Notas iniciais
ÚLTIMO CAPÍTULO! Eu não quero crer! Não quero crer! Não quero crer! Bom, mas nós temos o epílogo ainda. Ainh... Tá acabando... :'( Enfim, boa leitura. Espero que gostem e até lá em baixo.

– A ficha ainda não caiu. É como se ela só tivesse saído e fosse voltar daqui a pouco. E eu espero, mesmo sabendo que ela não vai voltar. Eu fico sentado no sofá da sala, observando pela janela, aguardando o momento em que ela vai aparecer na calçada com aquele sorriso que encanta qualquer um, o sorriso que me conquistou. Eu espero o momento em que ela vai aparecer segurando a nossa filha. Espero o momento em que ela vai me beijar de novo, e me dizer “eu te amo”. E quanto mais o tempo passa, mais dolorosa fica a espera. – Gustavo parou um momento para se recompor. – A Mary foi uma pessoa muito importante para mim, creio que para todos aqui. Eu a conheço há pouco tempo, mas foi tempo o suficiente para ela mudar minha vida por completo. Ela me fez querer formar uma família, me fez ser mais responsável, me fez amar pela primeira vez. Eu sei que é uma coisa óbvia, mas ela vai fazer muita falta na minha vida, no meu dia-a-dia. – E saiu de lá da frente aplaudido. Ele sentou-se em seu lugar ao meu lado novamente.

– Você está bem? – Eu sei que é a pergunta mais idiota para se fazer no momento, mas é força do hábito.

– Sim. – Disse secando as lágrimas que insistiam em cair.

Os pais da Mary, Will, Holly, eu e algumas outras pessoas, disseram mais algumas coisas e o velório foi encerrado. Me dirigi para fora acompanhada por Gustavo, cumprimentando algumas pessoas pelo caminho. Tivemos um pouco de dificuldade para sair, devido ao grande número de pessoas. Quando finalmente conseguimos, começamos a procurar o pessoal, para irmos para o cemitério onde o corpo seria enterrado. Estava pensando em voltar lá para dentro, quando...

– Continua uma fofa. – Alguém disse atrás de mim, e eu imediatamente reconheci a voz.

– O que você está fazendo aqui? – Perguntei, depositando todo o meu ódio na voz.

– Fazer a mesma coisa que você: me despedir.

– até onde vai a sua cara-de-pau, Amber? – Perguntei.

– Ei, calma. – Ela suspirou. – Pode não parecer, mas eu gostava mesmo da Mary. Era a única que salvava do grupinho de vocês. – Disse com desdém. Revirei os olhos.

– Tudo bem por aqui? – Perguntou Holly aparecendo do meu lado.

– Eu acho que não é uma pergunta que se faça num velório. – Amber debochou. Olhei em volta. A maioria das pessoas já tinham ido embora.

– Você entendeu o que eu quis dizer. – Holly disse.

– Holly, — Disse Lauren. – Vamos embora.

– É, ou vamos perder o enterro. – Zoe completou. Holly não disse nada, apenas saiu andando e entrou no carro de Daniel.

– O que você ainda está fazendo aqui? – Perguntei para Amber, que permanecia imóvel na minha frente.

– Eu já disse, Jennifer. Eu...

– Não, Amber. – A interrompi. – O que você ainda está fazendo parada na minha frente? Vai embora!

– Resolveu virar gente, Jennifer? – Ela disse com desdém. Senti a raiva aumentando dentro de mim, mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa, David o fez:

– Ela tem razão, Amber.

– Ninguém te quer aqui. – Lauren completou.

– O que? Mas vocês...

– Para, Amber! – Rebecca a interrompeu. Espera, Rebecca? Desde quando ela está aqui? – Até eu cansei de você. Eu não aguento mais ouvir o som da sua voz, não aguento mais olhar para essa sua cara plastificada e esse Seu cabelo tingido. Eu não te aguento mais!

– Viu. – Disse Derek. – Ninguém te quer aqui.

– Essa é a sua deixa para sair chorando. – Disse Isabelle. – Se quiser, “sem querer”, se jogar na frente de um caminhão, serve também. – A raiva crescente de Amber era perceptível.

– Tá esperando o que? – Perguntei de novo.

– Vocês vão se arrepender disso.

– Ah, poupe-nos desse teatrinho, Amber. – Disse... Elliot? Ele fala? Eu só acreditei que era ele, quando vi sua boca se mexer, enquanto o som saia. – Todos nós estamos cansados de saber que você não vai fazer nada, que tudo o que você diz são palavras soltas e insignificantes. Agora, faça um favor pra si mesma e some da minha frente, antes que te obrigue a fazê-lo. – Eu estava boquiaberta.

– Olha aqui... – Amber começou.

– CARA! – Gritei. – Para de ser insuportável e vai embora logo! Caramba! – Ela hesitou, mas logo se foi. Alguma coisa me diz que ela não vai nos deixar em paz.

– O enterro já deve ter começado. – Joseph comentou.

– E agora? – Katie perguntou.

– Vamos para casa. – Gustavo respondeu.

...

Passamos o resto do dia sem fazer nada, nem comer. Afinal, foi um dia bem tenso. Gustavo ficou o tempo todo trancado no quarto, como sempre. Will deu uma saída para tentar se distrair um pouco e o resto ficou aqui em casa, olhando para cara um do outro. Cansada de olhar para o teto da sala (o que já fazia umas 2h), me levantei e saí de casa para me sentar na calçada. Apenas observei o movimento da rua, que nunca era muito, mas hoje a rua parecia estar especialmente vazia e triste, como se também estivesse de luto. O dia, apesar de ensolarado, estava sem cor, sem vida, sem brilho. Deve ser porque alguém muito importante partiu. Eu não sei... É a primeira pessoa realmente próxima a mim que se vai, a primeira pessoa importante que eu perco.

Ouço alguém de aproximar-se e quando me viro, dou de cara com uma Isabelle preocupada.

– Jenni, você tá bem? – Ela perguntou se sentando ao meu lado. – Você está chorando. – Diz com uma voz suave. Toco meu rosto com a ponta dos dedos, e sinto as lágrimas.

– Não, Isa. Não tem nada bem. – Eu disse recomeçando a chorar, e ela me abraçou. – Ela não está mais aqui. Ela não vai mais voltar. Nunca mais eu vou vê-la, nunca mais eu vou ouvir a voz dela, a risada dela, nunca mais vou receber aqueles conselhos estúpidos. – Parei para me recompor. – Eu nunca vou poder fazer as pazes com ela. Agora sempre que eu pensar nela, vou me lembrar do quão estúpida e infantil eu fui por não falar com ela enquanto pude.

– Eu! Não é sua culpa. – Tentou me confortar.

– Como não, Isabelle? – Alterei minha voz. – A última conversa que eu tive com ela foi uma pequena discussão. Sabe sobre o que? Sobre o que Will disse para mim. E ele só disse essas coisas, porque eu terminei com ele. Sim, a culpa é minha!

– Você não pode se culpar por não esganar o Will, Jenni. – Ela mantinha o tom de voz suave. – Você terminou com ele, porque sabia que era o certo. Se Will disse aquelas coisas, a culpa não foi sua. E se a Mary não acreditou em você, a culpa também não foi sua.

– Você tá me dizendo que a culpa é do Will e da Mary? – Perguntei indignada.

– Não, Jenni. Estou tentando dizer que a culpa não é de ninguém, muito menos sua. Nenhum de vocês sabia eu isso iria acontecer. – Ela fez uma pausa. – Olha, eu sei que dói. Eu não posso imaginar o quanto, mas eu sei que dói. Porém, você não pode ficar se culpando pelo que aconteceu. Ela, com certeza, não iria querer que você o fizesse. – As lágrimas ainda não cessaram. Elas correm pelo meu rosto silenciosamente. – Pensa nisso, tá bem? – Assenti. Ela se levantou e entrou, me deixando sozinha novamente.

Depois de alguns minutos olhando para o asfalto, decido ir até a praça, a mais distante. Faz um tempo que eu não vou lá. Na verdade, faz algum tempo que eu não vou à lugar algum. Durante esse tempo todo, tudo o que eu fiz foi ficar jogada no sofá ou na cama. O caminho pareceu mais curto dessa vez. Assim que cheguei, comprei um sorvete com um dinheiro que eu achei no bolso da minha calça jeans. Andei por quase todo o parque (que é enorme) e me sentei em um banquinho qualquer, de frente para o local das árvores ou versão maior da minha floresta particular. Como preferir. Acabei de tomar o sorvete, e me deitei no banco (sim, eu me deitei no banco no meio da praça) e fiquei observando as nuvens que pairavam na imensidão azul.

– Não é permitido deitar no banco, senhorita. – Disse alguém fora do meu campo de visão. Me levantei num pulo.

– Me desculpe. Eu... – Parei de falar ao ver Will caindo na gargalhada. – Já disse que você é um idiota?

– Hoje ainda não. – Disse se controlando.

– Você é um idiota! – Declarei. Seu sorriso ficou mais largo e ele se sentou ao meu lado no banco. – Você ficou aqui o tempo todo? – Ele assentiu.

– Foi o único lugar que eu consegui pensar para ter um pouco de... paz.

– Paz?

– É. Ficar sozinho, em silêncio, pensando, revivendo alguns momentos...

– Hum... Entendi. E funcionou? Quer dizer, você está melhor? – Ele suspirou e olhou para baixo, o que eu entendi como um “não”.

– Um pouco. – Segurei sua mão, o que o fez me olhar surpreso.

– Vai ficar tudo bem. – Eu disse, mas logo me arrependi. Will soltou um risinho fraco, mas logo o conteve. – Ai! Me desculpa. Eu não acredito que eu disse isso. – Eu disse cobrindo o meu rosto com a mão livre.

– Tudo bem. – Will disse tocando a mão em meu rosto, tirando-a de lá. Quando abri os olhos novamente, percebi o quão perto estava o seu rosto do meu. Ele acariciou meu rosto com a mão livre, e soltou aquela que segurava a minha mão. Por um momento, foi como se eu estivesse hipnotizada pelo verde de seus olhos. Eu o sentia cada vez mais perto.

– Will... – O repreendi.

– Anh... Certo. Desculpa. Eu não deveria...

– Não se preocupe. Tudo bem. Só... – Pigarreei. – Não faça isso de novo, ok?

– Ok.

Ficamos em silêncio por um tempo.

– Olha, Jennifer. – Ele disse. – eu queria te pedir desculpas pelas coisas que eu disse naquele dia. Eu estava fora de mim.

– Tudo bem. – Disse com um sorriso sem graça. – Já caiu no esquecimento.

– Obrigada. – Ele disse.

E ficamos naquela situação constrangedora, até que decidir que estava tarde e voltarmos para casa.

...

2 semanas se passaram desde a morte da Mary. Ninguém está realmente bem, mas estamos... nos acostumando, digamos assim. Gustavo já saiu do quarto e voltou a fazer as refeições normalmente, o que, há alguns dias atrás, ele não fazia.

Quase todo dia vamos à UTI visitar a pequena Eve. Ela está muito bem. As enfermeiras a tratam com muito cuidado. Esperamos que em breve ela esteja em casa conosco. Mal posso esperar para pegar minha sobrinha no colo, dar mamadeira, colocar para dormir... ver Gustavo trocando sua frauda.

Estamos nos arrumando para lhe fazer mais uma visita. Dessa vez não irão todos, apenas os pais da Mary, minha mãe e Chris, eu, Isabelle, Daniel, Katie e Gustavo. Os outros ou tinham compromisso, ou estavam com preguiça. Fui avisar à Gustavo que sairíamos dali a 20 min. E ele me deu a mesma resposta de sempre.

– Não estou me sentindo muito bem. Outro dia eu vou. – Só que dessa vez eu não vou cair nessa desculpa esfarrapada.

– Você tem que melhorar suas habilidades mentirescas.

– Mentirescas? – Ele perguntou.

– De mentir. – Disse revirando os olhos.

– hum... Você fala como se fosse óbvio.

– E não é?

– Não.

– Que seja! Não é esse o assunto em questão. – Ele me olhou. – Por que você nunca que ir ver a Eve? Qual é o problema? – Ele suspirou e sentou-se em sua cama.

– Não é nada. Eu só... Não estou me sentindo bem. – Neguei com a cabeça.

– Você está ótimo, Gustavo. Eu sei disso. Você tem usado essa mesma desculpa toda vez que te chamamos para ir ao hospital.

– Não importa, Jennifer.

– Como “não importa”? é a sua filha, Gustavo! – Alterei minha voz.

– Ela matou a Mary! – Ele gritou e resposta. O observei em silêncio por um momento.

– É isso que você pensa? Gus, ela é só uma...

– Jennifer, — Gritou. – para, tá bem?! Eu não aguento mais você me dizendo o que é certo e o que é errado. Para de tentar ocupar o lugar do meu pai!

– Eu só tô tentando ajudar, idiota! Eu não quero, nem vou ocupar o lugar de ninguém. Mas se você continuar agindo como uma criança de 5 anos, eu vou sim, continuar dizendo o que é certo e o que é errado.

– Jenni, pelo am...

– Eu ainda não acabei! – O interrompi. – Eu não admito que você fale da Eve como você falou. Ela é só uma criança recém-nascida e pré-matura. A Mary morreu porque era hipertensa, e você sabe disso. Agora, você assumiu essa criança quando a Mary estava viva. Não é porque ela morreu que você vai abandoná-la. – Ele estava de cabeça baixa. Suspirei e me abaixei ao seu lado. – Gus, a Eve não é só a sua filha. Ela é um pedaço da Mary que ela deixou aqui pra você. Não percebeu isso ainda? – Ele não disse nada. Me levantei e saí de seu quarto.

Todos estavam no pé da escada me olhando assustados. Parei no meio da escada e disse:

– Ele disse que não está se sentindo bem. – Todos fizeram cara de frustrados. – É melhor irmos, ou vamos nos atrasar.

Entramos nos carros e fomos. O caminho foi silencioso e pareceu mais longo que o normal. Quando chegamos, tivemos que esperar uns 20 min. até a hora de visita. Mas quando chegou a hora... Eve estava ainda mais linda que ontem. Não é permitida a entrada de todos na sala, por isso, ficamos olhando pelo lado de fora, através de uma espécie de janela de vidro gigante. Ela não está distante da janela, logo, podemos vê-la com clareza.

– Hum... Jennifer. – Isabelle me chamou. Quando a olhei, ela me indicou o lado direito do corredor com a cabeça. Me afastei da janela e pude ver... Gustavo! Um sorriso enorme se abriu em meu rosto.

– Vejo que está se sentindo melhor. – Comentei assim que ele se aproximou. Ele abriu um sorriso sem graça.

– Onde ela está? – Perguntou. O puxei até a janele e lhe mostrei a incubadora em que ela se encontrava. – Será que eu posso ver mais de perto? – Falamos com uma das enfermeiras, a qual o guiou até um local onde Gustavo pôs luvas, toca, avental e máscara. Logo após, se dirigiram para a incubadora de Eve. Gustavo tinha um sorriso tão grande que mal cabia em seu rosto. Ele colocou a mão dentro da incubadora através de um buraco. Pude perceber que ele está nervoso, já que suas mãos estão tremendo. Ele acariciou as mãozinhas pequenas da bebê. Ela se mexeu um pouquinho e ele se assustou. A enfermeira lhe disse alguma coisa e seus mão tronaram a tocar as delas. Dessa vez, Eva segurou seu dedo anelar com seus dedinhos minúsculos. O sorriso de Gustavo ficou ainda mais largo. E pude ver uma lágrima solitária brotar no canto de seu olho e escorrer pelo seu rosto. Ele se virou para nós e balbuciou algumas palavras: “Ela é linda!”.

Notas finais
Então, gente., eu vou deixar pra fazer o textinho (gay) de despedida no epílogo. Espero mesmo que tenham gostado. Ai, meu Deus. Eu vou chorar... Não esqueçam de comentar. Beijos.