, nem tenho certeza se os outros conseguiram ouvir direito – Por favor, não diga que é o que eu estou pensando...
– Infelizmente, é isso mesmo – afirmou com a cabeça – Damon, o Mikael é seu pai biológico.
O silêncio se instalou na sala nesse momento. A tensão era tão grande que acho que era possível cortá-la com uma faca.
– Mikael, isso é mesmo verdade? — Esther foi a primeira a falar depois de vários minuto.
– Sim, é verdade... — admitiu, sem encarar diretamente a esposa – Não era para você ficar sabendo, pelo menos não desse jeito.
– Agora você admite o que fez – minha sogra começou a rir – Deixe-me esclarecer tudo: nós dois começamos a nos encontrar quando eu estava na faculdade de direito e comecei a estagiar na empresa da família de vocês; mas quando eu disse que estava grávida ele disse que não iria arriscar o casamento por isso e chutou a mim e o bebê das suas vidas.
– Inacreditável.. — Klaus balançou a cabeça negativamente, provavelmente estava bem chocado com as atitudes do pai.
Foi nesse momento que meu namorado soltou a minha mão e foi na direção das escadas, subindo rapidamente. Pensei em ir atrás dele, mas Edna me parou, seu olhar dizer que o filho precisava de um tempo sozinho para colocar as coisas no lugar.
– Acho que é melhor eu também ir embora – Edna também tinha se movido, agora ela estava na porta que levava para o corredor do prédio.
– Certo, vamos embora – o homem estava se preparando para ir na direção dela – Acho que não temos mesmo nada para vir aqui.
– Não, quero que você vá comigo... — sua resposta foi totalmente direta – Você vem comigo, Klaus?
– Não, mãe, eu vou ficar aqui – negou com a cabeça – Acho que tem algo que eu preciso conversar com o papai.
– Certo! — completou – Não precisa se preocupar que eu vá levar o carro, pego um táxi aqui embaixo.
Assim que ela saiu, bateu a porta com bastante. Queria dizer alguma coisa, mas simplesmente não sabia o que, esse não é um problema meu e tenho medo de ser intrometida.
– Obrigado por estar aqui me dando apoio, meu filho – aproximou-se dele e colocou a mão no seu ombro – Isso é mesmo muito importante para mim.
– Você está enganado, pai, eu não estou aqui para te apoiar – explicou – Só fiquei para dizer o quanto estou com vergonha de ser seu filho.
Ele retirou a mão do pai do seu ombro de maneira brusca antes de continuar.
– Durante toda a minha vida tudo que você fez foi criticar todas as minhas atitudes – ficou andando em círculos enquanto falava – Nem falo de quando a Elena ficou grávida, embora a gente tenha se casado antes da Eve nascer e ter evitado um escândalo na família; mas você não tem o direito de me criticar por ter um filho fora do casamento, pelo menos eu me separei da Lena, estou morando com a Halley e assumi a minha filha. Coisa que você não fez!
– O seu casamento já estava fadado ao fracasso – lembrou – Mas eu tinha acabado de me casar com a sua mãe, tanto que você nasceu só um ano depois. Se eu tivesse arriscado tudo por causa de uma aventura, se fosse assim era possível que nem você nem seus irmãos tivessem nascido.
Meu ex-marido virou-se para onde Edna estava e eu fiz a mesma coisa. Ela estava sentada no sofá e passava as mãos pelo cabelo, essa revelação deve ter sido bem difícil para ela mesmo.
– Desde que eu era pequeno, prometi a mim mesmo que não seria igual a você, não colocaria o trabalho na frente da minha família e não deixaria o que era importante de lado – ele completou – E confesso que, quando o meu casamento acabou, fiquei com medo de que isso estivesse acontecendo, mas agora sei que não. Sem a menor dúvida eu sou um melhor pai para a Eve, e serei para a Hope também, que você jamais foi para mim, o Kol e a Rebekah.
– Acho melhor você irem embora... — decidi me intrometer, por fim – O clima aqui já está ruim o suficiente e não precisamos de mais dramas.
– Tem razão, Lena, me liga se souber de qualquer coisa – para a minha total surpresa, ele se aproximou e deu um beijo meu rosto – E não se esqueça de eu vou buscar a Eve na casa da amiga amanhã, ela vai dormir lá em casa e a trago para cá no domingo.
– Digo o mesmo... — foi a vez de Mikael falar.
– Pode deixar – concordei com a cabeça – Pode deixar que eu levo vocês até a porta.
Pai e filho saíram ao mesmo tempo. Logo em seguida eu fui até o sofá e me sentei ao lado da minha sogra.
– Está tudo bem, Edna? — perguntei, colocando a mão sob a sua – Damon já me disse uma vez o quanto essa história do pai biológico dele é complicado e ter que rever tudo isso dessa maneira...
– Está tudo bem, minha querida – garantiu – Para ser sincera, estou aliviada por ter contado tudo e ter tirado esse peso das minhas costas.
Dei um fraco sorriso em resposta, ainda não sei muito bem como agir com essa situação. Mas dar o meu apoio, mesmo que silencioso, pode ser a melhor coisa no momento.
– Você deveria ir lá ver o Damon – sugeriu – Ele já teve um tempo para ficar sozinho e tentar colocar a cabeça no lugar, talvez agora seja melhor ter a namorado do lado dele.
– Acho que tem razão... — concordei – Vou até lá agora mesmo.
– Enquanto isso vou voltar para a cozinha e vou continuar a ensinar a Bonnie a fazer o bolo de chocolate – avisou, se levantando – Deixando a cabeça ocupada não vou pensar no que aconteceu.
Ela caminhou na direção da cozinha e fui para a escadas, subi os degraus da maneira mais rápida que eu consigo.
***
Quando entrei no quarto encontrei Damon deitado na cama, ele estava de barriga para cima e com um travesseiro em cima do rosto. Sentei na ponta do colchão e passei a mão pelo seu braço.
– Eles já foram todos embora – disse – Agora estamos apenas eu, você, sua mãe e Bonnie no apartamento.
Ele retirou os travesseiro do rosto e se virou, ao mesmo tempo que segurava a minha mão e beijava a ponta dos meus dedos.
– Melhor assim... — deu de ombros.
– Imagino que você não queira falar sobre o que acabou de acontecer – continuei – Mas quero que saiba que, se precisar de alguém para desabafar, estou bem aqui.
Ele se ajeitou para poder se sentar.
– Acontece que ainda é tudo muito confuso para mim – admitiu – Saber dessa maneira quem é o meu pai.
– Imagino mesmo que deva ter sido bem difícil – concordei.
– Sabe, desde que eu era pequeno e soube o que meu pai tinha feito, comecei a imaginar meu pai como um lobisomem, vampiro, frankstein ou qualquer um desses monstros que assustam as crianças – deu de ombros – Sei que parece bobagem, mas era difícil imaginá-lo como um ser humano. Só que essa não é a realidade.
– Eu sinto muito, Damon – dei um beijo no seu ombros – Mas você nunca precisou dele e nunca vai precisar. Você tem a sua mãe, o senhor Salvatore e os seus irmãos, eles são a sua verdadeira família, que estão ao seu lado desde pequeno.
– E também tenho você, a Eve e a Mind – lembrou – E sou mais do que agradecido por ter todas essas pessoas ao meu lado.
Ele me puxou para um abraço e deu um beijo no topo da minha cabeça antes de começar e passar a mão pelo meu cabelo.
– Eu te amo, Damon – sussurrou depois de ficarmos alguns segundos em silêncio – Te amo muito.
– Eu também te amo, Lena – disse da mesma maneira.
***
O resto do dia se passou sem maiores problemas, eu e Damon decidimos sair do quarto somente para jantar e depois fomos dormir. Na manhã seguinte ele já estava bem melhor e parecia recuperado do incidente de ontem, durante o café, Edna decidiu se abrir e contou tudo sobre sua breve história com Mikael Mikaelson e achei melhor deixar os dois sozinhos conversando.
Fui para a sala e liguei a televisão e comecei a mudar os canais para ver se tinha algum programa interessante. Foi então que o telefone começou a tocar e eu me levantei para atender rapidamente.
– Alô! — disse, colocando o aparelho no ouvido.
– Elena...– apesar de estar tentando disfarçar, conhecia muito bem a voz do outro lado da linha – Sabe quem é que está falando?
– Emery...! — disse bem alto, ou melhor, eu gritei – Aonde é que está a minha filha? O que você fez com ela?
– Ora, Elena, fica calma, a sua princesinha está muito bem– garantiu – Para falar a verdade, ela está bem aqui ao meu lado , quer falar com ela?
– Mas é claro que eu quero falar com ela! — respondi sem nem pensar duas vezes – Preciso saber que você não fez nada com ela.
– Mamãe!– tenho que admitir que foi um verdeira alívio ouvir a voz da minha garotinha, mesmo não a vendo ao vivo, essa é a garantia de que ela está viva – Mamãe, eu estou com medo!
– Mind, você precisa ficar calma! — pedi – Me diz, aonde é que você está?
– Acha mesmo que eu ia deixá-la te contar aonde é que estamos?– Emery já tinha tirado Miranda da linha e estava de volta a conversa – Você não vai ter essa informação sem um acordo.
Damon já estava parado na porta da cozinha. Provavelmente estava ouvindo a conversa e veio ver o que estava acontecendo.
– Que tipo de acordo que você quer? — quis saber.
– Espera, Lena, deixa que eu falo com ela – pediu, retirando o telefone da minha mão – Emery, sou eu! O que você quer para devolver a minha filha sã e salva.
Ele ficou um momento em silêncio. Provavelmente Emery estava falando qual era a sua exigência.
– Eu aceito o acordo, mas não vou até ai sozinho, a Elena vai ter que estar junto comigo – mas um instante de silêncio – Então me passe o endereço de onde você está.
Passei um papel e uma caneta e ele começou a anotar o que a garota falou.
– Está certo – completou em seguida – Estaremos aí em menos de meia hora, espero que você também cumpra a sua parte no acordo.
Damon desligou, mas ao invés de colocar o telefone de volta na base, foi fazer uma nova ligação.
– Preciso ligar para a polícia imediatamente – avisou.
– Espera, Damon... — coloquei a mão sob a sua, impedindo de continuar a apertar os números – O que foi que a Emery disse?
– Ela quer nos encontrar no hotel em que ela está – explicou – Mas acho melhor que a polícia esteja lá também.
– O que? — gritei – Você só pode estar ficando maluco, Damon! Se colocarmos a polícia no meio, ela pode fazer algum mal para a Mind.
– Acredite, Elena, eu sei o que estou fazendo – garantiu – A polícia não vai estar conosco, vai observar de uma distância segura, essa é a nossa garantia de que ela vai pagar pelo que fez com a nossa filha.
– Mas você vai ter que me garantir que não vai acontecer nada com a Mind e que ela não vai correr nenhum risco – pedi.
– Claro que ela não vai correr nenhum risco – insistiu – Eu garanto para você que ainda hoje a nossa filha estar aqui em casa conosco e a Emery estará na cadeia – segurou o meu rosto e deu um rápido beijo nos meus lábios.
Por mais que esteja receosa, tenho que admitir que essa é a melhor maneira de Emery pagar pelos seus crimes. Então eu o soltei e permiti que ligasse para a polícia.
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