Amores e Consequências

14 Capítulo 13 – Preciso libertá-la


Notas iniciais
Antes de mais nada, eu quero agradecer a Camila Cristyna pela linda recomendação, nem preciso dizer que eu amei não é? Ela já tinha me perguntando que se escrevesse uma recomendação se eu iria postar dois capítulos seguidos, então eu decidi postar dois capítulos na mesma semana (não nessa semana, que eu não tive tempo de escrever dois capítulos, mas semana que vem eu vou postar dois capítulos, ok?) e em um deles vai ter a hot que eu tinha prometido também. Bom, esse capítulo vai ser um pouco diferente, vai ser no ponto de vista do Klaus. Espero que vocês gostem. E nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Klaus

*Flash Back*

Ora, Klaus, vamos, vai ser divertido! — soltei um longo suspiro e passei a mão pelo cabelo, tínhamos acabado de sair de uma aula extremamente cansativa e não estava com muita vontade de discutir.

Não tenho certeza se essa é uma boa ideia, Trevor – respondi, por fim – Essa foi uma semana extremamente cansativa e não estou muito em clima de festa.

Apesar de não estar planejando se aposentar tão cedo, meu pai continua insistindo em me treinar para assumir o seu lugar na empresa um dia. Essas são as inevitáveis consequências de ser o filho mais velho e o único que decidiu fazer direito na faculdade para seguir os passos dele.

Claro que isso significa que eu tenho que dividir o meu tempo entre as aulas da faculdade e as obrigações do trabalho no escritório, o que me deixa cansado e sem ânimo para fazer mais nada. Sorte que esse é meu último ano de curso e tenho esperanças de que depois de formado as coisas melhorem.

Mas a festa do curso de veterinária – lembrou, como se fosse uma espécie de palavra mágica – Imagina a grande quantidade de calouras que vão estar lá?

Obviamente eu tenho vontade de conhecer alguém. Namorei uma garota chamada Camille quando estava no primeiro semestre da faculdade, mas a falta de tempo fez com que terminássemos em poucos meses e estou sozinho desde então.

Olha, Trevor, eu até iria se hoje não fosse quinta-feira – expliquei – Amanhã eu tenho que acordar cedo para trabalhar e nós também temos uma prova importante amanhã a tarde, caso tenha se esquecido.

Claro que eu lembro, mas estudamos o final de semana inteira, seria bom irmos para relaxar um pouco e tentar parar de pensar na prova – sugeriu – E podemos sair antes da meia-noite, assim você tem bastante tempo para dormir antes de ir para a empresa amanhã.

Aqueles eram mesmo bons argumentos. Confesso que estou inclinado a ir a essa festa, faz mesmo bastante tempo que eu não vou a uma.

Já sei que você não vai aceitar um não como resposta – falei, por fim – Tudo bem, vamos para a festa então. Acho que vai ser divertido.

Perfeito! — pareceu satisfeito – A festa vai ser em uma casa de fraternidade do curso de veterinária. Nos encontramos aqui em uma hora, pode ser?

Claro! — concordei, nesse momento já tínhamos chegado ao estacionamento do departamento de direito e cada um foi para o seu carro.

**

Por sorte eu fui até em casa, tomei banho e troquei de roupa antes do meu pai chegar, sabia que se falasse aonde é que eu estava indo, nunca me deixaria sair. Não sei muito como vai ser o meu futuro, mas uma coisa é certa, nunca vou tratar os meus filhos da maneira que ele tratou a mim e aos meus irmãos a vida inteira.

Apesar de já ser quase nove da noite, o transito estava totalmente caótico em Nova York, o que me fez demorar mais tempo do que estava planejando para chegar na Colúmbia. Trevor já estava me esperando, já que ele mora no dormitório que fica dentro do campus.

Finalmente você chegou! — ele disse assim que me viu saindo de dentro do veículo – Achei que tinha desistido, estava quase ligando para a sua casa.

Nunca! — neguei com a cabeça – Acontece que eu peguei um engarrafamento quilométrico de casa até aqui.

Entendi... — foi tudo que disse sobre isso – Agora vamos, a festa já deve ter começado a uma hora dessas.

E meu amigo está certo. A música rolava a todo o volume, algumas estavam reunidas e bebendo (embora ache que não estejam conseguindo conversar), outras dançavam na pista de dança improvisada e algumas até subiam as escadas em direção aos quartos.

Acho que eu acabei de ver uma garota com quem eu fiz aula de literatura – ele disse.

Espera, você fez aula de de literatura? — perguntei, sem conseguir evitar dar um sorriso sarcástico – Quando foi isso?

Há uns dois semestres — deu de ombros, indiferentes – É bom para conhecer garotas, você deveria tentar.

Até parece que o senhor Mikael iria me deixar fazer isso – revirei os olhos. Meu pai fez questão de controlar tudo que eu estudo na faculdade, até mesmo as matérias optativas tem que ser úteis para a função que vou exercer na empresa.

Bom, vou até lá falar com ela – completou – Você deveria ir tentar se enturmar, se é que você me entende.

Trevor se afastou indo falar com um grupo de meninas que estava dançando e eu comecei a andar em volta, primeiramente, apenas para observar a festa. Uma pesquisa feita no ano passado apontou as alunas de veterinária como as mais bonitas de toda Colúmbia University, hoje eu vejo que eles tem razão.

Várias garotas me chamaram para dançar, mas eu recusei o convite de todas elas, nenhuma tinha despertado o meu interesse; até que eu a vi. Ela tinha o cabelo castanho bem liso e não aparentava ter mais do que 18 anos, provavelmente é caloura; estava sentada na bancada do bar totalmente sozinha, então decidi me aproximar.

Com licença, será que eu posso me sentar aqui? — perguntei, me referindo ao banquinho ao lado do dela, que estava vazio.

Claro! — ela gesticulou enquanto respondia e, infelizmente, bateu no copo, fazendo com que a bebida caísse toda em cima da minha roupa – Ai! Eu sinto muito! Sou uma completa desastrada mesmo!

Não tem problema! — garanti, sorte que eu estava de calça jeans, então mesmo que tivesse manchado não daria para ver – Espero que morango não manche.

Na verdade, mancha – respondeu, fazendo uma careta – Acredite, aprendi isso da pior forma possível.

Acho que o mínimo que posso fazer é pagar uma bebida para você – falei.

Não precisa, me pagar uma outra bebida – negou com a cabeça – Afinal, fui eu quem derrubou, então eu mesma posso pagar.

Mas eu faço questão – insisti antes de chamar o garçom – Por favor, um Wisky para mim e para a senhorita a mesma bebida que estava bebendo antes.

Ele não demorou muito para trazer o que tinha eu tinha pedido. Dei um gole na minha bebida e percebi que ela tinha feito a mesma coisa.

Muito obrigada – deu um sorriso sem graça – Eu já sou desastrada por natureza, mas quando bebo fico umas 100 vezes pior. É em um momento como esse que eu deveria prometer nunca mais colocar uma gota de álcool na boca.

Acredite, já fiz essa promessa várias vezes, mas nunca dá certo – alertei, fazendo-a rir – Mas agora me diga, o que você está fazendo sozinha nessa festa?

Uma amiga minha me arrastou, ela mora aqui na fraternidade – respondeu – Ela está dançando em algum lugar, mas preferi ficar aqui.

Entendo, também fui arrastado por um amigo até aqui – disse – Mas ele não é da fraternidade, embora você deva ter percebido.

É, eu desconfiei – revirou os olhos.

Nós continuamos a conversar animadamente e pedimos mais duas bebida cada um no processo. Não tenho ideia de quanto tempo se passou, mas acho que deve fazer uma hora, mais ou menos.

Eu adoro essa música! — ela praticamente pulou do banco quando começou a tocar uma música bem agitada, sei que já ouvi em algum lugar, mas não lembro aonde – Vem, vamos dançar?

Não sei se é uma boa ideia! — reclamei, fazendo uma careta – Não sou muito bom quando o assunto é dança, sou meio desengonçado.

Ah, por favor, só essa música – insistiu e, por fim, acabei concordando.

Nós dançamos muito mais do que uma música e logo começaram as melodias lentas, que fizeram com que os casais começassem a se juntar. Foi dessa maneira que a gente começou a se beijar.

Agora vamos rever os fatos: eu estou em uma festa de fraternidade (algo que, em quase quatro anos de curso, nunca tinha feito), no meio da semana e beijando uma garota que nem ao menos sei o nome. Mas algo eu tenho que admitir, nunca me diverti tanto na minha vida como hoje.

Estávamos distraídos nos lábios um do outro quando o celular dela vibrou no bolso de trás da sua calça.

Você não vai atender? — quis saber, me afastando alguns centímetros.

Claro! — passou a mão pelo cabelo antes de pegar o aparelho e dar uma olhada no visor – É o alarme que eu coloquei, já é meia-noite, eu preciso ir embora, tenho muita coisa para fazer amanhã e não posso ficar aqui até muito tarde.

Tudo bem, eu entendo – apenas afirmei com a cabeça e ela já tinha ido – Espere – queria pelo menos saber o seu nome, mas era tarde demais. Não fiquei tão triste por isso, apesar do campus ser enorme, tenho certeza de que vamos nos encontrar novamente.

Não fiquei muito tempo ali parado, pois também tinha que ir embora. Ainda procurei por Trevor, mas ele tinha desaparecido, então fui pegar o meu carro no estacionamento e segui para casa.

**

Acho que, no fundo, meu pai sabia a hora em que eu cheguei em casa, pois me acordou mais cedo do que de costume para irmos a empresa, alegando que tínhamos muita coisa para fazer naquele dia. Sinceramente, nem sei como consegui aguentar duas reuniões e ainda analisar um processo em que estamos trabalhando, e tudo isso apenas na parte da manhã.

Logo depois do almoço eu tive que ir para o campus para fazer a minha prova. Na porta da sala eu encontrei Trevor, que explicou que eu não o encontrei antes de ir embora, pois ele estava com aquela amiga que tinha encontrado assim que chegamos a festa, não pude culpá-lo por isso, afinal, eu também tinha conhecido alguém.

Até que a prova não estava tão difícil – meu amigo comentou enquanto saímos da sala – Acho que vai dar para tirar uma boa nota.

Sim! — afirmei. Tinha estudado bastante e a cada pergunta que eu lia era como se as resposta surgisse na minha mente quase que automaticamente – Bom, eu preciso voltar para a empresa, meu pai só me deixou sair para vir fazer a prova.

Seu pai parece ser bem rígido com você – comentou – Sério, não queria estar no seu lugar.

Ano que vem quando você começar a trabalhar para valer comigo vai ter uma noção bem maior disso – respondi. Trevor sempre esteve ao meu lado durante todo o curso de direito e era mais do que óbvio que, quando nos formássemos, eu iria levá-lo para me ajudar na empresa e ser meu braço direito no dia em que assumir o lugar do meu pai.

Estou ansioso para isso – percebi um certo tom de ironia na sua voz.

Acredito que esteja – sorriu – Bom, então é isso, nos falamos uma outra hora dessas.

Nos despedimos e eu caminhei para a saída do prédio. Na calçada, perto da escadaria, tinha um cachorrinho andando de um lado para o outro, parecendo perdido e quando eu passei por perto, eme me seguiu.

Oi, garoto – me agachei e fiz carinho na sua cabeça – Você está perdido?

Dei uma olhada ao redor. Muitas pessoas passavam apressadas, provavelmente atrasadas para as suas aulas, mas aquele cachorro não parecia ser de ninguém.

Tudo bem, vou te levar até o prédio de veterinária – me levantei com ele no colo – Se você não for de lá, provavelmente vão saber o que fazer.

**

O prédio do departamento de medicina veterinária não ficava muito longe do de direito, então cheguei lá rapidamente. Alguém no balcão de informações me mandou para o canil, que ficava no final do corredor do primeiro andar.

Com licença! — comecei a chamar quando entrei no local – Tem alguém aqui.

É pai, infelizmente, não vou poder ir para casa no dia de ação de graças – ouvi passos de alguém que, provavelmente, estava falando no celular – Eu vou ter uma prova importante na segunda-feira seguinte e vou passar o feriado todo estudando.

Ainda estamos no meio de outubro, o que significa que falta mais de um mês para o dia de ação de graças, mas acho que os alunos que tem família fora de Nova York tem que planejar isso com mais antecedência. Minha mãe está bem desanimada com o dia de ação de graças desse ano, já que essa será a primeira vez que meus irmãos não estarão aqui e meu pai, provavelmente, vai acabar transformando um feriado em família em algo para beneficiar os contatos da sua empresa, isso também não me deixa nem um pouco animado.

Pai, agora eu tenho que ir, acabou de chegar alguém – no momento em que ela se virou pude ver que era a mesma garota que eu conheci ontem na festa – Depois nos falamos melhor.

Desligou o aparelho e o colocou na bancada a sua frente, então assim que se virou para mim, sorriu. Provavelmente, também me reconheceu.

Oi! — foi então que percebeu o cachorro que eu estava segurando – Banzé, aonde você tinha se metido? Não tem ideia do quanto eu fiquei preocupada!

Ela o tirou dos meus braços e Banzé começou a lamber o seu rosto, parecendo grato por vê-la.

Ele estava na frente do prédio de direito – expliquei – Então decidi trazê-lo até aqui.

Uma das meninas que estava aqui de manhã decidiu lavar as coisas aqui e colocou os cachorros no chão – disse enquanto o colocava em uma das gaiolas que estava vazia – E o Banzé fugiu. O procuramos pela área, mas nada, cheguei a pensar que nunca mais ia voltar.

Fico feliz em ajudar – avisei – Mas deixe-me fazer uma pergunta? Esses cachorros não está aqui para serem cobaias vivas que a gente vê na televisão que as faculdade de veterinária tem, não é?

Não, pode ficar tranquilo, aqui na Colúmbia não temos cobaias vivas – ela riu da minha pergunta – E se tivesse, garanto que muita gente por aqui já tinha soltado eles.

Isso é mesmo um alívio – admiti.

Esse cachorros foram resgatados na rua pelos alunos e ficam aqui para serem adotados – continuou – Fazemos uma fera de adoção no último final de semana de cada mês se quiser aparecer. Quem sabe você não fica com o Banzé? Ele pareceu gostar de você.

Eu adoraria, mas vai ficar meio difícil – dei um suspiro triste – Moro com os meus pais e eles ficariam loucos se eu levasse um cachorro para casa – na verdade era mais pelo meu pai, tenho certeza de que a minha mãe não se importaria.

Meu pai também nunca deixou que eu e meu irmão tivéssemos um cachorro quando éramos pequenos – disse – Mas o discurso dele era de que trabalhava demais e nós dois não íamos cuidar dele.

Acho que faz sentido – concordei.

Foi nessa época em que decidi ser voluntária no canil da minha cidade e também quando tive certeza de queria ser veterinária – estava com um brilho nos olhos, dava para ver que ela amava mesmo tudo aquilo – Eu sempre amei animais, mas quando vi quantos eram abandonados todos os dias, até mesmo em uma cidade pequena como a minha, percebi que precisava fazer algo para ajudar quanto isso.

Parece uma causa linda – sorri – E também é lindo ver alguém tão apaixonado pela futura profissão.

E quanto a você? — decidiu perguntar – Você faz direito, não é? Também é tão apaixonado pela sua futura profissão quanto eu?

Na verdade eu escolhi esse curso por falta de opção e também por pressão do meu pai – não sabia porque, mas decidi ser totalmente sincero.

Não me parece um bom motivo para escolher um curso – estava olhando para os pés nesse momento.

Acredite, se você conhecesse o meu pai, ia entender que eu não tive muita opção – dei de ombros – A propósito, sou Niklaus,mas pode me chamar de Klaus – estiquei a mão para cumprimentá-la.

Prazer em conhecê-lo, Klaus – correspondeu ao meu gesto – E sou Elena, mas pode me chamar de Lena.

Lena... — repeti.

Oi, Elena! — uma outra garota tinha acabado de entrar na sala, estava usando um jaleco, exatamente como ela, provavelmente também trabalhava aqui no canil.

Já são quatro horas? — olhou espantada para o relógio de pulso, na verdade, ainda faltavam quinze minutos para as quatro da tarde – Eu tenho que ir! Até segunda-feira, Emily!

Então, Elena saiu apressada de lá. Não pude deixar de rir, lembrando que aquela era a segunda vez que ela fazia isso nessa semana.

Posso ajudar em alguma coisa? — a garota que ela tinha chamado de Emily me perguntou.

Não, eu só vim aqui trazer o Banzé – expliquei, apontando na direção do cachorro, que agora não parava de latir – Com licença, eu tenho que ir.

Está bem – completou.

**

Espera, Elena! — consegui alcançá-la ainda no corredor – O que você vai fazer agora?

Bom, eu tenho aula daqui a pouco – respondeu – Mas como ainda tenho tempo, acho que vou comer alguma coisa na lanchonete, não tive tempo de almoçar ainda e estou com fome.

O que acha de irmos naquele café que fica aqui perto? Eu pago – sugeri – Assim podemos conversar melhor, o que acha?

Claro, eu vou adorar – disse, na mesma hora – Mas não posso demorar muito, essa professora é muito rígida e não toler atrasos na aula.

Perfeito! — concordei – Então vamos até lá.

Antes que pudéssemos voltar a andar, meu celular tocou, indicando que tinha chegado uma mensagem. Não precisava nem ver para saber que era do meu pai, mesmo assim, eu precisava lê-la.

Niklaus,

Imagino que você já tenha terminado a sua prova a essa altura. Não se esqueça que você tem que voltar a empresa, ainda tem muita coisa para fazer aqui.

Soltei um longo suspiro e passei a mão pelo cabelo. Hoje, sem dúvidas, teria uma longa e cansativa noite.

Essa, não eu preciso ir – disse, por fim – É um assunto de família, espero que você entenda.

Claro que entendo – garantiu – Família em primeiro lugar acima de qualquer coisa. Combinamos algo algum dia desses.

O que acha de amanhã? — arrisquei – Conheço muitos restaurantes bons aqui em Nova York, posso te levar a qualquer um deles.

Esse daqui é o meu telefone – pegou um caderno e me entregou – Pode me ligar mais tarde e combinamos.

Pode ter certeza de que eu vou lugar – garanti, ainda encarando o cartão.

Ela me deu um beijo no rosto e se afastou. Fiquei com um sorriso bobo no rosto enquanto a observava até que sumiu no fim do corredor, talvez aquele dia não tenha sido um desastre total.

*Fim do Flash Back*

Foi impossível não soltar um suspiro enquanto olhava para a foto do papel de parede do meu computador, em que estávamos eu e Elena e também com tudo aquilo que tinha acabado de voltar a minha mente. Lembrar do inicio do nosso namoro era maravilhoso e doloroso ao mesmo tempo, naquela época tudo estava as mil maravilhas e até mesmo logo em que descobrimos a gravidez e nos casamos as coisas ainda estavam perfeitas; na realidade, acho que tudo começou a desmoronar quando eu decidi me preocupar mais com o trabalho do que com minha esposa e minha filha, exatamente como o meu pai fez a minha vida inteira.

– Como é que eu pude ser tão idiota? Fazer exatamente tudo que eu tinha prometido nunca fazer...

Não sei exatamente em que momento Lena decidiu que a vida comigo não era o suficiente, mas imagino que tenha sido em algum momento durante a sua viagem a Mystic Falls. E quando ela pediu o divorcio tudo que consegui fazer foi pensar em uma maneira de “convencê-la” a voltar, não podia perdê-la, mesmo sabendo que ela estava grávida de outro cara.

Miranda..., meu eterno conflito emocional, eu queria “gostar” daquela menina e tratá-la como uma filha, mas, simplesmente, não consigo. Ela é a prova viva de tudo que aconteceu e mesmo sabendo que Mind (como Elena a chama) não tem culpa de nada disso, minha cabeça não consegue esquecer.

– Lena... — passei a mão no seu rosto na foto em que estava na tela do computador – Por que tudo tem que ser tão complicado dessa maneira?

Meu primeiro passo foi deixá-la ir para Mystic Falls sozinha, sabendo que Damon também estaria lá, embora eu não saiba exatamente o que está acontecendo lá. Mas agora eu preciso fazer a coisa certa, definitivamente.

– Com licença! — a porta do meu escritório foi aberta, Halley – Eu já estou pronta, podemos ir a hora que você quiser.

– Claro, só preciso terminar de responder esse e-mail e já podemos ir – menti.

– Tudo bem, vou te esperar lá na sala então – avisou antes de sair e me deixar sozinho mais uma vez.

Confesso que fiquei a primeira vez com Halley para me “vingar” de Elena. Ela disse que eu poderia ficar com quem quisesse e minha secretária era a pessoa mais próxima, mas, aos poucos, fui me acostumando com sua presença e hoje não posso dizer que estou apaixonado, mas sinto um carinho muito grande, principalmente depois do bebê.

Quando ela me contou estava grávida não tinha ficado muito animado, mas depois da primeira consulta isso mudou e eu já amo meu filho ou filha da mesma maneira que amo Eve. Além disso, essa criança foi o principal motivo para eu fazer o que estou prestes a fazer.

– Não se preocupa, Lena, eu vou te liberta – voltei a falar com a foto – É a coisa certa, para nós dois.

Me levantei e segui para a sala, aonde Halley estava me esperando.

***

Parei o carro em frente ao portão da casa dos meus pais e fiquei esperando que o segurança abrisse para que eu passasse. A morena ao meu lado colocou a mão, distraidamente, a mão sob a minha.

– Você tem certeza de que é isso mesmo que quer fazer? — perguntou – Você não precisa fazer isso, Klaus.

– Mas eu quero fazer isso – garanti enquanto colocava a mão sob a sua barriga de dois meses de gestação, ainda estava lisinha, mas logo daria para ver alguma coisa – Combinamos que faríamos isso antes do bebê começar a ficar evidente, lembra?

– Acho que ainda temos alguns meses para poder esperar – lembrou – Só não quero que você se sinta obrigado a fazer uma coisa que vá se arrepender depois.

– Halley, entenda de uma vez por todas que eu não vou me arrepender – coloquei uma mexa do seu cabelo atrás da orelha – É a coisa mais certa a se fazer. Eu vou contar a verdade aos meus pais, dar o divórcio para a Elena, deixar que ela fique no apartamento com as meninas, então nós dois e o nosso bebê vamos viver livres e desimpedidos.

– A decisão de contar aos meus pais a verdade sobre o meu casamento com a Elena nos últimos três anos, mas sabia que era o que eu precisava fazer. Se eu queria parar de viver uma mentira, essa era a melhor maneira de começar.

– Obrigada por estar fazendo isso – me deu um pequeno e rápido selinho nos lábios – Mas como você acha que vai ser a reação dos seus pais?

– Sendo totalmente sincero, não vão gostar nem um pouco – admiti – Com toda certeza minha mãe vai se colocar no lugar da Elena e ficar com raiva de mim por eu tê-la “obrigado” a voltar a morar comigo.

Claro que eu poderia dizer que a culpa não era somente minha e que foi ela quem me traiu primeiro, mas sei que nada justifica a minha atitude.

– Já o meu pai não vai ficar nem com raiva nem feliz – continuei – Ele só vai se preocupar em como esse escândalo vai afetar a vida politica dele.

– Isso não era novidade, Mikael Mikaelson sempre se preocupou apenas com ele e nada mais. Principalmente depois que virou governador do estado de Nova York.

– E quanto a sua irmã? — quis saber, mais uma vez.

– Bekah e Elena são amigas desde que se conheceram, então provavelmente vai ficar do lado dela – disse.

– Imagino que nada disso vá ser fácil para você, Klaus – passou a mão pelo meu cabelo – Você tem muito mais a perder com essa história que a Elena, principalmente em relação a sua família.

– Mas eu vou fazer isso – afirmei com a cabeça – Já me decidi e nada vai me fazer mudar de ideia.

Foi nesse momento que o segurança apareceu e abriu o portão. Eu religuei o carro e me dirigi para dentro da propriedade da família Mikaelson, ao fundo eu já podia até ver a casa em que cresci.

E era isso, os últimos três anos da minha vida iam chegar ao fim hoje. Agora não tinha como voltar atrás...

Notas finais
Acho que agora deu para entender tudo que o Klaus sentiu a respeito da traição da Elena, o acordo que eles fizeram quando ela voltou para Nova York e sobre a Miranda, não foi? O que vocês acharam do flashback do Klaus lembrando de quando ele e a Elena se conheceram e começaram a namorar? E sobre ele e Halley? E sobre o bebê? Quem se surpreendeu com a atitude do Klaus de contar toda a verdade para os pais e deixar que a Elena seja feliz? Ela, com certeza vai ter uma grande surpresa quando chegar em Nova York depois do casamento do Stefan e da Caroline. *** Bom gente, é isso. Lembrando que semana que vem teremos dois capítulos (um na terça e o outro quinta, provavelmente) *** Agora comentem e digam o que estão achando Recomendações?