Amor à moda antiga
23 Capítulo 21
Notas iniciais
–Se quer morrer, playboy, procure uma guerra e morra com honra. – ele me ajudou a sentar na borda da piscina e afastou meus cabelos para trás, penteando-os com os dedos. – Eu sei que gatos odeiam água, então não precisa se jogar na primeira poça que vê. – ele riu. Seus olhos são tão lindos e brilhantes, que eu me senti mais leve apesar de estar magoado.
–Por que se importa se eu vivo ou morro? – resmunguei virando o rosto.
Não isso não vai acontecer de novo. Eu estou no comando. Respirei fundo e fui lentamente afastando meu rosto de sua mão, estreitando meu olhar. Naruto percebeu a mudança do meu comportamento, mas ainda sim não se afastou de mim, continuou de frente a mim, me encarando, como se tentasse traduzir o que os meus olhos lhe diziam.
Agarrei sua mão com força, surpreendendo-o e o joguei contra a água. Ele resmungou algo do impacto, mas eu não o ouvi. Pulei atrás e submeti-o pelos braços, impedindo que ele erguesse a cabeça de dentro da água. Eu vou matá-lo e enterrar com ele os meus sentimentos. Será a última vez que me permitirei amar alguém. Pelo reflexo da água, eu vi meus olhos ficarem vermelhos. Fechei a cara num semblante de raiva e apertei o pescoço de Naruto.
Ele não se debateu. Ficou parado, com os músculos tensos. Eu contava minhas inspirações enquanto obrigava-o a se curvar cada vez mais para dentro da água. Nenhuma reação. Rugi alto e continuei a segurá-lo naquela posição dolorosa. Os segundos passavam devagar, tão lentos que eu senti meus braços fraquejarem.
Algo passou pelas minhas pernas. Fitei a piscina e foi esse o tempo da cauda dele enroscar-se nas minhas pernas e puxar-me para dentro, fazendo a gente se soltar. Nadei até ficar do outro lado da piscina e saí da água, vendo Naruto na outra borda vomitar água ao sair quase desmaiado. Ele tinha dificuldade em respirar. Eu vou matá-lo, de um jeito ou de outro.
Não sou filho da puta para estar sofrendo que nem uma vadia.
Nós dois nos levantamos ao mesmo tempo, mas ao invés dele vir até mim e eu ir até ele, Naruto mergulhou habilidosamente na água, girou no fundo, bem perto de onde eu estava e se impulsionou para fora da água, caindo bem nos meus braços. Rolamos pela grama e começamos de novo aquela briga de quem submete quem.
Num movimento rápido, Naruto colocou-se abaixo de mim, cruzou suas pernas com um braço e uma perna meus entre elas, enroscou meu pescoço com seu braço por baixo da minha outra axila e me prendeu ali, sufocando-me.
–Acalme-se. – ele rosnou. Comecei a me debater – Para porra! Para de se debater! Vai quebrar o braço desse jeito! – continuei sem dar ouvidos a ele.
Senti seus dentes rasgarem a cartilagem da minha orelha. A dor foi excruciante. Gemi e parei de me mexer, me rendendo completamente. Desatinei a chorar. Ele me largou devagar e eu me encolhi para o lado. Então era isso. Sou o único apaixonado nessa merda.
–Droga!!! – gritei quase me esperneando na grama. Percebi que Naruto se assustara com isso e estava tentando conter alguma coisa. Ouvi-o se afastar.
Naruto começara a vomitar a própria bílis ao tossir e mal conseguia se deixar de joelhos. Ele estava recuperado depois de alguns minutos, recostado numa árvore ao lado da piscina. Eu enxuguei minhas lágrimas, eu não me permitiria mais chorar por humilhação, não eu, o mais poderoso de todos os Uchihas, o mais temido de todos os assassinos. Fui até Naruto e chutei sua coluna, senti suas colunas se chocarem com o osso da minha panturrilha. Ele gritou e rolou na grama, começando a vomitar de novo um líquido amarelado. Chutei sua barriga, obrigando-o a deitar de barriga para cima, Naruto gemeu doloridamente, eu me sentei sobre ele e comecei a socá-lo contando mentalmente.
Direita, um. Esquerda, dois. Direita, três. Esquerda, quatro. Direita, cinco. Esquerda, seis. Direita, sete. Esquerda, oito. Direita, nove. Esquerda, dez. Direita, onze. Esquerda, doze. Direita, treze. Esquerda, catorze. Direita, quinze. Esquerda, dezesseis. Direita, dezessete.
–Eu não posso nem te odiar, Naruto!!! – gritei usando toda minha força contra sua cara – Nem te odiar você me dar o direito!!! Eu fico sofrendo com esse seu comportamento contraditório!!! É por que eu sou mafioso?! É por que eu sou um assassino que ferrou com a tua vida?! É por que eu sou Uchiha?! – parei.
Naruto usara os dois braços para proteger a cara e agora eu percebera que os antebraços estavam afundados, a pele vermelha quase roxa e eu tive certeza que eu os quebrara. Seus olhos azuis ardiam pelas lágrimas e ele mordia os lábios para não gritar mais de dor. Sua boca estava cortada, suas mãos roxas e os dedos retorcidos. Ele usara as mãos, depois os antebraços, para se proteger dos meus socos. Eu conseguia ver os ossos quase rompendo a pele amorenada. Não vou me abalar, eu estou no controle.
Respirei fundo, peguei seus braços e os deixei em pé. Levantei-me e fitei-o. O loiro me fitou com os olhos quase saltando das órbitas. Seu desespero era quase palpável e era isso o que eu queria, vê-lo sentir-se numa sinuca de bico mortal.
Segurei firmemente em suas mãos, pisei em sua barriga, e puxei os dois braços de uma vez contra o meu corpo. O som dos ossos retornando ao lugar fora música aos meus ouvidos. Eu vi Naruto morder os lábios mais uma vez para não gritar de dor. Sua respiração estava descompassada, como se estivesse prestes a enfartar.
Saí de cima dele e me afastei dois passos.
Naruto se contorceu na grama, mordendo a parte superior de seus braços com força para não gritar. Mas eu quero ouvi-lo gritar, oh como eu quero. Enxuguei o suor da testa e o fitei ali, sofrendo na grama. Eu fora humilhado de tal forma que aquela dor física jamais superaria a dor psicológica que ele me fez sentir. Isso era só o começo.
Sorri minimamente.
–O amor dói, Naruto, machuca quando não correspondido. – falei com um tom de maldade que me era muito caro. – Vai entender quando eu terminar.
Ele estava empalidecendo. Suas mãos tremiam involuntariamente e ele recomeçou a vomitar. Mas não havia nada em seu estômago, então o que saiu fora sangue e saliva.
Seria o fim. Vou matá-lo, por mais que eu o ame, eu vou matá-lo. Olhei para o jardim e vi a mangueira de irrigação. Peguei-a e a enrolei no braço. Ouvi uma risada baixa, que aos poucos foi aumentando o volume até parecer uma gargalhada diabólica vindo do inferno, sendo entrecortada por tossidas secas. Fitei minhas costas. Naruto ria, tentando se recostar na árvore onde ele estava antes. Ele chorava e ria, com filetes de sangue escorrendo por sua boca. Peguei a mangueira e fui até ele. Deve estar enlouquecendo.
–Do que está rindo, seu merda? – falei sem alterar minha voz. Passei pela piscina e dei uma rápida olhada. Meus olhos ainda estavam vermelhos.
–Sasuke, você é patético. – ele gemeu tentando controlar a respiração.
–Eu vou te matar... – falei calmamente – Eu te amo muito, como nunca amei ninguém, mas não vou viver nesse sofrimento mais. Que se foda essa merda de contrato. – sorri minimamente e encostei a mangueira contra seu pescoço, empurrando sua cabeça contra a árvore, vendo seus olhos fecharem e sua garganta ficar vermelha – Quem é patético?
–Me deix... – ele deixou algumas lágrimas escorrerem – Últimas... Palavras.
Sorri de lado e retirei a mangueira. Naruto tossiu, gesticulou que ia vomitar, mas não o fez, respirou fundo e me fitou. Seus olhos ainda estavam azuis.
–Fala. – sussurrei afastando os cabelos dele dos olhos. Lembrei-me de quando ele torturou Deidara, como ele fora frio. Eu faria do mesmo jeito ou pior. – Diz sua defesa a respeito daquela traição clara com a Sakura.
Ele respirou fundo de novo.
–Você ia... Matar a única pessoa que... Que pode cuidar da Sarada... Se você morrer. – Naruto me fitou e eu ergui uma sobrancelha. A lua saiu detrás das nuvens e nos iluminou. Eu pude ver que ele sorria, estava tranquilo, ele tinha aceitado a própria morte. Era a primeira vez em anos de vida, em meus trezentos, que via um torturado aceitar a própria morte sorrindo sem ser por deboche, vendo a morte como companheira.
–Eu não vou morrer, Naruto. – falei friamente – Não podem me matar, ninguém ousaria. – apertei seu queixo – Mas e daí? Isso não muda o fato de que você me maltratou todos esses dias, como se eu fosse nada. É por mais esse motivo que você vai morrer!
Naruto assentiu e apoiou os braços fraturados no peitoral. Aquela claridade me permitia ver melhor o corpo dele: o sangue manchara sua camisa, bem como o vômito, eu podia ver que sua clavícula esquerda estava inchada e com uma enorme mancha roxa. Eu fraturara ali também com meus socos. Larguei seu rosto e ele me sorriu de novo.
Um sorriso dolorido, sincero e com algo mais. Talvez culpa. Culpa de ter me escondido algo, provavelmente, escondido que ele estava se envolvendo com Sakura e por isso a protegera. Eu conheço bem esse olhar: um culpado que confessa seu crime.
–As raposas... – ele tossiu, tentou respirar e alguns segundos depois, conseguiu o fazer com bastante dificuldade – Nascem com... Os olhos dourados... – uma brisa fria soprou e ele começou a tremer, mas seus olhos cor de céu não saíram da linha dos meus – Mas quando amam... Incondicionalmente... Os olhos mudam de cor...
Engoli em seco, soltei a mangueira sobre meu colo e toquei seus braços na altura dos bíceps com um pouco de cuidado, mas mesmo assim ele gemeu de dor. Ele não falou, mordeu os lábios, fazendo sangue escorrer, e então respirou fundo. Eu já vira várias e várias vezes os olhos de Naruto mudarem de cor dependendo da situação onde ele se encontrava.
–Azuis... – gemeu – Quando amamos incondicionalmente... Nossos olhos... Ficam azuis... – nos fitamos e seus olhos ainda estavam... Azuis. Fechei a cara de novo, abandonando a breve face de surpresa que eu mostrara a ele.
–Acho que muita gente já deve ter visto o azul dos teus olhos. – eu comentei friamente. Ciúme é foda cara, muito foda. – Mas ninguém mais vai ver. – minhas mãos foram para a mangueira e eu a ergui, esticando-a com força.
Naruto viu o objeto e sorriu minimamente. Estirou a cabeça para trás, deixando seu pescoço bem exposto e eu vi a linha que já se formara por causa da primeira tentativa de enforcamento minha. Sorri de lado e dei um breve beijo naquela pele. Uma forma de dizer adeus a ele e a todos os nossos momentos.
–Uma raposa pode passar a vida... Inteira dizendo que ama uma pessoa... – Naruto tinha dificuldade em falar, mas mesmo sabendo o que eu iria fazer, ele continuou com a voz mansa, quase gentil – Sem que... Seus olhos nunca mudem de cor... – ele falava olhando a lua – Mas... Uma raposa pode nunca dizer... Eu te amo... A alguém, mas olhar para... Essa pessoa... – Naruto me fitou com lágrimas nos olhos e eu tive a sensação que seus olhos estavam ainda mais azuis do que antes. Eu podia ver-me ali e ver o quanto o vermelho dos meus se mesclavam ao azul dos dele – Todos os dias com os olhos azuis...
Ele arqueou as sobrancelhas e comprimiu os lábios de gesto de “É isso.”, fechou os olhos, esperando que eu o enforcasse, e acalmou sua respiração. Pela primeira vez desde que conheci Naruto, eu o vi com medo, tremendo por causa da dor e do frio, mas acima de tudo, de medo, chorando de medo.
–Com medo, Kyuu-chan? – perguntei passeando um dedo meu pelos seus lábios cortados.
Ele assentiu rapidamente e baixou o rosto, ainda de olhos fechados.
–Olha para mim. – ordenei baixo. Ele ergueu lentamente o rosto e no movimento foi abrindo os olhos para mim. Azuis e não haviam perdido o brilho intenso. – Quem já viu o azul dos teus olhos, Naruto? – ele negou. – Não vai me dizer? – ele nada disse.
Sorri de lado, empurrei meu corpo para trás, sentando-me sobre suas pernas e peguei sua cauda, acariciando-a sem pressa. Seus olhos se arregalaram de novo. Ele compreendeu o que eu faria. Continuei esperando minha resposta e ela não veio. Torci a ponta, me deliciando com o som dos ossos quebrando. Naruto mordeu a boca de novo para não gritar.
–Nomes. – proferi – Se demorarmos muito aqui, virão nos procurar... Quer que as pessoas te vejam assim? – seus olhos me diziam “Eu não me importo”. Sorri sadicamente – Alguém tem que levar sua criança para o hospital, não é? – ele me fitou com os olhos desesperados.
Sorri e quebrei sua cauda um pouco mais a baixo. Naruto prensou os lábios ao ponto de perderem todo o sangue e engoliu outro grito. Ele é bem persistente. Um soldado bem treinado pelo visto. Estreitei meu olhar e mordi lentamente a ponta quebrada da sua cauda, fazendo-o se contorcer de dor abaixo de mim.
–Fala. – lambi seu sangue dos meus lábios – Quantas pessoas?
–Cinco. – ele gemeu doloridamente.
–Quem?
Novamente silêncio. Levantei-me ainda segurando sua cauda, puxei-a para virá-lo brutalmente de bruços e sorri ao vê-lo abafar seu grito contra a grama. Enrosquei devagar sua cauda em meu braço e a puxei de vez, pisando em suas costas. Para quem não sabe, a cauda de um animal é bem sensível e responsável pelo equilíbrio. A dor que ele deveria estar sentindo deve ser excruciante, quase a dor de um parto.
–Quer deixar Boruto sem pai? – indaguei com calma – Quem vai garantir a segurança dele se você não estiver aqui? Me diz os nomes e acabamos com isso.
–Para quê?! – ele gritou furiosamente. Eu me sobressaltei com esse ato – Para matá-los depois, seu gato de merda! – esse é o meu Naruto, pensei – Me mata logo, porra! Depois dê fim a Boruto e eu quero ver você lidar com a porra da guerra sem mim!!!
Estreitei meu olhar.
–Não seja tão convencido, Naruto, nem tudo gira em torno de você. – comentei dando ombros e soltando sua cauda.
–Ah não?! – ele gritou de novo – E tão por que é que está fazendo isso comigo?!
–Porque eu quero. – ele parou de se mover, como se a realidade tivesse se chocado contra ele.
Sorri de lado.
Estiquei as mãos para sua calça, apalpei seu traseiro e fui soltando a peça de roupa. O corpo dele reagiu ao meu toque, mas não foi a reação que eu esperei. Naruto chicoteou a minha cara com a cauda quebrada e gritou violentamente de dor. Eu me afastei lentamente, dando espaço suficiente para Naruto girar as pernas no ar e o corpo na grama, até conseguir se colocar de pé e me fitar ofegante.
Fitamo-nos. Eu enrosquei a mangueira em minha mão e lancei-a contra ele, numa espécie de chicote, ele virou as costas e recebeu o impacto nas costelas, no mesmo lugar onde eu chutara anteriormente. Era como eu suspeitara desde o princípio: nossa relação seria na base do fogo cruzado.
Aproveitei o momento que ele deu as costas para aproximar-me e socar sua cara com a mangueira enroscada, mas Naruto desviou abaixando-se rapidamente. Ele correu para o outro lado, ainda com as mãos cruzadas ante o peito, e girou as pernas no ar como um capoeirista, acertando-me em cheio com um chute aéreo. Foi uma chibatada que se tivesse sido mais forte, teria deslocado a minha mandíbula e me derrubado.
–Você pode me bater, quebrar todos os meus ossos, me ameaçar, ameaçar a vida do meu filho, mas nunca mais vai me estuprar de novo! – ele ofegava, e seus olhos azuis me fitavam com fúria, e seu corpo inteiro tremia.
–E como vai me impedir? – falei indiferente. – Você está se matando só por que não quer responder uma pergunta. – sorri – Toda essa tensão está me dando um tesão inexplicável, então por que não acabamos com isso logo e nos resolvemos aqui mesmo?
Naruto suspirou e caiu de joelhos, fazendo uma careta de dor que eu só vira semelhante em Deidara. Ele tossiu até perder o fôlego e recostar a cara contra a grama para poder respirar. Esse cara fala isso, mas quase não tem forças para ficar de pé. Se eu quiser fazer ele de meu brinquedo, eu faço e ele não vai poder fazer nada.
–Quem, Naruto? Nome, eu quero nomes. – eu fui para ele e amarrei-o com mangueira por entre seus braços, arrastei-o para perto da árvore de novo e o suspendi-o num galho forte. Eu sorri para ele e comecei a desfivelar sua calça. – Diga-me os nomes e acaba.
Continuou quieto. Abaixei suas calças até a altura dos joelhos e fitei a casa. Ninguém notara o nosso sumiço ainda e era bom que não notassem. Beijei de leve a barriga dele e ri ao ouvir seu gemido e seus músculos abdominais se contraírem. Deslizei meus dedos pelo o elástico da sua cueca e fitei-o. Seus olhos azuis lacrimejados me fitavam, mas não era mais raiva, nem era a aceitação da própria morte, eu conhecia bem aquele olhar.
Era o mesmo que eu exibia sempre que me sentia impotente perante Naruto, quando ele ousava me desafiar. O jogo está virando.
Suguei a pele da barriga dele, marcando-a com vontade a meu bel-prazer, lambi o umbigo e comecei a baixar a cueca de Naruto. Massageei suas nádegas e afastei-as sem pudor, tateando seu ânus com dois dedos meus e sem um mínimo de decência. Empurrei sem piedade, encarando sem piscar, me deliciando com sua cara de dor.
–Se eu não vou te estuprar? – franzi o cenho – Você é minha esposa. Eu não vou te estuprar, eu vou te foder com força. – pisquei para ele – E só vou parar se você me disser os nomes.
Movi meus dedos dentro dele. Naruto ergueu o rosto e não me deixou mais encará-lo, bufei irritado e tirei bruscamente os dedos dali. Fui para a mangueira e o desci, amarrei-a nas pernas dele e o suspendi de cabeça para baixo na árvore. Ele gemeu ao bater a cabeça contra as raízes sobressaltadas da árvore. Ajustei-o para que ficasse com o corpo no chão, mas as pernas penduradas. Encaixei-o entre minhas pernas, com as calças para além dos calcanhares e resolvi meter dentro dele.
Naruto choramingou e continuou com o rosto curvado para longe das minhas vistas. Eu vi lágrimas somadas a uma crise de riso escrota e repentina. Ele está enlouquecendo.
–Vai me obrigar a transar com você? – ele gemeu – Belo marido.
–Me diga os nomes e eu paro.
Ele meneou a cabeça negativamente.
–Não vai parar... Está de pau duro.
–Diga os nomes! – investi impiedosamente e Naruto mordeu os lábios de novo para não gritar, e não me olhou. Comecei a empurrar com vontade dentro dele. – Nomes, Naruto, só isso.
Ele não está falando. Soquei seu estômago e ele se contorceu na grama numa flexão abdominal mal feita. Aproveitei o movimento e segurei sua cabeça bem próxima a minha, obrigando-o a me deixar ver seu rosto. Nossos olhos se encontraram e eu soquei de novo sua barriga, uma vez atrás da outra enquanto empurrava dentro dele.
A melhor tortura da minha vida, com certeza.
–Carteira...
–O quê? – parei de me mover e segurei seu rosto com as duas mãos, ele me fitou controlando seu ímpeto de chorar. Seus olhos ainda me eram azuis.
–Carteira.
Saí de dentro dele e o desamarrei. Ajeitei minhas roupas e as suas então busquei sua carteira no bolso de trás das calças dele. Abri-a e além dos cartões, nenhum dinheiro e alguns documentos, havia fotos ali. Quatro fotos guardadas atrás da carteira de motorista dele.
–Minha mãe e Bolt... – ele sussurrou. Eu contava mentalmente. Dois. – Hinata. – ele ficou de lado na grama e tentou conter o próprio corpo. Três. – Meu mentor, e padrinho de casamento, Kakashi... – silêncio. Fitei-o. Naruto ou desmaiara ou adormecera. Das duas uma.
Estreitei meu olhar e comecei a sentir os arrepios do ciúme. Ele tinha a foto de um homem na carteira. Recordei-me daquele homem, no momento do casamento, um tipo de cão de caça muito bem treinado, porém já com alguma idade no corpo. Seu olhar cansado deixava transparecer as guerras que participara, bem como o quanto de amor ele nutria por Naruto.
O mistério era qual era a natureza desse amor.
–Quem é esse tal de Kakashi? – quase rosnei.
–Ele é alguém muito especial para mim. – rosnei mais alto sem fitá-lo. Se Naruto está tentando me tirar do sério, está cavando a própria cova. Ele respirou fundo e me fitou – Lembra que eu... Disse que fui criado por militares...? – assenti – Foi esse cara que me criou... Meu pai...!
Olhei as fotos com mais atenção: uma era do dia do casamento dele com Hinata – ele está lindo nessa foto, vestido em num alinhado e lustroso smoking – e parecia um dia bem ensolarado. Outra era de ele com Boruto, ambos tomando sorvete, quando o garoto ainda era pequeno e eles sorriam bobamente. Havia uma dele com a mãe, mas esta o pequeno da foto era o Naruto – demorei-me mais tempo nessa, pois foi como se repentinamente eu conhecesse a minha sogra – e eu percebi de quem ele puxara sua beleza de raposa. Sua mãe era uma moça lindamente ruiva e de aspecto selvagem, exatamente como o próprio Naruto e dava para perceber o quanto aqueles dois se amavam como mãe e filho.
Era uma moça encantadora e eu aposto que a adoraria como sogra, talvez ela gostasse de mim como seu genro se ela fosse viva. Por um segundo imaginei como fora a convivência daqueles dois: brigavam muito, se divertiam juntos, eram felizes ou se odiavam? Por aquela foto, eu tive a breve sensação de que tudo era um mar de rosas com alguns espinhos – eu vi uma enorme marca de palmada nas pernas de Naruto.
A última foto que eu achei ali era de quando Naruto era mais jovem. Ele estava vestido em um uniforme militar preto, deixando-o muito sexy – será que estar apaixonado por alguém te faz ver essa pessoa linda de todas as formas? — e ao seu lado havia um Wolfdog branco que usava um cachecol para cobrir parcialmente seu rosto. Olhei as costas da foto e vi alguns dizeres em caligrafia que eu não sabia de quem era.
“Para que não se esqueça de que às vezes precisamos de ajuda para nos tornamos ainda melhores naquilo que já somos. Ass... Kakashi Hatake”.
Um pai... Então era isso. Aquele homem era o pai do Naruto, o verdadeiro pai. Então esse era o tipo de amor que os dois tinham um pelo outro.
Ali estavam às fotos das pessoas que tiveram a oportunidade de ver seus olhos azuis tão lindos. A mãe, o filho, a finada esposa, o professor... Faltava alguém, pois ele dissera cinco.
Investiguei mais alguns bolsos da carteira e eu vi que tinha um papel cuidadosamente dobrado e escondido por trás de alguns cartões. Puxei-o e vi que na verdade se tratava de mais uma foto, provavelmente da quinta pessoa. Quem será? Abri-a lentamente. Uma foto minha, do tempo da prisão, estava em sua carteira, bem mais protegida do que todas as outras. Uma foto minha em que eu estava sentado embaixo de uma árvore lendo.
–A mãe, o filho, a finada esposa, o professor e... – sorri e bati o objeto em minha testa, quase rindo da minha incompetência – Sasuke, seu gato idiota e muito burro. – ele voltou a ficar em silêncio, quieto. Fitei-o. Naruto desmaiara, expelindo sangue pela boca e pelo nariz.
Todo esse tempo e ele continuava me vendo com seus olhos lindamente azuis. Em nenhum momento eu vira mudar de cor, ou querer mudar de cor. Sempre me fitando com os olhos de uma raposa que ama incondicionalmente alguém. Até quando tentei matá-lo.
De repente algo estalou em minha mente. Pisquei algumas vezes e me aproximei devagar dele, toquei seu corpo e o sacudi. Naruto não acordou, continuava ali inerte. Eu o matei, de verdade? Gritei por Yamato, porque eu sabia que meu celular já era. O homem veio rápido e nada me questionou, apenas ligou para ambulância. Perguntei por Boruto e ele me disse que o menino já estava no hospital, sendo tratado. Fomos para lá às pressas.
Contratei emergencialmente o melhor grupo de médicos do estado e mandei direto para o hospital onde Naruto estava. Troquei de roupas e parti para lá, juntamente com minha mãe, meu pai, Itachi e Yamato. Eu acho que nunca dirigi tão rápido em toda a minha vida. Mal cheguei a calçada do hospital e já fui entrando, poderoso como um furacão.
–Uzumaki! – falei para a recepcionista – Naruto Uzumaki.
–Nenhum homem deu entrada com esse nome, senhor.
Pensei rapidamente.
–Uchiha. Naruto Uchiha.
Ela pesquisou rapidamente, sentindo pressionada pela quantidade de pessoas que começavam a entrar no local e esperavam pela resposta dela.
–Acabou de dar entrada na sala de cirurgia, senhor.
Assenti e fui me sentar. Minha mãe me fitava com apreensão, caminhando de um lado para o outro no hall do hospital, constantemente me indagando o que acontecera com ele, meu pai nada dissera, apenas garantia que policiais não invadissem o local buscando respostas sobre o que acontecera com ele. Nunca vi tanta gente envolvida com as Forças Armadas procurando notícias de Naruto e nunca vi um acidente se espalhar tão rápido. Era assustador aquela quantidade de policiais e militares.
Eu vi dois paramédicos sentados do outro lado do hall, conversando com alguém pelo celular.
–Sim senhor. O marido dele acabou de confirmar. Já está na sala de cirurgia. – devia ter sido esse cara que informara a todos os outros o acontecido – Foi como eu disse senhor, ele parecia ter sido vítima de uma briga ou uma sessão de tortura. Muito parecido com o caso da Venezuela, senhor. Ele mal respirava. – alguns segundos de silêncio – Sim senhor, eu o manterei informado.
Deveria ser alguma força maior muito amiga de Naruto. Mas eu não tinha tempo para pensar sobre isso, aliás, não tinha como eu pensar em nada. Minha mente estava um caos.
–Sasuke... – Itachi se sentou ao meu lado e me fitou, nós sussurrávamos – Você pode não dizer a ninguém aqui, mas eu conheço o seu jeito de resolver as coisas com quem te traz problemas... Eu sei... – encarei-o – O que você fez.
Nada disse, apenas lhe dediquei o meu mais frio olhar. Eu não queria ouvir Itachi me dando sermões, não ele que fizera tanta merda nessa vida. Eu não quero ouvir sermão de ninguém, a única coisa que eu quero ouvir é algum médico me dizendo que Naruto estava vivo. Itachi estremeceu com a minha encarada e foi para perto de minha mãe.
O barulho estava infernal do lado de fora. Muita gente, muitos jornalistas, muitos policiais, muitas pessoas de grande influência, mas nenhum deles ousou falar comigo. Eu apertava minhas mãos com força, cravando minhas garras nelas, e mostrava a todos o meu mais terrível olhar de fúria e impaciência. Eu não quero falar com eles, eu quero falar com Naruto.
O dia já estava amanhecendo quando a polícia começou a se dispersar. Fitei o relógio da recepção: oito horas da manhã. Esfreguei meus cabelos e percebi que Itachi se aproximara novamente com dois copos de café expresso. Ele me entregou um. Tomei um gole demorado, sentindo que aquele café não era o mesmo que Kyuu-chan preparava para mim. Recostei-me na cadeira e esperei Itachi falar.
–Por que você fez isso? – ele começou e eu o fitei inexpressivamente – Eu pensei que você amasse Naruto. – ele indagou com a voz baixa.
–Eu... – fitei-o – Eu o amo. Amo mais do que tudo nessa vida... Eu morro e mato por ele. – olhei o forro alvo do teto – Mas eu estava cansado de ser tratado como um ninguém, como um criminoso... Cansado de não ser correspondido. – apertei com mais força o copo de café entre meus dedos – Eu estava fora de... – sorri sadicamente ao piscar e meneei a cabeça negativamente – Não, eu estava ciente de cada coisa que fazia, cada soco que eu dava e que quebrava alguma parte dele, mas... Eu que ele...
Fui interrompido pelos passos do médico. Ele parou diante de mim e eu me levantei. Deixei o copo de lado e cruzei os braços.
–E então? – perguntei logo.
O médico retirou seus óculos e suspirou.
–Duas costelas trincadas, um pulmão quase perfurado, os ossos dos antebraços e dos dedos das duas mãos quebrados, a clavícula deslocada, a cauda também quebrada e o canal retal com fissuras internas... Ainda tem os tornozelos luxados. – o médico abriu um sorriso inconsistente com sua expressão de preocupação – Eu não sei o que houve com o seu esposo, mas é inexplicável como ele está se recuperando bem das cirurgias. – ele me fitou – Poderia me dizer o que houve?
–Não. – fui direto – Não importa o que houve. Cure-o.
O médico estremeceu e assentiu, voltando para onde ele viera. Itachi me fitou e eu me sentei de novo, fechando os olhos e a cara. Eu só tinha que ser paciente.
Doze horas depois, eu receberia o direito de ver Naruto. Eu fora rapidamente em casa tomar um banho, vestir um terno mais apropriado e comer alguma coisa. No caminho, meio ressentido, comprei um girassol. Não sei que efeito terá nele, mas sinto que essa flor parece com Naruto. Segui pelo corredor e fui para o quarto reservado e separado para ele. Entrei com alguma resignação, recordando-me dos gritos e dos sons dos ossos sendo destruídos pelos socos, penteei meus cabelos tentando afastar esses pensamentos e fechei a porta atrás de mim. Eu vi o loiro na cama, meio deitado, meio sentado, de olhos fechados e semblante cansado. Fui até ele. Naruto respirava profundamente, seus braços estavam engessados e cruzados em frente ao corpo. Parecia dormir.
Estiquei minha mão para tocá-lo, mas seus olhos se abriram repentinamente e me fizeram retroceder dois passos. Ainda estavam azuis, mas ele parecia furioso. É claro que ele está furioso. Seu olhar sério me nocauteou, me desarmou, mas eu tentei manter-me sério, tal como eu estava ao entrar no hospital.
–Não me toque ou eu mato você. – ele falou com a voz embargada.
Afastei-me dele e fui me sentar numa poltrona.
–Me desculpe... Eu... – tentei falar, mas as palavras morreram na minha garganta. Eu não posso me desculpar por uma coisa que não me arrependo de ter feito, mas também, eu não posso deixar passar o fato de que eu nunca percebera o significado da mudança de cor de seus olhos, o fato de eu nunca ter me importado em procurar saber.
Suspirei e coloquei o girassol na mesa ao lado da cama. Eu vi um sorriso pequeno se formar em sua boca ao ver a flor. Empurrei a poltrona até perto dele e me sentei lá
–Não tem como você me matar... – afastei um pouco os lençóis – Está amarrado na cama.
Naruto fitou as cintas que prendiam suas pernas e suspirou revirando os olhos, achando aquilo algo insuportável. Ele me fitou e nos demoramos trocando aquele olhar. Eu procurava por algum indício de um futuro castigo, mas eu não vi. Não havia. Eu quase matei Naruto por causa de ciúmes: pode me dar o atestado de doente incurável ou de monstro horrível. Não, não sou doente, nem um monstro, eu sou Sasuke Uchiha e por isso fiz o que fiz.
Sua boca estava completamente cortada, eu ainda sentia vontade de beijá-lo, mas não o fiz.
Movi minha boca para uma nova tentativa de lhe pedir desculpas, mas Naruto me impediu socando rapidamente meu queixo com o gesso, obrigando-me a fechar a boca.
Resmunguei de dor e levei minhas mãos à boca, constatando que o gosto de sangue que eu estava sentindo fora minha língua que eu mordera. Fitei-o com raiva, mas não pude sustentá-la por muito tempo. Naruto sorria, o mais lindo e brilhante sorriso do mundo, ressaltado pelos raios que passavam pelas alvas cortinas da janela do outro lado do quarto.
–Não ouse pedir desculpas para mim, Sasuke. – ele sussurrou com a voz doce – Não ouse se rebaixar dessa forma depois do que fez comigo ontem. – Naruto recostou melhor a cabeça no travesseiro e continuou sorrindo – Você é o que é, tal como eu sou o que eu sou.
Fitei-o, ainda inexpressivo, porém sem raiva ou rancor.
–Eu não me arrependo do que fiz ontem. – isso não assustou Naruto, na verdade ele parecia já saber disso – Me arrependo de nunca ter perguntado por que seus olhos mudavam de cor. Se eu tivesse feito isso, poderia ter evitado...
Ele ergueu o gesso de novo e eu me afastei de reflexo inconsciente, Naruto riu da minha atitude e meneou a cabeça.
–Eu sei o que poderia ter evitado tudo isso, Sasuke. – ele respirou fundo e moveu o braço para que eu chegasse mais perto – Abra bem os ouvidos que eu vou lhe dizer algo que há muito tempo você queria ouvir.
Aproximei-me, quase ao ponto de beijá-lo e esperei.
–Eu te amo. – ele sussurrou. Eu praticamente podia ver o sol brilhando naquele céu azul de seus olhos, seu sorriso se abriu ainda mais – Entendeu? Eu te amo.
Franzi as sobrancelhas e tentei não chorar. Esfreguei meu rosto com pressa e curvei-me ante seu peito, enchendo meus pulmões com seu cheiro quente e agradável. Mesmo depois de toda a merda que eu fizera, ele me disse simplesmente que me ama.
–Eu te amo mais. – falei com o rosto ainda curvado – Eu te amo tanto que chega a doer.
Senti falta dos afagos dele em minha nuca. Eu queria ser acariciado por ele, mas eu quebrara suas mãos. Subi meu rosto para a curva de seu pescoço e me deixei ali, sentindo seu rosto esfregar-se lentamente ao meu. Ele riu bobamente ao me ouvir ronronar.
–Não existe outra pessoa nesse mundo que eu sinta algo semelhante ao que sinto por você, Sasuke. Nem mesmo o amor que tenho por Boruto é tão forte quanto esse que sinto por você, porque mesmo depois de toda aquela violência, eu continuo te amando com a mesma intensidade... – ele suspirou e beijou a minha testa.
–Eu sou um monstro, Naruto. – falei com minha voz baixa, severa – Um monstro horrível que não é digno desses sentimentos...
–Já lhe disse. Você é o que é. Não pode querer ser o que não é. Quando eu me casei com você, eu estava consciente de que mais cedo ou mais tarde, algo do tipo aconteceria.
Toquei seu rosto e, pelo reflexo do metal da cabeceira da cama, eu me vi com rosto tranquilo, apaziguado pelas palavras de Naruto. Eu quase sorria. Quase.
–Eu não quero te perder, Naruto, eu te quero muito para vê-lo sendo tirado de mim.
–E quem pode me tirar de você, se não você mesmo, Sasuke? – ele indagou docemente, com um tom de voz que eu achei indigno de estar ouvindo. – O amor de uma raposa é para sempre, pois uma vez cativa, ela será sua eternamente.
Ao ouvir aquelas palavras sussurradas cheias de carinho e sinceridade, eu me desarmei completamente. Por mais duro que seja meu coração, não tem como eu me manter assim ante toda essa luz emanada pelo coração de Naruto. É puro, gentil, doce, quente e capaz de nos envolver de tal maneira que parece um abraço de mãe.
Beijei lentamente a sua boca, com cuidado para não machucá-lo, e afaguei seu rosto. Nunca mais, pelo o resto dos meus anos de vida, eu vou fazer isso com ele de novo. Não depois de ter descoberto que todas as vezes que eu vira seus lindos olhos azuis, Naruto estava me dizendo que me amava incondicionalmente.
Para ter esse sorriso e esses olhos lindos, eu nunca mais vou me permitir perder o meu controle.
Naruto sorriu depois do nosso beijo e esfregou a ponta de seu nariz contra a minha bochecha, como se estivesse afagando-me com a mão. Beijamo-nos por mais alguns segundos e eu observei que Naruto adormecera depois de algum tempo, comigo acariciando o seu rosto. Eu fiquei ali, observando-o, cuidando dele, vendo as enfermeiras cuidarem de seus curativos e limparem seu corpo, colocarem as medicações.
Somente saí para almoçar num restaurante em frente ao hospital. Comigo estava apenas Yamato, cuidando para que os negócios não desandassem enquanto eu me dedicava completamente a ficar com Naruto, de vigília.
Quando retornei do almoço, eu me deparei com Boruto sentado na cama com o pai, os dois conversavam, isto é, Naruto falava e o pequeno apenas ouvia, movendo a cabeça de vez em quando. Fechei a porta de leve, mas fiz o barulho da tranca ser bem ouvido, quase como se eu estivesse me anunciando. O menino se virou para mim e engoliu em seco.
Eu suspirei e fui para a poltrona, sem esboçar qualquer expressão para ele, completamente absorto em pensamentos aos quais eu nem me lembro.
–Por que fez isso? – Boruto indagou com a voz triste.
Franzi o cenho.
–Fiz o que? – ainda perguntei, apesar de saber sobre o que ele falava.
–Por que deixou que Kiba fizesse isso com o meu pai? – arregalei discretamente meus olhos e fitei Naruto. Este só piscou um olho para mim. Suspirei e esfreguei minhas têmporas.
–Eu estava impedindo que Sakura te levasse embora. – eu sou um ótimo mentiroso – Ela apareceu depois que você desmaiou e o plano dela era sequestrá-lo. Aproveitei o que Kiba fez para distrair Naruto para conseguir impedi-la. Não pude salvar seu pai, mas ele me deu oportunidade de te salvar. – terminei desabotoando meu terno e afundando na poltrona.
O menino fitou o pai e este assentiu. Boruto quis dizer algo, mas foi impedido pela porta que se abrira e por ela passara minha mãe e Sarada. A menina se aproximou temerosamente da cama e ao ver o sorriso de Naruto, subiu nela sem se importar com mais nada e abraçou o corpo do maior, chorando com o rosto escondido na curva de seu pescoço.
–Mamãe! – ela disse. Naruto apenas recostou a cabeça sobre ela e suspirou. Mamãe? Essa é nova! – Vai ficar bem, não vai? Eu fiquei preocupada! Não queria perder minha segunda mãe! – ela não chorou, mas ficou fungando um pouco.
Apesar daquele choro e dos olhos de cachorro pidão de Boruto, eu continuei tranquilo, vendo Naruto tentar acalmar as duas crianças sem poder usar os braços. Depois das palavras que Naruto me dissera, eu não sentia um pingo de remorso. Não mesmo.
Apenas duas semanas depois, surpreendendo os médicos mais do que eles já estavam surpreendidos, Naruto recebeu alta. Suas costelas estavam reconstituídas, bem como a sua cauda, suas mãos estavam “bem”, mas seus antebraços ainda estavam engessados. Minha casa encheu-se de policiais saudosistas que passavam horas e horas conversando sobre tempos e coisas que eu não dei atenção alguma, retornando aos meus afazeres.
O que me importava eram tarefas simples que eu fizera questão de me ocupar, apesar de Yamato insistir que aquilo não condizia com o “meu jeito assassino de ser”. Dar banho em Naruto, ajudá-lo a se vestir, a se alimentar, trocar seus curativos, coisas assim.
–Acho que posso me acostumar com isso. – ele murmurou ao sentar-se na banheira com água morna e sair de banho. A cara dele de prazer era tão cômica quanto linda.
–Não pode. – rebati enquanto dobrava suas roupas num canto e buscava o sabonete – Não vai durar para sempre. Assim que puder usar seus braços de novo, tudo vai voltar ao normal.
–Deixa de ser chato, Scarface. Primeiro você pira, depois me dá uma surra e agora não quer me deixar curtir meus momentos de menino mimado? Ah vai ser ruim assim na China!
Eu sorri sem que ele visse e me virei. Naruto abriu um olho e sorriu a me ver de mangas arregaçadas e com o sabonete em uma mão e uma esponja em outra. Na verdade, até que eu estou adorando ver Naruto nu todos os dias, limpar seu corpo, tocar em suas “partes”, vê-lo completamente dependente de mim. Só não gostei da restrição do sexo até quando o cio acontecesse. Quero dizer, nada podia acontecer, nada, nem um boquetizinho.
–Vou te mimar – comecei a esfregar lentamente suas costas, me deliciando com sua visão de garoto carente – Mas só se disser de novo.
Naruto sorriu e me fitou.
–Eu te amo, Sasuke Uchiha. – não existem olhos mais lindos do que os dele.
Fale com o autor