Notas iniciais
Mais um capítulo, acompanhado de mistérios! Boa Leitura!

"É sua estrada, é somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você."

Música do Capítulo

Ponto de vista : Edward Cullen.

Fugi. Foi isso que fiz o dia todo. Fugi de uma discussão com Katherine, sem nem ao menos entender a razão. A verdade é que eu tinha medo, dela voltar a ser a pessoa que era antes de mim. A garota que era completamente apaixonada por Dean Walker. E ontem, a noite havia sido completamente estranha, primeiro Katherine falou algo confuso sobre sonhos, e nem parecia a pessoa por quem eu me apaixonei, parecia fora de si e logo depois, a forma como agiu, como bebeu e dançou de forma liberal para que todos pudessem ver. Aquilo me afetou.

As férias. As nossas férias. Haviam sido perfeitas, era como se pudéssemos nos entender completamente, como se os segredos nunca tivessem existido, como se não houvesse um passado perturbado. E cá estávamos nós, agora, complicando tudo. De novo e para variar.

Ou melhor, cá estava eu, fazendo burradas.

Depois de ter feito a prova, dei um jeito de voltar para casa, e me aprofundei no mais completo estudo. Bem, era o que eu estava focando no momento. Precisava conseguir a bolsa de arquitetura por mim mesmo, não queria ajuda do meu pai, para conquistar um sonho, que ele nem tinha conhecimento que eu tinha e que com certeza não apoiaria.

Peguei meu celular que se encontrava em minha mesa de centro, e liguei para minha namorada, só que ela não se deu ao trabalho de atender. Talvez estivesse chateada com meu comportamento, tendo toda razão.

Joguei o celular para qualquer canto, e passei a assistir um filme chato que passava na TV, por hora, isso me distrairia.

E foi fazendo uma maratona de filmes nada interessantes que a tarde se passou e a noite chegou silenciosa.

Logo me lembrei que o resultado da prova já devia ter sido liberado, e coloquei meu notbook em cima da mesa de centro, para checar minha nota.

Edward Flyn Richards. — 950 PONTOS.

Eu quase gabaritei a prova, isso era incrível. Era uma evolução entanto para minha nota de anos antes. Significava que eu estava conseguindo, que iria realizar meu sonho, por meu próprio mérito.

Tentei ligar para Katherine novamente, para lhe contar a novidade, só que mais uma vez ela não atendeu. Droga!

—Por que está com essa cara? Não me diga que tirou uma nota ruim na prova de hoje. — meu pai falou, assim que saiu de seu escritório, local que ele passou o dia todo trancado hoje.

Suspirei e me aconcheguei melhor no sofá.

—Na verdade, quase consegui atingir a nota máxima. — minha animação diminuiu depois que Katherine passou a me ignorar.

—Isso é bom, filho, quer dizer que está se interessando mais pelo seu futuro. — diz com algo estranhamente parecido com orgulho.

Ele se senta no sofá a minha frente, e avalia minha face minuciosamente.

Arqueei a sobrancelha, pois meu pai querer uma aproximação não me parecia algo dele.

—Sua mãe pode não gostar daquela garota...Katherine, mas, eu sei que é ela que influencia você agora, e não me entenda mal, ela te guia de uma forma positiva. Me lembro do garoto delinquente que era antes dela, festas todos os dias, péssimas notas e nem um interesse com coisas além do mundo dos seus amiguinhos. — fico surpreso por ele ter notado tudo aquilo. Às vezes parecia que meu pai nem sabia que eu existia.

—Katherine...É a melhor pessoa que eu conheço, e eu tenho que me manter na linha para merece-la. — comento e só ai percebo, o quão idiota estou sendo por acreditar que a Katherine poderia voltar a ser a garota inconsequente que foi um dia.

—E é uma Evans. — ai estava a conversa previsível. — Só estou sendo hipotético agora, mas, não me incomodaria se num futuro longe daqui, você se casasse com ela. Digo, seriam dois grandes patrimônios unidos. — falou seriamente, e eu me levantei indignado.

—Eu não acredito que tudo sobre mim para você, tem que referir-se ao futuro...Que tal lembrar que tem um filho e se importar com ele, agora? — meu pai arregalou os olhos com minha pergunta. — Sim, eu posso casar com ela um dia, mas, isso não tem a ver com ela ser rica...Tem a ver com o fato de que eu amo ela, e de que ela é a pessoa que mais se importa comigo no universo, a única que me apoia, e a única com quem eu posso ser eu mesmo. — expliquei ainda incrédulo.

—Não precisa exagerar, Edward, ela é só sua namorada. — ele pede como se eu tivesse dito algum absurdo.

—Não! Ela é muito mais que isso. Ela é tudo que eu tenho. Ela é minha família. — pela primeira vez em minha existência, vi meu pai se abalar com algo que eu disse.

—Você está se ouvindo, garoto? O quão ingrato é você? Eu te dei tudo, os melhores brinquedos, as melhores festas, e as melhores viagens...Eu vou deixar uma empresa rentável para você, e você me agradece dizendo que uma garota que conheceu um dia desses é sua família? — se aproximou de forma ameaçadora de mim.

—Se você se importasse comigo, tanto quanto ela se importa, saberia que não quero a droga da sua empresa. Você já entrou no meu quarto? Já viu meus desenhos? Eu quero ser um arquiteto pai, quero construir coisas...Quero construir casas, para aqueles que não tem um lar, quero compartilhar o que eu tenho e o que sei fazer, com outras pessoas. — finalmente consegui dizer, algo que sempre esteve preso dentro de mim; A verdade.

Tive medo do dia que esse momento chegaria, no qual eu falaria o que quero, porque achei que o olhar do meu pai de decepção para mim agora, fosse importar mais do que meu alivio por falar. Mas, não importava. Eu só estava tomando um rumo. Eu cresci. Eu poderia escolher o que queria. Não vou ser o tipo de cara que tem um futuro infeliz só para satisfazer os caprichos dos pais.

—Saia da minha frente, Edward Flyn Richards. — ele gritou dominado pela raiva. E ali eu soube, tentar uma conversa civilizada agora, não era uma opção.

—Com todo prazer. — passo por ele, e vou até a saída, com um destino em mente.

[...]

Quando se quer ver muito uma pessoa, até a distância entre ela, se torna maior. Porque pareceu que tinham se passado anos, até que eu chegasse na casa de Katherine. Tive que reunir um pouco da minha coragem para tocar na campainha, e enquanto minha espera se iniciava, fiquei buscando palavras que expressassem uma desculpa digna.

Por coincidência, quem acabou abrindo a porta foi ela. Seus olhos atrevidos me encararam com hesitação, e sua respiração se acelerou com minha presença. Ela fechou a porta atrás de si, e se virou, cruzando os braços, esperando que eu falasse.

—Eu sinto muito por ter agido como um babaca ontem e hoje...Talvez você tivesse razão sobre o Harry, foi só eu passar um tempo com ele, que já voltei a ser um idiota. — falei, ou melhor despejei aquilo. Só que ainda não parecia suficiente. — Eu só senti medo, porque...Não quero você que seja aquela pessoa, porque aquela pessoa não me ama...E eu preciso que você me ame, Katherine...Eu realmente preciso, porque sem isso, eu não tenho nada. — ali estava minha sinceridade. — New Town, seu passado, minha insegurança...Nada disso pode ser maior do que o que eu sinto por você. — declarei certo e ela mordeu os lábios. — Só quero que me desculpe. — complementei meu discurso.

Ela demorou a reagir sobre aquilo, mas, quando o fez, me olhou intensamente.

—Eu também sinto muito, por ter te assustado ontem...Sinto muito, por parecer que eu te escondo algo...Quando na verdade, sou eu que estou escondendo algo de mim mesma...Eu te garanto que meu ataque de loucura de ontem, não vai mais se repetir...Aquilo sobre New Town, eu estava fora de mim, quando disse. Só quero que amanhã, nós tomemos café da manhã juntos no CaféSabores com nossos amigos, e tudo fique normal de novo. — ela me contou soando sincera.

Segurei seu rosto entre minhas mãos, e toquei seus lábios levemente, alimentando a faísca que logo se transformaria em uma chama ardente. Ela retribuiu aquilo com o desespero e entusiasmo de sempre. Não importava quantos beijos tivéssemos, sempre iria parecer, como se eles fossem os primeiros e os últimos.

[...]

Ponto de vista : Katherine Evans.

Risos. Mais Risos. Sons agradáveis que ecoavam entre as paredes do CaféSabores, em uma manhã em que quatro amigos tinham o reencontro que mereciam. Um momento em que eles compartilhavam todas as situações engraçadas que mereciam ser lembradas.

Minha bochecha estava apoiada em minha mão, enquanto eu olhava para o três ali e sorria. Eles eram incríveis. Nick parecia tão mais solto, ele falava mais, e compartilhava seus pensamentos, até aqueles sem noção que todos pensavam que ele não tinha. Maggie estava mais madura, só que ainda sim, não havia acabado com sua essência divertida. E Edward...Bem...Eu havia me apaixonado por um garoto...E agora ele era um homem.

—Então, qual é a boa do novo semestre? — indaguei curiosa, esperando algo surpreendente.

—Conte a eles, Nick. — Maggie incentivou com animação e seu atual namorado, ajeitou a armação de seu óculos, antes de falar;

—Vou fazer o teste para entrar no time de basquete hoje. — arregalei os olhos, enquanto Edward se engasgou com o suco que tomava, mas, por sorte, logo se recuperou.

—Isso...É...Inacreditável. — decretei espantada.

—O esporte rende pontos para faculdade, e se eu quero entrar em Oxford preciso estar em um nível alto. Uma bolsa seria de grande ajuda. — ele esclarece sua decisão.

—Tenho certeza que você vai se sair bem, cara. — Edward não me surpreendeu ao apoiá-lo. Por modos estranhos, os dois haviam se tornado melhores amigos.

—É...Você é bom em tudo que faz, Nicholas Adams. — falei sorrindo com carinho.

—Em tudo mesmo. — Maggie garante maliciosa e todos fazemos uma careta.

—Você é tão invasiva Maggie, adoro isso em você. — meu namorado afirma com escárnio.

—Também te amo, Edward ex popular Richards. — a loira falou jogando um bolinho nele, que o agarrou no ar e mordeu o mesmo.

—E você Katherine, alguma novidade que queira anunciar? — Nicholas indaga me encarando.

—Acho que não...Quer dizer, reafirmei meu interesse em ser voluntária na biblioteca, então nada novo. — falei dando de ombros, mexendo no canudo do meu milkshake.

—Achei que dessa vez fosse ser diferente, esse seu trabalho nunca dá tempo para gente namorar. — Edward alfineta.

—Nem vem garoto carência, sei muito bem que nesse semestre você também se inscreveu para ajudar o professor Xavier nas aulas de Artes. — pontuo e ele sorri.

Xavier havia me contado isso ontem, depois da conversa que tivemos na qual, ele me incentivou claramente, a descobrir a causa dos meus sonhos e a minha relação com Stefan Brendon e os mistérios de New Town. Eu havia decidido, eu lutaria por respostas. Mas, Edward não precisava saber que minha sisma com essa cidade continuava. Era uma luta minha.

—Bom, se para vocês for interessante saber...Agora eu sou voluntária no conselho de fundadores de New Town, a primeira dama me adorou. — olhei para Maggie e mordi os lábios animada. Aquilo era o destino me ajudando. Se havia um lugar que guardava informações sobre a história de New Town, esse lugar era a sede do conselho.

—Isso é maravilhoso Maggie. — a mesma estranhou meu sorriso.

—Certo...Katherine, isso tem a ver com as coisas “pré-históricas” de New Town, como você mesma diz, o que tem de maravilhoso? — ela indaga desconfiada.

—Você está satisfeita com isso...Então é maravilhoso. — disfarcei.

[...]

Edward e eu andávamos pelo corredor principal da escola, praticamente colados um no outro. Era bom que tudo estivesse bem, só que eu sabia que nem “tudo” estava. O conhecia o suficiente, para saber que mesmo com as brincadeiras de hoje mais cedo, algo estava errado com ele.

—Okay...Não tenho sutileza o suficiente para enrolar antes de perguntar...Você está estranho, o que foi? — questionei o parando e fazendo ele ficar de frente para mim.

—Contei ao meu pai ontem sobre meu desejo de ser arquiteto finalmente, e a reação dele não foi uma das melhores. — me conta afetado.

—Ele te deserdou? — brinquei para quebrar a tensão, e ele fez uma careta.

—Sério? — questionou incrédulo. — Não! Ele surtou, foi como se não seguir os planos dele, fosse o pior dos pecados. — esclareceu nada animado com isso.

—Ele é seu pai, em algum ponto ele vai entender que você pode decidir o que quer. — tentei consola-lo sobre isso.

—Você conhece meu pai, Katherine, acha mesmo que para ele laços familiares são mais importantes que controle? — o pior é que eu sabia que não. — E ainda tem minha mãe, não posso contar nem com ela...Porque obviamente, os interesses de Marissa Richards, envolvem mais a felicidade dela do que a minha. — aquilo era um drama familiar entanto.

Edward não merecia aquilo, assim como a maioria das pessoas não mereciam ter parentes ruins e egoístas perto de si. O caso é que família não se escolhe. Essas pessoas que são unidas a nós por sangue, sempre estarão lá, dando o melhor ou pior de si para nós. E ás vezes tudo que temos que fazer, é aceitar, que suas presenças são eternas, e convivermos com o fato, de que apesar de todo mal, deve existir uma parte boa. Edward só ainda não havia encontrado a sua.

Enrosquei meus braços ao redor de seu pescoço e me aproximei ainda mais dele, o olhando como se dissesse que eu também sempre estaria aqui.

—Se te anima...Posso pedir para o meu pai te adotar, então você se tornaria meu meio irmão. — falei divertida. Logo me aproximei do seu ouvido e sussurrei. — Você sabe, eu curto quase incestos. — zombei, ficando feliz por notar que agora a situação com Dean não parecia tão pesada quanto antes.

Ouvi sua gargalhada harmoniosa, e a mesma tremeu todo meu corpo colado ao seu.

—Céus, Katherine. — não estava acreditando em meu péssimo senso de humor.

Me juntei a sua risada, e num impulso ele me ergueu no ar, e me beijou enquanto me girava em meio ao corredor repleto de pessoas. Eramos assim. Quando nos conectávamos não existia mais ninguém a nossa volta.

Assim quando ele me pôs no chão, mordisquei seu pescoço de brincadeira, enquanto ainda ria.

—Obrigado. — agradeceu me olhando com certa fascinação.

—Por fazer péssimas piadas? — arqueei uma sobrancelha.

—Por estar aqui. — eu entendia o que aquela frase englobava. Ele tinha o mesmo sentimento que eu tinha sobre isso. Estar nesse contexto, significava; Obrigada por me deixar entrar, e obrigada por dar sentido a tudo para mim.

—Ei adolescentes com hormônios descontrolados, esse não é o momento nem o local certo para demonstrações de afeto. — nos separamos, quando a voz de Xavier disse isso de forma divertida, e logo, cada um foi para sua primeira, respectiva aula.

[...]

Nick era bom no basquete. Caramba, ele era realmente bom. Enquanto Maggie e eu assistíamos seu teste, estávamos com queixo caído. Nós sentíamos algo misturado com surpresa e orgulho. Era lógico que ele passaria.

Tudo bem que Nick havia nos confidenciado que jogava com seu pai de vez em quando, mas, ele deixou de mencionar, que era um talento e tanto naquilo. Ninguém nunca diria que o garoto que se afundava em livros de ficção científica, era um ótimo jogador de basquete. Bom, isso talvez explique os músculos, que antes não tinham uma explicação.

Edward até tinha lhe dado algumas dicas antes do teste, mas, eu duvidava que ele já não soubesse de tudo que meu namorado disse. Falando nele, o mesmo estava em um canto da quadra, observando Nicholas jogando, como se fosse um pai, que vê seu filho brilhar pela primeira vez.

Nós, estávamos acomodadas na arquibancada do ginásio, observando cada detalhe daquele momento épico.

—Uau, Nick fica tão gostoso soado e com essa camisa. — Maggie praticamente babava.

—E só seu. — entrei no seu drama e ela revirou os olhos.

Professor Xavier, adentrou ao ginásio, e se encontrou confuso com a imagem do Adams jogando.

—Aquele é o Nicholas? — indagou surpreso e eu assenti sorrindo. —Ele é talentoso na quadra. — elogiou.

—Sim. Ele quer conseguir mais pontos para faculdade. — esclareço, pois ele parecia confuso sobre o teste de Nick.

—Ah, isso é bom...Talvez você devesse tentar também, fiquei sabendo que as bolsas de Harvard são meio que garantidas com esses esportes extracurriculares. — Xavier explica, se sentando ao nosso lado.

Estranhei ele estar sendo tão sociável, afinal, seu refúgio sempre fora sua aula de artes. Talvez algo tenha mudado. Talvez ele tenha mudado.

—Eu não acho que exista um time de basquete feminino na escola. — não perdi a oportunidade de debochar.

—Falo sobre torcer...Devia voltar para a animação. Líderes de torcidas são as queridinhas das universidades. — suas palavras, me fizeram sorrir amarga, e Maggie ao meu lado se animou.

—Torcer...Não é mais o que eu sei fazer...Não é mais quem eu sou. — explico um tanto fragilizada ao pensar sobre isso.

—Vi seu histórico Katherine, você era a melhor nisso...Não se pode desperdiçar algo que se tem de bom...E agora seria o momento perfeito, com isso da Hillary... — só foquei na última parte.

—O que aconteceu com a Hillary? — indaguei, fazendo Maggie encarar Xavier atenta.

—Vocês não sabem? Hillary desistiu do posto de capitã...Ela saiu da torcida. — arregalei os olhos para aquela revelação.

Hillary estava sumida desde o último dia do semestre passado. Ela não fez a prova ontem, e pelo que ouvi nos corredores, a mesma estava no Canadá. Então em que momento, ela desistiu?

—O que faria a abelha rainha, Hillary Potts Wilkison, desistir do seu trono? — Magnólia indagou incrédula.

—Só uma coisa faz alguém desistir da glória...Perda. — declarei, me usando como exemplo e me sentindo estranhamente comovida com o que quer que tenha acontecido com Hillary para faze-la abrir mão disso.

Notas finais
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