Notas iniciais
Heitah meu povo, eu adorei os comentários e fiquei muito feliz de ver alguns dos meus amados leitores de outras fics por aqui, e ver novas almas também para meu infern... ~aham~Fanfic. Apois, obrigada a todos por acompanharem mais esse trabalho e se alguém tiver a fim de desistir, cebo nas canelas que dá tempo! Nem leia o capítulo, do aviso mesmo pegue o beco. Agora, se você quer continuar por sua conta e risco, de boa, a vida é sua, mas... A SUA ALMA É MINHA!!! MUAHAHAHAHAHAH!!! Bom capítulo.

Já foram a um parque? Tipo aquelas pracinhas familiares com brinquedos para crianças? Eu estava correndo por ali, para me exercitar, afinal eu sou um gato e gosto de dar os meus passeios por aí, além de ficar mais forte do que eu já sou. Eu usava um moletom com capuz para esconder o meu rosto, para desviar a atenção da impressa, e parei depois de alguns minutos para observar crianças brincando por ali. Respirei bem o ar e sorri. Apesar de eu ser mau, eu acho os filhotes seres adoráveis.

Havia todo tipo de espécie por ali, com seus pais andando para lá e para cá, vigiando-os ora de perto ora de longe. Peguei-me pensando se teria filhos um dia. Fui até um homem vendendo água e comprei uma garrafa para mim. Algumas crianças eram indiscutivelmente lindas, outras eram inegavelmente feias. Continuei observando-as enquanto bebia aquele líquido frio, quando uma criança passou por mim e quase me derrubou. Fitei-a irritadiço. O garoto usava um boné azul claro, camiseta branca grande demais para o seu corpo e calças jeans. Ele usava tênis próprios para corrida e mostrava um semblante de culpado.

–Desculpe senhor. Eu não fiz por mal. – ele falou levantando o rosto. Arregalei os olhos ao ver os cabelos loiros e os olhos pálidos. Eu já vira aqueles olhos antes e aquele cabelo também, mas o que fez as nuvens darem espaço para o sol foi as cicatrizes em suas bochechas. Só uma criança em toda a terra tinha um padrão de marcas como aquele.

–Boruto...? – sussurrei quase que na altura dos pensamentos.

–Disse algo, senhor?

Eu sorri e baixei meu capuz. O garoto também arregalou os olhos imensamente, colocando a aba do boné para trás para me ver melhor. Notei um brilho diferente em seu olhar e de repente ele me abraçou com força na altura da minha cintura, rindo como um bobo. Retirei seu boné para fitá-lo melhor e vi o quão grande ele estava.

–Senhor! – ele sorriu levantando o olhar, encostando seu queixo na minha barriga – Eu me lembro de você! Foi o rapaz que ajudou meu papai quando a mamãe foi para o céu!

–Sim, sou eu! – falei quase emocionado.

Eu nem me reconhecendo estava. Eu não sou de me comover tão facilmente assim por coisas supostamente tão pequenas, de me deixar levar pelos sentimentos, mas ao que me parece, rever aquele sujeitinho acendeu uma centelha de esperança em meu interior a anos adormecida. Será que eu veria aquele cara de novo? Provavelmente sim. Eu nem me dei conta de que estava rindo como um adolescente no colegial.

–E aí? Você está com seu pai?

–Mas é claro! Eu moro com ele desde que a mamãe virou um anjo. Ele é um bom papai.

–Imagino que seja mesmo... Onde ele está?

–Ali. – ele apontou para um grupo de mulheres que conversavam animadamente na companhia de um homem de boné preto que lhe cobria as orelhas.

Um homem alto, mas não tão alto quanto eu, esbelto e aparentemente forte, sorrindo para elas e conversando sobre qualquer coisa. Ele vestia uma calça negra e uma camisa de botões xadrez. Algumas mulheres lhe tocavam com certa insinuação enquanto ele agitava levemente sua cauda para os lados, como se varresse o chão da calçada. Uma cauda grossa, fofa, macia de cor laranja escuro, quase vermelha, que parecia ser de um gato, tipo um gato selvagem. A minha atenção foi logo atraída para aquele grupo feminino.

Elas estavam próximas demais dele, tocando com muita intimidade ele, como se fossem alguma coisa dele. Umas vadias, eu pensei logo e ao pensar eu caminhei para lá, aproximando-me com pressa para perto dele. Boruto me seguia como podia, segurando com força a minha mão, que eu apertava sem sentir: ele já superara a viuvez? Tão rápido assim? Como isso era possível? Logo Hinata, que fora realmente um anjo na vida de vários detentos, inclusive na vida dele e era assim que ele agia?

–Hei! – gritei, chamando a atenção dele para mim. Ele não levantou o rosto, mas assim que ouviu a minha voz, seu sorriso sumiu e ele fechou os punhos. As moças me olharam com certo temor e se afastaram, exceto uma, que se abraçou ao braço direito dele.

–Não deixa esse maluco me pegar! – ela falou manhosa.

Mais forte do que eu fora o sentimento que se apossara do meu corpo naquele segundo. Eu agarrei o braço da moça e a fiz soltar aquele cara que tanto atraíra a minha atenção, mas o que eu não esperava era a reação dele: o cara, sem levantar o rosto, deu um chute de policial contra a minha barriga, me fazendo ir ao chão desorientado. Encarei-o e só então vi em seu peito uma corrente dourada reluzir na luz do sol com um pingente um tanto indiscreto. Não era um pingente comum: era um distintivo de agente federal.

Um policial vestido à paisana. Bem diante dos meus olhos. Meu pai me ensinara a reconhecer os distintivos policiais e aquele que reluzia ali não era um comum, um agente federal meia sola, era um dos que as OGN mais temiam de se encontrar: eram as Sombras. Não sabíamos de onde vinham, como agiam, como conseguiam informações ou quem eram, mas bem diante dos meus olhos estava um e em seu distintivo havia cinco estrelas pretas. Uma sombra de alto nível que poderia me prender se ele soubesse quem eu sou.

As moças se afastaram e logo todo o parque ficara vazio, restando apenas eu, o cara e Boruto, que por mais improvável que possa parecer, ele intercedeu por mim.

–Não papai! – o homem começara a puxar uma faca escondida no cós de sua calça – Esse é o moço bom que morava com a mamãe! É o bom moço!

Eu vi o brilho estranho por baixo daquela sombra projeta pelo boné sobre seu rosto. Um brilho amarelo e profundo, intimidador, como se eu estivesse encarando o diabo. Ele baixou a mão, sem que eu pudesse no mínimo ver que tipo de arma ele carregava.

–Sou eu... Sasuke Uchiha. – falei em minha defesa. – Fui eu que...

Então ele sorriu e ergueu um pouco a aba do chapéu, para só então me ajudar a ficar de pé. Ao ficar frente a frente com ele, eu percebi o quanto ele era mais baixo que eu, praticamente um palmo a menos. Encaramo-nos e eu vi aquele semblante que tanto me atraíra a minha atenção, antes de Hinata morrer, sua mão pousada levemente em meu ombro exibia a aliança dele e a dela no dedo anelar. Era um viúvo de verdade.

–Eu sem quem é você, seu idiota. – ele ergueu uma sobrancelha – Eu me lembro de você, como poderia esquecer? Foi você que tentou livrar a barra da minha esposa e ainda pagou a minha fiança e a fiança do meu filho, isso eu não poderia esquecer. Eu te devo muito.

Toquei de leve o colar.

–Virou policial? – perguntei cinicamente.

–Não, não. – ele sorriu – Eu já era antes de você me conhecer.

–E por que estava no CAPS?

Ele deu de ombros e se afastou de mim. Não me disse, apenas continuou sorrindo largamente, pegando o filho no braço e carregando ele para longe.

–Para onde vai?

–Pra casa. – ele falou rindo – Vem, pode vir.

Franzi o cenho. Meus instintos de assassino me diziam que eu não deveria ir com ele, porque era uma Sombra e ele poderia muito bem me prender, ou pior, me matar. Mas eu fui, eu o acompanhei, eu entrei em sua casa, que não tinha mais que três cômodos e eu descobri só de ver pelas paredes da casa que ele vivera tanto tempo quanto eu. Pelo menos era algo provável ou então ele era um colecionador de notícias antigas. Haviam notícias coladas de tempos anteriores ao meu nascimento, anteriores ao de meu irmão, da época de meu pai. Casos de assassinatos e crimes assustadores, provocados pelas mais diferentes classes de pessoas e animais. Ele tinha mais vidas do que um gato? Ou ele era um gato no fim da vida?

–Diga-me Naruto...

–Boruto. – o menino veio até ele – O boné. – ele retirou o próprio e o garoto seguiu o exemplo – Bom garoto... Agora prepare a mesa para o almoço e lembre-se que temos um convidado.

–Sim papai! – Boruto colocou o acessório de lado e correu para buscar o que fosse necessário para preparar a mesa, depois ele fora buscar numa espécie de armário uma cadeira dobrável.

Orelhas pequenas e laranjas apareceram no menino, orelhas de pelo claro, quase amarelo como se fosse um tipo de dourado. Uma curta cauda fofa surgiu por baixo da camisa enorme movendo-se de modo frenético e desordenado. Na cabeça de Naruto duas enormes orelhas quase vermelhas se esticaram e eu vi que tinham pontas pretas. Elas se moviam de vez em quando, como se levassem choques, captando toda classe de som, enquanto sua cauda fazia uma meia-lua no chão em volta de suas pernas e a ponta batucava um determinado ritmo.

Parecia ouvir uma música mental ou captar algum som animado à distância.

Naruto retirou o distintivo e o pendurou onde ficava pendurado todo tipo de penduricalho, como chaves, colares, facas e outras peças. No balcão, que era o fogão e a pia, ele começou a preparar a comida lavando os legumes e as verduras. Ele abriu um dos armários para pegar algo e ali dentro, além de comida, havia um rádio, e no ato de pegar um frasco de algum tempero, ele ligou o aparelho. Uma música do Michael Jackson tocava.

Olhos cor de âmbar que mudavam de cor, pêlo laranja, provavelmente muito velho. Só havia uma raça com aquele tipo de característica e os pesquisadores julgavam-na extinta. Não podia ser. Eu estava diante de um sobrevivente?

–Você é uma raposa?! – eu praticamente gritara.

Ouvi seu riso.

–Se falar mais alto, eu vou ter que matar você... – eu não sei o que era mais forte: os olhos intimidadores cor de âmbar mudando para um azul safira ou o largo sorriso de pessoa que faz as coisas sem pensar muito nas consequências.

Acho que eu me ferrei, porque eu me apaixonei por um cara.

Notas finais
Foi curto, mas foi de coração! ............. Sobrou alguém aí?