Amor real
19 Cuidados
POV Jennifer
– Para com isso, Jen, vamos conversar com calma – disse Jesse.
– Não tenho conversa nenhuma para ter com você e não se encoste a mim, Jesse. Eu já falei que não quero nada com você.
– Mas eu te amo!
–Isso não é amor, é loucura, obsessão, doença. Vai se tratar!
– O que mudou, Jen? Você estava disposta a nos dar uma chance e de repente muda de ideia.
– Se arrependimento matasse, eu já estaria morta... Me deixe em paz, por favor, e vai viver sua vida.
– Algum problema aqui, love? – pergunta-me Colin ao presenciar a discussão.
– LOVE? É esse o babaca que está te tirando de mim? – Jesse falou e já foi esmurrando o Colin, antes que eu pudesse falar ou fazer algo.
Ele estava completamente fora de si, Colin mesmo sem saber o porquê daquilo, o que estava acontecendo, revidou aos golpes. Foi necessário que os seguranças viessem separar os dois, depois disso Jesse foi posto para fora.
– Jennifer, o que foi isso? Quem é esse louco e por que ele me bateu? –questiona-me Colin.
– Colin, me desculpa por isso – falo e já começo a chorar.
– Calma, não precisa chorar, eu estou bem, ele saiu daqui com a cara mais quebrada que a minha – tentou fazer piada.
– Qual o problema comigo, Colin? Eu só atraio gente louca. É um problema atrás do outro, eu não aguento mais isso.
– Como assim só atrai gente louca? Assim você me ofende!
– Não estou falando de você, seu bobo.
– Eu sei, só queria arrancar um sorriso desse rostinho lindo, e eu consegui. Tenha calma, vai ficar tudo bem.
– Não, não vai. Olha o que ele fez com você.
– Vamos, eu vou te acompanhar até sua casa. E depois eu penso em jeito de te livrar desse cara... Expulsar ele do país ou do planeta, sei lá.
Colin é um amor de pessoa, ele tem o dom de deixar tudo mais leve, sabe à hora de brincar e de levar as coisas a sério, eu admiro muito isso nele. Minha preocupação agora era Lana, eu vi em seus olhos que ela não gostou daquela informação. Enquanto estava no carro a caminho de casa recebo um alerta de mensagem dela.
Mensagem de Lana:
“Não sabia que tinha namorado!”
Mensagem de Jennifer:
“É por que eu não tenho.”
Mensagem de Lana:
“Eu não gosto de mentiras, Jennifer.”
Mensagem de Jennifer:
“Não estou mentindo!”
Mensagem de Lana:
“Não se preocupe com isso, você não me deve satisfação nenhuma.”
Mensagem de Jennifer:
“Não seja exagerada! Vamos conversar sobre isso?”
Ela não me respondeu mais, assim que chego a casa, tento ligar, mas seu telefone está desligado. Deito-me na cama frustrada, espero algumas horas e tento de novo e nada, resolvo deixar para falar com ela no dia seguinte. Levanto-me, tomo banho, faço um lanche e tento me distrair lendo meus emails e checando as redes sociais. Já era quase uma da madrugada e eu não conseguia dormir, me assusto com o toque do meu celular, geralmente, eu desligo antes de dormir, mas hoje eu não desliguei na esperança de Lana dar notícias. Meu coração quase saiu pela boca ao ver que era ela ligando.
– Lana? – atendo.
– Te acordei? – falou um pouco embolado, parecia estar bêbada.
– Não, eu não estou conseguindo dormir.
– Nem eu, posso dormir com você?
– Se fosse possível!
– Posso dormir com você ou não? – falou um pouco alterada, eu não estava entendendo sua pergunta.
– Pode! — queria ver qual era a intenção dela, mas sua resposta me pegou de surpresa.
– Abre a porta para mim.
– Que porta?
– A da sua casa, anta! Vem logo que estou com frio.
Ela me chamou de anta, penso indignada. Abro a porta e me deparo com Lana trajando a mesma roupa que a vi vestindo mais cedo, mas seu cabelo estava solto e levemente bagunçado.
– Lana, o que você... – não pude terminar a frase, pois ela entrou feito furação.
Bateu a porta e me prensou contra a mesma, beijando-me ferozmente como se dependesse daquele beijo para sobreviver, quando o ar se fez necessário, ela afasta nossos lábios, deixando nossas testas coladas e ficamos com a respiração pesada.
– Eu estou brava com você, mas quero que me faça sua!
– Lana, vamos com calma, temos muito que conversar antes.
– Eu não quero conversar com você, quero fazer outras coisas –começou a beijar meu pescoço e mesmo gostando, tive que afastá-la.
– Lana você está bêbada, eu não quero que seja assim.
– Eu te odeio! – falou emburrada, cruzando os braços e começou a chorar.
– Odeia nada, vem cá! – a abraço forte, o choro dela só aumentou, peguei-a no colo e levei até meu quarto. – Você pediu para dormir comigo e é isso que vamos fazer, dormir, mas antes você precisa de um banho. – Ela assente, mas não faz menção de sair do meu colo.
– Vamos, eu te ajudo!
– Não precisa!
Assim que se levanta, perde o equilíbrio, mas não a deixo cair.
– Acho que vou precisar só um pouquinho da sua ajuda – me deu um sorriso amarelo.
Guio-a até o banheiro e ajudo a tirar a sandália e o vestido.
– Consegue continuar sozinha?
– Acho que sim, obrigada!
– Vou deixar a porta aberta, qualquer coisa é só chamar.
Lana nem consegue me responder, pois logo começa a vomitar, eu corro para ajudá-la e acabo dando banho nela. Ela escova os dentes e eu empresto um pijama para que ela durma confortável.
– Aonde você vai? – pergunta quando me dirijo ao banheiro. – Dorme comigo!
– Só vou trocar de roupa, por que a minha está toda molhada, já volto.
Assim que volto, beijo-lhe a testa, desejo uma boa noite e deito-me ao seu lado, logo ela se vira deitando a cabeça em meu ombro e me abraça.
– Boa noite – ela diz.
– Pensei que já estivesse dormindo...
– E já estou.
POV Lana
Já acordo sentindo uma dor de cabeça horrível. Abro meus olhos lentamente, estranho o ambiente e aos poucos me recordo do que fiz e onde estou. Mudo de posição, pois estava sentindo meu braço adormecer e em deparo com a figura mais linda do mundo, carregando o sorriso mais encantador que já vi, me desejando bom dia. Sem ter para onde correr me escondo debaixo da coberta.
– O que é isso, Lana? Sai daí.
– Estou morrendo de vergonha, não tenho coragem de olhar para você.
– E vai ficar embaixo desse lençol até quando?
– Para sempre!
– E vai desperdiçar essa linda cesta de café da manhã que fiz pra você? – Jen tenta me comprar.
– Estou sem fome!
– Que bom, sobra mais para mim. Humm... Torradinha com queijo e geleia, que delicia... Esse morango está tão suculento... Iogurte natural... Humm...
– Para, Jennifer, você sabe que estou com fome, não me torture!
– Está sofrendo porque quer, saia dai e venha comer.
Não respondo nada, continuo do mesmo jeito.
– Não fique assim minha linda, quem nunca ficou de pileque? Você até que foi uma bêbada comportada.
– Eu te xinguei, te bati, baguncei todo seu banheiro... Eu me ofereci... Meu Deus, que vergonha, eu... Eu me ofereci para você – falo com a voz tremula e já começo a chorar, Jen puxa minha coberta e me abraça toda carinhosa.
– Lana, não tem por que você ficar assim, nesse momento tudo que eu mais quero é ter você por inteira na minha vida. Foi muito difícil te dizer um não, mas eu faria de novo se fosse necessário, porque você merece mais que uma foda rápida na porta da minha casa. Não se coloca a carroça na frente dos bois, Lana, eu não quero apressar as coisas entre a gente, temos muito a esclarecer antes de tudo. Agora antes de qualquer coisa senhorita precisa comer e se curar dessa ressaca. Só depois nós conversamos, combinado? – eu a olho toda boba, encantada com suas palavras e concordo com a cabeça.
_A propósito adorei a tatuagem!-Jen fala mordendo os lábios.
Fale com o autor