Amor por acaso
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Pego o livro volto ao quarto e leio durante uma meia hora até que ele cai no sono e a Regina aparece na porta.
– Ele dormiu?- ela fala baixo e com uma voz que mansa, diferente da firme que sempre parece ter, que me arrepiou e confirmo com a cabeça.
Saio do quarto com cuidado, vou até a biblioteca guardar o livro e ela me segue.
– O Robin foi embora?- fico de costas para ela procurando algum livro em meio aos que havia ali.
– Já sim. — vejo de canto de olho ela se sentando em uma poltrona e me encarando.
– O que foi?- me viro em sua direção.
– Nada, é que, eu só queria saber como você consegue se comunicar tão bem com meu filho, nem eu consigo e quando comecei a namorar o Robin foi com a intenção de que ele pudesse ter uma figura masculina com quem pudesse conversar. – me senti bem em saber que eu tinha conseguido me aproximar do Henry em tão pouco tempo e o Robin não, parecia que eu tinha quebrado uma barreira em relação à Regina que ele não conseguira, mas porque me importava eu não sabia – Mas não sei por que o ele não gosta do Robin, eu tento fazer de tudo para fazer o Henry ficar feliz, mas parece que nada adianta. – Ela olha para o chão quando sua voz começa a ficar embargada e vejo que está chorando aquilo por incrível que pareça doeu de tal forma em mim que me ajoelhei na sua frente e levantei seu queixo para que olhasse para mim.
– Regina. – digo com o máximo de ternura possível, não estava preparada para vê-la tão vulnerável, mas me fez sentir que ela confiava em mim, pois duvido que ela se exponha desse jeito para muitas pessoas- Você não sabe o quanto está sendo boba por achar que seu filho não é feliz, hoje quando eu vim aqui em cima conversar com o Henry, ele disse que a preocupação dele é você. — enxugo algumas lágrimas com meu polegar.
– Como assim eu?- ela olha em meus olhos.
– Da mesma forma que você está preocupada com a felicidade dele, ele está preocupada com a sua. Não sei se o Henry gostaria que eu falasse, mas ele acha que você não está feliz com o Robin. — apoio a minha mão em seus joelhos- Sei que você deve estar pensando que ele é muito novo para saber essas coisas assim como eu achei, mas se você visse a forma como ele falou de você, a ternura. Vocês são a mãe e o filho que mais se amam que eu já vi na minha vida.
– Ele disse isso mesmo?- ela perguntou entristecida.
– Sim e eu disse que se você está com ele é porque o ama, mas pelo que você me disse agora a pouco acho que o Henry estava pelo menos um pouco certo ou estou errada de pensar dessa forma?- ela desvia o olhar- Regina você ama ele?
– Eu... Eu realmente. – ela tenta buscar as palavras certas- Eu realmente não sei mais, eu como disse queria uma figura paterna para o Henry e o Robin além de parecer que iria se dar bem com ele me passava segurança.- ela contava evitando o meu olhar- E eu gosto dele, ele tenta conquistar o Henry e me faz bem, mas...- eu não estava gostando nem um pouco de ter que ouvir sobre aquele cara, mas por algum motivo eu queria ficar ali dando o apoio que ela precisava naquele momento.
– Mas...?- arqueio uma sobrancelha.
– Mas eu não sei se quero mais esse relacionamento e, para ser bem sincera com você, eu nunca o amei de verdade. – senti uma pontada de alegria não entendi o porquê, ainda mais em um momento como aquele, onde aquela mulher tão segura de si, que conheci há algum tempo atrás, havia abaixado a guarda e estava ali compartilhando seus sentimentos comigo e de alguma forma aquilo estava me fazendo sentir uma sensação boa por faze-la se sentir confortável o suficiente para que se abrisse comigo.
– Olha... Regina eu não sei muito sobre relacionamentos, além dos que não deram certo. – dou um leve sorriso e ela também- Mas de uma coisa eu sei se você não o ama para que gastar tempo nesse relacionamento?- me levantei ficando de pé.
– Eu vou conversar com o Robin amanhã. – ela se levanta e me abraça, eu realmente não esperava por aquilo, mas com aquele abraço parecia que todo meu corpo relaxou como se precisasse dele- Obrigada Emma, você não sabe o quanto essa conversa significou para mim. – ela se afasta do abraço, mas continuamos perto uma da outra, ela olha nos meus olhos — faz muito tempo que não confio em alguém para me abrir dessa forma. Agora sei por que o Henry gosta tanto de você. – ela esboça um sorriso e com aquelas palavras uma sensação muito boa me preencheu uma coisa que eu nunca havia sentido.
Aquela aproximação mexeu comigo de uma forma que um segundo depois por um momento de loucura ou completa insanidade eu a puxei pela nuca e a beijei, ela tinha os lábios macios e o beijo foi terno e suave, lento e tão bom... O que me surpreendeu é que ela retribuiu, esse momento de loucura durou por um momento até que me dei conta do que eu estava fazendo. Afasto-me de imediato quebrando o beijo e falo desajeitadamente atropelando as palavras com a rapidez.
– Ah... Eu não devia ter feito isso... Ér me desculpe. – termino de dizer e corro quase caindo com as minhas pernas bambas vou para o meu quarto, ao fechar a porta o mais rápido possível vou escorregando até sentar-me no chão com as costas apoiadas na porta e abraço os joelhos. O que diabos eu havia acabado de fazer? Porque eu fiz aquilo? Isso só pode ser um sonho. Essas e outras mil perguntas rodeavam minha mente, mas eu não conseguia parar de pensar no beijo e no que senti foi, diferente de qualquer beijo que já dei e acima de tudo a pergunta que mais me atormentava além de o que aconteceria de manhã era “Porque ela retribuiu?”.
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