“Há um ano estou na casa dos Bracho, e tantas mudanças boas aconteceram em minha vida. Carlos Daniel e eu estamos mais felizes do que nunca, e a cada dia que passa nos apaixonamos ainda mais. As crianças se apegaram mais a mim, e hoje percebo que não consigo mais ficar longe delas. Eu os trato como se fossem meus próprios filhos, com todo o amor e carinho. Além de tudo, a fábrica recuperou os lucros que tinha perdido, e todos estão satisfeitos, a família Bracho e os funcionários. E como eu estou feliz por todos. Criei um carinho muito grande por todos eles, e sou grata a tudo o que faziam e fazem por mim. Graças a eles a felicidade retornou para mim, e dessa vez para ficar.

A única coisa que me incomoda é o meu passado. Enrolei por tanto tempo para contar que não tenho mais coragem para dizer. Tenho medo que eles não me compreendam, e então eu terei que deixá-los. Não... Eu não suportaria mais perder pessoas que eu amo. A vida já tinha sido muito cruel comigo, e agora que tudo está se resolvendo, eu não posso perdê-los também. Eu não tenho coragem para contar. Por muitas vezes tentei dizer à Carlos Daniel sobre tudo o que aconteceu, mas eu me travava e mudava de assunto. Que Deus me ajude a ter coragem de dizer tudo, e que eles me compreendam e me perdoem por ter escondido algo tão importante.”

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Paulina estava sentada no jardim observando Lizete e Carlinhos brincarem. Ela costumava participar com eles, mas naquele dia não estava totalmente disposta. Seu passado estava a atormentando, e por ter passado tanto tempo, ela sabia que teria que contar toda a verdade para Carlos Daniel o mais rápido possível, antes que as coisas piorassem.

– Por que está tão quieta, Paulina? — Adeline perguntou sentando-se ao lado dela.

– Estou apenas pensando, Adeline. — Ela forçou um sorriso.

– Você não me engana... Sei que algo está te afligindo.

– É só algumas coisas do meu passado que não consigo entender. — Suspirou.

– E o que é?

– Eu não sei se estou preparada para contar.

– Paulina, estou trabalhando nessa família há muitos anos, e o que mais faço por aqui é ouvir desabafos e segredos de todos, e nunca disse uma palavra a ninguém.

– Não sei se você acreditaria em mim.

– Reconheço a bondade nas pessoas, e sei que o que quer que tenha acontecido, você sempre tentou dar o seu melhor.

– Talvez não, Adeline.

Paulina percebeu que poderia confiar nela, que tanto havia lhe ajudado dentro daquela casa. Sabia que mesmo apesar do choque que ela levaria depois de ouvir a história, Adeline não diria nada a ninguém, até que Paulina estivesse realmente pronta pra contar.

Ao fim da história, Adeline estava perplexa, mas não por Paulina ter escondido tudo aquilo da família, e sim por ela ter aguentado tudo de ruim que aconteceu em sua vida, sozinha. Sem contar para ninguém, sem ter ajuda de ninguém. Antes de ir para a casa dos Bracho, Paulina era sozinha.

– Entende por que não tive coragem de contar ainda?

– Mas... Paulina... Isso é algo muito grave! Você não pode ficar calada quanto a isso. Tenho certeza que se o Senhor Carlos Daniel soubesse ele tomaria medidas contra isso e te ajudaria e...

– Adeline, ele ainda não pode saber de nada. Eu sei que não é certo esconder isso dele, ainda mais por tanto tempo que estamos juntos. Eu o amo muito, Adeline, e sei que esse amor só aumentará a cada dia que passe. Não posso permitir que ele me deixe e que perca a confiança em mim.

– Tenho certeza que ele entenderá...

– Ou talvez não. Se ele não entender eu terei que sair dessa casa, terei que abandonar as crianças e todos vocês, e eu não sei se estou preparada para voltar a ficar sozinha, triste, sem ninguém para confiar.

– Mas Paulina, uma hora ou outra você terá que dizer a verdade. E é melhor que isso aconteça logo, antes que alguma pessoa que queira o seu mal conte em outras palavras, e então você perderá para sempre a confiança de todos.

Adeline a olhou com tristeza e pesar, mas entendia o medo que Paulina estava sentindo. Era como se ela estivesse em uma ponte mal acabada, que de um lado havia lobos famintos, e do outro um enorme abismo. Se Paulina escondesse a verdade por muito tempo, Carlos Daniel poderia pensar que ela mentiu para ele e o enganou durante tanto tempo. Mas se ela contasse toda a verdade, ele poderia interpretar mal e mandá-la embora. Era uma pena não poder ajudá-la, já que isso era uma coisa que apenas Paulina teria que enfrentar.

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“Meu Deus! Eu preciso contar tudo para ele, mas por onde começar? Como dizer coisas sobre o meu passado que me assombram até hoje, e que podem causar o fim do meu relacionamento com ele? Não... Eu não posso. Não posso perdê-lo, não posso perder as crianças e nem o carinho que tenho dessa família. Essa família são as únicas pessoas que importam para mim, e eu não suportaria deixá-los. Mas por outro lado, quanto mais tempo eu demorar para contar a verdade, mais eu ficarei aflita e Carlos Daniel pode perceber. Então está feito! Contarei agora mesmo toda a verdade para ele. E que Deus me ajude...”

Paulina bateu à porta do quarto de Carlos Daniel e ouviu um breve “Entre”. Apesar de estarem juntos a um ano, Paulina quis preservar o respeito que tinha por todos na família e os dois continuaram em quartos separados.

– Eu já estava indo chamá-la. — Ele se aproximou sorrindo. Segurou delicadamente nos ombros dela e a beijou com delicadeza. — Como está, meu amor?

– Estou bem. — Ela forçou um sorriso. — E você?

– Um pouco cansado. Depois que você foi embora da fábrica hoje ainda tivemos alguns pedidos de última hora e tivemos que correr. Mas agora que estou aqui com você, está tudo melhor. — Ele se aproximou para beijá-la novamente, mas Paulina se afastou.

– Eu... Eu preciso te dizer uma coisa, Carlos Daniel. — De costas para ele, ela fechou os olhos, criando coragem.

– E o que é? — Ele se aproximou. Paulina sentiu o cheiro do seu perfume, e sentiu vontade de abraçá-lo. Foi assim todas as vezes que ela tentou contar sobre sua vida para ele, mas dessa vez era diferente. Ela precisava continuar.

– Tem uma coisa sobre o meu passado que você precisa saber.

– É sobre sua mãe? Meu amor, já disse que não quero que você fique pensando nisso... Você sofreu muito com a morte dela e...

– Não, não é sobre isso. — Ela se virou para olhá-lo, e foi mais difícil ainda. — É... Sobre uma outra coisa que não contei para você.

– Está me deixando preocupado. — Ele a olhou sério.

Ela suspirou e então abriu a boca para começar a dizer.

– Senhor Carlos Daniel, o jantar está pronto! As crianças estão chamando pela Paulina, e estão inquietas. — Lalinha o chamou do outro lado da porta.

– Já estamos indo, Lalinha. — Ele olhou para Paulina. — Podemos esperar até o fim do jantar?

– Claro. — Ela forçou um sorriso e controlou as lágrimas de nervosismo que se formavam em seus olhos.

Mais uma vez teve que a adiar a verdade de Carlos Daniel. Aquilo estava ficando mais difícil do que ela esperava. Talvez tivesse sido melhor ter contado no início, e teria polpado aumentar a aproximação com todos, se o resultado fosse sua saída daquela casa.

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Ao descerem a escada para se juntarem à família, uma mulher diferente estava de costas, conversando com Lalinha. Lalinha não parecia ir com a cara daquela mulher, já que enquanto elas conversavam, de dois em dois segundos ela virava os olhos, como se tivesse entediada.

– Ah! Aí estão. — Lalinha apontou para os dois. A mulher se virou e encarou Carlos Daniel sorrindo. Paulina não a reconheceu, e quando notou a reação de Carlos Daniel, ficou curiosa para conhecê-la. Ele a olhava espantado, e sua reação misturava com tensão e nervosismo.

– Carlos Daniel! Quanto tempo! — Ela sorriu e o abraçou descaradamente, antes de depositar um beijo inusitado em seu rosto. Paulina engoliu o ciúme e tentou parecer o mais normal possível. — Vejo que continua lindo, como sempre.

– O que está fazendo aqui? — Ele perguntou sem rodeios.

– Então é assim que você me recebe? — Ela sorriu sarcasticamente. — Pensei que depois de tanto tempo seus costumes fossem mudar, ainda mais... Depois de tudo... — Pela primeira vez ela olhou para Paulina. A olhou de cima a baixo e não demonstrou nenhum tipo de educação. — Parece que arrumou novas empregadas para a casa.

Carlos Daniel suspirou impaciente e segurou a mão de Paulina.

– E pelo visto o modo como as trata também mudou. — Ela riu.

– Paulina e eu estamos juntos, e ela não é empregada. — Respondeu rude.

– Ah, juntos? Carlos Daniel junto com outra mulher? Pensei que não viveria para presenciar isso. Finalmente deixou o luto de lado e seguiu sua vida?

– Como sempre você fazendo comentários desnecessários.

A mulher não parecia incomodada com os insultos de Carlos Daniel, pelo contrário.

– Paulina, essa é minha prima, Leda.

– Muito prazer. — Paulina sorriu e esticou sua mão para cumprimentá-la. Leda apenas a olhou divertida e continuou de braços cruzados.

– Sempre se apaixonando por moças inocentes e indefesas.

– Senhor... O jantar. — Lalinha disse antes que Carlos Daniel respondesse. Sabia que se deixasse, aquilo duraria a noite inteira, e Paulina acabaria se sentindo ofendida. Mas pelo que parecia, Paulina estava acostumada a ser tratada com tanta arrogância, e não demonstrava nenhum tipo de impaciência, ao contrário de Carlos Daniel.

– Imagino que irá nos acompanhar. — Ele disse.

– Mas é claro. Sabe que não resisto a um jantar animado com os Bracho.

Os quatro seguiram para a mesa, e todos se espantaram com o aparecimento de Leda. Tratavam-na do mesmo jeito que Carlos Daniel, já que ninguém fazia que questão de tê-la por perto. Leda era uma mulher amarga e manipuladora, e sempre fazia questão de provocar todos da família. Ela tinha uma paixão nada secreta por Carlos Daniel, e desde quando Laura morreu, ela tentava fazê-lo se apaixonar por ela. Tinha se mudado para os Estados Unidos, mas para a infelicidade de todos, havia retornado.

Como ela não estava acostumada com a animação durante o jantar, se espantou quando todos começaram a conversar e a falar sobre seu dia. Estephanie não era a mesma mulher amarga que ela se lembrava, e Carlos Daniel não era o viúvo cheio de mágoas que ela havia deixado para trás.

– Quantas mudanças nessa família. — Leda disse mais para si mesma do que para os outros.

– Você nem imagina. — Vovó Piedade respondeu provocando-a. — Desde que Paulina chegou nossa família mudou para melhor.

– Estou vendo. Até Estephanie está mudada. — Ela a olhou.

– Por dentro e por fora, querida prima. — Respondeu sorrindo.

– Não me diga! Aposto que Paulina a ajudou.

Todos reviraram os olhos e evitaram uma discussão por causa das crianças. Paulina se mexeu inquieta em sua cadeira. Estava engolindo todas as provocações da tal Leda, mas aquela mulher fútil não lhe inspirava confiança, ainda mais por visivelmente flertar com Carlos Daniel.

Ignorando as provocações de Leda, o jantar continuou animado como sempre. Carlinhos contava que havia entrado em um time de futebol na escola, e Lizete se deslumbrava com a fantasia nova que Paulina havia comprado para ela. O jantar estava tão descontraído que por um instante Paulina se esqueceu que logo mais teria que enfrentar toda a verdade e colocar sua felicidade em jogo.

Aproveitando ainda o tempo que tinha, após o jantar e após as reuniões familiares na sala que aconteciam diariamente, Paulina colocou Carlinhos e Lizete para dormir, seguida de Carlos Daniel, que havia se aproximado mais dos filhos. Depois de colocarem as crianças para dormir, os dois foram para o quarto de Paulina, para terminarem a conversa que haviam começado.

– Ainda quer me dizer alguma coisa? — Ele perguntou quando ela sentou-se em sua cama.

– Sim. — Suspirou.

– Não deve ser algo grave, já que você estava animada durante o jantar, mesmo com as provocações de minha prima. — Ele suspirou com raiva.

– Não se preocupe, eu não me ofendo com as provocações dela.

– Então você é a única. Leda sempre foi essa mulher amarga, e sempre tentou se aproximar de mim.

– E você já quis se aproximar dela?

– Não, isso nunca. — Disse seriamente. — Mas não se preocupe. — Ele se ajoelhou na frente dela e segurou suas mãos. — Você é a única mulher que me importa, e a única que tem meu coração.

– Carlos Daniel... Há... Há coisas sobre o meu passado que... Que eu não deixei bem claro para você.

– Meu amor... O passado não importa mais. Sei que você já sofreu muito tendo que tocar sua vida em frente sem sua mãe, e sei que sofreu pela morte dela. Eu não quero que se lembre mais e se entristeça. Você pertence a essa família agora, e nada nem ninguém mudará isso.

– Mas...

– Paulina, sua vida agora é aqui, comigo, com as crianças, com toda a nossa família. Sua vida está nessa casa, sendo amada por todos e principalmente por mim. Eu não permitiria que nada de ruim lhe acontecesse, e não suportaria vê-la triste e angustiada. Não vamos nos lembrar mais disso, está bem?!

Paulina suspirou. Aquilo estava sendo mais difícil do que ela esperava. Queria tanto ter força de vontade para contar para ele, mas quanto mais ele falava daquele jeito mais ela tinha dúvidas se deveria enterrar aquele passado e nunca mais voltar a se lembrar.

– Você é tão bom para mim... — Ela acariciou o rosto dele. — Como pode ser tão carinhoso?

– Você me faz ser assim. — Delicadamente ele tirou a mão dela de seu rosto e a beijou. — Você me faz te amar mais e mais a cada dia, Paulina. Nunca pensei que eu poderia amar tanto uma mulher como eu te amo. Você é sempre tão bondosa, tão gentil, sempre está ao meu lado quando eu preciso, e muitas vezes não tenho palavras para agradecer tudo o que faz por mim.

– Você não precisa agradecer... Faço isso porque te amo.

– E sei disso... E é por isso que tomei uma decisão.

Paulina o olhou sem entender, até que ele tirou uma pequena caixinha de veludo do bolso de sua calça. Ele se ajeitou, ajoelhando-se devidamente, e abriu a caixinha. Dentro havia um anel, e ao olhá-lo, Paulina respirou fundo segurando a emoção. Ela não esperava por aquilo, e nunca havia passado em sua cabeça que Carlos Daniel a quisesse como esposa, mesmo que ele a amasse tanto. Seus olhos se encheram de lágrimas, assim como os dele.

– Paulina, estar ao seu lado me faz muito feliz, mas eu preciso que isso se oficialize. Que você se torne minha esposa, e que seja para sempre o amor da minha vida. Você aceita se casar comigo?

– Carlos Daniel... Eu não sei o que dizer... Eu...

– Diga que sim. Você me ama o quanto eu te amo?

– Por Deus! Mas é claro que sim.

– Então aceite se tornar minha esposa.

– Eu... Eu...

– O que me diz, Paulina?

– Eu aceito me casar com você, meu amor.

Emocionado ele se levantou e a abraçou forte. Ele segurou sua mão, colocando o anel e a beijando logo depois. Selaram o momento com um beijo apaixonado e demorado. Ambos estavam felizes por tudo aquilo, e qualquer um que os visse saberia que foram feitos um para o outro. Ele a amava mais do que a própria vida, e ela o amava mais do que tudo no mundo, e passar o resto da vida juntos era apenas o começo...

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“Sei que fiz errado em não ter contado toda a verdade para ele, mas não tive coragem. Sim, fui fraca, e sei que sou uma tola por não conseguir fazer isso. Mas e se eu enterrar toda essa história e continuar seguindo minha vida? Afinal o passado é algo que deixamos para trás, guardando apenas as boas lembranças. A única lembrança boa que eu tenho é de minha mãe. De como sempre fomos unidas, mesmo durante a sua doença. Minha mãe era a única parte do meu passado que eu queria preservar, e assim seria. Eu estou noiva de Carlos Daniel, e nada nem ninguém pode nos separar. Meu Deus, não me aguento de tanta felicidade! Eu vou me casar com o homem que eu amo, e passarei o resto da minha vida ao lado dele.”

POV CD

“Minha felicidade agora estava completa. Além de ter minha família unida novamente, ver meus filhos alegres e felizes, eu e Paulina vamos nos casar. Tive medo de que ela achasse que eu estivesse sendo precipitado, mas não pude evitar. A certeza que eu tinha era de que queria Paulina ao meu lado para sempre, até o fim da minha vida. Com certeza a notícia será muito bem recebida por todos. Agora ninguém poderia nos separar. Ninguém.”

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Como era de se esperar, toda a família ficou animada com o noivado. Um simples jantar de quarta feira se tornou em um jantar especial e cheio de alegria. Carlinhos e Lizete também ficaram animados com o casamento, já que gostavam tanto da Paulina.

– Eu posso ter um vestido de noiva igual ao seu, Paulina? — Lizete perguntou.

– Mas é claro que pode. Vamos juntas escolher nossos vestidos, está bem?

– Oba!

Todos riram.

– Estou muito feliz por vocês. — Vovó Piedade segurou a mão de Paulina e Carlos Daniel. — Tenho certeza que esse casamento será abençoado, e vocês dois serão muito felizes.

– Assim espero, vovó Piedade. — Paulina sorriu.

– Eu também estou muito feliz. — Estephanie disse. — A muito tempo não via meu irmão tão feliz. Sei que ele estará em boas mãos. — Ela sorriu para Paulina.

Carlos Daniel e Paulina sorriram agradecidos e brindaram a felicidade e àquela maravilhosa notícia. Enquanto todos conversavam, Paulina apenas imaginava como seria se casar. Como seria seu vestido, quais seriam as flores que enfeitariam a igreja, e principalmente em como Carlos Daniel a esperaria no altar. Era um sonho que iria se realizar, e nem mesmo Paulina esperava por isso.

– Paulina, telefone para você. — Lalinha apareceu na sala de jantar.

– Com licença. — Paulina se levantou e seguiu Lalinha até a sala de estar. — Quem é, Lalinha? — Perguntou enquanto pegava o telefone.

– Um tal de... Omar... Omar Cavalcante.

Paulina sentiu seu corpo inteiro tremer e ficou pálida. Seu coração bateu acelerado e ela sentiu suas pernas bambas. Lalinha não entendeu a reação de Paulina com aquele telefonema, mas sabia que era algo muito sério.

– Alô? — Paulina disse com a voz trêmula e as mãos suando.

– Quanto tempo não ouvia a sua voz.– A voz ecoou pelo telefone.

Paulina teve certeza de que era realmente ele que falava com ela, e não sabia como ele tinha descoberto onde ela estava.

– O que você quer?

– Eu quero te ver.

– Não. Isso não vai ser possível. — Respondeu firme tentando disfarçar o medo em sua voz.

– Não me obrigue a ir atrás de você, Paulina.

– Me deixe em paz! — Com raiva, ela desligou o telefone. Lalinha a olhou curiosa e ela tentava se acalmar.

– Algum problema?

– Não, Lalinha. Nenhum. Por favor, vamos esquecer isso está bem? E se esse homem ligar de novo para cá, diga que eu não estou e que não quero falar com ele. E ele sabe do que sou capaz se ele vier atrás de mim.

Lalinha apenas afirmou com a cabeça e Paulina saiu, voltando para a sala.

– Me desculpem a demora. — Ela forçou um sorriso sentando-se à mesa. Carlos Daniel se levantou para que ela se sentasse.

– Algum problema? Está pálida. — Ele perguntou.

– Não meu amor, nenhum. Era apenas um engano.

Carlos Daniel parecia ter acreditado naquela história, mas Paulina não conseguiu mais participar das conversas durante o jantar. Estava preocupada demais para isso. Talvez seus dias naquela casa estavam contados, ou talvez, dependendo do que a raiva era capaz, sua própria vida estava em jogo.