Amores Distantes
1 O primeiro adeus
Notas iniciais
O sinal da escola toca. Todos saem da sala felizes por ser sexta feira. Eu coloquei meus livros na mochila lentamente, esperando o tumulto acabar. Minha amiga Isabel veio até mim, olhando para um espelho e passando seu batom rosa claro.
- Vamos Elizabeth!- disse ela.
- Já vou. Só estou terminando de organizar minhas coisas!- respondi.
Saímos da sala em direção a portaria.
Meu nome é Elizabeth Costa, nessa época eu tinha 15 anos, estudante a escola pública Joaquim Maranhão. Estava muito ansiosa para encontrar meu namorado Jonas. Ele era o único que conseguia me alegre, mesmo nos piores dias, era a principal razão da minha felicidade. Meus pais nunca concordaram com nosso namoro pois o Jonas trabalha de garçom em um restaurante de comida italiana, sem contar que não concluiu os estudos e ainda ajuda o pai a sustentar a avó. Meu pai era pedreiro e minha mãe desempregada. Não vivíamos em boas condições. Passava a maior parte do tempo ouvindo que tinha de casar com um homem rico.
- Amiga, olha só quem está ali!- falou Isabel.
Em frente a escola havia um carro vermelho. Do dele estava um rapaz de cabelo loiro e cacheado, olhos azuis, pele clara, alto e não tão magro. Você deve está imaginando um anjo, mas Erick Gomes estava bem longe de ser isso.
- O que você quer?- perguntei a ele.
- Um milhão de dólares, uma mansão e você.- respondeu e piscou o olho esquerdo.
- Erick, ponha uma coisa na sua cabeça: eu tenho namorado e estou feliz assim. Vá atrás de outra garota!
- Fala sério, o que você viu naquele verme?
- Aquele verme tem nome seu idiota. — disse Jonas. Nem percebi, mas ele estava bem atrás de mim. — Dê o fora daqui, ou eu pego esse seu brinquedinho e coloco na sua goela.- Ele me abraça.
- Tudo bem, eu vou.- respondeu. — Mas me aguardem!- Ele entrou no carro, abaixou o vidro e mostrou o dedo do meio para Jonas. Foi embora.
Jonas me beijou. O dia estava bom de novo. Durante o beijo, eu fiquei passando a mão pelo cabelo preto que ficava na altura do queixo.
- Vou te levar para casa. Tchau Isabel.- falou ele.
- Até logo.- respondeu ela. Toda vez que ele falava com ela, algo de estranho acontecia. Parecia que Isabel não gostava.
Subi na garupa da bicicleta dele. Jonas sempre me buscava na escola e, durante a viagem, iamos conversando até chegar perto da minha casa.
- Que brincadeira é essa?- falou Jonas. Em frente a minha casa tinha dois carros: um vermelho e um preto. — É o carro daquele metido!
- Como sabe?
— Eu decorei a placa do carro?
- Por que?
- Porque ele me odeia e se um dia resolver me atropelar é bom que eu tenha essa informação.
Entramos em casa. Jonas segurou minha mão muito forte. Como se estivesse com medo de me perder. Na sala estavam meus pais, Rafael e Suzana, Erick, o pai dele e um senhor de terno.
- O que está havendo aqui?- perguntei.
- O que este moleque esta fazendo aqui?- perguntou meu pai.
- É bom ver o senhor também.- respondeu Jonas.
- Não briguem!- interrompi. Olhei para minha mãe.
- Querida acabamos de fechar um ótimo negócio!
- Vão trabalhar para o Sr. Gomes?
- Não.
- E dizem que o dinheiro não traz felicidade.- falou Erick. Ele estava chegando perto de mim quando Jonas me puxou.
- Pai...
- Meu amor,- começou ele- você irá se casar com Erick e vivar com ele nos Estados Unidos.
- O que? Nunca! Não podem me obrigar!
- Acabamos de assinar um contrato. Enquanto estiver casada com ele, eu e sua mãe teremos a vida perfeita sem trabalho algum!
- Você me vendeu!- gritei. Erick passou a mão no meu cabelo. Jonas surtou.
- Se encostar nela eu arranco sua mão fora.- gritou ele- Não vai tirá-la de mim!- olhou para meu pai — Sr. Rafael, eu ganho na loteria, trabalho duro, faço o que for preciso para ficar com sua filha. Eu a amo mais que tudo.
Meu agarrou meu pulso esquerdo e jonas o direito. Fiquei entre um verdadeiro cabo de guerra. A mão do meu amor escorrega e sou tirada de perto dele. Erick tenta socar Jonas, mas ele desviou do soco, chutou-o e lançou-o contra a prateleira da minha mãe. De repente aparecem os dois seguranças de Erick e fazem Jonas cuspir sangue.
- Elizabeth!- grita ele- Eu vou te buscar aonde quer que você esteja. Não se esqueça de mim!
Minha mãe me arrasta até o meu quarto.
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