Notas iniciais
Ando sentindo falta sabe de quê? De vocês, meus queridíssimos. Cadê meus comentários? Eu sei que não tenho tido tempo de responder os comentários, mas saibam que eu leio de todos eles. Segue o capítulo!

Caminhando pela sala no domingo pela manhã e, sem perceber, me vi perto dos armários onde estava aquele arquivo que ele me pediu para eu não olhar. Minha curiosidade fora atiçada pelo pedido dele. Olhei em volta e me vi sozinho. Se alguém pudesse me ver agora, me veria com a cauda ereta, as orelhas bem erguidas e uma cara de pestinha. Certas coisas, por mais que eu seja um homem de classe, eu não consigo evitar da minha própria espécie.

Peguei o arquivo e olhei em volta de novo.

–Estou sozinho. – eu me vi pelo espelho e vi o quanto a minha cara estava parecida com a de um gato, só faltava os bigodes – Vamos ver o que tem de tão especial nesse arquivo.

Só espero que não seja nada envolvendo “putarias”.

Dizia “Nunca enviadas”.

–Para quem serão essas cartas? – minha cauda começou a balançar quando eu abri a caixa do arquivo-morto – Será alguma namorada que eu o impedi de ter? Ou algum namorado? Ou para algum parente vivo dele ainda? Talvez a mãe! Pode ser para Dona Kushina!

Alerta de gato curioso na área. Por favor, retirem seus objetos escondidos do recinto. Sempre rio quando penso nesse tipo de coisa, mas não dá para evitar. Gato é gato.

Havia vários envelopes dentro. Puxei um aleatoriamente e observei-o com algum interesse, na frente havia o selo da Uzumaki Advogados e logo abaixo a assinatura de Naruto. Não havia destinatário, talvez houvesse o nome da pessoa escrito na carta, então eu resolvi abrir, mas algo repentinamente aconteceu. Eu me vi rolando pelo tapete até me chocar contra a parede e quase derrubar um quadro que estava pregado lá.

Levantei meu rosto e me percebi que Naruko me empurrara e agora estava de quatro sobre o arquivo-morto, protegendo-o como só as fêmeas fazem. Não doeu, verdadeiramente, apenas fora o susto que me pegara de surpresa, além que a minha curiosidade me deixara completamente desarmado. Naruko rosnava, mas sua cauda estava entre as pernas.

–S-Seu... Seu babaca sem-sem... Sentimentos!!! – gaguejando e tremendo, as unhas de fora cortando de leve o tapete, ela estava. Coloquei-me de pé e cruzei os braços. Eu não estou nem usando a minha presença e ela já está completamente em pânico.

Se fosse Naruto, estaria me olhando com uma cara de “Não estou nem aí para você”, mas Naruko não é uma raposa pura, era de se esperar que ela ficasse aterrorizada ante uma espécie superior como a minha. Ainda mais sendo eu. Dei um passo para perto dela e a garota se encolheu mais, protegendo o arquivo.

–I-Isso é... P-precioso p-para... O meu irmão!!! – ela praticamente gritava – E-E-Ele pediu pa-para o-o senhor U-Uchiha não olhar... – os olhos dela se encheram de lágrimas.

Naruko se sentou abraçando com os braços e a cauda a caixa, tentou se levantar, mas suas pernas bambas a impediam de se mover. Nós dois não havíamos percebido, mas uma chuva intensa começara a cair, porém sem raios. Abaixei-me perto dela e observei o quanto ela apertava com força aquele objeto, como se ao soltá-lo, fosse perdê-lo para sempre. Perder uma parte importante de Naruto.

–Isso não é nada de mais... – ela chorava.

–Então por que eu não posso ver? – eu quis tocar seu rosto, mas ela arrastou-se para mais longe de mim, se encurralando no sofá. São gêmeos apenas em alguns pontos. Naruko não é visceral como Naruto, ela não tem aquele ímpeto selvagem de uma verdadeira raposa. Eu não sei se posso chamá-la de raposa. – Se não é nada de mais, por que todo esse mistério?

Ela ergueu seus olhos brilhantes de tristeza para mim e conseguiu forças para se levantar, caminhou para a outra ponta do sofá, ainda com a caixa nos braços e não me fitou.

–Todo mundo... – ela enxugou suas lágrimas com as costas das mãos – Tem algo que não deve ser dito em voz alta... Não até o momento certo. – ela se virou – Eu sei que... Mesmo você, Sasuke Uchiha, deve ter algo que não tem coragem de dizer a todos.

Apertei meus punhos e baixei meu rosto. Sim, há algo que eu não quero dizer a ninguém, como também não quero que ninguém mexa, algo que é só meu. Meu amor por Naruto. Ela tem razão. Eu ainda não estou preparado para revelar meus sentimentos a ele ou a qualquer outra pessoa desse mundo. Esfreguei meu rosto e joguei-me sobre o estofado.

–Eu só... – suspirei – Só queria saber o motivo desse mistério todo.

–É como ele mesmo disse... Você não precisa saber, não vai mudar nada...

Naruko encolheu os ombros e foi para o armário, guardando-a a caixa lá.

–Mas você não quer saber o que são essas cartas?

Ela negou.

–São tão antigas quanto essa casa. Provavelmente são cartas que Naruto quis enviar para a mãe, mas não pode por causa do que fazia. Ele sempre teve isso, sabe, de fazer coisas que ninguém mais faz. Ele costumava me escrever quando eu era criança. Meu irmão sempre foi muito antiquado, de um tempo que não existe mais.

Acabei sorrindo ao ouvir isso. Ela tem razão. Esse cara é das antigas, o tipo de homem que abre a porta para a mulher, que envia flores e chama a moça para um passeio pelo parque sem nenhuma conotação sexual, que fica sentado na porta de casa conversando, que liga durante a noite apenas para desejar bons sonhos. Esse tipo de pessoa é tão raro hoje em dia.

Uma pessoa que não tem pressa de viver a própria vida.

Naruto. Se eu quiser te ter como meu, vou ter que ser um pouco disso. Vou ter que aprender a ser romântico com os antigos poetas para conquistar um romântico de nascença.

Depois da conversa, fui ao escritório de Naruto.

A casa dele nem é tão grande quanto eu pensava. Na verdade, talvez seja um décimo da mansão dos meus pais, talvez um quinto da minha própria. O cômodo não era diferente.

Duas paredes abarrotadas de caixas-arquivo, arquivos em pastas, livros e quadros, além de uma porta de vidro que dava acesso ao jardim lateral, onde havia uma mangueira com os frutos ainda verdes. Sobre a mesa de madeira de lei envernizada, eu encontrei, além de alguns papéis, algumas anotações e a coleção completa dos livros do Senhor dos Anéis, um computador cheio de senhas. Na parede da porta havia alguns armários fechados, um deles era de livros de literatura internacional e outro era de DVDs. Ainda havia uma televisão grande e videogames – XBOX 360, Playstation 4, XBOX One, entre outros.

Ao lado do computador havia uma pilha de CDs separados por conteúdo e um deles me chamou atenção. Era o único que estava fora da pilha. Dizia “Diário da espera — 39”. Coloquei-o no DVD e esperei, que ironia. Curiosidade é foda.

Apareceu primeiro uma tela preta, em seguidas letras brancas apareceram. Dizia “Diário de Espera – Take 39 – Crise de Cio”. A tela sumiu e um cômodo com pouca iluminação apareceu, algo parecido com um quarto, provavelmente. Uma luz fraca e amarela foi acesa, provavelmente de um abajur, e eu pude reconhecer a silhueta de uma cama, o reflexo de um espelho ao fundo, uma janela aberta e uma mesa próxima à câmera, a mesa parecia ser de escritório por causa da quantidade de coisas que havia nela.

Um homem apareceu e se sentou na frente da câmera, ele parecia cansado, esfregando o rosto com lentidão. Era Naruto. Ele esfregou suas têmporas devagar e fitou a câmera, bocejou demoradamente e sacudiu a cabeça.

“Não posso dormir. Não ainda. Só mais dois dias e acaba. Pelo menos de acordo com os médicos. Disseram que fora aumentado por causa da medicação, então eu tenho que aguentar...” Ele riu fracamente “Depois eu durmo.”.

Busquei uma cadeira e me sentei para assistir aquilo. Seria algum vídeo de investigação ou seria o acompanhamento de algum tratamento? Era difícil dizer só pela cara dele. Naruto buscou algo em gavetas, leu com dificuldade a meia-luz, suspirou cansadamente e jogou os papéis de lado. Fitei a data do vídeo. Um mês atrás.

“Itachi disse que não adianta... Que já deveria ter internado ele, por causa do desastre na semana trasada.” Ele soltou o ar devagar e demorou-se penteando os cabelos. Eu pude ver pelo o relógio digital de pulso que eram três da manhã. “Menma diz que eu devo dar baixa na polícia, mas eu não posso fazer isso. Não com ele.”.

Então ele encarou seriamente a câmera. Naruto estava ferido. Seu nariz parecia ter sido quebrado e consertado a força. Havia um corte na sua testa.

“Ele me estuprou numa crise na semana trasada... Itachi me disse que se isso acontecer de novo, vai internar a nós dois.” Naruto riu fracamente. “Ele não entende. Não entende o que é odiar tanto a si mesmo todos os dias ao ponto de deixar de acreditar no que vê... Eu não fui estuprado, eu deixei que ele fizesse isso. Era o cio dele e, de todas as pessoas que estavam com ele só para isso, inclusive Suigetsu estava lá, ele me procurou. Logo eu.”.

Do que ele está falando? De quem ele está falando? Voltei um pouco essa parte e revi a parte que ele mencionava o finado. Suigetsu só tinha um parceiro fixo de cios. Eu. Isso me fez lembrar o crime e de todas as situações envolvendo-o. Deixe o vídeo rodar.

“Estou a três noites vigiando ele, para ver se ele torna, mas acho que dessa vez mais demorar mais... Eu temo pela vida dele... Ele é... Selvagem e sem controle... Se o pai dele souber que nada mudou, que as pesquisas que estamos fazendo não estão dando certo, eu não...” As orelhas de Naruto ficaram em alerta e fitou algum lugar no espaço escuro do seu quarto.

Parecia captar sons vindos da casa. “O que é que está...?” Ele se levantou lentamente.

A fala dele foi interrompida de novo por alguém entrando bruscamente no cômodo.

Naruto correu para acudir e começou uma gritaria sem fim. Ouvi gritos, coisas caindo, algo muito parecido com uma briga entre pessoas, ou entre animais, eu não consegui discernir de quem eram as vozes, dada a bagunça. Eu só reconhecia Naruto e com muita dificuldade.

Vi uma pessoa se erguer da escuridão, entrar no campo de foco da câmera e sair correndo, a mesma pessoa que entrara de repente. Saiu gritando desesperadamente, como que chamando por ajuda, que não veio. A briga continuou pelo quarto, durante quase vinte minutos, derrubando os móveis, até que finalmente caíram sobre a cama e eu pude ver quem eram os combatentes. Era Naruto e ele tentava segurar a outra pessoa sobre a cama, com golpes de submissão que eu bem conhecia.

Por várias vezes, no meu sonho, eu fora vítima daqueles golpes.

Os dois corpos rolaram pela cama, até que finalmente Naruto conseguiu fazer o outro parar com um mata-leão depois de dois minutos naquilo. Naruto arfou e saiu da cama com cuidado, observando a camisa de mangas longas rasgada na altura da barriga e o corte sangrando.

Não parecia ser grave.

Pausei a cena no momento que o loiro retornava para o computador e analisei-a melhor.

Quem era aquela pessoa que o atacara? Voltei alguns segundos e coloquei para rodar. Não tinha como eu ver o rosto, pois a pessoa entrara tão rápido que só em slow motion eu poderia ver, mas aqueles golpes me eram familiares. Tive que rever aquela cena, várias e várias vezes, para só então perceber que Naruto lutava comigo.

Algo estalou na minha mente naquele segundo. Era o momento pós-casamento, em que eu tentava consumar o ato do contrato. Sério isso?

Aquele era eu, no meu momento de loucura, atacando Naruto e eu constatei que eu não me recordara o que me ocorrera depois da briga, tampouco como ela rolara no quarto. Apenas sabia que começara e acabara sobre a cama. Deixei o vídeo continuar. Naruto voltou para a mesa e sentou-se na cadeira, de frente a câmera. Ele estava com um olho inchado.

“Puta que pariu...” Ele começou a rir se olhando em alguma coisa que estava ao lado da câmera. “Acabou comigo! Vou ficar uns dois dias sem enxergar por causa desse bastardo! O que eu vou dizer ao Batalhão amanhã?”. Ele continuou rindo e eu acabei sorrindo para o jeito tranquilo de ele lidar com as coisas. “Eita que esse cara me arruma cada coisa... É bom que não esqueça quando tornar, se não eu vou dar na sua cara...!” Ele falou dando uma breve olhada para trás e alterando um pouco a voz.

Desculpa, Naruto, mas eu não tenho certeza se esqueci ou se distorci tudo.

“O que é que eu faço com você, Scarface?”

Ele se ergueu sorrindo, apesar do olho inchado e desligou.

Suspirei lentamente me levantando e retirando o DVD. Devolvi o objeto ao lugar e procurei assistir os outros daquela mesma linha de conteúdo. Eram relatórios diários do meu estado de saúde. Naruto revelava que tudo começara há três meses – mesmo tempo que eu começara a me “relacionar” com ele no sonho – depois que ele e eu viemos de uma missão de reconhecimento em Israel.

Dissera que eu fora picado por um estranho inseto e com isso começaram meus surtos de esquizofrenia, de começar a ver Suigetsu como Naruto e não falar coisa com coisa. Naruto, depois de uma longa investigação com Shikamaru e Neji, descobrira que eu fora drogado com uma substância experimental que provocava violentas alucinações, distorções da realidade e perda breve de memória no infectado e que de alguma forma a OGN Aldeia do Som estava envolvida com a produção dessa substância.

Pelas palavras de Naruto “Esses caras inventaram um troço que te faz viver a vida que você sempre quis nos seus sonhos, tudo parece ser real, mas aqui fora, aqui onde uma bala te mata de verdade, você se torna um doente mental, uma mistura escrota de esquizofrenia com distúrbio dissociativo de personalidade... Não creio que seja o tipo de droga para se vender em farmácia”. Ou seja, um problema.

Recordei-me do relatório que Naruto me mostrara. Suigetsu e Juugo faziam parte dessa tal de Aldeia do Som e havia especulações de que os dois trabalhavam com infiltrados, apesar de a ideia de crime passional ser totalmente viável, pois fora comprovado que os dois eram amantes. Observei o caderno de notas que eu pegara para fazer algumas anotações.

–Tem alguém querendo ferrar com a minha vida. – saí do escritório quando já era noite e fui para o meu quarto. Eu tinha que voltar logo a ativa e descobrir o que se passara naquela missão, que eu não me recordava, e descobrir o culpado pelo crime. – Se Suigetsu estava envolvido, por que ele foi morto depois de três anos casado comigo? E logo pelo amante dele? Por que eu fui atingido? Será que era para atacar a OGN? Tsc... Droga, tantas perguntas.

Odeio pontas soltas. Bagunçam o meu raciocínio e me deixando completamente cego. Fitei o caderno, as setas que ligavam nomes e mais nomes. Suigetsu a Juugo e a mim, Naruto a mim, devia haver algo a mais. Vou ter que conversar com Naruto quando ele retornar.

Notas finais
Olha só, temos um mistério na fic! Um mistério que vem se arrastando a muito tempo. Que será que Sasuke irá descobrir. Comentem, favoritem e recomendem, meus amores! Eu tentarei responder os coments de vcs, eu prometo!