Amor real
16 Capitulo 16
Notas iniciais
POV Jennifer
– Alô, gostaria de falar com a Jennifer – disse uma voz masculina ao telefone.
– É ela, quem gostaria? – perguntei assim que atendi ao telefone.
– É o agente Cupeer, lembra-se?
– Claro! Aconteceu alguma coisa? Já marcaram o julgamento?
– Não vai haver julgamento!
– Por quê? Não me diga que ele fugiu!
– Se a senhorita me deixar falar!
– Claro, me desculpe, mas o senhor tem que entender minha aflição.
– Entendo sim, acredito que essa notícia te deixará mais tranquila.
– Diga então!
– O Louis cometeu suicídio!
Eu fiquei completamente sem reação, depois dessa notícia, apesar de tudo é uma vida, um ser humano. Não foi um simples enforcamento, como pensei, não que o enforcamento seja um jeito simples de morrer, mas foi bem pior que isso. Ele se automutilou, fez vários cortes em seu corpo e esperou que seu sangue esvaísse de seu corpo, foi uma morte lenta e dolorosa.
Como estava muda ao telefone, não consegui fazer com que Cupeer parasse de falar. Não sei como alguém narra detalhadamente a morte de uma pessoa com tanta frieza, mas isso já deve fazer parte do dia-a-dia dele. Saber que ele nunca mais vai voltar a me fazer mal ou a outra pessoa é de certa forma uma boa notícia, porém agora não há um minuto que a morte de Louis saia da minha cabeça, o agente detalhou tão bem a morte que a cena passa como um filme na minha mente.
***
POV Lana
– Gostou da surpresa? – perguntou-me Fred.
– Amei!
– Com quem falava ao telefone?
– Com a Jen, ela estava me contando que o sequestrador cometeu suicídio.
– Um louco a menos no mundo!
– Fred, não fala assim! – apesar de saber que Louis era um sequestrador, não gostei do modo como Fred falou e ele percebeu.
– Os meninos ligaram, estão preocupados com você! – ele disse depois de um tempo.
– Vou ligar pra eles!
– Eles não vão te atender agora, estão em um show. Quer conversar sobre o que aconteceu?
– Agora não estou muito cansada.
– Muito cansada pra conversar ou qualquer outra coisa? – disse malicioso.
– Fred!
Fred me olhou de forma sacana, e mesmo estando muito cansada, meu corpo ansiava por ser tocado. Suas mãos foram para minha cintura e ele me puxou pra si, colando nossos corpos, começou com chupadas fortes em meu pescoço e eu quase soltei um grito, mas me contive ao lembrar que minha mãe estava no quarto ao lado. Seus lábios foram de encontro aos meus e nesse momento Jen me veio à cabeça e me peguei comparando-os. Tento afastar esses pensamentos e me concentrar no que está acontecendo, Fred me beija com voracidade enquanto suas mãos passeiam com força por todo meu corpo, rapidamente nossas roupas vão de encontro ao chão, caímos na cama e ele logo me possui.
Eu estava ali com meu marido, foi bom, meu corpo correspondeu aos seus toques, mas porque tenho essa sensação de que algo está errado? Porque vazio me assola?
No dia seguinte, acordo cedo pra aproveitar mais da companhia da minha mãe e irmã que logo iriam embora. Saio do quarto pra procurá-las e elas já estavam na mesa tomando café da manhã com Suzi e Keith.
– Bom dia! – disse assim que as avistei.
– Bom dia– falaram em coro.
– Chegou mesmo na hora filha, achei que acordaria mais tarde – disse Dolores.
– A noite foi boa em! – falou Dena apontando para o meu pescoço.
– Ah Lana, tira essa cara de tímida envergonhada, porque não combina com você – disse Suzi.
– Vocês não prestam! – fiz uma cara de indignada.
– Eu não fiz nada! – Keith se manifestou fazendo cara de ofendida.
– Mas pensou! – respondi – E a programação de hoje, qual vai ser?
– O que você quiser, você decide! – Suzi disse.
– Tem certeza? – fiz cara de quem vai aprontar.
– Fiquei com medo agora! – minha amiga respondeu com uma falsa cara de medo.
– Desde que não envolva altura, eu topo! – Keith argumentou.
– Cadê o Fred? – mudou de assunto Dena.
– Dormindo!
– Acabou com o homem dona Lana! – comentou Keith, apenas sorri com uma cara de sapeca.
Depois do café da manhã descontraído, eu fui conversar um pouco com minha mãe, contei a ela tudo que aconteceu (quase tudo), é sempre muito reconfortante conversar com ela, só não me senti a vontade pra falar da Jen.
– Tem certeza que está bem? Se quiser posso ficar! – mamãe perguntou.
– Estou bem sim, pode ir tranquila.
– Filha eu vejo em seus olhos que tem algo mais te afligindo.
– Não é nada, madre!
– Quando quiser conversar, estarei aqui, mas não diga que não é nada que eu te conheço muito bem. Você sabe que pode me contar qualquer coisa que sempre vou te ouvir e apoiar da melhor maneira possível.
– Eu sei, obrigada. Você é a melhor pessoa do mundo. Te amo!
– Também te amo, hija!
Depois fomos as cinco até o aeroporto, minha mãe foi embora com a Dena e Suzi, Keith e eu voltamos para casa. Fred saiu e eu passei o dia na piscina com as meninas relembrando os velhos tempos e contando uma pra outra como esta à vida atualmente.
– Vamos falar sério agora! – disse Keith.
– É Lana, pensa que agente esqueceu, você disse que precisava conversar e até agora nada! – complementou Suzi.
– E nós estamos fazendo o que aqui?
– Não enrola Lana! – Keith apressada.
– Ok, é que é um pouco complicado.
– Sempre é! Estamos ouvindo – é, elas sempre estão ao meu lado.
Contei as meninas sobre Jen, a forma como fiquei sabendo que ela gosta de mim e tudo mais.
– Uau! A Jen? Quando você falou que era uma colega de trabalho, pensei logo na Bex – Keith se pronunciou.
– Porque a Bex?
– Sei lá, acho que ela parece ser das nossas, da bagunça. Mas ela gostar de você não é o problema é?
– Não. O problema é que desde que fiquei sabendo não sei como agir, não sei como me sinto em relação a isso, tá tudo muito confuso, ela é bonita...
– BONITA? – Keith se exaltou – Lana, bonita é a sua piscina, ela... Ela é... Não tem nem palavra pra descrever.
– Não sabia desse seu lado gay!
– Você ainda não sabe se gosta dela e esse ciúme todo é o que?
– Não estou com ciúme! – falei emburrada.
– Imagina se tivesse! – finalmente Suzi se pronunciou.
– Estou confusa, sempre tive vontade de desvendá-la, mas não desse jeito, e agora só fico pensando como ela deve ser na cama, se fosse só uma atração física seria mais fácil...
– Vocês ficariam e pronto?
– É... Quer dizer não... Não sei... Tem o Fred, se pelo menos ela tivesse atitude...
– E ela tem... Ou pelo menos tinha – sussurrou Suzi.
– Mas ela é tão certinha, faz tanto tempo que gosta de mim e nunca fez nada e eu não posso magoá-la... PERAI, O QUE VOCÊ DISSE? COMO ASSIM ELA TEM? – perguntei exaltada.
– Ai, meu Deus, vocês ouviram isso! – Suzi falou num misto de vergonha e arrependimento.
– Ouvimos, e pode ir se explicando dona Suzi!
– É, pode ir falando tudo, você já ficou com a Jen? Como você esconde uma coisa dessas da gente?! – Keith fez cara feia.
– De que parte do mundo vocês se conhecem? Em que momento da sua vida isso aconteceu? Tem certeza que estamos falando da mesma Jennifer?
– Calma Lana! Gente isso tem que morrer aqui, pelo amor de Deus! Na época ela me proibiu de contar a alguém, me ameaçou e tudo. Foi na faculdade.
– Mas você se formou na Universidade de Boston e Jen em Chicago no Layola.
– Fiquei pouco tempo no Layola, porque não aguentei a pressão de lá.
– Você desistiu de ficar em uma das melhores universidades do país! – Keith pontuou.
– Isso não importa, continua! – estava curiosa para ouvir o desfecho.
– Não tem muito o que contar Lana, ela me viu olhando pra ela algumas vezes, e um dia ela simplesmente me abordou, disse que eu era bonita e queria ficar comigo, aconteceu, mas ela não queria nada sério, não queria que ninguém soubesse e eu nunca tive paciência pra esse tipo de coisa.
– E isso durou quanto tempo?
– Um mês só!
– E aí ela é boa? – Keith perguntou.
– É melhor encerrar essa conversa aqui! – não estava gostando do rumo daquela conversa e já olhava com cara feia para Suzi.
– Aí, não gostei, só eu nesse grupo que não teve algo com a Jen, também quero. Brincadeira! Brincadeira! – Keith riu.
– Lana, pelo amor de Deus, isso faz muito tempo, ela nem deve se lembrar de mim e outra foi só sexo.
– Lana tá claro como água que você gosta dela com todo esse ciúme, mas e seu casamento? Você e o Fred estão bem? – Keith perguntou.
– Temos nos distanciado ultimamente, ele viaja muito devido ao trabalho e isso tem ocasionado muitas brigas, fora isso o resto está bem.
– E com os meninos? Você tem tido problemas?
– Não... – disse desanimada.
– Que desanimo Lana, não quero te ver assim não. Não podemos te dizer o que fazer, porque a vida é sua e é você que tem que decidir. Ponha tudo na balança e opte pelo que te faz bem, pelo que te faz feliz, reflita, pense, mas não pense muito, deixe a vida te levar um pouco, o que tiver de ser será. Agora se você tiver a oportunidade de ficar com aquela loira gostosa, fique! – filosofou Keith, porém a ultima parte foi um sussurro ao pé do ouvido.
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