Amor ou Ódio?
12 Capítulo XII
Notas iniciais
Dois dias foram o suficiente para o conde Phantomhive atualizar sua lista de afazeres e desculpar-se com a Rainha pelo pequeno atraso. A mansão estava impecável como sempre, as refeições eram deliciosas, não havia discussões e tudo voltara a ser monotonamente comum (mesmo que o “comum” viesse a ser extremamente excêntrico).
Pela primeira vez em tempos, Ciel estava cansado daquilo, estava entediado e desejava poder sair e fazer o que lhe desse na telha. Sem dúvidas, Alois fora uma má influência e tanto, pensou o moreno com um breve sorriso nos lábios. Um sorriso que não passou despercebido pelo mordomo.
— É difícil recordar a última vez em que lhe vi sorrir sem motivos aparentes desta maneira, Bocchan... – Sebastian o fitou. Aquele olhar causaria medo em qualquer pessoa, menos no jovem garoto que se encontrava sentado frente ao demônio.
O conde manteve-se calado e prosseguiu com sua leitura.
— Parece-me que certo loiro de olhos azuis fez com que algo em você mudasse... Estaria, talvez, ficando mais fraco? – Continuou ele.
— Primeiramente, coloque-se novamente em seu lugar de criado e não interfira ou opine na minha vida. Em segundo, me obedeça e lembre-se sempre da primeira regra. – Respondeu, encerrando a conversa.
O clima ficou pesado e os olhos do mordomo arderam de raiva por alguns instantes, mas o mais novo permaneceu calmo e inalterável.
— Poderia me deixar sozinho? Está atrapalhando minha concentração para com o livro. – O conde falou.
O outro não contestou, mesmo que por um momento parecesse que iria esganar o menino, que se divertia com a situação. Realmente, algo nele havia mudado, mas não era para pior... Ou era? Ele não sabia dizer.
Agora, solitário com seus pensamentos, ficou revivendo o mês que passara fora de casa, todos os desastres, viagens e coisas bizarras que tinha feito, será que faria de novo? Teria tal oportunidade? Muitas perguntas surgiam, mas as respostas pareciam inexistentes.
Depois de horas de reflexões inúteis, uma gritaria é ouvida de longe. Vinha do jardim, próximo aos portões. Ciel foi rapidamente até lá notificar-se do que estava acontecendo quando se depara com Alois e Sebastian.
— Shieru! – O loiro pulou no pescoço do menor, literalmente.
— Como? O que você está fazendo aqui? Por que os gritos? – Ele perguntou.
— Você precisa arranjar empregados melhores, Shieru. Esse aí não quer me deixar entrar. – Disse.
— O conde tem deveres a cumprir, as “férias” acabaram. – Defendeu-se.
— Não lhe foi dado permissão para decidir isto por mim. E estou com a agenda livre, por enquanto... Aliás, temos de receber bem nossas visitas. – Decidiu Ciel, voltando para a mansão.
O loiro o seguiu saltitante e vitorioso. Em pouco tempo, um dos quartos havia sido preenchido com milhares de roupas e pertences do mais velho. Este parecia ter trazido o guarda roupa inteiro consigo.
— Pra que tudo isso? – Questionou o conde.
— Ah, sim. Estou me mudando para cá. – Respondeu o outro, sentando-se na cama.
— O quê?! – Exclamou ele, incrédulo.
— Ora, Shieru, não faça tanto drama. Eu sei que você não vive sem mim. – Falou.
— Acho que você está confundindo as coisas... Afinal, não sou eu quem está me mudando, certo? – Ironizou.
Alois o puxou para si sem nenhuma cerimônia e o beijou, suas mãos percorrendo o corpo do menor por debaixo da roupa. Depois, passou a distribuir chupões e mordidas por todo o pescoço de Ciel, arrancando-lhe gemidos abafados.
— H-hey, podem nos ouvir... É melhor parar. – Argumentou o conde, tentando manter-se o mais sério possível. Coisa que não estava dando muito certo.
— Tem certeza que quer que eu pare? – O loiro tomou seus lábios novamente, separando-os logo em seguida.
— Ok, ao menos feche a porta. – O outro sorriu e fez o que este havia pedido.
A chave foi parar em um canto qualquer do cômodo, junto às peças de roupas que já estavam um tanto quanto amassadas.
–---//----
À tarde, tudo estava tranquilo na mansão. Os jovens jogavam xadrez e tomavam chá, o clima era agradável e não haviam incômodos ou compromissos.
— Você falava sério quando disse que moraria aqui? Quero dizer... Você já tem onde morar e tem empregados lá. – Ciel comentou, observando a vista pela janela.
— Claro que é sério! E eles vão cuidar de tudo enquanto eu estiver fora. Não tenho com o que me preocupar. – Afirmou ele.
O loiro remexeu-se um pouco na cadeira e o encarou.
— Por quê? Prefere que eu vá? – Perguntou, sentindo um leve aperto no peito ao dizer aquilo.
— Não! Não é isso... Apenas... Faz muito tempo que não convivo com alguém que não trabalhe aqui. – Admitiu.
— Ah, entendo. Mas, eu garanto, não vou incomodar. Serei uma companhia muito agradável... – O maior sorriu malicioso.
— Hey, terá de se comportar, hein? Seu pervertido. – O conde segurou-se para não rir com a cara de desapontamento que Alois tentava fingir.
— Ok. Não prometo nada. – Falou.
E assim seguiu-se o restante do dia. Onde conversas sem rumo perduravam durante horas, aleatórias...
Fale com o autor