Amores Diferentes.
3 2x03 - Sobre O Que Eu Sinto.

"Entenda: não existe amor que não doa. O amor, pra ser amor, precisa ser verdadeiro. E as coisas verdadeiras, às vezes, machucam."
Ponto de vista : Katherine Evans.
Desliguei a ligação na cara de Edward, quando o mesmo começou a zombar de mim, dizendo que eu estava ficando louca, apenas por brincadeira, só por eu ter dito umas coisas sem sentido. Tentei reunir toda minha concentração, para dirigir, sem surtar sobre o fato do meu carro poder me matar se quisesse. As ruas escuras, e o silêncio assustador, não ajudavam, para eu me manter calma.
De repente, me assustei com som de uma ligação chegando, e soltei um xingamento. Que não fosse Edward, porque se fosse, ele ia me pagar da forma mais cruel possível. E sim, estamos falando de greve de sexo.
Chequei de quem se tratava no painel do carro, e franzi as sobrancelhas, quando vi que era um número desconhecido. Mesmo hesitante, e preservando aquela coragem idiota, atendi.
—Oi? — falei nervosa, ao receber somente silêncio.
—Hey, espero que não seja um péssimo momento para te ligar. — engoli a seco, quando reconheci aquela voz, e para não cometer uma tragédia com aquele carro, o parei no meio fio.
—Oliver? — nem sei se ele ouviu isso, porque soou mais como um sussurro.
—Você não esqueceu minha voz ainda, isso é um bom sinal. — ele brinca, e eu ofego.
—Ahn...Algo aconteceu? Faz muito tempo, que você não fala comigo. — pontuo, tentando ficar bem.
—Vi o Dean ontem, e ele acabou me dizendo, que, você está bem agora e...Eu sinto muito, por, desde que a Blair morreu, eu ter te ignorado, e ter feito você pensar que não me importo com você...Mas, é que, você tem que entender, ela era minha namorada, nós tínhamos planos para o futuro, e cacete, eu amava a Blair de um jeito que nunca pensei que poderia amar alguém...E ela morreu...Ela morreu...E, desde então, tem sido complicado para mim, manter os amigos, conversar, jogar, animar...Respirar, e ...Viver. — solucei quando o ouvi dizendo isso. Aquilo era demais para mim, eu não precisava de uma declaração dolorosa daquela, depois da alucinação perturbadora que tive.
—E ela te amava com essa mesma intensidade, Oliver, você era o amor da vida dela...E pode acreditar, não haverá um só dia, em minha existência, que a morte dela não doerá...Se eu pudesse mudar as coisas, pudesse não ser a pessoa que levou ela, até aquele acidente, eu seria...Eu faria qualquer coisa, para que ela estivesse viva, realizando cada sonho que tinha...Tudo com você. — desabafei, com uma das pessoas, que entendia unicamente daquele sentimento de buraco no coração.
—Mas, você não pode...A morte é definitiva, Katherine. — ele disse amargo, e foi ai que me lembrei de tudo que vi, alguns minutos antes, na visão trágica que tive.
—Nem sempre, Oliver. Nem sempre. — falei distraída.
—Olha...Eu só quero tirar isso de você, não quero que ache que eu te culpo por aquilo...Se eu fosse canalha a ponto de te culpar, Blair me odiaria...E não sei se consigo viver, em um universo em que Blair Willow odiaria a mim mesmo que em hipótese. — falou aquilo da forma mais clara.
—Obrigada, por ser dar ao trabalho, mas, mesmo eu tendo pensado de forma ingênua, por dois segundos, que poderia me livrar disso...Não dá...Não posso. — revelo, algo que sabia que não admitira para ninguém.
Não tinha como deixá-la ir.
—Se serve de consolo...Blair era bem vaidosa, e em algum ponto, deve gostar de saber, que sempre será lembrada. — ele quer cortar a tensão.
—Popular na vida e...Na morte. — citei.
—Então, eu tenho que ir, combinei de sair com um amigo hoje. — diz com um ar de despedida, e eu dou um sorriso, por saber que ele ao menos está tentando seguir em frente.
—Oliver, eu sinto sua falta. — admito.
—Eu também, Kath...Mas... — não deixo que ele termine.
—Mas, você não consegue me ver, e lembrar que eu sobrevivi e Blair não. — sou direta.
—Assim como, cada vez que vejo Dean quero quebrar a cara dele, por não ter salvado ela. — aquilo dói.
—Tchau Oliver. — me despeço.
—Tchau Katherine. — eu esperava que aquela não fosse uma daquelas significativas despedidas. Esperava ser, apenas um “até logo”.
Voltei a dirigir, sem me perder em distrações dessa vez. Naquele momento, me recusei a sentir algo, pois se sentisse, tudo viria ao mesmo tempo. E com certeza, eram coisas demais para administrar. Se eu ia lutar contra a parte ruim da minha vida, o primeiro passo, era focar na parte boa.
Edward deve ser ela.
Edward precisa ser.
Quando cheguei na esquina da casa de Harry, foi fácil reconhece-la. Com certeza, deveria ser, a de fachada cinza, na qual um bando de adolescentes, se jogavam na piscina, com latinhas de cerveja em mãos, e na qual também, luzes brilhantes, escapuliam dos pontos abertos.
Com dificuldades, achei uma vaga, e praticamente fugi daquele carro assustador, rumo ao interior da casa, onde eu sabia que encontraria um cenário, pior que o de fora. E, eu estava certa.
O cheiro de álcool se impregnou em mim, assim que atravessei a porta de entrada e logo no topo da escada, avistei algumas líderes de torcida se agarrando com caras, que elas provavelmente nunca falaram antes, na escola.
Olhei em volta, em busca de Edward, Maggie, Nick, ou até mesmo Jane, mas, não encontrei nenhum deles de primeira.
Ótimo! Essa noite só melhora.
Uma montanha em forma de garoto, esbarrou em mim, e eu revirei os olhos. Assim, ele olhou para mim, e me avaliou de cima a baixo. Não podia identificar a cor de seus olhos, por estarmos em um local de meia luz, mas, seu rosto era bonito.
Levantei um dedo em sua direção, e avisei.
—Não faça isso, não flerte comigo, e receba uma recusa minha, para depois continuar insistindo. Estou tendo uma noite realmente péssima...E quando digo “péssima” ultrapassa o conceito, sobre algo ser ruim...É péssimo em um nível acima do normal. — esclareci atordoada e ele riu assentindo.
—Okay...Então tchau. — ele acena, enquanto vai embora.
Uau, isso foi fácil.
Me viro, pronta para ir procurar meu namorado, só que esbarro em alguém, de novo. Dessa vez, trata-se de um garoto que nunca vi na escola antes, que carrega consigo, uma bandeja repleta de copos vermelhos clichês, com conteúdos desconhecidos.
Eu nunca mais havia feito aquilo. Mas, e se fosse o que eu preciso? Eu só tinha que ser uma adolescente. Blair morreu, não eu.
Então ignorando, o conselho universal, de não beber drinks de estranhos, tomei um daqueles copo da mão dele, e engoli, o que descobri ser vodka, de um só vez.
Isso era bom. Eu nem me lembrava do quão bom era.
Arranjei mais um copo, em uma mesa no canto da sala, e bebi tudo novamente. Aquele foi só o segundo, depois veio o terceiro, o quarto, o quinto e depois perdi as contas.
Eu só sei, que em algum momento, eu fui para a pista de dança improvisada, e dancei como se não houvesse amanhã, ignorando a noite de hoje, e o significado dela. Meu corpo só queria balançar e eu só queria, por dois segundos, ser normal.
Então, eu senti minha cintura ser puxada por um grupo de pessoas, e antes que eu sequer piscasse, estava na cozinha tipicamente americana de Harry, junto com meus melhores amigos, e meu namorado.
—Eu estava como um louco procurando por você, depois que desligou a ligação, e você estava aqui, ficando bêbada e fazendo quase um streep para todos. — Edward usava um tom de acusação que não gostei nenhum pouco.
—Eu não estou bêbada. — me defendo, pois não estava mesmo. Estava um pouco anestesiada é verdade. Mas, se eu estivesse bêbada, é possível que eu já tivesse me pegado com todas as pessoas do sexo masculino dessa festa, só que isso, eu não diria a Edward.
Mesmo com a visão meio borrada, pude avistar Maggie enchendo um copo de água. Não demorou muito para ela me entregar, e eu beber com gosto, porque minha garganta estava seca.
—Katherine, não devia ter feito isso. — o exemplo de maturidade Storm, diz essa frase maravilhosa, em nosso primeiro encontro após um tempo sem nos vermos.
—Estou pouco me ferrando. — esclareço e sinto uma pontada na cabeça. Não é possível que a ressaca já esteja chegando. Que saco!
—É, como eu disse, a ideia da festa foi péssima. — Nicholas afirma sério, e tira o copo de água, da minhas mãos.
—Eu não estou bem. — afirmo, quando uma tontura incomoda me afeta.
Edward é rápido, ao me erguer como se eu não pesasse nada, e me colocar sentada no balcão. Ele segura meu rosto com ambas as mãos, e me lança um olhar preocupado.
—O que está sentindo? Quer vomitar? — indaga me avaliando.
—Eu só...Minha cabeça está doendo... Eu... — fecho meus olhos momentaneamente, e a sensação de ser sufocada com a fumaça do carro volta. — Preciso sair daqui. — decreto.
[...]
Edward foi levando meu carro até minha casa, enquanto Nick ia atrás de nós, já que seria ele que levaria meu namorado de volta a festa, para pegar seu próprio veículo. Maggie estava com Adams e aposto que com uma expressão frustrada, já que aparentemente a festa não saiu como ela planejava. Minha melhor amiga, devia esperar algo como um reencontro bonitinho, cheio de brincadeirinhas de efeito.
Estava meio fora de mim, enquanto o Richards dirigia. Mas, isso não tinha nada a ver com a bebida, ela já estava até começando a sair do meu organismo, do tanto que soei. O fato é que a tontura só aumentava, e isso tudo, parecia estar relacionado a visão que tive hoje.
—O que aconteceu? — a pergunta de Edward, me puxou um pouco de volta. — Digo, você não está sendo você...Não a você, que eu conheço. — parecia confuso, mas, eu o entendia.
—Achei que quando voltássemos para New Town, depois das férias...Tudo para mim, estaria resolvido...Mas, não foi o que aconteceu...Essa cidade, Edward, ela está amaldiçoada...Ela está repleta de... — não consegui terminar.
—Katherine, isso é absurdo, não é só porque, você não gosta de New Town, que tenha que usa-la para justificar suas loucas mudanças de humor. — Edward argumentou e eu suspirei.
—Você não entende. — afirmei.
—O que? Que você gosta de se auto sabotar? Que quando as coisas estão indo bem, você tem que dar um jeito de ferrar com isso? — soltou rapidamente.
—Eu só bebi como uma pessoa normal, e dancei, não fiz nada impróprio, então por que está surtando? — grito revoltada.
—Eu não sei, talvez porque eu sinta que de novo, você está me escondendo algo. — é claro ao me acusar, e eu engulo a seco.
—Como quer que eu te conte, se você não acredita no impossível? — eu pergunto, e ele me olha incrédulo.
—Que papo de The Flash é esse? — indaga confuso.
—Edward, eu sei que algo acontece nessa cidade. Algo ruim. — digo quase desesperada.
—Você está bêbada. — declara certo.
—Eu só...Podemos não discutir agora? A noite vem sendo bem intensa para mim. — pedi, na verdade quase implorei, e logo me acomodei melhor no banco do carona, engolindo as lágrimas que queriam escapar.
O carro parou, e assim avistei a fachada da minha casa, bem de frente para mim. Edward foi o primeiro a descer, e parecia decepcionado por motivos que nem ele saberia explicar, tanto que nem se despediu, antes de entrar no carro de Nick. Eu apenas, sem entender a lógica disso, permaneci dentro do veiculo, tentando manter minha cabeça em ordem.
Ao meu redor, só existia silêncio. O mais puro dele, e era assustador, como eu parecia acostumada com o mesmo. Até então, eu nunca havia percebido, que o silêncio, aquele oco e desesperançoso, era presença frequente em New Town. E no fim, não era sobre as florestas que rodeavam a cidade, era sobre a parte que ninguém prestava atenção, era sobre o sussurros dentre as árvores. O silêncio só camuflava a verdade.
Você só precisava parar, olhar em volta, e notar os detalhes. Eu estava certa quando disse a Edward que New Town está amaldiçoada, e eu por cota, estava incluída nisso. Porque, eu, mesmo sem entender a razão, era parte daquilo.
Depois de mais de meia hora, escapei dali, e adentrei a mansão Evans. Como o esperado, ninguém estava acordado, e eu me dei ao trabalho de tentar não fazer barulho, enquanto subia as escadas. Tive meu objetivo concluído com sucesso.
Minha cabeça ainda doía, e tudo estava tumultuado dentro de mim, e eu achei que quando estivesse em casa, me sentiria segura. Só que não aconteceu.
No caminho até meu quarto, tirei meu par de saltos, e os chutei para longe. Ao entrar no ambiente, que era repleto de coisas minhas, me aproximei da janela, que era responsável por trazer a iluminação da lua para o cômodo e toquei a cortina branca de forma hesitante.
—O que está acontecendo comigo? — questionei para mim mesma, assustada.
Não demorou muito para eu me jogar na cama, e cair no sono. Eu precisava disso afinal. Descansar meu corpo, minha alma e minha mente, para finalmente entender o que fazer.
A inconsciência foi acolhedora por um tempo, admito. Só que esse tempo não durou muito. Em meio a uma escuridão, onde meu alivio por estar protegida crescia, eles voltaram. Os sonhos.
Pingos de água caiam sob o chão, do que parecia ser uma pequena cabana e o barulho era terrivelmente incomodo. Minha visão se encontrava um pouco turva, mas, pouco a pouco, as coisas foram ganhando cor, e não demorou muito para eu me situar onde estava. Era um casebre caindo aos pedaços.
Havia pouco luz ali, uma pequena brecha em meio as madeiras velhas que o rodeavam. De repente os pingos se multiplicaram, e a constatação chegou. Era chuva. Uma forte tempestade, que aumentava junto com as batidas do meu coração.
Tomei impulso para me levantar, mas, algo me impediu de fazer isso. Eram correntes, que prendiam meus pulsos ao chão. Me remexi de todas as formas que pude para me soltar, só que não adiantou, eu continuava presa.
Tentei gritar, mas, minha voz não saiu. A essa altura, lágrimas já escapavam dos meus olhos. Eu me encontrava com medo. Quase paralisada.
Assim mais rápido que uma piscada, o ambiente começou a esquentar. Chamas o inundavam por cada canto, espalhando uma fumaça tóxica por todo ele.
O medo se intensificou. Agora era desespero. Em doses que nunca senti antes.
No que parecia ser minha milésima tentativa de fuga, uma porta que eu nem havia percebido que existia, se abriu. E dela, se revelou uma figura que eu conhecia muito bem. E não, eu não via seu rosto. Apenas o sentia. E o jeito do meu corpo se manifestar a ele, era familiar.
Sim, seu nome ia sair dos meus lábios, mas, aconteceu. A escuridão voltou.
Ergui meu corpo na cama, e tentei recuperar todo ar que havia perdido. Meus cabelos estavam molhados de suor, e meu corpo tremia, como se eu estivesse dentro de uma geladeira por horas. Apertei o edredom, que por algum motivo estranho, me rodeou em algum momento, e arregalei os olhos, quando a luz do sol, chegou a minha pele, pelas brechas da janela.
Já havia amanhecido.
E tudo havia voltado. As coisas que eu pensei terem ido embora, ainda estavam aqui. Tudo ainda estava aqui.
Praticamente pulei da cama, e corri para o banheiro. A garota que parecia no reflexo do espelho, estava terrível. E não, não era por causa de uma ressaca adolescente. Eram por causa dos monstros, que insistiam em voltar para assombra-la.
Certo. Era só seguir o protocolo. Aquele que eu inventei. Sobre me recompor após esses sonhos, e fingir que tudo estava bem. E para inicia-lo, tudo que eu tinha que fazer, era me arrumar para o primeiro dia do último semestre do meu penúltimo ano.
Após vinte minutos, eu já era uma garota nova. Os cabelos antes acabados, estavam moldados em cachos, depois de uma ajudinha do BabyLyss, e a roupa suada da festa de ontem, fora trocada, por roupas quentinhas que me ajudariam no frio de New Town.
Tomei café da manhã com meu pai e descobri que fora ele, que pôs o edredom em mim, e graças ao raro bom senso dele, o mesmo não fez perguntas sobre a festa, o que agradeci muito.
Então após duas aspirinas, uma passada no CaféSabores para me abastecer de cafeína, e dez minutos dirigindo. Eu estava pronta, e no pátio da escola.
Queria dizer que os alunos estavam animados para esse “primeiro dia”, mas, seria uma grande mentira, todos pareciam acabados — o que seria obvio que aconteceria — após a festa do Harry. Na verdade, todos pareciam projetos de zumbis.
Revirei os olhos, quando me deparei com aquele brasão Marshall que eu não via há muito tempo, e adentrei ao prédio escolar.
Tenho que dizer que as pessoas que se encontravam nos corredores, estavam piores que as de fora. Eles pareciam prestes a desmaiar. Não liguei, e continuei meu percurso até o bebedouro — que seria minha primeira parada. — . A realidade é que só interrompi meu caminho, quando avistei Maggie, colocando algumas coisas em seu armário.
Fui até ela, decidida, e a questionei:
—Pode me dar uma luz sobre algo? Por que Edward surtou quando me viu bebendo, e dançando ontem a noite? — indaguei, porque pelo que parecia ser, ela e Nick conheciam meu namorado melhor do que eu.
A garota que um dia já foi o ser humano mais imaturo do universo, e que agora queria soar como uma adulta, suspirou, e me agraciou com uma explicação.
—Talvez ele tenha levado aquilo como um sinal. — comentou hesitante, e eu fiz uma careta.
—Faça sentido, Maggie. — pedi gesticulando com as mãos.
—Bem, fazendo aquilo ontem, você se comportou como a garota que era antes, a que fazia o que queria, sem se se importar com nada mais a sua volta. Edward surtou, porque ele não gosta dessa sua versão, já que não a conhece...Ele descontou em você, a frustração que tem consigo mesmo, por não saber lidar com você daquele jeito. — Okay, em que ponto a Maggie se tornou alguém sensata?
—Tudo isso, porque ele sabe do meu passado. — falei com escárnio.
—O que quer dizer com isso? — a Storm arqueou uma sobrancelha.
—Que era por isso que eu nunca quis contar. Não quero isso para nós. Não quero, que sempre que eu fazer algo que a Katherine por quem ele se apaixonou não faria, ele surte, por acreditar que eu vou voltar a ser aquela pessoa terrível...Não quero que vivamos, com ele sempre tendo um pé atras comigo...Achei que ele confiasse em mim o suficiente para saber que mudei. — desabafei sobre minha insegurança, e ela assentiu.
—Eu entendo...Mas, acho que a melhor forma de resolver isso, é dizendo a ele como se sente. — minha melhor amiga me aconselhou.
—Céus! Não era assim que eu planejava estar, depois das férias maravilhosas que tive. — admito com frustração, e ela me envia um sorriso encorajador.
—Vai melhorar...E você deve aprender, algo que eu demorei certo tempo para notar; Nada acontece como o planejado...E é ai que está a beleza das coisas, na maioria das vezes você se surpreende de maneiras ruins, mas, há casos, raros, porém existem, que algo extraordinário acontece, e compensa todo resto. — Maggie fechou o armário e se virou para mim.
Sorri para ela. Aquela conversa está sendo a coisa mais normal que tive em horas.
—Então esse é o plano para o novo semestre? Não fazer planos? — ela riu da minha pergunta, e antes que eu dissesse mais alguma coisa, ela enroscou seu braço no meu, e me puxou pelo corredor. Dando um relato detalhado de todas as suas férias, e tentando tirar o mesmo de mim.
Enquanto ria dos exageros típicos dela, e passeava com a mesma por a New Town High School, eu observava as pessoas ao meu redor. No fim, era só mais um dia normal, na minha pacata escola. E normal, era tudo que eu queria no momento.
Claro que o momento de fofocas acabou, e a realidade voltou, antes que eu tivesse a oportunidade de falar com Edward sobre nós. Pois, logo fora anunciado que a diretora queria todos no auditório, para dar seus avisos chatos de sempre.
—A equipe de ensino da New Town High School, sente prazer em recebe-los nesse novo semestre, e esperamos, cheio de esperança, que vocês tenham voltado cheios de animação para receber o máximo de conhecimento que puderem... — ela já estava discursando quando chegamos.
Por sorte conseguimos uma vaga, próximo a Nick, que por azar, não estava com Edward.
—Como vocês sabem, é do costume da escola, aplicar uma prova no primeiro dia do novo semestre, para avaliarmos o quanto vocês aprenderam no semestre passado. O conteúdo dela, será fácil, afinal vocês são alunos dedicados não é mesmo? As salas em que cada um de vocês farão elas, constarão em anúncios nos quadros de avisos presentes por toda escola, e o resultado da mesma, será divulgado hoje a noite no site do colégio. E lembre-se, essa prova é avaliativa, então se vocês se derem mal, terão consequências. — disse aquilo com sua melhor cara de paisagem.
Eu ainda tentei procurar o Richards, depois que saí de lá, mas, o mesmo parecia ter utilizado uma tinta para ficar invisível. Por isso, não demorou muito, para eu parar no primeiro quadro de avisos que encontrei, e checar onde faria minha prova.
Sala 08. Prova aplicada pelo professor Xavier.
Ótimo!
Chequei para ver se Edward estava na minha sala, mas, de novo a sorte não ficou ao meu favor.
Apertei a bolsa em meus ombros, e segui rumo ao meu momento de tortura, vulgo, horas presas em uma sala de aula, após ter uma madrugada realmente agitada.
Chegando lá, me deparei com o professor Xavier segurando uma cesta na entrada, na qual deveríamos depositar nossos celulares. Joguei o aparelho lá dentro, e enviei um sorriso forçado para o homem, antes de me acomodar em uma das cadeiras.
A sala não demorou a encher, e logo, o sinal tocou avisando que a prova deveria começar. As questões eram cheias de pegadinhas, mas, o conteúdo em si, era realmente fácil, e eu não tive a menor dificuldades em preencher o gabarito, sem hesitar nenhuma vez.
Foi duas horas depois, que todos foram liberados. Ao contrário do que eu achava, foi até bom, ter aquele tempo ali. Depois que acabei a prova consegui pensar no que estava acontecendo comigo, e descobri que precisava compartilhar com alguém.
Fui a última a pegar meu celular de volta, e quanto eu já estava na porta, pronta para ir ao refeitório, professor Xavier me chamou. Mesmo confusa, me virei e o encarei.
—Bem, é que a diretora me pediu para perguntar a você, se nesse semestre, ainda quer ser voluntária na biblioteca. — ele esclarece seu chamado, calmamente.
Mordi os lábios, pensando sobre isso.
—Sim, adoro trabalhar lá. — respondo brincando com meus próprios dedos.
—Isso é ótimo. O trabalho lá te dará pontos para a faculdade. — comenta sorrindo.
—Certo, se for só isso...Eu já vou. — apontei para a saída, e ele assentiu. Mas, antes que eu sequer girasse os calcanhares, me ouvi falando; — Será que podemos conversar? — o mesmo se surpreendeu, mas, ainda sim, concordou, e me indicou uma cadeira de frente para a mesa dele, para que eu pudesse me sentar.
—Olha, nem sei por onde começar...Eu...Os meus sonhos estranhos, eles voltaram, e estão piores. — jogo na lata, demonstrando meu pavor. O professor faz uma expressão de preocupação, só que antes que diga algo, eu continuo falando. — Mas, não é só isso...Ontem, eu tive uma espécie de alucinação muito real...Digo, realmente parecia que aquilo estava acontecendo, então de repente, eu acordei e vi que era só imaginação. — meus olhos lacrimejaram.
—Como se sente quando isso, os sonhos, as alucinações, e todo resto, acontecem? — questionou querendo conhecer todos os pontos.
—Como se nada fizesse sentido na minha vida...Como se eu não fosse eu...Eu sinto dor, desespero, aflição...É como uma punição. É sombrio. — tento explicar.
—Katherine, já pensou em voltar para a terapia? Seria bom, que pudesse administrar isso de uma forma saudável. — ele me aconselha e eu suspiro.
—Eles vão me encher de remédios, e montar um prontuário, onde dizer que todos os meus problemas emocionais se desenvolveram após a morte da Blair...Quando na verdade, eu já venho apresentando esses relapsos muito antes. — conto para ele.
—E que tal conversar com alguém que se sinta segura? Seu pai, seus amigos, ou Edward. — sugere querendo me ajudar.
—Meu pai se sentirá culpado, vai acreditar que eu estou assim, porque ele não é um bom pai, Maggie e Nick estão em uma bolha de amor após muito tempo complicando tudo e Edward...Eu dei apenas um nuance disso, e ele já achou que estou louca. — simplifico toda a história que quero dramatizar.
—E você está? — questionou sério.
Olhei para um ponto qualquer, e engoli a seco.
—Sinceramente? Eu não sei...Há momentos que eu desconfio da minha sanidade, e tem momentos em que eu acho que... — não consigo terminar.
—Que?... — me incentiva a continuar.
—Que não sou só eu, que acredita que há algo errado não só comigo, mas, com essa cidade...Com o passado dela. — falo mesmo sabendo o quão estranho é isso. Assim, me lembro de algo, que alimenta minha teoria e o tiro de dentro da minha bolsa. Trata-se do livro que encontrei no dia que disse a Edward que o amava.
Passo ele para as mãos do professor Xavier, que o avalia com curiosidade.
—É um volume de 1860...Escrito por Stefan Brendon, esse cara é provavelmente membro de uma das famílias fundadoras...E eu só quero saber, porque cada vez que falo esse nome, eu sinto um aperto no meu coração... Mas, isso é loucura. — quero resolver isso. Mas, não sei se sou capaz.
—Você acha que algo está errado? — indaga ainda avaliando o manuscrito.
—Sim. — murmuro.
—Então descubra o que é...Estou a muito tempo nessa cidade, para saber que há partes da história dela, que a maioria das pessoas desconhecem...E se há partes faltando... — ele deixa que eu complete.
—Há segredos. — afirmo.
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