Amor fotografado - Primeira Temporada
3 Capítulo 3 - Novos amigos
Notas iniciais
Antes eu apenas desconfiava, mas agora tenho certeza: eu enlouqueci de vez! Príncipe encantado? Eu acho que estou onde? Em um dos filmes da Disney? Eu acabei de saber o nome dele. Nem conhecer o garoto eu conheço.
Ficamos num silêncio constrangedor encarando um ao outro. Eu olhando aqueles olhos verdes e ele olhando nos meus olhos castanhos.
Eu fico sem graça, coloco uma mexa de cabelo atrás da orelha e, finalmente, cedo. Abaixo meu olhar, como sempre faço quando estou com vergonha ou nervosa, e dou um sorriso meio sem jeito. Ele continua olhando para mim e sorri.
– Ah... É.... Obrigada, de novo. Foi muita gentileza sua me ajudar. – Eu digo, segurando o meu braço esquerdo com a mão direita, ainda meio sem jeito. Eu não sou do tipo que conversa com as pessoas, muito menos com garotos lindos de olhos verdes. Ok. vou parar de falar dos olhos dele.
– Não foi nada. Eu só achei errado o que fizeram com você na sala de aula e agora, de novo. Não deve ser muito legal passar por isso, ainda mais no primeiro dia de aula. – Ele diz, com uma voz gentil, abaixando o olhar pela primeira vez.
Ele disse na sala de aula? Como ele sabe o que aconteceu lá? A notícia já se espalhou pela escola toda?
– Como você sabe o que aconteceu na sala? Já espalharam por aí o que aconteceu? – Eu realmente estou curiosa para descobrir o que andam falando de mim. Sempre exageram quando vão repassar os fato. Fofocar, que seja.
– Não. Eu estava lá. – Ele responde olhando para mim novamente. Agora eu estou oficialmente curiosa.
– O que você estava fazendo na minha sala?
– O mesmo que você: estudando. – Então o moreno era aluno novo e estava na minha sala? Sorte ou azar?
– Ah, sim. Claro. – De repente sinto uma onda de timidez me atingindo bem na cara. Então eu encolho os ombros.
– Ai está você. – Diz uma voz feminina vindo de trás de mim. Olho para ver quem é e logo reconheço. Holly Adams e Marienne Davis, Mary.
– Oi, Mary. E ai, Holly? – Cumprimenta Will.
– Oi. – Diz Holly.
– Não vai nos apresentar sua amiga? – Pergunta Mary.
– Ah, sim. Essa é Jennifer. Jennifer Monroe. – Responde Will, como se me conhecesse há anos. – Essas são Mary, minha irmã, e a amiga dela, Holly. – Mary era bem parecida com Will. Tinha a pele branca e cabelos negros e lisos. Seus olhos eram castanho médio, não escuros como o meu. Já Holly tinha a pele morena e cabelos castanhos, quase tão escuros como o de Mary, e cacheados. Os olhos da mesma cor que os meus.
– Me chamem de Jenni ou sei lá... – Daí eu dou o meu risinho de quando estou sem graça – Já ouvi falar de vocês. – Digo, tentando soar o mais gentil possível.
Bom, era impossível não saber quem elas eram (não, elas não são líderes de torcida). Elas faziam parte do jornal da escola. Mary escrevendo e Holly cuidava das imagens (fotografia e desenhos). Elas ficavam sabendo de absolutamente tudo. Como? Não faço ideia.
– Quem não ouviu, não é – Disse May, soltando uma gargalhada exageradamente alta. Eu tinha esquecido desse lado dela. Só de observá-la de vez em quando, percebe-se que ela é do tipo que gosta de ter atenção de todos o tempo todo. Mas nunca me importei realmente com isso. Não sou próxima dela nem nada. – Então, sobre o que vocês estavam falando?
Nessa hora eu olhei pro Will, ele olhou pra mim e nós ficamos nos encarando. Uma parte de mim não queria contar o que aconteceu de verdade. Acho que não seria uma assunto agradável, pelo menos não para mim. A outra parte me achava idiota por estar com vergonha de contar isso pra elas. Will não parava de me olhar. Quando eu desviei os meus olhos percebendo o quanto aquilo estava estranho, ele disse:
– Sobre o professor de Geografia. Ele parecia ser legal. Não é Jennifer? – eu fiquei sem reação por um tempo, mas consegui me recuperar de modo que não demorei muito a responder.
– Sim. Ele mal escreveu no quadro. Passou a aula inteira jogando conversa fora com a gente. Diferente do professor de História. Mas eu gostei da aula dele. Bom, pelo menos do final – Sussurrei a última parte tentando evitar perguntas vindas das meninas, mas Will pareceu escutar já que estava do meu lado. Riu discretamente e conseguiu se recompor antes que elas percebessem. Acho que elas caíram na história.
– Ei. Nós vamos ao cinema hoje. Você devia ir com a gente. – Diz Holly, que até então estava calada apenas ouvindo. Eu não sei se é uma boa ideia, mas aceito mesmo assim.
– Ótimo! Ás 3h na praça de alimentação, pode ser? – Will parecia bastante empolgado.
– Por mim, tudo bem. – Digo. E o sinal toca.
Isso realmente acabou de acontecer? Eu realmente acabei de marcar de sair com 3 pessoas que eu não conheço?
– Você não vem, Jenn? – Era Will me chamando quase no fim do corredor.
– É Jenni. – Digo sorrindo.
– Eu prefiro Jenn. – Ele responde um largo sorriso no rosto.
– Tudo bem, então. – Dou de ombros e corro para alcançá-lo e nós vamos para a sala juntos.
Chegando lá, eu troco de lugar e me sento ao lado de Will. Ele está sentando na fileira do canto, encostado na parede, bem no meio. Ele é daqueles que não é nerd o bastante, nem quase derrubou um professor, para se sentar na frente, mas também, não é tão, digamos, irresponsável a ponto de sentar no fundo para dormir ou conversar e não prestar atenção na aula. Era como eu, só que ele levanta a mão para falar na aula, eu não.
Não demorou muito para o sinal tocar. A aula de ciências foi agradável. Ao que parece, ter um amigo faz as coisas chatas parecerem agradáveis e passarem rápido.
– Então, eu vou indo. Até mais tarde. – Digo me despedindo de Will.
– Até mais. – Ele sorriu enquanto subia em sua bicicleta e se foi.
******
Não demorei a chegar em casa (uma das vantagens de morar perto da escola), mas tive que vir a pé, o que me deixou exausta (olá, desvantagem).
Abro a porta e me deparo com minha mãe sentada na sala lendo um livro de psicologia. O sonho dela é fazer psicologia.
– Oi, filha. Como foi a escola? – Pergunta ela sem demonstrar um real interesse na resposta.
– Normal. – Digo enquanto subo as escadas indo em direção ao meu quarto. – Vou ir ao cinema com uns amigos hoje, tudo bem? – Grito antes de entrar no quarto.
– Tudo bem. – Tenho certeza de que ela nem fazia ideia do que eu disse.
Entrei no quarto e olhei a hora. Eram 12:58h. Ainda faltam 2h. para o cinema, mas decido já separar a roupa, os sapatos, acessórios, decidir a maquiagem e tudo mais. Como eu acho que já deu pra perceber, não sou convidada para ir ao cinema frequentemente. Abro meu guarda-roupa e observo cada peça de roupa que tem ali. Nada me agrada. Então, eu começo a tirar tudo de lá, analisando peça por peça. Quando dou por mim, meu guarda-roupa está vazio. Olho em volta e vejo a bagunça que eu fiz. Olho a hora novamente: 13:50h. Por que eu to sendo tão idiota? penso É só um cinema. Pego toda a roupa do chão e jogo em cima da cama e vou tomar um banho. Eu realmente procurei uma roupa legal, mas no fim acabei vestindo um short jeans uma blusa larga do Guns ‘n Roses e meu All Star preto surrado. No rosto, passei apenas lápis de olho preto, delineador, rímel e um batom cor de boca. Deixei meu cabelo solto com os cachos ruivos caídos sobre meu ombro (eu não sou ruiva natural, eu pintei. Só pra deixar claro). Me olhei no espelho. Não estava tão mal. Olhei a hora novamente pensando que estava adiantada e.... Faltavam 5 minutos para às 15h. O tempo da minha casa até o shopping é de 20 minutos andando (É... eu meio que moro perto de tudo). Pego minha bolsa cinza (ela é velhinha, mas eu gosto dela.) e saio correndo. Quase rolo escada abaixo. Ah, não. Chega de cair por hoje!, grito em meu pensamento. Paro na sala de estar e avisto o meu irmão mais velho, Gustavo, sentado no sofá.
– Gustavo, eu preciso da sua ajuda. – Corro até o sofá me jogando em cima dele. – Preciso que me leve no shopping, AGORA. – Gritei a última parte. Ele tem 18 anos, carteira de motorista e uma moto. Tudo o que eu preciso nesse momento.
– Vai a pé, Jennifer. Eu tenho mais o que fazer. – Eu disse que ele é um doce? Eu não poderia ter um irmão melhor.
– Por favooor... – Disse fazendo carinha de cachorro abandonado. Eu sabia que não iria funcionar, mas eu estava em estado desespero. Não que eu me importasse, tipo, muito com o que iriam pensar de mim se eu chegasse atrasada, mas... sei lá.
– E o que eu ganho com isso? – É, ele percebeu que eu estava desesperada e vai tirar proveito disso.
– O que você quer? – Digo revirando os olhos.
– Seu CD do The Beatles. – Disse olhando para mim com um sorriso maléfico no rosto.
Me sentei, aproximei meu rosto do dele e disse baixinho, quase sussurrando:
– Sem chance. – Acho que não foi a resposta que ele queria ouvir. Mas minha mãe entrou na conversa.
– Gustavo, leva logo sua irmã ou a louça dessa semana é toda sua. – Eu já disse que amo a minha mãe?
Ele levantou bufando, pegou as chaves e saiu de casa pisando forte e batendo a porta. Eu fui logo atrás.
******
Chegamos exatamente 15h. Tem uma entrada da praça de alimentação que dá para rua por onde Gustavo me levou. Ele me deixou lá, fervendo de raiva.
– Muito obrigada, Gus – Ele odeia quando eu o chamo assim.
Ele virou e me olhou bem nos olhos. Eu vi que ele estava com raiva. É melhor eu tomar cuidado daqui em diante, porque vai ter volta. Então, ele deu partida e foi embora.
Entrei na praça procurando Holly, Mary e Will. Os avistei ao lado do McDonald’s, perto da porta de vidro por onde entrei. Holly me viu e acenou. Fui até eles. Cumprimentei as meninas com uma braço e o Will com um aperto de mão.
– Ei, quem era aquele que te trouxe na moto? Seu namorado? – Mary perguntou. Eu ri escandalosamente. Quando finalmente me recompus disse:
– Não. Era meu irmão. – Mary pareceu realmente interessada nele. Ninguém merece. Revirei os olhos quando percebi um pequeno e discreto sorriso se formou em seu rosto. – Então, que filme vamos ver?
– Estávamos querendo ver um suspense que entrou a pouco tempo em cartaz. – Disse Will animadamente.
– Então, eu e Mary vamos comprar os ingressos e vocês dois compram a comida e a bebida. – Afirmou Holly dirigindo-se a mim e Will – Combinado?
– Beleza! – Dissemos nós 3 em uníssimo.
Will me disse que eles sempre compravam o lanche no Mc. Não comiam pipoca no cinema. Só não me explicou o porquê. Mas eu não me importo. Fomos para a fila comprar os hambúrgueres e os refrigerante. Pegamos tudo, carregando com dificuldade. Caminhamos lentamente para não derrubar nada e tomando cuidado para não esbarrar em ninguém. Viramos a “esquina” para sair da praça de alimentação e um idiota apareceu do nada e esbarrou em mim derramando todo o refrigerante em cima de nós dois. Ficamos todos parados: eu, Will, o garoto e os dois amigos deles. É, hoje vai ser um dia longo.
– Você não olha por onde anda? – Gritou o garoto sem nem olhar para mim.
– Desculpa. Eu.... Eu.... Desculpa. Eu não vi. Eu... – Eu tenho o dom de esquecer como se fala nessas situações.
– A culpa não foi dela. – Disse Will. Eu tinha esquecido que ele estava ali. – Ela não te viu chegar assim como você não a viu. Não venha colocando a culpa nela sendo que você também tem culpa. Foi um acidente. E você sabe muito bem disso.
– Olha aqui... – Disse o garoto olhando para mim e depois para Will e novamente pra mim. Se ele iria dizer alguma coisa, desistiu. Ele desviou de mim e foi embora com os amigos. Eu fiquei ali, parada e sem reação.
– Você está bem? – Perguntou Will.
– Sim. Sim, estou. Anh... Obrigada. – Respondi, com aquele meu jeito tímido de sempre.
Compramos outros dois refrigerantes. Os hambúrgueres estavam intactos, por incrível que pareça. Voltamos para o nosso caminho.
Chegamos na porta do cinema e as meninas estavam nos esperando lá.
– Meu Deus! O que aconteceu com você? – Perguntou Mary, fazendo mais escândalo do que necessário.
– Não foi nada. Eu só esbarrei num garoto e derramei refrigerante. – Disse.
– E ele pagou outro refrigerante pelo menos? – Perguntou Holly.
– Eeerrrr.... Não. – Disse desconfortável.
Mary e Holly pareceram indignadas com o ocorrido, mas eu as fiz esquecer, pois o filme já estava para começar. Quando entramos, as luzes já haviam sido apagadas.
******
O resto do dia foi normal. Voltei para casa sozinha. Estava tão cansada que apenas peguei toda a minha roupa, joguei dentro do guarda-roupa e caí na cama, de sapato e tudo. Apaguei na hora.
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