Amor à moda antiga
17 Capítulo 15.2
Notas iniciais
–Eu sou contra!!! – Kiba gritou tirando de dentro de seu paletó uma arma. Todos suspiraram de surpresa e Naruto virou lentamente o rosto, endireitando sua postura e escorando a cintura na mesa do “altar”, cruzando os braços e suspirando cansadamente. Notei que além de fadigado com alguma coisa, ele transparecia começar a se irritar.
–Eu não posso permitir que isso continue! – ele iniciou gritando, a arma tremia em sua mão – Eu não vou permitir que você, Sasuke, se case com Naruto! Ele é o meu amor e vai ficar comigo! Aquele contrato não tem validade nenhuma e eu que sou o prim... – Kiba não teve tempo de terminar sua fala, porque Sakura se avançou dois passos.
Ela estava rosa de raiva e de orelhas em pé.
–Quem vai se casar com Naruto sou eu! – ela gritou tão alto quanto todo mundo naquele lugar – Não ouse se aproximar do meu deus grego! Eu não vou permitir que uma criatura desprezível que nem você se case com ele! Além disso, Naruto precisa de uma esposa adorável e muito carinhosa, não um porco-espinho com cara de cão sardento!
–Quem você está chamando de porco-espinho, cabelo de chiclete?!
–A sua mãe tem cabelo de chiclete, seu patético animal!
–Quietos! – Naruto gritou. Todo mundo voltou seus olhares para ele. Naruto foi até perto dos dois e desarmou Kiba num movimento veloz, impedindo que o cara atirasse na minha cunhada, apesar dela merecer. Ele empunhou a arma com as duas mãos, como só policiais experientes fazem. Eu vi os olhos de Boruto se arregalarem imensamente e ele pronunciar “Vai dar merda!” – Já acabaram com esse circo? – sua voz saiu fria e dura. Kiba encolheu as orelhas e seu rabo lentamente foi para entre as pernas – Vocês têm noção do tamanho da vergonha que estão me fazendo passar?
–Mas Naruto, eu... – Sakura quis falar, mas Naruto ergueu a arma, engatilhando-a lentamente, fazendo os dois estremecerem com o som metálico.
–Cala a boca. Cala a porcaria da sua boca. Cala essa maldita boca se não quiser perder os dentes na bala. – ele sussurrou. Naruto se virou para Kiba e o encarou – Porra Kiba, com vinte anos de curso tu me vem com um comportamento merda desse cara! No meu casamento! Na frente da corporação inteira! O que seu pai diria, hein?! – Kiba nada disse. Naruto respirou fundo e apontou para umas cadeiras vazias na parte baixa – Desce. Agora. – ordenou dando uma coronhada no ombro dele e Kiba obedeceu.
A mãe de Kiba ficou em seu lugar e o olhar de repreensão dela não era pior que o de Naruto, afinal, se eu não me engano, a mãe dele era feroz, muito feroz, porém muito amiga e respeitadora de Naruto. Depois fora a vez de Sakura, mas ela, por ter a personalidade que tinha, nada disse, apenas cruzou os braços e exibiu um olhar desafiador para Naruto. Tomei a frente dele e caminhei até ficar perto dela. Fitamo-nos com ferocidade.
–Sério isso? – indaguei friamente – Vai me desafiar em público? – ela assentiu com desdém – Quer dizer que eu posso te matar em público também? – abri meu paletó, retirei minha arma dali e engatilhei-a abaixo de seu queixo, forçando-a contra a mandíbula. Sakura quis rebater, mas o pai dela interviu e tomou seu lugar.
Naruto e eu ajeitamos nossos paletós e voltamo-nos para o juiz. Minha breve esposa deitou a arma no “altar” e eu guardei a minha de volta ao paletó. Eu vi o loiro respirar fundo com as mãos em prece diante do rosto, como se recobrasse toda a sua coragem e a sua compostura, perdida durante a discursão e me fitou pelo rabo do olho. Sua cauda deu uma sacudida rápida e suas orelhas estremeceram com algo que eu não soube dizer o que era. Ele murmurou algo para si e se aproximou novamente do altar, pegando a caneta.
–Bom... Sem mais delongas. Que os noivos assinem a união civil. – primeiro ele assinou, depois eu assinei. Todo mundo aplaudiu fervorosamente, esquecendo completamente a situação tosca que acabara de ocorrer. Ele sorriu, carimbou e assinou nossa certidão de casamento, em seguida, o juiz puxou o enorme contrato criado pelas máfias e revisado por nós dois, colocando-o bem a nossa frente – Agora, a oficialização do acordo de paz entre os Gatos da Noite e a Matilha Vermelha.
Naruto me fitou e num longo suspiro assinou seu nome, depois eu assinei, esboçando um discreto sorriso no final. Minha mãe e a Senhora Mito já choravam rios de lágrimas quando o juiz pediu que a dama de honra se aproximasse com as alianças. Enfim, o ato final para que eu possa chamá-lo de minha esposa. Sarada veio muito sorridente até nós e nem isso fez Naruto sorrir ou demonstrar um mínimo de alegria.
–Com essas alianças – Naruto pegou a minha e colocou em meu dedo, depois eu peguei a dele e coloquei em seu dedo, sorrindo para o anel que eu lhe dera de “noivado” e que em momento nenhum deixara de ficar vermelho – Esse casal torna-se judicialmente esposa e marido, eu espero que sejam felizes. – o juiz me olhou e eu sorri – Pode beijar a noiva.
Viramo-nos e ele continuava inexpressivo, mas isso não me impediu de beijá-lo com sutileza, para evitar alardes maiores do que os que já rolavam durante o nosso beijo. Senti nossas caudas se tocarem de leve nas pontas, um gesto sutil só percebido por mim. Naruto e eu demos as mãos e saímos do hotel para a limusine que nos esperava do lado de fora, para nos levar até o local da festa.
Dentro do carro, ouvi-o suspirar pesadamente.
–Enfim casados... – ele murmurou, relaxando completamente no banco do carro.
–Pois é... – concordei desabotoando o meu paletó – Agora acho que teremos paz. – e agora eu poderei te proteger de tudo, pensei recordando da noite me que eu chorara em seu colo, eu finalmente poderei cuidar dele como eu quero, pensei.
–Assim espero. Não quero ter me unido com um homem gangster, ser enrabado e engravidar dele só para que um cabaré comece do nada. – ele falou me fitando. Acabei por não resistir e ousei roubar-lhe um beijo dos lábios carnudos, roubei-lhe outro e mais outros até que finalmente nos soltamos por falta de ar. Naruto me fitou com estranheza – Tu me ama de verdade, não é? Tipo, é sério, não é?
Franzi o cenho, sem entender exatamente o que ele queria dizer com aquela pergunta sem sentido e me aproximei mais dele. A essa altura do campeonato, Naruto ainda não entendeu os meus sentimentos, ou simplesmente não quer acreditar em mim?
–Achou que eu estava te zoando, é isso? – perguntei – É claro que é sério, Naruto! – quase alterei a minha voz – Acha mesmo que eu sou o tipo de cara que se casa facilmente com outro homem? – ele negou – Depois do que tudo o que eu te disse, de tudo o que eu fiz, de todas as lágrimas que eu derramei, você ainda tem dúvidas dos meus sentimentos?! Porra, cara, me dá um pouco de crédito!
Naruto assentiu brevemente, meio impressionado, meio indiferente, e se virou para a janela do carro, tamborilando os dedos no joelho cruzado sobre a perna. Bufei inconformado e virei o rosto também, perguntando-me que tipo de sofrimento esse cara passou para se negar dessa forma a se envolver com outros seres.
Mas ele ama o filho dele. Deve ser o único amor que ele se permite sentir. Lembrei-me de sua lápide e de como ele enterrou os seus sentimentos naquele buraco de terra batida e molhada, com cheiro de putrefação, doenças e corpos em decomposição. Ele parecia estar morto.
–Diz uma coisa. – sua voz saiu tranquila.
–O que é? – retruquei e fitei-o. Naruto me olhava com curiosidade. Seu olhar estava tranquilo.
–Vai ter lua-de-mel, certo? – fiz uma cara de “óbvio!”, em resposta e ele riu, finalmente, para mim — Onde vai ser? Alguma praia, a sua casa, outro país?
–Vai ser uma surpresa. – pisquei um olho para ele.
Assim que chegamos à minha mansão, fomos guiados para o local reservado para a festa. Eu encontrei minha mãe toda alegre e, meio milhão de cumprimentos dos convidados depois, ela me disse que eu teria que obrigatoriamente ter uma dança com Naruto ou eu não teria sorte no meu casamento. Não que eu seja supersticioso, mas Naruto gostou da ideia e aceitou dançar comigo se eu quisesse fazê-lo. O problema é que eu não sei dançar, então imaginem como foi que aconteceu a dita dança.
Primeiro uma valsa simples, que eu tentei guiar Naruto, mas pisei em seus pés mais do que no chão, provocando risos frouxos nele e em mim. Do nada, as luzes do gigantescamente grande salão se apagaram e só um holofote acendeu sobre nós. Eu fiquei atarantado, mas fiquei ainda na pose de dança de salão com Naruto. De repente ele mudou as posições de mãos e uma música estranhamente forte começou a tocar. Era poderosa e muito intensa.
–Mas o que diabo... – eu tentei falar, mas quando dei por mim, Naruto já me guiava confiante pela pista destinada a nossa dança. – O que está fazendo?! – sussurrei desesperado, sem acreditar que eu ainda não pisara em seus pés.
–Surpresa, Scarface! – ele falou sorrindo e me empurrou para baixo, quase me deitando sobre sua perna, se ele não estivesse me segurando pela mão e se seu outro braço não estivesse amparando meu corpo por baixo – Tango! – foi o que disse e me ergueu lentamente.
Dançamos assim, intensamente, arrancando gritos e palmas de quem nos assistia, até que num giro ele me “lançou” para a mesa onde deveríamos ficar sentados.
Naruto caminhou ritmadamente até o outro lado e as luzes se apagaram novamente. Lá vem coisa, eu pensei recobrando o meu fôlego. Uma música diferente começou a tocar, com uma batida intensa, porém com um aspecto lento, sou péssimo no quesito música.
As luzes se acenderam e lá estava Naruto, no meio da pista, novamente de botas com salto alto e ainda de terno, olhando para mim com uma sobrancelha arqueada. No seu lado direito estava Tenten e no lado esquerdo estava Suigetsu, porém só Naruto e Tenten estavam de salto alto. Quando chegou a determinado ponto da música, ele começou a dançar, seus olhos sem sair do eixo dos meus, criando uma linha imaginária de conexão entre nós. Mentira que eu estou vendo isso!
Notei os olhares desejosos de Suigetsu para mim, mas eu nem liguei. Não quero mais nada com esse branquelo esquisito. O que importava para mim, naquela noite, eram os olhos dourados de Naruto nos meus e seu sorriso extremamente provocador enquanto rebolava.
Ele dançava para mim, só para mim, com suas caras e bocas sensuais. Apoiei-me na mesa e fitei-o dobrando a minha atenção já dobrada. As cicatrizes em seu rosto ficaram mais escuras, seus olhos mais bem marcados e praticamente feitos de ouro, seu pelo me pareceu mais cheio e seus movimentos mais sinuosos. Pela pouca convivência que tivemos, eu posso chutar que Kyuu-chan está “animado” dançando para mim.
Que se foda o policial, Naruto é o meu dançarino agora e é assim que eu o verei a partir de hoje, como um dançarino profissional, entre tantas outras coisas.
Dançaram até a música acabar e os aplausos terminarem. Naruto veio até mim, com a aparência tranquila e um pouco ofegante, retirou seu paletó, pendurou-o na cadeira e se sentou ao meu lado, arregaçando as mangas da sua camisa até os cotovelos e respirando fundo. Não é que esse cara fica muito bem de salto!
Ele me fitou com ares bobos e deu de ombros. Eu ainda estava impressionado e não sabia exatamente o que pensar sobre sua apresentação. A mão de Naruto ficou sobre a mesa e eu pude, de maneira discreta e gentil, entrelaçar meus dedos nos seus. Percebi suas bochechas corarem ao passo que ele baixava o rosto e tentava esconder um sorriso singelo.
–Um dia eu vou te guiar. – foi o que eu disse, mas saiu tão baixo que eu acho que foi só um pensamento. Sua orelha mais próxima se moveu e ele sorriu de lado, erguendo parcialmente o rosto, como se me dissesse “Vou esperar por isso”. Por baixo da mesa, nossas caudas se enroscaram de modo carinhoso e eu suspirei satisfeito com isso, sentindo-me finalmente completo por dentro, como se meu espírito tivesse por inteiro agora.
A festa começou de verdade, mas Naruto se absteve de qualquer formalidade de cumprimentar os convidados ou receber os parabéns.
Ele nem se importou com o fato do terno ser branco: tocou o Foda-se, correu para a pista de dança, de salto e tudo, e passou praticamente à noite e à madrugada inteira dançando e comendo, se divertindo com alguns de seus amigos que eu não conhecia e outros que eu conhecia, num ato desesperado de esquecer os problemas.
Não me importei com isso e deixei que ele vivesse esse momento feliz em paz, sem que ninguém o incomodasse. Só me preocupei quando eu percebi que Naruto sumira por meia hora, mas surgiu do além atrás de mim, “roubando-me” meu paletó e voltando a dançar como o dançarino incrível que era, ora sensualmente, ora divertidamente, ora de modo a fazer todos enlouquecerem com seus passos enérgicos.
–Meu filho.
Quase caí para trás ao ouvir a voz de meu pai perto de mim. Afinal eu estava quase hipnotizado com a dança desse loiro perfeito, de jeito normal. Nem percebi a aproximação.
–Sim? – ele estirou sua mão e nós trocamos um aperto demorado demais para o meu pai. Ele tinha algo em seu olhar que não era comum ao meu pai, algo diferente. – Que foi?
–Obrigado. – ele disse simplesmente e me esmagou em um intenso abraço. Sua voz estava embargada e ele fungava de vez em quando. Meu pai emocionado? Puta que pariu, eu nunca vi isso antes! – Por arriscar sua vida desse jeito por nós... Eu sei o quanto você odiava a ideia de se casar e perder sua liberdade, mas... – nos fitamos.
Seus olhos brilhavam intensamente, como se o negro fosse o céu e o brilho as estrelas.
–Não precisa disso, pai, eu sou um Uchiha no fim das contas e...
Ele negou.
–Os Uzumakis sempre foram e sempre serão nossos maiores e mais perigosos inimigos. – ele falou gravemente – Eu espero que nada lhe aconteça, meu filho, porque eu jamais iria querer que um Uchiha se casasse com uma raposa traiçoeira. – ele bateu nos meus ombros e suspirou – Parabéns pelo seu casamento e que os deuses sejam gentis com você.
Assenti muito intrigado, mas de certa forma feliz. Parece que Naruto opera milagre. Fora a vez de mamãe vir até mim e nós trocarmos um abraço forte.
–Eu sempre achei que era Itachi aquele que faria grandes coisas pela nossa família por ser o mais velho e mais envolvido com seu pai, mas parece que eu me enganei. – nós rimos e ela me ofereceu um drinque – Eu só desejo, meu bem, que nunca sofra e que seus sentimentos sejam correspondidos à altura de sua entrega.
–Ora mãe... Sem sentimentalismos. – comentei bebendo – Somos Uchihas, não precisa disso e já lhe disse: fiz isso porque eu quis, não tem porque falar desse jeito.
Ela bebeu seu drinque e meneou a cabeça negativamente.
–Sabe o que seu avô Madara sempre lhe disse sobre essa coisa de ser Uchiha. – assenti. Ela se aproximou de mim e sussurrou – Não perca seus sentimentos, meu bem, cuide deles que valerá a pena. Sabe disso, não é? – assenti. – Enfim, que os deuses protejam o seu casamento.
Alarguei meu sorriso e suspirei. Olhei de lado e vi Naruto conversando com algumas pessoas, ao que me parecia recebendo seus votos de agradecimento pelo casamento, tive uma vontade de ir até ele e beijá-lo até Naruto perder o fôlego. Quando meu pé se moveu para isso, senti uma mão em meu ombro e ouvi uma risada fanha.
–Oh merda... – resmunguei e me virei. Suigetsu com um drinque na mão e um sorriso cheio de intenções obscuras no rosto.
–Então casou? – ele iniciou – Quem diria? Eu sempre achei que você...
–Disse algo, Suigetsu? – cortei de uma vez.
Ele se encolheu e olhou para o lado, vendo Naruto vir até nós poderosamente em seus saltos.
–Não vai durar. – ele sentenciou – Ele é uma raposa e raposas são inconstantes, vai te deixar quando você menos esperar, pode ter certeza. – cruzei meus braços e ele se apoiou neles de vez, me mostrando seu olhar de cão pidão – Ouça. Eu sempre estarei aqui para você, saiba disso. Eu sei que Naruto não vai ceder para você, então eu estarei aqui e...
Senti a presença descontraída de Naruto e então ele apareceu sorrindo. Seu olhar analisou a posição em que estávamos e seus olhos se encurtaram, enquanto seu sorriso se alargava e seus braços iam para os ombros de Suigetsu. O que ele vai fazer? Eu pensei que ele ia brigar, discutir, bater, tudo no mundo, mas na verdade Naruto tocou de leve o queixo do albino e o puxou para perto de sua boca. É o que, rapaz? Vai beijar os outros na minha frente?
Agarrei seu colarinho negro e trouxe Naruto para perto de mim num puxão, enroscando-o completamente com a minha cauda e meu braço.
–Viu só? – ele comentou erguendo os braços em rendição – Por mais que eu queira, ele não me deixa em paz. – deu de ombros e girou dentro do círculo que meu braço fazia em torno de si, enlaçou meu pescoço com os braços e deu um suave rebolar. Mordi meu lábio inferior e fitei-o inflar a raiva de Suigetsu com um sorriso provocador e um olhar sugestivo – Acha mesmo que ele vai perder o tempo dele com você quando tem tudo isso?
Agora sim. Acariciei seu traseiro e ele rebolou em minha mão. Nós fitamos Suigetsu e ele entendeu que aquela batalha ele havia perdido. Naruto quando ele se afastou e se soltou de mim num longo suspiro.
–Ei. – ele me fitou – Não precisa da minha permissão se quiser pegar qualquer outro. Não sou possessivo, nem faço caso disso. Pode ficar tranquilo.
Enlacei seus cabelos com uma mão e o puxei para um beijo demorado. Notei necessidade em seus lábios, como se me dissesse que não estaria tudo bem se eu o traísse. Puxei-o para a mesa e sentei-me com Naruto em meu colo, onde trocamos mais alguns beijos. Nos fitamos e eu sorri de lado, acariciando com o polegar as suas cicatrizes.
–Foi você mesmo que disse: eu não vou correr atrás de ninguém se eu tenho tudo isso – apertei suas nádegas e subi as mãos por suas costas, fazendo-o fechar os olhos e engoli em seco com o estímulo – Só para mim. – beijei seu pescoço e suguei a pele dali, sem me importar com as pessoas que nos assistiam de longe – É só você que eu quero. Só você.
Ele saiu do meu colo e desabotoou a gola de sua camisa preta, deixando o chupão bem as vistas das pessoas e saiu desfilando para a pista de novo. Sorri de satisfação. Agora sim.
Só no fim da madrugada, bem perto das seis da manhã, deixamos a mansão para voltar ao hotel onde a cerimônia ocorrera. Naruto e eu fomos para uma suíte presidencial onde ficaríamos hospedados durante o resto da festa, e lá nos preparamos para dormir, mas o cara ainda tinha energia para ficar ouvindo música nos fones de ouvido e dançar completamente sem noção, me provocando tantos risos que eu fiquei sem forças para tomar banho.
Deixei-o dançando e fui tomar meu esperado banho, alguns minutos depois eu saí e ele entrou. Meia hora depois, eu, já vestido e tentando ler o jornal do dia, caí na risada de novo ao ver Naruto saindo do banheiro fazendo os passos de Flashdance, aquele filme que muitos de vocês nunca assistiram, mas eu e ele – que somos velhos – já vimos inúmeras vezes.
Ele veio pisando repetidamente até parar de frente a cama, ligar o som do quarto, que tocou uma das músicas tema do filme e começou a dançar, sorrindo e me fitando. Na televisão apareceu o vídeo da atriz se exercitando e ensaiando ao som da música Maniac, de Michael Sembello e Naruto reproduzia os movimentos com perfeição. Talvez até melhor que a atriz.
Esse cara é uma coisa que eu vou te contar.
–She's a maniac, maniac on the floor!!! And she's dancing like she's never danced before!!! – ele cantava afinando bem a voz, erguendo os braços nos giros e se jogando no chão para imitar as flexões dela — She's a maniac, maniac on the floor!!! – eu me arrastei para a borda da cama para ver melhor aqueles movimentos bem sugestivos, se é que vocês me entendem – And she's dancing like she's never danced before!!!
Esse cara é um maluco.
Ele rodopiava, pulava, jogava as pernas e os braços em todas as direções, e rebolava freneticamente, até que a música acabou e Naruto se jogou em cima da cama em posição de cruz. Eu desliguei os aparelhos e me coloquei sobre ele, sentando sobre suas pernas.
–Cansou, Kyuu-chan, ou ainda tem gás para mais um pouco? – era hora de começar a cumprir o contrato, por mais idiota que isso possa soar e ainda mais vindo de mim. Por mais que eu gostasse disso e ele não, tínhamos que fazer de novo. O pior era a cena do estupro que começou a me assombrar novamente. Os gritos doentios de Naruto reverberavam na minha cabeça como as badaladas de um alto sino.
Eu me curvei para beijar seu pescoço um pouco suado, empurrando lentamente minha mão para dentro de sua camisa, até que encontrei seu mamilo e comecei a girá-lo suavemente com o polegar, mas Naruto não esboçou reação alguma.
–Que tal começarmos a cumprir as exigências do contrato? – sugeri.
Fale com o autor