Amores e Consequências
21 Capítulo 20 – Malas prontas
Notas iniciais
Damon
Acordei estranhamente animado essa manhã e não tive nenhum problema em levantar da cama, como costuma acontecer quando tenho que ir cedo para o hospital. Claro que hoje é um dia diferente de todos, em algumas horas estarei em um avião indo em encontrar com a Elena passando o final com ela e com a nossa filha, só isso já é motivo para alegrar qualquer um.
A primeira coisa que decidi fazer foi pegar o meu celular e comecei a digitar uma mensagem para minha namorada.
Meu amor,
Faltam menos de 12 horas para nos vermos novamente e eu já estou contando os segundos para nos vermos. Tenho certeza de que você está pensando a mesma coisa que eu.
Esse final de semana será inesquecível para todos nós.
Te amo e até mais tarde,
Damon.
Tenho que admitir que foi um pouco estranho ir até Nova York. Cresci ouvindo minha mãe falando de todas as maravilhas de lá da época em que fazia faculdade, mas sempre prometi a mim mesmo que nunca colocaria os pés nessa cidade, pois quando penso nela só consigo imaginar o local em que meu pai biológico abandou a mim e a minha mãe; pelo menos pensava assim até hoje. Elena e Miranda valem todo esse sacrifício.
Demorou uns vinte minutos para o meu celular tocar, provavelmente ela não estava perto do telefone na hora em que eu mandei a mensagem. Mas logo a resposta chegou.
Damon,
Também estou contando os segundos para te ver novamente.
Ainda não vai ser o momento em que ficamos juntos definitivamente, mas esse dia também está cada vez mais perto.
Também te amo,
Elena.
Logicamente eu sabia que Lena estava tão animada quanto eu para o nosso final de semana juntos, mas era bom ouvi-la falando, ou melhor, escrevendo. Agora eu podia continuar o meu dia, afinal, ainda vou trabalhar antes de viajar.
Antes de ir tomar banho e fazer a minha higiene matinal, decidi ir dar uma olhada na mala, que eu já tinha começado a arrumar ontem a noite. Estava tudo certo e só faltavam os produtos de banheiro, que eu colocaria antes de sair de casa.
***
Voltei para o quarto com o cabelo levemente molhado e com uma toalha amarrada na cintura. Percebi que meu celular estava piscando e, por um momento, pensei que fosse Elena, mais uma vez, mas na verdade era um lembrete sobre a consulta de Emery hoje na hora do almoço; ela pediu para que eu fosse, pois era provável daria para ver o sexo o bebê.
Apesar de todos os problemas, estou animado com essa consulta ao obstetra. Quero participar dessa gravidez da maneira que não pude fazer quando Elena estava esperando pela Mind.
E a minha convivência com Emery nesses últimos dois meses tem sido o mais agradável possível. Embora ainda seja estranho eu ter que conviver com a minha ex-namorada, tolero tudo pelo bem do bebê, que não pediu por nada disso.
Infelizmente, temos momentos difíceis, não vou mentir. Um exemplo disso foi quando fui jantar com os pai dela.
*Flash Back*
Não demorou muito para eu achar o restaurante, já tinha ido lá várias vezes, embora já fizesse muito tempo. Estacionei o carro e fui andando até a porta, aonde encontrei Emery me esperando.
– Oi, Damon... — deu um sorriso tímido e se aproximou dando um beijo no meu rosto.
– Oi, Em... — passei a mão na barriga dela de leve, algo que já estava virando um hábito, todas as vezes que nos encontramos – Espero que não tenha demorado muito.
– Não se preocupe, você não demorou – negou com a cabeça – Nós chegamos aqui deve ter uns cinco minutos.
– Que bom... — dei um suspiro aliviado, conhecer os pais da sua ex-namorada depois que você a engravidou e depois terminou com ela já não é a melhor das situações, deixá-los te esperando só pioraria tudo – E como é que vocês dois estão se sentindo hoje?
– Estamos bem – foi a vez dela passar a mão na própria barriga – Agora que os enjoos passaram estou sentindo mais fome do que o normal, mas a boa notícia é que já tem cinco dias que não sinto cólica.
– Isso é mesmo ótimo... — confesso que estava começando a ficar preocupado com essas cólicas que ela andava sentido, espero que isso seja um sinal de que o remédios estão começando a fazer efeito – Mas agora me diga, por que resolveu ficar me esperando aqui fora?
– É que eu precisava falar uma coisa com você... — parecia um pouco incerta obre o que ia falar, mesmo assim, continuou – Antes que você se encontre com os meus pais lá dentro do restaurante.
– Tudo bem, pode falar... — respondi.
– Acontece que meus pais ainda não sabe que nós dois terminamos – continuou – E eu queria...
– Pedir ajuda para contar a eles? — a interrompi, tentando completar a sua frase – Claro, por mim, tudo bem.
– Na verdade não era isso que eu ia pedir – estava olhando para o chão nesse momento – Acontece que minha família é muito tradicional, já foi um custo fazer o meu pai aceitar que eu vou ter um bebê ainda na faculdade e sem ser casada, se ele soube que eu terminei com o pai do meu filho, não sei o que ele pode fazer.
Isso não é exatamente uma surpresa para mim. Emery vem de uma família de fazendeiros muito tradicional do Texas e já foi um enorme custo para ela convencer o senhor Whitehill de que ela não queria fazer faculdade em Austin e sim em Atlanta. Portanto, era mais do que esperado que ele fosse reclamar com o fato de que a filha seria mãe solteira.
– Olha, Emery, eu não sei... — passei a mão pelo cabelo.
– Damon, por favor – implorou – Você sabe que eu raramente te peço alguma coisa, então o que custa.
– Nunca é bom mentir, Em, ainda mais para uma coisa dessas – expliquei – No final acaba virando uma bola de neve e sempre tem o perigo de que alguém descubra.
– Não vai ser para sempre – garantiu – Só até o bebê nascer, então eu digo que decidimos terminar, mas que isso não vai atrapalhar a convivência de nenhum dos dois com o nosso filho.
Uma voz gritava dentro da minha cabeça para que eu dissesse não, era melhor que eu não compactuasse com essa história. Mas ao mesmo tempo eu não queria decepcionar aquela garota, afinal, ela está nessa situação meio que por minha culpa.
– Tudo bem, Em, eu aceito – disse, por fim – Não vamos contar hoje aos seus pais que nós não estamos mais juntos.
– Muito obrigada, Damon – ela me abraçou com bastante força – Agora vamos, meus pais estão nos esperando.
Então nos entramos nos restaurante e passamos direto pela recepcionista que fica na porta, então fomos em direção ao fundo do salão. Os pais de Emery estavam sentados em mesa ao fundo, perto da janela, assim que os dois nos viram, se levantaram.
– Olá, Damon! — a senhora Whitehill já foi me abraçando enquanto falava – É um prazer revê-lo.
Conheci a mãe de Emery quando ela veio a Atlanta para o último aniversário da filha, em Março. Tínhamos começado a sair há pouco tempo e confesso que eu até que fiquei feliz em conhecer a minha sogra.
– Também é um prazer revê-la — a cumprimentei de volta – E aonde é que está o Leonard? — me referi ao outro filho dos Whitehill, que tinha vindo junto com a mãe na outra ocasião.
– Ele não pode vir, as aulas na escola acabaram de começar e já está cheio de coisas para fazer – explicou – Mas oportunidades não vão faltar para ele vir aqui, ainda mais agora.
– Isso é verdade – concordei antes de me virar para o homem, que agora tinha parado ao lado da esposa – É um prazer, finalmente, conhecê-lo, senhor Whitehill.
– Também estou feliz por conhecer o famoso Damon Salvatore – apertou a minha mão – Agora vamos nos sentar, tenho certeza de que não querem ficar aqui o resto da noite, não é mesmo?
Concordei fomos todos para os nossos lugares. Não demorou muito para o garçom vir anotar os nosso pedidos e retornou, ainda mais uma vez, trazendo as bebidas.
– Bom Damon, talvez esse não seja o melhor assunto para conversarmos logo na primeira vez em que nos encontramos – o pai de Emery começou a falar, de repente – Mas devido as circunstâncias, acho que já está mais do que na hora de você dois começarem a pensar em casamento.
Tudo bem, eu te concordado e não contar sobre o nosso termino, mas não estava preparado para o assunto casamento. Como eu estava tomando um gole da minha bebida, acabei me engasgando.
– Querido, eu disse que não iriamos falar sobre isso – a mulher o reprimiu – Cabe aos dois conversarem sobre o casamento e nós não temos nada que pressioná-los.
– Só quero que a minha filha não saia prejudicada nessa história – explicou – Afinal, ela não fez essa criança sozinha e precisa de garantias que o pai vai ajudá-la a criar.
– Quanto a isso, o senhor pode ficar sossegado, senhor Whitehill – foi a minha vez de falar – Eu vou dar a Emery e ao bebê tudo que eles precisarem.
– E quanto ao casamento, eu já disse que vamos pensar nisso agora – Emery disse – Pretendo terminar a faculdade antes de me casar.
– Bom, agora você vai ter um bebê, não deveria estar pensando nesses detalhes – lembrou.
– Robert, já chega! — a senhora Whitehill elevou o tom de voz, mas nada que chamasse a atenção dos outros no local – Os dois são os pais e são eles quem resolvem quando e se devem se casar.
Depois disso um silêncio se instaurou no local e foi quando o garçom serviu os nossos pratos e, enfim, pudemos começar a comer, o que me deixou aliviado, pois evitava momento constrangedores.
– Por falar em filhos, Damon... — a mãe de Emery continuou – A Em nos contou que você tem uma outra filha, não é mesmo?
Dei uma olhada na minha ex-namorada e ela confirmou com a cabeça, dizendo que tinha comentando sobre Mind com os pais.
– Sim, o nome dela é Miranda – respondi, cheio de orgulho – Ela está com três anos e é a garota mais inteligente que eu já conheci.
– Ela é mesmo uma graça – Emery concordou – Vocês vão ter a oportunidade de conhecê-la.
– E você não casou com a mãe da garota, não é mesmo, Damon? — o senho Whitehill comentou, recebendo um olhar fulminante da esposa – Estou apenas fazendo uma pequena observação.
– Acontece que as circunstâncias do destino fizeram com que eu e a Elena nos separássemos – expliquei, e isso não era totalmente mentira, afinal, eu e Lena tivemos mesmo que nos separar antes mesmo da nossa filha nascer – Mas continuamos bons amigos e tento ver a Mind com bastante frequência.
– Inclusive estava falando, outro dia, com o Damon, para pedir para a Elena mandar a Miranda para cá um final de semana – Emery cumprimentou a minha fala – Assim eu já vou treinando para quando o bebê nascer.
– É mesmo uma ótima ideia, minha filha – a mãe dela concordou – Embora eu tenha certeza de que você será uma ótima mãe, mas é sempre bom treinar.
O restante do jantar ocorreu sem maiores problemas. Para a minha sorte, o assunto casamento não foi mais comentando, embora tenhamos falado várias vezes sobre o bebê e de como as coisas seriam quando ele nascer.
Já na porta do restaurante, os Whitehills pegaram um táxi que os levaria de volta ao hotel. Fazendo com que eu e Emery ficássemos sozinhos, mais uma vez.
– Muito obrigada, pela ajuda, Damon – disse – Eu prometo que isso vai ser por pouco tempo, assim que o bebê nascer eu conto que não estamos mais juntos.
– Só espero que você não demore mais tempo que isso – pedi – Não gosto de ficar mentindo para os seus pais.
– Pode ficar tranquilo, não vou mesmo demorar – garantiu, levantando as duas mãos.
– Bom, acho melhor eu ir para casa, amanhã é o meu plantão e eu tenho que estar no hospital de manhã bem cedo – avisei – Quer uma carona para casa?
– Não precisa, eu vou de táxi – aproximou-se e deu um beijo no meu rosto – A gente se fala depois, então...
– Me mantenha informado sobre tudo – pedi.
– Pode ficar tranquilo que eu vou fazer isso – nesse momento um táxi estava passando na rua e ela fez sinal para que o carro parasse em frente a nós.
Esperei que ela saísse dentro do veículo, então eu segui para o estacionamento aonde meu carro estava.
*Fim do Flash Back*
– Bom, senhora Edwin, a boa notícia é que a sua pressão não está alta – disse assim que retirei o aparelho de pressão no braço da paciente e coloquei em cima da mesa – Mas eu vou te encaminha para fazer um eletrocardiograma e um teste de esforço para verificar esse seu cansaço excessivo.
Fui para a minha cadeira e comecei a escrever o pedido de encaminhamento.
– Não fazemos esses exames na emergência do hospital, somente para os pacientes internados – voltei a falar sem tirar os olhos do papel a minha frente – Mas tem uma clínica, que não fica muito longe daqui, que faz esse exame, o cardiologista de lá e de minha inteira confiança. Acho que tenho um cartão de lá.
Abri a gaveta da minha mesa e não foi muito difícil de achar o endereço da clínica que de que estava falando. Quando votei a olhar para frente, a mulher estava admirando um porta-retratos que eu tinha colocado ali.
– É sua filha? — e referia a foto em que Mind estava sorrindo sentada em um dos balanços do parquinho de Mystic Falls, foi tirada em um dia ensolarado durante essas semanas em que estivemos na cidade.
– Sim... — dei um sorriso bobo enquanto olhava o “rostinho” dela – Essa é a minha Mind.
– Ela é uma gracinha... — imitou o meu gesto — E se parece muito com você.
– Sabe que eu não acho – comentei – Fora os olhos, Miranda é a cópia perfeita da mãe dela.
Destaquei a folha em que eu tinha acabado de escrever e juntei com o cartão para entregar a ela.
– E aqui está – disse – Assim que estiver com o resultado dos exames, marque uma nova consulta comigo. Só então vou poder fechar o diagnóstico.
– Pode deixar que eu marcarei – garantiu, estendendo a mão para mim – Muito obrigada, doutor Salvatore.
Então eu me levantei e a levei até a porta. Fiquei esperando que caminhasse até o fim do corredor e só então voltei para dentro da minha sala.
– Doutor Damon Salvatore, por favor, dirija-se a emergência – uma voz surgiu no alto falante do hospital. Pelo jeito não teria muito tempo para descansar o hoje, o dever me chama.
***
Depois de uma longa manhã com três pacientes marcados, duas emergências e uma ronda, finalmente pude ir almoçar. Como é costume, me sentei na mesma mesa que Hermione na lanchonete do hospital e ficamos ali conversando sobre coisas banais.
Você vai para Nova York esse final de semana, não é mesmo? — perguntou, de repente.
– Exatamente – balancei a cabeça afirmativamente – Achei que esse dia nunca fosse chegar, parece que já faz uma eternidade desde que vi Elena e Mind pela última vez.
– É tão fofo ver você assim tão bobo e apaixonado... — sorriu enquanto comentava – Acho que eu nunca te vi assim desde que eu te conheci.
– Elena é especial – expliquei – Tive outras namorada antes dela, mas acho que desde o começo foi diferente.
– Isso por que vocês se amam e mesmo que não admitissem no começo, sempre se amavam — Mione era a única pessoa que sabia da história completa do meu relacionamento com a Elena, por isso sabe perfeitamente o que está falando – Acho que eu me sinto da mesma maneira em relação ao Draco.
– Também fico feliz em ver você assim, toda boba e apaixonada – foi a minha vez de sorrir para ela.
– Bom, não que esteja querendo destruir os seus dias a sós com a Elena – mudou, rapidamente, de assunto, percebi que seu rosto estava ficando vermelho de vergonha – Mas tenho que confessar que estou um pouco chateada por você não estar aqui em Atlanta nesse final de semana.
– Tudo bem, o que você estava planejando para mim e que, provavelmente, eu seria avisado de última hora? — decidi perguntar.
– Acontece que meus pais chegaram ontem aqui nos Estados Unidos – falou, calmamente – Estou planejando um almoço lá em casa amanhã, antes de começar o meu plantão. Vai ser a primeira vez que eles vão ver o Draco e seria ótimo ter o meu melhor amigo para contrabalancear.
Nesses quase quatro anos que eu conheço a Hermione ela já tinha falado muitas coisas a respeito dos pais e é quase como se eu os conhecesse pessoalmente. Os dois são dentistas e tem um consultório em Londres, por isso nunca tinham conseguido tirar férias juntos para virem visitar a filha, pelo menos não até agora.
– É uma pena mesmo eu não estar aqui – afirmei – Mas tenho certeza de que outras oportunidades para conhecê-los.
– Com toda certeza – concordou – Aliais, eles vão ficar duas semanas aqui, quem sabe não combinamos alguma coisa no outro final de semana.
– Claro, será perfeito! — respondi.
***
Assim que terminamos de almoçar, Hermione foi comigo até a porta para podermos esperar a Emery, já que a consulta seria daqui a pouco. Não demorou muito para ela chegar, estava usando uma bata azul que marcava a sua barriga, que agora com 4 meses estava impossível de esconder.
– Oi, Damon... — aproximou-se de mim – Oi, Hermione – olhou a minha amiga de cima a baixo.
– Oi, Emery! Você parece ótima... — fez a mesma coisa enquanto falava – Bom, Damon, eu já vou indo para a minha sala, tenho um paciente em cinco minutos. Nos falamos mais tarde?
– Claro – afirmei com a cabeça – Passo na sua sala para falar com você antes de ir embora.
Acenou para nós dois e caminhou em direção aonde ficavam os consultórios.
– É tão obvio que ela é apaixonada por você – minha ex-namorada comentou – Cada dia mais eu tenho certeza disso.
– Você está ficando maluca, Emery – foi impossível não revirar os olhos – Hermione e eu somos amigos desde que me mudei para Atlanta, sem contar que ela tem namorado e os dois estão muito felizes juntos.
– Mas como você e ingenuo, Damon – riu – Isso não quer dizer nada.
– Continuo achando que você está imaginando coisas – decidi ignorar, a verdade era que ela nunca gostou de Hermione, nem mesmo quando ainda estávamos juntos – Mas vamos logo, a médica já deve estar no esperando.
– Vamos mesmo – concordou – Depois da consulta eu vou fazer compras com a minha mãe, ela quer comprar várias coisas para o bebê.
– E como é que está sendo ter a sua mãe aqui? — perguntei. A senhora Whitehill decidiu ficar mais um tempo aqui em Atlanta, para o caso de Emery precisar dela.
– Até que é legal – disse – Embora tenha que admitir que também estou enlouquecendo, ela fica querendo controlar todos os meus passos.
– Ela só está preocupada com você – dei de ombros – Vai entender melhor o que a sua mãe está sentindo quando o bebê nascer.
Depois disso não tive tempo para mais nada. Emery se inclinou, colocando a mão na barriga e fazendo uma careta de dor.
– Em, está tudo bem? — perguntei colocando a mão nas suas costas – Você está sentindo alguma coisa?
– Uma cólica muito forte – explicou – Está doendo muito, Damon, por favor, eu não posso perder o meu bebê.
– Tudo bem, Emery, você não vai perdê-lo – garanti, embora não pudesse ter 100% de certeza – Vamos ver a médica, ela vai saber o que fazer.
A peguei no colo e sai correndo pelo longo corredor do hospital.
***
– Bom, Emery, o bebê parece muito bem e o coraçãozinho está batendo bem forte – ela estava deitada na maca do consultório da obstetra enquanto a médica passava o aparelho da ultrassonografia na sua barriga, o som dos batimentos cardíacos ecoava por todo o ambiente – Mas a sua placenta continua descolada e parece ter aumentado um pouco mais desde a sua última consulta.
A placenta tem sido um problema desde que Emery sofreu seu primeiro sangramento ainda em Mystic Falls. E o pior é que nada que ela faça parece estar fazendo efeito.
– Em, você tem mesmo tomado o seu remédio? — decidi perguntar – Você sabe que não pode se descuidar, isso pode ser perigoso para vocês dois.
– Eu sei disso, Damon e tenho sim tomado os meus remédios – garantiu – Doutora, o que pode estar acontecendo?
– Como eu já disse antes, descolamento de placenta é bem comum quando a mãe tem menos de vinte anos, mas normalmente isso se resolve em algumas semanas – explicou – O que eu posso fazer no momento é dar uma medicação na veia agora e mudar o remédio que você está tomando. Então vemos como estão as coisas daqui há uma semana.
Então, Emery começou a chorar com as duas mãos sob o rosto, acho que nunca tinha visto ela tão desesperada antes.
– Fica calma, Emery... — ela pediu, passando a mão pelo seu braço – Vai ficar tudo bem.
– É que eu não quero perder o meu bebê – disse, entre soluços – Eu não posso perder esse bebê.
– Eu sei disso e você não vai perdê-lo – garantiu – Acredite em mim, eu ainda vou fazer o parto desse bebê.
Fiquei totalmente sem reação, exatamente como aconteceu quando Elena ficou desesperada após a tentativa de aborto espontâneo quando ela estava esperando Mind. Por algum motivo, parece que nada que eu possa dizer parece ser o suficiente.
– Em meio a toda essa confusão, eu tenho uma boa notícia – avisou – Consegui ver o sexo do seu bebê, vocês vão ter um menino.
– Sério? — Emery ficou bem animada com aquela notícia – Mas isso é mesmo maravilhoso! Não acha, Damon?
– Sim, é mesmo – afirmei com a cabeça.
– Então eu vou pegar o medicamento injetável – avisou enquanto se levantava – Ele não costuma causa reação, mas se você sentir alguma coisa, pode me ligar, a hora que for.
– Pode deixar, doutora, eu vou ligar – afirmou com a cabeça.
Então ela saiu da sala, provavelmente para ir até a farmácia do hospital. Eu me sentei no banco em que a mulher estava há alguns minutos e segurei a mão da minha ex-namorada.
– Está vendo, Em, você não precisa se preocupar – dei um beijo na ponta dos seus dedos – Tenho certeza de que vai ficar tudo bem.
– Tem certeza de que você precisa ir para Nova York nesse final de semana? — quis saber – Não queria que você saísse de perto de mim e do nosso filho.
– Sinto muito, Emery, mas já estou planejando essa viagem há semanas, não tem a menor possibilidade de eu desmarcar – a escala do mês saiu ontem e eu vou ficar de plantão pelos próximos dois finais de semana, se eu não fosse hoje, não saberia quando teria outra oportunidade – Além disso, não teria nada que eu possa fazer se acontecesse alguma coisa.
– Você é médico... — lembrou.
– Sou cardiologista, não obstetra – observei – E você nem vai sentir minha falta nesses três dias. Sua mãe está ai e vai estar ao seu lado todo o tempo.
– Era sobre a minha mãe que eu queria te falar – continuou – Queria que você não contasse para ela sobre o descolamento de placenta.
– Em, não acho que essa seja uma boa ideia... — dei um longo suspiro — Não falar que nós dois terminamos é uma coisa, mas isso tem a ver com a sua saúde.
– Só não quero deixá-la preocupada – explicou – Se não vai acontecer nada, não tem problema esconder.
– Tudo bem, vou respeitar o seu pedido – avisei – E mais uma coisa, tenho certeza de que logo esse garotão vai estar correndo por ai e dando muito trabalho para a mamãe dele.
– Espero que sim, mas não precisa dar muito trabalho – fez uma careta – Já estou imaginando um garotinho de olhos azuis e cabelos bem pretinhos, iguais aos seus.
– Se ele for igual a mim, acredite, ele vai dar muito trabalho -ri – Minha mãe sempre diz que eu era arteiro quando era pequeno.
– Sabe, acho que eu ainda não te agradeci o suficiente – continuou – Por ter me dado um filho, embora tenha sido um pouco cedo demais, e por estar ao meu lado o tempo todo.
– Você não precisa me agradecer – dei um beijo no topo da sua cabeça – Acredite em mim.
***
Depois que a médica aplicou a medicação ainda passou a nova receita e deu algumas novas recomendações. Então, assim que ela liberou Emery, eu a deixei em um táxi para que fosse encontrar a mãe no shopping que ficava aqui perto.
Dei uma olhada no relógio de pulso, o meu expediente do dia tinha acabado de acabar.
– Oi, Mione – parei na porta da sala da minha melhora – Eu já estou indo. Ainda preciso passar em casa e pegar minha mala antes de ir para o aeroporto.
– Está bem – disse – Divirta-se, aproveite muito: Nova York, a sua namorada e a sua filha.
– Pode deixar que eu vou aproveitar – garanti – Mas antes de ir eu queria te pedir um favor.
– Claro, pode fazer – avisou – Se estiver ao meu alcance, eu faço.
Fechei a porta e me aproximei da mesa dela. Mesmo sabendo que Emery já tinha ido embora, não custa nada ser cuidadoso.
– Queria que você ficasse de olho na Em para mim – pedi – Ligue para ela, uma vez ao dia, só para garantir que está tudo bem com ela e com o bebê.
– Tudo bem, eu faço isso – afirmou com a cabeça – Mas está tudo bem? Descobriram alguma coisa na consulta?
– Não, está tudo bem – respondi – Só quero garantias de que está tudo bem, ser cuidadoso nunca é demais.
– Tenho que concordar com você quanto a isso – falou.
– Se acontecer alguma coisa ou se sentir que tem algo errado, você pode me ligar – peguei um papel qualquer e uma caneta, que estavam em cima da mesa – Esse daqui é o número da casa da Elena.
– Pode ficar tranquilo, Damon vou ficar de olho em tudo aqui – garantiu – E aproveite esses dias fora para relaxar.
Então eu me despedi de Hermione e fui embora para o estacionamento do hospital. Não vou mentir, estou preocupado com Emery e o bebê, mas tenho certeza de que vai ficar tudo bem no final.
Pelo menos é assim eu espero...
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