Amor y Nada Más
9 Capítulo 9
“É o terceiro dia que estou longe dele e é como se algo estivesse fora do meu corpo. Eu pensava nele durante o dia, mesmo que muitas vezes eu me distraísse indo até a casa dos Bracho para visitar vovó Piedade. Mas durante a noite, tudo piora. Ao deitar na cama do hotel, todas as lembranças voltam à tona. O sorriso dele, o brilho dos seus olhos em minha direção, os toques suaves em minha pele, os beijos sempre carinhosos que ele me dava. Como é difícil ficar sem ele. Como é difícil ficar sem todos. Sinto falta das crianças, mas não me atrevo a vê-las. Pelo que Vovó Piedade me contava, estava sendo realmente difícil para os dois acostumarem a ficar sem mim. Eu só espero que consiga esquecer logo, que consiga recomeçar minha vida. Continuo trabalhando na fábrica, e logo conseguirei alugar uma casa para mim, e recomeçar minha vida pela segunda vez. Pelo menos é o que espero.”
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– Então... Está tudo aí? — Perguntou sentando-se próximo ao balcão.
– Está. — Omar respondeu, bebendo um pouco de whisky. — Agora me diga...
– Ela tem ido visitar a velha todas as tardes, quando as crianças não estão, e quando Carlos Daniel está na fábrica.
– Eles não se encontram mais?
– Não. Ele sempre diz que não quer vê-la nunca mais.
– E é bem típico dela aceitar tudo como uma boba. — Omar suspirou. — Ao menos isso... Assim tudo ficará mais fácil.
– Quer que eu continue espionando ela?
– Sim. Não quero me aproximar ainda. Ela ainda está magoada. Mas vou bolar um plano para que ela queira ficar longe daquela família para sempre. E então... Vai aceitar voltar comigo para vivermos nossa vida. — Ele sorriu animado.
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– E como está se sentindo hoje, querida? — Vovó perguntou a Paulina enquanto andavam pelos jardins.
– Ainda estou na mesma, vovó. — Respondeu triste. — Mas espero que consiga ficar melhor com o passar dos dias.
– Você precisa consertar as coisas! Por que não conta a ele tudo o que aconteceu?
– Não é tão fácil assim. Ele não quer me ouvir, sendo assim, não acreditará no que eu disser.
– Mas você não pode deixar por isso. Vocês dois se amam! Precisam ficar juntos!
– O destino não está ao nosso favor, Vovó Piedade.
– Bobagem! É claro que está! Mas ele não pode fazer o trabalho todo por vocês! Precisam ajudar um ao outro.
– O que ela está fazendo aqui? — Estephanie se aproximou, brava.
– Eu a convidei. — Disse vovó Piedade.
– Não se cansa de nos magoar? Ainda está tentando fazer isso com minha avó?
– Eu não quero causar problemas, Estephanie. Mas se a Vovó Piedade me chamou eu não negarei o pedido dela.
– Não basta você continuar na fábrica?
– Só fiz isso porque a vovó me pediu!
– Você é mesmo uma fingida, uma va...
– Basta! — Vovó exclamou em alto tom. — Estephanie, não irei tolerar que fale com Paulina nesse tom.
– E o que quer que eu faça, vovó? Depois de tudo o que ela fez?
– Ela tem uma ótima explicação para isso! — Adeline disse se entrometendo.
– Ah é mesmo? Bom, eu estou ansiosa para ouvir. — Respondeu sarcástica sentando-se.
Paulina não queria mais voltar naquele assunto, ainda mais depois de ter sido mal tratada por Estephanie, mas achou melhor dizer toda a verdade, antes que as coisas piorassem. Contou detalhe por detalhe de toda a sua vida e do porque de ter escondido tudo deles. Estephanie mudou sua feição ao chegar no meio da história, e uma ponta de arrependimento bateu. Paulina não pôde evitar de chorar enquanto contava a história, já que ainda lembrava de tudo como se fosse recente.
Ao terminar a história, todos ficaram em silêncio. Ninguém se atreveu a dizer nada por longos segundos, até que Estephanie suspirou e olhou para ela.
– Você passou por tudo isso sem nos contar nada?
– Eu não queria lembrar. Eu não queria permanecer no passado. — Paulina respondeu enxugando as lágrimas.
– Mas... Se tivesse contado, teríamos feito alguma coisa. Meu irmão não deixaria essa história por isso mesmo e então...
– É exatamente por isso que não quis contar. Principalmente depois que Carlos Daniel e eu... noivamos. — Ela suspirou triste. — Eu sabia que ele ficaria bravo e faria as coisas de cabeça quente, e se ele fosse atrás de Omar, poderia ser perigoso. Eu não sei do que ele é capaz, mas não gostaria de saber.
– E onde ele está agora?
– Eu não sei. Acho que finalmente me deixou em paz. Talvez ele precisasse entender que eu não o amava mais. Antes eu não tinha coragem de dizer isso, mas quando disse ele me deixou em paz.
– Ele pode ser perigoso.
– Acho que já deve ter voltado para casa.
– Então... Quer dizer que você e Carlos Daniel...
– Não. Por favor. Vocês não podem dizer absolutamente nada para ele.
– Mas por que? — Vovó se manifestou. — Agora vocês podem ser felizes, e se ele souber da história completa...
– Exatamente, vovó. Ele não quer saber da história completa. Não quis antes, e não vai querer agora. Eu entendo que ele tenha ficado bravo e magoado, mas ele nem ao menos quis me ouvir. E agora eu que não quero contar para ele. Vamos deixar por isso mesmo.
– Mas Paulina..
– Por favor, Estephanie. Tudo que eu precisava era da confiança de vocês, e agora que contei a história, acho que posso tê-la de novo.
– É claro que pode! — Vovó sorriu. — Você nunca perdeu a minha.
As três olharam para Estephanie.
– Sinto muito pelas coisas que eu disse.
– Tudo bem, Estephanie. — Paulina sorriu. — Você estava apenas protegendo sua família. Não te culpo por isso.
– Mas o que você vai fazer agora?
– Bem... Vou recomeçar. Vovó me deu a oportunidade de continuar na fábrica, e agora eu juntarei uma quantia para conseguir alugar um apartamento. Preciso recomeçar minha vida aqui, não posso voltar para aquela cidade. Omar pode ter me deixado em paz, mas ele é muito insistente.
As três suspiraram tristes e ficaram em silêncio. Agora que todas sabiam da verdade, queriam poder fazer alguma coisa para que Paulina e Carlos Daniel voltassem a ser um casal, mas não poderiam fazer isso contra a vontade de Paulina, e pelo visto, ela estava pronta para recomeçar.
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Carlos Daniel fechou a porta de casa e então deu de cara com Leda. Ele suspirou impaciente e então forçou um sorriso.
– Boa noite, Leda.
– Olá. — Sorriu se aproximando. — Oh, você parece tão tenso...
– Estou tendo alguns problemas com funcionários na fábrica.
– Isso é péssimo! — Ela tocou seus ombros, massageando-os. — Desde que aquela mulher colocou os pés na fábrica, ela não tem sido a mesma.
– Tem razão. — Carlos Daniel disse tirando as mãos de Leda de seus ombros. — A fábrica melhorou, e muito.
– Não acredito, está defendendo ela?
– Posso ter me enganado com Paulina, mas concordo que ela mudou nossas vidas para melhor, apesar de tudo.
– Essa mulher é uma mentirosa, Carlos Daniel. Poderia ter feito coisas horríveis com todos vocês e com... — Ela suspirou enxugando falsas lágrimas que nem se quer rolavam em seu rosto. — … as crianças. Não suportaria ver algo de ruim acontecendo a elas ou a algum de vocês.
– O que deu em você, Leda?
– Estou preocupada com sua família Carlos Daniel, que também é minha família.
– Você nunca se preocupou com nenhum de nós.
– Isso não é verdade! Eu me importo, e muito! Tanto que... Estou me aproximando mais das crianças. Depois de toda essa tragédia quero que elas sintam que tem alguém ao lado delas.
– Papai, papai! — Lizete correu para os braços de seu pai e o abraçou.
– Como está, meu amor?
– Muito bem papai. Tia Leda me deu uma fantasia nova, de princesa, como eu queria!
– É mesmo?
– Sim! E também deu patins novos para o Carlinhos. Ele está lá fora andando.
Carlos Daniel olhou para Leda e ela sorriu.
– Certo... Vá se arrumar para o jantar e chame seu irmão. — Ele a colocou no chão e os dois ficaram a sós. — Obrigado... Por... Estar ajudando os dois a superar isso. Foi muito difícil para eles quando Paulina foi embora.
– Sei que não foi difícil só para eles... — Ela se aproximou novamente segurando suas mãos. — Sei que está sendo difícil pra você também.
– Eu estava prestes a me casar com uma mentirosa. Eu... Eu a amava.
– Amava?
– Sim. Amava. Não a amo mais. — Mentiu.
– Ótimo, e é assim que tem que ser. Toque sua vida para frente e... Ache alguém que seja uma ótima mãe para seus filhos...
Carlos Daniel suspirou e sorriu para ela.
– Vou me arrumar para o jantar, ficará conosco?
– Com certeza.
– Com licença.
Olhando para ele subindo as escadas, Leda abriu um sorriso e cruzou os braços.
– Você será meu, Carlos Daniel... Você será meu.
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O jantar foi triste e sem muitos assuntos. Apenas Carlinhos e Lizete falavam sobre os presentes que ganharam de Leda, mas ninguém na casa estava interessado, exceto Carlos Daniel. Vovó Piedade e Estephanie ficaram em silêncio, tentando ignorar a presença indesejada de Leda durante o jantar.
Quando todos terminaram o jantar e Leda foi embora, Carlos Daniel levou as crianças para seus respectivos quartos, e quando seguia o corredor indo para seu quarto, Vovó Piedade parou em sua frente de braços cruzados.
– Pensei que já estivesse dormindo, vovó.
– Estou sem sono.
– Quer alguma coisa?
– Sim. Quero uma explicação.
– Não entendo...
– Por que está se aproximando de Leda? Você nunca gostou dela.
Carlos Daniel suspirou e colocou as mãos nos bolsos.
– Ela tem se mostrado bastante compreensiva, e está ajudando as crianças a superar.
– E você acreditou nisso?
– Vovó, até quando a Senhora vai defender Paulina?
– Até você colocar nessa sua cabeça que vocês dois têm que ficar juntos!
– Eu não voltarei com ela. Nunca!
– Não vá me dizer que o amor imenso que sentia por ela sumiu em apenas uma semana?
Ele ficou em silêncio.
– Eu já sabia disso... — Ela sorriu triste. — Uma pena que não posso fazê-lo entender que Paulina é a pessoa certa para você. Só espero que você veja isso antes que seja tarde demais.
Dizendo isso, ela entrou em seu quarto e fechou a porta.
“Tarde demais? O que ela quis dizer com isso? Será que Paulina está pensando em voltar para sua cidade? Ou pior... Pensando em voltar para... Aquele homem? Mas isso não importa. Eu e Paulina não podemos mais ficar juntos. Essa mágoa que sinto dela nunca irá se curar... Mesmo que eu a ame mais do que minha própria vida.”
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No dia seguinte a fábrica estava um caos. Os funcionários não estavam satisfeitos com o que recebiam, e Carlos Daniel não conseguia controlar a situação. Estava ficando cada vez mais difícil, até que Rodrigo sugeriu que pedissem ajuda à Paulina.
– Não. Isso é impossível. — Carlos Daniel andava de um lado para o outro. — Ela continua trabalhando aqui porque Vovó exigiu isso, mas ela não pode continuar sabendo dos problemas da fábrica.
– Não podemos deixá-la trabalhando na recepção para sempre, meu irmão. Nós dois sabemos o talento que ela tem, e só ela pode nos ajudar. Não pode deixar seus problemas pessoais atrapalharem a fábrica.
– Está bem... Mas não me obrigue a tratá-la bem, isso é uma coisa que eu não posso fazer.
Rodrigo concordou com o pedido de Carlos Daniel, e então pediu para Verônica, a secretária, chamar Paulina até a sala de Carlos Daniel. Os dois temiam qual seria sua reação ao vê-la, já que mesmo trabalhando na recepção, Carlos Daniel quase não a via, ou não fazia questão de ver.
– Mandaram me chamar? — Ela abriu a porta olhando para os dois. Carlos Daniel estava de costas para a porta, escorado em sua mesa. Passou os longos minutos querendo saber qual seria sua reação ao conversar com ela novamente, mas só quando ouviu sua voz suave e gentil fazendo suas pernas tremerem, que ele percebeu que não a tinha esquecido completamente.
– Sim, Paulina, obrigado por ter vindo. Eu e Carlos Daniel precisamos da sua ajuda.
– Tem certeza? — Ela olhou para Carlos Daniel. — Bem... Não costumo ser recebida de costas quando precisam de minha ajuda.
– Carlos Daniel, por favor... Está parecendo uma criança. — Rodrigo chamou sua atenção. Carlos Daniel se virou e encarou Paulina. Mesmo com sua feição de fúria, dava para perceber o brilho nos seus olhos ao olhá-la.
“Meu Deus! Eu não estava preparada para isso. Durante toda a semana eu evitei em vê-lo, mesmo trabalhando no mesmo ambiente que ele. Temia o que eu sentiria ao vê-lo depois de tudo, e tudo o que eu sinto é vontade de abraçá-lo e pedir perdão por tudo o que eu fiz. Dizer que ainda o amo, e que não conseguia parar de pensar nele. Mas vendo o olhar de ódio que ele me lança, tenho certeza de que ele nunca mais irá querer alguma coisa comigo.”
– Qual é o problema, Rodrigo?
– Nós queremos que você nos ajude com os funcionários.
– Eu ouvi boatos de que não estão satisfeitos com o que estão recebendo.
– Sim, mas já aumentamos o salário deles no ano passado! Não podemos ficar todos os anos aumentando salários.
– Acho que isso não será necessário, tenho uma solução, se concordarem comigo.
– E qual é?
– Em vez de aumentarem o salário deles, podem oferecer cestas básicas todos os meses para a família.
– Mas que ideia maravilhosa!
– E como pretende fazer isso? — Pela primeira vez Carlos Daniel dirigiu a palavra a ela.
– Podemos deixar algumas pessoas encarregadas de fazer isso. Alguns supermercados aceitam pedidos de cestas básicas, e então em vez de aumentar o salário, seria mais prático pagar ao supermercado as cestas.
– Que ideia brilhante, Paulina!
Carlos Daniel ficou em silêncio enquanto seu irmão bajulava Paulina. Ele queria parabenizá-la também e dizer que era uma ideia maravilhosa, mas seu rancor e seu orgulho eram maiores do que a vontade quase incontrolável de se aproximar dela.
– Ótimo. Resolveremos isso amanhã. É só isso, obrigado. — Disse friamente.
– Obrigado, Paulina!
– Não há de que, Rodrigo. Agora com licença, preciso voltar à recepção.
– Eu te acompanho.
Depois que ela saiu da sala, seu perfume continuou impregnado em todos os lugares. Carlos Daniel fechou os olhos sentindo o cheiro dela, e sentiu seu coração disparar. Sentia falta de abraçá-la, de dizer o quanto a amava. Sentia falta de tudo.
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– Eu sabia que ela resolveria tudo! — Vovó Piedade exclamou animada enquanto estavam reunidos na sala de estar. — Ela é um anjo, está sempre nos ajudando em tudo. Não acha, Carlos Daniel?
Ele apenas olhou para vovó e suspirou. Leda segurou sua mão e então olhou para Vovó.
– Carlos Daniel está deixando o passado de lado, Vovó. Temos que respeitar isso.
– Estou vendo como ele está deixando no passado. — Ela o olhou. — Mas meu neto sabe o que é melhor para ele.
– E com certeza não é você, querida prima. — Estephanie disse.
– Veremos, priminha.
– Crianças, vamos para a cama. Já estou cansado desse tipo de conversa. — Exclamou irritado, pegando Lizete no colo.
Depois de colocá-la na cama, ele acompanhou Carlinhos. Assim que ele deitou, Carlos Daniel o cobriu e o abraçou.
– Boa noite, filho.
– Boa noite papai.
Carlos Daniel se ergueu e seguia para a porta.
– Papai.
– Sim?
– Quando Paulina vai nos visitar?
Ele respirou fundo e então se aproximou da cama do filho.
– Bem... Estamos passando por uma situação complicada, Carlinhos. Você ainda é muito novo para entender, mas Paulina não voltará mais para casa.
– Nunca mais?
– Por um bom tempo.
– Mas eu sinto falta dela, papai. Eu gosto dela como gostava da minha mamãe. Não me importo se vocês dois não vão mais se casar, eu só não quero perder ela como perdi minha mamãe.
O coração de Carlos Daniel doeu ao ouvir aquilo. Ele não queria ver os filhos sofrendo, mas ele não poderia fazer nada, principalmente porque ele mesmo estava sofrendo.
– Amanhã conversamos melhor sobre isso, está bem?
– Está bem, papai.
– Boa noite.
– Boa noite.
“Isso partiu o meu coração. O sofrimento não é só meu, mas dos meus filhos também. Eu não posso permitir que Paulina volte para nossa casa, mas também não posso deixar meus filhos sofrendo desse jeito. Eu preciso resolver essa situação.”
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Carlos Daniel passou a noite inteira acordado querendo resolver aquela situação, e finalmente chegou a um resultado. No dia seguinte pela manhã quando chegou à fábrica, pediu para Verônica chamar Paulina até sua sala. Ele tentava pensar no melhor jeito de conversar com ela, sem querer demonstrar que ainda pensava nela todos os dias e que ainda a amava muito.
– Mandou me chamar, Senhor Bracho? — Perguntou entrando em sua sala.
– Por favor, não precisa dessas formalidades. — Disse friamente.
– Prefiro tratar você com o respeito que todos os funcionários tratam.
– Você não é... Apenas uma funcionária.
– Mas é claro que sou.
– Está bem, faça como quiser. — Ele andou pela sala sem olhar para ela. — Te chamei aqui porque Carlinhos sente sua falta.
Ela ficou em silêncio.
– E você sabe que não permito que meus filhos sofram, principalmente por sua causa.
Paulina ignorou a facada que tinha acabado de levar em seu peito, e continuou em silêncio.
– Continuo com a minha palavra de que não quero vê-la mais em minha casa, apesar de não poder ir contra a vontade de minha avó que você a visite todas as tardes. Não pense que eu não sabia disso... — Disse antes que ela o questionasse. — Então, já que você está trabalhando na fábrica e não tem as tardes livres, pensei que talvez fosse possível que você passasse a manhã com eles até irem para a escola. Seria tempo suficiente para que Carlinhos não sentisse sua falta.
– Desculpe, não estou entendendo. Você disse que não me queria perto das crianças....
– Sim, e ainda não quero. Mas é para o bem deles.
– Senhor Bracho...– Ressaltou aquelas palavras. — Eu sinto muito pelas crianças. Sinto tanta falta delas quanto elas sentem a minha, mas não quero ir contra as suas palavras. O Senhor deixou claro que não me queria perto deles.
– Sim, mas agora estou retirando o que eu disse.
– As palavras não podem ser retiradas assim. — Disse com os olhos cheios de lágrimas. — Elas machucam, e depois que são ditas, não podem ser curadas. Desculpe, mas vou negar o seu pedido. Não sou mais babá dos seus filhos, e não quero que eles sofram ainda mais com tudo isso. Eu não poderia me explicar para eles, e o Senhor também não pode. Elas ficariam frustradas com tudo, e poderiam ficar pior. Não quero isso para elas. Quanto mais se acostumarem a ficar sem mim, melhor para elas.
– Mas...
– Essa é minha palavra final, Senhor. Agora com licença, preciso voltar para o meu serviço. — Disse saindo da sala.
Carlos Daniel ficou transtornado com tudo aquilo, e bateu em sua mesa descontando a raiva. Não imaginava que Paulina estava tão certa em ficar longe deles, mesmo depois de tudo o que ele disse. Ele sabia que tinha sido cruel e rude, mas estava tomado pela raiva. E agora as consequências de suas palavras estavam matando-o por dentro. Ele estava fazendo aquilo pelas crianças, mas depois de vê-la tratando ele como se fosse uma simples funcionária da fábrica, ele não sabia mais se ainda sentia raiva dela, ou se sentia saudades. Ele queria ter ela de volta para ele, mas não poderia.
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