Amor fotografado - Primeira Temporada

2 Capítulo 2 - O primeiro príncipe


Notas iniciais
Essa está maior. Espero que gostem *-*

Eu continuo olhando para o Sr. Schweitzer enquanto ele me esquarteja mentalmente. Eu sussurro “desculpa” enquanto abaixo meu olhar novamente. Não quero parecer que o estou confrontando. Tudo o que eu não preciso é arrumar problemas no primeiro dia de aula.

Demoro um pouco até perceber que o pessoal do fundão está chorando de rir de mim. São as mesmas pessoas do ano passado. Tive o azar de estar na mesma turma que eles mais um ano seguido. Acontece que eles pegam no meu pé desde do 6° ano, quando eu entrei na escola. Pelo que parece, eles se conhecem desde antes de entrarem aqui, então a quadrilha já estava formada, e eu sou a vítima. Não que eu me importe com eles ou com o que pensam de mim, só que me incomoda o fato de eu não poder fazer nada para acabar com essa zoeira as minhas custas. Cansei de ser alvo de piadinhas, brincadeiras de mal gosto e tudo mais. Esse já é o 4° ano que eu tenho que aturá-los. Tudo bem, ás vezes eu mereço, tipo agora. Quase joguei um professor no chão, por favor néh. Até eu estaria rindo da minha estupidez.

O professor começou a aula como se nada tivesse acontecido. Escreveu no quadro freneticamente sobre o início da 2° Guerra Mundial. Maravilha! Algo de bom nesse ano, que já começou desastroso. Olho “discretamente” para trás para ver se ainda estão rindo. Ou tento, pois no processo derrubo meu caderno e meu estojo aberto no chão. Me abaixo para pegar tudo e quando levanto, bato com a minha cabeça na mesa ao lado da minha e derrubo o material de Debbie Castelan. Alguns a chamam de “nerd”, mas eu acho que ignorante ou antipática se encaixariam melhor quando se trata dela.

Ela me fuzila com os olhos. Dessa vez eu realmente pisei na bola (ainda usam essa expressão?).

– Droga! – Eu sussurro para mim.

Todos se levantam, inclusive Debbie. E ela começa a falar. Como se meu dia já não estivesse ruim o bastante.

– Qual. É. O. Seu. Problema? – Ela diz pausadamente, como se saboreasse cada palavra antes de cuspi-las na minha cara. – Você por acaso é cega? Não basta quase matar o professor, você tem que estragar todo o meu material? Você é o que? Um hipopótamo? Será que ai não tem espaço o suficiente para se levantar sem virar minha mesa? – E nessa hora ela fez questão de virar a própria mesa, como se eu o tivesse feito.

– E-Eu... anh... – Eu fiquei sem palavras. O que eu poderia dizer? Então, eu simplesmente me encolhi e escutei todos os insultos de Debbie, até o professor decidir que eu havia sofrido o bastante.

– Debbie, já chega. Levante sua carteira e sente-se. Jennifer, levante-se do chão e sente-se no seu lugar. Depressa. E, todos vocês, voltem para seus lugares imediatamente! – Não sei se agradeço ou mato o Sr. Schweitzer.

Só depois que me levanto, percebo que toda a sala tinha formado uma roda ao redor de mim e Debbie para assistir ao show. Acho que nunca tive um primeiro dia de aula tão ruim. Sério!!

Então, a aula seguiu, mas não foi como se nada tivesse acontecido. Durante toda aula eu ouvi sussurros e risinhos vindos do fundo da sala. Eu queria me virar e encará-los, mas não queria arriscar mais um segundo de vergonha. Quem diria?! Uma das minhas aulas preferidas ficará marcada como a pior e a mais vergonhosa da história.

O sinal tocou. A aula passou bem rápido. A próxima aula foi de geografia. Essa foi mais calma. Não movi um músculo sequer e assim evitei mais vergonha por um dia. Embora tenha sido entediante, eu gostei da aula de geografia. O professor era bem legal. Sr. Meirelles conversou com a gente durante toda aula. Ele queria nos deixar a vontade, ao que parece. Não adiantou muito comigo, mas tudo bem. Assim que o sinal do intervalo tocou, eu já tinha guardado todo meu material, e fui a primeira a sair da sala. Acho que nunca corri tão rápido na minha vida. Eu não aguentava ficar mais um segundo sequer dentro daquela sala. Eu estava muito mal. Mesmo. Até considerei a ideia de me trancar no banheiro e chorar até não poder mais, ou até o sinal tocar e eu ter que voltar para a sala. Mas tudo o que eu não quero é me deprimir por causa daqueles idiotas, muito menos na escola e no primeiro dia de aula. Então fui direto para o refeitório.

As filas não estavam grandes, mas eu não estava com fome, mesmo não tendo tomado café da manhã. Para evitar de passar mal em alguma hora do dia, peguei uma maçã. Procurei um lugar para me sentar. Achei uma mesa no fundo, ao lado da saída de emergência e totalmente isolada. Fui em direção a ela pelo cantos e evitando o meio, que era exatamente onde todos da minha sala sentavam. Eu realmente não quero que façam piada de mim no refeitório, onde está toda a escola. É o que eu menos preciso nesse momento. E não. Eu não tenho amigos com quem eu possa conversar ou me sentar no intervalo.

Finalmente chego na mesa. A caminhada até aqui pareceu uma eternidade, e o refeitório nem é tão grande assim. Acho que ninguém me viu. E se viu, não demonstrou. Ótimo! Vou ficar aqui sem fazer nenhum movimento brusco, nenhum barulho nem nada que possa chamar atenção dos outros para mim.

Ponho minha bolsa em cima da mesa e começo a comer minha maçã. Dou uma mordida, duas mordidas... Abro minha bolsa e pego minha câmera. A ligo para ver as fotos que tirei ontem no parque. Acho que ficaram boas. Coloca a câmera na mesa para dar mais uma mordida na maçã e olho para o refeitório, distraída. Acho que daria uma boa foto, digo, essas pessoas, rindo, juntas, felizes. É... Seria uma boa. Decido tirar uma foto. Tento pegar a câmera sem olhar e acabo a derrubando no chão. Será que eu não vou fazer nada direito hoje? Me abaixo para pegar a câmera sem sair da cadeira, tomando cuidado para não bater com a cabeça de novo. Daí eu caio. É sério isso? Não dá pra ser mais vergonhoso? Escuto a risada de todo o refeitório. Eu não quero levantar.

Estou pensando seriamente em me arrastar para debaixo da mesa quando sinto uma mão no meu ombro. Não acredito que alguém se deu ao trabalho de vir aqui me humilhar.

– Tudo bem? – Era uma voz masculina e desconhecida. Eu nunca tinha escutado essa voz antes, pelo menos, não que eu me lembre.

– O que você acha? – Digo sem olhar para ele.

– Vem. Eu te ajudo a levantar. – Eu me viro para ver aqueles lindos olhos me encarando. Aquilo era um sonho ou realmente tinha um garoto de cabelos negros, pele branca e olhos verdes com a mão estendida para mim?

–Ah... Obrigada. – Seguro sua mão e dou um leve sorriso em agradecimento. Ele retribui deixando aparecer suas covinhas. Mal consigo processar tudo o que está acontecendo. Eu nunca o tinha visto pela escola.

– Vamos sair daqui. – Ele me puxa para fora do refeitório. Não sei se ainda estão rindo. Não consigo ouvir mais nada que não seja meu coração acelerado e nossos passos em direção a saída e não vejo nada que não seja as costas e os cabelos do... Agora percebo que não sei seu nome.

Quando saímos do refeitório eu finalmente pergunto:

– Quem é você? – Talvez eu tenha sido um pouco arrogante demais – Quer dizer... Qual é o seu nome? – Nós paramos no corredor, bem distante do refeitório, e ele se vira em minha direção.

– Sou Will Davis – Ele olha nos meus olhos enquanto fala. Eu gosto disso. Pera. O que eu to fazendo?

– Jennifer Monroe, mas prefiro que me chame de Jenni. – Eu digo, ainda distraída no verde de seus olhos. É sério. Eu tenho que parar com isso.

Eu estaria errada em pensar que ele poderia ser meu príncipe encantado? Mesmo que seja apenas na minha fantasia. Quer dizer... de certa forma, ele acabou de me “salvar”.

Notas finais
O que acharam? Comentem *-*