Notas iniciais
Desculpem a demora e não ter respondido os comentários ainda. Minhas aulas começaram e eu estou no último semestre do meu curso, então está uma loucura. Perdoem-me, por favor. Vamos de capítulo?

Eu achei que não iria sobreviver. Sério. Seis dias que pura perversão é demais, até para alguém fominha que nem eu. Mas enfim o sétimo dia chegou, de modo que semelhante a Deus, eu descansei e vi que tudo era bom. Quando acordei, provavelmente pelas oito da manhã, eu vi que Naruto dormia profundamente, ao ponto de ressonar. Sua febre baixara de 42 graus para 37,5 e sua respiração estava mais compassada.

Foi como Yamato dissera. O cio estava se acabando. Saí da cama sem acordá-lo, fui ao banheiro e tomei um longo, quente e relaxante banho.

Meu corpo estava completamente mordido, chupado, arranhando, beijado, molhado e sujo de sêmen e eu nem me importo. Eu me sentia mais forte, apesar de acabado, mais “macho”. O cio tem esse poder escroto sobre nós: nos deixa realizados, vivos. Arfei me recordando que Naruto estava bem pior, porque eu o estapeara várias vezes.

Acho que vou passar uns dois meses sem sexo depois desse cio, eu preciso de descanso e acho que Naruto também. Aproveitei a jacusi do banheiro do meu quarto para restaurar uma parte das minhas forças. Depois de meia hora, eu me senti renovado.

Vesti-me com roupas bem leves, tomei algumas vitaminas e alguns suplementos, depois procurei nas coisas que Yamato me preparara os testes de gravidez com base no sangue. Eu também levei comigo as injeções suplementares de Naruto e fui ao quarto de hóspedes onde ele dormia. Fitei toda a casa no caminho. Um inferno só.

—Acho que vou ficar a semana inteira na casa dele, enquanto Yamato coordena a limpeza dessa zona. Por Deus... Nós fizemos isso? – eu ri dos objetos quebrados, dos móveis fora de lugar e de todo resto. Dei de ombros e fui para o quarto logo.

Eu queria fazer os testes antes que Naruto acordasse.

Entrei no cômodo e o vi exatamente onde eu o deixara. Delicadamente, para não despertá-lo, apliquei as injeções suplementares e depois retirei um pouco de sangue com outra seringa, fazendo um rápido curativo ali, depois limpei suas feridas com cuidado e fitei-o. Tão lindo.

Beijei sua testa e saí da cama levando meus apetrechos comigo. Fechei as cortinas, tranquei as janelas e liguei a central de ar do quarto, deixando-o apropriado para o descanso de Naruto, ainda deixei um buquê pequeno de miosótis no criado mudo ao lado da cama e saí. Fui para o meu escritório começar a analisar o sangue dele. Enquanto esperava a máquina fazer seu trabalho, fui preparar meu café da manhã, pois eu estava com uma fome pecaminosa.

Liguei a televisão da cozinha e fiquei assistindo enquanto me alimentava. Eu queria me atualizar um pouco da realidade. Estava passando o jornal da manhã e a notícia do momento era que uma organização terrorista estava matando pessoas ao redor do mundo, pessoas importantes. A jornalista informava que as vítimas até aquele momento reconhecidas eram membros de OGN famosas, porém os nomes das vítimas e das máfias não foram citados.

Todas as mortes tinham algo em comum: a presença de uma droga poderosa no sangue das vítimas, uma substância que as autoridades ainda não haviam descoberto o que era.

—Isso me lembra de algo. – murmurei mordendo um pão – Vou procurar saber depois se essas mortes tem alguma relação com o que aconteceu comigo. – estreitei meu olhar – Talvez seja a Aldeia do Som agindo... Será que o líder acredita que estou morto e por isso anda matando essas pessoas? Porque eu não fui mais atacado desde Israel.

Sorri de lado.

—Meu pai vai mandar Naruto para Israel de novo, com certeza. Vai mandá-lo investigar os burburinhos que estiverem rolando por lá... – suspirei e fitei meu celular.

A máquina me avisara que os exames já estavam prontos.

—Se meu pai souber que Naruto, se os exames derem positivos, está grávido, com certeza vai mandá-lo para a zona de guerra para que morra lá. Não posso permitir que algo assim venha acontecer... – fui para o meu escritório levando um copo considerável de vitamina de frutas que eu fizera para completar a minha refeição.

Cheguei ao local e fui direto ver o papel impresso que a máquina emitira. Senti as forças nas minhas pernas faltarem e eu arrastei-me para o sofá de dois lugares, jogando-me entre as duas almofadas e arfando. Senti minha pressão baixar, meu corpo gelar e a respiração falhar. Eu esfreguei meus cabelos e fitei o papel de novo. Eu não consegui acreditar no que eu estava lendo, no que eu lera, depois de todo o meu esforço e preocupação durante aquele mês, e principalmente aquela semana, eu não podia acreditar no que acontecera.

Senti minhas bochechas molharem por causa das lágrimas que começavam a cair dos meus olhos que fitavam o teto. Respirei fundo e tentei acalmar o meu corpo. Busquei meu celular e disquei rapidamente o número da minha mãe.

—Sasuke, meu bem, como está? Muito machucado? – ela atendeu depois de chamar três vezes.

—Estou bem mãe. – respondi com a voz embargada.

—Que foi, Sasuke? Sua voz parece estranha! Aconteceu alguma coisa?

—Sim, mãe, aconteceu algo. – respirei fundo e olhei de novo para o papel do re-teste que eu fizera enquanto relia o primeiro exame – Eu vou ser pai, mãe.

—Como é? É sério?! – sua voz estava alteradamente feliz.

—Pai! – as lágrimas caíram indefinidamente – Finalmente, eu vou ser pai, mãe!

—Quem é a mãe?

—É a pessoa que mais amo nesse mundo.

—Meu querido... – eu pude sentir pela voz dela que minha mãe ficara emocionada – Você vai seguir a diante com essa gravidez? Quero dizer, vai permitir que ele prossiga?

Suspirei cansadamente.

—Eu mato quem tentar contra a vida do meu esposo.

—Seu esposo?! – arregalei meus olhos e segurei uma crise de riso por causa do que eu dissera sem sentir. Meu esposo. Eu tenho que oficializar isso de alguma forma. Esfreguei meu rosto com as pontas dos dedos e suspirei.

—Desculpe... Eu tive uma recaída.

—Entendo. Bom! Nos vemos quando o cio se encerrar! Nem acredito que finalmente eu vou ser vovó! Mal vejo a hora de dizer ao seu pai e...

—Não diga. – eu a interrompi – Não ainda. Eu mesmo o direi quando chegar a hora certa, mãe, deixe que eu mesmo anunciarei a boa notícia a ele.

Depois de eu dizer como andava a semana, nós desligamos. Subi para o quarto de Naruto levando algo para ele comer caso estivesse acordado. Abri a porta devagar e sorri ao vê-lo praticamente babando em cima do travesseiro, completamente relaxado. Deixei a bandeja com os alimentos em cima do criado mudo, sentei-me ao lado de seu corpo, afaguei suas orelhas e beijei sua têmpora.

Naruto se remexeu na cama e foi abrindo lentamente os olhos. Mantive o quarto com a mesma penumbra de antes para mantê-lo relaxado. Pode parecer carinho, e é mesmo, mas alguém que passa sete dias de puro sexo incontrolável precisa de ambientes propícios para a recuperação. Beijei suas costas, sem nenhuma intenção vulgar e fui abraçando seu corpo, praticamente me esfregando e ronronando, sentindo aquele calor agradável da sua pele me envolver. Ouvi-o rir baixo, aquele jeito narutesco de rir.

—Bom dia. – ele disse calmamente. Coloquei-me meio por cima dele, meio por cima da cama, beijei seu pescoço de leve e deixei minha cara ao lado do seu rosto.

—Bom dia, meu amor. – sussurrei. Naruto corou com a forma como eu o chamara e se aconchegou mais dentro do meu abraço. Esse, sem sombra de dúvidas, deve ser o melhor dia da minha vida. – Dormiu bem?

Ele beijou a ponta do meu nariz e se encolheu, escondendo o rosto corado e risonho de mim, apertei o abraço e me posicionei melhor. É, pode dizer, o sétimo dia é o que chamam de “recém-casados”, porque as raposas ficam muito carinhosas. Soltei-me dele apenas para buscar a bandeja. Naruto se sentou na cama, usando os travesseiros como recosto. Coloquei a bandeja em seus joelhos e assisti-o comer avidamente tudo o que eu preparara.

Depois que ele comeu, Naruto percebeu o buquê de flores azuis que eu deixara ao lado da cama. Ele abriu o mais lindo sorriso do mundo, pegou as flores entre as mãos e acariciou as pétalas com a ponta dos dedos.

—Miosótis... – ele sussurrou, seus olhos se conectaram aos meus e eu me senti tomado pelo azul cor de céu deles. – Eu também te amo do fundo do meu coração, Sasuke Uchiha.

Se Deus quiser levar minha alma agora, pode levar porque eu ouvi – de verdade – o que eu sempre quis ouvir em toda a minha vida. Tocamos nossas testas e nossas caudas se enroscaram gentilmente por baixo dos lençóis, afaguei seus cabelos e arfei. Senti minhas lágrimas recomeçarem a cair, pois eu me recordara no exame.

—Que foi, Sasuke? – ele perguntou me olhando.

—Se você ficasse grávido de mim... – enxuguei minhas lágrimas – Teria a criança?

Naruto baixou o olhar, pensativo e depois me fitou.

—É claro. – ele sorriu de novo – Por que eu não teria um filho seu? A minha vida lhe pertence, Sasuke, sempre pertenceu e se eu puder perpetuar seu espírito em uma criança, eu a teria sem sombras de dúvidas.

Beijei-o com vontade.

—Então... – respirei fundo – Adivinha quem vai ser papai.

—Você?! – ele se admirou e eu assenti – E eu sou a mãe?! – assenti de novo. Naruto deu um salto assombroso por cima da cama e começou a pular de alegria, gritando e uivando de felicidade, quase pisando mim – Eu vou ser mãe!!! MÃE, PORRA!!!

Eu gargalhei alto e então ele parou. Fitou-me, caiu de joelhos na cama e engatinhou até ficar no meu colo. Nos beijamos avidamente, chorávamos juntos. Um filho aceito por duas criaturas que sabem que podem morrer a qualquer instante é a prova máxima de cumplicidade e confiança entre eles. Deitei-me e rolei, deixando-o abaixo de mim. Beijei-o com vontade, com saudade, com felicidade, com amor.

—Eu te amo tanto, Naruto. – fitei-o e ele arregalou os olhos, espantado – É, seu babaca, eu te amo muito e faz bastante tempo. Você é meu, só meu. – abracei-o possessivamente – E foi como eu disse: somos só eu e você até o fim.

—Eu, você e... – ele afagou sua barriga. Assenti.

Diferentemente de vocês humanos, o tempo gestacional de uma raposa é dois meses. Isso mesmo. Meu pai mal teve tempo de entender o que se passava e Naruto já estava no hospital, dando a luz aos meus dois filhos gêmeos – ou quase, porque nasceram de espécies diferentes – enquanto eu praticamente saia na tapa com ele.

Dois meses depois do cio de Naruto, eu conheci meus filhos. Nasceram uma menina gata de pelo negro, segundos os médicos, uma “Uchiha perfeita e pura” e uma menina raposa, de pelo dourado quase alaranjado, a “primeira Uzumaki fértil em anos”. Foi o momento mais feliz da minha vida quando Naruto me apareceu com as duas crianças no colo e aceitou o meu pedido de casamento, para assim nos tornarmos uma família completa.

Só restávamo-nos saber se aquelas crianças seriam como nós dois: animais que envelhecem lentamente e vivem por muitos anos, mas isso só saberíamos quando estivessem entrando na fase adulta. Por hora, só curtíamos os nossos bebês.

Naruto era uma mãe carinhosa e perigosamente superprotetora. Não podia amamentar por ser homem, mas sabia fazer o leite necessário para nossos filhotes com os ingredientes ensinados por sua mãe, quando ainda era viva. Os três vieram morar comigo um mês depois do casamento e enfim eu me senti completo. Um pai amoroso e terrivelmente possessivo, era assim que Naruto dizia que eu era. Os médicos me avisaram que Naruto teria que ficar de resguardo por causa da cirurgia cesariana e da mudança corporal que seu corpo sofrera para poder gerar nossas filhas.

Digamos que essas foram as férias que Naruto nunca teve. Era como eu jamais sonhara: felicidade, paz, amor e Naruto sendo Naruto. O fato de ele não poder ter relações comigo enquanto não se recuperasse lhe deu liberdade para me provocar de vez em quando com olhares, palavras e posturas sensuais. O máximo que eu ganhava, quando realmente eu não conseguia mais suportar, era um boquete.

Só, mas tudo bem. Eu hei de ter minha vingança quando esse resguardo passar. Essa raposa não perde por esperar. Aliás, eu acho que ele quer muito essa minha vingança.

A vida não poderia ser mais perfeita, eu sei. Mas vocês sabem que eu sou o mestre da arte de ser enganado pela vida, certo? Nossa vida familiar utópica não durou para sempre.

Notas finais
Aê!!!! São papais e de vera dessa vez!!! Que felicidade!!! O que será que a vida aprontou dessa vez com Sasuke, o coitado T^T?