Amor fotografado - Primeira Temporada
26 Capítulo 25 - Um presente diferente
Notas iniciais
Se antes eu estava quase ficando louca, a essa atura eu já devia estar em um sanatório! Eu estou com tanta raiva do Tyler agora que eu nem sei o que eu sou capaz de fazer. Se não fosse por Will e Gustavo que estão nesse estado, acho que eu já teria acabado com a raça dele! Eu sei que ele fez o que achava ser certo, mas ele também sabia que Charlie podia machucar a Holly caso a polícia fosse envolvida.
De acordo com o que Gustavo e Will contaram, Charlie estava cumprindo o acordo. Eles haviam entregado o dinheiro e Charlie estava soltando Holly. Então eles ouviram a sirene da polícia, o que estragou tudo!
Eu falei com o delegado hoje de manhã e ele disse que a família já foi avisada de tudo. Mas eles não entraram em contato com a gente. Fico feliz com isso, pois, não estou afim de levar bronca de ninguém.
Já é segunda-feira à tarde e não recebemos nenhuma notícia ainda. Eu sinceramente, já perdi as esperanças. Aqui em casa, está um clima de velório que deprime qualquer um. Ninguém foi para a escola hoje e, se continuar assim, não vamos amanhã, nem depois...
Silas passou o dia aqui em casa, mas foi embora depois do almoço, porque tinha compromisso. Tyler ainda está aqui, e não parece que pretende ir embora. Will e Gustavo estão com perna e ombro enfaixados por causa do tiro e Mary também está de cama. Então, sobrou pra mim fazer tudo nessa casa, já que eu sou a única sã, de corpo e mente, aqui dentro. Tyler até se ofereceu par ajudar, mas eu neguei. Já basta eu ter que estar debaixo do mesmo teto que ele.
– Tem certeza de que não precisa de ajuda? – Tyler perguntou enquanto eu estava toda atrapalhada fazendo comida, arrumando a cozinha e separando o remédio dos meus 3 pacientes. Acho que só a minha mãe consegue fazer tudo ao mesmo tempo.
– Tenho. Eu consigo me virar. – Respondi sem olhá-lo.
– Posso pelo menos levar os remédio? – Suspirei.
– Pode. – Entreguei os remédios e o papel com os horários para ele.
...
Terça-feira. O tempo está passando devagar. E eu não sou a única pirando aqui dentro.
A Mary está piorando. Agora, além de vomitar e não conseguir ficar em pé, resolveu parar de comer. Eu posso com isso? Só falta ela me dizer que não mais motivos pra viver e vai se suicidar... Nossa! Que pensamento horrível... Enfim, o fato é que, ela não pode tomar remédio de estômago vazio. Então, eu a estou obrigando a comer, literalmente.
– Mary, você precisa comer! – Digo.
– Mas eu não quero! – Ela responde.
– Eu não to perguntando se você quer, eu to mandando você comer.
– Não! – Exclama e cruza os braços, como uma criança birrenta.
– Marienne Davis, abre essa boca, agora! – Grito.
– Mas eu não quero comer, Jenni! – Diz, agora, fazendo manha.
– Se você comer eu te dou chocolate. – Digo. Ela abre um sorriso.
– Então, tá.
Eu estou me sentindo a mãe de uma garotinha de 3 anos de idade.
Estou lavando louça na cozinha quando ouço o telefone tocar. Seco minha mão e corro para o local onde ele está. Hesito antes de atender. Todas as vezes que esse telefone toca, é pra me trazer estresse. Mas o que mais falta acontecer? Só me resta receber a notícia de que encontraram Holly morta ou desistiram de procurar por ela, e todas essas opções já foram consideradas por todos aqui.
Me lembrei de que o telefone tocava e rapidamente atendi para que a ligação não fosse perdida.
– Alô?
– Alô. É a casa da... anh... Jennifer Monroe? – Perguntou uma voz feminina do outro lado da linha.
– É sim. Quem está falando?
– Ah, me desculpe. Aqui é a Tenente Cooper. Eu só liguei para avisar que a amiga de vocês, Holly Adams – “Foi encontrada morta”. — ... e vocês podem vir buscá-la. – Meu rosto não estava molhado e sim, encharcado por causa as lágrimas. — Alô? Senhora? Ainda está ai?
– Você pode repetir, por favor? – Pedi com a voz embargada.
– A sua amiga Holly Adams foi encontrada, está bem e vocês podem vir buscá-la. – Minha lágrimas começaram a correr descontroladamente. Um sorriso enorme se abriu em meu rosto e eu comecei a gritar.
– Ai meu Deus! Eu não credito! Moça, me diz que isso não é nenhuma pegadinha! Isso é sério?
– Não, senhora. Isso não é uma pegadinha. Sua amiga te aguarda na delegacia. Assim que vocês chegarem, ela será encaminhada para um hospital para cuidar dos ferimentos, que não foram graves.
– Ok. – Me recompus. – Muito obrigada. Já estamos a caminhos. – E desliguei.
Saí correndo pela casa gritando feito uma louca. Tyler apareceu na sala e me olhou assustado perguntando o que houve.
– A Holly! – Gritei pulando em seus braços. – Encontraram ela! Encontraram a Holly! – Tyler me girava no ar.
Depois que ele me colocou no chão, ficamos nos encarando e o clima ficou estranho.
– É... Eu vou... Hum... avisar os outros. – Digo e subo as escadas correndo. Não olho pra trás, mas posso sentir o olhar de Tyler em mim.
Decidi avisar a Mary primeiro.
– Mary! – Grito entrando no meu quarto, onde ela dormia.
– Não grita, sua louca! – Ele disse com a voz ainda rouca.
– É por um bom motivo. – Digo.
– É bom que seja mesmo!
– Que tal você tomar um banho rápido e colocar uma roupa bem bonita? Eu quero te levar pra ver uma pessoa.
– Ah, não. Eu quero dormir! – Disse e cobriu a cabeça com o cobertor.
– Hum... Que pena. Achei que quisesse ver a Holly. – Provoquei e abri a porta.
– VER QUEM? – Ela levantou da cama num salto. – Como?
– Acabaram de ligar da delegacia. – Gritei. – Ela tá bem!
– Ai meu Deus! Eu não acredito! – Ela começou a pular. – Jennifer Monroe, se vocês estiver mentindo...
– E você acha que eu brincaria com um negócio desses?
– Que gritaria é essa? – Perguntou Gustavo colocando a cabeça pra dentro do quarto. Pela cara dele, parece que nós o acordamos.
– Acharam a Holly! – Mary gritou.
Depois disso Gustavo contou pra Will e todo mundo desceu e começou a gritar. Aí eu lembrei que tínhamos que buscá-la. Todo mundo saiu correndo pra dentro do carro de Tyler, menos Gustavo. Ele vai de moto.
– Holly! – Mary gritou quando chegamos na delegacia. Mary a envolveu num abraço apertado.
– Ai! – Holly gemeu. Ela estava bem machucada.
– Mary, você tá machucando ela. – Gustavo a advertiu.
– Ah, foi mal. – Mary soltou um risinho fraco. – É bom saber que você tá viva! – Holly sorriu.
– Também acho.
A levamos para o hospital. Os médicos fizeram os curativos. Eles disseram que os ferimentos foram superficiais e não foram graves. Então, ela foi liberada imediatamente.
O único problema é que Charlie fugiu.
Passamos o resto da semana planejando a festa de aniversário do Gustavo, que afinal, vai acontecer!
...
A festa ficou realmente incrível! Tinha tanta gente dentro de casa, que eu tenho medo de que as pessoas comecem a vazar pela janela. Acredito que Gustavo não conhece nem metade dessas pessoas, mas quem se importa? Bom, minha mãe, com certeza se importaria, porém, ela não está aqui pra ver, não é?! Além disso, temos um grande motivo para comemorar, e esse motivo está dançando com Daniel. Esses dois aí... Não sei, não, hein...
Fiz questão de convidar Silas. Não, eu não estou gostando dele e não, também não é pra fazer ciúmes no Tyler. É só porque ele pode ser um bom amigo, se parar de tentar me agarrar toda vez que me vê. E parece que não teremos esse problema. Pelo menos não hoje, já que ele está meio ocupado engolindo a Lauren no meu sofá.
Will estava sentado num canto da sala. A perna dele ainda não está totalmente curada, logo, não pode ficar muito tempo em pé. Na verdade, ele devia estar em repouso contínuo, Gustavo a mesma coisa, mas como são dois teimosos...
– Cheguei! – Gritou uma voz esganiçada, que eu logo reconheci como sendo a de Amber. Todos gritaram em resposta. Não credito que ela veio mesmo.
Fui fazer companhia para Will. Deve ser um tedio ter que ficar sentado o tempo todo.
– Hey! – Digo me sentando ao seu lado.
– Oi. – Responde com um sorriso no rosto.
– Como está se sentindo? – Grito, por causa da música alta.
– Já disse que estou bem. Não preciso ficar sentado o tempo todo. – Revirei os olhos.
– Vou pegar um refrigerante. Quer alguma coisa? – Pergunto, já me levantando.
– Um guaraná.
Abro caminho entre a multidão e consigo chegar à mesa no meio da sala. Pego uma coca e um guaraná. Quando me viro para voltar ao meu lugar, consigo ver Holly e Daniel aos beijos perto da janela. Eu sabia! Volto para o meu lugar saltitando (Mentira. Eu não saltito. E mesmo que o fizesse, aqui não tem espaço pra isso.).
– Posso saber o motivo do sorriso nível coringa? – Pergunta Will.
– Holly e Daniel estão ficando! – Digo com uma empolgação exagerada. Will ri.
– É claro que estão! Isso aqui é uma festa. Todo mundo fica com todo mundo em uma festa. – Toda a minha animação se esvaiu. – Pelo menos ela está se distraindo.
– É... Eu vou lá fora tomar um ar. – Digo. – Muita gente. – Fiz um gesto abrangente. Eu realmente estava ficando sem ar.
A sensação é de que eu acabei de sair de uma sauna. Ando pelo jardim, paralela à parede, quando sinto duas mãos me virarem e me encostarem na parede. Antes que eu pudesse identificar o ser, senti seus lábios nos meus. Passou pela minha cabeça, que podia ser Silas ou até mesmo Tyler, mas quando ele se afastou, pude ver um par de olhos verdes me encarando.
– Will... – Digo ainda ofegante por causa do susto e do beijo.
– Eu não aguento mais, Jennifer. – Com uma das mãos ele me segura pela cintura e com a outra se apoia na parede. – Eu não aguento mais estar todos os dias ao seu lado e ser chamado de amigo. Eu não aguento mais poder te abraçar e não poder te beijar. Eu não suporto não poder te chamar de minha. Eu te quero desde a primeira vez que eu vi esses cabelos cor de fogo e esses olhinhos castanhos e curiosos. E eu não quero e não posso ficar sem você nem mais um segundo. – E me beijou novamente. Um beijo mais intenso e mais necessitado, como se ele precisasse disso pra viver. Ele me pressionava contra a parede.
Nos separamos por causa do ar. Ele encostou sua testa na minha e fechou os olhos.
– Jennifer! – Ouvi Gustavo gritar. – Will!
– Ah, fala sério! – Disse indignada. Will riu. Ele adora rir de mim...
– A gente pode fazer isso outras vezes. – Ele disse. – Só depende de você. – E saiu.
Eu fiquei ali por algum tempo ainda tentando processar o que acabou de acontecer.
– Jennifer! – Gustavo gritou de novo.
– Ninguém pode nem pensar em paz agora! – Resmunguei e fui ver o que ele queria. – O que foi?
– A Mary! – Ele disse com cara de desesperado. – Ela desmaiou.
– Também! Do jeito que ela tá comendo...
– Que seja! Vamos levá-la para o hospital. Vai vir junto? – Assenti. A maioria das pessoas já haviam ido embora.
E lá fomos nós. Gustavo e Holly foram de moto, enquanto eu, Tyler, Will e Mary fomos no carro.
Esperamos não sei quanto tempo, até que o médico veio falar com a gente.
– Então, Doutor? – Perguntou Gustavo levantando num pulo. – É grave?
– Bom... – Ele disse com um ar duvidoso. – Sim. – Nesse momento todo mundo quase teve um treco. – Ela tá grávida!
– É O QUE? – Gritou Will.
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