Amor ou Ódio?
11 Capítulo XI - Despedidas temporárias
Notas iniciais
Os jovens pularam da cama, aturdidos. Num primeiro momento, pensaram tratar-se de um assalto, mas assim que desceram as escadas eles se depararam com algo completamente diferente.
— Ah, eu o acordei, bocchan? – O mordomo sorria docemente, como se nada tivesse acontecido e como se este estivesse ali o tempo todo.
— Sebastian! Ora, seu... – O loiro teve de conter o menor, que parecia querer atirar no outro para depois esfaqueá-lo e atirar nele novamente.
— Onde está Claude? – Perguntou Alois.
— Em algum cômodo da casa, provavelmente. Então vocês sobreviveram bem durante esses dias, ao que posso ver. – Disse.
— Se passar fome, frio e ficar perdidos na mata são sinônimos de estarmos bem, nós fomos excelentes! – Ironizou o de olhos azuis piscina.
— Lamentamos pelo inconveniente. – Respondeu, fazendo uma breve reverência.
O conde Phantomhive suspirou, controlando-se e resolveu que o melhor a fazer era voltar a dormir. Despediu-se do empregado e caminhou em direção ao quarto.
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Amanhecera o dia e, pela primeira vez em tempos, os jovens estranharam a presença de mordomos lhe servindo as coisas e ajudando em seus afazeres cotidianos. O café da manhã foi farto, silencioso, com nenhum sorriso ou discussão. Em um breve passeio no jardim, o loiro se pronunciou.
— Então... Como ficamos? – Perguntou ele.
— Sinceramente? Não sei. – Deu de ombros.
Pararam em frente ao portão, observando o trajeto que teriam de fazer para voltar à Mansão.
— Hoje é seu último dia aqui. O prazo já esgotou. – Comentou o maior com um ar triste.
— O tempo passou depressa. Nem mesmo o notei... – Acrescentou o moreno.
— Ficarei aqui sozinho novamente. Sentirei saudades. – Alois fazia bico, e isso o fazia parecer ainda mais infantil.
Adorável, era uma palavra que poderia descrevê-lo no momento. Tanto é que Ciel não conseguiu reprimir o impulso de beijá-lo. Inicialmente, apenas um selinho, um encostar de lábios, que se aprofundava conforme o outro retribuía. Não durou mais do que alguns segundos, mas para ambos, foi como se o tempo tivesse congelado.
— Agora mesmo que não quero te deixar ir embora... – Falou o mais velho, fazendo o pequeno rir.
— Tenho deveres a cumprir na Mansão Phantomhive. Mas você pode me visitar de vez em quando. – Alois não pareceu muito satisfeito com a oferta, mas suspirou e assentiu.
— Bocchan, suas malas já estão prontas e a carruagem está a caminho. – Sebastian avisou.
Alois fuzilou-o com o olhar e o akuma sorriu provocador, havia algo de errado acontecendo ali, mas o conde fingiu não perceber no momento.
Logo, o mordomo se retirou, deixando os jovens sozinhos novamente.
— O que foi aquilo? – Perguntou ele.
— Como assim? – O loiro tentou fazer-se de desentendido.
— Não me faça repetir.
— Eu... Hum... Não posso. Você vai me matar se eu disser!
— Eu irei te matar se não disser! – Exclamou Ciel.
— A carta era falsa! – Disse o maior rapidamente. O outro demorou a assimilar tudo, então ele continuou. — A Rainha nunca o mandou para cá, fui eu, e Sebastian descobriu isso, é claro.
— Está dizendo que passei um mês fora de casa, longe dos meus afazeres, sem dar notícias a ninguém por sua causa? – Ele falou pausadamente.
— Se quer interpretar desse jeito... É mais ou menos isso.
— Certo, agora não adianta ficar bravo. – Admitiu.
— Ótimo! Prometo não falsificar cartas novamente! Claro que vou ter que achar outro meio pra te trazer aqui... Quem sabe um sequestro?
O loiro tagarelava sem parar sobre como poderia sequestrar pessoas sem parecer suspeito enquanto o outro apenas limitou-se a suspirar e revirar olhos. Era engraçado como tudo havia mudado, mas ainda continuava igual.
Realmente, eles formavam uma dupla rara. Tão diferentes e tão parecidos...
Pouco tempo depois, a carruagem adentrara os portões, as malas foram carregadas até ela e o Conde Phantomhive despediu-se verdadeiramente de Alois, que precisou de alguma ajuda para largá-lo e deixá-lo ir embora. Em algumas horas ele estava em casa.
Ciel on
Após um mês de correria, gritos e rotina completamente distorcida, foi estranho voltar àquela Mansão enorme e vazia. Estava maior mais frio do que eu me lembrava... Detesto admitir isso, mas já estou com saudades daquele garoto. De qualquer forma, mais cedo ou mais tarde ele vai acabar aparecendo, e pelo que o conheço, diria que será cedo.
Ciel off
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