Amor por acaso

14 Capitulo 14


Notas iniciais
Oi amores, obrigada pelos comentários é muito bom saber que estão gostando. Boa leitura.

Ele se ajeitou debaixo das cobertas, pus o livro no criado mudo, desliguei o abajur e dormi abraçada naquele meu principezinho.

Acordei as 7:00 com o alarme do celular para tomar o remédio e sai com cuidado de quarto para não acordar Henry. Eu estava um pouco fraca, mas a febre estava bem menos intensa que no dia anterior. Eu preparei um chá, torradas, comi, tomei o remédio e subi. Decidi que ligaria para avisar as meninas que estava doente, até porque elas me matariam se descobrissem só quando eu melhorasse, mas a casa estava silenciosa porque só eu estava acordada, então decidi dormir mais um pouco, o que não foi um desafio pois estava exausta e meu corpo continuava dolorido.

Ao acordar novamente vi que Henry não estava mais na cama, olhei no celular e levei um susto porque já eram quase 12:00 dia, hoje era domingo, mas eu quase nunca acordo tão tarde. Lembrei que não iria ter nada para fazer e que não poderia nem ir na casa das meninas, o médico disse que eu teria de ficar o máximo em repouso possível. Regina já havia me falado que traria até comida para mim, mas eu recusei porque além de ser estranho eu iria acabar mofando naquele quarto se não saísse pelos menos para me alimentar. Troquei de roupa, escovei os dentes e desci.

– Precisa de ajuda? – Falei adentrando a cozinha, vendo Regina cozinhar.

– Emma, eu falei que faria as coisas por esses dias. Você ouviu o médico, se ficar fazendo esforço vai acabar piorando. – Ela falava, mas eu só conseguia pensar que não conseguiria ficar parada, eu sou como uma criança hiperativa precisava me movimentar.

– Mas Regina, eu não consigo ficar sem fazer nada. Deve ter alguma coisa em que eu possa ajudar que não vá precisar me “esforçar” tanto. – Ela me olhou com cara de brava e mandou eu ir jogar vídeo game com Henry na sala, sabia que não ia adiantar nada se eu insistisse então fui sem reclamar.

Depois de um tempo resolvi ligar para as meninas, fui para o meu quarto, sentei na cama e primeiro liguei para a Mulan.

– Oi Emma. Porque você não veio ontem? A prefeita não deixou? – Ela falou brincando, mas, além da pneumonia, ela não tinha deixado mesmo.

– Oi Mulan. – Eu falei com a voz um pouco rouca – Eu não pude ir ontem porque eu fiquei doente e o médico falou que tenho que ficar em repouso por duas semanas.

– Espera, é grave? O que você tem?

– Não é muito grave não. É só uma pneumonia. – Ok que pneumonia era algo séria, mas pelo que o médico disse a que eu tinha pego era viral e logo passaria.

– UMA PNEUMONIA? Você acha que isso não é grave, Emma? – Ela falou como se eu fosse doida de achar que aquilo não era nada.

– Calma, o médico disse que é uma pneumonia mais leve, digamos assim e por isso posso ficar de repouso em casa mesmo. – Tentei acalma-la.

– E você está muito mal? Porque não fica aqui em casa? – Pude sentir por seu tom de voz que queria ser útil de alguma forma, mas não sabia ao certo o que fazer.

– Depois que o tomei o antibiótico me sinto um pouco melhor. – O que se aplicava somente a febre porque no resto eu sentia que só piorava – E não posso sair de casa porque o Dr. Whale disse que como anda muito frio se eu sair posso pegar hipotermia o que pode piorar mais a situação.

– Emma, e o que eu faço?

– Espera eu melhorar. – Eu queria muito poder vê-la, mas não daria para ir lá.

– E quem vai cuidar de você?

– Mesmo eu dizendo que consigo cuidar de mim mesma a Regina está me tratando como se fosse uma criança e você sabe que eu não sei ficar quieta, ela vive me dando bronca falando que devo ficar em repouso. – Enquanto eu falava meio birrenta a Mulan não parava de rir – E você ainda acha graça?

– Muita. – Ela diz parando – Porque primeiro, eu daria tudo para ver como seria Emma Swan obedecendo alguém. Segundo, ver a Regina cuidando de você deve ser muito estranho ainda mais porque não a vejo expressar emoções além da raiva. – Ela falava como se o que eu estivesse vivendo fosse como um reality show e ela uma daquelas espectadoras que esperava ansiosa o próximo episódio o mais rápido possível – Mas como ela pode estar cuidando de você se nem estavam conversando?

– Na verdade isso tem a ver com eu ter ficado doente e tenho muita coisa para falar com você, mas quando nós nos vermos. Você não tem ideia do quanto estou confusa e sem saber o que fazer. – Eu realmente precisava muito falar com ela do que vinha acontecendo, mas precisava ser cara a cara.

– Agora você me deixou curiosa, não vou conseguir aguentar duas semanas.

– Nossa, você está parecendo a Ruby. Não se preocupa logo a gente se vê, já estava morrendo de saudades de passar um tempo com vocês também. Agora eu tenho que ir.

– Tudo bem, melhoras. Beijo.

– Ah, por favor avisa a Ruby para mim. – Ela concordou e desligou.

Desde que me mudei para cá e conheci as meninas eu passava praticamente meu tempo todo, quando não estava trabalhando, com elas e quando comecei a trabalhar aqui elas ficaram meio que em segundo plano, mas eu as amo demais e sinto muita falta de passar um tempo com elas porque, sinceramente, eu nunca fui de ter amigas daquelas de filmes em que crescemos juntas e ficamos amigas para o resto da vida. Na verdade, quando eu era pequena por ser muito tímida acabava tendo poucas amizades, mas me achavam estranha porque eu vivia com a cabeça enfiada nos livros e acabavam se afastando, isso nunca me incomodou muito e eu preferia a companhia de um livro, acho que por isso me dou tão bem com Henry ele também adora o mundo dos livros e é mais tímido, e isso sempre incomodou um pouco meus pais que sempre quiseram que eu tivesse muitas amizades e depois que pude ter Mulan e Ruby na minha vida pude perceber o porquê de eles quererem isso para mim porque depois que pude tê-las na minha vida descobri o quão errada eu estava sobre pensar que não precisava de companhia porque eu realmente não sabia como poderia ser ter amigas de verdade que se ajudam, se apoiam, se divertem e não julgam umas às outras e por essa razão elas são tão importantes na vida.

Estava pensando ainda com o celular na mão quando bateram na porta, avisei que podia entrar e Regina abriu a porta.

– Eu só vim te chamar para o almoço. Te atrapalhei? – Ela falou do vão da porta e eu podia notar o quanto estava ferrada por ainda trabalhar ali.

Só conseguia olhá-la e pensar que ela só queria ser minha amiga e que eu faria tudo que estivesse ao meu alcance para tentar mudar aquilo, mas iria precisar da ajuda das meninas

– Não, eu só. Estava falando com uma amiga minha. – Falei me levantando e indo em sua direção.

– Você tem muitas amigas aqui na cidade? – Ela perguntou enquanto descíamos a escada, mas não sei se era curiosidade ou estava apenas puxando conversa.

– Eu conheço muitas pessoas, mas de amizade mesmo só duas. – Ela me olhava enquanto eu falava — A Mulan e a Ruby. A Ruby acho que você conhece ela é garçonete no Granny’s e a Mulan é escritora e ela também que me falou sobre o emprego de babá.

– Já gostei dessa Mulan. – Ela fala e um sorriso se forma no canto de sua boca, me fazendo sorrir.

– Elas não ficaram preocupadas por você estar doente? – Ela falou desfazendo seu sorriso.

– Bom, eu só falei para a Mulan e pedi que ela contasse a Ruby, mas elas vão ter que esperar eu melhorar para que eu vá vê-las. – Desviei o olhar que mantinha nela para o chão.

– Porque você não chama elas para vir ver você? – Olhei de novo para ela meio surpresa, nunca pensei que ela deixaria amigas minha virem aqui.

– Regina, você está bem? – Falei estreitando os olhos – Acho que quem está doente é você. Parei ela no meio do corredor e pus a mão em sua testa fingindo ver se ela estava com febre e ela começou a rir, aquela risada gostosa que eu adorava ouvir.

– Para Emma. – Ela disse rindo, tirando minha mão de sua testa e voltando a andar – Eu só achei que você gostaria de ver suas amigas enquanto está doente e creio que elas não vão fazer bagunça. – Sorri para ela que devolveu o sorriso.

Nós chegamos a copa e Henry já estava comendo, me sento ao seu lado dando um beijo em sua cabeça e Regina na minha frente, tento dar continuidade a conversa:

– E você, tem muitos amigos?

Ela pareceu um pouco desconfortável com a pergunta, mas respondeu mesmo assim:

– Bom, eu vivo praticamente o tempo todo no trabalho e as pessoas não me acham muito simpática, como sou prefeita acho que elas não queiram muita intimidade comigo. – Ela falava olhando para o prato como se evitasse me olhar – Mas eu também nunca fui boa em amizades.

Fiquei com uma vontade imensa de dar a volta não mesa abraça-la e dizer o quanto as outras pessoas eram azaradas por não terem a oportunidade de conhece-la.

– Ué mãe. E a Emma? – Henry se prontificou a falar assim que ela terminou – Você não é amiga da minha mãe, Emma?

Olhei para ele e depois para ela que me encara esperando minha resposta.

– Claro que sou Henry. – Falei olhando nos olhos dela e pude ver que ficou feliz como se tivesse gostado de verdade da minha resposta.

Ela ficou a resto do almoço sorrindo e quando terminamos, depois de eu fazer muita "birra"(como ela disse) me deixou ajudá-la a arrumar a cozinha.

– Emma você parece uma criança. — Ela falou assim que comecei a secar a louça e ela lavava — O médico falou para ficar em repouso e você insiste em querer fazer algo o tempo todo.

– Mas eu não consigo ficar sem fazer nada, ainda mais durante duas semanas.

Eu já estava entediada por não fazer quase nada e não tinha nem dois dias direito, imagina duas semanas.

– Pois trate de arranjar algo para fazer em que você fique quieta. — Ela disse e passou o dedo com espuma no meu nariz -ta bom?

– REGINA?! — Falei assim que ela fez isso, limpando com o pana de prato.

– O que? — Ela se fez de desentendida e continuou a ensaboar os pratos — Tinha uma sujeirinha no seu nariz. — Ela me olha e sorri. Só de implicância peguei um pouquinho de água que saia da torneira e joguei no rosto dela o que fez com que ela me olhasse indignada.

– Você ficou louca? -Regina disse ainda indignada.

– Não. É que tinha uma sujeirinha em você. — Sorri para ela me fazendo de inocente.

– Você tem muita sorte de estar doente porque senão eu iria te tacar um copo inteiro d’água. – Eu começo a rir, ela não consegue segurar e acaba rindo também.

– Ok, me desculpe. – Falo parando de rir e olhando para ela que ainda estava com o rosto molhado – Deixa que eu seco.

Seco seu rosto devagar com o pano enquanto ela me olha e me analisa e vou passando o pano nas gotinhas de água em sua bochecha, parando gradualmente até que ficamos nos olhando nos olhos, sinto como se estivesse naqueles filmes em que o tempo para. O clima fica meio tenso entre nós duas, estamos próximas demais, não quero fazer outra besteira então volto a mim, termino rápido e volto para a louça.

Seco o restante da louça em silêncio e ela também não abriu a boca como se tivesse ficado meio entorpecida pelo momento. Vou para a biblioteca, não queria nem pensar no que teria feito se ficasse perto dela por mais tempo, mas eu tinha que entender que não posso ter esse desejo por ela porque mesmo que eu queria taca-la na minha cama, beijá-la por inteiro, tirar aquela saia pincel preta, que marcava perfeitamente sua cintura, e sua camisa que estava um pouco aberta e decotada permitindo ver o volume de seus seios. Eu não podia me permitir divagar sobre isso porque mesmo que doa eu sei que ela só me vê como amiga. As vezes parece que ela atravessa essa linha tênue que existe entre querer minha amizade e querer alguma coisa a mais, mas ela é tão confusa e esse meu sentimento por ela é tão atrapalhado que não sei se o que vejo é o que ela está querendo me dizer ou o que eu quero ver para nutrir esse desejo que tenho por ela.

Passo praticamente o resto do dia na biblioteca e de tarde graças ao Henry que me trouxe meu remédio e um chá não esqueci de tomá-lo. Ele ficou deitado ao meu lado no sofá que havia ali e lemos.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem o que estão achando me incentiva a continuar e ajuda a melhorar. Até o próximo, beijos