Amor proibido
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Quando chegaram, Astrid adquiriu o hábito de visitar Soluço, mesmo sem Nolan por perto, conversavam sobre muitas coisas e aprendiam mais um sobre o outro. E Astrid deixou de ser apenas a “namorada de Nolan” para se tornar um grande amiga de Soluço e uma visita mais agradável para Valka. O mais novo havia lhe dito que Valka não gostava que Astrid fosse para a casa dos Haddock usando as roupas curtas de sempre, e a loira passou a usar calças e saias leves abaixo do joelho para ir à casa do namorado. Ele também passou a ajuda-la com as tarefas escolares e ela tinha mais facilidade para aprender do que outra pessoa que o mais novo ajudava.
O colégio de Berk era o melhor e mais prestigiado da cidade, era um edifício de vários andares que ocupava um grande espaço, tinha várias salas e quadras para inúmeras aulas e um grande estádio para os jogos anuais. Era coberto por cerâmicas pequenas e brancas, com algumas vermelhas formando listras na parede como enfeite. Tinha arvores altas, grama verde e alguns espaços só de terra.
Tinha também uma grade de ensino que englobava pessoas de vasto intelecto, por isso haviam pessoas de muitas idades nela, mas sempre dividiam os alunos pela idade e pelo intelecto deles.
Soluço mexia em seu armário no corredor, cuja cor do chão era a mesma das paredes da escola, branco e vermelho, as fileiras de armários estavam dos dois lados dos corredores e haviam vasos grandes de arvores pequenas aos lados deles. Era recreio, alunos caminhavam e conversavam por todos os lados usando o uniforme que era uma camisa de botão branca, gravatas vermelhas pequenas e calças cinzas, exceto para as garotas, que usavam saia cinzas abaixo dos joelhos. Soluço procurava os livros da próxima aula e jogava dentro de sua mochila que estava aberta no chão à direita de seus pés.
Quando terminou, fechou o armário e viu o melhor amigo, Jack Frost, pálido, de olhos azuis, cabelos brancos, um sorriso no rosto e de face luminosa. Ele se assustou quando viu o grisalho, mas depois sorriu para ele.
—Oi Soluço – disse.
—E aí Jack – respondeu sorrindo enquanto pegava a bolsa do chão e fechava o zíper dela enquanto a colocava nas costas.
E começaram a caminhar juntos em direção à biblioteca da escola, aonde faziam seu clube do livro só de dois.
—E o Nolan? Como ele está?
—Vivo! E relaxa... Se ele morrer eu te aviso.
—Qual é Soluço, sabe que eu não odeio seu irmão... Mas não é como se minha irmã mais velha tivesse boas experiência com ele. Lembra? Ele...
— “Ele beijou ela a força” – Soluço falou ao mesmo tempo que o amigo enquanto balançava a cabeça para os lados, já acostumado com a reclamação de Jack em relação a Nolan.
O grisalho ignorou e prosseguiu:
—E só pra constar, é a minha irmã que quer saber dele, não eu...
—Então no caso é a sua irmã que quer que ele morra? É o que está dizendo? – falou enquanto olhava o amigo de lado, sorrindo.
Jack parou em silêncio, lançando um olhar sarcástico e incomodado. Não era raro Soluço argumentar com ele inesperadamente.
—Vamos mudar de assunto...
Entraram na biblioteca, ela tinha muito poucas pessoas que estudavam em seus livros escolares, e como toda e qualquer biblioteca deve ser, era silenciosa, e havia uma senhora de cabelo branco e encaracolado e de óculos lendo um livro antigo, em silêncio e que mandava vez ou outra os alunos falarem mais baixo. A sala tinha mesas redondas e de madeira cercadas de cadeiras do mesmo material, e a dupla se sentou um de cada lado da mesa, colocando suas bolsas sobre elas e tirando seus livros de ficção.
—E o seu avô? Ainda está com Nolan no hospital?
—Sim, mas ele volta hoje. E só pra constar, ainda não te perdoei por não ter ido com a gente na cabana do meu avô!
—Dá um tempo! Eu já tinha a semana inteira planejada com a Elsa, você ficou sabendo no último minuto, além do mais eu já fui com você na cabana do seu Arú, e gosto tanto de atirar, caçar e cavalgar quanto você! Não deixei de ir porque quis! E também... Sabe como é... É muito legal passar um tempo com a Elsa... Ela linda, inteligente, educada e também... Ela tem cromossomo XX.
Riram baixo.
O castanho fungou sorrindo enquanto batia com um lápis na folha do livro aberto.
—Mais ainda assim – continuou o grisalho – eu não sei do que você tá reclamando, passou uma semana inteira sozinho com uma garota bonita.
—Garota bonita, mas que é namorada do meu irmão esqueceu?! – disse um tanto alterado, mas lembrando de não falar alto pois estavam na biblioteca.
—Bom, parece que você que se esquece disso.
—O que está insinuando?
—Nada – falou virando o rosto para o lado, desviando o olhar para o teto e mostrando as palmas.
—Jack, eu não faria nada que não devesse com Astrid!
—Claro que não... Acredito em você... – respondeu sem olhar o amigo, que se tranquilizou ao ouvir essas palavras – Pelo menos não de propósito.
Soluço impetuosamente bateu forte sobre a mesa e o som foi ouvido por todos, e a bibliotecária fez: “Shhhh”.
Jack apontou para Soluço brincando da cara dele enquanto sorria, era quase uma competição entre ambos vez ou outra, em quem faria a bibliotecária fazer “shhh” para eles, e dessa vez o grisalho ganhou.
—Jack, por que tem dito coisas assim recentemente?
—Bom... Você tem ficado perigosamente próximo da Astrid.
—Mas somos só amigos...
—E amigos íntimos, e isso pode resultar em algo que não deve.
—Qual é! Somos amigos desde a infância, temos quinze anos nós dois ainda andamos de bicicleta juntos e jogamos vídeo game, sabe que eu não faria algo do tipo...
—Eu sei disso Soluço, mas estou falando isso para dizer que você tem um mal caráter ou falar algo da Astrid...
—Então? – perguntou.
—Bom... Foi Eva que fez Adão comer do fruto da Arvore do Bem e do Mal, e não a Serpente.
Soluço ficou um tempo em silêncio, sem compreender, ou sei quere compreender.
—Sabe... Adão e Eva, Davi e Betsabéia, Sansão e Dalila...
O castanho franzia o cenho, já imaginando o que o amigo queria dizer.
—Se não ficou claro, a criatura que Deus criou e que melhor consegue dobrar um homem, é a mulher...
—Jack não me diga que você acha que eu faria isso...
—Não de propósito é claro... Mas sabe... Você é humano, a Astrid é bonita, e você nunca namorou antes. Só quero dizer que deve tomar cuidado. Pois pode acabar se apaixonando.
Soluço ficou sem palavras, apenas olhou para o amigo com a expressão pesada, não sabia como dizer, talvez porque não houvesse mentiras nas palavras de Jack. Homens podem derrubar poderes e exércitos, mas se derretem por mulheres, e ele estava realmente ficando mais próximo da Astrid.
Soluço baixou o rosto coçando a cabeça, e suspirava, uma sombra caiu sobre os dois, e todo o viço juvenil sumiu por um tempo. Até que Jack falou:
—Mas enfim... Vamos mudar de assunto! Vamos ler o livro!
Sorriram e começaram a ler. Comentaram sobre alguns acontecimentos narrados nos livros e teorizam a respeito de muitas coisas. Depois vão para a sala de aula, aonde terminam o dia e saem no fim da tarde pelo pátio do colégio abaixo do telhado de concreto.
Caminhavam juntos enquanto conversam, Jack à esquerda e Soluço à direita.
—Então, vamos jogar vídeo game na minha casa hoje? – perguntou Soluço.
—Depende, a Astrid vai estar lá? – respondeu o grisalho.
—E se estiver?
—Soluço, sem querer voltar ao velho assunto, mas a verdade é que quando você e ela estão juntos eu sinto que estou segurando vela. Lembra quando eu fui com a Elsa na sua casa? Agora eu sei como você se sente, nem dá pra jogar direito.
O castanho olhou o amigo fazendo um olhar sarcástico e com a mandíbula de lado.
—Não é a mesma coisa! Eu não fiquei beijando a Astrid enquanto morria no jogo e precisava ser salvo.
—Mas eu ainda sinto os dedos queimarem! E vem cá, ela vai ou não vai?
—Vai!
—Então acho melhor deixar pra outro dia.
—Ah, qual é... Também não precisa fazer assim. Nós gostamos de conversar, e ela gosta de jogar. Qual é o problema?
—Nenhum! Só que não é a mesma coisa quando ela está com a gente, tem que passar o controle e você acaba precisando dar atenção a ela e eu ouço coisas que eu não devo ficar sabendo. Coisas pessoais a respeito dela e de você! Já tentou dar atenção a uma criança enquanto estuda? Pode não ser a mesma coisa, mas a dificuldade é bem parecida! – parou n frente do amigo.
Soluço fez carranca e olhou o amigo fungando alto, irritado, com certeza não gostava que falassem essas coisas dele, mas sabia que o amigo não fazia por mal.
—Então? Como fazemos? – perguntou o castanho.
—Planejamos um dia.
—Tá bom...
—Tenho que ir agora – falou olhando para trás, vendo que a namorada o esperava.
Elsa estava atrás de Jack, à direita e a alguns metros de distância. Branca, platinada e com batom vermelho, preparada para ver o namorado. Sua trança única escorria como uma cobra pelo seu ombro direito, usava óculos e sorria para Jack. Era bem comum que os alunos do colégio de Berk trocarem roupa na hora da saída, e a maioria das meninas o faziam, e Elsa não agia muito diferente. Ainda usava a camisa e gravata do uniforme, mas usava calça jeans clara e um jaleco da aula de química, havia uma bolsa escolar pendurada no ombro direito e abraçava livros junto ao peito. Também tinha vinte anos, na verdade vinte e um.
Jack e Soluço usavam o uniforme e conversaram um pouco mais.
—E só pra constar, eu não preciso ficar te protegendo quando Astrid joga com a gente.
—Não. Não precisa, mas vai ter que se proteger agora – disse o grisalho fazendo um gesto com a cabeça para trás de Soluço, à direita dele.
O castanho olhou para trás e viu Astrid correndo atrás em direção a ele. Ela também não usava o uniforme escolar, havia o trocado inteiro, usava agora uma camisa vermelha e sem mangas, uma calça jeans clara, sapatos all star branco e preto, o casaco vermelho do time das lideres de torcida estava amarrado em sua cintura e segurava as alças vermelhas da bolsa vermelha em suas costas enquanto. Havia acabado de sair do treinamento das líderes de torcida e tinha tomado banho antes de trocar de roupa, e sorria enquanto corria.
—Soluço, não se esquece do que eu disse – falou o grisalho se afastando do amigo e indo de costas em direção à namorada – e não se esquece! Amigos antes de garotas! – falou erguendo o punho direito e o cerrando suavemente, sua outra mão abaixada. Depois sua postura mudou totalmente e ele caiu na risada, abaixando seu braço, rindo da inverdade em sua frase, quando esta se torna um preceito a ser seguido pelos jovens do sexo masculino, mas sempre é quebrado.
Soluço sorriu para o grisalho balançando a cabeça, enquanto também caminhava em direção à Astrid. Quando se virou ela já havia chegado até ele, seu rosto estava luminoso e sorridente, e havia gotas de suor na raiz de seus cabelos.
—Oi Soluço!
—Oi Astrid!
Astrid passou a ir para a casa do namorado logo após as aulas, acompanhada de Soluço.
Ele pegou a bolsa dela e começou a carrega-la, havia sido criado pela mãe para ser um cavalheiro. E Jack fazia o mesmo com Elsa, seu pai havia falecido quando era pequeno e foi criado pela mãe junto da irmã mais velha e era tão inteligente, cavalheiresco e fã de ficção quanto Soluço, mas ambos conseguiam fazer parecer que não devido às suas personalidades fortes e um tanto teimosas.
Soluço e Astrid caminharam a pé durante todo o caminho, com Soluço carregando a bolsa dela, e vez ou outra a loira perguntava se não estava pesado, e se oferecia para ela mesma carregar, sabia que o mais novo não era tão forte, ainda mais carregando a própria bolsa nas costas. Conversavam sobre as muitas coisas que descobriram um sobre o outro durante o mês, tinha de fato muitas coisas em comum. E riam vez ou outra com piadas com apenas eles entendiam entre as pessoas da rua.
Quando chegaram, lembraram que Valka não havia feito a comida para o filho, e Astrid encomendou a pizza e o refrigerante para ela e o amigo comerem juntos.
E enquanto comiam e bebiam, também conversavam e jogavam vídeo game, até que ficou só um pedaço e decidiram jogar por ele.
—Isso! – gritou Astrid, levantando os braços com o controle na mão, comemorando a vitória.
—Não! – gritou Soluço ao mesmo tempo se jogando para trás, largando o controle e com as mãos na cabeça – Como eu pude perder?! Eu jogo isso há anos e você só começou a jogar quando voltamos para cá!
—Fazer o que? Eu sou muito boa – ela ria enquanto dizia – e agora vou pegar o meu prêmio!
Ela pegou a pizza e a devorou em alguma dentadas.
Havia lixo sobre a mesa de vidro, o chão perto deles e no sofá os cercando.
Soluço colocou refrigerante nos copos e deu um para Astrid.
—Tim-tim? – disse ela levantando o copo de plástico.
E batem de leve, enquanto a loira sorri.
—Sabe Soluço... Acho que já está tarde pra dizer isso mas... Você é bem diferente do que eu imaginava que fosse...
Ele sorriu baixou a cabeça e sorriu.
—Como você me enxergava?
—Como o irmãozinho esquentadinho do Nolan e que era bem egoísta.
—Nossa... Não imaginava isso. Magoou.
A loira riu de novo e disse: “Não precisa ficar magoado.”.
—Ah, tudo bem... Você também é bem diferente do que eu imaginava que fosse... – disse levando o copo à boca.
—É... Eu sei. Acho que todo mundo tem uma ideia equivocada a meu respeito... – disse ainda com um sorriso no rosto, mas um sorriso fraco e sombrio, mas que ainda carregava a luz da alegria de alguns segundos.
O mais novo a olhou lentamente, sem esperar pelo súbito desânimo da loira.
—Não vai nem perguntar o que eu pensava de você?
—Eu vou querer saber? – ela respondeu voltando-se para ele, seu cotovelo direito estava sobre a perna e seu rosto apoiado sobre a mão direita.
—Bom... Se você não gostar, pode me bater, um tapa no lado direito do rosto, você é destra, e sua mão esquerda é mais fraca, e você não é boa pra bater com as costas da não – ela sorriu.
—Eu imaginava você como uma garota ingênua e obcecada pelo meu irmão, que faria tudo por ele...
—Acho que sua visão não está errada – ela respondeu com o olhar voltado para baixo.
—Mas... – ela levantou o olhar, surpresa – você com certeza é mais do que só isso. Você tem muito caráter...
Lentamente um sorriso luminoso e rosado surge em seu rosto.
—E você é um garoto inteligente e muito simpático – ela respondeu – é como o protagonista do seu livro...
O mais parou por um momento, estava com certeza surpreendido com as palavras da loira, Astrid com certeza superou de longe seu elogio, e ele queria retribuir um que significasse para ela tanto quanto aquele significava para ele.
—E eu acredito... Que você tem um grande potencial, de ser mais do que o Nolan ou do que a sua mãe enxerga – ele respondeu olhando no fundo dos olhos dela, mostrando o brilho de sua fé nas palavras saídas de sua boca.
A loira o olhou perplexa, era com certeza a primeira vez que alguém disse algo assim para ela. Ficou muda, e seus olhos estavam arregalados, o refrigerante borbulhava gelado no copo em sua mão, e ela não bebeu dele nem mesmo quando Soluço virou o rosto para frente, sem perceber o impacto de suas palavras nela.
—Então... Quer jogar o mesmo jogo ou vamos trocar? – falou enquanto olhava as capas dos jogos sobre a mesa.
Mas Astrid apenas baixou a cabeça, misteriosa, colocou o copo sobre a mesa de vidro, e pegou o copo da mão do mais novo e o colocou sobre a mesa também, surpreendendo a Soluço.
—Astrid... O que você está...
Quando Astrid agarrou-lhe o rosto segurando-o pelas bochechas, ele arregalou os olhos como jamais o havia feito antes, e sentiu a respiração dela em sua boca, e os lábios rosados e femininos da loira se aproximaram dos lábios virgens, joviais e inocentes do mais novo.
Quando faltou alguns centímetros para selar um beijo, Soluço conseguiu fugir, podendo sentir apenas o calor do rosto e das mãos dela. Correu dando a volta na mesinha de vidro um tanto desajeitado e tropeçando no meio do caminho. Ficou de pé e Astrid olhou Soluço sem compreender.
Ficaram um de cada lado da mesa, Soluço de pé, em frente a porta, e Astrid sentada com as pernas juntas sobre o sofá.
—Astrid... – disse ele já alterado, suava frio, sua respiração estava acelerada e o ar fugia de seus pulmões, seu coração acelerava e ele arregalava os olhos, assustado – o que foi isso?
—Soluço... – ela diz com um sorriso meigo, sem qualquer malicia ou forma de maldade e num tom de alguém que tenta convencer outra pessoa.
E a noite caiu, e a sala ficou escura no mesmo instante, podendo ser possível enxergar apenas formas belas com linhas de cores mais fortes no meio da escuridão.
Ela se levantou, empurrando a mesa para o lado, deixando os refrigerantes derramarem sem querer, mas já não havia nada obstruindo o caminho entre ela e o garoto. Soluço se afastou alguns passos dela quando aconteceu, e a loira caminhou até ele, ignorando as bebidas açucaradas pingando por causa dela e na casa de outra pessoa.
Deu mais alguns passos indo lentamente em direção ao Soluço, que se afastava a cada passo que ela dava. Havia uma vassoura perto dele naquela hora, e ele a pegou e apontou para garota, tentando manter distância, mas ela olhava ele da mesma maneira de antes, nem por um momento seu rosto mudou.
Ela se aproximava com a postura reta, segura, confiante e alta, chegando a parecer uma deusa diante do mais novo que parecia assustado como uma presa encurralada. Ela seguiu em direção à ele, mesmo com a vassoura, mas Soluço se afastava e a vassoura sequer chegou a encostar um fio na blusa dela.
—Qual é o problema Soluço? – ela perguntou enquanto caminhava, com curiosidade verossímil, esta exposta em seu rosto – Não quer beijar uma garota bonita? Você mesmo me chamou assim. Não lembra?
—O problema não é exatamente esse – Soluço continuava a segurar a vassoura e a afastar-se dela.
Chegaram até a porta, e Soluço deu a volta, ainda segurando a vassoura, e começou a ir em direção ao sofá.
—Astrid... Por que está fazendo isso? – perguntou assustado.
—Você é mais inteligente do que isso Soluço – respondeu ela.
O olhar dela de repente enfeitiçou o mais novo, que ficou imóvel por um tempo, com a parte de trás de seus joelhos tocando os acentos do sofá. Ele se arrepiava, e sentia fraqueza em seus músculos. Astrid conseguiu se aproximar dele, e com o dedo fez a vassoura ser levada para o lado até tocar com a ponta no chão e ficar encostada no sofá, o tempo todo olhava para Soluço, que se viu capturado pela tentação.
Ela tocou os ombros de Soluço, e o mais novo se arrepiou, como um homem poderia fugir de uma mulher nessa situação sem machuca-la? Só uma mulher prende um homem sem correntes.
Empurrou, fazendo-o se sentar lentamente no sofá e sentou-se sobre as pernas do mais novo, as pernas dela voltadas para direita de Soluço, que olhava o rosto bonito e os olhos dela assustado e com o coração batendo rápido, jamais esteve tão próximo de uma mulher de tal maneira.
Não foi capaz de fugir do beijo caloroso e de certa forma humilde de Astrid. E em poucos segundos acabou consentindo, e nada mais importava, pela primeira vez sentia o encanto de um beijo, mesmo que não fosse mais do que um selinho demorado.
O coração de ambos entrou em sintonia e todo o desespero de Soluço deixou de existir na hora.
Quando se separaram, a loira olhava o castanho com os olhos de uma menina inocente apaixonada, e Soluço olhou-a descobrindo como é ter alguém interessado nele; mas logo depois se deu conta de que a luz da sala estava acesa, e seu coração disparou alertado, sendo que nem um deles havia acendido a luz e ela não acenderia sozinha.
O castanho olhou o interruptor e viu que perto dele estava seu irmão. Ele usava roupas longas de viagem, carregava malas na mão esquerda e nas costas e tinha uma garrafa de água na mão direita. Os olhos dele estavam arregalados como jamais ficaram, e a boca aberta com a garrafa de água em frente a mesma, estava incrédulo e desesperado mentalmente, seus sentimentos e pensamentos estavam bagunçados, se sentia traído, humilhado e sem chão, como se toda sua honra, fama, glória e reconhecimento de todos estivessem comprometidas com aquilo, como se perdesse tudo o que tem e estima.
Quando Astrid se deu conta da palidez de Soluço a alguns centímetros de seus olhos, enquanto ainda lhe tocava os ombros, olhou para onde o mais novo olhava, e no mesmo instante se lembrou de Nolan, e todo o desespero de Soluço fez sentido para ela. Não se lembrava do namorado até aquele momento, afinal ele não a comunicou desde sua internação no hospital, e porque ele não fez falta para ela, já que havia desenvolvido um relacionamento melhor com Soluço em um mês do que com Nolan em todo o tempo de namoro.
Levantou do colo de Soluço no mesmo instante, assustada e respirando seco, empalideceu também, suou frio e arregalou os olhos em meio ao flagra. E ficaram assim, Soluço e Astrid de um lado olhando Nolan, sendo os réus da situação, e Nolan sem acreditar no que havia visto e demorando para processar a informação; ficaram em silêncio, um carro passou ao lado da casa e a luz dos faróis fez um feixe de luz que passou pela sala e por cada um deles, enquanto ficavam em silêncio e toda a tensão da desagradável surpresa estava nítida no ar.
—Nolan... – disse Astrid, depois de muito tempo de silêncio.
Mas de repente Nolan reagiu a aquilo tudo, surpreendendo aos outros dois na sala, atirando a garrafa de água, mas não em direção a Astrid, em direção a Soluço, que conseguiu escapar no último instante. O mais velho contorcia os músculos do rosto em meio ao ódio, assumindo uma aparência demoníaca que expunha toda sua cólera e rangia os dentes.
Perseguiu o irmão, que deu a volta no sofá e Nolan o seguiu em alta velocidade, enquanto Astrid gritava para que Nolan parasse e não fizesse nada, mas era ignorada.
Soluço corria desesperado, e Nolan era mais atlético do que ele, e mesmo que houvesse passado o último mês no hospital e sentisse as debilidades no corpo, ainda era bem rápido e corria ameaçador atrás do irmão. Soluço tropeçou à esquerda do sofá e caiu, era a chance perfeita de Nolan agarrá-lo e fazê-lo pagar, mas Soluço jogou alguma coisas no meio caminho e logo depois seguiu caminho, e o mais velho tropeçou atrás dele, caindo no chão, o que o deixou mais irritado.
De repente, a porta da sala se abriu, era Stoico e Valka, que chegaram mais cedo do trabalho; e como nos tempos de criança, quando Nolan queria bater no irmão mais novo e Soluço se escondia atrás da mãe que o defendia sempre, Soluço correu para atrás de Valka, que ficou surpresa ao ver aquilo.
—Soluço?! Mas o que?!
Mas diferente dos tempos de criança, Nolan não parou, muito pelo contrário, agarrou um enfeite duro da sala e ergueu para bater em Soluço com ele e consequentemente levantou o braço alto e ameaçador também contra Valka, mas no último instante, Stoico, que era muito mais alto e mais forte que o filho, o segurou com os braços, afastando-o da esposa e do filho mais novo.
—Me solta! – gritou ele enquanto Stoico o afastava e ele se debatia – Eu quero matar ele, me deixa matar ele!
—O que está acontecendo aqui? – gritou Valka.
Todos os olhares se voltaram para Astrid, que estava parada de pé, assustada e com o rosto aflito, chegando a aparentar inocência.
—O Soluço beijou minha namorada!
Todos os olhares se voltaram para Soluço, até mesmo o de Nolan, que respira instável e estava instável em todos os sentidos, o mais novo da sala pareceu ser o culpado de tudo, até que Nolan acrescentou: “Eles estavam se beijando!”.
E os olhares voltaram de novo para Astrid, cuja expressão em seu rosto tomava toda a culpa sobre si.
—Dona Valka eu posso explicar...
—Não! Saia da minha casa! Não quero mais ver você aqui! – vociferou Valka percebendo a confusão em sua casa.
Ela pegou a bolsa e correu da sala com uma expressão amedrontada.
—Tchau Soluço! Senhor Stoico, dona Valka, Nolan... Me desculpem – falou e saiu chorando.
E a família ficou sozinha na sala em meio a toda a bagunça, deixada para trás por Astrid.
A loira corria pela calçada da rua, enquanto chorava. Sabia que tinha mil e um defeitos, mas jamais imaginou que seria capaz de trair o namorado. Há um mês sequer imaginou que seria capaz de esquecer o namorado. Ela passou por algumas pessoas que iam à direção contraria à dela, entre eles alguns grupos de amigos e casais passeando.
Arrependia-se de tudo o que fez, ao mesmo tempo em que em seu coração descobria seus sentimentos por Soluço.
Correu até uma Igreja gótica que havia por lá, correu para dentro dela, esquecendo-se de fazer o sinal da cruz, e invadiu o confessionário.
O confessor que estava lá era amigo dela, e a reconheceu chorando.
—Astrid? É você?
Ela não respondeu, apenas arfava chorando. E o padre iniciou a confissão com ela.
—Quais são os seus pecados? – ele perguntou.
—Eu traí meu namorado... – ela falou – Eu sou uma adultera padre!
—Você ainda é virgem?
—Sim! Sim! Foi só um beijo.
—Então você não é uma adultera. Adultério é quando você não mantém a fidelidade conjugal ao se relacionar com alguém fora do casamento. E até onde eu sei, você não é casada, e nem se uniu fisicamente ao Nolan.
—Mas eu ainda o traí! – ela disse ainda chorosa – Eu quebrei a confiança dele!
—Bom... Isso é verdade... Conte-me melhor o que aconteceu.
Ela contou e o padre falou com ela, a absolveu e a aconselhou.
Alguns dias se passaram logo após o ocorrido. E dentro de pouco tempo todos na escola de Berk souberam o que havia acontecido, Soluço já era bem deslocado entre seus colegas de classe, e ficou pior quando ficou com má fama. E Astrid ficou da mesma maneira com suas amigas líderes de torcida e os amigos de Nolan que ela conhecia. E Stoico e Valka proibiram que Soluço falasse de novo com a garota, e o mais novo obedeceu, nunca mais voltou para casa com Astrid, nem mesmo falava com ela na escola, e sempre desviava o olhar quando a encontrava, mesmo que de longe, e a loira sentia na parte mais sensível da alma as consequências de sua traição, mesmo que já houvesse sido absolvida.
Soluço, Jack e Elsa estavam numa mesa de uma sorveteria que costumavam de vez em quando, na maioria das vezes, iam apenas Jack e Elsa, em outras Jack e Soluço, Soluço nunca foi com Elsa, e raramente os três se reuniam para tomar sorvete juntos.
Estavam numa mesa colorida de metal, era amarela, e tinha anéis das mais variadas cores, rosa, lilás, vermelho, e um copo de milk shake no centro, a logo da sorveteria. De um lado direto estavam Jack e Elsa de costas para a porta, do outro estava Soluço. Elsa estava com o cabelo deitado para trás, e usava um vestido leve e belo, azul claro com alguns enfeites em branco; Jack usava uma calça branca leve, enfiada dentro de botas azuis escuras e pretas e uma jaqueta azul escura; e Soluço usava uma calça jeans leve, enfiadas em suas botinas, e sua jaqueta verde favorita.
O castanho se deitava sobre os braços em cima da mesa, escondendo o rosto, finalmente tendo um tempo para falar com os amigos sobre todo o ocorrido.
—O que aconteceu depois de toda aquela confusão na sua casa? Quando Astrid foi embora? – perguntou Elsa.
Soluço suspirou e disse:
—Bom... Para evitar que meu irmão tentasse me matar enquanto não estivessem por perto, meus pais decidiram manda-lo de volta para o meu avô, para ficar um tempo lá e se acalmar, acharam que meu avô poderia ajudar Nolan com tudo isso, inclusive com seu temperamento... E meus pais... Bem... Estão divididos... Não falam direito nem um com o outro, nem com Nolan, nem comigo, mas os dois concordam que Astrid deve ficar longe para resolvermos tudo isso.
—E a Astrid? – perguntou Jack.
—Como é que eu vou saber?! Eles me proibiram de falar com ela...
O casal se olhou enquanto Soluço deitava de novo com o rosto aflito.
—Bom... Quando eu falei de ter algum lance entre você e Astrid, eu falava sério... Mas também estava brincando... Não imaginei que algo assim fosse acontecer de verdade...
—É, mas aconteceu – disse Soluço se levantando, apoiando-se nos cotovelos – meu parabéns, você deve ter algum tipo de dom de vidência...
O grisalho olhou a namorada, um tanto envergonhado.
—Como isso foi acontecer?! – questionou Soluço – Tipo assim... O que ela viu em mim? Meu irmão mesmo disse que ela nunca iria trocar alguém como ele por alguém como eu... O que tinha na cabeça dela para ela fazer isso?
Elsa tocou a mão do mais novo sobre a mesa e disse: “Soluço, qualquer garota teria sorte de ter alguém igual a você.”.
O namorado dela olhou-a da mão tocava a mão do amigo ao rosto dela, chamando-lhe a atenção com olhar, demonstrando certo ciúme, Elsa o olhou e afastou a mão da dele, um tanto sorridente pela atitude do namorado, gesticulou para Soluço, afirmando silenciosamente para que ele falasse com o amigo.
Mas o castanho olhava toda aquela cena e bateu com as palmas da mão sobre a mesa dizendo: “Dá um tempo! Parem com isso vocês dois! Jack, você sabe que eu não fiz aquilo de propósito! Eu não faria nada com a Elsa! Você é meu melhor amigo!”.
O casal se olhou de novo e Jack falou: “Soluço, você é um cara legal... E a Astrid se apaixonou por você. Então...”.
— “Apaixonou”... – comentou Soluço com tom de escárnio – Eu duvido muito.
Elsa aproximou o rosto e falou: “Soluço, eu falei com ela... Eu vi nos olhos dela, ela realmente ama você...”.
—Como é que você sabe disso? – questionou – E desde quando você fala com ela?
—Desde que eu fiquei sabendo dessa história! Tenho conhecido ela melhor, posso até dizer que ela tem se tornado minha amiga... E que ela é uma boa pessoa, embora você ainda esteja assustado pelo que houve. E outra, eu mulher! Homens podem não compreender sentimentos de mulheres, mas mulheres compreendem os sentimentos de outras mulheres! E eu falei com ela, ela ama você de verdade, eu olhei nos olhos dela. Seja lá o que você fez, ela não é a mesma garota que seu irmão apalpava. E eu sei a evolução que é isso. Afinal...
—Eu sei que meu irmão também já deu em cima de você! Eu conheço ele! Mas não é disso que a gente tá falando agora! E isso não muda o fato de que Astrid traiu meu irmão! – vociferou.
O castanho bateu com a testa na mesa, frustrado e um tanto irritado e desesperado, sem saber o que fazer.
—Ah, dá um tempo Soluço! – disse Jack com um braço deitado na mesa e o outro levantado – Também não podemos dar os créditos de tudo isso só pra Astrid.
—É – consentiu Elsa.
Soluço levantou o rosto franzindo o cenho, sem compreender do que ambos falavam.
—Como assim? – perguntou mal humorado.
—Como assim o que? – respondeu Jack.
—Como assim a culpa não é toda da Astrid? Do que é que você está falando?
Enquanto falavam, apareceu uma empregada com um avental branco trazendo taças de sorvete numa bandeja.
—Bom... Não é como se Nolan não tivesse pedido por isso. Sabe... – disse Elsa – Pela forma que ele tratava ela, já era de se esperar que ela trocasse ele por alguém melhor, sem querer ofender o seu irmão, mas você mesmo que sabe como ele é.
Jack riu.
—Agora você deve ter causado uma bagunça no cérebro dele, ele deve se sentir, insultado, elogiado e confuso ao mesmo tempo.
—Será que dá pra vocês serem diretos?
—Certo – começou Elsa – O amor é como uma rosa, você a planta e deve regar e cuidar dela senão vem alguém e acaba com tudo... A rosa morre, ou alguém a toma.
Soluço fez seu característico rosto de confusão e incompreensão, a boca aberta, as costas curvas, e um dos olhos apertados.
—Ele não entendeu – comentou Jack, que já desfrutava de seu sorvete.
—Bom, ele é seu melhor amigo, tente você explicar de maneira que ele entenda – ela falou, pegando a colherzinha de plástico para começar a desfrutar do sorvete na taça à frente dela.
—Certo... – pensou Jack com as mãos unidas em frente ao rosto e olhando para o lado, procurando uma forma de explicar – Já sei!
O castanho pulou sobre o banco acolchoado na exaltação do amigo.
—Soluço... Ter alguém, é como você ser o rei... Ou a rainha – falou voltando o olhar para Elsa – de um reino, você tem que cuidar de seu povo, fornecer cuidados, proteção, meios sustentáveis de governo, deve melhorar o exército, as armas, as armaduras, fortificar as muralhas, criar torres de vigia, desenvolver recursos... E por aí vai... Ora, se você não faz nada disso, não pode reclamar de uma revolta do povo, e muito menos se aparecer alguém e tomar o reino de você.
—Boa! – disse Elsa para o namorado – E foi exatamente isso que aconteceu com Nolan e a Astrid! Ele não cuidou bem dela, não a protegeu de ninguém... E quando apareceu alguém melhor do que o namorado dela... Ele a perdeu...
Soluço parou em silêncio e suspirando, pensativo, e considerando que talvez seus amigos falassem a verdade.
—Sabe... O relacionamento de um casal – disse Elsa pegando a mão do namorado – depende do caráter das duas pessoas, e isso também envolve cuidar um do outro. Você cuidou da Astrid, Nolan não... E sendo ela uma pessoa decente, embora não pareça à primeira vista... Era óbvio que ela se apaixonaria por você.
Soluço baixou a cabeça, e se colocou no lugar da Astrid, tentou descobrir mentalmente como é ser usado e esquecido todos os dias, de repente viu certa razão nas atitudes de Astrid, mas seus pensamento provocavam nele inúmeras confusões.
—Talvez estejam certos – sussurrou para eles.
—Mas a questão não é mais o que ela sente por você – continuou Elsa, sensível – mas... Soluço, o que você sente por ela?
O mais novo parou de novo em silêncio, arregalou os olhos e abriu a boca, sempre silencioso, e Elsa o fez vagar por cantos de sua mente que o mais novo jamais havia vagado, fazendo-o olhar Astrid com outros olhos.
Elsa sorriu ao ver a reação do mais novo, tomaram os sorvetes num silêncio mortalmente social, depois Elsa falou: “Vou pagar os sorvetes.”.
E saiu da mesa, levando a bolsa.
—Você estava certo – disse Soluço, deitado sobre os braços em cima da mesa.
—O que? Sobre o que?
—Sobre antes, sobre o homem sempre cair pela mulher, e eu não ser diferente, é verdade... Não esperava que aconteceria comigo mas... Aconteceu...
—O que vai fazer agora?
—Vou falar com a Astrid. Tentar algo com ela talvez... Até porque não fazer nada não tem dado certo... Meus pais vão entender... Se eu tentar explicar. Eu acho.
—E o Nolan?
—Se todos estiverem de acordo, só vai haver uma opção para ele. Aceitar. Mas até lá, ele vai ter que ficar na cabana com meu avô.
—Com licença... – falou se levantando – Dê um “tchau” pra Elsa por mim.
—Pode deixar.
Quando Elsa voltou para a mesa, só havia Jack, que explicou sua curta com conversa com o amigo à ela.
—Bom... Espero que tenhamos feito um bom trabalho, não é, meu rei? – ela disse segurando a mão do namorado.
—Com certeza minha rainha.
Naquela noite, Soluço dormiu em silêncio, e a casa estava silenciosa tanto de dia quanto de noite, tanto quando ele estava sozinho quanto quando ele estava com os pais. Mas havia deixado tudo de lado para pensar no que poderia haver com ele e Astrid.
Se mexia sobre a cama de olhos abertos, incomodado a respeito dos sentimentos que nadavam para todos os lados em seu coração e em relação a Astrid, foi incapaz de não aderir à filosofia de Jack e Elsa, e considerar os momentos agradáveis que passou com Astrid. Talvez o que sentisse na hora em que ela o beijo não fosse luxúria, mas uma amor escondido até mesmo dele.
No dia seguinte, ele foi andando até a casa dela, estava chovendo, então ele levava uma capa de chuva e uma sombrinha. Já a havia visitado antes, quando a mãe dela não estava. Bateu na porta de madeira, e em menos de um segundo, a porta abriu, e revelou-se uma mulher alta e de olhar mal-humorado e de cabelos castanhos, e o mais novo se assustou ao vê-la. Nunca havia visto aquela mulher antes na casa de Astrid, mas não precisava ser um gênio para quem era ela.
—Ham... A Astrid está aí?
—Não! – respondeu fria e dura como aço – Você é o garoto que ela seduziu?
O mais novo ficou um tempo em silêncio, olhando-a sarcasticamente e com a mandíbula para o lado.
—Não foi bem isso que aconteceu!
—Ela me disse que seu irmão quer te matar, você já não se meteu em problemas demais por causa dela?!
—Eu só quero falar com ela! E meu irmão está longe daqui!
—Ah! Astrid, por que você faz essas coisas?! – falou consigo mesma.
O mais novo se enfureceu, e a lembrança das coisas que Astrid falou da mãe, junto das coisas que o melhor amigo e a namorada falaram sobre amor se mesclaram ao mesmo tempo em que ele olhava a mulher reclamar da filha.
—Talvez isso não teria acontecido como aconteceu se você amasse ela!
—O que? – respondeu ela indignada – Eu dou comida à ela, dou água à ela, ela mora na minha casa e eu pago seus estudos, e você acha que eu não amo ela só por causa da forma como trato ela? É claro que eu a amo!
—Ah, claro! E quando você estiver velha e a Astrid estiver pagando seu asilo, ela vai poder dizer: “Eu pago sua estadia aqui, suas contas, sua água, comida, remédios, por que quer que eu a visite?!”. Você é mãe dela, você tinha que cuidar dela! Se ela fez isso hoje é por sua causa!
A mais velha ficou em silêncio, os olhos arregalados e a boca aberta, sentindo as palavras de Soluço dolorosas como um soco no estômago e verdadeiras e vergonhosas como ficar nu na tela de um estádio.
Ela respira um tanto corada, nunca imaginando a colocação de Soluço, olhou para o lado molhando os lábios com a língua e olhando Soluço de cima falou: “Ela não está aqui!”.
—E aonde ela está?
—Ela disse que ia treinar no estádio da escola.
—Na chuva?! – questionou.
—Sim, e não seria a primeira vez.
—Certo, obrigado – respondeu Soluço se afastando, quando de repente deu meia volta e disse – Sua filha é uma ótima pessoa, bem diferente do pai dela. Não a odeie pelos erros que ele cometeu.
A mulher olhou nos olhos do mais novo, tendo sua carranca quebrada, mais ainda permanecia em seu rosto, e o reconhecimento da verdade surgiu no mesmo e em seus olhos, e com sua expressão dizia “vou tentar”.
Soluço a olhou e saiu correndo debaixo da chuva forte.
Levou apenas alguns minutos para Soluço chegar na escola. Caminhou pela arquibancada de madeira e procurou-a.
No estádio de terra e grama, ainda chovia, e tinha poças de lama, as gotas de água caiam grossas e sem parar, e alguém corria nele, Soluço não demorou para se dar conta de que o atleta no campo era Astrid.
Os cabelos dela estavam presos mesmo penteado, mas estavam molhados e algumas mechas estavam grudadas em seu rosto, usava uma blusa branca, um shortinho rosa e sapatos de correr da mesma cor que o short, e ela corria sozinha, não havia mais ninguém com ela, diferente das outras vezes, pois costumava correr com as líderes de torcida. Ela olhava para baixo enquanto corria e as gotas de chuva escorriam pelo seu rosto, e não havia percebido Soluço ao longe, olhando-a da arquibancada, mas mesmo que o olhasse não o reconheceria, pois estava de capuz, e segurava uma sombrinha preta, pareceria mais uma cena de um filme de terror.
Soluço desceu da arquibancada quando a viu e foi em direção à ela, e Astrid continuou correndo, pensativa, pensava sem parar em Soluço, em Nolan, também em Stoico e Valka, da última expressão no rosto deles e de ser a responsável por toda aquela confusão. Se sentia solitária e seu coração doía ao mesmo tempo em que batia acelerado.
Quando de repente tropeçou e caiu numa poça de lama, fazendo as gotas de água subirem, gemeu quando caiu, e olhou para tênis, o cadarço estava desamarrado, e se sentou para amarrá-lo, enquanto o fazia, não notou que Soluço se aproximava dela, só quando a chuva parou de atingi-la e ela olhou para cima, surpresa e assustada.
Soluço olhou-a por debaixo do capuz, e ela virou seu corpo para ele, ainda sentada. Se olharam em silêncio por alguns instantes, até que Soluço estendeu a mão e sorriu. Ela terminou de amarrar o tênis e pegou a mão de Soluço, usando-a para se levantar, sorria para ele enquanto isso, amedrontada e assustada devido a todos os acontecimentos de antes, mas com o coração feliz por vê-lo de novo, depois de tanto tempo, chegava a sentir sintomas de abstinência. Olhou com o coração pesado e feliz ao mesmo tempo.
—Treinamento pra líder de torcida? – perguntou o mais novo.
—Não, fui expulsa do time quando souberam o que fiz com Nolan – respondeu, começando a caminhar com Soluço para a arquibancada, debaixo da sombrinha.
—Não sabia que elas eram tão moralistas.
—Moralismo?! Não, não se trata disso, se trata de ter terminado com o garoto mais popular da escola por causa do irmão que é menos popular.
O mais novo franziu o cenho por um tempo, ao ser chamado de menos popular, mas era verdade, e uma verdade que não doía nele, então apenas ignorou e continuou a conversa.
—Então... Por que está aqui?
—Não há nada de errado em uma garota querer se manter bonita, tem?
—Não – respondeu o mais novo sorrindo – mas debaixo da chuva?
—Eu não me importo... – disse ela com um olha pesado e triste.
—Há quanto tempo não se importa? – ele perguntou, suspeitando haver uma ligação entre o dia em que causou a confusão na casa dos Haddock e o tempo em que parou de se importar em andar na chuva.
Ela o olhou assustada, sendo pega em cheio enquanto é esmagada pelos sentimentos ruins e não respondeu nada.
—Soluço... Me desculpe por ter causado tantos problemas... Eu não queria fazer nada de errado...
—Tudo bem, tudo bem – o mais novo falou serenamente e Astrid respirou aliviada – Ainda estou um pouco confuso, mas... Não culpo você...
Ela sorriu para ele.
—Tem falado com Elsa? – perguntou.
—Sim... – ela respondeu sorrindo de novo – Ela falou com você?
—Ela me disse que você falou algumas coisas para ela... A meu respeito.
—O que? – perguntou um tanto assustada.
—Que você sente algo por mim.
—Se eu não sentisse não o teria beijado – disse baixando a cabeça.
—Me perdoe pela pergunta, mas... Por quê?
Astrid olhou Soluço em silêncio por um tempo, e pararam um de frente para o outro, a loira sendo mais alta do que Soluço e a chuva ao redor deles.
—Você é educado, talentoso, gentil, inteligente e o mês que passei com você significou mais pra mim do que todo o tempo que passei com seu irmão...
Aos poucos Soluço sorriu, e ela, que antes estava assustada, fez o mesmo.
—E agora? – perguntou ele – O que faremos?
—Como assim?
—Eu... Quero tentar algo com você – falou abaixando a cabeça e ruborizando e a mais ruborizou também, arregalando os olhos, caindo o queixo e dando alguns passos para trás.
—Astrid! – chamou ao vê-la que ela estava voltando para a chuva, e a puxou pela mão para debaixo da sombrinha.
Por um momento ficaram com os corpos encostados de frente um para o outro, e logo depois se afastaram de novo, ficaram de lado, de cabeça baixa e cada rosto virado para uma direção.
Estavam distantes, mas Soluço esticava o braço para ela, protegendo-a da chuva com a sombrinha e deixando as gotas de água cair sobre ele.
Ela ficou envergonhada por um tempo, e sem saber o que dizer, seu coração dizia que ela deveria se tornar a namorada dele, mas algo em sua mente martelava e a fazia ter medo, e era a lembrança do que ela fez com Nolan e os outros Haddock. Olhou Soluço para dizer não, mas quando percebeu que estava na chuva e que a protegia com a sombrinha que poderia usar para protegê-lo, ela mudou subitamente de ideia.
—Soluço... – ela falou se aproximando dele, e o abraçando, o rosto dele dando à altura do peito dela.
Ficaram assim por um tempo, até que ela falou.
—Mas seus pais, e o Nolan...
—Tudo que eles podem fazer é aceitar... E... Se algo acontecer, eu garanto que não vou deixar nada acontecer com você.
Ela sorriu.
—Vamos – disse o mais novo – Troque essa roupa, vamos sair dessa chuva.
Depois foram para o vestuário, branco, escuro e pálido. Soluço estava sentado no banco de um dos corredores de armários, e do outro lado dos armários para onde virava as costas, Astrid trocava de roupa.
—Eu falei com seu irmão.
—Falou? E o que ele disse?
—Ele não me culpa – falou – culpa você...
—Eu já imaginava, em questões de traição o homem sempre é culpado... Desculpe...
—Não me ofendi. Eu também falei com um padre.
—Padre?
—Sim. Eu também frequento a Igreja, nunca me viu lá porque costumo ir sozinha.
—E o que ele disse?
—Bom... Disse que eu errei em traí-lo, mas Nolan não me amava... E que eu devia terminar com ele, antes que déssemos um passo a mais na nossa relação.
—E terminou?
—Quando liguei para ele foi para fazer isso. E ainda assim ele culpa você.
—Tudo bem... Eu falei com o Jack e a Elsa. E eles me falaram algumas coisas sobre namoro.
—O que?
—Que temos que cuidar um do outro.
—Sim... O padre também disse algo semelhante. Disse que Jesus morreu na Cruz porque amar é mais do que dizer “eu te amo”.
—É... Acho que é uma forma melhor de descrever.
—Garanto que vou cuidar de você Soluço – ela disse.
—Obrigado Astrid, também vou cuidar de você.
Passado um tempo, a loira pensou e perguntou:
—Soluço, por que quer tentar algo comigo?
O mais novo ficou em silêncio procurando uma resposta, mas era homem, e não era sensível o bastante para dar uma resposta que a deixasse satisfeita e explicasse de verdade seus sentimentos. Então tomou uma decisão inteligente:
—O mês que passei com você significou mais para mim do que o tempo que passei com qualquer garota na vida.
A mais velha parou por um momento e ruborizou, ficou em silêncio e depois sorriu como boba.
—Você passou muito tempo com outras garotas?
—Poucas, e com algumas passei mais tempo do que com você, mas nunca namorei, e não sou de ficar... Então...
Ela saiu, vestia roupas de frio secas e limpas, e sorria ruborizada. Soluço se levantou sorrindo e ficaram perto um do outro.
O mais tocou a mão dela.
—Sua mão está fria – e começou a aquecê-la com as duas mãos enquanto ela o olhava vermelha e sorridente, achou que havia acertado em cheio quando o havia beijado, mesmo que também tivesse cometido um grave erro.
—Astrid... – disse enquanto esfregava as duas mãos na mão dela – antes de começarmos, acho que precisamos falar com meus pais...
O sorriso sumiu de seu rosto.
No dia seguinte, Astrid batia na porta da casa dos Haddock, havia combinado com Soluço que falasse sozinha com os pais dele, e quando ele não estivesse por perto, e o castanho estava na casa de Jack.
Ninguém atendia, então a loira deu a volta na casa, e foi até a outra porta, perto da cozinha, que tinha vidro nela. Encontrou Valka, que lavava a louça, e bateu na porta. A mais velha se assustou, ficou com o semblante sério e abriu a porta.
—Dona Valka, eu sei que agora eu sou a última pessoa que a senhora quer ver na terra – a mais velha olhava a loira com desprezo – e eu peço perdão por toda a confusão que causei... Mas a verdade é que... Eu não fiz por maldade, por malícia ou qualquer coisa do tipo.
Valka olhou Astrid com outros olhos naquele momento, porque ela não usava roupas curtas e que a sensualizavam de maneira banal, mas usava um vestido largo naquela hora e que a deixava com uma aparência até medieval, um que ela comprou para a ocasião. A aparência e produção dela para a situação, junto do olhar da loira, faziam Valka acreditar em suas palavras. Mas a raiva ainda enevoava a mente da senhora Haddock.
—Astrid... Por que está aqui?
—Por dois motivos: para olhar nos olhos da senhora e dizer... Sinto muito ter causado problemas entre seus dois filhos, e o outro é para dizer que... Amo Soluço, e existe uma chance de nós dois darmos certos como casal.
Ela se surpreendeu.
—O que Soluço acha disso?
—Ele mesmo veio falar sobre isso comigo.
Valka olhou para o lado, pensando em como o filho mais novo poderia tomar tal decisão.
—E como vamos saber que não trair Soluço?
—Eu o amo... E ele me ama.
—Como você amava Nolan e Nolan o amava?! – escarneceu.
—Nolan não me amava, a senhora sabe disso.
A mais velha virou o rosto para o lado e suspirou, sem resposta diante disso, talvez porque ela sabia que era verdade. Antes de conhecer Stoico, namorou com um rapaz que a tratava com Nolan tratava Astrid, e sabia muito bem que o que Astrid dizia era verdade.
—Dona Valka, eu sei que a senhora está zangada, e tem todos os motivos para ficar assim, mas por favor, me olho com outros olhos.
—Que olhos?
—De mulher...
A mais velha se surpreendeu, arregalando os olhos.
—Eu sou mulher, a senhora também, mas... Como uma mulher decente, o que procurava num homem antes de conhecer o senhor Stoico? – Valka olhou Astrid, sem esperar por tal argumento – Um homem companheiro, que estivesse sempre ao lado da senhora, que cuidasse da senhora e fosse para a senhora o que precisasse... E Soluço é tudo isso para mim... Tudo o que Nolan não era... E eu pretendo ser tudo isso para Soluço, como a senhora sabe que eu era para Nolan...
A Haddock ficou em silêncio, presa no argumento de Astrid.
—E... Eu sei que a senhora acredita em Deus, e Jesus disse para perdoar uns aos outros, sei disso porque também tenho um crucifixo e uma bíblia em casa, além de frequentarmos a mesma Igreja...
—Não use isso contra mim! – falou Valka olhando Astrid novamente com certa repugnância.
Mas depois as duas ficaram em silêncio, e a imagem que Valka tinha de Astrid mudou bruscamente no momento.
—Entra – falou a mais velha.
Valka conversou a só com Stoico, que estava bem alheio à situação, normalmente deixava que as questões envolvendo Soluço fossem resolvidas pela esposa, e por isso deixou que ela decidisse o que fazer com relação à Astrid, afinal, ela já não namorava mais com Nolan.
Quando Soluço chegou já estava na hora do almoço, e a mãe dele o chamou para conversar. E ficaram à mesa, perto da janela, Valka de um lado, e Soluço e Astrid do outro.
Falaram sobre muita coisa, sobre como se aproximaram na casa de Arú, como descobriram que tinham muitas coisas em comum, e como construíram uma relação a partir disso. E Astrid contou sobre o momento em que percebeu que se apaixonou por Soluço e o beijou, falou também como se sentiu quando viu Nolan de novo na porta, quando ele perseguiu Soluço e quando todos a culpavam por aquilo, o que fez depois daquilo até o momento em que Soluço foi até ela.
E Soluço falou do que sentia por Astrid, e como queria tentar algo, apesar de Nolan. Pediram que ela os auxiliasse no relacionamento.
Valka suspirou, enquanto passava a mão uma na outra, como se as lavasse.
—Bom... Como mãe, não posso dizer que estou confortável com isso. Não só pelo que aconteceu envolvendo Nolan, mas também pela diferença entre a idade de vocês. Você é uma moça de vinte anos, ele é um garoto de quinze.
—Mas o Soluço é muito maduro para a idade dele – disse Astrid.
—Eu sei – respondeu Valka sorrindo para o filho enquanto pegava em sua mão – Mas... Apesar de tudo, acho que devo dar liberdade ao Soluço para que ele possa tomar suas próprias decisões... É o que uma boa mãe faria...
Soluço e Astrid sorriram um para o outro, mas não de maneira espontânea, sorriram como se houvessem vencido uma penosa batalha, chegava a sorrirem mais de alívio do que de alegria.
Valka suspirou de cabeça baixa e ainda esfregando as mãos uma na outra falou: “Eu não sei aonde isso vai dar...”.
—Dona Valka, eu garanto que vou cuidar do seu filho, e que não vou fazer com ele nada que a senhora não permita.
A mais velha a olhou ainda com a cabeça abaixada, ouvir aquilo era reconfortante, mas não matava a preocupação dela.
—Mas e o Nolan? – perguntou Soluço.
—Seu pai e eu cuidaremos dele.
Stoico se sentava em sua poltrona, de costas para eles, e assistia televisão ao mesmo tempo em que ouvia conversa.
Soluço o olhou um tanto aflito, sabia do afeto que o pai tinha pelo seu irmão. E imaginou como não devia ser agradável para ele ver essas coisas acontecendo.
Levantou-se da cadeira e caminhou até ele deu a volta na poltrona, enquanto as duas mulheres o olhavam.
—Pai... Eu sinto muito... Sei que está chateado... Não queria que essas coisas acontecessem como aconteceram, mas...
Stoico sorriu para o filho por debaixo dos pelos faciais.
Tomou a mão do filho fazendo-o aproximar-se.
—Eu sei que acha que Nolan é o meu favorito, mas você também é meu filho, e não se divide o amor, o carinho e o afeto à medida que os filhos nascem, se multiplicam essas virtudes. É bem estranho falar isso sendo homem. Sei que tenho mais coisas semelhantes com Nolan, mas me admira que eu tenha um filho tão inteligente e especial.
Soluço olhou o pai surpreso e mudo diante das palavras, e Valka e Astrid mais ainda, nunca viram Stoico agir de maneira tão sensível.
—Não me alegra que Nolan tenha perdido a namorada, mas me alegra que meu filho caçula tenha conseguido uma – puxou o filho e falou no ouvido – e uma bem bonita, convenhamos.
Soluço riu.
—Fico triste que Nolan tenha espantado a namorada, mas fico feliz que tenha feito uma moça se apaixonar por você e que tenha feito ela mudar...
O mais novo sorriu e disse: “Em outras palavras o senhor está feliz e triste.”.
Stoico riu.
—Podemos considerar isso – disse ele – agora vai lá, tem a minha bênção e a bênção de sua mãe. Chame ela para sair – disse fazendo o filho voltar-se para a loira.
Stoico e Valka deram espaço para o casal mais novo, a mulher indo para junto do marido, e o beijando, logo após presenciar a tão bela cena entre pai e filho.
—Os relacionamentos normalmente começam quando um cara chama uma garota para sair – disse Soluço se aproximando de Astrid, que sorria para ele, parada, enquanto esperava ele chegar até ela.
—Aham – disse olhando-o de cima.
—Vamos sair juntos?
A mais velha sorriu de olhos fechados e vermelha e disse: “Claro. Vamos...”.
E os dois riram ruborizados enquanto Stoico e Valka olhavam os dois.
—Isso pode ser o começo de algo bom para os dois? Para o Soluço? – perguntou Valka sussurrando.
—Pode sim... Mas e o Nolan...
—Vamos esperar para ver se isso tem algum futuro, aí eu vou falar com ele – disse ela – só espero que ele entenda...
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