Amor fotografado - Primeira Temporada
36 Epílogo
Notas iniciais
– Eu não acredito nisso! – Gritei. – Como assim você perdeu meu livro?
– Desculpa, Jenni. – Daniel disse. – Foi sem querer. Eu estava no shopping com ele e quando eu fui embora, devo ter esquecido lá. Eu sinto muito mesmo.
– Você sente muito? – Perguntei sarcasticamente.
– Ei, Jennifer. Pega leve. Era só um livro. – Holly disse.
– Não era só um livro! – Tornei a gritar. – Era Harry Potter! Harry Potter não é só um livro!
– É como parte do nosso coração e um dos nossos pulmões junto. – Afirmou Isabelle. Assenti.
– Eu ainda acho exagero. – Holly rebateu. Revirei os olhos.
– Se foi tão ruim assim, compra outro. – Ele disse me oferecendo o dinheiro que tirou da carteira há alguns segundos.
– Não precisa, Daniel. Eu pego com a minha mãe. Eu estou precisando sair para comprar mais livros mesmo. – Eu disse, mesmo morrendo de vontade de pegar aquele dinheiro.
– Eu insisto. – Bufei.
– Tá bem. – E peguei o dinheiro. Ele sorriu.
– Pronto! – Holly exclamou. – Estamos todos bem?
– Quase. – Eu disse. — Ainda to bolada por você ter perdido meu livro preferido. – E fui para a cozinha sem dar chance deles responderem.
Minha mãe estava lá com Chris. Eles sempre estão na cozinha, não sei o porquê. Os dois estavam abraçados. Eles são tão perfeitos juntos. Eu não sei... eles tem uma certa... magia. Sim, eu estou falando da minha mãe. E sim, é estranho estar falando da minha mãe desse jeito. Mas eu não posso negar que me deixa extremamente feliz vê-la feliz (e com alguém que preste). Resolvi dar uma chance para o Chris, sabe, parar de procurar defeitos. Talvez seja ele o cara perfeito.
– Ah, oi, Jennifer. Você estava ai. – Minha mãe diz sem graça, e eu percebo eu estava parada na porta os observando.
– Anh... Sim. Eu queria avisar que eu vou sair pra comprar livros, tudo bem?
– Claro, pode pegar dinheiro no meu guarda-roupa. – Ela disse apressadamente. Assenti e saí. Antes de subir a escada, pude ouvir algumas risadas vindas da cozinha.
Peguei o dinheiro, troquei de roupa e desci as escadas.
– Vai sair? – Gustavo perguntou atrás de mim.
– Uhum... Comprar livros.
– Quer que eu te leve? – O olhei desconfiada.
– Gus, você tá bem? – Ele assentiu. – Tá precisando de alguma coisa? – Ele negou com a cabeça. – Já sei! Minha mãe te ameaçou. – Ele soltou um risinho fraco.
– Não. Eu só quero dar uma carona para minha irmã até o shopping, não posso? – Encostei minha mãe em sua testa.
– Hum... Sua temperatura está normal. – O avaliei. – Se isso for algum tipo de brincadeira...
– Não é. – Ele me garantiu.
– Tudo bem. – Disse relutante. – Vamos. – Montamos na moto e fomos. Chegamos no shopping em poucos minutos.
– Vai comprar quantos livros? – Ele perguntou depois de alguns segundos. Eu não havia pego nenhum livro ainda, somente o que o Daniel perdeu.
– Uns 5. – Respondi.
– Toma. Compra mais um. – Disse me oferecendo dinheiro. Suspirei.
– Ok. Fala logo o que você quer.
– Eu já disse que eu não...
– Gustavo, — O interrompi. – eu te conheço. Peça logo, antes que eu desista. – Ele suspirou.
– Queria sua ajuda pra comprar umas coisas pra Eve. – Eu abri um sorriso.
– E você acha que precisava me dar dinheiro pra isso? Eu ia te matar se você não me deixasse escolher as coisas pra ela!
– Ah, então me devolve o dinheiro. – Ele disse e eu comecei a rir. Todos na livraria me olharam como se eu fosse louca.
– Nem em sonho. – Disse ainda rindo.
Terminei de pegar meu livros. Foi uma escolha muito difícil decidir quais livros eu compraria. Mas no fim deu tudo certo. Dali seguimos direto para área infantil. Compramos algumas roupinhas muito fofas, sapatinhos menores que a minha mão, brinquedos, bichinhos de pelúcia e tudo que uma criança tem direito. Saímos de lá cheios de bolsas, uma coisa que eu nunca pensei que faria. Se bem que, pensando bem, as coisas não são para mim, então está valendo.
– Ei, Gus. Eu estou morrendo de fome. – Eu disse depois de um tempo.
– Ok, pode ir. Eu vou deixar essas coisas em casa. Tudo bem pra você voltar sozinha? – Assenti.
Gustavo foi embora, me deixando sozinha, apenas com meus livros de companhia. Me dirigi à praça de alimentação. De início, fiquei em dúvida sobre o que e onde iria comer, até que eu olhei para o Mc Donalds, ele olhou pra mim e ficamos nisso. Então ele me chamou e eu fui até ele. Pedi um cheddar, um refrigerante e um a porção grande de batata frita. Quando tudo ficou pronto, peguei minha bandeja e, quando me virei para sair da fila, esbarrei em alguém, derramando meu refrigerante em sua blusa branca.
Só pode ser brincadeira!
– Ai meu Deus! – Disse passando o guardanapo em sua blusa freneticamente. – Me desculpa. Eu... – Nesse momento, olhei para seu rosto. Eu não acredito no que meus olhos veem. – Tyler? – Ele abriu um sorriso. E que sorriso... – Ai meu Deus! Eu não acredito! – Disse jogando minha bandeja no chão e lançando meus braços ao redor de seu pescoço. Ele me abraçou pela cintura e me apertou muito forte, como se tivesse medo que eu fugisse. Me machucava um pouco, mas eu não me importo. Ele está aqui! Ele está mesmo aqui!
– Oi, minha pequena. – Sussurrou em meu ouvido. – Eu estava com saudades.
– Por onde você andou? Por que não mandou notícias? – Disse saindo de seu abraço.
– É complicado...
– Hum... Tyler? Tudo bem ai? – Alguém disse e, logo em seguida, uma morena apareceu ao lado de Tyler e nos encarava. Um sentimento de frustração me atingiu. Ele já está com outra?
– Tudo sim, Lizzie. – Disse Tyler olhando para menina que agora tem nome, e voltando sua atenção novamente para mim, observando minha expressão. – Ah, Jenni, essa é a Lizzie, minha irmã. – Ele se apressou em dizer. – Lizzie, essa é a Jennifer. – Disse meu nome num tom bem significativo.
– Ah! – Lizzie pareceu entender. – Então você é a Jennifer. Tyler me falou de você. – Eu sorri. – Muito. Muito mesmo. Eu quase tive que arrancar a língua dele pra ele parar de falar. – Disse me fazendo rir.
– Ok, Lizzie. Acho que já chega! – Tyler disse. – Por que você não vai comprar mais roupas?
– Ah, não sei não. Eu acho...
– Vai! – Ordenou e ela foi. Morrendo de rir, mas foi. Eu não pude conter o riso.
– Não sabia que você tinha uma irmã. – Comentei.
– É de parte de pai. – Disse dando de ombros. – Não nos falamos muito.
– Mas perece que se dão super bem.
– É. – Respondeu. – Não vai sentar?
– Hum... Não. Meu lanche já era. – Disse indicando o que antes foi um lanche, jogado no chão. – E a sua blusa... – Não completei a frase.
– Ah, claro.
– Me desculpa por isso. – Ele deu de ombros novamente.
– Tudo bem. Certas coisas nunca mudam. – Eu ri. – Eu vou em casa trocar isso. – Você quer... – Pigarreou. – ir comigo.
– Anh... Claro. Por que não? – Ele sorriu – Mas e a sua irmã?
– Eu mando uma mensagem pra ela.
– Ok.
Ele me ajudou a jogar o que sobrou do lanche no lixo, e seguimos para sua casa de carro. Ele agora tem carteira, pois já fez 18 anos. Seu aniversário foi no dia 9 de dezembro, véspera da morte de Mary. Quando contei o que houve com Mary, ele não acreditou, pensou que eu estivesse brincando. Mas então, percebeu que eu falava sério. Perguntou como estavam Gustavo e Eve. Eu disse que bem e que Eve logo estaria em casa. Só faltavam mais algumas semanas. Quando Tyler estacionou o carro em frente do que eu supus ser a casa dele, meu celular tocou. Era Will.
– Oi.
– Oi, Jenni. Tá ocupada?
– Um pouco.
– Anh... É que eu precisava falar com você. Posso te encontrar mais tarde, então?
– Depois eu te ligo pra ver isso direito, ok? – E desliguei, antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa.
– Tudo bem? – Tyler perguntou.
– Aham... era só o Will.
– Hum... – Disse e saiu do carro. Deu volta no carro e abriu a porta pra mim. – E vocês estão bem? Quer dizer, o namoro de vocês.
– Eu... anh... meio que terminei com ele.
– Ah! – Ele disse parecendo desinteressado, mas eu juro que vi um sorriso brotar no canto esquerdo de seus lábios. – Recentemente? – Perguntou abrindo a porta da frente. A casa estava vazia, e as luzes, apagadas.
– Não. Não. Faz uns... – Parei para pensar. – 4 meses.
– Você contou?
– Não. – Ele me olhou. – Eu só parei pra contar agora. É que essa data não é daquelas que somem da sua memória assim. – Disse a última palavra estalando os dedos.
– Foi tão ruim assim?
– É. – Disse lembrando da briga com Mary. – Mas agora estamos bem. Eu acho. – Eu estou andando por cada canto da sala, observando cada detalhe. Não é muito grande, mas é linda e bem arrumada. – Cadê todo mundo?
– Todo mundo quem?
– Sua família.
– Eu moro sozinho. – Arqueei uma sobrancelha.
– Sozinho? – Ele assentiu. – Hum...
– Eu vou subir pra trocar de blusa. Fique à vontade. – Eu ri.
– Ok.
Ele sumiu em uma das portas do andar de cima. Eu segui para cozinha. Ainda estou morrendo de fome. Olhei nos armários e na geladeira. Tem tudo o que eu preciso para fazer um sanduíche. Só que eu não vou pegar nada sem pedir, lógico!
Mas, Jennifer, você já mexeu em tudo.
É, mas ele não sabe disso. Subi as escadas e me encontrei em um corredor com 4 portas. Uma delas está aberta. Deduzo que seja o quarto de Tyler. A cama está desarrumada, mas ele não está aqui. Entrei assim mesmo. Me sentei na cama. Quase imediatamente, Tyler saiu de uma porta que eu não havia notado antes, vestindo uma bermuda branca, sem camisa e secando os cabelos molhados. Aparentemente, estava saindo do banho.
– Ai, caramba! – Ele disse assustado. – Foi mal. Não sabia que você estava aqui. – Disse mais calmo.
– N-Não... Eu... Tudo bem... Eu... – O motivo pela qual eu não consigo falar como uma pessoa normal? Bom, fazia tempo que eu não via esse tanquinho.
– Jennifer, você tá bem?
– Anh.... Sim. Eu só tenho que... – Disse apontando para porta e levantando em seguida.
– Ei, espera. – Tyler disse assim que eu saí pela porta. – Jennifer, volta aqui. – Eu descia a escada correndo e Tyler vinha logo atrás. E no meio da escada.... Adivinha. Eu caí! – Você está bem? – Perguntou me ajudando a levantar.
– Uhum... – Murmurei.
– Pode me explicar agora o porquê de estar fugindo de mim?
– E-Eu não estava fugindo. – Ele arqueou uma sobrancelha, como se dissesse: “sério?”, com um tom carregado de sarcasmo. Bufei. – Não é nada. – Disse num tom mais firme.
– Sim, tem alguma coisa. – Coloquei minhas mãos no bolso da calça jeans que vestia, pois estavam tremendo. Eu sei, estou sendo ridícula. – Você parece nervosa. – Disse me observando. Eu abaixei a cabeça.
– Você me deixa nervosa. – Pensei alto. Foi um sussurro, mas parece que ele ouviu, pois estava rindo. – Droga! – Disse cobrindo o rosto com as mãos. – Eu não acredito que eu... – Suspirei. – É melhor eu ir.
Me virei, mas ele me puxou pelo braço. Eu desequilibrei no processo, e ele me segurou pela cintura. Nossos rostos estavam a milímetros de distância. Nossas respirações se misturando. Com minha mão direita apoiada em seu peitoral nu, sinto sua respiração acelerada. Meus olhos estão fixos nos seus, enquanto os dele alternam entre meus olhos e meus lábios. Quando senti que estávamos perto o bastante, fechei os olhos e senti seus lábios nos meus. Seus lábios quentes e macios, seu hálito de menta, seu cabelo curto... Ele. Tyler. Talvez ele seja tudo o que eu preciso. Talvez...
“É. Eu vejo a importância que você dá enquanto anda pra cima e pra baixo com o ‘mauricinho’.”
“Eu não gosto nada da amizade de vocês.”
“É. Não sei se você percebeu, mas meu namorado tem andado um pouco ocupado andando pra cima e pra baixo com a ex dele.”
“Ah, para com esse ciúme bobo, Jennifer.”
“Você tem andado muito criança esses dias.”
“Sinceramente, eu não sei o que vi em você.”
“Acabamos aqui.”
Me separo subitamente de Tyler e ele me olha surpreso.
– Não, Tyler. Isso não podia ter acontecido. – Ele suspirou.
– E por que não, Jennifer? – Perguntou.
– Você sabe porquê! – Declarei. Ele suspirou novamente e sentou-se em um dos degraus da escada.
– É por causa do Will? – Eu abri a boca para responder, mas ele não me deu chance. – Olha, eu estava com medo de te perder. – Ele revirou os olhos. – Eu sei, clichê. Você já deve ter visto isso várias vezes em filmes, livros e coisas do tipo. Eu cresci vendo idiotas usarem essa frase e eu sempre pensei: “Que babaca! Ele realmente acha que isso é motivo pra agir da forma que ele agiu? Tá na cara que ele inventou isso de última hora só pra ter a garota de volta.”. Mas agora eu entendo o desespero que eles sentiram. Agora eu senti o medo que eles tiveram. Eu via o jeito que Will te olhava e sabia que ele era importante pra você. A possibilidade de você me trocar por ele vivia martelando na minha cabeça. A única solução que eu encontrei, foi tentar afastá-lo de você. E fazendo isso, eu acabei estragando tudo entre a gente, deixando o caminho livre pra ele. – Eu escutei tudo em silêncio, mas sem olhá-lo. Tyler permanecia sentado na escada. Não prestei muita atenção em sua expressão facial, nem em seus gestos, mas cada palavra que saiu de sua boca me pareceu verdadeira. Ainda assim, mais uma coisa me incomodava.
– E quanto a Amber, Tyler? – Perguntei, fazendo-o levantar os olhos que antes miravam o chão, voltando-os para mim. – Você ficou agarrado com ela por quê? Por que tinha medo de me perder? – Disse com o tom carregado de sarcasmo.
– Anh... Não. Por incrível que pareça, nessa parte eu consegui ser mais idiota do que quando se tratou do Will. – Cruzei os braços e o encarei, esperando que continuasse. – Antes de eu ter esse surto todo, eu pensei que talvez você estivesse tentando me fazer ciúmes. Aí, eu tive o pensamento mais imbecil que existe: dois podem jogar esse jogo.
– Então você só estava tentando me fazer ciúmes?
– Exatamente.
– E você espera que eu acredite nisso? – Ele deu de ombros.
– É a verdade. – Disse simplesmente. Eu soltei uma breve risada de desdém e balancei a cabeça em negação. – O que você quer que eu diga, Jennifer? – Ele disse se levantando.
– A VERDADE! – Alterei minha voz.
– EU TE AMO! – Ele gritou. – QUER VERDADE MAIOR QUE ESSA? – E não disse mais nada. Ficamos nos encarando, até eu desistir e desviar o olhar. Ele suspirou. – Jenni, olha pra mim. – Eu obedeci. – O que te impede de acreditar em mim? – Eu não tenho uma resposta para essa pergunta, mas isso não quer dizer que eu tenha que aceitar essas desculpas, muito menos acreditar nelas.
– Isso é... informação demais pra mim, Tyler. Eu... – Suspirei. Me virei e fui embora. Não olhei para trás, mas pude sentir seu olhar mim, até eu fechar a porta, já do lado de fora.
Senti algo gelado entrar em contato com o meu ombro. Instintivamente, passei a ponta dos meus dedos no local, e senti a gota d’água sobre a minha pele.
Sério que vai começar a chover?
Como uma resposta à minha pergunta, o céu desabou sobre minha cabeça. Eu ainda estou em frente à casa de Tyler. O nó que eu fiz em meu cabelo mais cedo, já estava desfeito, e minhas roupas, encharcadas. Comecei a correr sem direção, literalmente. Na verdade, eu não faço ideia de onde eu estou, nem de como vou pra casa. Paro num cruzamento para tentar lembrar o caminho da vinda pra cá, quando sinto uma mão agarrar meu braço e me virar num movimento rápido e brusco. Fecho os meus olhos e sinto meu corpo se chocar com o de alguém.
– Eu não vou te deixar fugir de novo. – Ainda de olhos fechados, ouço sua voz ao pé do meu ouvido. Um arrepio percorre meu corpo. Logo sinto seus lábios novamente. Com uma das mãos ele me puxa para mais perto, acabando com o espaço entre nós. Com a outra, explora minha nuca, minhas costas e para na cintura, me pressionando ainda mais contra si. A chuva ainda cai sobre nós, o que faz o beijo ficar ainda melhor. Sinto seu pés se movimentarem, e eu o sigo desajeitadamente, até encostar no que deve ser uma parede. Então ele me solta, ofegante. E só ai eu abro os meus olhos.
– Isso não significa que eu te perdoei. – Digo. Ele sorri e me beija novamente.
...
Véspera de ano novo! Aaeeehh... Não. Bom, eu acho que já disse que odeio essa época do ano, certo? Enfim, minha mãe decidiu fazer ceia esse ano, diferente dos anos anteriores. Às 3h da tarde já estava tudo pronto. Então, eu decidi ir ver Tyler. Estamos vendo um filme de ação no sofá da sala. Ok, eu meio que o perdoei e a gente meio que voltou.
*Flashback on*
Tyler apareceu de surpresa aqui em casa hoje. Quando atendi a porta, ele me cumprimentou com um beijo roubado, o qual, aparentemente, foi visto por todos da sala. Holly, é claro, não podia deixar isso passar despercebido.
– Então, vocês voltaram? – Ela perguntou quando me sentei no sofá e Tyler sentou ao meu lado. Tenho certeza de que corei violentamente. Olhei para Tyler e vi que ele sorria.
– Eu não sei. – Eu respondi. – Voltamos? – Disse ainda olhando para Tyler.
– Por mim, nós nunca nos separamos. – Ele me respondeu e me deu um beijo rápido.
Só depois que eu percebi que Will estava na porta da cozinha, nos olhando. Devo dizer que me incomoda um pouco essa situação, mas... Não posso fazer nada.
*Flashback off*
O filme já estava na metade, mas eu não estava prestando muita tenção. Estava com a minha cabeça em outro lugar.
– Tyler. – Chamei.
– Oi, ruivinha. – Ele disse desviando o olhar da TV e voltando sua atenção para mim.
– Você lembra da primeira vez que a gente se viu? – Perguntei.
– Uhum... Foi na sua casa, néh?!
– Não.
– Ah, claro. Foi no parque.
– Não, Tyler. No shopping!
– Eu to brincando, pequena. Claro que eu lembro. Você estragou minha camisa nesse dia. Não tem como esquecer! – Comentou me fazendo rir. – O que tem?
– Por que quando você olhou pra mim, não disse mais nada, simplesmente saiu andando? – Ele pensou por um momento.
– Por que eu sabia que você era irmã do Gustavo. Arrumar briga contigo era a última coisa que eu queria. Se bem que não adiantou muita coisa...
– Verdade. – Eu disse rindo.
– Eu sempre ia com Gustavo à alguns shows. – Continuou. – E ele sempre falava da irmã que adoraria estar ali, só que sua mãe nunca deixava. Uma vez ele me mostrou uma foto sua, e foi ai que eu fiquei louco pra te conhecer. – Eu estava com um sorriso que mal cabia no rosto.
– Onde foi que você aprendeu a ser tão fofo?
– É um talento natural. – Se gabou.
– Convencido!
– Chata!
– Idiota!
– Escandalosa!
– Irritante!
–Linda! – E ficamos nos encarando. Eu devia estar com o sorriso mais bobo do mundo.
– É melhor você ir se arrumar, ou vamos nos atrasar.
Ele iria cear lá em casa. Sua irmã, Lizzie, já estava nos esperando junto com os outros. Quanto aos pais dele, Tyler só disse que não passaria a virada do ano com eles esse ano.
– Ok, mas antes... – E me deu um beijo ainda melhor do que qualquer outro que ele já me deu. Ele passou sua mão por debaixo da minha blusa e desceu os beijos para o meu pescoço, fazendo arrepios correrem pelo meu corpo. Me deitou no sofá e beijou meus lábios novamente, enquanto apertava minhas coxas. Quando senti meu fôlego acabar, ele afastou nossos lábios e abriu um sorriso cafajeste. – Eu não demoro. – Disse saindo de cima de mim e seguiu para o quarto.
– Filho da mãe! – Disse para mim mesma.
Me recompus e fui até a cozinha pegar um copo d’água. Enquanto bebia, me apoiei na pia, pois minhas pernas formigavam. Quando fui em direção à sala, um papel em cima da mesa me chamou a atenção.
Mas, Jennifer, não pode mexer nas coisas dos outros. É errado!
Dane-se!
Peguei o papel e o desdobrei. A cada palavra que eu lia, mais confusa e inconformada ficava. Ouvi passos descendo os degraus da escada. E logo Tyler apareceu na porta da cozinha vestindo uma blusa polo azul, uma calça jeans, um all star preto e com os cabelos despenteados.
– O que é isso? – Perguntei mostrando o papel que tinha em mãos. O sorriso que ele tinha em seu rosto, desapareceu.
– Jenni, eu posso explicar.
– Então, explica – Eu disse. – Porque eu to louca pra entender o que está acontecendo! – Ele suspirou.
– Eu ganhei uma bolsa para faculdade de música... – Fez uma pausa. – no Canadá.
– O que?
– Eu vou embora, Jennifer.
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