Amor y Nada Más
10 Capítulo 10
“As semanas estão se arrastando. Meus dias não tinham mais tanta alegria exceto as poucas horas em que visitava vovó e Estephanie. Estar ao lado delas me fazia lembrar de quando eu morava na casa dos Bracho e achava que seria feliz, sem nada nem ninguém para atrapalhar. Eu continuava trabalhando de recepcionista na fábrica, e isso estava me ajudando a juntar dinheiro para que conseguisse alugar meu apartamento. Não poderia continuar morando em um hotel para sempre, e precisava recomeçar minha vida. Por sorte, eu conheci pessoas que me ajudavam bastante, como Verônica, a secretária, Janaína, que trabalhava ao meu lado, e José Augusto, o contador da fábrica, que estava sempre sendo tão gentil e simpático comigo. Isso sem contar com os outros funcionários, que sempre eram tão legais comigo. Aos poucos eu estava percebendo que eu estava rodeada de pessoas maravilhosas e que queriam o meu bem, não poderia ficar presa às tristezas que haviam acontecido. E eu estava disposta a esquecer Carlos Daniel e todo o amor que eu sentia por ele. A partir de agora, ele não será nada para mim além de meu chefe.”
– Paulina, está estonteante hoje! — José Augusto se aproximou, beijando sua mão.
Ele era um homem elegante, e também muito bonito. Os olhos claros refletiam um certo brilho em todos que ele olhava, mas principalmente quando olhava para Paulina. Ele a tratava muito bem, e desde que ela começou a frequentar a fábrica, ele sentiu algo por ela. No início não se aproximou, por respeito a Carlos Daniel, já que estavam noivos. Mas agora que “misteriosamente” eles haviam terminado o noivado, ele se aproximava aos poucos, esperando que um dia ela o olhasse do mesmo jeito que olhava para Carlos Daniel no passado.
– Obrigada José Augusto. — Ela sorriu.
– Sabe Paulina... Eu estive pensando... Você e o Senhor Carlos Daniel estão mesmo separados, não é?
– José Augusto... Eu já lhe disse que não gosto de tocar nesse assunto... — Respondeu triste.
– Não! Me desculpe Paulina! Não era a minha intenção deixá-la triste... Eu só quero saber para que... Bem... Eu pudesse te perguntar uma coisa.
– O que é?
– Se aceita jantar comigo essa noite.
Paulina pensou em recusar o pedido de José Augusto, afinal, tinha apenas um mês que ela e Carlos Daniel haviam terminado o noivado, as pessoas poderiam pensar mal dela, e principalmente Carlos Daniel. Mas ela estava disposta a recomeçar sua vida, e mesmo que seu coração ainda pertencesse a Carlos Daniel, ela queria que ele fosse preenchido por outra pessoa que o merecesse, e Jose Augusto parecia o homem certo para isso.
– Sim, eu aceito jantar com você!
– Mesmo? — Perguntou com os olhos azuis cintilantes brilhando.
– Sim! — Respondeu animada.
– Ah mas que... Ótimo! — Ele beijou sua mão, animado. — As sete está bom?
– Está ótimo.
– Que maravilha! Vou ligar agora mesmo para o restaurante e fazer reservas. Irei te buscar às sete em ponto então!
– Perfeito!
Despedindo com outro beijo em sua mão, ele saiu praticamente pulando de felicidade. Paulina riu olhando para ele, e então Janaína se aproximou dela.
– Eu ouvi isso mesmo? Você terá um encontro com o bonitão do José Augusto? — Perguntou animada.
– Sim... Mas não fique tão animada, Janaína, é apenas um encontro para nos conhecermos melhor. E ninguém mais pode saber disso, está bem? Não seria bem eu ter um encontro logo depois de Carlos Daniel e eu termos terminado.
– Olha amiga, me desculpe dizer isso, mas você está certíssima em sair com ele. Ele é tão gentil, atencioso, carinhoso e além de tudo é um gatíssimo! Mesmo que você não queira nos dizer exatamente o que aconteceu para que você e o Senhor Carlos Daniel tenham terminado, eu sei que ele está errado em ter deixado você partir! E é muito bem-feito que ele aprenda que perdeu uma grande mulher!
Paulina riu da amiga e então as duas voltaram para o trabalho. Ela sabia que Janaína tinha razão. Não poderia se prender para sempre, e merecia ser feliz com alguém. Carlos Daniel agora era um triste passado para ela, e ela estava pronta para o presente.
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– Ah, finalmente terminei tudo isso! — Rodrigo colocou os papéis em cima da mesa do irmão. — Pensei que ficaria preso a noite inteira nesse trabalho, mas por sorte terminei. Patrícia vai ficar feliz em saber que nosso jantar ainda está de pé.
– Vão sair para jantar?
– Não. Ela disse que faria um jantar para nós a quase um mês, mas eu sempre ficava preso aqui.
– Então aproveite sua noite, irmão. — Carlos Daniel exclamou animado.
– E você? Vai passar outra sexta em casa?
– Eu tenho filhos para cuidar..
– Sei! Não me engana, Carlos Daniel. Isso não era um problema para você.
– Sim, mas agora sou um pai responsável.
– Estou feliz por você ter mudado e amadurecido, mas acho que depois de tudo você merece uma sexta a noite. Chame alguém para sair, para jantar...
– Acho que não.
– Por Deus, meu irmão! Você não pode ficar nessa depressão para sempre! Já que não quer se resolver com Paulina, então viva a sua vida! Conheça pessoas novas, saia bastante, seja feliz irmão!
Carlos Daniel apenas riu da empolgação de Rodrigo, e então os dois deixaram a fábrica juntos. Carlos Daniel pensou durante todo o caminho até sua casa em quem ele poderia chamar para um jantar. Ele não tinha mais contato com as mulheres que costumava ter antes, e também não queria se envolver com qualquer pessoa. Depois de Paulina, seria difícil encontrar alguém que ele amasse tanto e que fizesse tão bem para sua família, e isso era o principal. Ele tinha que achar alguém que fosse como uma segunda mãe para seus filhos, como Paulina era.
Ele entrou em casa e ouviu o barulho de gargalhadas vindas da sala. Quando se aproximou, Leda estava brincando com Lizete e Carlinhos no sofá. Em todos os anos, ele nunca havia presenciado uma cena como aquela. Leda nunca fez questão de se aproximar de seus filhos, e principalmente de brincar com eles. Ela não era o tipo de mulher que gostava de brincar com crianças.
– Papai! Você chegou! — Lizete correu para abraçá-lo.
– Estão se divertindo? — Perguntou pegando ela no colo.
– Sim! Tia Leda está brincando com a gente.
– Que bom!
– Crianças... Vamos jantar. — Adeline apareceu, olhando torto para Leda.
Lizete e Carlinhos seguiram para a sala de jantar junto com Adeline, e Carlos Daniel ficou alguns segundos olhando para Leda. Ela passou por ele e então ele segurou seu braço carinhosamente.
– Desde quando você gosta dos meus filhos?
– Carlos Daniel, já disse que sempre me preocupei com eles. Fiquei muito tempo fora, e minha viagem foi ótima para me fazer perceber o quanto gosto dessa família. As crianças são maravilhosas... Estamos tão próximas...
– Sim... Você parece bem mudada.
– Eu disse. — Ela sorriu. — Agora vamos, não vamos nos atrasar para o jantar.
– Espere. — Ele continuou segurando seu braço. — Você não... Prefere jantar em outro lugar?
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“Espero que eu esteja fazendo a coisa certa. José Augusto é um homem maravilhoso, e tenho certeza de que ele faria o possível para me fazer feliz. Mesmo que meu coração ainda pertença a Carlos Daniel, eu estou disposta a esquecê-lo completamente. E dessa vez farei o que é certo. Se nós dois dermos realmente certo, antes de mais nada contarei toda a verdade para ele, e então não teremos nenhum problema com isso. Não mais.”
Paulina desceu para se encontrar com José Augusto, e então seguiu em direção ao carro. Ele a cumprimentou com um beijo no rosto, e ela percebeu que estavam começando a dar um passo a diante.
– Está belíssima Paulina! — Exclamou olhando para ela.
– Obrigada! Você também está muito bem.
– Não estou acostumado a usar terno, mas... Nessa situação... Você merece o melhor. — Ela abriu a porta para que ela entrasse.
Assim que ele entrou no carro e deu partida, Paulina suspirou.
– Qual é o problema?
– Eu estou um pouco nervosa. Ha muito tempo não tenho um encontro e... — Ela parou de falar. — Oh, me desculpe... Não deveria falar sobre esse assunto e...
– Paulina, por favor, fale o que quiser. — Ele sorriu. — Sei que você não conta a ninguém na fábrica o motivo de vocês dois terem rompido o noivado, mas sei que vocês tiveram seus motivos, seja quem for que terminou. Mas se me permite dizer... O Senhor Carlos Daniel foi um grande tolo em ter perdido uma mulher como você.
Paulina sorriu envergonhada e aliviou um pouco sua tensão. José Augusto era realmente o cara certo para que ela recomeçasse.
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– Aqui está, Senhor. Sua mesa. — O garçom apontou para uma mesa ao centro do restaurante.
– Obrigado. — Carlos Daniel puxou a cadeira para que Leda sentasse, e logo depois se sentou.
– Então, vai me dizer o que te deu para finalmente me chamar para um jantar?
– Nada de mais... Apenas percebi que não posso me prender para sempre.
– E está certíssimo. Precisa viver a sua vida. Afinal, um homem tão bonito como você não pode ficar sozinho. — Ela acariciou o mão dele, e Carlos Daniel pela primeira vez não a tirou. Apenas sorriu para ela.
– Então, o que vamos pedir?
Leda pegou o cardápio e começou a escolher. Carlos Daniel esperava até que ela se resolvesse, e então olhou ao redor. Seus olhos pararam na entrada, ao ver um casal conhecido entrando no restaurante.
– Não... Não pode ser!
– O que foi? — Leda perguntou.
– Nada. — Ele desviou o olhar. — Pensei ter visto alguém.
Leda o ignorou e continuou olhando o cardápio. Carlos Daniel olhou para os dois sentarem em uma mesa não muito longe deles, e não conseguia acreditar no que seus olhos estavam vendo.
“Paulina está tendo um encontro com José Augusto? Como ela pôde? Como ela... Espera. O que estou dizendo? Eu mesmo estou tendo um encontro. Talvez ela tenha pensado o mesmo que eu. Talvez queira tocar sua vida em frente e finalmente esquecer tudo o que tivemos juntos. Mas... Não é isso que eu quero. Não quero que ela se envolva com outra pessoa. Não posso permitir que a mulher que eu amo se envolva com outro homem.”
– Carlos Daniel, você está bem?
– Hum? Ah... Sim. Estou ótimo! — Ele bebeu um longo gole de vinho assim que o garçom os serviu.
– Tem algo errado?
– Não. Estou ótimo. E então, escolheu?
– Ah sim, vou querer a salada e o frango grelhado, sem muita gordura.
– E o senhor? — O garçom perguntou.
– O mesmo. — Carlos Daniel respondeu virando outra taça de vinho de uma vez. Não conseguia desviar os olhos de Paulina e José Augusto.
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– Adeline, posso dormir com o Carlinhos hoje? — Lizete perguntou.
– Mas por que, Lizete?
– Estou com medo de dormir sozinha. Tia Leda contou histórias de terror para a gente.
– O que? Ela fez isso?
– Sim! Culpa desse cabeça dura que pediu!
– Eu não sou cabeça dura!
– É sim!
– Não sou!
– É sim!
– Está bem... Mas só por essa noite, está bem?
– Oba! — Lizete pulou na cama de Carlinhos.
– Boa noite, durmam bem.
– Boa noite Adeline. — Disseram juntos.
Adeline fechou a porta do quarto e deixou a luz acesa.
– Você acha que o papai vai demorar muito? — Lizete perguntou.
– Acho que sim. A bisa disse que ele foi jantar fora.
– E com quem?
– Isso eu não sei, mas tomara que seja com a Paulina.
– Não seja tonto, Carlinhos. A bisa já disse que o papai e a Paulina tiveram uma briga e que não vão mais ficar juntos.
– Mas eu não acredito nisso. Eles vão voltar, e Paulina vai ser nossa mamãe.
– Tia Leda disse que ela nunca mais vai voltar.
– Isso é mentira!
– Mas ela disse!
– Não! Paulina não vai abandonar a gente! — Ele gritou.
– O que está acontecendo aqui? — Adeline entrou no quarto.
– Lizete disse que a Paulina nunca mais vai voltar. É verdade Adeline?
– Bem... Eu... Eu não sei.
– Ela não pode abandonar a gente, Adeline! Eu não quero perder outra mamãe!
– Shhh, Carlinhos. Está tudo bem... — Adeline acariciou seu cabelo. — Amanhã seu pai conversa direitinho com vocês sobre isso. Agora vão dormir, se não vou colocar os dois em quartos separados.
Os dois ficaram em silêncio e Adeline fechou a porta do quarto. Vovó Piedade estava parada no corredor e olhou preocupada para ela.
– O que vamos dizer a eles?
– A verdade, Adeline. Eles são crianças mas não merecem mentiras.
– Não gosto que a dona Leda fique perto deles. Ela não sabe cuidar de crianças!
– Concordo... Mas é uma pena que meu neto não perceba o mesmo.
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– E então, Paulina.. Sempre me perguntei porque você virou recepcionista da fábrica. Quero dizer... Você é uma mulher inteligente. Poderia subir de cargo.
– Bem... a Vovó... Quero dizer... A Dona Piedade me fez um grande favor permitindo que eu trabalhasse na fábrica até conseguir acertar minha vida. Eu na verdade era babá dos filhos de Carlos Daniel e... Bem... Talvez já imagine o resto.
– Claro. Vocês se apaixonaram e deixou de ser babá das crianças...
– Lizete e Carlinhos são duas crianças maravilhosas! Eu os amo! São como filhos para mim... Mesmo depois de tudo..
– E você não os vê?
– É complicado. Eu e Carlos Daniel terminamos o noivado de um jeito não muito bom.
– Por isso não conversam mais...
– Sim.
– Bem, se me permite dizer todos na fábrica ficamos um pouco assustados quando soubemos da notícia. As fofocas se espalham por lá, principalmente por Janaína.
Paulina riu.
– Oh, me perdoe... Não quis dizer mal dela... É que... Bem...
– Eu entendo...
– Enfim... Vocês dois eram sempre tão juntos, tão unidos, todos diziam que foram feitos um para o outro e de repente... Ah, Paulina, me desculpe por dizer essas coisas...
– Não se preocupe. Eu já superei tudo.
– Mesmo?
– Sim. — Mentiu.
– Então acho que posso dizer que... Desde que te vi pela primeira vez, soube que você era uma mulher encantadora. Bonita, gentil, inteligente... Resumindo, uma mulher maravilhosa.
– Obrigada, José Augusto. — Ela corou.
– Não fique envergonhada, apenas estou dizendo a verdade. E Paulina... — Ele segurou sua mão. — Mesmo que tudo seja recente, e mesmo que você não queira dizer a ninguém o motivo do término do noivado, eu quero que saiba que posso ajudá-la a recomeçar sua vida. Eu prometo respeitar o seu tempo, e respeitar suas vontades, mas... O que quero dizer é que... Eu gosto de você, Paulina, e quero que seja feliz do jeito que merece ser, e eu farei o possível para que isso aconteça.
Paulina não sabia o que responder. Estava feliz por José Augusto ser um homem tão bom e gentil, mas também estava com medo. Estava preparada para esquecer Carlos Daniel, mas isso estava sendo mais difícil do que pensava.
– Eu... Eu preciso ir ao toalete. — Ela se levantou rapidamente. — Com licença. — Ela sorriu e se retirou o mais rápido possível. Precisava de um tempo para digerir tudo aquilo. No banheiro, ela se olhou no espelho e suspirou.
“Meu Deus! Não posso continuar pensando em Carlos Daniel. José Augusto não merece isso, e eu também não. Contarei toda a verdade para ele e o motivo do término do meu noivado. Carlos Daniel é passado, e eu preciso esquecê-lo, de uma vez por todas.”
Paulina saiu do banheiro mas parou ao ver uma pessoa conhecida sentada sozinha à mesa. Era Leda. Paulina achou uma coincidência ela estar no mesmo restaurante que ela, mas imaginou que estaria em um encontro com um homem bastante rico que fosse tolo o suficiente para ser enganado por ela. Antes que Paulina voltasse à mesa, sentiu alguém puxá-la pelo braço, e estava pronta para gritar quando olhou para Carlos Daniel.
– O que está fazendo aqui? — Ela perguntou assustada.
– Te pergunto o mesmo. — Respondeu nervoso. — Está em um encontro.
– Eu... Bem... Sim! — Respondeu firme.
– Por que?
– Como assim, “por que”?
– Quero saber porque está em um encontro com um funcionário da fábrica.
– Não quero ser rude mas isso não é da sua conta. Não lhe devo satisfações. Inclusive eu... — Ela parou de falar e ergueu as sobrancelhas para ele. — Está aqui com a Leda?
Carlos Daniel não respondeu.
– Ah! É claro! — Ela sorriu sarcástica. — Obviamente ela seria a primeira a ir atrás de você depois de tudo, e claro que você aceitou!
– Não mude de assunto!
– Eu estou em um encontro sim! E quer saber por que? Porque não amo mais você, Carlos Daniel! E estou continuando a minha vida!
– Não pode ser verdade...
– Mas é verdade! José Augusto é um homem encantador, e eu estava pronta para dizer toda a verdade para ele.
– Ah, então quer dizer que para ele você diz a verdade, e comigo você escondeu tudo durante um ano?
– Não é bem assim, e você sabe!
– Claro que sei! Você não me amava suficiente para dizer toda a verdade.
Paulina respirou fundo e seus olhos se encheram de lágrimas.
– Não que eu lhe deva qualquer tipo de satisfação, mas você está errado. Eu te amei sim, e muito, mais do que a mim mesma. E foi exatamente por isso que escondi tudo de você. Eu pensei muitas vezes em te contar toda a verdade, mas não tive coragem. E não por não te amar, e sim por ter medo de te perder.
Carlos Daniel olhou nos olhos dela e viu as lágrimas rolarem em seu rosto. Ele queria abraçá-la e ampará-la, mas o ciúme estava tomando conta de todo o seu corpo.
– Sabe o que me intriga? Seu marido sabe que você está em um encontro? — Alfinetou-a.
– Omar não é meu marido! Não mais.
– Então se divorciaram.
– Quer saber, Carlos Daniel?! Você não quis minhas explicações antes, e não vai ser agora que você terá. Agora se me dá licença, José Augusto está me esperando, e sua companhia também está.
Ela se virou para voltar à mesa e ele a segurou.
– O que foi?
– Quero que olhe nos meus olhos e diga que não me ama mais.
– Eu não vou fazer isso, Carlos Daniel.
– Então não acreditarei em uma palavra que me disse.
Paulina respirou fundo e enxugou as lágrimas. Olhou nos olhos dele e abriu a boca para dizer, mas as palavras não saíam. Ela queria dizer que não o amava e que estava pronta para viver uma vida sem ele, mas ela não conseguia dizer tamanha mentira.
– Está vendo? Você ainda me ama...
– Isso não vem ao caso. Não temos mais nada juntos.
– Como pôde ter um encontro?
– Nós estamos terminados, Carlos Daniel.
– Mas não podemos negar tudo o que aconteceu.
– Eu não te entendo... Em um dia você não quer nem ao menos olhar para minha cara, e de repente fica nervoso por eu ter aceitado vir a um encontro, enquanto você fez o mesmo.
– Eu só chamei Leda para jantar porque queria te esquecer.
– Bom... Então ótimo! Continue fazendo o seu trabalho.
– Mas eu não consigo.
– C... Como assim?
– Não consigo te esquecer.
Ele soltou o braço dela e então segurou seu rosto delicadamente.
– Eu queria ter raiva de você, Paulina. Queria te esquecer, queria parar de te amar, mas não consigo. E só percebi isso quando te vi na mesa com outro homem. Não suporto pensar na ideia de outro homem ter o seu amor e o seu carinho além de mim.
– Você sabe que não podemos ficar juntos... — Ela disse sussurrando fechando os olhos.
– Nós podemos... Se você disser que quer...
– Eu... Eu...
– Nós não podemos ficar longe um do outro Paulina. Mesmo depois de tudo... Diga que ainda me ama e que me quer, que eu estarei disposto a perdoar tudo o que você fez...
– Eu...
Os dois se aproximavam cada vez mais. Estavam quase se beijando quando o celular de Carlos Daniel tocou.
– Pode ser a Leda. — Ela se afastou rapidamente. Carlos Daniel praguejou em pensamentos e então atendeu o celular.
– O que foi? — Perguntou um pouco rude. — Ah... Oi Vovó... O que foi? — Perguntou preocupado. — Carlinhos o que? — Ele aumentou o tom de voz e Paulina o olhou aflita. — Está bem, estou indo imediatamente. — Disse desligando o celular.
– O que aconteceu com Carlinhos?
– Vovó disse que ele está muito mal, e está com muita febre. Disse que ele pode ter uma convulsão.
Paulina o olhou assustada e seu coração disparava. Não suportava a ideia de algo ruim acontecer a Carlinhos.
– Eu... Eu vou com você. — Ela disse rapidamente. — Preciso vê-lo.
Carlos Daniel apenas balançou a cabeça e os dois correram para a mesa. Carlos Daniel foi falar com Leda, e Paulina com José Augusto.
– Paulina, o que aconteceu? — Ele perguntou se levantando. — Está pálida.
– José Augusto, me desculpe... Mas preciso ir. Carlinhos está mal e... Não posso deixá-lo.
– Oh não! O que aconteceu com ele?
– Não tenho tempo para explicações. Por favor, me desculpe! Amanhã conversamos com calma, está bem?
– Sim, claro!
Paulina pegou o seu casaco e saiu as pressas do restaurante. José Augusto estava tão aflito que nem ao menos viu Carlos Daniel saindo do restaurante.
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– Carlinhos, não se preocupe... Seu pai já está vindo. — Adeline dizia enquanto colocava um pano molhado na testa dele. Carlinhos suava e tremia, não conseguia nem ao menos conversar. Vovó Piedade olhava preocupada para ele, e Estephanie segurava Lizete, que estava assustada olhando para o irmão.
– Filho! — Carlos Daniel entrou correndo no quarto e foi até a cama. — Como ele está?
– Está mal, Senhor. — Adeline disse triste.
– Já chamaram o médico?
– Sim, ele já deve estar chegando.
Paulina entrou no quarto e todos olharam assustados para ela. Sem tempo para explicações ela foi até a cama de Carlinhos e se agachou ao lado dele, passando a mão em seu cabelo.
– Carlinhos... Estou aqui, meu amor. Você vai ficar bem, não se preocupe.
Todos ficaram em silêncio. Logo depois Lalinha chegou ao quarto acompanhada do médico. Ele pediu para que todos se retirassem do quarto, ficando apenas Paulina e Carlos Daniel.
– E então, Doutor? — Carlos Daniel perguntou preocupado, alguns minutos depois.
– Apliquei uma injeção para que a febre abaixe. Se eu não tivesse chegado a tempo ele poderia ter tido uma convulsão, e o pior poderia ter acontecido.
Paulina colocou a mão em sua boca e fechou os olhos, querendo afastar os pensamentos ruins.
– Por sorte ele ficará bem.
– Mas por que isso de repente?
– Bem, como já sou médico da família há algum tempo, já notei que Carlinhos tem ansiedades que podem fazer com que ele adoeça.
– Que tipo de ansiedades?
– Pode ser algo muito bom, ou algo muito ruim.
– Quando Laura morreu...
– Sim. A última vez que ele teve isso foi quando sua esposa morreu. Foi algo emocional que afetou a saúde dele, mas da última vez não foi tão grave como agora.
– Ele nunca havia ficado assim antes.
– Então creio que algo muito ruim aconteceu para que ele ficasse assim. Ele passou por alguma emoção forte ultimamente?
Carlos Daniel olhou para Paulina.
– Creio que sim.
– Então sugiro que tenham alguma cautela com ele, pelo menos por algum tempo. Seja o que for que tiver acontecido, tentem fazê-lo se acostumar aos poucos, para que não fique tão afetado.
– Sim, está bem Doutor.
– Receitarei um remédio para que a febre não volte por um tempo. Farei isso lá em baixo, deixarei vocês a sós com ele.
– Muito obrigado.
O médico saiu do quarto, deixando os dois sozinhos. Paulina não saiu de perto de Carlinhos, e apenas acariciava os cabelos dele, em silêncio.
– Sabe porque ele ficou assim, não é? — Carlos Daniel perguntou.
– Sim... — Ela suspirou. — Não sabia que isso poderia acontecer. Me sinto culpada.
– Não se culpe.
– Talvez... Você tenha razão. Não posso ficar longe deles. Aceitarei sua proposta de ficar com eles pela manhã.
– Isso seria ótimo.
– Mas apenas para a melhora de Carlinhos. Não quero que ele sofra mais, e principalmente não quero que nada de ruim aconteça a eles.
– Você sempre foi tão bondosa... — Ele se aproximou.
Por um tempo Paulina olhou diretamente em seus olhos. Pôde sentir o que sentia há algum tempo, e era como se nada de ruim tivesse acontecido aos dois. Mas voltando a realidade, ela desviou o olhar e voltou sua atenção para Carlinhos.
– Não quero que sejamos completos estranhos, Carlos Daniel. Não podemos negar tudo o que aconteceu com a gente...
– Sim... — Ele se aproximou ainda mais.
– Mas ambos saímos magoados nessa história. — Suspirou. — Você tem os seus motivos, eu sei. Mas creio que se nossos caminhos mudaram de rumo é porque não era para dar certo. Você se negou ouvir a minha explicação, e hoje já não cabe mais dizer sobre esse assunto. Está tudo terminado, e vamos continuar nossas vidas.
– Mas Paulina...
– Não se preocupe... — Ela sorriu. — Seremos bons amigos.
– Mas...
– Leda está te esperando lá em baixo. — Tentou disfarçar as lágrimas que rolavam em seu rosto e deu um longo suspiro. — Espero que seja feliz.
– Não precisa ser assim, Paulina. — Carlos Daniel disse com a voz rouca. Estava prestes a chorar.
– Sim, precisa. — Sorriu. — A quem queremos enganar? Nascemos em mundos diferentes, lidamos com pessoas diferentes. Você merece alguém que esteja a sua altura.
Ele apenas suspirou e não pôde evitar que uma lágrima rolasse em seu rosto. Por mais que tenha tido raiva de Paulina, ele nunca esperava por esse momento. Ele já estava se acostumando com a idéia de que ficassem separados, mas ouvir aquilo da boca dela era doloroso demais.
– Eu errei em te esconder toda a verdade. Sei que a maior parte foi por minha culpa...
– Mas nós podemos recomeçar! — Ele segurou suas mãos. — Podemos tentar dar certo como antes e...
– Não é assim que as coisas funcionam, Carlos Daniel. Eu causei muitos problemas para sua família e principalmente para nós dois.
– Mas eu também fui errado. Eu não quis ouvi-la. E agora eu estou pronto... Estou preparado.
– Mas já é tarde. — Delicadamente ela soltou suas mãos da dele, e então tocou seu rosto carinhosamente. — Ainda estamos aqui, juntos.
– Mas não do jeito que eu queria...
– Eu também não. Mas aconteceu. É o destino.
Antes que ele dissesse algo, Leda apareceu na porta do quarto, cruzando os braços.
– Estou atrapalhando? — Perguntou sarcástica.
– Não, eu já estava indo embora. — Paulina respirou fundo e então olhou para Carlinhos. — Amanhã pela manhã eu volto para ficar com eles.
Carlos Daniel apenas afirmou com a cabeça e então Paulina se afastou. Rapidamente ele limpou as lágrimas tentando disfarçar que estava chorando, até que Leda se aproximou.
– Como pode ser tão sonsa? Depois de tudo o que causou a vocês ela ainda aparece aqui querendo ficar perto de Carlinhos e...
– Leda, quero ficar sozinho. Por favor.
– Mas...
– Por favor.
Ainda de costas, ele apenas engolia a dor e tentava disfarçar tudo em sua voz grave.
– Está bem... — Ela se aproximou e tocou seu ombro. — Amanhã estarei de volta. Podemos terminar o jantar outra hora.
Era notável a sensualidade de sua voz, mas Carlos Daniel não queria prestar atenção. Estava preocupado com outras coisas. Pôde ouvir os passos de Leda se afastando, mas ouviu alguém se aproximar.
– Pode ir descansar. Eu cuido dele.
Era Adeline. Ele virou-se para olhá-la, e ela sorriu triste. Com certeza sabia o que tinha acontecido ali, e Carlos Daniel apenas se inclinou para beijar a testa de Carlinhos, e saiu do quarto o mais rápido possível. Não conseguia aguentar mais toda aquela agonia, e precisava colocá-la para fora. Ao entrar em seu quarto, ele sentou-se em sua cama e aliviou tudo o que sentia por dentro. Chorou como não chorava há muito tempo. E não sentia vergonha por isso. Um homem sempre precisa desabafar suas mágoas de alguma maneira, e a maneira mais simples e indolor era o choro.
“Eu não posso suportar a dor de ter Paulina longe de mim. Por que meu Deus? Por que não podemos ficar juntos? Eu a amo tanto, e sei que ela me ama também. Mas por que todos esses obstáculos para sermos felizes? Eu só preciso fazer com que ela saiba que eu ainda a amo, e que estou arrependido por não ter dado uma chance para ela se explicar. Sei que por trás de toda essa história tem um motivo para ela ter escondido toda a verdade de mim.”– Limpando suas lágrimas, ele suspirou e olhou através da janela.– “Eu vou lutar por Paulina, e não vou deixar com que a mulher que eu amo se afaste de mim. Vou fazer com que ela saiba que eu ainda a amo, e que farei de tudo para voltarmos a ser felizes, e dessa vez, sem ninguém para nos atrapalhar.”
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