Amor fotografado - Primeira Temporada
27 Capítulo 26 - Isso é inadmissível!
Notas iniciais
– C-Como assim grávida? – Perguntou Gustavo. Ele está muito nervoso. E devo dizer que, até eu que já suspeitava, estou meio surpresa.
– Tem uma pessoa crescendo na barriga dela, Gustavo. – Eu disse.
– Tá, mas como... – Ele disse de novo e a Holly o interrompeu.
– Quando um homem e uma mulher...
– Ok. Eu acho que já chega, néh?! – Interrompeu Will. – E como ela está? Ela já sabe?
– Ela está bem. Só precisa se alimentar melhor e ficar de repouso. E não, ela ainda não sabe. Preferimos deixar que vocês contassem.
– Tem quanto tempo de gravidez? O Senhor sabe? – Perguntou Gustavo.
– 1 mês. – Respondeu o Doutor. – Vocês já podem vê-la. É só me acompanharem.
Eu já estava vendo a hora em que Will vai perder a cabeça e voar no pescoço de Gustavo. Todo mundo está muito tenso com a notícia e Mary, provavelmente, vai ter um ataque quando souber.
– Oi. – Ela disse com um sorriso, assim que entramos no quarto.
– Como vai a mamãe do ano? – Perguntou Will, indo direto ao assunto.
– Bem, mas... “mamãe”? – Perguntou, obviamente, confusa.
– É... – Will murmurou. Ninguém falou nada.
– Dá pra alguém explicar? – Mary gritou.
– Na verdade, — Disse Gustavo, tomando a dianteira. – é uma história engraçada. – E começou a rir. Todos olhamos para ele como se fosse louco. – O médico veio falar com a gente – Continuou. – e disse que tem uma pessoa dentro de você. – Mary o olhou com os olhos arregalados.
– É O QUE? – Gritou as mesmas palavras de Will.
– Você tá grávida! – Anunciou Holly como se fosse a melhor notícia do mundo.
– EU O QUE? – Gritou novamente.
– Dá pra parar de gritar, Mary?! – Will reclamou.
– Will, — Disse calmamente. – ela acabou de descobrir que tá carregando uma pessoa na barriga durante 1 mês. Ela tem o direito de gritar. – Ele revirou os olhos.
– 1 MÊS?
– Tá, Mary. Agora já chega. – Eu disse. A verdade é que nem eu aguentava mais ouvir a voz dela.
– Jennifer, ela tem o direito de gritar. – Disse Will tentando imitar minha voz. Todos riram. Bufei.
O médico que havia falado com a gente antes, entrou no quarto nesse momento.
– Tudo bem, agora ela precisa descansar. Ficará em observação durante a noite e, se tudo correr bem, amanhã ela será liberada.
Saímos do quarto e voltamos pra casa. Gustavo ficou lá. Disse que dormiria no hospital, mesmo sabendo que não era necessário.
...
Já faz um mês que descobrimos que Mary está gravida. A barriga dela está começando a aparecer. Ela ainda não contou para os pais, mesmo com eu e Holly a pressionando. Gustavo ainda não deu sua opinião sobre o assunto, mas sabe que o certo a se fazer é contar. Não sei por quanto tempo eles acham que vão conseguir guardar esse segredo. Sem falar que minha mãe daqui a pouco volta pra casa e ela, com certeza vai falar com os pais dela. É como eu disse, quanto mais tarde contar, pior vai ser.
– Eu sei, Jennifer. – Disse Gustavo. – Você já disse isso milhares de vezes.
– Por que você não faz, então? – Insisti.
– Porque a decisão não é só minha! – Respondeu.
– Ele tem razão, Jenni. – Disse Tyler.
– Mas ela também tem razão. – Will me defendeu. – Quanto mais demorar, pior vai ser.
– Eu sei disso. Mas mesmo que ela tenha razão, não cabe a ela decidir quando que eles vão contar.
– Eu sei que não, Tyler, mas alguém tem que dizer o que tem que ser feito aqui dentro. – Eu disse. – Minha mãe pode voltar a qualquer momento. E quando ela souber que o Gustavo engravidou a Mary, com certeza ela vai falar pros pais dela. Por isso, eu acho melhor contar logo, porque saber pela boca dos outros é muito pior.
– To com a Jennifer nessa, Gustavo. – Disse Tyler.
Nesse momento eu subi para ver como estava indo a conversa de Holly com Mary.
– Você não os conhece, Holly! – Ouvi Mary gritar, antes que eu se quer abrisse a porta. – Não é tão simples assim! – Entrei imediatamente e me deparei com Mary deitada na cama, chorando.
– Ei, o que houve? – Perguntei calmamente.
– Eu não posso falar pra eles, Jennifer. Eu não posso. – Ela sussurrou.
– Eu sei que não deve ser fácil, Mary. Mas você precisa contar, porque mesmo que você não conte, uma hora eles vão saber.
– Você não entende! Eles nunca vão aceitar isso! Eu só tenho 17 anos! Você acha que eles vão levar isso numa boa? Que eles vão me dar os parabéns? É claro que não! – Ela berrava.
Os meninos subiram as escadas correndo e entraram no quarto.
– O que aconteceu? Algum problema? – Perguntou Gustavo.
– Não. – Respondi, apesar de Mary estar chorando como uma criança que perdera sua bonequinha no parque. – Will, posso falar com você um segundo?
– Claro.
O levei para o parque. Ali poderíamos conversar sem ser interrompidos ou correr os risco de alguém nos ouvir.
– Ela está com medo de contar. – Digo.
– Eu também estou com medo. E o filho nem é meu.
– Eu sei. Eu quero dizer que ela está com medo da reação do seus pais. – Ele suspirou. – Tem algum problema, Will? Quer conversar?
– Não, não é nada. É só que... A Mary nunca teve uma boa relação com os nossos pais. Apesar dela sempre tentar agradá-los, eles nunca gostaram dela. Eles dizem que ela nasceu numa hora ruim. Mas eu não tenho certeza de que isso seja motivo pra odiar um filho.
– Claro que não! – Exclamei.
– Agora, imagine a situação dela. Tendo que contar pros seus pais que não vão com a sua cara, que você tá carregando uma criança na barriga com 17 anos de idade.
– É mais complicado do que eu pensei, então? – Ele assentiu. – Mas mesmo assim... – Não completei a frase.
– Eu sei. E concordo com você.
Voltamos pra casa. Mary parecia estar mais calma e o clima em casa, mais leve.
– Eu vou contar amanhã, Jenni. – Disse Mary sem nenhum pingo de animação na voz. Eu assenti. – Queria que você fosse comigo. – Esbocei um sorriso. – Todos vocês.
– Mas é claro! Você acha que a gente te deixaria sozinha agora? – Eu disse e ela sorriu.
...
Para a tristeza de muitos, o dia de ontem passou rápido. A cada minuto que se passa, o clima fica mais pesado, todos ficam mais ansiosos e nervosos. Estou preocupada com a Mary. Ela não pode se aborrecer do jeito que tem acontecido. Isso pode fazer mal para ela e para o bebê.
No momento, estamos nos arrumando para ir almoçar na casa dos pais de Will. Ele ligou para casa ontem avisando que nós iríamos. Eu, sinceramente não sei o que esperar desse almoço. Confesso que estou com um pouco de medo da reação dos pais dela. Nem sei o que eu faria se fosse comigo. E se tudo aquilo que Will me contou for verdade, a situação é muito pior do que eu posso imaginar.
– Todos prontos? – Gritou Gustavo do pé da escada.
Estamos todos na sala esperando Holly e Mary acabarem de se arrumar para irmos. Se elas demorarem mais, chegaremos atrasados, o que não vai ser muito legal, já que a notícia que vamos dar, também não é muito boa. As duas apareceram no topo da escada. Holly usa um vestido branco florido com um sinto fino dourado, um sapato preto simples, uma maquiagem simples e os cabelos soltos. Mary optou por um vestido preto soltinho para disfarçar a barriga, uma sandália baixa também preta, a mesma maquiagem simples de Holly e os cabelos presos no alto da cabeça num rabo de cavalo.
– Vamos? – Perguntou Gustavo oferecendo o braço a Mary, quando elas chegaram no pé da escada. Ela sorriu.
– Vamos.
E foi como sempre: Gustavo na moto, só que com Mary na garupa e o resto no carro com Tyler dirigindo. Holly se sentou na frente me deixando atrás sozinha com Will. Foi estranho. Nós não conversamos sobre o beijo desde a festa. Na verdade, nós não conversamos mais sobre nada, mal olhamos na cara um do outro. Eu fico me perguntando se tudo o que ele disse era verdade ou se ele estava bêbado.
– Chegamos! – Anunciou Tyler, me tirando dos meus pensamentos.
A hora está chegando!
Descemos do carro. Gustavo e Mary já haviam chegado e nos esperavam do lado de fora.
– Pronta? – Perguntou Holly.
– Não. Mas eu tenho outra opção? – Disse Mary.
– Creio que não. – Foi a vez de Will falar. – Bom, vamos entrar? A comida já deve estar na mesa. – E nos guiou para dentro de casa e... Uau! Que casa enorme!
É toda num tom pastel, por dentro e por fora. 3 andares. Passamos pela sala de estar, onde tem uma TV de tela plana gigante, dois sofás, três poltronas, uma mesinha de centro e num canto perto da porta que dá pra sala de jantar, tem um estante com várias coisas como taças, pratos (que só de olhar você sabe que são caros), porta-retratos com fotos da família (Vocês tem que ver a foto do Will quando criança. É a coisa mais fofa do mundo!)... A sala de jantar é uma elegância só: mesa e cadeiras de madeira com 12 lugares e um belo ilustre no centro da sala. Me senti até mal vestida num lugar desses. Encontramos com a mãe deles na cozinha terminando de preparar algumas coisas. A maioria já estava posta a mesa.
Ela é uma mulher muito bonita, mas olhando em volta de seus olhos verdes, percebe-se que é uma mulher de meia idade, embora por seu corpo aparente ser bem nova.
– Boa tarde! – Ela nos cumprimentou com um sorriso no rosto. É incrível como ela consegue ficar linda e elegante num avental.
– Boa tarde! – Respondemos em uníssimo.
– Fico feliz em finalmente conhecer vocês. – Ela disse. – Will não para de falar dos tais amigos misteriosos. Eu já cheguei a pensar que fossem imaginários, mas aqui estão vocês. — Ela parece ser legal. – Vamos comer? – E nos conduziu até a mesa. O pai deles já estava à nossa espera. Era um homem de meia idade, alto e corpulento. Seus cabelos brancos ainda estavam conservados na cabeça. Se veste elegantemente e tem uma ótima postura.
Nos sentamos e cada um se serviu. É impressionante como na casa dos outros nós comemos tão pouco. Gustavo e Tyler, por exemplo, não estão comendo nem metade do que comem em casa. O almoço seguiu tranquilo, até que...
– Mãe, pai, eu preciso contar uma coisa pra vocês. – Mary disse com tanta firmeza na voz, que eu achei que ela não estivesse nervosa, até que reparei em suas mãos suadas em cima da mesa que se mexiam freneticamente.
– O que, filha? Algum problema? No que podemos ajudar? – Perguntou o pai dela. Pude ver o nervosismo no olhar de todos na mesa, mas principalmente no de Mary e no de Gustavo.
– Filha, fala alguma coisa. – Encorajou a mãe dela. – É tão grave assim?
– Na verdade, é. – Ela disse com a voz trêmula. – Mãe, eu estou... anh... – Ela se virou para mim, seu olhar implorava por ajuda. Eu a encorajei com um aceno de cabeça. Não sabia se era certo falar por ela.
– Você o que, Marienne? – Perguntou o pai se exaltando.
– Ela tá grávida. – Disse Gustavo rapidamente. A Sr.ª Davis engasgou com a água que bebia.
– Ela está o que? – Perguntou a mãe após se recuperar.
– Grávida, mãe. Grávida! – Disse Will. – Ela tá carregando uma criança na barriga. – Pelo olhar do pai dele, soube que as palavras de Will só piorariam a situação. O adverti com o olhar, mas ele não mostrou arrependimento.
– Isso é verdade, Marienne? – Perguntou o pai se voltando para ela. Nós outros permanecíamos calados.
– É sim, pai. – Respondeu olhando nos olhos do homem pela primeira vez desde de que abrira a boca.
– Isso é inadmissível! – Gritou a mãe dela. O que me espantou um pouco, já que, na teoria, as mães são as compreensíveis.
– E quem é o pai? É rico pelo menos? – Seu pai perguntou tentando manter o controle da voz.
– Não, pai. Ele não e rico! – Mary se exaltou.
– E quem é o miserável?
– Sou eu mesmo, Senhor. – Respondeu Gustavo com uma voz firme. Sr.º Davis se levantou e se aproximou de Gustavo, o qual imediatamente se levantou e, para nossa surpresa, levou um soco logo em seguida.
– Seu infeliz! Como pode engravidar minha filha?
– Não bata no garoto, Paul! – Exclamou Sr.ª Davis. – Ele não fez a criança sozinho. – Mary chorava freneticamente. Ninguém ousava interromper.
– Obrigada, mãe. – Balbuciou Mary.
– Não me agradeça ainda! – Rebateu duramente. – Quero você fora dessa casa ainda hoje!
– Mãe! – Will se intrometeu. – Como pode...? Sua própria filha!
– Cale a boca, seu moleque! – Esbravejou o pai. – Eu sei que você sabia disso!
– Vá pegar suas coisas, Marienne! – Gritou a mãe.
– E onde ela vai morar? – Perguntou Will.
– Com o papai ali? – Debochou o pai. – Fez besteira, agora arque com as consequências!
Mary saiu correndo para o quarto no andar de cima. Eu e Holly a seguimos. Enquanto subia as escadas, olhei rapidamente para trás e vi os meninos indo para fora.
– Eu disse! – Disse Mary em meio aos soluços. – Eu disse que eles não iam aceitar! Eu disse! – As lágrimas caiam freneticamente. Eu e Holly não sabíamos o que falar. Apenas a abraçamos, até que a mão dela entrou e nos apressou. Então nós começamos a arrumar as malas.
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