FLASHBACK

A casa estava silenciosa. Nenhum ruído, nenhuma voz... Aquele silêncio para qualquer pessoa seria perturbador, entediante... Mas não para Paulina. Aquele silêncio significava paz, significava que os problemas estavam longe, pelo menos até a noite.

O forno apitou avisando que a torta estava pronta. Paulina foi até a cozinha e a tirou, colocando-a em cima da mesa. Por alguns segundos ela olhou através da janela, e imaginou como seria se ela desse um pulo até a rua e conversasse com algum vizinho. Seria ótimo. Ela sentia falta da liberdade, sentia falta de conversar com os poucos amigos que tinha, mas sabia que se fizesse isso, as coisas iam piorar.

A única coisa que restava era arrumar a casa e preparar o jantar. As novelas já não a agradavam mais, e os filmes de romance só traziam mais impaciência a ela. Era impossível um casal viver apaixonado para o resto da vida, principalmente pela parte do homem.

– Meu amor! Estou em casa! — A porta se fechou, fazendo os enfeites do armário balançarem. Os passos firmes no piso de madeira parecia um filme de terror. — Hum, que cheiro delicioso. — Ele parou na porta olhando para ela.

– Você chegou cedo. — Respondeu desanimada.

– Pensei que ficaria feliz com isso.

Paulina não respondeu. Ela não fazia nenhuma questão de ser gentil com ele ou agradá-lo, mas preferia ficar em silêncio para evitar uma discussão.

– Estou morrendo de fome. — Ele se aproximou e colocou o dedo na torta. — Ai! Está quente!

– É claro que está, acabei de tirá-la do forno. — Respondeu tentando disfarçar a vontade de rir.

– Da próxima vez deixe-a esfriar mais tempo. — Ele se virou tirando sua camisa social. Paulina revirou os olhos e cortou a torta, colocando cada pedaço em um prato.

Enquanto ele se trocava, ela arrumou a mesa, porém arrumou apenas para uma pessoa.

– O que é isso? — Ele parou ao lado da mesa. — Por que só um prato?

– Estou sem fome.

– Então não vai me acompanhar?

– Não.

– Como assim, “não”? Você vai me acompanhar!

– Você me proíbe de sair, me proíbe de conversar com os vizinhos e agora quer me obrigar a comer quando não estou com fome? O que mais quer de mim, Omar?

Ele se aproximou dela e olhou no fundo dos seus olhos.

– O que mais quero de você? — Perguntou com a voz baixa. — Você é uma mal agradecida. — Se aproximou ainda mais. Paulina dava passos para trás até ficar encurralada na parede. — Se não fosse eu, você teria perdido tudo! Estaria morando na rua! Se não fosse eu, você seria sozinha! Acha que seus amiguinhos pobres iam ajudá-la quando sua mãe morreu? Acham que eles pagariam todas as dívidas que sua mãe deixou? Você poderia até estar na prisão se não fosse por mim! E agora me pergunta o que quero de você?

– Você não era assim, Omar. Você nunca foi assim! O que foi que aconteceu com você?

– Eu estou magoado, Paulina! Você não me ama do mesmo jeito que eu te amo.

– Eu já te amei, Omar. Já te amei muito.

– E o que aconteceu com esse amor?

– Acabou desde quando vim morar com você. Você acha que pode mandar em mim, fazer o que quiser comigo. Você acha que é meu dono.

– MAS EU SOU O SEU DONO! — Gritou.

Paulina fechou os olhos e as lágrimas rolaram em seu rosto. Omar já tinha ficado nervoso com ela antes, mas nunca se aproximou tanto. Pelo cheiro que ele exalava, tinha passado no bar ao lado do serviço.

– Você não é meu dono, Omar. — Ela o olhou com raiva. — Aliás... Eu posso muito bem viver sem a sua ajuda! — Ela saiu de perto indo até o quarto. Omar a seguiu praticamente bufando.

– Paulina, você não vai a lugar nenhum!

– Veremos então! — Ela pegou a mala dentro do guarda roupas e começou a jogar suas roupas dentro. Omar ficava furioso a cada peça que ela guardava na mala, até que se aproximou e segurou o braço dela.

– VOCÊ NÃO VAI ME DEIXAR!

– OMAR, VOCÊ ESTÁ ME MACHUCANDO!

– NÃO VOU TE DEIXAR IR EMBORA! NÃO VOU TE DEIXAR SAIR! NUNCA! VOCÊ É MINHA PARA SEMPRE.

– OMAR, PARA COM ISSO! ESTÁ ME MACHUCANDO!

– NÃO! VOCÊ É MINHA! MINHA!

– EU NUNCA SEREI SUA! — Antes que ela dissesse mais alguma coisa, sentiu seu rosto arder. Omar tinha acabado de lhe bater.

Omar e ela namoravam desde quando eram adolescentes. Ele sempre foi gentil, e sempre a ajudava. Quando a mãe de Paulina adoeceu, ele sempre ficou ao lado dela, e por ter mais dinheiro do que Paulina, sempre que podia comprava remédios e pagava consultas. Ele era o homem perfeito, e Paulina estava decidida a se casar com ele. Ela o amava, e sabia que ele a amava também. Mas quando a mãe de Paulina morreu, o mundo desabou sobre si. As dívidas aumentaram e Paulina não sabia o que fazer. Graças a Omar, as dívidas foram pagas, mas ele a chamou para morarem juntos, e como Paulina estava apaixonada, aceitou.

Nos primeiros meses tudo era um mar de rosas. Ele a tratava muito bem, levava flores todos os dias, e Paulina tinha certeza de que seria feliz, apesar de tudo que passou com sua mãe. Achava que morar junto com Omar ajudaria ela a deixar as tristezas para trás e se focar no futuro. Ela queria se casar com ele, para juntos montarem uma família. Mas quando eles estavam prestes a oficializar a relação, Omar mostrou um lado dele que Paulina não conhecia.

Ele se tornou muito ciumento e começou a proibi-la de conversar com os vizinhos. Paulina achava que aquilo era normal, já que ele a amava muito. Mas com o passar do tempo percebeu que aquilo era um grande exagero, e ele estava começando a parecer um louco. Mas já era tarde demais. Quando Paulina se deu conta de que Omar não era nada do que ela imaginava, ele já havia tomado conta de toda a liberdade dela.

Paulina não saía mais de casa, e não conversava com mais ninguém. Passava o dia inteiro arrumando a casa e preparando as refeições de Omar. Ao chegar em casa, ela tentava conversar com ele e dizer que precisava sair um pouco, mas então ele ficava nervoso. Batia na mesa, no armário e gritava com ela, mas nunca a agrediu. Depois das brigas, antes de dormir, ele sempre se desculpava e reconhecia que estava errado, e então, no dia seguinte, aparecia com flores e a convidava para jantarem fora. Todo esse carinho e dedicação durava apenas uma semana, e depois, tudo voltava a ser como antes.

Ela estava cansada de toda aquela rotina, mas como sua mãe lhe ensinou a sempre acreditar na mudança das pessoas, Paulina esperava que um dia Omar fosse ser novamente o homem que ela amava. Toda a paixão que ela sentia por ele foi diminuindo ao passar dos dias. Ela estava triste, não aguentava mais ficar naquela casa e aguentar o temperamento dele.

Naquele dia ela estava decidida que diria a ele que queria voltar a sair, que queria conversar com seus antigos amigos e que ele não poderia obrigá-la a fazer o que ele queria. Mas tudo passou dos limites. Omar a agrediu, e aquilo não poderia ficar daquele jeito. Paulina sabia que merecia algo melhor do que aquilo, e mesmo que ela não tivesse nenhum lugar para ir ou nenhum dinheiro, não poderia passar mais um dia ao lado dele.

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A rua estava deserta e escura. Não havia nenhuma luz acesa nas casas ao lado, e estava muito frio. Paulina carregava sua mala praticamente vazia. Não havia dado tempo de colocar todas as roupas. Ela não poderia ficar na rua por mais tempo, e resolveu ir até a casa da frente, onde havia uma senhora bondosa que ela a olhava regar o jardim todos os dias.

Paulina bateu em sua porta nervosa e chorando. Sabia que assustaria a pobre senhora, mas ela não poderia se arriscar. A porta se abriu e a senhora olhou assustada para ela. Paulina tentou dizer alguma coisa mas estava nervosa demais para isso. A senhora logo abriu a porta e pediu para Paulina entrar. Ela a levou até a cozinha e lhe deu um pouco de água com açúcar.

– Meu Deus, querida... O que aconteceu?

– Eu... Eu...

– Calma... Tente se acalmar. Ele não pode encontrá-la aqui, está tudo bem.

Paulina a olhou curiosa imaginando como ela sabia.

– Sim, eu tenho observado vocês dois por um tempo, e você pode não saber, mas eu sempre vejo você pela janela da sua cozinha. Sempre triste, cozinhando ou observando o movimento na rua. Vejo seu marido chegar do trabalho todos os dias e algumas vezes escuto vocês dois discutindo. Eu sempre tive medo de que ele tentasse fazer alguma coisa com você... Mas parece que...

– Ele nunca tinha feito isso antes. Eu sabia que ele era ciumento e possessivo mas não sabia que ele chegaria a esse ponto. — Paulina soluçava enquanto bebia a água com as mãos tremendo. — Eu não posso voltar para lá. Não posso mais viver assim. Eu preciso sair daqui, preciso sair da cidade.

– Sim! Precisa! Você não pode deixar ele encontrá-la. Você precisa ir para longe, bem longe e nunca mais se aproximar dele. Se ele teve coragem de encostar a mão em você, com certeza terá coragem de coisas piores. Deus me livre!

– Mas eu não tenho para onde ir. Eu...

– Espere um instante.

A senhora foi até a sala e Paulina ficou nervosa na cozinha, olhando todo o tempo para a porta, com medo de que ele fosse procurá-la ali. A moça voltou com um envelope em mãos e o colocou em cima do balcão.

– Minha irmã mora em Monterrey, e trabalha de empregada na casa de uma família muito rica. No bairro onde essa família mora, apenas pessoas de classe alta moram por lá. Ela sempre me liga para me contar as novidades, e me contou que uma família vizinha está precisando de uma babá. — Ela pegou o envelope e entregou para Paulina. — Pegue esse dinheiro e compre uma passagem para lá. Vou te passar o endereço e você vai se encontrar com minha irmã para ela te levar até a casa dessa família.

– Eu não posso aceitar...

– Por favor, aceite. Esse dinheiro estava guardado para a reforma do meu jardim, mas isso pode esperar. Sei que você é uma ótima pessoa e não quero que nada de ruim aconteça a você. Você não merece ficar aqui com ele. Merece ser feliz, e sua felicidade não está aqui.

– Mas...

– Não temos tempo, querida. Precisa ir logo antes que amanheça e ele perceba que você não está mais ali com ele.

– Muito... Muito obrigada. Eu nem sei como agradecer e...

– Não precisa agradecer. — Ela sorriu.

As duas seguiram até a porta e Paulina guardou o envelope dentro de sua mala.

– Peça minha irmã para me ligar quando você chegar. É mais seguro que você não entre em contato.

– Muito obrigada. A Senhora é um anjo.

Sem demora Paulina seguiu até a rodoviária, sempre com medo de que ele a seguisse ou a encontrasse. Mas por sorte, seu sono era pesado e ele nem ao menos havia percebido quando ela saiu escondida no meio da noite.

Paulina comprou a passagem e seguiu rumo a Monterrey. Quando o ônibus partiu, um alívio percorreu seu corpo e ela se viu finalmente livre de tudo aquilo. Estava decidida a deixar esse acontecimento para trás e viver uma nova vida. Estava decidida a ficar sozinha pelo resto da vida, e não confiar em mais ninguém. Estava decidida a guardar aquele segredo para sempre.

FIM DO FLASHBACK

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“Como? Como ele conseguiu me encontrar? Tenho certeza que não deixei nenhuma pista! Com certeza alguém o está ajudando. Mas quem, meu Deus? Quem seria tão cruel a ponto de fazer isso comigo? Nunca fiz mal a nenhuma pessoa para que fizessem isso para mim. Só pode ser um castigo. Castigo por ter mentido para todos da família sobre o meu passado. Castigo por ter escondido a verdade todo esse tempo. Meu Deus! Espero que ele não faça nada contra ninguém daquela família, e que não me procure mais. Não posso passar por isso novamente, e não posso colocar ninguém em perigo. Não posso.”

– Meu amor? — Carlos Daniel se inclinou em sua cadeira.

– Sim? — Paulina o olhou, colocando os papéis em cima da mesa.

– Não quer me contar o que está te perturbando?

– O que? O que quer dizer?

– O dia inteiro você tem ficado distante... Está acontecendo alguma coisa?

– Não, Carlos Daniel. Está tudo bem. — Sorriu. — Estou apenas preocupada com todos esses pedidos que estamos tendo. O prazo é muito curto.

– Mas nós vamos conseguir. — Ele se levantou e foi até ela. Paulina fechou os olhos quando ele se aproximou, beijando seu ombro. — Não temos com que preocupar com nada, minha vida. Estamos noivos... — Delicadamente ele tocou a mão dela que havia um delicado anel em seu dedo. — Seremos felizes para sempre.

– “Será mesmo, meu amor?”– Pensava Paulina. — “Será mesmo que seremos felizes para sempre?”

– Seja o que for que estiver te preocupando, deixe para lá. — Sussurrava em seu ouvido enquanto delicadamente ele segurou em sua cintura.

Paulina sentiu seu corpo inteiro se arrepiar, e se não estivessem em um ambiente de trabalho, só Deus sabe o que ela teria feito logo em seguida. Mas já que não estavam em um lugar próprio para aquilo, ela se virou para ele, tocando delicadamente em seu rosto.

– Está tudo bem, meu amor. — Ela sorriu. — Preciso me apressar. As crianças logo chegarão, e preciso resolver as últimas coisas da nossa festa de amanhã. — Ela pegou sua bolsa e deu um rápido beijo em Carlos Daniel. — Te vejo no jantar.

Ele a observou sair de sua sala e sentou-se abobado em sua cadeira. Estava tão apaixonado por Paulina que não conseguia parar de pensar nela em nenhum segundo.

– Carlos Daniel... — Rodrigo entrou no escritório e olhou para o irmão sorrindo em sua mesa. — O que foi?

– Como assim?

– Por que está sorrindo?

– Eu estou sorrindo? Não havia percebido.

Rodrigo riu e se aproximou, sentando-se na cadeira em sua frente.

– Está feliz, não é?

– Você nem sabe o quanto, meu irmão.

– E eu estou feliz por você. Paulina é uma ótima mulher.

– Mais do que ótima. Ela é maravilhosa! Sabe Rodrigo, eu amava muito a Laura, e achava que não ia amar ninguém como eu a amava... Mas agora eu vejo que... Amo a Paulina mais do que minha própria vida. E eu sinto que estou no caminho certo, sinto que vou ser completamente feliz ao lado dela.

– Eu espero que sim, meu irmão. — Rodrigo sorriu.

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– Mas como ele descobriu o telefone, Paulina? — Inês perguntou.

– Eu não sei. — Paulina suspirou.

– E agora? Se ele descobriu o telefone, com certeza, descobrirá o endereço. Ele pode vir atrás de você.

– Eu não sei o que eu faço.

– Conte a verdade para Carlos Daniel. Diga a ele, e se Omar vier atrás de você, ele tomará medidas drásticas.

Inês era uma mulher sábia. Trabalhava em uma casa ao lado e era irmã da senhora que ajudou Paulina. Ela a ajudou a ser contratada pelos Bracho, e enquanto isso não aconteceu, acolheu Paulina em sua casa humilde. Paulina era muito grata às duas, e esperava um dia poder retribuir toda a ajuda. Mas isso não era o momento certo para pensar em agradecimentos. Sua felicidade estava em jogo.

– Vou esperar até amanhã, e depois da festa de noivado eu contarei a ele. Ele estará distraído e pode ser que me entenda. — Paulina suspirou. — Você vai à festa, não é?

– Paulina... Não tenho roupas chiques para esse tipo de festa...

– Ora, deixe disso. Você me ajudou quando eu mais precisei, e faço questão de estar presente nesse momento especial para mim. Sua irmã não poderá comparecer, mas quero que você vá. E não se preocupe com a roupa. — Paulina sorriu.

– Você é muito boa, Paulina. — Inês segurou sua mão. — Espero que consiga resolver tudo isso o mais rápido possível.

– Eu também, Inês. Eu também.

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“Não consegui dormir essa noite, pensando que a qualquer momento Omar poderia chegar à casa dos Bracho e revelar todo o meu segredo. Ele deve estar com tanto ódio, que não sei do que é capaz de fazer quando me encontrar. Mas está decidido. Aconteça o que acontecer, depois da festa de noivado, eu irei contar toda a verdade para Carlos Daniel. E que Deus me ajude!”

A casa dos Bracho estava repleta de amigos e familiares. Estava bastante agradável e todos pareciam se divertir. Todos, exceto Paulina. Ela não conseguia parar de pensar sobre como Carlos Daniel e os outros reagiriam quando ela contasse toda a verdade.

– Com licença... — Vovó Piedade se levantou. Todos se calaram e olharam para ela. — Gostaria de fazer um brinde, a esse belíssimo casal. — Ela ergueu sua taça. — Que vocês dois sejam muito felizes! Ao casal!

– Ao casal! — Todos ergueram suas taças.

– Estou tão feliz, meu amor. — Carlos Daniel abraçou Paulina pela cintura.

– Eu também. — Ela sorriu triste.

– Aconteceu alguma coisa?

– Carlos Daniel, eu preciso te contar uma coisa muito importante.

– Mas agora?

– Sim, precisa ser agora.

Os convidados já haviam se entretido novamente e ninguém os ouvia. Carlos Daniel olhava preocupado para ela e imaginava o que ela falaria de tão grave que não poderia esperar até o fim da festa. Paulina olhou para Adeline e para Inês, que fizeram um gesto para que ela tivesse coragem para contar. As duas eram as únicas que sabiam daquele segredo, e também sabiam que quanto mais Paulina demorasse para contar, pior seria a reação de Carlos Daniel.

– O que é, Paulina? Estou ficando preocupado.

– Carlos Daniel... Eu... — Seus olhos se encheram de lágrimas, e quando ela se preparou para contar, Carlos Daniel olhou para alguém que estava parado atrás dela. Paulina se virou para ver quem era, e então prendeu sua respiração.

– Olá, Paulina.

Omar colocou as mãos em seu bolso e olhava com raiva para ela. Carlos Daniel sem entender quem era aquele homem em sua casa, segurou a cintura de Paulina e fechou a cara.

– Quem é você? — Perguntou bravo.

Paulina não conseguia dizer nada. As lágrimas rolavam em seu rosto. Por sorte estavama afastados suficiente para que nenhum convidado os ouvissem ou percebesse que tinha algo errado. Exceto Lalinha, Adeline e Inês.

– Eu perguntei quem é você!

– Paulina não contou, não é? — Ele sorriu sarcástico.

– Contou o que? — Carlos Daniel já estava impaciente e nervoso. Suas mãos se fecharam com raiva. — Paulina, você conhece esse homem?

– É claro que conhece. — Omar respondeu rapidamente. — Como ela não poderia reconhecer o seu próprio marido?