Notas iniciais
Sooooolta negada, trouxe mais um capítulo para vocês, com briga, intriga, quase morte e revelações! Cuidado com os detalhes!

Eu acordei com o ressonar de Sarada perto de mim e com uma dor de dente vinda do inferno, encomendada por Naruto pelo Sedex. Toquei meus dentes: ficar sem um deles ia estragar minha aparência, o que seria um fiasco na minha apresentação. Não faltava nenhum, mas eu sentia que a qualquer momento eles iriam cair. Sentei-me com cuidado na cama para não acordá-la e olhei para as janelas, as cortinas se moviam lentamente com a brisa noturna, eu percebi que já era noite. Suspirei e me deixei cair sobre os travesseiros.

Pela manhã eu inventara de treinar com Naruto um pouco de combate corporal e adivinhem? Não ganhei nenhuma das vezes em que lutamos. Nunca me passou pela cabeça que ele fosse tão bom na arte da luta, conhecendo tantos estilos diferentes e os combinando com uma habilidade digna de um policial perigoso. Ele lutava comigo como se lutasse com uma criança, eu vi isso no olhar, e foi o que me irritou ainda mais, foi o que me fez perder o controle e me fez perder tantas “partidas” seguidas.

Não andei nem perto de derrubá-lo. Naruto é inexplicavelmente habilidoso. Apertei meus olhos com força, tentando não focar na dor. Quem é o macho da história mesmo? Até onde eu lembro, deveria ser eu, mas eu já não tenho certeza.

Alguns Uchihas até confundiram-nos. Perguntaram a Naruto quantos filhos ele pretendia fazer em mim. Ele não respondeu, apenas riu como um pai rindo das piadas de seus filhos e contou que ele era quem iria engravidar e não o contrário. Esfreguei lentamente os meus olhos, sentindo a preocupação daquela confusão. Deveria ser culpa dos treinos misteriosos de Naruto, que eu nunca acompanhara antes. Por causa deles, Naruto estava ficando mais forte, maior, mais sexy, mais gostoso e mais... Másculo.

Além de toda a sua autoridade emanada a cada respiração dele. Eu tivera a prova concreta disso na semana anterior, naquela maldita reunião. Naruto controlara os presentes, não eu, que deveria ser o chefe. Fora ele. Sempre ele. Eu acho que se Naruto quisesse, ele venceria essa guerra toda sozinho, matando um por um, ou com apenas algumas poucas palavras.

Afaguei de leve meu queixo e gemi por causa da dor aguda. O cara tem um soco admirável, digno de um boxeador profissional. Poderia ter me matado com um soco desses.

Tinha algo de muito errado e eu precisava descobrir o que era.

Ouvi uma batida na porta, eu arregalei minhas orelhas e dois segundos depois ela foi aberta e Itachi passou por ela. Suspirei. Eu amo Naruto, mas agora eu não quero vê-lo.

–Já acordou Sasuke? – ele sentou-se na beirada da cama. Assenti brevemente.

Sussurrávamos para que Sarada não acordasse.

–Muita dor? – Itachi sorriu.

–Não muita. O cara sabe bater... – mentira. Agora eu sentia meu corpo todo quebrado por causa das surras que eu levara. Pense numa raça surpreendente são esses Uzumakis. – Nada que eu não já tenha sentido. – respondi colocando uma mão atrás da cabeça e a outra perto de Sarada. Vi o narizinho dela se mexer e ela sorrir de leve. Provavelmente sonhava.

–Você não viu nada. – aquele olhar de Itachi significava que ele sabia de algo que eu não sabia, algo importante. Odeio isso, odeio saber que Itachi ainda é melhor que eu alguma coisa – Lembra-se daquele acidente de carro no ano passado que me fez passar dois meses internado no hospital?

–Sei. O carro capotou, você não teve cortes, mas quebrou várias costelas e ficou cheio de hematomas... Bem lascado, para resumir.

–Não foi um carro. – seu sorriso espertalhão me fez abrir mais os olhos – Foi ele, tentando me castigando. Naruto me encontrou numa restaurante e deu voz de prisão. Acompanhei-o crente de que seria levado para a cadeia e lá eu resolveria as coisas com o delegado, mas ao entrar no carro, percebi o quanto eu me ferraria. Havia pé-de-cabra, cano de ferro, chave inglesa, todo tipo de coisa que encontramos em casa. Naquele momento, vendo um sorriso doentiamente bobo se abrir na cara dele, eu soube que iria me ferrar muito.

–Puta que pariu... Itachi! – sussurrei o mais baixo que eu podia.

–Meu irmão... É um monstro quando com raiva! Uma raposa demoníaca! – ele abriu bem meus olhos – Ele fez questão de me deixar consciente até o minuto final da tortura!

–Sei... – suspirei e por um segundo me lembrei dos seus lábios. Uma raposa demoníaca que sabe dar o melhor soco e o melhor beijo do mundo. Que contradição. Sentei-me na cama e chamei Itachi para fora. Apaguei a luz e encostei a porta, mas ainda fiquei por ali, vigiando minha filha dormir na cama. – O que você fez para que ele quisesse te matar?

–Ele tem um irmão por parte de mãe. – Menma, eu pensei na hora — Na verdade é um primo que foi adotado pela mãe dele antes dela morrer, algo assim. Ele criou o moleque desde pequeno e quem mexe com ele... Bom, eu descobri da pior forma o que acontece. – meu irmão pode ser um idiota, mas consegue informação sobre qualquer coisa que quiser e isso me irrita. – Eu fui numa festa, para fazer um trabalho para o pai, mas bebi demais e acabei por brigar com o garçom, que azaradamente era o irmão dele. O cara quase morreu com três tiros contra o corpo. Você não daria nada por esse Menma, mas ele tem o irmão do cacife que tem... Quase morri e Naruto fez tudo parecer um acidente de carro.

–Deve ser por isso que Mito te odeia.

–É por essa e por outras. – ele comentou – Um cara como Naruto não é normal. Não mesmo.

Itachi e eu suspiramos. Fitei-o e percebi que ele fizera uma profunda pesquisa sobre minha esposa. Eu precisava daquelas informações. Se eu quisesse dobrar Naruto aos meus domínios eu precisaria tanto daquelas informações como das instruções que Boruto me dera.

Aliás, se eu quisesse descobrir o que havia de errado com Naruto, eu precisaria, mesmo não querendo, de Itachi porque se tem alguém no mundo que encontra o que foi perdido propositalmente, é ele. A vida de Naruto foi escondida completamente, praticamente apagada da forma mais profunda dos anais da história, mas Itachi encontrou algo.

Ah moleque...

–Me fale o que você sabe sobre ele. Preciso que me diga tudo.

Eu vi Itachi respirar fundo, temeroso por falar.

–Eu... – ele cruzou os braços – Eu soube que você se encontrou com ele no CTS, então eu fui investigar, já que você me disse que Naruto estava lá por tempo demais e ninguém sabia dizer por quanto mais tempo ele ficaria... Acabei sabendo que Naruto viveu sua infância difícil e sua adolescência complicada num reformatório, onde fez trabalhos braçais pesados, como mineração e serraria. Mas por causa de estranhos acontecimentos, que simplesmente ninguém em lugar algum, sabe o que foram, ele se endireitou e entrou para as Forças Armadas. O que ele fez nesse tempo é tão vago quanto os registros de sua vida dentro do reformatório e depois dele. Depois de vários anos servindo, Naruto foi contratado para ser investigador criminal, o que lhe rendeu o status de Sombra até hoje. Algum tempo depois, já no CTS, ele se “converteu” em dançarino, para esconder seu passado. Mas...

–Mas? – arqueei uma sobrancelha.

–Um dos meus contatos dentro do Sistema de Sombras me informou que Naruto nunca pediu a aposentadoria, nem qualquer dispensa. O que consta é que ele está em missão ultraconfidencial com tempo indeterminado para finalização.

–Uma missão? – cruzei meus braços – Que tipo de missão?

–O que ele pode me dizer é que Naruto fora incumbido de dar fim ao “sistema que rege o mundo” por causa de “certas coisas que só ele poderia fazer”.

–Sistema que rege... O mundo? – arregalei meus olhos – A máfia.

Itachi assentiu brevemente. Fazia todo o sentido o seu comportamento misterioso, ele aceitar casar-se comigo, ao invés de simplesmente tocar o foda-se. Sua habilidade era destruir, ele é uma raposa que seduz, quem desconfiaria de um dançarino profissional? Ninguém. Eu só desconfiei depois que levei uma surra dos infernos.

Suspirei e esfreguei as minhas têmporas e suspirei cansadamente. Naruto já está me dando trabalho e temos apenas um mês de casados. Esposa é uma coisa, não? Só espero não ter que matá-lo no fim. Se isso acontecer, eu me mato no segundo seguinte. Para meu azar e sorte de Naruto, eu não sei mais viver sem esse cara.

Itachi e eu conversamos por mais alguns minutos para só então irmos jantar. Não que eu estivesse com fome, até tive dificuldades em comer haja vista que meus dentes doíam, mas bebi um pouco e mordisquei algumas frutas. Boruto estava na mesa e comia com bastante avidez, parecia que nunca havia comido antes, e a Senhora Mito tentava lhe ensinar alguma coisa de boas maneiras à mesa, mas ele parecia irredutível que nem a mula do pai dele.

E falando em mula, de repente minha casa foi invadida por um bando de mulas.

Não literalmente mulas, os animais, mas pessoas que agem como mulas.

O futuro herdeiro da máfia concorrente da Matilha Vermelha entrou como um elefante em debandada, assustando o coitado do Boruto, que só teve tempo de se levantar de vez com o prato em uma mão e o copo na outra. Ele entrou afobadamente na sala de jantar e pela cara de Mito, fora ela que convidara, pois sorrira.

Eu não sei se mato essa mulher, ou se peço para Naruto matar. Ela é da máfia também, então estaria dentro do seu objetivo, não?

Meu azar, e sorte do cara, era o fato de que eu não estava armado, eu estava praticamente de pijamas – bermuda preta e camisa cinza – e a única coisa que eu poderia usar como arma eram as facas de mesa. Eu estou muito azarado hoje. Ainda tenho que contar a dor causticante em meu corpo. Eram pontadas severas, apesar de não haver hematomas. Estranho. Deveria haver.

De toda forma, eu esperei que ele fizesse algo, e antes que se vocês desesperem essa mula de qual falo na verdade é um Lobo das Montanhas chamado Kiba Inuzuka que se acha o ser mais forte do planeta. Lembram-se dele do meu casamento, com certeza, o pupilo de Naruto. O idiota que eu mais quero matar nessa vida.

Eu não sei qual é o problema dele, mas Kiba não consegue dar um jeito no porco-espinho que ele chama de cabelo. Sério, é muito esquisito esse cabelo dele. Eu tenho vontade de passar um aparador de gramas nessa cabeça dele.

Kiba rosnava furiosamente e mostrava seus dentes para mim. Novamente me desafiando, pensei. Não bastou a humilhação no casamento, agora isso? Qual é o problema dele?

Boruto colocou seu prato e seu copo na mesa, encarou Kiba e começou a rosnar que nem um cachorro. Franzi o cenho, sem entender exatamente o que ele queria, mas Boruto se colocou de quatro, literalmente pondo as garras de fora e se arrepiando completamente. O menino começou a crescer, a dobrar de tamanho e ficar mais peludo, ganhando tons dourados: não era de um ouro valioso, mas era de um tom esquisito, fosco e quase desbotado.

–Boruto... – chamei e o menino nada fez, apenas continuou rosnando e crescendo, se transformando numa besta. Isto é, numa raposa raivosa. O que porra é isso?

–Qual é a desse moleque?! – Kiba gritou, puxando um .38 de dentro de sua jaqueta peluda – É um bicho?! – ele apontou para a cabeça dele.

–Ei! – gritei saltando para frente de Boruto, consequentemente derrubando a cadeira que eu estava sentando antes, que continuava rosnando como um animal – Nem pense em fazer nada com esse garoto ou eu mato você! – gritei. – E eu estou pouco me lixando para o que vai acontecer se eu te matar!

–Eu vi aqui resolver algo com o Naruto, não com você, seu panaca! – ele levantou a arma para mim e engatilhou-a. Eu até pensei em fazer algo, mas não houve tempo: Boruto saltou no braço dele, querendo mordê-lo, mas Kiba foi mais rápido e num reflexo deu um tiro na direção dele. Por sorte não acertou, mas fez Boruto se estatelar no chão.

Aí começou a gritaria sem fim dentro da sala de jantar.

Ora Kiba atirava para cima, , fugindo das investidas de Boruto em atacá-lo, ora para baixo, ora sem direção nenhuma até que as balas acabaram e ele acertou uma coronhada na cabeça de Boruto, derrubando-o no chão. Ele desmaiou no automático e voltou a sua forma normal. Kiba começou a caminhar na direção dele, inchando que nem um sapo e se arrepiando como o porco-espinho que deveria ser, ao invés de um lobo.

Eu saltei sobre suas costas e tentei dar-lhe uma chave de pescoço, mas Kiba era absurdamente forte para um golpe simples. E eu estava todo dolorido. Em desvantagem.

Então as portas novamente foram escancaradas. Mas dessa vez ela foi aberta com mais cuidado, apesar de terem sido abertas completamente, e por elas novamente meu Naruto entrou rindo e conversando animadamente com Yamato. Seu semblante logo mudou quando ele viu Boruto desacordado no chão e com o roxo no alto da testa.

Fodeu. Agora fodeu mesmo. Fodeu até para mim.

Naruto foi até o filho e se abaixou. Observou-o com atenção e depois deu uma olhada em volta, observando o ambiente caótico em que se tornara a sala de jantar, com furos nas paredes e porcelanas reviradas, além de comidas espalhadas.

Faz tempo que não tenho um jantar normal.

Soltei-me de Kiba e sorri de lado. Vamos ver o pai em ação.

Não demorou para vir. Foi de repente, nem eu captei a velocidade do ataque desferido por Naruto em seu momento de defesa. Correu até Kiba e o empurrou no chão, me levando junto, os dois rolaram pelo chão até chocarem-se contra mesa e derrubarem-na.

Virei-me e fitei-os com espanto. Naruto espancava violentamente Kiba, de uma forma eu nunca tinha visto em toda a minha vida. O choro mesclado aos gritos esvanecidos de dor do outro era ensurdecedor. Ele era jogado contra tudo e puxado de volta para apanhar mais, e, então, Naruto jogou contra a parede e bufou feito um touro bravo.

Kiba estava exatamente como Itachi fora encontrado no dia do seu suposto acidente. Naruto buscou uma cadeira e a arrastou até perto dele. O lobo acordou com o som da madeira e se desesperou ao vê-la erguida no ar.

–Oh merda... Ele vai matá-lo.

–Não se pode tocar em quem as raposas amam. – comentou Itachi, ao meu lado.

Num movimento único, a cadeira foi feita em pedaços contra o corpo enorme de Kiba e este desmaiou expelindo sangue pela boca. Morto não estava, mas precisava urgentemente de um hospital. Chamei uma ambulância pelo celular e fui até Naruto.

Olhei-o. Estava suado, mas parecia como se nada tivesse acontecido. Sua respiração estava levemente alterada, mas seu olhar dourado me dizia que aquilo não fora nada. Ele me fitou seriamente, demorou-se dois segundos me encarando e se afastou. Senti um arrepio violento percorrer meu corpo por causa daquele olhar. Nem o mais psicopata Uchiha poderia mostrar um olhar tão indiferente, frio e ameaçador como aquele.

Aquele era o meu Kyuu-chan? O mesmo cara que dançava? Não podia ser, Naruto não seria tão sem remorso assim. Ele é mais... Humano do que eu. Recordei-me das torturas que eu presenciara. Só naquele segundo eu percebi o quanto ele era um perigo real.

Fitei Kiba desfigurado no chão. Se um dia Naruto e eu lutássemos realmente, será que eu o venceria ou seria aniquilado como Kiba fora? Esfreguei meus cabelos rapidamente e percebi o quanto eu não sabia de nada sobre Naruto. Merda! Eu amo um estranho e o trouxe para dentro de casa, para o cerne de uma das máfias mais importantes do mundo.

E como Murphy criou aquela lei que todo mundo conhece, Sakura entrou na minha casa trazendo uma garrafa de champanhe. Ela foi bem recebida por Mito, mas não recebeu nada de Naruto, nem um olhar, e de mim somente o desprezo. Primeiro Kiba, agora Sakura. Se me fizerem um drink agora, eu já sei que filme estou vivendo.

–O que aconteceu aqui?! – exclamou Sakura.

–Kiba. – Naruto comentou com um sorriso tranquilo.

–Meu Deus. – ela revirou os olhos e dois trocaram alguns risos. – Esse Kiba não aprende. Puxou ao professor, só pode.

Naruto riu ainda mais concordando com aquela declaração enquanto tentava organizar o que podia pela sala de jantar. Eu devo ter perdido algo, porque estou vendo Naruto rindo para Sakura. Mas que merda é essa que está acontecendo aqui?

Eu não deveria estar alvoroçado. Onde está a minha postura de mafioso, de assassino, por que eu estou tão preocupado com o fato de Naruto sorrir para outra pessoa? Não sou eu que tenho Naruto completamente atado a mim, com esse contrato que impede a guerra? Não sou eu o macho que pode ter Naruto na mesma cama?! Que se dane!!!

Então eles trocaram um abraço e toda a minha lógica foi para a caixa prega. É o que? Não na minha frente. Não com o meu Naruto, não essa vadia. É hoje que eu mato ela!

Caminhei pesadamente até Naruto, deixando minhas garras crescerem. Eu senti meu corpo estourar dentro de mim, novamente eu estava perdendo controle e nem Naruto iria me conter, eu vou arrancar a cara dela nem que seja a última coisa que eu faça. Senti um rugido borbulhar em meu peito e estiquei minha mão para agarrar o corpo de Sakura, mas fui impedido por um chute descalço de policial de Naruto no meu estômago.

Fitamo-nos. Ele não me derrubara e não me derrubaria. Querendo ou não, sou eu que mando nessa merda e ele deve ser submisso a mim, como minha fêmea. Investi de novo e fui impedido novamente por outro chute igual, com a outra perna e na altura do peito.

Ele se colocou entre mim e Sakura. Arregalei meus olhos intensamente vermelhos. Eu não precisei de um espelho para saber que isso aconteceu. Eles ardiam como fogo.

–O que você está fazendo? – perguntei incrédulo por Naruto está defendendo Sakura.

–O que você está fazendo, seu idiota? – sua voz saiu mesclada com um rosnado. Aqui vamos nós de novo. Corri para cima dele, tentando passá-lo, mas Naruto acertou a porra de outro chute de policial no peito de novo.

Agarrei sua perna para derrubá-lo, mas ao invés disso vi-o girar com um salto e acertar minha cara com outro pé. Nós dois fomos ao chão num baque oco. Levantei-me rapidamente e saltei sobre Sakura, mas senti meu corpo se bruscamente puxado para a direita, chocando-me contra cadeira. Caí abaixo que nem o gato que sou e ouvi um som baixinho.

Aquele barulho de gota. Fitei o chão e vi sangue. Toquei minha nuca e observei minha mão: sangue. Olhei para o rosto de Naruto e vi sua boca suja de sangue, meu sangue. Ele cuspiu enquanto se erguia e limpou a boca. Seus olhos não pareciam olhar para mim, era como se ele estivesse lutando com um estranho, um bandido que tinha que prender.

–Por que você está defendendo essa vadia?! – gritei furiosamente. Eu não sou qualquer um, eu sou marido dele! Eu sou o homem da vida dele, não sou?

–Você está louco. – ele falou calmamente – Fora de controle. Não vou deixar que você a machuque só porque você está ficando maluco.

Senti o mundo girar. Senti o ar faltar e meu corpo estremecer. Ele não deveria me impedir de exercer meu direito de dominante. Naruto não podia estar quebrando as regras desse jeito, ele não pode ser assim. Eu sou o homem da vida dele, certo? Pisquei com firmeza. Naruto só disse que gosta de mim, mais nada.

Gostar não é amar. Gostar não é amar. Gostar não é amar. Estremeci e abracei meu corpo, sentindo algo quebrar em minha mente. Algo quente passou pelo meu rosto, quente e molhado. Engoli em seco e toquei minhas bochechas só para ver se o meu temor era verdadeiro. Sim, eu, Sasuke Uchiha, que não sente compaixão por ninguém e nem se abala por nada, estava começando a derramar as lágrimas na frente de outra pessoa que não fosse minha mãe e Naruto, depois de tantas décadas.

Meneei a cabeça violentamente para os lados e corri em disparada até a janela, cruzei os braços na frente do rosto, saltei contra o vidro e subi a parede rapidamente.

Eu não merecia uma humilhação daquele tipo. Deveria se o pagamento pelo meu crime, para eu estar sofrendo daquele jeito nas mãos daquela maldita raposa que não se importava comigo. Por que eu fui me apaixonar por uma pessoa que vai me ferrar?

Ele só se casara comigo por causa da sua missão. Talvez Boruto nem fosse seu filho mesmo, talvez fosse um álibi. Em poucos dias todos poderiam amanhecer mortos, inclusive eu. Tudo o que eu sabia dele podia ser uma completa mentira. Gritei alto. Não, não podia ser mentira, tinha que ser verdade. Naruto tinha que ser meu.

Corri velozmente pelos telhados da mansão. Eu chorava e soluçava, indignado com aquela postura indiferente que ele tinha para comigo. Como eu estava descalço e não soube que chovera recentemente, acabei que eu escorreguei em algumas telhas soltas. Caí como uma pedra de encontro às árvores que circundavam a casa, perdendo o controle dos meus movimentos, rolando e quebrando galhos e mais galhos, até cair duro dentro da piscina de água fria, machucando o meu peitoral.

Eu bradei de dor ao sentir o ardor do choque com a água fria da piscina.

Por causa do meu estardalhaço e do meu momento de desespero, quase me afoguei na piscina se alguém não me tivesse tirado lá de dentro. Abri rapidamente os meus olhos e vi um rosto um pouco ofegante e um pouco molhado. Era Naruto e seus olhos azuis sorriam para mim.

Notas finais
Dois dedos de prosa agora: Contagem regressiva para o plot mais tretoso que eu já inventei na minha vida! Eu li cada comentário - ainda é tempo de quem quiser expressar sua opinião sobre os questionamentos do capítulo anterior - respondi-os e ponderei sobre cada sugestão, opinião e todo resto, e acho que vou surpreender. Eu sinto que os leitores vão se dividir entre "Não gostei, tava melhor antes" e "Puta que pariu, por essa eu não esperava". Eu sinceramente espero que seja a segunda opção e que vocês continuem me acompanhando depois do que fizer. Quem será que adivinha o que vai rolar adiante? Naruto e Sasuke brigaram de vera, quase se matam, mas Naruto fez a diferença! O que Sasuke fará?