Amor real

20 Cartas na mesa


FLASHBACK Fred

– O que faz aqui? Você não cansa de me perseguir? – falo já nervoso.

– Sinto lhe desapontar, mas hoje eu vim atrás do seu sócio... Então onde eu posso encontrá-lo? – falou alisando minha gravata.

– Ele não está, deve ter saído pra almoçar – falo ríspido e puxando minha gravata de suas mãos.

– Ok... E você já almoçou?

– Não é da sua conta!

– Nossa que grosso! Deixa eu te contar um segredo: quanto mais você se fizer de difícil, mais aumenta minha vontade de te conquistar – sussurrou no meu ouvido.

– Isso já está beirando ao ridículo. Você não tem amor próprio? Eu sou um homem casado, MUITO BEM CASADO – dou ênfase no casado, tentando deixar claro minha posição.

– Se você não me olhasse da forma que me olha, talvez eu acreditasse em suas palavras e te deixaria em paz... TALVEZ!

– Não me faça rir, eu nem olho para você! – tento disfarçar minha angustia, será que mais alguém percebeu?

– Olha, eu estou com fome e pelo seu mau humor. você também deve estar, o que você me diz de continuarmos essa conversa em um bom restaurante?

– Eu não vou a lugar nenhum com você!

– Calma eu não mordo... Só quando me pedem... É bom você ir se acostumando com minha presença, pois vamos nos encontrar diariamente.

– É mesmo? Não me diga... E posso saber o porquê?

– SURPRESA!

– Você age feito uma criança... Mas o que estou falando? Você é uma criança! Deve ter o que? Uns vinte cinco no máximo!

– Nossa, obrigada pelo elogio, eu tenho um pouco mais que isso – falou se aproximando fez uma pausa e quando estava próxima a minha orelha sussurrou. – E só para você saber essa criança aqui pode te surpreender e MUITO! Basta você querer.

– Do quê está rindo?

– Desculpa... Eu deveria registrar esses momentos, você precisava ver sua cara, é tão fácil te deixar desconcertado... Acho que ficou curioso para saber o que posso fazer para te surpreender.

– Dá licença, que eu tenho mais o que fazer! – lhe dou as costas tentando ir embora, mas sou impedido por sua mão em meu braço.

– Espere, não vai me levar para almoçar?

– Não!

– Por favor, eu prometo me comportar e seria bom que você desse uma olhada nos contratos que eu trouxe para o Arturo assinar, vocês são sócios e sua opinião é importante – usou de todos os argumentos para me convencer.

– São do novo projeto?

– São sim, você vai gostar! – disse sorridente, sabendo que tinha conseguido roubar minha atenção. – O que me diz? Vamos?

– Ok, mas na sua primeira gracinha, eu vou embora. Combinado?

– Combinado!

POV Lana

Depois de passado o momento vergonha, tomamos café da manhã, Jennifer foi um amor, super atenciosa, deixou o clima tranquilo, fez algumas brincadeiras para me deixar mais a vontade, mas era perceptível seu nervosismo. De repente o silêncio predominou o ambiente.

– Podemos conversar agora? – Jen me pergunta com um olhar apreensivo.

– Claro! – me ajeito na cama, ficando de frente para ela.

– Em primeiro lugar, eu não menti para você! O Jesse não é meu namorado... – eu interrompo sua fala.

– Não, Jennifer, me desculpe pela forma exagerada que tratei a situação, você não me deve satisfação, nós não temos... – dessa vez eu sou impedida de continuar.

– LANA! PARA! ME ESCUTA! – falou um pouco alterada, fez uma pausa e continuou, voltando o tom normal de sua voz. – Eu quero explicar o que aconteceu e quero que você me diga por que está aqui e por que foi ao meu trailer ontem e me beijou.

– Eu preciso explicar isso?

– Precisa! – fala séria.

– E meus atos não falam por si? – pergunto divertida.

– Um pouco, mas pode ter sido impulso, coisa do momento, não sei... Eu preciso ter certeza do que você sente.

– Mas nem eu tenho certeza do que sinto.

– Isso é um problema... – eu vi preocupação nos seus olhos.

– Eu sei! – falei baixo, mas sei que ela escutou.

– Lana, eu vou ser bem sincera com você e espero que me entenda – eu aceno em positivo com a cabeça para que ela continue. – Você ser casada para mim é um problema, traição não é uma coisa que eu aceite muito bem e estar fazendo isso me perturba, eu não quero ser a causa da separação de uma família... Ser amante... É até difícil para eu pronunciar essa palavra... Me dá nojo... Isso não é para mim... Por isso, eu preciso de uma posição sua, saber o que você sente e o que você quer. Eu já sofri demais, então se você queria só matar a curiosidade ou se está atrás de uma aventura extraconjugal, me avisa antes, não me deixe criar expectativas... Não sei se peguei pesado com as palavras, mas é isso.

– E sobre o tal do Jesse, o que você tem a falar? Me desculpa insistir nisso, não é que não acredite em você, mas algum motivo ele teve para se apresentar como seu namorado, não? – sei que ela esperava uma resposta minha, mas...

– Ok, vou explicar! Nós fomos noivos, ele me traiu, eu terminei com ele, ele me pediu perdão, disse que foi apenas sexo, que me amava e blá blá blá... Eu não cedi e ele sumiu por um tempo, isso já faz alguns anos.

Há alguns meses atrás, ele voltou a me procurar, eu nem dei bola, mas em uma noite de loucura, eu estava bêbada e com dor de cotovelo por ter te visto com o Fred, acabei encontrando com ele em uma festa e a gente ficou. Isso foi na noite anterior ao dia em que cheguei atrasada no trabalho e acabei o dia parando no hospital, lembra?

– Claro! Como vou esquecer?

– Continuando, depois dessa noite, ele já foi tendo conclusões precipitadas e quis reatar, eu logo cortei, mas ele continuou insistindo e insistindo e como eu não tinha esperança de ficar com a única pessoa que me interessa, eu disse a ele que permitia que ele TENTASSE ME RECONQUISTAR e que eu não o afastaria de mim, que poderíamos sair às vezes, mas que não teríamos títulos. Eu deixei bem claro que não o amava, mas ele insistiu tanto e eu queria a qualquer custo te tirar da cabeça, que dei essa alternativa. Nem chegamos a sair depois disso, assim que chegamos de Veneza ele me ligou e eu expliquei que isso não dava certo, que não seria justo com ninguém, principalmente com ele, mas ele surtou, eu achei que ele entenderia, mas ele não quer aceitar de jeito nenhum. Ontem ele bateu no Collin só porque ele me chamou de Love e me defendeu.

– Você não agiu certo em usá-lo para me esquecer.

– Eu agi errado comigo mesma, por ter dado essa colher de chá para ele, em momento algum eu menti ou enganei, ele me induziu a isso e agora usa minhas palavras contra mim. O Jesse sempre foi um escroto, um canalha e agora ele está pior, violento e louco. Estou com raiva de mim por ter deixado que ele se aproximasse novamente, estou com medo do que ele possa fazer, eu nunca o vi assim.

– Sinto muito! – eu fiquei sem saber o que falar. – E o Collin, está bem?

– Está... Seu telefone está tocando, não vai atender?

– Eu nem ouvir tocar... É o Fred!

– Eu vou sair para você falar mais a vontade – se levantou.

– Não precisa, não vou atender – falei em vão, ela já havia saído do quarto.

Já que ela saiu do quarto e me deixou falando sozinha, e já tinha várias chamadas perdidas do Fred, resolvo atender a ligação, assim que encerro a chamada vou a procura de Jen. Encontro-a inerte na sala, olhando para TV desligada e girando o celular na mão. Aproximo-me lentamente e sento ao seu lado.

– Acho que agora é minha vez de falar – ela me olha assustada, só notando depois de eu falar a minha presença na sala.

Notas finais
Capitulo fraco eu sei,mas necessário.