Amor à moda antiga
3 Capítulo 3
Notas iniciais
–Ele não é uma raposa... – falei lendo alguns registros de nascimento – Não existem raposas a mais de 250 anos... Aliás... – reli o último registro – Segundo isso aqui... O último registro de óbito de uma raposa é datado do Ano do Grande Extermínio... Quando Hashirama Senju destruiu aquela família nômade de raposas...
Suspirei. Realmente, não havia a mínima possibilidade de raposas existirem. Ou poderia?
Antes que me pergunte, ninguém soube do reatamento da minha amizade com Naruto, ou reinício, ou começo de verdade, ou como queira chamar. Eu escondi isso, e não preciso mencionar os motivos para isso não é? Bem antes disso, antes de eu e Naruto nos encontrarmos – e eu acabar confirmando o quanto estou apaixonado por esse cara que eu sei tão pouco – coisas aconteceram em minha vida e eu tive que tomar decisões para que ninguém desconfiasse da verdade sobre nós. Se é que há um "nós" nessa história.
Eu acabei me casando e não me crucifiquem por isso, porque eu não queria que meu pai soubesse que eu estava apaixonado por um cara – mesmo que isso não seja bem um problema – que era o outro lado da moeda – isso é um puta problema – de modo que eu não queria Naruto morto por um vacilo meu.
Deixe-me contar-lhes um pouco de meu casamento para que eu possa dar seguimento ao caso, de certa forma é importante que eu mencione algo sobre esse assunto. Até porque se eu não tivesse me casado, talvez eu não conseguisse o que tenho atualmente. Vamos a isso, então.
Minha família, os Uchihas, sempre procuram bons pretendentes entre si ou nos de fora para seus filhos, para que as esposas sempre “abençoem” os varões, isto é os mais velhos, com dois filhos, não mais e não menos do que dois. Quanto ao resto, fica a critério do casal, que é justamente o meu caso: mamãe deixou a meu critério a escolha da minha esposa, mas como eu não escolhi ninguém ela tomou a atividade para si, procurando minha noiva.
Na minha família em si não havia “boas” moças de acordo com os critérios de mamãe, sempre tão exigente. Minha mãe sempre me disse que a esposa perfeita para mim deveria, no mínimo, me ver cair bêbado e manter-se sóbria para me carregar. Então ela resolveu procurar a “Lista de Matrimônio”. Eu sempre rio disso.
Em que consiste essa lista? É uma lista com os nomes de todas as pessoas solteiras nas famílias propensas à reprodução. É um troço bem antigo, mas muito respeitado e muitas das famílias que eram pobres naquela época, nem são hoje em dia e existem casos de famílias extintas, pode-se dizer que de velha, não é tão atualizada. Essa lista foi criada para garantir que as espécies se perpetuem por um longo tempo, já que as taxas de fertilidade não são tão altas entre algumas espécies.
O que isso tudo tem haver com Naruto? Logo saberão, por enquanto vamos por parte. Então minha mãe levara-me até o Salão Cerimonial e buscou a tal lista que, de tão velho e delicado que o pergaminho ficara, fora digitalizada.
–Muito bem Sasuke. Vamos trabalhar. – eu assenti e cruzei os braços. Mamãe, apesar de seus 45 anos da oitava vida, estava tão bem quanto qualquer adolescente e ainda era muito desejada. Tão linda quanto uma noite de verão. Ela digitou rapidamente algumas palavras e esperou, e enquanto esperava abriu uma garrafa de uísque e colocou um pouco em dois copos. Sorri quando ela me ofereceu.
Aceitei rapidamente nós brindamos ao início do trabalho.
Ficamos bebericando enquanto a lista carregava no computador. Pois é, muito do que eu sou – assassino profissional, gerenciador de negociações, nobre cortês, boêmio de classe, entre essas coisas – eu devo a minha mãe, porque foi ela me ensinou. Por exemplo, fora mamãe que me ensinou a atirar e a degustar de boas bebidas. Ela tem um bom dedo para essas coisas, então eu podia confiar que ela me arrumaria uma boa esposa – no sentido de que não seria um saco viver com ela – de modo que eu estava tranquilo.
E falando em esposa, lembrei-me do “pé-no-saco” do meu irmão.
–Já escolheu a de Itachi? – perguntei antes de um gole.
–Já, já... Apesar de ele querer ficar sozinho. – ela respondeu depois de um gole.
Parei meu copo antes de encostar-se à boca e o pousei na mesa devagar.
–Mas ele sabe que tem que fazer isso. É o mais velho. – falei rindo, feliz por não ter essa responsabilidade, apesar de que eu queria ser o mais velho – Não tem para onde correr.
–Isso é verdade... – ela soltou o ar fazendo um bico, quase assobiando, ressaltando ainda mais seu batom vermelho. – Ainda bem que você não faz caso disso. – ela sorriu afagando atrás das minhas orelhas, me fazendo fechar os olhos. – Você é um bom garoto...
–Para a senhora. – falei sorrindo e abrindo meus olhos, exibindo-os tão vermelhos quanto os lábios dela. Ela riu e piscou, fazendo seus próprios olhos enrubescerem, combinando perfeitamente com seu batom carmesim. Fitamo-nos sorrindo, com cumplicidade – Unicamente com a senhora, mamãe.
–Que bom! – ela riu e tomou o copo entre os dedos – Num gole só! – ela apontou para mim.
Fizemos um rápido brinde de quem bebe e “viramos os copos” rapidamente.
Ela olhou para a tela do computador e no instante que ia ler o primeiro nome da lista, meu tio Obito, um cara muito sinistro por causa de sua meia-cara queimada, entrou afobadamente e ofegante, como se tivesse corrido léguas. Ele veio até nós e entregou uma carta para minha mãe e então saiu, pois ouvira, de bem longe, a voz de sua esposa Rin gritar. Olhei para mamãe e ela me olhou: demos de ombros sem entender bem o que se passara.
Mikoto, minha mãe, olhou curiosamente para a carta e deitou-a de lado, pois percebera que não havia remetente. Talvez resolvesse ler depois a carta. Focou os olhos no computador.
–Muito bem... Segundo consta aqui, a melhor opção, segundo a ordem dos nomes, é... – ela correu o cursor pela tela e parou sobre um nome – a família Haruno. Bom, isso é um bom sinal, porque Mebuki tem duas filhas gêmeas! – ela me olhou e eu fiz uma cara de “não quero escolher” que causou uma crise gostosa de risos nela – Não se preocupe, eu...!
–Não posso me casar com Sakura, se era isso o que ia sugerir. – falei seriamente e retirei meu celular do bolso, mostrando uma foto da garota para ela. Mamãe arregalou imensamente os olhos e me encarou – Sakura disse que nunca irá se casar enquanto não encontrar um homem que a faça ficar de quatro. – falei dando de ombros. Peguei a garrafa de uísque e coloquei mais uma dose – E eu nunca consegui fazê-la se quer ficar de joelhos.
–Nossa... Isso reduz drasticamente as possibilidades. Porque você sabe de como anda a situação de Hanami...
Assenti suspirando e me recostando na cadeira.
Para que entendam, a família Haruno foi um daqueles casos que começou pobre e ficou, de certa forma, rica. Atualmente a matriarca, Mebuki Haruno, tomou as rédeas da família e dos negócios farmacêuticos que sustenta tudo. Ela teve unicamente, e curiosamente, duas filhas e um filho na vida. As caçulas Sakura e Hanami, e o filho mais velho Ume, que morreu de acidente de carro quando as meninas tinham cinco anos de idade.
Sakura, a mais velha das gêmeas, simplesmente “virou no cão” depois da morte do irmão e decidiu que seria uma montanha: somente um vento muito poderoso a dobraria, vocês entendam esse vento como um homem. Tornou-se uma espécie de “revolution girl” e age como acha que seu espírito exige. Ela tem um estilo próprio e punk de ser. Além de ter cabelo comprido. Já Hanami nasceu doce e gentil, como uma flor, mas desenvolveu um tipo de doença degenerativa nos ossos que a impede de se locomover apropriadamente, creio eu que é poliomielite. E ela tem o cabelo curto. Por causa desses dois casos, muitos caras evitam se envolver com os Haruno, o que poderia provocar a ruína da família.
Negócio complicado, eu sei, mas depois de um tempo você começa a se acostumar e a entender melhor essas questões. O caso é que depois de um longo debate com mamãe, eu aceitei me casar com Hanami, de modo que eu teria que começar os preparativos para o pedido. O único problema é que existe outra tradição envolvendo irmãos e casamento na minha família: o caçula só se casa depois que o mais velho casar. Então eu teria que esperar Itachi cumprir sua obrigação para que eu possa cumprir a minha.
Particularmente eu chamei essa espera de namoro e meio que apressei erroneamente as coisas para o lado de Itachi. Hanami revelou a mim, e somente a mim, que sentia o fantasma da morte pairar sobre sua sombra de modo que me pediu para, uma única vez, transarmos e eu não lhe neguei essa vontade, por causa daquele estranho presságio que ela tivera. Algum tempo depois Hanami me informou com lágrimas de felicidade nos olhos que estava grávida.
Sim, eu fiquei muito feliz por isso. Cuidei dela pessoalmente até que Itachi enfim decidiu-se casar-se com uma garota que eu achei já ter visto-a em algum momento em minha vida de tão “deja-vù” que foi a visão que eu tive da moça quando a vi pela primeira vez. Infelizmente Hanami não sobreviveu à sua doença, pois de algum modo a gravidez agravou seus sintomas e nos últimos dias de vida da garota, com o bebê nos braços, nos casamos.

É, eu sou viúvo pai de família antes do meu irmão. Meio trágico, mas a vida é isso mesmo. A menina nasceu coelha. A família Haruno é completamente de coelhos, então ela não levou o meu sobrenome — salvando a família da ruína — apesar de parecer inegavelmente comigo: cabelos negros, olhos bem escuros e um temperamento forte. Mas como ela nasceu coelha, tudo o que pude fazer fora pedir a Sakura que cuidasse dela por mim, afinal sou um gato e, até onde sei, gatos não sabem criar coelhos, e a rosada aceitou o cargo, dizendo fazer isso pela irmã.
Pois bem, ao me dar conta da vida, já se havia passado cinco anos desde a morte de Hinata e mais cinco desde o meu encontro com Naruto e o meu casamento. Dez anos, dez longos anos na vida de um gato.
Aí vocês pensam “Quer dizer que a relação entre você e Naruto é que seus filhos se apaixonaram e se envolveram?”. É claro que não. Sarada era uma criança de cinco anos, uma coelhinha adorável no início da vida, quando Boruto entrou na pré-adolescência e se tornou um moleque revoltado, segundo as palavras de Naruto, com seus 12 ou 13 anos. Na real, o que nos conectou, depois de toda essa odisseia, fora a carta que minha mãe recebera no momento da escolha da minha esposa e só abrira incrivelmente cinco anos depois.
O conteúdo da carta abalou sismicamente às estruturas da minha família.
E me fez acordar de madrugada repentinamente. O que eu odeio, ou seja, pessoas morreriam por causa do meu mau humor.
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