Amor à moda antiga
30 Capítulo 27
Notas iniciais
Como o próprio Naruto admitira, ele saíra de casa apenas com uma mochila nas costas, acompanhado por mais duas pessoas, Shikamaru e Kiba e mais uma galera que esperava dentro do carro, e partiram para o que eles chamaram de “O dia de 72 horas”. Fiquei hospedado durante aquele fim de semana na casa dele, visto que minha casa fora fechada para inspeção por causa do crime.
Eu fiquei só com Naruko. Que me odiava. Passei praticamente toda a sexta no quarto que me fora reservado, Naruto me deixara usar seu computador e ter acesso a todas as informações que eu precisasse sobre a minha vida e o que eu fizera. Era tal e qual. Boa parte do que eu lembrava estava ali descrito em imagens, textos e vídeos.
Inclusive encontrei uma pasta criptografada. Naruto me deu um caderno contendo todas as chaves que eu precisaria para abrir as pastas que estivessem codificadas. Aquela pasta tinha vídeos. Coloquei os fones e iniciei um vídeo. Parecia ter sido feito pela webcam.
Eu apareci desvestindo-me do meu paletó e jogando a peça sobre a cama. Alguns homens-gatos apareceram carregando um corpo, eles colocaram-no em cima da cama e depois saíram sem dizer nada. Eu fiquei sozinho e peguei a câmera, que estava em cima de alguma coisa, levando-a para perto do corpo. Filmei-o de maneira silenciosa e era Naruto, dormindo.
Posicionei a câmera na cabeceira, dando uma visão contrária de nós da que estava ao começar o vídeo, e coloquei-me sobre ele.
“Sabe que dia é hoje, dobe?” Eu falava retirando as roupas baixas dele “Duas semanas longe de mim, agora você vai ter que tirar o atraso, não?” Abri sua camisa de botões um pouco e não a retirei. Comecei a beijar seu pescoço com voracidade “Tão gostoso, será que mais alguém andou provando do que é meu? Acho que não. Não ousariam tocar no que é meu.” E se seguiu um take ininterrupto de eu transando com Naruto por uma hora, porém, ao que me parece, o loiro estava dopado, pois ele passara o momento inteiro sem se mover ou reagir.
Avaliei aquela pasta. Gravações feitas por mim das transas que eu tinha com Naruto, em todo tipo de lugar, de todo jeito que se possa imaginar. Mais de duzentos vídeos pornográficos criptografados no computador de Naruto. Sorri de jeito sacana.
Eu sou muito puto mesmo, gravei tudo isso só para passar o tempo quando o loiro estivesse fora, trabalhando. Penteei lentamente meus cabelos, sentindo minha mente ser inundada pelas recordações daqueles momentos. Fechei meus olhos e estirei-me sobre a cama.
Não pude resistir e acabei me masturbando com um dos vídeos, deixando os gemidos fortes de Naruto inundarem a minha mente e me fazerem gozar ao vivo e virtualmente. Depois disso, fiquei meio pensativo, me questionando mentalmente as razões por ter gravado aquele tipo de cena só para o meu prazer. Pensando desse modo, parece que eu nutria apenas um desejo carnal, algo animalesco, por ele.
Ainda sim eu o amava. Naruto me servia, mas me amava? Amava-me como eu o amo?
No vídeo que eu começara a assistir, eu dizia constantemente o quanto eu o amava, mas não havia resposta nenhuma.
Suspirei. Então é isso: uma droga embaralhou a minha cabeça e me fez pensar que eu tinha uma vida linda com Naruto, mas ao invés disso, eu sou tipo um senhor de escravos e ele é o meu escravo favorito. Tenho que fazer algo para mudar isso.
As horas se passaram sem pressa e eu acabei adormecendo durante a tarde, acordando quando a noite já caíra.
E em meus sonhos, eu sabia que estava sonhando, as coisas começaram a fazer sentido em minha cabeça, minha vida era tal e qual como eu sempre achara, porém todos os momentos que vivi com Naruto foram deturpados pelas drogas e isso explicava os motivos de eu nunca saber tudo sobre ele. Casei-me obrigado com Suigetsu, mas ele não me dera filhos, quebrando o contrato que a família dele fizera com a minha, justificando o fato de termos brigado tanto.
Sarada, Boruto, entre outros tantos, foram fetos que Naruto abortara por ordem de minha mãe. Só ela sabia que eu transava com ele, principalmente durante seus cios, e sabia que filhos na hora inapropriada me prejudicariam. Ele ficara grávido várias vezes, mas não pode seguir adiante com isso, por três motivos: ele é Uzumaki, ele é treinado para guerra e sabe demais, e, por fim, é um Alpha que me serve. Se ele sofrera? É claro.
A alucinação do assassinato em série dos Uzumakis fora uma referência que minha mente fizera a esses abortos. Bizarro, eu sei. Pelo menos ainda é certo: Naruto pode engravidar.
Os arquivos no computador contavam sobre as atrocidades que eu fizera Naruto passar simplesmente para me satisfazer.
Esfreguei minhas têmporas, entendendo algumas das razões que justificavam o ódio que as pessoas nutriam por mim, principalmente os subordinados dele. Eu sou o que sou. Até a tortura, na qual eu o violara, quebrara os seus braços e a sua cauda, acontecera por causa de uma crise louca de ciúmes provocada sem intenções por Kiba.
Naruto é o Alpha que controla a Matilha Vermelha e parte dos Cães da Terra, e eu controlo o Alpha e os Gatos de Noite, portanto controlo tudo. Nas sombras, sou eu que mando, agindo como braço esquerdo da família Uchiha. Não era à toa que muita gente me queria morto, de modo que entendi porque eu fora drogado. Queriam se livrar de mim, mas quem, em nome de Deus, de tantas as pessoas que me odiavam?
Durante a noite choveu. Uma chuva forte e pesada, com direito a ventos fortes, que assobiavam por entre as folhas das árvores, e a raios. Eu estava sentado na cama quando ouvi baterem na porta. Esperei que a pessoa entrasse, mas nada. Ela bateu de novo.
–Entre. – falei. A porta abriu devagar e por ela passou Naruko. – Houve algo?
Um raio despencou do céu e sem que eu pudesse fazer qualquer coisa, a raposa correu em disparada até mim e saltou na cama. Engatinhou até ficar ao meu lado, agarrou os próprios joelhos e ficou encarando os lençóis. Era como se ela estivesse num transe.
–Tudo bem? – de repente ela ergueu o olhar. Seus olhos azuis estavam lacrimejando, ela soluçava e parecia bem frágil. Recordou-me Kyuu-chan. Era assim que ele ficava.
–Eu... – ela engoliu a saliva – Quando eu era pequena... Naruto me salvou de um raio. – sentei-me de frente a ela – As costas dele estão queimadas por causa disso... Era para eu ter morrido, mas ele me empurrou para dentro do carro... Não teve como ele escapar. Desde então...
Outro raio atingiu o mundo e Naruko se encolheu ainda mais, o rabo entre as pernas. Isso explica porque eu sempre o via de camisa de mangas longas e só ficava nu quando eu o dopava, além da existência das possíveis tatuagens nos braços. Isso explica, também, o medo que ele não tem da morte, por já ter enfrentado-a antes.
–Você tem medo de raios. – ela assentiu com o rosto escondido. Saí da cama e fui até a janela, fechando as cortinas – Tudo bem. Pode ficar aqui se quiser.
–Não conta para ele. Naruto vai ficar muito preocupado. Isso não é bom para ele. Ele já tem muita coisa na cabeça. – isso era bem verdade.
–Seu segredo está guardado. Não direi nada.
–Obrigada... – ela sussurrou esticando-se temerosamente sobre a cama – Pensei que ia me enxotar daqui como fez das outras vezes.
Talvez ela me contasse mais e assim clareasse a minha mente, se eu soubesse perguntar. Fui para a cama e me deitei ao lado dela, com um espaço considerável entre nós. Fitei-a enxugar as lágrimas e abraçar a própria cauda fofa. Senti minha cabeça doer de novo, latejava e as memórias se confundiam. Naruko percebeu a minha dor e saiu um pouco, talvez fosse buscar alguns remédios para mim.
Ela retornou alguns minutos depois com uma garrafa de água e uma cartela pequena de comprimidos. Sentei-me na cama e peguei a garrafa, tomei um gole, peguei a cartela e tomei o remédio. A dor milagrosamente passou. Naruko sentou-se na cama e suspirou cansadamente.
–Obrigada pelo remédio. Eu sei que você me odeia, mas...
–Tudo bem. – ela me interrompeu e deu de ombros – Naruto vai ficar louco se souber que eu não cuidei de você direito... Eu sei que não nos demos muito bem, senhor Uchiha, mas é que eu não podia simplesmente aceitar a forma como você tratou meu irmão todos esses anos, não com tudo o que sinto por ele.
Saí da cama novamente e comecei a caminhar em frente à ela.
–Eu sei que você não tem obrigação de me dizer nada, mas eu tenho algumas perguntas a lhe fazer, se puder me responder. – ela assentiu – Preciso saber se eu não estava alucinando ou se realmente aconteceu. Naruto foi condenado...
–Há 3375 anos de reclusão sem direito a condicional, mais serviços comunitários a polícia. – eu arregalei meus olhos de tal maneira que me provocou um arrepio gelado. Fitei-a. Naruko tinha lágrimas nos olhos. – Era isso ou a assassinato da nossa família.
–Como assim?
Naruko sorriu, aquela mesma sinceridade e docilidade que eu via em Naruto sempre que ele queria me contar algo sem mentir.
–Não era para você saber... Isso faz parte do acordo feito entre Madara e Mito, eu nem era nascida na época. – ela abraçou os próprios joelhos.
–Mas eu preciso. – falei com alguma autoridade. – Alguém quer que a minha cabeça fique toda embaralhada para me prejudicar de alguma forma. Eu preciso saber o que é real e o que não é, Naruko. Preciso consertar as coisas com o seu irmão.
Ela me fitou com os olhos brilhantes, como se uma chama se crescesse dentro de si e lhe motivasse a fazer algo. Talvez a esperança da mudança. Naruko baixou o olhar, observando os pelos da cauda, refletindo seriamente sobre o que eu lhe dissera. Eu tinha que saber o que fora provocado pela alucinação e o que não fora. E se alguém poderia me ajudar nisso, era ela e as outras pessoas que conviviam comigo e com Naruto.
É, Sasuke Uchiha, você está de volta ao jogo.
–É estranho ver você se importando com Naruto... – ela falou com a voz temerosa. Eu apenas dei de ombros e puxei uma cadeira para me sentar. – Hashirama era muito próximo de Madara, talvez tivessem alguma relação íntima, não sei, e quando soube da morte dele, nem se importou com... Você sabe. Madara acreditava que os Hyuugas mataram Hashirama, e motivado pela dor, ele convocou todos os Uzumakis puros para lutar, mas nunca aconteceu.
–Por quê?
–Porque alguém matara todos os filhos de Hashirama e destruíra todas as capacidades de Mito Uzumaki, tornando-a uma inválida.
–Está falando de Naruto?
–Exato. – sentou-se na borda oposta da cabeceira e ela cruzou as mãos trêmulas, o medo dos raios ainda estava ali, mas parece que conversar está ajudando-a – Depois que Kushina morreu, Naruto despareceu ainda criança com ciganos e só foi encontrado um século depois, por militares, completamente alienado e sedento por vingança. Ele foi preso, mas sua mentalidade ainda era de uma criança apesar de seu corpo de homem adulto.
–E Kakashi Hatake?
–Foi o homem que se propôs ensinar disciplina e trazer Naruto de volta para a humanidade. Ele foi o pai que Naruto nunca teve na vida, a primeira família dele. Uma vez dentro da carreira militar, meu irmão se transformou na máquina de matar que deu fim a todos os Uzumakis puros da Terra e então Madara soube o que realmente acontecera.
–E por que Naruto não foi morto?
Naruko suspirou tristemente.
–Porque Madara viu o potencial de Naruto. – os olhos dela se encheram de lágrimas – Meu irmão já estava preso quando aconteceu a decisão. Menma e eu éramos pequenos e nosso pai fora chamado por Madara, dizia que meu pai tinha que acertar as contas por Naruto, do contrário, todos nós seríamos mortos. – algumas lágrimas começaram a cair – Eu nunca tinha visto Naruto antes daquela noite...
“Os militares entraram com as orelhas baixas e os rabos entre as pernas, era a primeira vez que eu via policiais agirem daquela maneira tão submissa. Madara estava lá, sentado atrás de uma mesa, com mais algumas pessoas ao lado dele, talvez fossem filhos dele, meu pai, Menma e eu estávamos atrás da cadeira enorme de Madara e eu podia ver bem a entrada daquela sala. Duas portas enormes se abriram e por elas passaram mais policiais. Puxavam correntes pesadas, havia praticamente um batalhão inteiro com as armas apontadas para um único prisioneiro e esse era Naruto.
Não houve um só canídeo que não estremeceu com a sua presença. Menma urinara nas próprias calças e eu perdi as forças, caindo sentada. Por baixo da mesa eu vi as pernas dele, os pés descalços e a cauda se movendo devagar.
Madara disse que por meu pai ter dois filhos Uzumakis, ele pagaria pelas mortes dos Uzumakis se Naruto não assumisse a culpa pagando os 3375 de condenação servindo aos Uchihas e, assim, fazendo a Matilha Vermelha obedecer aos Gatos da Noite.
Depois de ele ter dito isso, algo aconteceu, algo louco e repentino: os policiais ficaram acuados nos cantos de parede quando Naruto arrancou fora, usando as correntes, as cabeças dos que estavam mais perto dele. Nunca vi tanta gente correndo para lá e par cá, fugindo dos ataques de Naruto.
Ele veio para cima de nós, ele quis no matar, mas parou. Seus olhos cor de ouro encontraram os meus e ficaram azuis. Eu me vi naqueles olhos e eu tenho certeza que ele me viu nos meus, depois ele fitou meu irmão. Ficou nos encarando por alguns segundos e se afastou. Naruto era enorme, a maior raposa que eu já tinha visto na minha vida. Eu vi seu pescoço sendo puxado e então ele foi lançado ao chão, um gigante derrubado repentinamente. Eu vi um homem segurando a corrente, eu era pequena, mas eu nunca esqueci seu rosto. Era você.
Segurava a corrente de Naruto e ouviu algumas palavras que meu irmão dissera. Naruto concordou com a decisão de Madara. Aceitou trabalhar para você para nos proteger, disse que nós, eu e Menma, éramos seus irmãos menores, que eu era sua gêmea e que faria o que fosse preciso por você. Então...”.
Assenti brevemente. Fora isso então. Naruto ficara louco por causa da morte da mãe e se vingara de toda sua família, matando-os. Mais uma vez uma torrência de memórias assolou a minha cabeça e eu me recordei de todos esses momentos pelos quais Naruto passara. Ele nunca desaparecera com os ciganos, na verdade, vivia viajando escondido comigo, me fazendo companhia e me ajudando nas minhas “ardilagens”.
Certos fatos jamais devem ser realmente revelados. Certas coisas eram somente minhas e de Naruto. E foi esse meu egoísmo que me fez crescer ao lado dele.
Eu não senti dor de cabeça ao me lembrar de tudo isso. Isso significa que as coisas estavam se estabilizando em minha mente, afinal. A normalidade estava próxima.
–Quer dizer que Naruto está condenado a servir os Uchihas para manter vocês vivos por...? – indaguei olhando para as minhas próprias mãos.
–Mais 3100 anos.
Isso me impressionou de verdade.
–Todo esse tempo?
–Sim.
–Mais alguma razão para ele continuar com isso? – ela franziu o cenho, confusa – Quero dizer, se ele matou os Uzumakis, por que não tocou o foda-se e deu fim aos Uchihas também?
–Eu não sei, senhor. – levantei meu olhar para ela, um pouco curioso, apenas assenti a cabeça lentamente, me levantei da cadeira e me coloquei ao lado dela.
Eu sei o motivo de ele não ter feito isso, sei bem. É um gato preto, que muda as cores dos olhos, gangster assassino que não tem piedade de ninguém, que quando quer uma coisa sempre a tem, por bem ou por mal, é o filho caçula de um idiota e tem um gosto sádico para sexo selvagem. Adivinha quem é? Essa pessoa mesma que você está pensando.
Mas que merda. Senti algo apertar meu peito, aquela sensação de novo. Remorso. Esse loiro sempre tenta fazer o bem, até quando faz coisa ruim, como matar, é com boas intenções. Esse é o Naruto que eu conheço.
–Devo ter feito coisas horríveis para você me odiar tanto. – comentei. Naruko ergueu seus olhos para mim, eram sempre azuis, nunca mudando de cor. Não era uma raposa pura, mas era uma mulher de alma pura. – Eu tenho vontade de me...
–Redimir? – ela abriu um sorriso bobo e pendeu a cabeça de lado. – Sasuke Uchiha, o homem mais malvado do mundo, quer se redimir de alguma coisa com meu irmão?
Neguei sorrindo. Eu ia dizer que eu tenho vontade de me casar com ele, mas vou deixar isso para um momento mais oportuno e, como posso dizer apesar de não ter nada haver comigo, mais romântico. Olhei para a janela e vi que caia uma chuva fina, sem preocupação de molhar a grama e as casas, já não tinha raios e nem medo. Cocei minha cabeça.
Apoiei meus braços nos joelhos e respirei o ar. Além do cheiro de terra molhada, orvalho, chuva e telha, eu senti o aroma específico de Naruto vindo do quarto ao lado. O cheiro único e indiscutível de Naruto. Eu poderia ficar duro só com esse cheiro, mas não vou porque não estou tão carente assim. O cheiro dessa mulher é muito parecido com o dele, porém mais fraco e mais suave. Imaginem que é a mesma fragrância de perfume, só que tem a versão para homem e a versão para mulheres.
Se ela é realmente a gêmea de Naruto, talvez Naruko tenha herdado um pouco do espírito compreensivo e sagaz dele. Vamos ver, então.
–Não. Não me arrependo de nada que fiz. – ela abriu uma careta de indignação que me fez rir contidamente e menear a cabeça – Sou terrivelmente ciumento e possessivo incurável, se quer saber. – falei fitando-a com uma sobrancelha arqueada – Tudo o que fiz foi para impedir que qualquer outra coisa me roubasse Naruto mais uma vez.
–Mais uma vez? – ela franziu o cenho. – Como assim já te roubaram Naruto uma vez? Ele não é uma coisa que se pega, o que quer dizer?
–Não foi bem uma pessoa, mas uma situação.
–Não faz tanto sentido o que você disse.
Suspirei lentamente e afaguei a cabeça dela como se fosse um filhote.
–Não precisa entender agora... Só precisa saber que eu me arrependo do que não fiz.
Naruko assentiu, se levantou da cama, correu até um frigobar debaixo de um pequeno armário, abriu-o e retirou duas latas de cerveja de lá. Entregou-me uma e nós abrimos durante um brinde. Essa mulher lembra alguém. Um moleque loiro que fez de tudo para o pai ficar feliz com a pessoa que ele mais amava. Será que ela tem a mesma intenção que ele?
–E o que não fez? – falou depois de um gole longo da bebida.
–O que fiz foi me apaixonar por seu irmão, há muito tempo, uma paixão que criou raízes, folhas e frutos, e se tornou amor. – ela arregalou os olhos, admirada com o meu tom de voz manso. Aquelas alucinações me ensinaram alguma coisa, por exemplo, como conquistar as pessoas sem ser através do medo – O que eu não fiz foi não ter me expressado melhor.
Bebemos mais um pouco da cerveja.
–Bom... Não é tarde para isso. – ela sorriu de um jeito meio adolescente – Você tem tempo.
–Tempo? Quantos anos você tem?
–20. – ela admitiu sorrindo. Então aquela noite que ela me narrara era recente. Nossa, como tempo demora a passar. – Não sou tão velha quanto você ou meu irmão.
–Sei. – fitei a cerveja e sorri de lado – Não diga isso na cara dele ou você leva uma surra. Naruto odeia ser tratado como velho. – senti meus olhos ficarem pesados. Bocejei e ela acabou bocejando em seguida.
–Vou te dar uma dica... – ela estava quase derrubando a cerveja de tanto sono. Lá vêm os conselhos de alguém que descende de Naruto.
–Fala.
–Aprenda a dançar. – franzi o cenho, meio surpreso com a sugestão – Tem mulher que consegue as coisas dançando com ele. Faça o mesmo. Assim vai poder participar das diversões com ele... Que sono, cara.
–Dançar? – fitei a cerveja – Sei... Funciona mesmo?
–Claro! Vai por mim, dá certo.
O remédio está fazendo efeito e eu estou sonolento. Indiquei a cama para ela e nos estiramos, mas não houve nada. Era como se eu estivesse na companhia de Boruto. Dormimos quietos e acho que os raios não incomodaram mais Naruko, eu senti que ela adormeceu tranquilamente ao meu lado, apesar de tudo.
Pela manhã, depois do café que eu preparei, ela saiu para faculdade e eu fui para o computador. Tal como reza a lenda dos Uzumakis, os três irmãos enveredaram pelo Direito: depois de passar alguns anos como Procurador da Justiça, Naruto seguiu a carreira militar, Menma conseguiu ser advogado e Naruko está se formando, querendo trabalhar no mesmo escritório de Menma. Os três mantém a tradição de documentos invioláveis.
Algumas coisas estavam se encaixando aos poucos, mas havia muitas lacunas.
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